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Cartão de vacina fake de Bolsonaro

Posted by Cottidianos on 01:25

Sexta-feira, 05 de maio


 Falar de corrupção no Brasil é clichê, lugar comum. Afinal, esse tema por aqui, infelizmente, é uma questão cultural que já dura séculos. Vem desde o tempo em que os portugueses desembarcaram aqui e levaram para Portugal primeiramente, nosso ouro vermelho, e por fim, ouro metal em sua forma mais pura, e também as pedras preciosas nas quais o solo era próspero.

Aliás, essa terra sempre foi uma terra abençoada. Não foi à toa que, Pero Vaz de Caminha, escrivão da frota de Pedro Alvares Cabral, já no mês de maio do distante ano de 1500, escrevia ao rei de Portugal, Dom Manuel: “Até agora não pudemos saber se há ouro ou prata nela, ou outra coisa de metal, ou ferro; nem lha vimos. Contudo a terra em si é de muito bons ares frescos e temperados... Águas são muitas; infinitas. Em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo; por causa das águas que tem”.

Do trecho da carta de Caminha destacado acima nasceu acima nasceu a expressão a se dizer desta terra: “Em se plantando tudo dá”.

O Brasil se assemelhava aos primeiros portugueses que aqui chegaram e aos que os seguiram nos séculos posteriores até que fosse declarada nossa independência em relação à coroa portuguesa, a uma mesa farta, cheia das melhores comidas e dos melhores vinhos.

Mas esse prazer que os portugueses sentiam ao se regalar neste banquete chamado Brasil, não era um anseio de preservação de nossas matas, de nossas florestas, e dos índios que aqui habitavam. Ao contrário, era um prazer mercantilista. Passado o êxtase da descoberta, os portugueses logo empunharam suas armas e saíram por aí a explorar, de matar ou escravizar os indígenas que, nada mais natural, insistiam em combater àqueles que destruíam suas riquezas, ou melhor, as riquezas que a mãe natureza os presenteava.

Interessante é que a poeira do passado e daquela gente que não via uma terra a ser preservada, mas um mineral ser extraído, ainda hoje voa pelo vento da modernidade, provocando igualmente, morte e destruição. A reencarnação daquela lógica mercantilista podemos ver, tão claro como as águas cristalinas das fontes que cortavam o coração das selvas nativas de norte a sul, e de leste a oeste.

E ela está presente nos garimpeiros ilegais que destroem as áreas de preservação ambiental dos índios Ianomâmis e de tantas outras tribos espalhadas pelo Brasil, especialmente, na Região Norte. É igual o sentimento: Quando o garimpeiro vê uma terra indígena, ele não vê uma terra a ser preservado, e um povo que merece exercer o direito à vida tanto quanto eles.

Muito pelo contrário. Esses predadores da natureza quando veem uma área de preservação ambiental, eles conseguem enxergar apenas o muito dinheiro que podem extrair de debaixo daquele solo. E logo se põem, avidamente, a poluir os rios, matar os peixes e expulsar os animais silvestres de seu habitat.  

E quando fazem isso, tiram, literalmente, a fonte de alimentação de todo um povo. E o resultado é o que temos visto. Indígenas magros, esqueléticos, sedentos de água para beber e de alimentos para matar a fome. E os invasores ainda contaram, por anos, com as benções de um governante insensível a questão das minorias. Ele, mesmo, poeira do passado daqueles exploradores que aqui chegaram sem nenhum sentimento pela terra e pela gente que aqui habitava, a não ser obter lucros.

Estas reflexões se tornaram um pouco longas para introduzir o texto, entretanto necessárias, para a compreensão do mesmo, e até, de nós mesmos, enquanto brasileiros e brasileiras, e enquanto ser humanos que somos.

Imaginem então se as nossas riquezas em água, vegetação, solo, minerais, fauna e flora, tivessem sido bem usados, bem conservados. Hoje, certamente, seríamos uma das nações mais prósperas do planeta. E não somos por causa da incompetência e da ambição dos governos em suas esferas municipal, estadual e federal.

Quando pensamos em corrupção em nosso país, logo nos surge à mente palavras como Brasília, Congresso, governo federal. Muitas vezes não nos damos conta de que os atos corruptivos se desenvolvem embaixo do nosso nariz, na cidade onde moramos, nos Estado no qual vivemos.

Quantos milhões de reais já não foram gastos em estradas e pontes que ligam o nada a lugar nenhum, em obras inacabadas, ou que demoram anos para serem finalizadas? São centenas os casos desse desperdício do dinheiro público. Alguém lucrou com essas obras e, com certeza, não foi a população que delas precisava.

Se adentráramos os gabinetes das Câmaras de Vereadores, das Assembleias Legislativas, e no Congresso Nacional, também veremos os predadores agindo, sorrateiramente, desviando dinheiro dos cofres público para aumentar seu patrimônio pessoal, desvirtuando dessa forma o fazer política, corrompendo o ser político. São como ratos que entram em nossa dispensa e comem nosso queijo.

E ainda tem pessoas que os ratos entram na dispensa delas, roubam-lhes aos alimentos e elas ainda batem no peito e dizem: “Esse rato é nosso amigo. Por eles lutaremos, iremos presos, e até morreremos. E assim os espertos deixam os bolsos dos tolos vazios.

E quando falo em corrupção sei que ela não está apenas neste ou naquele partido, nesse ou naquele político. Em todos os cestos há laranjas podres. É preciso saber escolher as melhores. É isso que o povo brasileiro não tem sabido fazer. Ultimamente só tem escolhidos as laranjas podres para colocar dentro do cesto. Agindo assim de forma insensata, ainda querem exigir melhorias. Uma palavra cabe nesse contexto: Insensatez. Isso para não usar outra palavra mais pesada.

Feitas essas reflexões, prossigamos.

Um laudo feito pela equipe do Laboratório de Tecnologia de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro do Ministério Público do Rio (MP-RJ), confirmou aquilo que nós já sabíamos: Que houve prática de rachadinha no gabinete do vereador Carlos Bolsonaro, na Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Agora o MP do Rio prossegue nas apurações para averiguar se o vereador se beneficiou desse esquema.

O laudo apontou que Jorge Luiz Fernandes, chefe de gabinete de Carlos Bolsonaro desde 2018, recebeu um total de R$ 2,14 milhões provenientes de contas de outros seis servidores do gabinete do vereador.

Essa movimentação financeira na qual os servidores de um determinado político repassam grande parte do salário que ganham para uma conta de terceiro, é típica do crime de peculato, mais conhecido no meio político como “rachadinha”. É uma prova robusta essa levantada pela 3ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal Especializada.

O laudo aponta também que o chefe de gabinete usou contas pessoais para pagar despesas do vereador. A prova já é suficiente para mostrar que Jorge Luiz Fernandes cometeu crime de peculato.

O laudo foi obtido pelo jornal O Globo. O documento mostra que entre os anos de 2009 e 2018, o chefe de gabinete do filho “zero dois” de Jair Bolsonaro recebeu valores dos seguintes servidores: Juciara da Conceição Raimundo (R$ 647 mil, em 219 lançamentos), Andrea Cristina da Cruz Martins (R$ 101 mil, em 11 lançamentos), Regina Célia Sobral Fernandes (R$ 814 mil, 304 lançamentos), Alexander Florindo Batista Júnior (R$ 212 mil, em 53 lançamentos), Thiago Medeiros da Silva (R$ 52 mil, em 18 lançamentos) e Norma Rosa Fernandes Freitas (R$ 185 mil, em 83 lançamentos).

Reportagens publicadas anteriormente em outros veículos de imprensa dão conta de que a ex-mulher de Bolsonaro Ana Cristina Valle e madrasta de Carlos Bolsonaro, era lotada como funcionária no gabinete do vereador, mas nunca apareceu para trabalhar. A típica funcionária fantasma. Reportagem publicada anteriormente pela revista Veja não apenas no gabinete de Carlos Bolsonaro houve rachadinha, mas também no de Flávio Bolsonaro, e também de Jair Bolsonaro quando este era deputado.

Ou seja, estamos diante de uma família de trambiqueiros que os incautos aclamam como “mito”.

