Retornos
Terça-feira, 26 de maio
“Onde a máquina me leva não há nada
Horizontes e fronteiras são iguais
Se agora tudo que eu mais quero já
ficou pra trás
Qualquer um que leva a vida nessa
estrada
Só precisa de uma sombra pra chegar
A saudade vai batendo e o coração
dispara”
(Retrovisor – Raimundo Fagner)
Muitas vezes a gente sai por aí pelas
estradas da vida guiando a máquina de nossas consciências, olhando a paisagem a
nossa frente que, às vezes é alegre, às vezes é triste, às vezes cinzenta, às
vezes colorida. E vai guiando, guiando, percorrendo quilômetros e mais quilômetros,
e quando vê a gente está longe de alguém, de algum lugar e sente vontade de
retornar para quem a gente ama, ou para fazer algo que gostamos. Indo mais
profundo, ás vezes a gente precisa voltar para se reencontrar consigo mesmo.
E realmente voltamos, e dizemos para nós
mesmos:
“Eu
voltei pra juntar pedaços
De
tanta coisa que passei”
Envolto nessas reflexões, sentamos na
margem do rio da vida que corre serenamente, olhamos para a nossa imagem
refletida no espelho e dizemos para nós mesmos:
“Rio, voltei no curso,
Revi o meu percurso, me perdi no Leste,
E a lama renasceu com flores de
algodão,
No coração do agreste”
É com essas canções que, através de metáforas,
falam de retornos, que abro esse texto.
A primeira canção, conforme destacado
entre parênteses é um trecho da música, Retrovisor,
interpretada por Fagner. E a segunda, cujos trechos estão também entre aspas,
são da música Coração do Agreste, de
Aldir Blanc e Moacyr Luz, e interpretada lindamente por Fafá de Belém.
É quase impossível não falar de Coração de
Agreste, de Fafá de Belém, sem lembrar da fictícia Sant’Ana do Agreste, lugar onde
é ambientado o romance intitulado Tieta, do grande escritor baiano, o saudoso Jorge,
Amado.
O romance foi adaptado para a televisão e
foi transformado na novela, Tieta, de grande sucesso, e exibida pela TV Globo
entre 14 de agosto de 1989 a 30 de março de 1990. O texto de Jorge Amado também
foi adaptado para o cinema.
O romance narra a história de Tieta, uma
jovem que é expulsa da cidade natal, consegue se estabelecer na vida, e volta 25
anos depois, vez rica e poderosa. Tieta volta a morar no mesmo universo
conservador que a expulsou. Porém, a nova condição financeira de Tieta abre
muitas portas dentro da conservadora Sant’Ana do Agreste, e dessa vez, ninguém
tem coragem de expulsá-la. Como diz o dito popular: “ A vida imita a arte”.
Perdidos nessas reflexões, olho pelo
retrovisor do tempo e vejo que a última postagem nesse blog foi em 25 de julho
de 2023, e nele tratei de desfecho do caso da vereadora Marielle Franco, e do motorista
dela Anderson Gomes, ambos assassinado na cidade do Rio de Janeiro, em 14 de
março de 2018.
Impressionante como o tempo passa rápido.
Quase dois anos se passaram desde aquela última postagem. Muita estrada já foi
percorrida, e muita água rolou por baixo da ponte. Nesse intervalo de tempo
muita coisa mudou, no Brasil e fora dele.
O mundo hoje está mergulhado em guerras e
conflitos em diversas regiões do planeta. Guerras perigosas. Conflitos regionais
que tem o poder de arrastar o mundo para uma nova guerra mundial, o que poderia
ser devastador para todos. Não existe guerra santa. Todas as guerras são
estúpidas. Revelam o lado mais cruel da humanidade.
“Roda mundo, roda-gigante
Rodamoinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração
A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir”,
Diz Chico Buarque na canção Roda Viva.
E nas voltas que o mundo dá, resolvi
voltar a escrever neste espaço.
Porque parei de escrever? Na verdade, nem
eu mesmo sei direito. Não tive maiores problemas que me impedissem de fazer
isto. Sentia-me nadando contra a corrente, tentando escrever, mas a maré sempre
me levava para longe desse objetivo. Mas enfim, chegou a hora de retornar,
juntar pedaços de tanta coisa que se passa no mundo e com elas provocar
reflexão.
Às vezes desconfio que tenha parado de
escrever desmotivado por onde de polarização, violência e negatividade pelo
qual passa não só o Brasil, mas também o mundo. Entretanto, não podemos
submergir no mar de negatividade. É preciso levantar, sacudir a poeira, dar a
volta por cima, e fazer brilhar o sol da esperança.
Vamos para a frente, prossigamos, pois
ainda tem muito sobre o que escrever, muito assunto para falar, bastante para
refletir.
O texto de hoje, foi apenas para dizer um “oi”.
Para dizer que estou de volta.



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