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Cuidado para não se deixar guiar por lobos em pele de cordeiro: Você pode acabar sendo devorado por eles

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 00:57
Sábado, 05 de setembro
“Tem gente que reclama da vida o tempo todo
Mas a lei da vida é quem dita o fim do jogo
Eu vi de perto o que neguinho é capaz por dinheiro
Eu conheci o próprio lobo na pele de um cordeiro
Infelizmente a gente tem que tá ligado o tempo inteiro
Ligado nos pilantra e também nos bagunceiro
E a gente se pergunta por que a vida é assim?
É difícil pra você e é difícil pra mim”

 (Senhor do Tempo – Charlie Brown Jr.)



Lobos em pele de cordeiro. Já ouviram falar deles? Mas de onde vem essa expressão?  Foi durante em uma das pregações de Jesus, mais precisamente, no maravilhoso Sermão da Montanha, que compreende os capítulos 5 a 7 do evangelho de Mateus. Já naquela época, há longínquos dois mil anos, Jesus alertava seus seguidores para o risco de se deixarem levar por falsos profetas. Dizia ele às turbas: “Cuidado com os falsos profetas. Eles vêm a vocês vestidos de peles de ovelhas, mas por dentro são lobos devoradores”.
A expressão usada por Cristo, que por sua vez, devia ser fruto da cultura de sua época, deu origem a um provérbio latino que diz: “Sob uma pela de ovelhas, muitas vezes se esconde uma mente de lobo (Pelle sub agnina latitat mens saepe lupina).
É impressionante como depois de todo esse tempo, eles, os lobos em pele de cordeiro estão em toda parte. Nos tempos atuais, eles proliferaram, e muito. Estão na política, nas forças armadas, nas empresas públicas e privadas, nas escolas, nos hospitais, e em uma infinidade de outros setores. Eles também estão nas igrejas, e esse é o grande perigo. Pois quem busca um templo religioso, busca elevação, cura para as dores e angústias que assolam a alma humana. E justamente aí é que mora o perigo. Uma vez fragilizada naquilo que lhe é mais peculiar, o sofrimento, o fiel se torna fácil de aproveitadores de fala mansa e gestos bondosos que, muitas vezes, não está interessada em ser uma ponte entre ele e o altíssimo, mas sim, entre o fiel e o dinheiro que ele tem. Em outras palavras, os lobos estão mais interessados no bolso da ovelha e no dinheiro que a sua lã pode proporcionar, do que na salvação de sua alma.
Falando nisso, vez em quando, a poderosa Igreja Universal — que, recentemente, construiu, em São Paulo, um templo suntuoso, aos moldes do templo de Salomão, o templo, inclusive, tem este nome: Templo de Salomão — aparece envolvida em escândalos. Desde o seu surgimento em 1977, pelo Bispo Edir Macedo, a igreja se tornou um empreendimento milionário. Nem sempre, somente a graça de Deus, foi fruto desse enriquecimento. Há também muito de cobiça, ganância e todas essas coisas que estão bem longe das qualidades do Deus altíssimo.
Eu mesmo, já conheci uma mulher, quando ainda morava no nordeste, que era induzida a dar todo o dinheiro que recebia da aposentadoria para aumentar o pão da igreja, e na própria mesa não havia pão nenhum, apenas a necessidade premente de alimento, sem ser satisfeita. Já ouvi falar de outros que venderam a própria casa para pagarem o dízimo, e ficaram, literalmente, sem teto. Eu pergunto, será que Deus quer esse tipo de atitude?
Dessa vez, a Universal está envolvida em mais um grave escândalo. Sabemos que a fé é fundamental na vida de uma pessoa, mas ela deve andar de braços dados com a ciência e com a medicina. Não dá para dispensar o tratamento e acompanhamento médico, em doenças graves. Dessa vez, a igreja é acusada de induzir um paciente com Aids a abandonar o tratamento, e ainda transar com a mulher sem camisinha. Resultado o homem quase morreu, e ainda contaminou a mulher. Em consequência disso, a instituição religiosa está sendo condenada pela justiça, a pagar uma indenização de trezentos mil reais ao homem. A igreja nega o fato, mas fica a reflexão: Que igreja você frequenta e a que líderes religiosos segue? Na igreja, como em toda lugar, há pessoas boas e pessoas ruins, e você deve ter o cuidado de não se deixar guiar por lobos em pele de cordeiro, senão já sabe onde vai parar, não é mesmo?

Abaixo, compartilho reportagem publicada pelo Jornal Folha de São Paulo.
 ***
Templo de Salomão da IURD, em São Paulo
Universal é condenada a indenizar fiel no RS por prometer cura do HIV
PAULA SPERB
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, EM PORTO ALEGRE

Reino de Deus terá de pagar uma indenização de R$ 300 mil a um ex-fiel que abandonou o tratamento contra a Aids, contaminou a mulher e chegou à beira da morte, pesando 40 quilos.