Falando em trambicagem, essa semana foi revelada mais uma de Jair Bolsonaro. Não bastasse a tentativa de se apossar de joias valiosíssimas dadas pelo sheik árabe, o Brasil acaba de ficar sabendo que o ex-presidente também falsificou cartão de vacina dele próprio, da filha, Laura, e de servidores dias antes de viajar para uma temporada nos Estados Unidos. Quer dizer, ele pode não ter falsificado o cartão de vacinação, mas, muito provavelmente, partiu dele a ordem.

No amanhecer da quarta-feira, 03, a Polícia Federal saia pelas ruas de Brasília para cumprir mais uma missão. Fazer buscas e apreensões na casa do ex-presidente, Jair Bolsonaro, e de seus servidores, e prender alguns deles. Um desses presos foi o tenente-coronel Mauro Cid Barbosa, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.

Toda a operação foi autorizada pelo ministro do STF, Alexandre de Moraes dentro do inquérito das milícias digitais que tramita no Supremo Tribunal Federal. A operação da PF batizada de “Venire” tem como inspiração a expressão em latim: “Venire Contra Factum Próprio” (Vir contra seus próprios atos”, e um princípio base do Direito Civil e do Direito Internacional. A aplicação desse princípio decorre da boa-fé objetiva e da lealdade contratual, exigíveis de todos os contratantes e mandatários.

A PF investiga a inserção de dados falsos no ConectSus referentes a vacinação contra a Covid-19 feitas por um grupo ligado a Jair Bolsonaro para obter vantagens ilícitas.

Foram falsificados os cartões de vacinação de Jair Bolsonaro, da filha dele, Laura. Laura tem 12 anos. Foram falsificados também os dados de vacinação de Mauro Cid e da mulher, e da filha dele. Todos viajaram junto com Bolsonaro para os Estados Unidos.

A fraude aconteceu em 21 de dezembro do ano passado, poucos dias antes de ele viajar para os Estados Unidos para não ter que passar a faixa para Lula. No dia 27 do mesmo mês os dados foram retirados do ConectSus em 27 do mesmo mês. Após o lançamento dos dados no Sistema Único de Saúde é possível gerar um comprovante de imunização. Uma vez que esse objetivo havia sido atingido, os dados foram apagados.

Com isso, tais pessoas puderam emitir os respectivos certificados de vacinação e utilizá-los para burlarem as restrições sanitárias vigentes imposta pelos poderes públicos (Brasil e Estados Unidos) destinadas a impedir a propagação de doença contagiosa, no caso, a pandemia de Covid”, disse a Polícia Federal.

O responsável por inserir as informações falsas no sistema foi João Carlos de Souza Brecha, secretário municipal de Governo da cidade de Duque de Caxias. Quem apagou os dados do sistema foi a servidora Claudia Helena Acosta Rodrigues da Silva. Ela alegou “erro” de inserção.

Foram presos na operação; o coronel Mauro Cid Barbosa, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro; o sargento Luis Marcos dos Reis, que era da equipe de Mauro Cid; o ex-major do Exército Ailton Gonçalves Moraes Barros; o policial militar Max Guilherme, que atuou na segurança presidencial; o militar do Exército Sérgio Cordeiro, que também atuava na proteção pessoal de Bolsonaro; o secretário municipal de Governo de Duque de Caxias (RJ), João Carlos de Sousa Brecha.

Além disso foram realizados 16 mandatos de busca e apreensão. Os mandatos de prisão preventiva e de busca e apreensão foram cumpridos em Brasília e no Rio de Janeiro.

Nessa operação foi apreendido o celular de Jair Bolsonaro. Obviamente, a PF vai extrair dados, tais como, mensagens enviadas, arquivos de fotos e vídeos. A PF poderá até mesmo recuperar dados que tenham sido apagados. Imagina o que pode sair daí. Por causa disso, muitos aliados do ex-presidente estão de cabelos em pé.

Montar um plano desses para tentar burlar leis brasileiras e estadunidenses é muita idiotice. E quando pensamos no motivo, o plano se torna ainda mais idiota: Não querer se vacinar contra um mal que assolava o mundo inteiro, e que ainda está por aí, mesmo que sem a virulência dos primeiros dias.

Triste imaginar que um homem desses chegou ao poder, e que ainda tenha tantos seguidores.


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Mais faíscas dos atos antidemocráticos

Posted by Cottidianos on 00:24

Terça-feira, 25 de abril

 


O que é a vida? Eis uma pergunta que nos remete ao campo filosófico. Certamente você encontrará centenas de autores e pensadores que a definem de forma diferente, pois a definição de qualquer assunto ou coisa depende de nossa cultura, da sociedade em que vivemos e das vivências que experienciamos nessa jornada do viver.

É mais fácil então refletirmos o que não é a vida. Então podemos afirmar, com certeza, que aquilo que está nas redes sociais não é a vida. Deem uma olhada nos perfis das pessoas que vocês seguem, dos seus amigos, dos famosos. Nelas tudo é um sonho, uma fantasia. Nas imagens que postam as pessoas estão sempre sorrindo, fazendo uma viagem maravilhosa, comendo uma comida gostosa, ou exibindo um corpo perfeito. Tudo é linear nas redes sociais.

E aqui arrisco uma definição acanhada do que seja a vida. Ela é um caminho que nos leva sempre para a frente. Ninguém na vida pode caminhar para trás, mesmo que queira. Mas apesar de ser esse caminho sempre para a frente, ele nem sempre é linear. Às vezes vamos caminhando em linha reta, e de repente nos deparamos com um terreno montanhoso, ou um lago para atravessar, ou até mesmo um deserto.

Isso é o que torna a vida interessante. É justamente esses desafios que nos aparecem em nosso caminho que nos leva, todos os dias, a botar o cérebro para funcionar e escolher o melhor meio de sairmos de situações difíceis.

O viver é como uma roda gigante. O destino dela é estar lá em cima e depois lá embaixo, e depois em cima, embaixo de novo, e assim sucessivamente. Diferentemente das redes sociais, na vida não há apenas os sorrisos felizes, há também os momentos de tristeza e de angústia, as dúvidas e incertezas, o feio e o bonito.

Tomemos como exemplo o delegado Anderson Torres. Na terça-feira, 30 de março de 2021 ele tomava posse como ministro da Justiça e Segurança Pública do governo Bolsonaro. Antes disso, desde o ano de 1919, ele atuava como secretário de Segurança Pública do Distrito Federal.  Nesse cargo até conseguiu diminuir os números referentes aos índices de homicídios.

Entre 2003 e 2005 ele esteve na Superintendência da Polícia Federal, em Roraima, onde coordenou importantes investigações relacionadas ao combate ao crime organizado. Em 2007 e 2008 lá esteve ele à frente do setor de Inteligência da PF, ajudando no combate e repressão ao tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro.

E no período de 2008 a 2011 estava sob a responsabilidade dele a parte técnica e logística da Diretoria de Combate ao Crime Organizado da polícia federal e suas congêneres regionais.

Olhando para o currículo dele, nada mal. Excelente formação e currículo. Uma autoridade. Um homem de poder, aumentado mais ainda pelo cargo de ministro da Justiça e Segurança Pública que ocupou no governo Bolsonaro.

Depois que acabou o mandato de Bolsonaro, Torres voltou ao cargo de secretário da Segurança do DF a convite do governador Ibaneis Rocha. Rocha foi alertado por ministros do STF para que não conduzisse Torres de volta ao cargo. Seria problema. Ibaneis fez ouvidos de mercador e se deu mal.

E onde está Anderson Torres hoje? Preso. Onde? Em uma cela improvisada dentro do Batalhão de Aviação Operacional, órgão integrado ao 4º Batalhão da Polícia Militar, no Gaurá, região administrativa do Distrito Federal. Quem mandava prender, hoje está atrás das grades. Inclusive, os moradores da região fizeram um abaixo assinado para que ele seja transferido para outro lugar.

Os moradores alegam que a presença do ex-ministro no local está inviabilizando a continuação do projeto social “Prevenindo com Arte”, que era desenvolvido no local. O projeto atende cerca de 1,2 mil alunos gratuitamente. A base do projeto é o oferecimento de 16 modalidades a crianças jovens e adultos.

