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Nos céus do progresso, que nunca se apague o brilho das estrelas da nação Brasil

Posted by Cottidianos on 00:10
Quinta-feira, 11 de junho
É uma nação
Dentro de um grande país
Um grande povo
Dentro de outro maior
E esse nó
Não desata nem destina
Que essa nação nordestina
O Brasil é o melhor
(Intróito à nação – Zé Ramalho)


O meu país é imenso. Com seus 8.515.767,049 km2, é um continente dentro de outro continente. De Norte a Sul, de Leste a Oeste, é um oceano de belezas naturais nos quais a vista pode mergulhar por horas seguidas, por dias seguidos, sem nunca se cansar.

A minha nação também é grandiosa. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, em primeiro do julho de 2014, atingimos a marca de 202,7 milhões de habitantes. Já pensou no que significa 202,7 milhões de pessoas vivendo sob o mesmo solo, respirando a mesma brasilidade e alimentando as mesmas esperanças de um país melhor?

Para as instituições econômicas, esse número não passa de estatísticas para o calculo de indicadores econômicos e modelo para a distribuição dos Fundos de Participação de Estados e Municípios, feita pelo Tribunal de Contas da União (TCU), mas para mim ele representa vida, diversidade de cultura, pois assim como o Brasil pode ser definido como um continente dentro de outro continente, também nele há vários países dentro de um mesmo país.

Cada estado brasileiro possui as suas peculiaridades, seu modo de falar. Os nordestinos falam mais devagar e com um falar cantado. Os do sudeste falam mais rápido. Os cariocas puxam muito pelo som sibilante do s, x, e ch. Cada região tem seu céu de coloridas tradições, e em cada céu brilham as estrelas da cultura que refletem matizes diversos. Tudo isso sem ofuscar o brilho e as cores do manto verde, amarelo, azul e branco que recobre todos nós.

É gostoso dizer: Meu país!

Dá certo orgulho no peito e uma emoção na alma quando cantamos o Hino que tão bem nos representa...

... Brasil, um sonho intenso, um raio vívido
De amor e de esperança à terra desce,
Se em teu formoso céu, risonho e límpido,
A imagem do cruzeiro resplandece.

Gigante pela própria natureza,
És belo, és forte, impávido colosso,

E o teu futuro espelha essa grandeza...

Os versos vão percorrendo nossas veias, despertando nossos sentidos, tal qual bravo soldado em campo de batalha.

Por que dizemos com tanto amor: Meu país!?

Por que é aqui onde comemos, bebemos, estudamos, trabalhamos, ganhamos dinheiro, descansamos... E voltamos a fazer tudo de novo. Aqui é o berço de nossos ideais e nossos sonhos. Esse sentimento de brasilidade é tão forte que, mesmo aqueles que estão fora do país, que foram acolhidos em outra pátria, sentem-se, igualmente, brasileiros. Pois, nacionalidade, no dicionário Michaelis, é substantivo feminino e significa:

1. Qualidade ou condição de nacional; naturalidade.
2. Conjunto dos caracteres que distinguem uma nação.
3. Nação,

Porém, no coração, nacionalidade, é raiz... E raiz acompanha a planta onde ela for. Muda o solo, muda o céu, muda o ar, mas a raiz permanece, para sempre.

Ah, minha bela e pobre pátria!

Bela pelos teus encantos naturais, e pela alegria de teu povo, e pobre porque não és bem cuidada como deverias. Deus do céu! Como te maltratam! És como ave rara de belas penas que é sempre depenada. Primeiro foi o ouro vermelho, chamado Pau Brasil, cujas toras eram abundantemente retiradas e levadas para outras terras. Depois foi teu dourado ouro que, tristemente, disse adeus ao seu solo natal e foi enfeitar os palácios portugueses e aquecer e enriquecer ainda mais a economia portuguesa.

Essa herança maldita persiste até hoje. As aves de rapina, chamadas corruptos, te sobrevoam, esperando sempre o momento certo de comerem a melhor parte do boi, deixando apenas o esqueleto para a maioria da sofrida população. Assim como o Pau Brasil e o ouro de nossas minas, milhões de reais saem, clandestinamente, e vão fazer festa em paraísos fiscais.

“Ó pátria amada, Idolatrada, Salve! Salve!”, como estamos cansados de todas essas manchas que ofuscam a beleza de teu céu azul anil...

Como disse, dentro do Brasil há várias nações. A Nação Nordestina é uma delas. Um povo sofrido, mas um povo forte, um povo guerreiro. Se fosse figura linguística, o nordestino seria uma antítese, — figura linguística pela qual se opõe duas palavras ou ideias — pois mesmo sofrido, ele não consegue ser triste.



Ilustrando musicalmente essa nação, um de seus representantes famosos, o cantor Zé Ramalho, lançou, em 2000, o seu décimo quarto disco, chamado, Nação Nordestina. É um disco belíssimo, a começar pela capa, que é uma homenagem ao lendário álbum, Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, lançado pelos quatro rapazes de Liverpool, em 1o de junho de 1967. O design da capa traz para o nordeste o mundo dos Beatles. Nação Nordestina é um passeio do homem nordestino por sua própria terra, e mergulha em toda a sua musicalidade, na riqueza de sua cultura e costumes.



