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Um dia de rei e rainha para os plebeus

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 08:34
Segunda, 24 de julho


Deixando um pouco a política de lado, deixando de lado os governos hipócritas que apenas gastam, gastam e gastam, desequilibrando dessa forma as contas públicas, e depois fazem a população pagar pelos seus erros com aumentos de combustíveis, aumento de impostos, e outras decisões impopulares. Deixando de lado políticos que são amigos íntimos de empresários e deles extorquem milhões para seus partidos e seus cofres particulares, e depois que as coisas pegam fogo chamam esses mesmos empresários de “bandidos”, “falastrões” “bisonhos”. Deixando de lado tudo isso, falemos de coisas que não acontecem todos os dias e que chamam a nossa atenção, não importando em que parte do mundo elas aconteçam.

Mas ainda antes de sair dessa seara de vaidades e corrupção na qual se tornou a nossa política, pensemos na questão: Como será que a revelação do desvio de tanto dinheiro se faz sentir na mente daqueles a quem o sistema social jogou para fora de suas máquinas produtivas e lucrativas, como por exemplo os moradores de rua, e aqueles que sobrevivem com menos de um salário mínimo e ainda, com esse pouco, tem que alimentar mulher e filhos, sem que para isso tenham que se converter ao tráfico, nem roubar ninguém?

Que imagens se desenham no coração do brasileiro honesto, pagador de impostos, ao saber que o dinheiro que paga de tributos serve para comprar vinhos cuja uma única garrafa apenas é vendida a peso de ouro? Como fica a consciência e o coração daqueles que sabem que o dinheiro que poderia estar indo para a benfeitoria de hospitais, escolas, universidades, teatros, e todas as atividades que favorecem o desenvolvimento da alma e do espírito, está sendo gasto em banquetes luxuosos patrocinados por políticos ladrões, e empresários desonestos, para os quais a vida humana daqueles a quem governam e a quem servem, representa menos que um níquel?

Assim como, do nascer ao por do sol, precisamos abastecer nosso organismo com comida e bebida, para que ele se mantenha forte, saudável, e tenha energia para desenvolver as atividades que são inerentes ao nosso ser e viver humanos, também é necessário que alimentemos nossos pensamentos e sentimentos para que não sejamos presas fáceis da revolta e do desanimo ao pensar sobre todo esse cenário vergonhoso pelo atravessamos em campo político, do qual a ética, a decência e moral foram expulsos, e tiveram que mudar para bem longe.

Quem se lembrará dos mais necessitados? Que se lembrará daqueles a quem até simples visão de uma mesa para sentar, um pão para comer e um pouco de café para beber parecem coisas utópicas?

Muitos daqueles que acreditam em um ser superior, não importando a denominação religiosa a qual pertençam, seja católico, espírita, evangélico, o qualquer outra com ideias nobres, ainda se lembram, e saem pelas ruas, vielas e becos das cidades, no frio ou calor, na chuva ou no sol, com um pouco de comida para saciar a fome daqueles que tem fome, e com água para matar a sede daquelas cuja garganta está sedenta de água. Esses anjos podem ser encontrados em qualquer lugar, em qualquer país, em qualquer continente. Isso se chama solidariedade: dá sem esperar recompensas.

Lembrando que esse empenho em ajudar a quem mais precisa parte também de organizações não religiosas.

Essa coisa de dar sem receber deve parecer babaquice para a grande maioria de nossos políticos que apenas se interessam em amealhar tesouros para si, enquanto a população fica à mercê da própria sorte. Um exemplo gritante disto é o Estado do Rio de Janeiro, no qual o governador Sérgio Cabral foi tão ávido por propinas, dinheiro sujo e ilícito, tirando o alimento e o remédio da boca daqueles que mais precisavam, e hoje o Rio se encontram em uma escalada impressionante de violência, servidores sem receber salários, e escolas e hospitais às moscas, e um número altíssimo de policiais assassinados. O Rio é hoje um Estado que recebeu grandes eventos, e que do pódio das medalhas de ouro, foi jogado na poeira do abandono.

Sem contudo fugir ao tema de ceias e banquetes, e boas ações, conforme prometido no primeiro parágrafo, este blog sai um pouco do Brasil e de suas crises econômicas, morais e éticas, e vai até Carmel, subúrbio do norte de Indianápolis, capital do Estado norte-americano de Indiana.

Lá a atitude de uma noiva cujo noivado foi desfeito, lembra-nos um pouco a parábola do grande banquete, relatada no livro sagrado dos cristãos. Vamos visitar essa parábola , narrada no evangelho de Lucas, capítulo 14, versículos, 16 a 24, ver o que ela nos conta?

Certo homem estava preparando um grande banquete e convidou muitas pessoas. Na hora de começar, enviou seu servo para dizer aos que haviam sido convidados: Venham, pois tudo já está pronto. Mas eles começaram, um por um, a apresentar desculpas. O primeiro disse: ‘Acabei de comprar uma propriedade, e preciso ir vê-la. Por favor, desculpe-me’. Outro disse: ‘Acabei de comprar cinco juntas de bois e estou indo experimentá-las. Por favor, desculpe-me’. Ainda outro disse: ‘Acabo de me casar, por isso não posso ir’. O servo voltou e relatou isso ao seu senhor. Então o dono da casa irou-se e ordenou ao seu servo: ‘Vá rapidamente para as ruas e becos da cidade e traga os pobres, os aleijados, os cegos e os mancos’. Disse o servo: ‘O que o senhor ordenou foi feito, e ainda há lugar’. Então o senhor disse ao servo: ‘Vá pelos caminhos e valados e obrigue-os a entrar, para que a minha casa fique cheia. Eu lhes digo: nenhum daqueles que foram convidados provará do meu banquete’".