“A suspensão das aulas tem causado um prejuízo incalculável na saúde física, mental e na qualidade de vida dos alunos. Além dos transtornos pela ausência de interação social, que pode ocasionar estresse e ansiedade, agravando o estado de saúde dos que se apoiam nas atividades do projeto, de forma terapêutica”, dizem os moradores no abaixo assinado.

Anderson Torres está preso desde o dia 17 de janeiro sob a acusação de omissão e conivência nos antidemocráticos que culminaram na destruição de patrimônio dos Três Poderes da República. Ele estava de férias nos Estados Unidos e foi preso quando voltou ao Brasil.

Na quinta-feira, o ministro do STF Alexandre de Moraes negou o pedido de revogação da prisão preventiva dele feito pelos advogados de defesa. “Nesse momento da investigação criminal, a razoabilidade e proporcionalidade continuam justificando a necessidade e adequação da manutenção da prisão preventiva”, disse o ministro. Antes disso, Moraes havia autorizado pedido da PF para que o acusado fosse ouvido sobre as operações da Polícia Rodoviária Federal durante as últimas eleições, em especial, as do segundo turno. No segundo turno, as operações da PRF foram mais intensas nos estados onde o então candidato Lula havia vencido as eleições no primeiro turno. O depoimento foi marcado para esta segunda-feira, 24.

Entretanto, o ex-ministro não depôs. Os advogados dele pediram que o depoimento fosse adiado. Segundo eles, a psiquiatra que acompanha Anderson havia atestado que ele não tinha condições de ir a qualquer audiência por questões médicas durante uma semana. “Ocorre que, após ter ciência do indeferimento do pedido de revogação de sua prisão preventiva, o estado emocional e cognitivo do requerente, que já era periclitante, sofreu uma drástica piora”, escreveram os advogados no pedido.

Os advogados podem estar dizendo a verdade: que, por questões psicológicas, Anderson Torres não tem condições de prestar depoimento, ou o acusado pode estar usando de estratégia e ganhando tempo para ver o que vai dizer sobre as acusações que pesam sobre ele.

Quem deve estar muito preocupado com o estado de ânimo de Anderson Torres é Jair Bolsonaro. Muito preocupado. O jornalista Guilherme Amado, escreveu em sua coluna no jornal Metrópoles que, uma vez por semana, um aliado de Bolsonaro monitora o estado de ânimo do ex-presidente. O objetivo, é descobrir se Torres permanece firme na intenção de não fazer delação premiada.

Segundo esse aliado o ex-ministro está abatido, e chora todos os dias por ver uma possibilidade de ser posto em liberdade. Ele sente-se abandonado por Bolsonaro e diz que se tornou o bode expiatório dos atos de 8 de janeiro. Se Anderson Torres fala, a casa cai para Bolsonaro. Afinal, é evidente que ele foi o responsável pelos atos que culminaram no 8 de janeiro, e por tramar um golpe. Falta apenas uma prova contundente. E essa bomba pode ser Anderson Torres. Foi na casa dele que foi encontrada uma minuta golpista que até hoje o ex-ministro não deu explicações convincentes do que essa minuta estava fazendo na casa dele.

Por falar nisso, a novela trágica do oito de janeiro ganhou novos capítulos na semana passada.

Novas imagens do 8 de janeiro, divulgadas com exclusividade pela CNN Brasil na semana passada, mostram que Marcos Gonçalves Dias, ministro do Gabinete de Segurança Institucional, estava no Palácio do Planalto no dia do ataque. Nos vídeos divulgados pela emissora ele aparece entre os manifestantes golpistas e circulando pelo local.

Numa das imagens registradas por duas câmeras às 16h29min, caminha sozinho pelo terceiro do Palácio do Planalto, onde fica o gabinete presidencial. Ele tenta abrir duas portas e depois entra no gabinete. Minutos depois, o ministro aparece caminhando pelo corredor com alguns golpistas. Pelas imagens é possível que indica a saída de emergência a um grupo de vândalos.

Em outra imagem é possível ver o major do Exército, José Eduardo Natale, cumprimentando, e dando algumas garrafas de água mineral para um grupo de golpistas.

As imagens derrubaram o ministro Gonçalves Dias que pediu desligamento do governo, na quarta-feira, 19, após a divulgação das imagens. Em depoimento a Polícia Federal, ele afirmou que estava orientando os invasores para que fossem para o segundo andar, onde seriam presos.

Porém, imagens mostradas por outro ângulo, mostram que não era bem isso que acontecia naquele momento. Os vídeos mostram que os golpistas continuavam a quebradeira no segundo andar, e que as primeiras prisões somente aconteceriam algum tempo depois.

Quanto ao major José Eduardo Natale, que aparece dando água aos golpistas, ele disse que apenas fazia um gerenciamento de crise.

As imagens divulgadas pelo CNN são fruto de gravação de 22 câmeras do circuito interno do Palácio do Planalto, feitas do dia 08 de janeiro. Ao todo, foram analisadas mais de 160 horas de gravação. 

O governo bem que tentou preservar o ministro Gonçalves Dias. No início de fevereiro, o jornal Folha de São Paulo tentou acessar a integra das imagens do circuito interno do Palácio do Planalto para o dia 08 de janeiro, através da Lei de Acesso à Informação, mas o pedido foi negado, alegando risco para a segurança das instalações presidenciais.

Gonçalves Dias alegou que não era razoável divulgar informações que expusessem métodos de ação, equipamentos de segurança, e procedimentos operacionais, e recursos humanos da segurança presidencial.

Na ocasião foram liberadas apenas imagens editadas que mostravam a destruição feitas pelos vândalos, mas que não permitiam analisar de forma mais detalhada a ação do GSI.

Diante de tudo isso, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, determinou a quebra de sigilo das imagens daquele domingo terrível, e determinou também que a PF ouça todos os servidores do GSI que estavam no prédio no momento da invasão. Moraes é o relator do inquérito dos atos golpistas do dia 08 de janeiro.

A divulgação das novas imagens envolvendo o ministro do Gabinete de Segurança Institucional no Palácio do Planalto, entre os golpistas, no dia 8 de janeiro, deu munição para que a oposição pressionasse para a criação da CPI dos Atos Antidemocráticos, coisa que a oposição vinha insistindo, e o governo tentando barrar.

Agora, governo e oposição querem a criação da CPI. Nos próximos dias assistiremos a uma queda de braço para ver quem fica com relatoria e presidência da comissão. Particularmente, acho que a oposição tem mais a perder com essa CPI do que o governo. Para mim, eles estão dando um tiro no pé.

Afinal, não foram os apoiadores de Lula que entraram nas dependências dos Três Poderes de depredaram tudo. Nem muito menos foi Lula que passou 4 anos incentivando a violência e pregando um golpe de Estado.

Logo após os atos golpistas daquele inesquecível domingo, já começaram a circular nos grupos bolsonaristas a tese de a depredação só havia ocorrido porque havia infiltrados da esquerda no meio da manifestação, e que foram eles, os apoiadores do presidente Lula, os responsáveis pelo quebra-quebra. Esquecendo-se, porém, de dizer que os próprios bolsonaristas haviam gravado, ao vivo, tudo o que acontecia na Praça dos Três Poderes, e dentro das instalações deles.

É uma tática da extrema-direita, não apenas no Brasil, mas no mundo, transformar as vítimas em culpado.

E assim vamos seguindo, nesse tumultuado início do governo Lula, que aliás, continua falando asneiras, e depois pedindo desculpas. Acho que Lula precisa de um assessor direto que o impeça de falar tanta besteira. Mas disso, falaremos em outra postagem.


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Sementes da violência

Posted by Cottidianos on 23:54

Segunda-feira, 27 de março

O que está acontecendo com nossa sociedade? O que está acontecendo com nossas crianças? Por que as pessoas estão ficando cada vez mais embrutecidas? Essas são perguntas que tenho me feito ao assistir o noticiário dos últimos dias para cá. Coisas que eu antes eu só via em filmes de horror está acontecendo na realidade. É assustador.

No final do ano passado, ou no início conversava com uma amiga brasileira que mora na Itália. Ela me chamava atenção para o fato que de há alguns crimes que são caraterísticos dos Estados Unidos, outros da Itália, outros do Brasil, e assim por diante. Mas parece que as coisas estão mudando. Massacre em escolas, por exemplo, eles já começaram a acontecer por aqui.