A faixa “Intróito à nação”, com percussão de Nana Vasconcelos é grandiosa, como é grandioso o sentir-se parte da terra, como o sente as raízes das arvores frondosas que fincam suas raízes no profundo solo.  

O disco segue com belas letras, e também traz músicas de grandes nomes da música nordestina, como Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro e Geraldo Vandré. O disco inteiro é uma joia preciosa, mas a canção que gostaria de compartilhar com vocês, mais que letra, é um discurso, e quem disse que com música não se faz discurso?

A letra da música, O meu país, não destaca as belezas naturais do Brasil, e sim, as mazelas sociais dele, mazelas essas cujas raízes principais, são a corrupção que tanto mal nos faz. A letra é de autoria de Orlando Tejo e Gilvan Chaves, e música de Livardo Alves. O refrão:

Tô vendo tudo, tô vendo tudo
Mas, fico calado, faz de conta que sou mudo”,

Poderia, a princípio, sugerir certa passividade, comodismo, falta de vontade de lutar, mas quem acompanha a realidade política, sabe que esse é o bordão preferido de nossos políticos, pronunciado desde os tempos do mensalão, e que perdura nos dias atuais, com a operação Lava-Jato. Nenhum de nossos governantes nunca sabe de nada, nunca viu coisa alguma, mesmo com as coisas acontecendo debaixo das barbas deles.

Esse país da corrupção não é o meu país, pelo menos não é o país no qual nós desejamos viver.

***



O Meu País
Zé Ramalho

Tô vendo tudo, tô vendo tudo
Mas, fico calado, faz de conta que sou mudo

Um país que crianças elimina
Que não ouve o clamor dos esquecidos
Onde nunca os humildes são ouvidos
E uma elite sem deus é quem domina
Que permite um estupro em cada esquina
E a certeza da dúvida infeliz
Onde quem tem razão baixa a cerviz
E massacram-se o negro e a mulher
Pode ser o país de quem quiser
Mas não é, com certeza, o meu país

Um país onde as leis são descartáveis
Por ausência de códigos corretos
Com quarenta milhões de analfabetos
E maior multidão de miseráveis
Um país onde os homens confiáveis
Não têm voz, não têm vez, nem diretriz
Mas corruptos têm voz e vez e bis
E o respaldo de estímulo incomum
Pode ser o país de qualquer um
Mas não é com certeza o meu país

Um país que perdeu a identidade
Sepultou o idioma português
Aprendeu a falar pornofonês
Aderindo à global vulgaridade
Um país que não tem capacidade
De saber o que pensa e o que diz
Que não pode esconder a cicatriz
De um povo de bem que vive mal
Pode ser o país do carnaval
Mas não é com certeza o meu país

Um país que seus índios discrimina
E as ciências e as artes não respeita
Um país que ainda morre de maleita
Por atraso geral da medicina
Um país onde escola não ensina
E hospital não dispõe de raio - x
Onde a gente dos morros é feliz
Se tem água de chuva e luz do sol
Pode ser o país do futebol
Mas não é com certeza o meu país

Tô vendo tudo, tô vendo tudo
Mas, fico calado, faz de conta que sou mudo

Um país que é doente e não se cura
Quer ficar sempre no terceiro mundo
Que do poço fatal chegou ao fundo
Sem saber emergir da noite escura
Um país que engoliu a compostura
Atendendo a políticos sutis
Que dividem o brasil em mil brasis
Pra melhor assaltar de ponta a ponta
Pode ser o país do faz-de-conta
Mas não é com certeza o meu país

Tô vendo tudo, tô vendo tudo

Mas, fico calado, faz de conta que sou mudo

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Os funcionários fantasmas, as verbas indenizatórias e os bandidos que ocupam cargos públicos

Posted by Cottidianos on 00:04
Terça-feira, 09 de junho



Se o momento econômico que o Brasil atravessa no momento atual, pudesse ser comparado ao tempo climático, ele estaria com céu nublado, cinzento e muito frio. Obvio que com um tempo desses, todo cuidado é pouco. O melhor é nem sair de casa. Não gastar mais do que o necessário, e naquilo que é necessário. E, se tiver que sair, e enfrentar um tempo adverso como nesses dias, o melhor é levar agasalho, guarda-chuva, luvas, e todos os apetrechos que te impeçam de pegar alguma doença.

Todos os setores tem sentido o efeito dessa crise. Grandes e pequenos empresários, e principalmente, a classe trabalhadora. A poderosa FIAT, por exemplo, na fábrica estabelecida na Região Metropolitana de Belo Horizonte, nenhum carro será montado até sexta-feira (12). Grande parte dos 19 mil funcionários da empresa, terão que ficar em casa durante esse período. O motivo é que o pátio da empresa está lotado de carros novinhos, prontos para serem vendidos, mas faltam compradores.

Essa não é a primeira vez que isso acontece. Há dois meses, a empresa já havia interrompido a produção por seis dias. A FIAT já concedeu férias coletivas a quatro mil funcionários, sendo metade em março e a outra metade em maio. Essas férias coletivas também representam uma forma de amenizar a situação. Já pensou se a montadora resolve demitir todos esses trabalhadores?