Imagine que você é um noivo, ou uma noiva cujo casamento acaba repentinamente quando tudo já estava pronto para a grande festa: vestido, véu, e terno prontos para serem vestidos. Banquete luxuoso para 170 convidados, pago. O custo da festa era de U$ 30.000, cerca de R$ 96.000 mil. Por contrato pré-estabelecido entre as partes, o bufê não aceita devolução dos valores pagos.

O que você faria além de sentar e chorar? Ver o dinheiro a comida pela qual pagou ser desperdiçada? Uma noiva de Indianápolis pensou rápido quando um fato semelhante desagradável aconteceu com ela.

Sarah Cummins e noivo já estavam com tudo pronto para o grande dia em que transformariam em um só seus caminhos na vida. Mas algo não saiu como o esperado e o sonho foi desfeito.

A festa seria no Ritz Charles um luxuoso centro de eventos da cidade. Arrasada, a noiva teve que ligar para 170 convidados e cancelar a festa e pedir desculpas pelo ocorrido. Ligou também para os fornecedores.

Além do dor que vinha do coração partido, uma dúvida que lhe atormentava o coração: o que fazer com a comida que já havia sido encomendada para a recepção dos convidados? Jogar fora. Não era desperdício demais.

Andando pelas ruas da cidade, Sara Cummins, viu muitos moradores de rua. E pensou que aquelas pessoas humildes nunca haviam tido a chance de estar em um lugar luxuoso e muito menos de participar de um banquete de primeira linha.
Sara, que tem vinte e cinco anos, e cursa Farmácia, na Universidade Purdue, logo soube que destino daria a comida que havia encomendado para a festa de casamento: os moradores de rua seriam seus convidados.

Em comum acordo com o ex-noivo, procurou o Wheeler Mission Ministrie, organização beneficente não religiosa que trabalha com moradores de rua, e ver de que modo poderiam fazer para dar outro rumo a uma festa que seria de casamento.
Como ninguém faz nada sozinho, logo, Sara recebeu ajuda de várias pessoas físicas e jurídicas que doaram roupas e outros adereços para vestir os convidados. A própria No dia em que seria a festa de seu próprio casamento, Sara Cummins recebeu os convidados humildes  com um abraço e sorrisos no rosto. Naquele dia, 170 moradores de rua de Indianápolis tiveram um dia de rei e rainha.

E assim, Sara Cummins, mesmo vivendo um dos momentos mais difíceis de sua vida, amenizou um pouco de sua dor, e fez a alegria de quem, de outro modo, não poderia jamais participar de um banquete luxuoso.

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Vampiros brasileiros

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 00:12
Quinta, 20 de julho



Que momento de turbulência vive o Brasil?

Será que de tudo isso virá alguma mudança?

Só o tempo dirá.

É escandaloso o que fez o PT. É escandaloso o que fez o PMBD. É escandaloso o que fez o PSDB. Mudemos o tempo verbal destas frases na terceira pessoa do singular do pretérito perfeito do indicativo para a terceira pessoa do singular do presente do indicativo e elas ficam assim: É escandaloso o que faz o PT. É escandaloso o que faz o PMDB. É escandaloso o que faz o PSDB. Idem para todos os partidos os partidos políticos deste nosso Brasil.

Sim. Porque, apesar de em curso a maior operação policial que o Brasil já conheceu, a Lava Jato, o desejo insano por dinheiro, dinheiro e mais dinheiro — dinheiro sujo, enfatize-se — os vampiros não pararam de sugar o nosso sangue. Oh, Drácula, vem, deixa as telonas, as páginas dos romances, deixa o imaginário popular e leva estes filhos para a Pensilvânia. Lá sim, eles terão sangue à vontade, e nós, teremos paz. Tem o vampiro Temer, que nós todos tememos. Tem o Vampiro Lula. O vampiro sedento, talvez o mais sedento de todos, Sérgio Cabral. E outros vampirões e vampirinhos, não menos perigosos. Enfim, fica à vontade  discípulos teus não faltam por aqui nas matas de nossa política...

Por falar em sugar e escândalo, é escandalosa a forma com que Michel Temer tem usado a máquina governamental para comprar deputados, ou melhor para comprar o voto dos parlamentares.

Não é novidade nenhuma, apesar de ser uma grande decepção, se as investigações contra o governo não avançarem, será um desengano, mais um, se os deputados barrarem na Câmara dos Deputados o prosseguimento das investigações contra Michel Temer. E pensem os caros leitores e leitoras que não se trata de a Câmara dos Deputados condenar sumariamente um presidente, trata-se apenas e tão somente de fazer com que a denúncia contra ele, apresentada pela Procuradoria Geral da República, tenham prosseguimento, e o presidente seja julgado pelo Supremo, após a conclusão das investigações. Apenas isso.

Então porque e para que tanto empenho e tantas manobras do governo? Mês de junho então, foi uma dinheirama que Temer liberou para emendas parlamentares aos deputados que votaram nele na CCJ. E de onde sai esse dinheiro, senhoras e senhores, senão do bolso do contribuinte?

E as negociatas sujas, o balcão de negócios políticos continuarão por todo esse mês até que venha a votação em plenário na Câmara que decidirá o futuro do governo sem futuro.

Claro toda essa dinheirama derramada na compra dos “nobres” deputados apenas vem a onerar ainda mais o rombo das contas públicas. E olhem que o rombo já é enorme. O que faz o governo então? Cobre um santo e descobre outro. Ou seria melhor dizer cobre um diabo e descobre um santo?

Nesta quarta-feira (19), o governo decidiu aumentar o PIS e COFINS, tributos cobrados sobre a gasolina e o diesel. O aumento desses tributos que incidem sobre os combustíveis, incidirão sobre o preço dos mesmos, e como as coisas nessa área funcionam como efeito em cascata, o consumidor brasileiro, logo sentirá os efeitos negativos dessa cascata no aumento de produtos. Ora, se o governo quer cortar gastos, que comece economizando algum cascalho no mercado dos deputados.