O dia de hoje começou como normalmente começa na Escola Estadual Thomazia Montoro, no bairro de Vila Sonia, em São Paulo: um dia de aulas tranquilo, com seus problemas é verdade, mas nada grave. Porém, de repente, tudo mudou.

Um adolescente de 13 anos, que frequentava as aulas do oitavo ano na escola, usando máscara, e esfaqueou quatro professoras e um aluno. Segundo testemunhas, o aluno foi ferido quando tentava defender uma das professoras. A professora Elisabete Tenreiro de 71 anos, foi atingida nas costas e não resistiu aos ferimentos. Os outros feridos foram encaminhados a hospitais da região. Um aluno também foi levado ao hospital em estado de choque.

Um dos alunos que estuda na mesma classe do agressor, deu entrevista hoje pela manhã a rádio CBN, e disse que foi tudo muito rápido, e que ele pegou a todos de surpresa. O adolescente disse também que, na semana passada, houve uma briga entre o agressor e um dos alunos. O agora assassino chamou o companheiro de classe de macaco, e o menino não gostou, e isso provocou uma briga. Segundo o entrevistado, o agressor disse que iria provocar o massacre, mas ninguém levou isso a sério.

A tragédia só não foi maior porque uma professora imobilizou o adolescente e outra tirou a faca das mãos dele. O adolescente foi apreendido pelos policiais e levado para a 34ª Delegacia de Polícia.

Outro fato semelhante que, por pouco, não acabou em tragédia, aconteceu na cidade de Monte Mor, interior de São Paulo. O caso aconteceu no dia 13 de fevereiro — coincidentemente, uma segunda-feira pela manhã — na Escola Estadual Antonio Proesser.

Um jovem de 17 anos, aluno da escola, chegou ao local trajando roupas pretas e, amarrada ao braço, usava uma braçadeira com a suástica nazista. Os portões estavam fechados e o adolescente não conseguiu entrar na escola. Mas, conseguiu arremessar uma bomba caseira no banheiro da escola por cima do gradeado. Houveram duas explosões. O susto foi grande, mas ninguém ficou ferido.

O jovem foi apreendido pela polícia por defender uma bandeira que pregava o ódio e a intolerância, principalmente contra os judeus. Na residência dele a polícia também encontrou materiais alusivos ao nazismo, e uma arma airsoft.

Outros casos, que não envolvem armas, mas envolve a violência do racismo também já aconteceram em escolas brasileiras.

 Dia 08 de março, Dia Internacional da Mulher. Nesse dia, as mulheres costumam ganhar flores, presentes, reconhecimento. Porém, uma professora do Centro de Ensino Médio 9, em Ceilândia, Distrito Federal, recebeu um presente nenhum pouco agradável.

A professora já havia começado a aula. Um dos alunos se levanta e a vai em direção com um pacote embrulhado para presente. Alguns alunos amigos dele já sabiam do que se tratava e começaram a dar risadas.

A professora toda contente achando que havia realmente ganhado um presente, abre o pacote. Dentro dele havia uma esponja de aço, dessas de lavar panelas. Sem perder o autocontrole, a professora aceita o “presente” do aluno, e diz que vai aceitar porque “tudo que vem, volta”. Entretanto, alguns alunos relatam que, após o episódio, a professora chorou, pois viu no gesto do aluno uma atitude machista e racista.

Esses não casos isolados e já aconteceram em escolas de diversas do sul e sudeste do país. Temos que cuidar para que esses gestos criminosos e desagradáveis não se tornem regra geral. Quem sabe, não esteja por trás de tudo isso, uma juventude que pede socorro? O importante é saber descobrir, juntos, pais e educadores como ajudar essas crianças e adolescentes.


Ainda na área da violência, um fato que assustou os brasileiros foi a descoberta pela Polícia Federal de um plano para assassinar autoridades e servidores do serviço público. Entre os alvos estavam o promotor de Justiça do Ministério Público de São Paulo, Lincoln Gakya, que integra o Gaeco, grupo especializado em combate ao crime organizado.

Gakya vive sob forte esquema de segurança desde dezembro de 2018, quando pediu a transferência de Marcola, líder da facção Primeiro Comando da Capital (PCC), e de outros integrantes da organização, para um presídio federal de segurança máxima. As transferências foram efetivadas no ano de 2019.

O ex-juiz, ex-ministro da Justiça do governo Bolsonaro, e atual senador, Sérgio Moro, também era um dos alvos da quadrilha.

O anúncio da operação chamada de Operação Sequaz foi feita na segunda-feira, 23, pelo ministro da Justiça, Flávio Dino. Naquele dia foram realizadas buscas e apreensões e prisões em cinco estados. Os bandidos planejavam realizar ataques, homicídios e sequestros contra diversas autoridades.

Não era um plano que ainda estava no papel, em desenvolvimento, ao contrário, descobriu a PF, esse plano já estava em fase de realização. Desde o ano passado os criminosos seguiam e vigiavam os alvos. O objetivo deles era causar grandes alvoroço e medo com as mortes das autoridades, e com os sequestrados eles planejavam usá-los como moeda de troca por líderes das facções.

O plano era ousado e traçado para ocorrer simultaneamente em vários estados, dificultando com isso o trabalho da polícia. A maioria dos investigados é de São Paulo e Paraná.

Tudo isso porque o crime organizado movimenta milhões de reais todos os anos. Por isso é tão difícil acabar com ele. É um negócio lucrativo. Não é à toa que tem tanto peixe graúdo obtendo vantagens desse esquema criminoso. Quando os bandidos fazem de tudo para libertar os líderes de suas facções, eles estão cuidando para que o negócio continue, que o crime continue a ser lucrativo para eles. Não é à toa que eles estão aterrorizando a população do Rio Grande do Norte. E não é um negócio feito apenas nas fronteiras do país. As rotas do narcotráfico para outros países são uma espécie de expansão dos “negócios” para além das fronteiras.  

No meio de toda essa confusão, vem o presidente Lula e coloca mais lenha na fogueira. Ele parece não entender que o mundo e muito desde o seu último mandato como presidente ocorrido entre 2003-2011. Naquela época as redes sociais não eram tão influentes como são hoje. As notícias hoje se espalham com a velocidade com que se espalha fogo em palha seca.

Percebi isso durante ainda durante a campanha quando Lula foi o entrevistado do programa Flow. No fim da entrevista o Igor, apresentador do podcast, perguntou: “Lula, como é que as pessoas te acompanham nas redes sociais?”  e Lula responde com a maior naturalidade “Não sei”. Então, portanto quando ele fala ele não tem a dimensão e o alcance do que suas falas vão causar nas redes sociais.

Na terça-feira, 21, Lula dava uma entrevista para ao Brasil 247. E durante a entrevista relembrou o período que passou na prisão. De vez em quando ia algum procurador ou delegado visitá-lo formalmente. A esse respeito Lula disse: “De vez em quando um procurador entrava lá de sábado, ou de semana, para visitar, se estava tudo bem. Entravam três ou quatro procuradores e perguntava ‘tá tudo bem?’. Eu falava ‘não está tudo bem. Só vai estar bem quando eu foder esse Moro’. Vocês cortam a palavra ‘foder’ aí…”

Ao se dar conta de que havia falado uma bobagem, Lula pediu para os jornalistas cortarem o trecho da entrevista no qual usou um palavrão para se referir a Sérgio Moro, e aí também não se deu conta de que a entrevista estava sendo transmitida ao vivo no canal do Youtube do Brasil 247. O resultado é que sua fala foi muito mal avaliada nas redes sociais.

Na mesma entrevista Lula também falou que dizia as autoridades que o visitavam que iria se “se vingar dessa gente ao provar sua inocência”.

Obviamente, Moro foi procurado para se pronunciar sobre a fala do presidente. O senador disse, não com essas palavras, que Lula estava tentando criar uma cortina de fumaça para esconder que o plano do ministério da fazenda para equilibrar receitas e despesas ainda não havia sido apresentado até o momento.

. para ser divulgada antes da reunião do Copom, do Banco Central. E aí tínhamos perspectiva de redução de juros. No final, não teve nada”, disse Sérgio Moro.