O pior é que as coisas funcionam como efeito dominó, pois fábrica parada, também é sinal de fornecedores parados. A verdade é que a produção de veículos no Brasil, caiu 25,3%, em maio, se comparado ao mesmo período do ano passado.

Como disse, o céu está cinzento, mas há gente cujo único propósito parece ser o de penalizar ainda mais o país, desviando dinheiro dos cofres públicos e, por consequência, fazendo o povo sofrer. Falo de políticos corruptos e ladrões.

O Ministério Público está investigando esquemas de desvios de dinheiro nas assembleias legislativas de todo o país. Não bastasse todos os esquemas de corrupção ainda aparece mais esse: O de funcionário fantasma. Coisa, realmente, de arrepiar os cabelos. Até mesmo um padre, que deveria pregar a caridade, o amor, e o agir ético, está envolvido no esquema, segundo reportagem exibida pelo Fantástico deste domingo, assinada pelo repórter Giovani Grizzoti.

O estado do Amapá tem 24 deputados estaduais e, pasmem os senhores, esses 24 deputados estaduais tem, juntos, 2.653 cargos de confiança. Isso dá uma média de 110 pessoas trabalhando para cada deputado. Detalhe: O gabinete de cada deputado é composto por uma pequena sala, onde cabem no, máximo, de cinco a seis pessoas. Onde será que eles colocam tanta gente? Isso não se sabe.

Esses ladrões ainda se utilizam de pessoas simples, usadas como laranja. Muitas delas, nem sabem que seus nomes estão ligados a esquemas de corrupção. É caso de duas irmãs que trabalhavam como lavadeiras, em Maceió. Trabalhando na lavanderia, as duas mulheres recebem um salário mínimo, porém, sem o saberem, constavam da lista de funcionários da Assembleia Legislativa, com um salário de 25 mil reais.

Alguns desses funcionários envolvidos no esquema, e que recebiam altos salários, eram obrigados a devolver, mensalmente, parte do salário, ao deputado que os havia contratado.

No estado de Goiás, há o caso do padre Luiz Augusto é que é funcionário da Assembleia Legislativa desde 1980, mas nunca exerceu seu expediente por lá. O Ministério Público acusa o padre de ter recebido durante todo esse tempo, mais de 20 milhões de reais, sem, de fato, ter trabalhado naquela casa legislativa. O padre diz que usa o dinheiro em obras sociais, o que, mesmo sendo verdade, não justifica a atitude desonesta.

Outro modo de desviar dinheiro dos cofres públicos é a chamada “verba indenizatória”. Esse esquema envolve notas frias e empresas de fachada para justificar serviços que nunca foram feitos.

O Fantástico mostrou o caso de uma dona de Agências de viagem que, não tem nada a ver com esse esquema criminoso. Cinco notas fiscais da empresa dela constavam da prestação de contas de cinco deputados e ela nem sabe como é que isso aconteceu. Até empresas em nome de pessoas mortas, foram abertas para desviar dinheiro dos cofres públicos.

Ainda há coisas ainda mais absurdas. Imaginem rodar 8 milhões de quilômetros. Isso representa ir à lua e voltar por dez vezes. Pois os deputados do Rio Grande do Sul conseguiram essa proeza, e embolsaram mais de 4 milhões e meio. O valor da quilometragem paga aos deputados é feita conforme o medidor de quilometragem do carro. O que os deputados faziam? Levavam o carro a oficinas onde o medidor era fraudado elevando para cima a quantidade de quilômetros rodados.

É caros leitores, como temos a oportunidade de ver o desenrolar das investigações sobre os esquemas de corrupção na FIFA, esse é mal que assola o universo. A ambição desmedida tem levado ao conhecimento do mundo tantos fatos tristes... Apenas no Brasil há uma enxurrada deles, e a cada dia, aparecem novos casos e novas formas de lesar o contribuinte. Porém esses ladrões não entram em nossas casas legislativas pela chaminé, muito pelo contrário, entram pela porta da frente. E quem os coloca lá? O povo, através do voto. Aí eu pergunto: Vale a pena continuar elegendo bandidos? Se deu poder a eles uma vez, por desconhecimento, não cometa a asneira de colocá-los novamente, depois de saber disso tudo. Procure saber que políticos estão envolvidos nessas falcatruas. Eleitor brasileiro, não seja masoquista, fazendo sofrer a si mesmo, a sua família, e a todos nós que amamos esse país.

Abaixo, compartilho comentário do jornalista Alexandre Garcia, feito ontem, no Bom Dia Brasil, a respeito dessa farra com o dinheiro público.

***



A farra com dinheiro público

Por Alexandre Garcia

A farra com dinheiro público, infelizmente, não é exceção. A gente até ri, porque é inacreditável. É rir para não chorar. Apesar de todos os mecanismos combate e de transparência, o abuso é flagrado Brasil afora. É gente eleita para representar o povo mas representa apenas a si próprio.