Outra coisa que causou rebuliço foi a condenação do ex-presidente, Luís Inácio Lula da Silva, pelo crime de corrupção passiva. A condenação do ex-presidente pelo juiz Sérgio Moro foi de 9 anos e meio de prisão no caso do triplex do Guarujá. Lula, como sempre, naquela posição arrogante que lhe é característica, se diz perseguido político. Diz também que o apartamento não o pertencia.

Moradores da vizinhança onde fica o tal prédio, dizem que a falecida ex-primeira dama, Marisa e Letícia, e os filhos, eram vistos com frequência em sorveterias e restaurantes nas proximidades do prédio, e no próprio prédio onde fica o imóvel. Que faziam eles lá se não eram donos do apartamento?

Mais espantoso do que ver Lula negar com tanta veemência seus crimes, é ver que ele ainda está bem cotado nas pesquisas para as próximas eleições. O ex-presidente foi sindicalista, sabe muito bem como convencer as massas. Mas não seria a hora de os brasileiros saberem em quem não votar para as próximas eleições? Será que não seria hora de os eleitores saberem em que não colocar na cadeira presidencial?

Não é preciso ser nenhum expert no assunto para saber que as intenções de Lula para um novo mandato não são as melhores.

É certo também que não vemos no horizonte nenhuma liderança capaz de nos apresentar um outro jeito de governo que não seja esse modo ultrapassado e atrasado usado pelas velhas raposas do mundo político. Nem mesmo para o voto consciente há alternativas boas. Mas se não sabemos em quem votar, pelo menos em que não votar deveríamos estar convictos quanto a isso.

Abaixo, este blog compartilha texto escrito pelo jornalista Juan Arias, colunista do jornal El País Brasil. O texto intitulado, Podem as urnas absolver Lula?, foi publicado no referido jornal em 17 de julho.

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Lula depois de pronunciamento  AFP

Podem as urnas absolver Lula?

Brasileiros têm oportunidade de impedir que os políticos moralmente mortos possam ressuscitar nas urnas

JUAN ARIAS

Em suas primeiras palavras, depois de sua condenação a nove anos e meio de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, o ex-presidente Lula lançou um desafio que merece ser analisado pela sutileza e a gravidade que encerra. Lula, que continua se considerando inocente e perseguido político, e nega todas as provas apresentadas conta ele pelo juiz Moro, afirmou, depois de conhecer a sentença: “Só o povo brasileiro tem poder de decretar meu fim”. Ao mesmo tempo, anunciou que, por isso, apesar de todas as condenações judiciais, será candidato às presidenciais em 2018. A afirmação de Lula apresenta um problema real e, ao mesmo tempo, perigoso: podem as urnas, ao eleger um condenado por corrupção, absolvê-lo de seus crimes? Quem teria mais força, uma sentença judicial ou uma decisão eleitoral?

O carismático e popular Lula conhece como poucos a idiossincrasia das massas e não lhe falta capacidade de convicção. Entende perfeitamente os mecanismos da comunicação e sabe como reverter as coisas, conforme vê por onde sopram os ventos da opinião pública. Sobra-lhe sagacidade política. Desse modo, Lula encontrou uma fórmula mágica para esvaziar a sentença do tribunal de justiça que o condenou por corrupção, e lança o maior dos desafios: quem pode e deve condená-lo não são os juízes, mas a rua, os eleitores, com seu voto nas urnas.

A estratégia de Lula de exigir o veredito dos eleitores, que, em seu caso, poderia acabar salvando-o da prisão, encerra, porém, uma perigosa falácia. Significaria dar maior peso à opinião pública que aos tribunais de Justiça. Se for certo, segundo Lula, que somente o povo tem o direito de absolver ou condenar um político contra uma sentença judicial, estaria sendo dado às eleições um poder de decisão que a Constituição não lhes outorga. Se isso for certo, e prescindindo do caso particular do mítico Lula, todos os políticos brasileiros (presidentes, senadores, deputados, governadores ou prefeitos eleitos) estariam impossibilitados de ser julgados e condenados pelos tribunais. Seriam inocentes pelo fato de terem sido eleitos, ou seja, “absolvidos” nas urnas. Se for certo que a inocência ou culpabilidade dependem do veredito eleitoral, existe o perigo de que nas próximas eleições de 2018 muitos dos políticos hoje denunciados, réus, até os já condenados pela Justiça, possam considerar-se absolvidos se conseguirem ser reeleitos. Daí as manobras que estão sendo detectadas no Congresso para que todos os envolvidos em histórias de corrupção consigam a reeleição.

É um jogo perigoso, já que o que se conhece pela experiência de corrupção política que o Brasil sofre é que a maioria dos hoje denunciados ou condenados foram os que o maior número de votos conseguiu nas urnas. Não costumam ser os maiores corruptos os que, aos disporem de maiores meios financeiros, apresentam maiores possibilidades de serem reeleitos? Será esse o novo desafio para o eleitor brasileiro em 2018: estar alerta para não “absolver” nas urnas, como no passado, aqueles que são notoriamente corruptos ou corruptores.

Deixemos, pois, que cada instituição cumpra seu papel. Os tribunais de Justiça que julguem a culpabilidade ou inocência dos políticos e que os eleitores se esforcem em votar em quem considerem mais digno e mais bem preparado para presidir os destinos do país. Como reza o dito do evangelho: “A César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”. Jesus provocou também os seus com o enigmático conselho: “Deixem que os mortos enterrem seus mortos” (Mateus 8:21). Os brasileiros têm a ocasião, nas eleições do próximo ano, de impedir que os políticos moralmente mortos possam ressuscitar nas urnas. 