A poeira nem havia baixado quando surge essa descoberta por parte da PF do plano de assassinar e sequestrar autoridades, inclusive, Sérgio Moro. E mais uma vez o presidente fala bobagem.

Na manhã da quarta-feira, 22, Lula estava em visita ao Complexo Naval de Itaguaí, Rio de Janeiro, quando foi questionado sobre o plano dos bandidos para assassinar o senador. “Quero ser cauteloso. Vou descobrir o que aconteceu. É visível que é uma armação do Moro. Eu vou pesquisar e saber o “porque” da sentença. Até porque fiquei sabendo que a juíza não estava nem em atividade quando deu a parecer pra ele”, e ao dizer mais essa bobagem Lula colocou em cheque o trabalho da PF e do próprio ministro da Justiça Flávio Dino, que havia anunciado a realização da operação.

E com isso Lula elevou Sérgio Moro. Ele que deveria olhar para cima, mirar nos objetivos de governo, resolve remoer mágoas do passado contra seu algoz. Lula deu a Moro uma narrativa para a fala de Lula ligando a fala do presidente de prejudicá-lo à ameaças que ele e sua família sofreram. Obviamente uma coisa não tem nada ver com a outra. Mas do jeito que funcionam as redes sociais bolsonarista isso é bem fácil de virar produto para fake news.

A verdade é que Lula os meses avançam e o governo Lula ainda não fincou pé no chão para valer, principalmente na economia, e na falta de apoio no Congresso a ponto de levar o escritor Paulo Coelho a dizer que a respeito de Lula: “seu novo mandato está patético”.

A crítica de Paulo Coelho veio neste domingo, 26. “Décadas apoiando Lula, noto que seu novo mandato está patético. Cair na trampa de ex-juiz desqualificado, incapacidade de resolver problema do BC, etc. Não devia ter me empenhado na campanha. Perdi leitores (faz parte) mas não estou vendo meu voto valer a pena”.

Durante a campanha o escritor declarou voto em Lula e fez críticas ao governo de Jair Bolsonaro.

Porém, ainda há muito tempo para o governo Lula achar o rumo certo, e para alguém falar para o presidente parar de falar bobagem. Ter um assessor que o alerte para o não cometimento de deslizes.

Até porque, não queremos de volta a nos comandar o clã Bolsonaro. Michele já se tornou presidente do PL Mulher, e parece estar gostando da atividade política. O marido dela ainda está nos Estados Unidos.

A colunista do Uol Carla Araújo destacou em sua coluna que o presidente do PL Valdemar Costa Neto anunciou que quando Bolsonaro voltar ao Brasil, ele será presidente de honra do partido, com salário equivalente ao de ministro do STF, que hoje é de R$ 39 mil, porém com previsão de aumento para R$ 41,6 mil em abril.

Uma coisa que gostaria de saber é como Bolsonaro está lidando com esse protagonismo que Michelle Bolsonaro tem assumido, ele que é não admite que as mulheres possam ser protagonistas em alguma coisa.


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Madrugadas de terror no Rio Grande do Norte

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 Quarta-feira, 22 de março

 

O ódio não nos trará melhor fim

Jah não nos fez prá viver assim:

Acuados, cidadãos sitiados

Nas ruas e residências

Reféns da violência

Reféns da Violência – Tribo de Jah


Deputada Júlia Zanatta (PL-SC)


 Sal. Tempero universal. Que culinária consegue viver sem ele? Está presente em todas as culturas desde tempos imemoriais. Se usado de menos, deixa a comida insossa. Se usado em demasia deixa a comida tão salgada que ninguém conseguirá ingeri-la. Mas nem só na culinária o sal é importante.

Na época da escravidão, quando o chicote cortava as costas dos negros, amarrados ao tronco, fazendo-os gemer de dor, para amenizar as curar as feridas deixadas por ele, era jogado sal nas feridas. O sal agia como antisséptico, cicatrizando, curando, limpando as feridas.

Além de temperar e conservar alimentos o sal tem sido usado desde tempos antigos para fins espirituais.

Na antiguidade os sacerdotes usavam o sal para afastar demônios. Os egípcios o usavam em cerimonias dedicadas aos deuses. Os romanos o tinham como sinal de sabedoria. Enfim, em todas as culturas antigas ele teve seu significado que ultrapassa os limites culinários.

Hoje não é diferente. Um banho de sal grosso tomado do pescoço para baixo tem o poder de afastar energias negativas, quebrar inveja e mal olhado, e todos os outros males que deixam o corpo carregado.

Seguindo esse raciocínio podemos dizer que o presidente Lula precisa mesmo tomar um bom banho de sal grosso.

Primeiro, tem dirigido contra ele o ódio dos bolsonaristas que, se pudessem, o matavam, literalmente. Em fins de janeiro, o ex-jogador da seleção brasileira de vôlei Wallace Leandro de Souza, compartilhou uma postagem em seu perfil no Instagram. A postagem era uma enquete que sugeria que Lula levasse um tiro na cara. Mesmo tendo apagado o post horas depois, a reação ao post do jogador foi imensamente reprovada por autoridades e por imensa maioria da população.

O Comitê Olímpico Brasileiro suspendeu o atleta. O Cruzeiro time pelo qual ele atua também aplicou a ele pena de suspensão. Em fins de fevereiro, o Superior Tribunal de Justiça Desportiva do Vôlei arquivou o processo movido contra o jogador pela Advocacia Geral da União (AGU), e pela Confederação Brasileira de Vôlei (CVB). Mesmo o processo no STJD tendo arquivado os processos, o Comitê Olímpico Brasileiro manteve a suspensão do jogador por tempo indeterminado.

Na sexta-feira, 17, foi a vez da deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC), publicar uma foto na qual segura uma metralhadora e veste uma camiseta cujas estampas são uma metralhadora, um revolver e uma mão com quatro dedos alvejada por três tiros. No texto que acompanha a foto na postagem a deputada diz: “Não podemos baixar a guarda. Infelizmente a situação não é fácil. Com Lula no poder, deixamos um sonho de liberdade para passar para uma defesa única e exclusiva dos empregos, do pessoal que investiu no setor de armas. Estamos falando em socorrer empregos +”.

Fosse só o texto, seria mais um discurso vazio de uma bolsonarista em favor do armamento da população, e uma referência ao decreto do presidente Lula que dificulta o acesso de armas no país. Porém, tudo na foto é significativo. A deputada segurando um rifle, o próprio rifle, o revolver, e a mão com quatro dedos atingida por três tiros. Nem precisa citar o nome de Lula. Todos sabem que o presidente só tem quatro dedos. Perdeu um deles em acidente de trabalho no tempo em que era metalúrgico.

Ainda na estampa da camiseta está a frase: “Come and take it”, algo como “Venha e pegue”. Isso deixa uma dubiedade no ar. Venha e pegue o quê? A arma? Para que?

Obviamente os petistas ficaram revoltados com a postagem da deputada. Na segunda-feira, 20, o líder da bancada do PT na Câmara, Zeca Dirceu (PR), e vice-líder do governo daquela casa legislativa, Alencar Santana (PT-SP), ingressaram com noticia crime no STF contra a deputada Júlia Zanatta.

Eles pedem ao órgão que a deputada seja investigada por apologia e incitação ao crime, além do crime de ameaça contra o presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT). Se os pedidos forem aceitos pelo STF a deputada pode ter seus registros de armas investigados e até ser presa.

A presidente do PT, deputada Gleise Hoffman, ao comentar a postagem da deputada catarinense, afirmou que ele teve um “comportamento nazista”, e que vai estudar medidas contra a parlamentar.

Após a repercussão do caso, Júlia Zanatta disse que se sentiu muito ofendida com as críticas a ela dirigidas: “Os ataques que tenho sofrido não se justificam. Não é razoável que minha honra e meu mandato sejam questionados pela interpretação de uma imagem. O correto é se ater aos fatos e o fato é que, na ânsia de me desqualificar, a presidente do PT, Gleisi Hoffman, evocou algo muito grave ao me chamar de nazista. Isso reflete não só em mim, mas no estado que me elegeu”.

O que me impressiona nos bolsonaristas é que eles não têm noção do mal que causam, ou da tragédia que podem causar. É como alguém que planta sementes de violência. Ora ou outra elas brotam.

