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Chama

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 00:29
Sábado, 12 de setembro

“Eu sou a vela que acende
Eu sou a luz que se apaga
Eu sou a beira do abismo
Eu sou o tudo e o nada
Por que você me pergunta?
Perguntas não vão lhe mostrar
Que eu sou feito da terra
Do fogo, da água e do ar”

(Gita – Raul Seixas)



Sem muitas palavras iniciais.

No meio de um governo brasileiro confuso, que não sabe de onde veio nem para onde vai, ou que rumos tomar para, novamente, colocar o país nos trilhos da credibilidade... No meio de uma economia em crise... Vendo o país que amo, sendo olhado com desconfiança pelos investidores estrangeiros... Sabendo de crise dos refugiados na Europa... Resolvi fugir para o planeta poesia... E, de lá, lanço chamas de paz para vocês.


***




Chama

Sentado próximo à janela,
Olho a chama que consome e se devora
Com a brandura e a suavidade de quem ama.
Te consomes em vida,
Enquanto muitos de minha espécie
Fecham-se em morte.
Te agitas, te acalmas,
Como se a dor em teu peito
Não te permitisse ficar imóvel.
Tua dor se transforma em riso
Porque sabes que podes afastar o pior dos males:
A escuridão.

Admiro a gratuidade que há em ti.
Não cobras nada. Não exiges nada.
Apenas iluminas.
Teu único egoísmo é não te deixares aprisionar.
Te revoltas quando alguém ameaça te prender.
Queimas, provocas dor e sofrimento.
Embora considere egoísmo essa tua atitude,
Compreendo-te: És livre.
Se alguém te aprisionasse já não serias o que és:
Chama.

Não existiu começo sem ti.
Fico a imaginar, tu, invadindo o cosmos.
Com que alegria ou fúria deves ter te espalhado.
Invadiste o cosmo como invadiste meu quarto.
E, bem dentro dele, quieta, te consomes, me devoras,

Enquanto espero tua chegada.

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