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Encarando o monstro de frente

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 00:42
Sexta-feira, 14 de julho


Era alvorecer de um novo dia em um país chamado Brasil. Um homem e uma mulher corriam apressados pelas ruas de Brasília, capital do país. Era uma cidade bela e atraente. Ali não se podia dobrar esquinas, pois esquinas não existiam. Dividida em duas asas, Norte e Sul, cortada ao meio por uma longa via, do alto a impressão que se tinha era a de que a cidade era um avião pronto a decolar a qualquer instante.

Há tempos os apressados fugitivos sentiam que suas riquezas diminuíam a cada dia. Em casa, nas despesas domésticas, os recursos minguavam. Se iam a alguma instituição pública, como por exemplo, em escolas e hospitais, sentiam que elas deterioravam cada vez mais. As peças do quebra-cabeça pareciam não se encaixar direito. O dinheiro que era arrecadado com os impostos para onde ia? Certamente, não eram aplicados naqueles serviços, pois, se assim o fossem, a coisa pública não estava capenga do jeito que estava. Alguma fonte, ou coisa maligna estava sugando os recursos da nação, e eles não sabiam quem ou o que estava fazendo isso. Tudo era um grande mistério para eles.

Administrativamente, as coisas no país não andavam bem já fazia algum tempo. Haviam atravessado um período difícil sob o comando da ditadura militar. O regime havia vigorado durante vinte e um anos, e ficou conhecido como “anos de chumbo”. Cessão de liberdades total. Era proibido falar ou fazer qualquer coisa que parecesse que se estava agindo de forma contrária ao que pregavam os militares. Muitas pessoas foram mortas, outras tantas presas, torturadas, ou exiladas.

Finalmente, veio a abertura democrática, mas muito da riqueza cultural que vinha desabrochando no Brasil, antes daqueles terríveis anos, foi se perdendo aos poucos e quase despareceram na poeira do tempo. Talvez por que o trauma tenha sido muito grande para aqueles que militaram nas trincheiras pró-liberdade, e por isso eles tenha se voltado para dentro de si como faz uma rosa que em vez de um desabrochar estonteante amarga um triste murchar. Muitos desses artistas mudaram a linha de suas composições, tornaram-se mais suaves, e menos críticos.

Enfim a democracia se consolidou. Os anos de chumbo ficaram para trás das cortinas de um passado que não deve ser esquecido, mas que deve estar sempre vivo para se saber que por aquele caminho não devemos mais andar. Nesse novo tempo, os habitantes do Brasil puderam escolher seus governantes através de eleições diretas. Porém, os esperançosos habitantes da bela nação brasileira nunca tiveram muita sorte em suas escolhas.

Logo após a derrubada do regime militar o grito das ruas brasileiras era por eleições diretas, no movimento que ficou conhecido como Diretas Já. Mas esse desejo não foi plenamente realizado. Em 15 de janeiro de 1895, Tancredo Neves era eleito presidente do Brasil para um mandato de seis anos, por um colegiado. Mesmo assim, o país tinha um presidente civil, após os anos de castigo sob o regime. Logo, porém, a esperança sofreu um golpe.

Em 14 de março, Tancredo foi internado às pressas no Hospital de Brasília, foi uma longa agonia para o paciente, e para os brasileiros. Tancredo morreu no dia 21 de abril de 1985, 12 horas antes da tão sonhada posse que lhe permitiria assumir os destinos da nação. Em seu lugar assumiu José Sarney. A morte de Tancredo foi um balde de água fria em uma nação que sonhava com um Brasil mais justo.

Sarney foi o primeiro presidente civil, de fato, que o Brasil experimentou após os anos de chumbo. Entretanto não havia sido escolhido por vontade popular, mas por um colégio eleitoral.

Vieram as eleições de 1989, e apresentou-se como candidato, Fernando Collor de Melo, que se autodenominava “O caçador de marajás”. Venceu as eleições com a promessa de acabar com a corrupção no país. Ledo engano. Em fins de dezembro de 1992, o caçador de marajás, sofria processo de impeachment, e renunciava ao cargo, sob nuvem de denuncias de corrupção em seu governo, deixando na cadeira presidencial, seu vice, Itamar Franco. Depois de Itamar, o país passou as mãos de Fernando Henrique Cardoso.

Após dois anos de governo Fernando Henrique, surgiu mais uma esperança: o metalúrgico e sindicalista Luís Inácio Lula da Silva. Homem do povo, trabalhador, linha de ação de esquerda. Iria transformar o Brasil em país dos sonhos em se falando de educação, saúde, e segurança. Até que o presidente operário fez um bom governo. Então veio mais um balde de água fria na cabeça dos brasileiros. De revolucionário, o novo presidente não tinha nada. Aliou-se aos poderosos de direita, de esquerda, de centro, não importando que linha de ação eles defendiam, mas sim, o apoio que estes lhe podiam dar no Congresso.

Fez contratos sem escrúpulos com a iniciativa privada, e transformou o congresso nacional num mercado de comprar deputados. O escândalo estourou no mensalão. Braços direitos do presidente foram condenados à prisão, mas nele, nada respingou. Ele soube fazer as trapaças muito bem feitas, e muito bem escondidas. E seu governo continuou pelo mandato seguinte, legalizando e ampliando a corrupção.

Mas como diz o ditado, “a Justiça tarda, mas não falha”, e ela tardou mas não falhou.  A mão de ferro do juiz Sérgio Moro condenou o ex-presidente por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do Triplex do Guarujá. A sentença foi anunciada na quarta-feira (12) e logo provocou reações contrárias a favor dentro e fora do congresso. O juiz baseou a condenação no fato de Lula ter se beneficiado de recursos desviados para a compra e reforma do imóvel, e também por entender que o ex-presidente recebeu vantagens indevidas da OAS em função de contratos da empreiteira com a Petrobrás.