A deputada esteve com Jair Bolsonaro no dia 4 deste mês nos Estados Unidos. Júlia esteve naquele país participando da Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC). Disse que foi a convite do deputado e “amigo”, Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Na ocasião ela compartilhou foto junto com Bolsonaro. O evento é uma troca de ideias entre lideranças conservadoras de direita ao redor do mundo.

Lula teve de enfrentar ainda, na primeira semana de governo, os ataques antidemocráticos as sedes dos Três Poderes, no dia 08 de janeiro, em Brasília. O processo segue veloz. Centenas de manifestantes foram presos. Alguns já foram liberados mediante a observância de medidas restritivas. Outras ainda estão sendo presas. Também continua preso o ex-secretário de segurança do DF e ex-ministro do governo Bolsonaro, Anderson Torres.

Recentemente, explodiu no Rio Grande do Norte, uma rebelião das facções criminosas que operam no estado. O terror começou naquele estado na madrugada de terça-feira, 14. Entre os dias 14 e 21 de março, os bandidos atacaram em 56 cidades e fizeram mais de 250 ataques.

Prédios públicos, ônibus de transporte público, ambulâncias, e até um depósito de remédios foram incendiados. No bairro de Igapó, Zona Norte de Natal, os bandidos obrigaram famílias a sair de suas casas e atearam fogo nas casas dessas pessoas. Escolas e postos de saúde foram fechados. A frota do transporte público foi reduzida. Por esses dias os norte rio-grandenses vivem sob o signo do medo. Reféns da violência.

A polícia conseguiu identificar os principais responsáveis pelos ataques e os transferiu para presídios federais. O ministro da Justiça, Flávio Dino, enviou cerca de 600 homens da Força Nacional para debelar a rebelião.

O motivo de tanta barbárie são as regalias que foram retiradas dos presos. Voltemos no tempo para poder o caso melhor.

Na tarde do dia 14 de janeiro de 2017, a Penitenciária Estadual de Alcaçuz, RN, foi palco da rebelião mais violenta dentro de um presídio no estado. 26 presos morreram, quinze deles decapitados. Outros tiveram os corpos mutilados, ou tiveram os corpos esquartejados. Os que estavam lá naquela tarde; familiares de presos que estavam em visita, detentos e funcionários estiveram num verdadeiro inferno. Muitos presos aproveitaram a confusão, e fugiram. Foi uma guerra entre facções rivais entre presos de complexos diferentes dentro do próprio presídio.

Naquela época os presos do sistema penitenciário do Rio Grande do Norte, apesar das proibições tinham grande facilidade de usar o celular. Foram colocados bloqueadores de sinal nas penitenciárias, ainda assim os presos conseguiam acessar os aparelhos. Havia também problemas de superlotação. A prisão tinha lugar para 620 detentos, mas abrigava 1.150.

Após essa rebelião muita coisa mudou em Alcaçuz. Por exemplo, as celas não têm nenhuma tomada, nenhum ponto de energia, ou seja, os presos não conseguem recarregar os celulares de jeito nenhum. Também foram instaladas mais de 130 câmeras que registram tudo o que acontece em tempo real. Naquela época, praticamente eram os detentos que comandavam a penitenciária. Hoje é o Estado.

Os presos reclamam que não tem direito a visita íntima, reclamam que não tem ventiladores das selas. Mas tudo isso é mais um motivo para eles terem acesso aos celulares. Com a visita íntima, poderiam entrar também os aparelhos celulares, e as mesmas tomadas que ligam o ventilador poderiam ser as mesmas que recarregariam celulares. Não só em Alcaçuz é assim, mas em todo o sistema prisional do Rio Grande do Norte.

A situação no estado do Rio Grande do Norte ainda não está 100% controlada, mesmo com a chegada dos homens da Força Nacional. Os criminosos continuam a fazer ataques a prédios públicos e garagens municipais. Na cidade de Angicos, na madrugada desta terça-feira, 21, criminosos atiraram contra o Fórum de Justiça da cidade. A marca dos tiros ficou nas paredes e vidraças do edifício. Eles também aterrorizaram outras cidades.

A situação é tão delicada que a embaixada americana no Brasil emitiu um alerta a turistas americanos que evitem viagem ao estado do RN por causa dos ataques e incêndios a prédios públicos, comércios e veículos. A embaixada também orienta a funcionários do governo a não viajarem para lá.

Os cidadãos norte-americanos que precisam viajar para o Rio Grande do Norte devem revisar os planos de viagem e monitorar as fontes de notícias locais para obter informações adicionais. Funcionários do governo dos EUA são orientados a evitar viagens ao estado do Rio Grande do Norte até novo aviso”, diz nota da embaixada americana.


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Fake news e democracia

Posted by Cottidianos on 01:59

 Terça-feira, 14 de março de 2023

Existe um ditado popular que diz que “todos os caminhos levam à Roma”. Outro diz que “quem tem boca diz o que quer”. Mas é preciso ter cuidado. Nem todos os caminhos levam à Roma. Alguns podem levar para aonde a gente não quer. Se quem tem boca diz o que quer, tem de estar preparado para ouvir o que não quer.

O mundo, de um modo geral, tem entrado pelos caminhos perigosos abertos pela extrema-direita. E essas vias com certeza não levarão o mundo à “cidade eterna” com sua rica história, a beleza de sua cultura, arte, e arquitetura, mas, sim ao reino tenebroso do ódio, do preconceito, e da intolerância.

E, se olharmos por cima dos ombros, para um passado não muito distante e chegarmos até a Alemanha de Hitler ou a União Soviética de Stalin, veremos que os líderes dessas nações, de forma mais contundente, a Alemanha, trilharam esses caminhos odiosos. E todos sabemos quais são as consequências de enveredar por essas trilhas.

Dentro do espectro ideológico, o surgimento e ascensão do partido nazista foi o que de pior aconteceu na Alemanha. O nazismo encarnou o ódio em sua forma mais perversa e mais radical. Uma das armas mais eficazes da propaganda do Terceiro Reich — magistralmente usada a serviço do mal por Joseph Goebels ­— foram o que hoje chamamos de fake news, e olhem que naquele tempo nem existia essa comunicação instantânea que a Internet nos proporciona atualmente. Imaginem então se naquela época, os nazistas dispusessem de meios de comunicação tão potentes.

A segunda guerra acabou, Hitler suicidou-se, e junto com ele morreu o nazismo. O mundo se reorganizou, entretanto, não conseguiu se livrar dos discursos de ódio que brotam aos borbotões de bocas malditas e corações trevosos.

E os herdeiros desses discursos hoje são os movimentos de extrema-direita, ou ultradireita, como são conhecidos esses movimentos, que são o lado mais radical e violento do espectro político.

Apesar dos meios de comunicação terem dado saltos enormes em relação a época na qual a propaganda nazista funcionava a todo vapor, espalhando inverdades a respeito dos judeus, e de outros grupos que eles consideravam indignos de viver, o meio de conquistar corações e mentes fracos continua sendo o mesmo: as fake news. Agora potencializadas pelas redes sociais. E isso é perigoso em qualquer sociedade. É perigoso também na sociedade brasileira.

Até o ano passado e início deste ano, nós, brasileiros, nos deparávamos com cenas chocantes, inacreditáveis, verdadeiras aberrações. Vimos fieis se prostrarem nas igrejas e jejuaram pela vitória de um candidato homofóbico, preconceituoso, amante do ódio e da mentira. Milhares de pessoas acampando em frente aos quarteis e invocando até mesmo aos ETs, clamando por um golpe militar. Bloqueando rodovias por não aceitarem a vitória democrática, confirmada pelas urnas. Vimos as fake news se alastrarem pela sociedade feito palito de fosforo jogado em paiol de pólvora. O ápice de toda essa aberração foi a destruição da sede dos poderes, em Brasília, no dia 8 de janeiro deste ano.

O pior de tudo isso, e o mais preocupante é que os fabricantes de fake news, os disseminadores de mentiras e inverdades chegaram ao Congresso, e o que é ainda pior, levados pelos braços do povo. Já haviam alguns, nas últimas eleições, chegaram mais.