O mandato recebido deveria ser exercido pelo mandatário no interesse de seus mandantes, mas acaba nisto: o eleito usa o cargo e os poderes para usurpar o dinheiro dos impostos daqueles que o elegeram. Isso contraria qualquer moral, contraria as leis, contraria a organização social de uma democracia. Mas, afinal, tudo isso está em um ambiente de declínio que parece ter contaminado o país de cima para baixo e de baixo para cima.

Isso que acontece em Assembleias Legislativas acontece também, como o Fantástico mostrou há pouco mais de um mês, em Câmaras de Vereadores, que são mais de 5,560 mil.


Até o momento, os brasileiros pagaram, só neste ano, quase R$ 900 bilhões em tributos. Ao ver essa farra em Assembleias Legislativas e outras tantas farras que se revelam a cada dia, se entende porque se paga tanto imposto e sobra tão pouco para a educação, a saúde, a segurança, as estradas e demais serviços públicos em geral. Muitos dizem que a culpa, no final, é do eleitor, que elege esse tipo de gente. Mas será que os partidos políticos estão dando opções ao eleitor? Já que tem eleição municipal no ano que vem, seria bom começar a pensar nisso. Os partidos políticos principalmente, para o eleitor não se julgar um pamonha.

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Celso Santebañes: A morte de um jovem que queria ser boneco

Posted by Cottidianos on 00:12
Domingo, 07 de junho


Ó beleza! Onde está tua verdade?
William Shakespeare



Ela é filha, digo, criação de Ruth Handler e o seu marido Elliot Handler. Eles a conceberam, em 1959, nos Estados Unidos. Seu nome? Barbie. Lançada, oficialmente, em 09 de março de 1959, em uma Feira Anual de Brinquedos, em Nova York, em poucos anos a boneca saiu do anonimato e alcançou o estrelato, participando de diversos filmes e campanhas publicitárias milionárias. Aos 56 anos, ela faz inveja a qualquer mulher, ao conservar-se naturalmente jovem, bonita e elegante, e ainda influenciando o mundo da moda e da beleza. Barbie descobriu aquilo que é objeto de anseio da humanidade desde longa data: o elixir da longa vida. Pode-se dizer que Barbie é a mina de ouro da empresa de bonecos, Mattel.

Não convém a uma princesa viver sozinha. Pensando nisso, Ruth e Eliot, criaram um boneco para ser o par romântico da Barbie, e lhe deram o nome de Ken. Ele chegou as lojas em 1961. Bonito, elegante, e cheio de estilo, enfim um par perfeito para a Barbie. Ken, rapidamente, também conheceu a fama e o sucesso.

Tanto a Barbie, quanto o Ken foram inspirados nos filhos de Ruth e Eloit, Barbara e Kenneth Handler. O verdadeiro Ken faleceu em 1994, vítima de um tumor no cérebro.

Assim como a Barbie inspirou milhões de garotas a viver o ideal de uma beleza sem máculas, Ken também inspirou muitos garotos ao redor do mundo, a viver um ideal de beleza que não é próprio dos humanos. Essa busca por um ideal utópico de beleza pode ser revelar uma grande armadilha, colocando um fim à vida daqueles que, a todo custo, querem se parecer com brinquedos.

Ora, sabemos que não existe, a mulher photoshop, ou o homem photoshop. As pessoas estão sujeitas a ter marcas pelo corpo — sinais que o acompanham desde o nascimento, ou adquiridos posteriormente. Umas são mais magras, outras mais gordas, mais altas ou mais baixas. Com o tempo, aparecem os cabelos brancos, as rugas, isso é um processo natural, faz parte da vida do homem desde sempre.

Muitos querem uma beleza artificial e, para isso, enchem o corpo com enxurradas de procedimentos cirúrgicos que, às vezes, podem destruir o corpo, ao invés de torná-lo belo.

Celso Pereira Borges, que adotou o nome artístico de Celso Santebañes, era um jovem bonito, de 20 anos, cujo ideal de vida estava mergulhado no mar da superficialidade. Ele possuía uma firme obsessão: Tornar-se igual a Ken, o namorado da Barbie.

Quem não se lembra do velho Gepeto e seu boneco de madeira, chamado Pinóquio? Gepeto criou o boneco e a fada madrinha deu vida a ele. Passou por muitas peripécias e quando mentia seu nariz crescia. O sonho do boneco era tornar-se um menino de verdade. Isso na ficção. Na vida real, o sonho de Celso tomou rumo contrário. Ele era um menino de verdade que queria ser boneco. Um boneco, esteticamente, perfeito.

Celso nasceu no dia 30 de agosto de 1994, na pequena cidade de Araxá, em Minas Gerais, que, por coincidência, é terra de Dona Beija, mulher linda e sensual, que mesmo analfabeta, tornou-se uma personagem influente na região, nos anos de 1800, encantando os homens e causando inveja nas mulheres, por causa de sua estonteante beleza. As ideais avançadas de Beija em relação ao amor livre fizeram com que ela bebesse do vinho do luxo e da riqueza, ao mesmo tempo em que comia o queijo amargo da rejeição das famílias da época.