Agora o ex-presidente se diz perseguido politicamente, que é vitima da justiça e da imprensa, e essas coisas todas que ele sempre disse. E vai fazer de tudo para concorrer as próximas eleições presidenciais, não porque queira fazer algo de bom pelo país, mas para fazer da cadeira presidencial um refúgio contra a lei.

A defesa do presidente recorreu da decisão do juiz Sérgio Moro, e se esse recurso não for julgado a tempo, e até lá, em um cenário hipotético no qual Lula consiga se reeleger, enquanto ele estiver na presidência, ele se livra da justiça. Outro fator motivador para o ex-presidente querer tanto voltar à presidência deve ser o gosto da vingança contra aqueles que o “perseguiram”, então, será, de fato, o fim da Lava Jato.

Ainda falando da falta de sorte dos brasileiros na escolha de suas lideranças, Lula fez Dilma sua sucessora. E talvez tenha sido esse seu grande erro. Dilma uma mulher sem experiência política nenhuma, fechou em posição arrogante, não dialogou com o congresso. Achava que se bastava a si mesma. Fez um governo medíocre, mesmo assim foi reeleita, usando para isso a máquina estatal. Quase levou o país a falência. Sofreu impeachment, acusada de atos fiscais ilegais.

Para azar dos brasileiros, o vice na chapa dela, era Michel Temer.

Dizem que Lula era o chefe da quadrilha e de um esquema criminoso que vigorou no país por treze anos, se contarmos os governos petistas dele, e de sua apadrinhada política, Dilma Rousseff. Mas o que o governo de Michel Temer tem feito é coisa de escandalizar até o mais recatado puritano.

Primeiro, escapou do processo de cassação da chapa Dilma-Temer, no Supremo Tribunal Eleitoral. Mexeu os pauzinhos por lá, e com a ajuda do amigo, Gilmar Mendes, presidente daquele órgão, conseguiu se safar dessa, mesmo com provas contundentes de que houve abuso de poder econômico nas eleições de 2014, a qual ele concorreu junto com Dilma.  

Depois disso, foi pego na arapuca do empresário Joesley Batista, junto com seu fiel escudeiro, Rodrigo Rocha Loures. Tarde da noite, em encontro reservado, e às escondidas, o presidente ouviu do empresário a confissão de crimes gravíssimos, como a compra do silencio de Eduardo Cunha, bem como a manipulação de juízes, e ainda consentiu com isso. O empresário confessou em delação premiada que o presidente havia pedido uma gorda mesada de R$ 500 mil reais semanais por cerca de vinte anos, o que totalizaria uma quantia de R$ 480 milhões. Uma aposentadoria em forma de propina. Na ocasião em que Rocha Loures foi pego com a mala contendo R$ 500 mil, isso correspondia à primeira parcela desse acerto.

O procurador geral da Republica, Rodrigo Janot, apresentou denuncia contra Temer pelo crime de corrupção passiva. O Supremo Tribunal Federal acolheu a denuncia, e enviou para a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara para apresentação de parecer, e demais ritos. Para depois a denuncia ir a plenário para autorizar ou não o prosseguimento da denúncia.

O empresário já havia dito, referindo-se a dinheiro, em entrevista à Época que “O Temer não tem muita cerimônia para tratar desse assunto. Não é um cara cerimonioso com dinheiro”. Joesley afirma também na mesma entrevista concedida a revista em Junho deste ano: “O Temer é o chefe da Orcrim (organização criminosa) da Câmara. Temer, Geddel, Henrique, Padilha e Moreira. É o grupo deles... Essa turma é muito perigosa”.

Confirmando o que disse Joesley, Temer não fez a menor cerimônia em comprar o apoio dos deputados da CCJ. Passou, ao menos explicitamente, dois dias inteiros dedicados a receber deputados no Palácio do Planalto para negociar com eles. E fez mais, aos integrantes da CCJ que eram manifestamente favoráveis a aceitação da denúncia, Temer fez a troca desses deputados.

As artimanhas do governo, o oferecimento de verbas, e a troca de deputados funcionou. Nesta quinta, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, rejeitou o relatório do deputado Sérgio Zveiter, recomendando o prosseguimento da denuncia. 25 deputados votaram a favor do relatório, e 40 votaram contra. Houve uma abstenção. Mesmo tendo sido rejeitado o relatório de Zveiter, o prosseguimento ou não da denuncia será decidido no plenário da Câmara. Logo em seguida à votação foi aprovado um novo relatório que pede o arquivamento da denúncia. E este será o relatório que irá a plenário.

O que os brasileiros assistiram foi uma acintosa tentativa de obstrução da justiça,e abuso de poder econômico. Como disse Joesley, Temer é mesmo um cara sem cerimônia. E para conseguir o arquivamento da denuncia no plenário da Câmara, o que ele fará? Deputados não podem ser substituídos como ocorreu na CCJ. Haverá um plano mais arrojado de compra de deputados?

Enquanto isso, o homem e a mulher, que corriam desesperados em meio aos caos de Brasília, perseguidos pelo inimigo por tanto tempo oculto, e que agora se fazia manifesto, e recebia um nome de corrupção e políticos corruptos, de repente, sentiram que se continuassem fugindo iriam acabar mortos e sem esperança. Sentiram que ainda lhes restava um pouco de força, e decidiram que era hora de parar de fugir, e encarar o monstro de frente. Viraram-se e o que viram era mais terrível do que eles suponham. Mas era preciso ser forte. Aquele era o momento. Era aquela a hora de lutar com todas as forças e derrotar o inimigo, e fazer com que as coisas no país prosseguissem em paz.