A mais recente aberração que presenciamos aconteceu no dia 8 de janeiro, Dia Internacional da Mulher. Naquele dia, o jovem deputado Nikolas Ferreira (PL), Minas Gerais. As deputadas queriam ocupar a tribuna da Câmara dos Deputados, para fazer discursos que exaltassem o valor e o direito das mulheres. Realmente, aquele dia não era lugar de fala para radicais. Não era lugar de fala para Nikolas.

O que ele fez então? Vestiu uma peruca loira, disse que se chamava deputada Nikole e iniciou um discurso transfóbico, ofendendo as mulheres trans. “As mulheres estão perdendo seu espaço para homens que se sentem mulheres”, disse ele.

As eleições de 2022 representaram um avanço no sentido da inclusão. Nelas foram eleitas as primeiras deputadas transexuais do Brasil. São Paulo elegeu Erika Hilton (PSOL), e Minas Gerais elegeu Duda Salabert (PDT). Ambas já haviam sido pioneiras ao serem eleitas as primeiras vereadoras trans em seus munícipios. Os legislativos estaduais também elegeram mulheres trans. Rio de Janeiro elegeu Dani Balbi (PC do B). E Sergipe elegeu Linda Brasil (PSOL).

Porém, em sua fala preconceituosa, Nikolas ofende, não apenas as mulheres trans, mas sim, a todas as mulheres de modo geral.

Quando você ofende uma mulher, você ofende a todas as outras! Transfobia é crime e não podemos fingir que nada aconteceu”, escreveu no Instagram a deputada Tabata Amaral (PSB-SP).

O que impressiona é que depois dos ataques às mulheres trans, o número de seguidores do deputado Nikolas aumentou em 46 mil. Ou seja, arrebatou mais 46 mil pessoas dispostas a odiar. Isso é preocupante. E é mais preocupante ainda quando pensamos que anos atrás havia no parlamento um deputado do baixo clero que pregava discurso de ódio, e esse deputado, por força das circunstâncias chegou à presidência da República, e quase jogou o Brasil de volta a um regime ditatorial. Por isso devemos ficar de olhos e ouvidos bem abertos a essas falas de radicais.

Por tudo isso e muito mais, o discurso sobre a regulamentação das redes sociais tem ganhado cada vez mais força. As redes sociais tem sido o principal veículo de comunicação para muita gente. No entanto, elas não estão sujeitas às mesmas regras a qual estão submetidas os veículos de comunicação tradicionais.

Nesta segunda-feira, 13, durante o seminário, Liberdade de Expressão, Redes Sociais e Democracia, realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), no bairro de Botafogo, no Rio de Janeiro, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, criticou as prisões por fake news.

Redes sociais são instrumentos da democracia porque brasileiros passaram a demonstrar suas opiniões lá. Expandiu o debate da democracia. Mas podem representar obstáculos, sendo o mundo digital a nova ágora grega ou fórum romano. Não é necessário prender alguém para silenciá-lo. Incluindo jornalistas e parlamentares que podem ser calados a um mero clique. Assim como ataques a democracia jamais serão legítimos à liberdade de expressão”, disse ele.

Lira disse ainda que “liberdade de expressão e democracia são temas caros ao Brasil”, que “no momento em que um dos dois deixou de existir, o outro não estava vigente”.

Também esteve presente no evento, Alexandre de Moraes, ministro do STF. Moraes tem sido um árduo combatente das fake news. Ao contrário de Arthur Lira, ele defende a regulamentação das redes sociais para evitar a disseminação das notícias falsas e dos discursos de ódio.

Essa discussão é importantíssima, porque não podemos ter dois tipos de tratamento. Tratamentos diversos para o mundo real e para o mundo das redes sociais. Eu repito o que venho falando há quatro anos: as redes sociais não são terra de ninguém. Não são terras sem leis. É necessário o mesmo respeito que tem a liberdade de expressão no mundo real. Liberdade com responsabilidade. Você pode falar o que quer. Postar o que quer. Mas você terá responsabilidade penal e responsabilidade civil. Por isso temos que discutir a forma de regulamentação, mas levando em conta que liberdade de expressão não é liberdade de ódio, liberdade contra a democracia, como o que nós vimos nas eleições e o que vem ocorrendo depois delas”.

Toda aquela destruição em Brasília em 08 de janeiro foi tudo fruto de desinformação. E, se Jair Bolsonaro tivesse sido eleito para mais quatro anos de governo essa rede de desinformação promovida por ele, os filhos, e seguidores teria se potencializado, e correríamos o risco de ter problemas ainda maiores. É impressionante como o presidente da Câmara dos Deputados não perceba isso.

Na tentativa de querer blindar os seus aliados e colegas de parlamento, Lira quer deixar que as ervas-daninhas se espalhem ainda pela plantação, até o dia em que ela arruíne toda a colheita dos grãos saudáveis. Aí não haverá muito que fazer senão lamentar.

Não há como não voltar ao nazismo. Foi exatamente assim que o regime engoliu a democracia. Foi plantando aos poucos na sociedade alemã a ideia de que o comunismo iria destruir a sociedade, e por outro lado, incutindo na mente das pessoas que tudo de ruim que acontecia no país era culpa do povo judeu. E assim, como serpente venenosa, enrolada sobre si mesma, no momento certo, deu o bote e engoliu a democracia.

Não podemos deixar que o mesmo aconteça no Brasil dos dias de hoje. A serpente venenosa continua a se enrolar sobre si mesma. Não devemos permitir jamais que ela engula a democracia. Liberdade de expressão e discurso de ódio não são a mesma coisa. O primeiro é salutar e o segundo é nocivo à sociedade.


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O brilho da cobiça

Posted by Cottidianos on 23:42

 Segunda-feira, 06 de março


O brilho das joias tem encantado homens e mulheres há milênios. Elas representam status, poder, realeza, dinheiro. Por elas homens e mulheres se matam, se morrem, se presenteiam. O brilho e o fascínio das joias têm despertado interesse no passado, e continuam despertando no presente.

No momento, o ex-presidente Jair Bolsonaro e ex-primeira dama, Michele foram pegos por um redemoinho inesperado com potencial de se tornar furacão. Um escando de milhões de dólares em joias revelado pelo jornal O Estado de São Paulo.

Era o ano de 2021 e estávamos no segundo ano da pandemia. Foi um ano marcado pela chegada de uma segunda onda forte do coronavírus. Mas foi o tempo no qual a ciência começou a reagir ao vírus com a chegada das vacinas. No final daquele ano o país atingia a sonhada marca de 80% da população vacinada.

Também em 30 de dezembro daquele ano, a Petrobras concluía a venda da Refinaria Landulpho Alves (RLAM), em São Francisco do Conde, na Bahia. A refinaria foi vendida para o grupo árabe Mubadala Capital, dos Emirados Árabes. A Petrobras divulgou na ocasião que o negócio havia sido fechado em R$ 10,1 bilhões, após o cumprimento de todas as condições precedente. O acordo previa ainda um ajuste final no preço que deveria ocorrer nos meses seguintes.

A Landulpho Alves foi a primeira das oitos refinarias a serem vendidas pela Petrobras, o presidente do grupo Mubadala Capital no Brasil, Oscar Fahlgren, disse que a empresa se comprometeria com as pessoas e meio ambiente: “A nossa prioridade é garantir excelência na produção e operação da refinaria, além de uma transição estruturada, serena e sem ruptura. É criar valor com atenção especial às pessoas e ao meio ambiente. Enfatizamos sempre o compromisso de longo prazo que temos com o país e as regiões onde atuamos. Este é certamente um dos objetivos da Acelen”, disse ele na ocasião.

Foi nesse contexto de segundo ano da pandemia, avanço da vacina contra a Covid, e negociações entre a Petrobras e o grupo árabe tratando da venda da refinaria na Bahia, que, em 22 de outubro de 2021, o ministro das Minas e Energia, Bento Albuquerque e sua comitiva, iniciava uma agenda de eventos oficiais em Riad, capital da Arabia Saudita.

Foram quatro dias de reuniões bilaterais, conferências sobre meio-ambiente, e reuniões com membros da realeza saudita. O presidente Jair Bolsonaro, não esteve presente nessa viagem.