Celso sempre gostou de bonecos. Na infância tinha uma prateleira cheia deles, e gostava de se vestir como seus brinquedos. Os belos olhos azuis e seus traços perfeitos o levaram para o mundo da moda. Ainda criança, começou a participar de concursos de beleza. Quando tinha 15 anos, o famoso ator, Tony Ramos, esteve em Araxá, realizando um concurso de novos talentos. Dentre os 400 candidatos que se inscreveram, Celso ficou em primeiro lugar. Foi por essa época que adotou o nome artístico de Celso Santebañes. Aos dezesseis anos, já trabalhando como modelo, os amigos lhe deram de presente um Ken, para que ele reparasse na semelhança que havia entre ele o boneco. Começo aí a obsessão.



Aos 16 anos, Celso deixa a pequena Araxá e parte para a cidade de São Paulo, em busca de fama e sucesso. Queria ser reconhecido por sua aparência. Também queria ser ator e modelo. Na capital paulista, a ideia fixa de se parecer cada vez com um boneco, só aumentava, e Celso dava asas ao seu sonho fantástico.

Perseguindo sua desvairada quimera, fez cirurgias plásticas no queixo, no nariz, maxilar. Colocou silicone no peitoral, nas coxas. Além disso, fez diversas outras intervenções estéticas. Com isso foi modificando cada vez mais o seu corpo, a custa de muitos produtos químicos. Também aproveitou a vida em São Paulo para fazer cursos de teatro e manequim.

 As coisas pareciam estar dando certo. No início de 2014, o sucesso chegou, e rápido. Mais rápido do que ele imaginava. Ganhou o apelido de Ken humano. Foi a televisão. Apareceu em diversos programas em rede nacional de TV. Os convites para ser presença VIP em festas, baladas e peças infantis, foram se acumulando. A conta bancária aumentou. E tudo girava como um moinho de vaidades: Quanto mais dinheiro, maiores as possibilidades de modificar o corpo.

No final de dezembro de 2014, a vaidade bateu a porta do jovem de 20 anos, aspirante a boneco famoso, e cobrou seu preço. Uma conta muito alta.

Chegaram as festas de Natal e Ano Novo, e o jovem decidiu passar esses momentos agradáveis em Araxá, junto com a família. A cidade grande pode oferecer inúmeras possibilidades de sucesso, mas cidade grande é verbo impessoal, e substantivo, muitas vezes, frio. Pensando nisso, Celso, alegremente, aproveitava o momento para ficar na intimidade da família, rever os amigos. Com o estouro do champanhe na virada do ano, vieram promessas e votos de sucesso e felicidade.

No dia 02, a vaidade que ameaçava bater do mineiro, cumpriu sua ameaça. Celso assustou-se ao verificar a presença de hematomas nas pernas, no mesmo lugar onde fizera aplicações de hidrogel, há quase quatro anos.

Foi levado para um hospital, em Araxá. Feitos os exames, os médicos constataram que as complicações de saúde de Ken humano, eram muito maiores e mais graves do que ele supunha. O diagnóstico dos médicos apontou um tipo raro de leucemia, denominada, Leucemia Linfoide Aguda Philadelphia positivo, e que não tinham nenhuma relação com a aplicação de hidrogel.

Não havendo no hospital em Araxá, infraestrutura suficiente para que fosse iniciado o tratamento e as sessões de quimioterapia, a equipe médica resolveu transferi-lo para o hospital das Clínicas de Uberlândia, no Triângulo mineiro.

Um dia depois de dar entrada no hospital de Uberaba, o quadro clinico do jovem piorou. Por três vezes ele desfaleceu, e sua pressão arterial caiu para zero. Seu quadro de saúde se agravou a tal ponto, que ele chegou a ficar um mês em coma. Ficou quatro meses internado em Uberaba. Após isso, apresentou uma melhora e voltou para Araxá, a fim de continuar o tratamento em casa.

Entretanto, no dia 29 de maio, seu quadro de saúde começou a se agravar novamente, e ele teve que voltar ao hospital, passando a respirar com ajuda de aparelhos. Os médicos concluíram que ele havia contraído uma pneumonia bacteriana.

No dia 04 de junho, o Hospital de Clínicas de Uberlândia da Universidade Federal de Uberlândia, divulgava a seguinte nota:

“É com pesar que o Hospital de Clínicas de Uberlândia da Universidade Federal de Uberlândia informa que o paciente Celso Santebañes, portador de Leucemia Linfóide Aguda Philadelphia positivo, faleceu às 16h30 do dia 4 de junho de 2015 em decorrência de agravamento do quadro clinico pela pneumonia na fase de imunossupressão da quimioterapia”.
A nota colocou um ponto final na vida de um jovem bonito e talentoso, que colocou a vaidade na lista número 1, dentre suas prioridades na vida.

Pinóquio teve a ajuda de uma fada madrinha, que, com sua varinha mágica, o ajudou a transformar-se em um menino de verdade. O jovem Celso não teve a mesma a sorte de encontrar uma fada madrinha que o transformasse em boneco.