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Tempos de verbas magras e propinas gordas

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 01:01
Terça-feira, 11 de julho

Sessão da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ)

Fosse na antiguidade,  ou na atual modernidade, ou na tão falada pós-modernidade, para ganhar medalhas de ouro no campeonato das nações ditas avançadas, desenvolvidas, há que suar a camisa, treinar, trabalhar, incentivar, apostar todas as fichas na educação. Para ganhar as olimpíadas do progresso é preciso ter boas escolas, boas universidades, professores bem remunerados, e alunos motivados.

Abramos a cortina do passado e nos depararemos com civilizações onde arte e cultura eram abundantes e fartas, e tinham como projeto desenvolver o homem em sua totalidade. Em Atenas, por exemplo, na Grécia antiga, o objetivo principal era desenvolver o homem como um todo: preparo físico, psicológico, e cultural.

Descortinemos o presente e veremos que as cidades que estão equilibradas no campo econômico e dele colhem frutos abundantes, são nações que apostaram na educação como pilar principal de suas sociedades, como por exemplo, Alemanha, Estados Unidos, Inglaterra, Suécia, Japão, e tantas outras.

Educação é a luz que se acende, não para se colocar embaixo da mesa, mas em lugar de destaque na casa para que ela possa iluminar a todos.

E no Brasil? Fala-se tanto em recuperação da economia, em recessão, em desemprego, e tudo o mais que os governantes e os cidadãos devem se preocupar. Isso é uma visão imediatista. Mas olhemos ao longe e nos perguntemos para onde caminhamos. Para a mediocridade? É verdade que, de mediocridade já está cheio o Congresso Nacional. Como poderemos correr se tivermos pés de barro, por não termos acompanhado as tendências de países desenvolvidos. Se não cuidarmos seremos ultrapassados até mesmo pelos países em desenvolvimento.

A situação atual da educação no Brasil não é lá das melhores. Se já era capenga, em meio à crise, se tornou mais ainda. As universidades federais que deveriam ser celeiro do conhecimento estão operando no vermelho. As verbas das quais elas dispõem para pagamentos de contas darão para quitar as dívidas, no máximo, até setembro. Em outubro é bem possível que a fonte seque e as universidades não consigam mais arcar os custos de manutenção.

O corte no orçamento para este setor, foi violento: 7% este ano. A estimativa é de que governo libere pouco mais de R$ 3 bilhões para 63 instituições de ensino no país, para as despesas básicas como salários de terceirizados, e despesas de água e luz, dentre outras.

Os reitores das universidades federais estão se virando nos trinta para fazer render o pouco dinheiro que tem. Estão dando uma de malabarista para equilibrar as contas. E para isso, muitas vezes estão tendo que cortar na pele. A Universidade de Brasília (UnB) demitiu cerca de 175 terceirizados, outras universidades também seguiram o mesmo caminho de corte de pessoal.

Os estudantes bolsistas sofrem na pele a crise no sistema educacional. O Programa Nacional de Assistência Estudantil sofre com os cortes de verbas. Setores essenciais como laboratórios também passam por dificuldades.

Peça chave nas universidades, os professores também estão sendo prejudicados por todo esse cenário caótico. Um projeto que existe desde 2009, que visa levar para a Suíça, professores de Física, está ameaçado. No país europeu, os professores brasileiros tem a oportunidade de reciclar e aumentar os seus conhecimentos no CERN (Organização Europeia para Pesquisa Nuclear), maior laboratório de física do mundo. A instituição dá um show de bola quando se trata de experimentos na área de física. Para começar, a área abrangida pelo CERN equivale a dez estádios do Maracanã.

O governo financiava a passagem dos professores e uma ajuda de custo para as despesas na Suíça. Veio à crise e os professores tiveram que enfiar a mão no bolso para pagar a própria passagem. No ápice desses momentos difíceis não há verbas nem para passagem, nem para despesas de custeio. Alguns professores que pretendem ir à Suíça, e que não querem perder essa excelente oportunidade de pisar, pelo menos, por algum tempo no primeiro mundo da Física, estão fazendo vaquinha pela Internet para arrecadar cerca de R$ 15 mil. O dinheiro servirá para levar 20 professores para o CERN.

Cientistas e pesquisadores são atletas principais no time da ciência, e se esses atletas não tiveram incentivo como poderão ganhar campeonato. A educação é exercício fundamental para a nação que quer ser rica e prospera.

É preciso cortar gastos, é necessário, mas educação deveria ser prioridade. O que nos incomoda, e muito, é ver que o dinheiro que deveria ir para setores essenciais e que são pilares em qualquer nação desenvolvida vão para os bolsos de políticos corruptos.

Enquanto isso, eles ficam lá em Brasília, debatendo, discutindo, alguns ofendendo a nação com suas posições retrogradas e defensoras do crime de corrupção, crime esse que ceifa tantas vidas em nosso país.

Hoje, por exemplo, foi um dia decisivo na tramitação da denuncia de corrupção passiva contra o presidente Michel Temer. O senador Sergio Zveiter, apresentou o seu parecer. Antes disso, porém, houve muito bate boca entre os deputados integrantes da CCJ. Na leitura do seu relatório, Zveiter, recomendou que a CCJ e o plenário autorizem o STF a analisar a denuncia contra Temer.

Ora se Temer diz que a denuncia é frágil, então porque montou uma operação de guerra para tentar barrar a denuncia na Câmara dos Deputados? A base aliada do governo trocou 13 membros da comissão, e a recomendação é trocar quem se manifeste favorável à autorização da denuncia.

Nos últimos dias, o governo não tem governado. O que Temer tem feito é usar a máquina do Estado em sua própria defesa. Em apenas dois dias teve reunião com 33 deputados, um de cada vez, para oferecer cargos e vantagens àqueles que ficarem do seu lado. Isso não é dito expressamente, e ate negado pelo Planalto, mas, na realidade foi isso o que aconteceu.