Não se sabe em que momento da viagem, nem em quais circunstâncias, a comitiva brasileira recebeu da realeza saudita um presente destinado a então primeira dama Michele Bolsonaro. Também não se sabe exatamente quem recebeu as joias, se foi o próprio Bento Albuquerque, ou algum subordinado. Mas, pelo quilate, presume-se que foi o próprio ministro quem recebeu as joias, que eram joias caríssimas.

O presente consistia de uma escultura de um cavalo, e um conjunto com colar, anel, relógio, e um par de brincos de diamante. Junto com itens foi entregue um certificado da marca Chopard — empresa suíça que produz algumas das joias mais caras do mundo. O conjunto de joias foi avaliado em R$ 16,5 milhões.

Até aí, tudo bem. Vários outros presidentes brasileiros receberam presentes de outros chefes de nações. Mas eles ficaram como patrimônio do Estado brasileiro. Mas, ao que parece, a intenção do presidente brasileiro não era seguir esse caminho legal, e, sim, abocanhar essa fortuna.

Todos sabem, até quem não viaja ao exterior, que se trouxer um anel na bagagem na volta de uma viagem internacional, esse item tem que ser declarado à Receita Federal. Isso se a pessoa tem a intenção de fazer as coisas de forma legal.

 Terminada a viagem oficial a comitiva brasileira retornou da Arábia Saudita em 26 de outubro de 2021. Desembarcaram no aeroporto de Guarulhos. Quando os funcionários da receita realizavam fiscalização dos passageiros que vinha da Arábia Saudita, encontraram, na bagagem de Marcos André dos Santos Soeiro, que era assessor de Bento Albuquerque, então ministro de Minas e Energia, a caixa contendo a escultura de um cavalo dourado, com as patas quebradas, e dentro dela, a caixa com as joias, e certificado de autenticidade da empresa suíça.

As peças não haviam sido declaradas. E nem tampouco haviam sido registradas como presente oficial da realeza árabe para o presidente da República, nem para a primeira dama.

Como procedimento de praxe, a Receita reteve as joias. De acordo com procedimento da Receita, qualquer objeto com valor superior a US$ 1 mil, deve pagar o imposto de importação referente a 50% do valor estimado do item, e ainda uma multa de 25% por tentar entrar de forma ilegal no país. Então, os interessados nas joias teriam de pagar ao todo 75% do valor somando-se valor do bem e multa.

No dia 25 de outubro de 2021, mesmo dia que o ministro Bento Albuquerque se preparava par voltar ao Brasil, o presidente Jair Bolsonaro se encontrou com o embaixador da Arábia Saudita em Brasília. Presentes ao encontro estiveram o senador Flávio Bolsonaro, e o ministro das Relações Exteriores, Carlos França. O encontro não constou da agenda pública de Bolsonaro, nem do Itamaraty. 

É muita coincidência de o ministro das Minas e Energia ter viajado a Arabia Saudita, quando a Petrobras fechava a venda de uma refinaria de petróleo a um grupo daquele país. Da mesma forma que é coincidência que o presidente Jair Bolsonaro tenha estado com o embaixador daquele país logo após a comitiva brasileira ter recebido valiosos presentes dados à primeira dama, Michele Bolsonaro. Tem coisas que parecem coincidência, mas talvez não sejam.

O presidente Jair Bolsonaro tentou — creio eu, desesperadamente — reaver as joias em pelo menos quatro ocasiões, sendo a última delas, no apagar das luzes de seu governo, ou seja, um dia antes de viajar para os Estados Unidos.

No dia 29 de dezembro de 2022, Jairo Moreira da Silva, sargento da Marinha, na ocasião, chefe de Ajudância de Ordens da Presidência da República, chegava ao Aeroporto de Guarulhos. Ele vinha com uma missão: reaver as joias apreendidas. Vinha a mando de Bolsonaro.

Ele mostrou aos funcionários e mostrou um documento no celular e disse a eles que estava ali para retirar o material que estava retido na alfandega, e que a própria chefia da Receita já deveria ter comunicado o fato a alfandega de Guarulhos.

O funcionário Marco Antônio Lopes disse ao sargento que não estava sabendo de nada, e que não entregaria os produtos retidos. Jairo então ligou para alguém a quem se referiu como coronel, e tentou fazer com que o funcionário da receita falasse com ele. O funcionário disse então que não resolveria nada por telefone.

Foi então que o sargento disse: “Não pode ter nada do (governo) antigo para o próximo, tem que tirar tudo e levar”.

Nem mesmo a ligação de Júlio Cesar Vieira Gomes, secretário que comandava a Receita naquela ocasião, pedindo para liberar as joias, adiantou. Marco Antônio Lopes, foi firme e não entregou as joias apreendidas de modo algum.

Um dia antes da ida de Jairo ao aeroporto, Bolsonaro havia enviado um ofício a Receita no qual comunicava a viagem do subordinado e pedia a devolução das joias.

Essa foi a última das oito tentativas de Bolsonaro de liberar as joias. Nem usando toda a força do Planalto, do Itamaraty, da Receita e do ministério das Minas e Energia as joias apreendidas foram liberadas.

As reações do ex-casal presidencial foram bem parecidas.

Bolsonaro continuar nos Estados Unidos. Perguntado sobre as joias, ele disse: “Estou sendo acusado de um presente que eu não pedi, nem recebi. Não existe qualquer ilegalidade da minha parte. Nunca pratiquei ilegalidade. Veja o meu cartão corporativo pessoal. Nunca saquei, nem paguei nenhum centavo nesse cartão”. Ele também afirmou que não tentou trazer as joias ilegalmente ao país. Quanto ao cartão corporativo, a divulgação dos dados dos gastos mostram que Bolsonaro usou e abusou do cartão corporativo.

Michele Bolsonaro tratou do assunto com deboche, e ainda culpou a imprensa. “Quer dizer que, 'eu tenho tudo isso' e não estava sabendo? Meu Deus! Vocês vão longe mesmo hein?! Estou rindo da falta de cabimento dessa impressa (sic) vexatória”.

Na esteira dessa primeira entrega de joias do governo saudita ao presidente brasileiro, surgiu a denúncia de que mais um caixa de joias teria sido enviada a Bolsonaro. Dessa vez, a caixa não passou pelo crivo da Receita Federal, e os itens contidos nela incluem itens masculinos; relógio, caneta, abotoadura, anel, e um tipo de rosário da marca suíça de diamantes Chopard. Essa segunda caixa de joias também foi trazida na bagagem de um integrante da comitiva.

Essa segunda caixa de joias também foi trazida em outubro de 2021, por ocasião da visita oficial do ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque. o fato estranho, além das joias terem vindo na bagagem de um assessor, é que elas ficaram no ministério de Minas e Energia por um ano, e só foram entregues ao Palácio do Planalto em 29 de novembro do ano passado.

Foi entregue [ao Planalto em novembro de 2022] porque demorou-se muito nesse processo para dizer quem vai receber quem não vai receber, onde vai ficar onde não vai ficar. Só não podia ficar no ministério nem ninguém utilizar”, disse Bento Albuquerque. Como diz o ditado, “desculpa esfarrapada”.

A Polícia Federal, que já havia aberto inquérito para apurar as joias apreendidas pela receita, agora também abriu um inquérito para apurar essa segunda caixa de joias que também não havia sido declarada a receita.

Para Michele Bolsonaro o caso das joias foi um balde de água fria no seu envolvimento no PL. No dia 15 de fevereiro, o nome de Michele foi confirmado como presidente nacional do PL Mulher. O anúncio foi feito durante encontro realizado em Brasília, na sede do partido, com a participação de deputadas da sigla.

Para este mês estavam sendo organizados uma série de eventos com a participação dela. Agora, tudo o que partido mais quer é achar um buraco onde ela possa se esconder depois da divulgação dos caríssimos mimos dados a ela e a Bolsonaro pelo governo saudita.

Enfim, caros leitores e leitoras, é mais uma máscara retirada da face de pessoas que se autoproclamavam honestas e donas da verdade. É um fato gravíssimo e tem mesmo de ser apurado. Reproduzo aqui o versículo bíblico que Bolsonaro costumava usar: “Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”. É bom eles tomarem cuidado pois a mesma verdade que liberta também condena.


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