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Todas as formas de amor

Posted by Cottidianos on 00:23
Quinta-feira, 04 de junho

"E a gente vive junto
A gente se dá bem
Não desejamos mal a quase ninguém
E a gente vai à luta
E conhece a dor
Consideramos justa
Toda forma de amor
(Toda forma de amor – Lulu Santos)



Certa noite deste ano, estava eu voltando para casa, quando aproveitei para passar em um supermercado e fazer algumas compras. Depois disso, me dirigi à parada de ônibus. Já passava um pouco das onze da noite e os ponteiros do relógio, que haviam corridos separados desde o meio dia, como dois amantes, estavam ansiosos para se novamente se encontrarem, e por um poucos momentos, roçarem seus corpos metálicos, em excitantes cenas de amor no filme das horas.

Àquela hora, o trânsito estava tranquilo, as pessoas quietas. Umas pensando na vida, outras cansadas do trabalho, não viam a hora de chegar em casa e, simplesmente, descansar.

Quando cheguei à parada de ônibus, poucos bancos havia para que os passageiros pudessem esperar com maior comodidade. A maioria estava em pé, cada qual a espera do ônibus que os levaria para casa. Se vocês me pedirem para descreverem algum dos que ali estavam, serei sincero e direi que não lembro. Ah, lembro sim. De duas moças eu lembro. Elas representavam o diferente, e aquilo que é diferente, ou que, pelo menos, consideramos diferente do que somos, nos chama a atenção, nos provoca, nos irrita, nos apavora.

Uma dessas jovens era negra, não era exatamente magra, mas também não se podia dizer que fosse gorda. Tinha uma beleza proporcional ao seu corpo. Seus cabelos eram crespos e curtos. A outra era branca, cabelos lisos e longos. Era um pouco mais magra que a outra. As duas eram de estatura mediana. Elas estavam abraçadas. Trocando caricias. Eram namoradas.

Fiquei olhando aquelas belas moças. E o que mais me chamou a atenção nelas foi o brilho no olhar, principalmente da moça branca. Parecia que tinha estrelas no lugar dos olhos. Na verdade não era o brilho das estrelas que estavam sobre elas, era o brilho do amor.

Não vi atitude hostil para com essas jovens por parte de nenhum dos usuários do transporte coletivo que estavam ali naquele momento. Todos pareciam mais preocupados com suas próprias vidas do que com o modo de vida daquelas moças. Acho que deveria ser sempre assim.

Ainda observando aquela cena romântica na quase meia noite, fiquei pensando. Não teriam elas não tem o direito de se amarem? Em que o amor entre elas pode prejudicar a humanidade? Em que medida esse amor pode prejudicar a mim, ou a qualquer daqueles que estavam ali? Que ameaça para a sociedade representa a união entre duas pessoas do mesmo sexo?

Muitos usam a bandeira da religião para justificar seus atos de intolerância ou racismo. Que me desculpem os moralistas de plantão, eu diria aos fanáticos religiosos que se Jesus Cristo voltasse ao mundo hoje, ele, provavelmente, diria: “Os homossexuais vos precederão no reino dos céus”. Por que penso assim?

Ora, atitudes racistas e preconceituosas não foram inventadas agora. Elas existem desde tempos imemoriais. Na Judeia do tempo de Jesus não era diferente. Havia o preconceito contra os pobres, contra os cobradores de impostos, e contra as prostitutas. Certa vez, disse Jesus aos seus interlocutores: “As prostitutas e os cobradores de impostos vos precederão no reino dos céus, porque João veio até vocês para mostrar o caminho da justiça e vocês não creram nele. Os cobradores de impostos e as prostitutas acreditaram nele”. Essa pregação se deu no Templo em Jerusalém, e não era dirigida a homens não instruídos, mas a homens altamente instruídos e conhecedores da lei. Certamente, Jesus sentia na pele as discriminações sofridas pela gente simples de sua região, pois ele também era parte do povo simples e pobre, e como tal, também ele, discriminado.

Tomemos como exemplo a figura de Hitler. O alemão foi o responsável pelo genocídio de milhões judeus inocentes. Todos erguem as mãos para atirar pedras nele. Porém, os preconceituosos não deveriam fazer isso. Ao contrário, deveriam aplaudi-lo. Por quê? Porque eles se parecem com Hitler na paranoia de suas tortas ideias. O que muda nesse caso é apenas e tão somente o objeto da ação: a aversão do Führer pelos judeus, e os intolerantes do tempo presente, contra os negros, contra os gays, contra os pobres e tantos outros grupos de marginalizados e crucificados.

Sem querer dar uma de profeta, mas ainda continuando nessa linha, faço a sociedade moderna, o mesmo questionamento que Jesus: Quem não tem pecado que atire a primeira pedra. Foi assim: Estando no Monte das Oliveiras a pregar, os mestres da lei e os fariseus, homens “retos e cumpridores da palavra”, trouxeram uma mulher para ser apedrejada, pelo fato de ela ter sido surpreendida em adultério. Perguntaram eles: “Mestre, esta mulher foi surpreendida em ato de adultério. A lei, Moisés nos ordena apedrejar tais mulheres. E o senhor, que diz?” Na verdade, tanto o gesto de levar a mulher diante de Jesus, como o questionamento eram uma armadilha. Tanto fazia se a resposta do profeta fosse sim, ou fosse não, ela seria usada pelos religiosos hipócritas da época para incitar o povo contra ele. Percebendo essa artimanha, Jesus não disse uma única palavra. Simplesmente, ajoelhou-se e começou a escrever no chão com o dedo. Como os homens continuassem a interrogá-lo, calmamente ele disse: “Se algum de vocês estiver sem pecado, seja o primeiro a atirar pedra nela”, continuando novamente a escrever na areia. Um por um seus questionadores foram embora. Depois perguntou a mulher se ninguém a havia condenado. Obtendo uma resposta negativa, disse a ela que fosse embora e não pecasse mais.