Quando Joesley Batista disse que Temer não tinha nenhuma cerimônia quando o assunto se tratava de pedir propina, agora se vê que Michel Temer também não tem nenhuma cerimônia quando o assunto se trata de se manter no poder a qualquer custo.

Mais do que educação aos políticos de nossa terra, está faltando vergonha na cara.

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Governo Temer: Mais um embate decisivo

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 00:32
Domingo, 09 de julho

Michel Temer e Rodrigo Maia

Era 12h25, horário local em Hamburgo, Alemanha — 7h25min no horário de Brasília, quando o presidente Michel Temer deixou o encontro da cúpula do G20. O presidente saiu antes dos demais líderes mundiais. Não acompanhou a última sessão, bem como não acompanhou o comunicado conjunto, o documento conjunto divulgado, tradicionalmente, ao fim do encontro.

Por falar em Hamburgo, e em cúpula do G20, a cidade alemã estava um inferno. Várias violentas manifestações de rua ocorreram na cidade. Talvez tenha sido um dos encontros mais tensos realizados pelo G20. Além disso, houve desencontros diplomáticos entre os líderes, e poucos acordos foram assinados nas áreas de clima e comércio. O comunicado final confirmou a saída dos Estados Unidos do acordo de Paris, enfraquecendo a luta pelos efeitos devastadores do clima sobre o planeta. Entre carros queimados, policiais e manifestantes feridos, muita confusão e desentendimento entre os líderes mundiais nas questões de clima e comércio, pode-se dizer que a reunião da cúpula do G20 deste 2017, foi mirrada, murcha, não correspondeu às expectativas.

E por falar em manifestações de rua, elas não acontecem quando as coisas estão se desenvolvendo em paz. Quando pessoas da própria Alemanha, e de outros países saem às ruas para protestar é sinal de que algo não está bem, ou muita coisa não anda bem, e não anda na linha. Então quando as coisas não estão bem, as ruas se agitam, e gritam, e choram... E pedem melhoras na situação.

No meio de todo esse caldeirão de ideias ferventes na Alemanha, estava o nosso presidente, Michel Temer. Em entrevista aos jornalistas, ele se comportou como quem não mora no Brasil, e, além disso, não lê jornais, nem blogs, nem procura se inteirar do que acontece no país.

Era 6h da manhã de sexta-feira (7), quando o presidente chegou ao Hotel Le Meridien, em Hamburgo, onde ficaria hospedado nos dias em que estaria na cidade para participar do encontro com os líderes mundiais. Os jornalistas que estavam de prontidão à sua espera, logo posicionaram as câmeras e microfones e disparam suas perguntas. Um deles fez uma pergunta pra lá de óbvia.

Os bons jornalistas são assim, sabem fazer perguntas óbvias e perguntas complexas e, através delas, provocar o seu entrevistado. Um deles, perguntou ao presidente se existia crise econômica no Brasil. O presidente Michel Temer respondeu de forma enfática: “Não, não. Pode levantar os dados e você verá que estamos crescendo no emprego, estamos crescendo na indústria, estamos crescendo no agronegócio. Lá não existe crise econômica não.

Quando já voltava às costas para se dirigir para o interior do hotel, outro jornalista tocou em outro ponto deste mesmo assunto ao perguntar se a crise política atrapalhava o bom andamento da economia. O presidente virou o rosto para os jornalistas, e disse apenas, “não”, reforçando esta negativa com os dedos.

Daí o brasileiro sai pelas ruas dos grandes centros, antes movimentados centros das grandes capitais e vê lojas comercias fechando, e, nas que estão abertas, pouco movimento de compradores. Segundo dados do IBGE, as vendas despencaram no ano passado. A Confederação Nacional de Comércio diz que essa é a pior crise dos últimos 15 anos, segundo a confederação, o Brasil perdeu 13% do número de lojas. Em dados concretos, pode-se dizer que 100 mil comerciantes fecharam as portas, como se diz no dito popular, jogaram o tapete. Até o essencial entrou nessa dança: a venda no setor de alimentos também caiu 2,5%. Foi a maior queda nas vendas do setor desde 2003.

Dados recentes do IBGE, mais precisamente de abril deste ano, mostram que no trimestre de janeiro a março, o desemprego subiu para 13,7%. O país chegou ao primeiro trimestre deste ano com um número recorde de 14, 2 milhões de desempregados.

Partindo para a indústria, muitas delas, desde 2015, naufragaram em meio aos caos econômico, e foram a pique. Fecharam as portas, vítimas do mau momento pelo qual atravessa a economia. Agora, a economia parece dar sinais de recuperação, mas são sinais ainda fracos. É certo que o setor do agronegócio apresentou bons resultados, mas está longe ainda de dizer que o Brasil saiu da crise.

A realidade, a coisa do dia a dia, escancara a crise e não deixa que ela se esconda. Os institutos econômicos a revelam em números, daí vem o presidente da nação, e diz, em outro país, que está tudo muito bom, que está tudo muito bem.

O brasileiro está cansado destes políticos dementes, que fingem ignorar a realidade. Por exemplo, Lula não viu corrupção em seu governo, e não a vê até hoje. Dilma não viu a iminente crise que se aproximava e que empurrou o país para a beira do precipício. Michel Temer parece seguir o mesmo caminho.

Realmente, para os políticos não existe crise. Eles lucram e faturam milhões em cima do cidadão. Para começar, ganham salários estratosféricos. Fora da realidade do país. Em segundo lugar, vêm os inúmeros benefícios que lhes são dados à custa das duras cobranças de impostos dos contribuintes. Esses dois aspectos já não soam muito bem quando se trata de considerar uma sociedade que se pretende igualitária, e em se considerando a situação social da imensa maioria dos brasileiros. Em terceiro lugar, vem, quem sabe a maior parte de suas fortunas, o dinheiro advindo de seus acordos e conchavos criminosos feitos com a iniciativa privada, a qual corrompem e são corrompidos. Falta a eles compromisso e consciência política.