Para a Justiça, o gaúcho de 36 anos foi convencido de que se livraria do HIV só com a fé em Deus –e doações à igreja.

"Os pastores diziam que a medicina estava desatualizada, levavam testemunhos de gente que se curou de câncer, Aids. Quando as pessoas não aceitam doar seus bens, dizem que tem um espírito ruim que não está permitindo", conta Lucas (nome fictício).

Tudo começou em 2005, quando ele descobriu que tinha o vírus e iniciou o tratamento. Angustiado, começou a frequentar os cultos da Universal por indicação de um vizinho. Quatro anos depois, em setembro de 2009, parou de tomar os remédios e passou a fazer sexo sem camisinha com sua mulher à época.

A decisão, diz, foi um "sacrifício" sugerido por um pastor em nome da fé para alcançar a cura. Mas nem isso nem a doação de um televisor e um computador à igreja foram suficientes para livrá-lo da doença e impedir a contaminação da mulher.

Dois meses depois de interromper o tratamento, Lucas foi internado com pneumonia grave. Ficou em coma induzido por 40 dias e saiu do hospital após quatro meses, com metade do peso normal.

A decisão do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul para que a Universal indenize Lucas por danos morais saiu no último dia 26. A igreja ainda pode recorrer ao STJ (Superior Tribunal de Justiça).

"Não há nada contra a fé, mas contra a forma abusiva de induzir as pessoas a abandonar o tratamento em nome da fé", disse à Folha o desembargador Eugênio Facchin Neto, relator do caso.

Procurada, a Universal negou à reportagem que tenha pedido para Lucas abandonar o tratamento, mas reiterou que há uma "vasta bibliografia científica" que sustenta a "afirmação bíblica de que a fé auxilia –e muito– na cura de doenças".

ABUSO

No acórdão, o juiz escreveu que a responsabilidade da Universal "reside no fato de ter se aproveitado da extrema fragilidade e vulnerabilidade em que se encontrava o autor, para não só obter dele vantagens materiais, mas também  abusar da confiança que ele, em tal estado, depositava nos ‘mensageiros’”.

Lucas diz que foi vítima de um golpe. "Inúmeras pessoas são enganadas todos os anos por essa igreja. Usam gente fragilizada, com filho no hospital, à beira da falência, para arrecadar os bens."

Ele conta que chegou a participar de uma "fogueira santa", ritual para eliminar todos os tipos de males e que arrecada dinheiro e bens em nome de Deus.

Segundo o advogado dele, Guilherme Pavanello Ortiz, a psicóloga que acompanha Lucas atendeu mais de 50 pessoas que abandonaram o tratamento para Aids por orientação da Universal. "Infelizmente, não é o único caso."

Durante o processo, a Universal chamou três testemunhas que disseram que tinham o vírus HIV e que foram curadas depois de participar dos cultos da igreja.

"Lá eu soube que as pessoas que usassem a fé seriam curadas, como muitos foram. E lá eu obtive a cura", afirmou uma delas no processo.

OUTRO LADO

A Igreja Universal do Reino de Deus declarou, durante o processo judicial, que Lucas deixou de tomar os remédios para a sua doença "voluntariamente, sem coação alguma".

Disse também que os pastores "apenas pregam a possibilidade de cura das enfermidades, de acordo com as orientações bíblicas, mas não prometem cura".
Em nota enviada à reportagem, a igreja afirma que Lucas "já era portador do vírus HIV quando foi acolhido pela Universal e que laudos e depoimentos presentes no processo atestam que, já naquela época, ele não se submetia aos tratamentos terapêuticos na forma indicada".

A igreja diz ainda, no documento, que “sempre destaca a importância da rigorosa observação dos tratamentos médicos prescritos”.

Segundo a Universal, o "próprio relator do recurso no tribunal reconhece que não há prova da suposta orientação para interromper o tratamento", porque isso "é mentira".

À Folha o magistrado do Rio Grande do Sul informou que baseou sua decisão em um "conjunto de evidências", que inclui testemunhas, vídeos de cultos com depoimentos de cura e pedidos de doações, reportagens sobre extorsões de bens por pastores e até uma "aula" em que o bispo Edir Macedo ensina outros pastores a arrecadar dinheiro dos fiéis.

A Universal também alega que "há vasta bibliografia científica sustentado a afirmação bíblica de que a fé auxilia –e muito– na cura de doenças".
A igreja afirmou ainda que considera "absurda" a alegação de que estimulou Lucas a não usar preservativo em suas relações.

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