Para a Lei do Amor, o que importa não é o que as pessoas aparentam ser, mas sim o que elas são. Se elas tem bons pensamentos e são capazes de amar verdadeiramente, são bem-vindas no universo celeste, se não, elas mesmas se afastam desse ambiente luminoso, não importam se sejam padres, pastores, gays ou heteros.

Escrevo estes fatos ao ver a confusão provocada por uma peça publicitária da fabricante de perfumes, Boticário. A Campanha publicitária é relacionada ao ato de presentear com perfumes por ocasião do Dia dos Namorados — que será no próximo dia 12 de junho. No comercial do Boticário aparecem diversos casais heterossexuais e homossexuais se presenteando com artigos da empresa. Há uma troca de carinho que se traduz em olhares e abraços. Enfim, uma peça publicitária cheia de ternura.

O vídeo foi lançado no dia 25 de maio, em TV aberta e na Internet. Muitos elogios foram feitos a peça publicitária, mas também muitas reclamações. Muitos consumidores consideraram a peça um desrespeito à sociedade e à família. Note-se que no comercial não há nenhuma cena de beijos entre os casais, ou outras atitudes mais ousadas, apenas carinho e afeto. Mesmo assim, a pagina da empresa foi invadida com uma enxurrada de mensagens homofóbicas e até reclamações no CONAR (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária).

Em defesa própria o Boticário lançou a seguinte nota: “O Boticário acredita na beleza das relações, presente em toda sua comunicação. A proposta da campanha “Casais”, que estreou em TV aberta no dia 24 de maio, é abordar, com respeito e sensibilidade, a ressonância atual sobre as mais diferentes formas de amor – independentemente de idade, raça, gênero ou orientação sexual - representadas pelo prazer em presentear a pessoa amada no Dia dos Namorados. O Boticário reitera, ainda, que valoriza a tolerância e respeita a diversidade de escolhas e pontos de vista", reforçando a posição da empresa de respeito às diversas formas de amar.

Fiquei sem entender toda essa confusão, pois, em abril, outro comercial de bombons Sonho de Valsa, foi ainda mais ousado, mostrando beijos entre casais heterossexuais e um casal homossexual do sexo feminino. Ninguém reclamou desse comercial, muito ousado em relação ao do Boticário.

O que me impressiona em tudo isso é ver que apesar de o homem ser capaz de grandes avanços na tecnologia e na ciência, ele ainda se perde quando o assunto envereda pela questão do sentimento, do dialogo. Tudo isso porque nós, humanos, de modo geral, não somos treinados para mergulhar nesse imensurável oceano de mistérios que somos todos nós. Dominamos as maquinas, mas não dominamos a nós mesmos. Por causa disso, os ambientes Judiciários estão abarrotados de processos e mais processos, muitos deles, absolutamente desnecessários. Bastaria apenas uma simples conversa, um simples diálogo entre as partes e tudo se resolveria. Mas por essa dificuldade de o homem não saber dialogar consigo mesmo, consequentemente, não sabe conversar com o seu semelhante. Daí ser necessário levar questões íntimas e pessoais ao conhecimento de terceiros, chamados juízes, advogados e mediadores.

Também por esse desconhecimento de si mesmo, o homem tem dificuldade de aceitar o outro, e assim vamos vivendo em um mundo sem paz, não porque a paz não seja um sonho possível, mas porque nós humanos somos complicados demais.

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Fúria de Titãs na Virada Cultural

Posted by Cottidianos on 00:52
Segunda-feira, 01 de junho

Quem espera que a vida / Seja feita de ilusão
Pode até ficar maluco / Ou morrer na solidão
É preciso ter cuidado / Pra mais tarde não sofrer
É preciso saber viver.

Toda pedra do caminho / Você pode retirar
Numa flor que tem espinhos / Você pode se arranhar
Se o bem e o mal existem / Você pode escolher
É preciso saber viver.”
(É preciso saber viver – Roberto e Erasmo Carlos)



A Virada Cultural Paulista, em Campinas, ficou em muito prejudicada por causa do fim de semana frio e chuvoso, principalmente, no sábado (30). Foi um sábado de muito frio, e uma chuva fina e insistente, que começou no início do dia e atravessou a noite. Mesmo assim, os eventos programados aconteceram, com um público menor, é verdade.

O domingo (31) também amanheceu chuvoso e frio. Acordei às 6h40min da manhã. Planejava fazer minhas costumeiras corridas dominicais de bicicleta. Olhei pela janela. O tempo lá fora ainda caía fina e insistente. Não tive ânimo de colocar a bike na estrada, e voltei a dormir novamente.

