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Dinheiro que escoa pelo ralo

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 18:01
Domingo, 05 de março


Observem, caros leitores, e leitoras, o comentário feito pela jornalista, especializada em economia, Miriam Leitão, sobre a situação das rodovias federais brasileiras, para o telejornal matinal global, Bom Dia Brasil:

Não adianta culpar a natureza. E a natureza, daqui para diante vai ser mais rigorosa. Isso é o que os climatologistas estão dizendo: chuvas serão mais fortes e tudo será mais pesado, portanto a gente precisa preparar essa infraestrutura que há muito tempo não dá conta do recado. As pessoas estão correndo risco de morte, e mais do que isso: esse ano o Brasil vai crescer, isso é uma boa notícia, e não pode se transformar numa má notícia. A gente não pode crescer porque a infraestrutura não deixa? As concessionárias que recebem pedágio, elas podem ser objeto de punição pelos órgãos reguladores. As públicas, é mais complicado, então, nós que usamos esta estrutura, que pagamos. Este custo Brasil, tira a eficiência da economia, nós temos que pressionar o poder público para melhorar a qualidade das estradas”.

Esse comentário foi feito por Miriam Leitão, para o Bom Dia Brasil, em 03 de março de 2010. De lá pra cá, já se passaram sete anos, e, em relação questão da situação das rodovias federais, ao que parece, nada mudou.

Tudo bem que temos excelente notícia na economia que é o superávit recorde de R$ 4 bilhões e 560 milhões de dólares, no último mês, o melhor resultado em 27 anos. Estamos atravessando uma supersafra de grãos, que aumentou em 20%. Tivemos um aumento de 11% nas importações, e, melhor que isso, um aumento de 22% nas exportações, resultados comparados a fevereiro do ano passado. E esse aumento nas exportações não se refere apenas aos produtos agrícolas, mas às commodities em geral.

O aumento das atividades no Porto de Paranaguá, na cidade de Paranaguá, no Paraná, são sinais de que a economia brasileira não está inerte, ao contrário, ela está se mexendo. Isso, em meio ao caos econômico que vivemos, é mais que uma boa notícia, é uma excelente notícia. Apenas no mês de janeiro foram exportadas por aquele porto, 432 mil toneladas, o que equivale a 57 mil toneladas a mais do que no mesmo período do ano passado. A previsão é que esse aumento no número de exportações tenda a se elevar.
Todo esse aumento na renda agrícola faz a economia circular. 

Tudo estaria lindo e maravilhoso se não fossem as contradições. Aliás, o Brasil, se não tivesse o nome oficial de República Federativa do Brasil, poderia ser chamado de República Federativa das Contradições. Por aqui, tudo se complica. Até conta de dois mais dois vira equação de segundo grau.

A contradição em todo esse cenário econômico positivo é a questão da logística, aquela que a Miriam Leitão comentava, lá atrás, em 2010, e que pedia para que pressionássemos o poder público para melhorá-la.

Todo o dinheiro que vem dessa supersafra poderia se transformar em lucro, mas pela questão do problema logístico, grande parte dele se transforma em prejuízo.


É o que ocorre, por exemplo na BR-163, que liga Cuiabá, Mato Grosso do Sul, à Santarém, Pará. Nessa rodovia, mês passado, mais de três mil caminhões ficaram parados, atolados na lama. Se tivéssemos a oportunidade de ver do alto, veríamos da longa fila de caminhões atolados no lamaçal, a imagem de uma imensa serpente marrom vagueando em meio ao mato.

Semana passada, os caminhoneiros parados na estrada começaram a ser liberados, mas aos poucos, em meia pista. As equipes de resgate liberaram caminhões para os portos de Miritituba e Santarém, no oeste do Pará. O exército e a defesa civil também fizeram a entrega de mil cestas básicas, e de água para os caminhoneiros que ainda estavam parados. No sábado (4), a estrada voltou novamente a ser interrompida por causa das chuvas.

Segundo as associações de importações de óleos e cereais, o prejuízo causado com os caminhões parados na estrada é de R$ 1 milhão e 200 mil por dia nas importações de grãos de soja e milho. 170 quilômetros da BR-163 ainda não são asfaltados.

Um problema nunca vem sozinho, e nessa história todo mundo sai perdendo. Enquanto os caminhões ficavam parados na estrada, por causa da lama provocada pelas chuvas intensas, 11 navios ficaram parados no porto à espera dos grãos a serem embarcados. Os produtores terão que desembolsar 6 milhões de dólares, pois o navio estava à espera. As empresas que fazem o transporte marítimo estavam cumprindo a sua parte.

Também perdem os caminhoneiros que tem gastar fortunas fazendo reparos nos veículos, que quebram constantemente, por causa das estradas e rodovias em péssimas condições.

Em outras palavras, boa parte do dinheiro da supersafra, escoa pelo ralo.

O setor ruralista, e a sociedade como um todo, mas principalmente eles, deveriam exigir do governo que tratem a questão com mais seriedade, pois seriam resolvidos três problemas de uma vez só, relacionados a questão da logística: eficiência, e competitividade econômicas, e o salvamento de vidas que se perdem em acidentes em nossas estradas e rodovias.

Saindo do noticiário econômico e entrando no político, um fato que repercutiu semana passada foi o depoimento de Marcelo Odebrecht, no Superior Tribunal Eleitoral. Ele disse que R$ 150 milhões de reais foram doados a chapa Dilma-Temer, nas eleições de 2014. A doação teria sido feita através de caixa dois.

Segundo Marcelo, o dinheiro teria sido uma contrapartida por uma medida provisória, a MP dos Refis, que acabou beneficiando o grupo. O dinheiro teria sido negociado diretamente com o ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega. Ainda segundo o empresário, a ex-presidente Dilma sabia dessas negociações.

O empresário também afirmou ter tratado de doação para campanhas eleitorais, pessoalmente, com Michel Temer, no Palácio do Jaburu, quando ele ainda era vice-presidente, mas que na ocasião não discutiu valores com ele. Os valores teriam sido discutidos em outra ocasião, na qual se reuniram Eliseu Padilha — ministro licenciado da Casa Civil — e Claúdio Mello, ex-diretor da Odebrecht.  Segundo este último, em sua própria delação premiada, o valor doado teria sido no valor de R$ 10 milhões.

Houve vazamento de informações à imprensa em relação a este primeiro depoimento de Marcelo Odebrecht. A íntegra das delações premiadas de Marcelo, e de outros 76 executivos da empreiteira permanecerão em sigilo até que STF as tornem públicas.

Como se vê, caros leitores, é lama para todo lado, e dinheiro da nação escorrendo pelo ralo em qualquer das situações. Se os governos não fizessem do ato de governar balcão de negócios pessoais e partidários, e se debruçassem sobre assuntos de real interesse da nação, com certeza, teríamos boas estradas, boas rodovias, uma logística funcionando plenamente, e uma economia pujante, além de boas escolas, bons hospitais, segurança funcionando com eficiência, e por aí vai.

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