Assim como faltou compromisso e consciência política a Rodrigo Maia, presidente da Câmara, e primeiro na linha sucessória à cadeira presidencial em caso de queda de Temer. Em visita oficial à Buenos Aires, o deputado foi perguntado por jornalistas argentinos sobre a aceitação da denúncia contra Michel Temer e sobre o que pode ocorrer se a Câmara der prosseguimento à denúncia, e se o Supremo condenar Temer. Maia disse que o momento é de “responsabilidade com a democracia e com o futuro do Brasil.” E acrescentou: “Eu aprendi em casa a ser leal, a ser correto, e serei com o presidente Michel Temer sempre”.

Ora Sr. deputado, não era bem isso que os brasileiros gostariam de ouvir de Vossa Excelência, que pode ser, dentro em breve, o futuro presidente da nação. Os que os brasileiros e brasileiras gostariam de ouvir era a seguinte declaração: “Eu aprendi em casa a ser leal, a ser correto, e serei com a nação brasileira sempre”. Não é a um presidente às voltas com denúncias de corrupção, e envolto em atitudes suspeitas e que não condizem com quem ocupa o cargo de maior mandatário da nação, a quem o Sr. deve os nobres atos de correção e lealdade. É aos eleitores que lhe colocaram nas mãos um cargo público na Câmara dos Deputados. É a Câmara dos Deputados, a qual o Sr. preside a que o Sr. deve ser correto e leal. E, principalmente, é a nação brasileira a quem o Sr. deve observar estas nobres atitudes às quais se referiu na Argentina.

Como é sabido por todos, o mandato de Temer agoniza. Menos ele, é claro, pois antes de voltar ao Brasil, ainda na Alemanha, os repórteres lhe perguntaram se ele estava tranquilo com o retorno ao Brasil, e Temer lhes respondeu que estava “tranquilíssimo”. O presidente de nossa nação pode até aparentar tranquilidade. Mas as coisas não são bem assim. Para ele, o mar não está para peixe. A batata dele está assando em chapa muito quente. A base aliada do governo desmorona, se esfacela a cada dia. Os mais afoitos, afirmam publicamente, que a permanência de Temer no governo é uma questão de dias. E talvez seja. Uns quinze dias, mais ou menos.

Dentro do próprio partido, a situação de Temer não é das melhores. Há quem ponha o pé atrás quando o assunto se trata de defender o presidente. A começar pelo relator escolhido para escrever o parecer da denuncia contra Temer. O deputado Sergio Zveite — um peemedebista do Estado do Estado do Rio de Janeiro é de uma ala independente do partido. Ele deve apresentar o parecer a respeito da denúncia contra o presidente, na segunda-feira (10), na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara (CCJ). A expectativa sobre o que vai sair da cartola de Zveite é grande, em Brasília, e em todo o país.

A base aliada do governo começa a apresentar sinais evidentes de rachadura. O PSDB que estava tão apegado ao governo, tardiamente, apresenta sinais de querer pular do barco. A um grupo de investidores, o senador Cássio Cunha Lima, do PSDB da Paraíba, disse que a depender do processo na Câmara “dentro de quinze dias o país terá um novo presidente”. O presidente interino do partido, Tasso Jereissati, disse que o Rodrigo Maia, tem condições de unir os partidos e garantir a estabilidade do país. Para bom entendedor, meia palavra basta. O PSBD deu sinal verde para desembarcar do governo, como já foi dito, tardiamente.

Junto com todo esse inferno astral vivido por Temer, ainda paira a ameaça de que a tão temida delação premiada de Eduardo Cunha se concretize. E, se de fato, ela se concretizar, o que é bem provável que aconteça, então isso é mais lama no ventilador de Temer, pois a metralhadora de Cunha pode apontar para a cabeça dos ministros governistas, Eliseu Padilha, da Casa Civil, e Moreira Franco, da Secretaria-Geral. Isso sem contar que a prisão do ex-ministro de Temer, Gedel Vieira Lima foi mais um complicador na vida do governo.

A semana promete fortes emoções. Aliás, fortes emoções tem sido abundantes na vida dos brasileiros. A cada semana temos uma nova. O pior é que 99% delas nos causam enjoos e náuseas.

O anunciado era que as delações da Odebrecht fossem as delações do fim do mundo, e que Marcelo Odebrecht era o bicho papão. Depois, vimos que dinamite pura eram mesmo as delações da JBS. Essas sim, abalaram o país e implodiram o governo. Temer foi pego na própria arapuca, não na arapuca do Joesley. Joesley apenas usou um gravador, como um pescador usa um anzol para pescar o peixe.

O pescador joga a isca na água e, com paciência, espera pelo peixe que vem, ávido, mordê-la. No caso, de Temer, a isca foi dinheiro sujo, ilícito. Por causa disso, recebeu, em sua residência oficial, altas horas da noite, um empresário, ao qual ele sabia investigado pela policia. Esse empresário lhe confessa crimes graves e o presidente acena positivamente com a cabeça, e diz “tudo bem” vá em frente. Essas confissões foram feitas não a um ignorante, mas ao mais alto mandatário da nação, e especialista em direito constitucional.

O fato é que o barco Brasil é, atualmente, um barco sem comandante. Pois mesmo ainda que a Câmara dos Deputados conceda a Temer uma sobrevida, o governo ainda levará o resto de seus dias a se defender das acusações contra o presidente, e contra seus ministros, e usando a máquina estatal para esse objetivo, como fez recentemente, ao convocar deputados para conversas na residência oficial, tentando comprá-los, digo, convencê-los a barrar a denúncia contra ele. Talvez oferecendo cargos e sabe se lá mais quais vantagens e benesses.

O Brasil precisa de soluções urgentes. A nação não merece mais esse sofrimento.

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