À tarde, fui ao distrito de Souzas, celebrar o aniversário do amigo, Ricardo Silva. A chuva havia cessado, mas o frio permaneceu. Após festejar o aniversário do amigo, e brincar um pouco com as crianças, voltei mais cedo para Campinas, pois não queria perder o show do Titãs, marcado para as 6h30min da tarde. Desde o dia anterior me preocupava em como estaria o tempo, na hora da apresentação da banda de rock. Entretanto, pensava eu, fizesse frio, chovesse ou fizesse calor, eu estaria lá.

Entre dezenas de canhões de luzes rosa, verde, amarela, vermelha, alaranjada, azul, lilás e branca, a nave Titãs pousou no Largo do Rosário — Praça localizada no coração do centro de Campinas. Ela chegou envolta em fumaça de gelo seco, aumentando ainda mais o clima de encantamento... E arrebatou a multidão.

Sob um céu cinzento e um clima frio, milhares de pessoas estavam reunidas, na expectativa de ver o show de uma das melhores bandas de rock brasileiras. Não era possível ao público reunido na praça, ver estrela alguma brilhando no firmamento... Elas, as estrelas, haviam descido do céu e estavam brilhando no palco montado ao livre. Difícil era disfarçar a ansiedade com que todos aguardavam o início da apresentação.

Finalmente, a voz potente do vocalista, Sérgio Brito, disse: “Boa noite! Campinas!”. As guitarras afinadas entoaram as primeiras notas, como a dizer: “Estamos aqui, viemos para incendiar vocês”. A partir de então, a ansiedade pela espera se transformou em euforia. A banda formada por Branco Mello - vocal e baixo elétrico; Paulo Miklos - vocal, guitarra e saxofone; Sérgio Britto - vocal, teclado e baixo; Tony Bellotto - guitarra, violão e Mario Fabre – bateria, entregou-se em show eletrizante e o publico por sua vez, entregou-se ao show cantando junto ás musicas escolhidas para o repertório da noite e dançando, e gritando, por várias vezes: “Titãs, Titãs!”

Entre uma música e outra, lançava um olhar para o céu. Ele ainda estava cinzento, mas com toda aquela energia gerada pelos dínamos do rock, até o frio parece ter ficado envergonhado de estar ali no meio da euforia. Devido a essa atitude do frio, ao final do show, já estava mesmo era com calor, e resolvi tirar o agasalho cinza que usava.

O som potente da banda tocava clássicos como Homem Primata, Sonífera Ilha, Marwin, Televisão, Comida, dentre outros. Em determinado momento, o público pediu para que a banda tocasse o hit, Polícia. Nesse momento, o também vocalista, Paulo Mikos, que estava no palco, apesar de estar, nessa apresentação, estar com pé direito imobilizado, e durante toda a apresentação esteve sentado com a guitarra no colo,e  microfone ajustado, disse aos fãs: “É engraçado que vocês sempre pedem, Polícia, nessa hora. Não é a próxima, mas a gente vai tocar. Agora vamos baixar um pouco a bola (algo equivalente a “vamos baixar a adrenalina”). Em seguida tocou um clássico mais suave, Enquanto Houver Sol, após cantar mais alguns sucessos nessa linha, atendeu ao pedido feito anteriormente, e cantou Polícia, para delírio dos fãs.

As luminárias em estilo antigo que adornam e iluminam a praça, e que naquele momento estavam apagadas, e a enorme árvore florida ao lado do palco, davam certo clima romântico ao ambiente, enquanto os altos prédios próximos à praça nos situavam dentro de uma modernidade. Pichações em dois prédios ao lado apenas mostravam um tipo de rebeldia que, além de não ter significação alguma, ainda deixam a cidade mais feia.

Aos que ainda não conheciam, a banda apresentou quatro sucessos do novo álbum, “Nheengatu”. Nheengatu, é o 14o da banda, e foi lançado em 2014.

O show terminou. A banda saiu do palco. O povo não saiu do lugar e pediu bis. A banda voltou e cantou mais algumas músicas, — para alegria de todos — encerrando definitivamente, com a canção, É preciso saber viver — Clássico sucesso de autoria de Roberto e Erasmo Carlos.

Os Titãs estão na estrada desde 1982. Em sua formação oficial estavam; Arnaldo Antunes, Branco Mello, Marcelo Fromer, Nando Reis, Paulo Miklos, Sérgio Britto, Tony Belloto, Ciro Pessoa e André Jung. Ao longo do tempo foi sofrendo transformações em seu quadro pessoal, até chegar à formação atual.  

No ano de 2001, uma tragédia se abate sobre a banda. No dia 11 de junho daquele ano, o responsável pela guitarra base dos Titãs, Marcelo Frommer, foi atropelado por uma moto, em São Paulo, vindo a falecer dias depois, devido à gravidade dos ferimentos. Na época, chegou a se pensar que a morte de Frommer também seria a morte dos Titãs. Porém a banda superou esse momento difícil e seguiu em frente.

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