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Anistia ou condenação às raposas? Você decide.

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 00:19
Quinta-feira, 16 de março

Michel Temer, Gilmar Mendes, Eunício Oliveira  e Rodrigo Maia


A reforma política sempre foi um assunto importante, mas sempre relegado a segundo plano pelos nossos políticos. É estranho que, quando a maré avassaladora de denúncias de corrupção ameaça tragar a todos eles, esse assunto tenha que ser discutido a toque de caixa.

Nesta quarta-feira, o presidente Michel Temer se reuniu com Eunício Oliveira, presidente do Senado, Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados, Gilmar Mendes, ministro do STF, e presidente do Tribunal Superior Eleitoral, para discutir a questão. Após o encontro, eles divulgaram uma nota dizendo ser a reforma política necessária e urgente, e que a mesma não busca apagar o passado.

Na reunião, foi defendido pelo ministro Gilmar Mendes, e concordado pelos demais, um novo financiamento de campanha, na qual seria adotado o sistema de voto por lista fechada. Através deste sistema, o eleitor votaria não nos candidatos, à moda de hoje, mas em uma lista definida pelos partidos. Não uma lista aberta, como é atualmente, mas uma lista fechada. O argumento é o de que isto reduziria os custos de campanha, reduzindo, em consequência, eventuais irregularidades na corrida eleitoral.

Pelo que o Brasil tem testemunhado, com farta abundância de falas, atitudes, e depoimentos, é que o interesse da classe política, não é trazer algum tipo de benefício para a sociedade brasileira, mas sim, única e exclusivamente, salvar a própria pele. Quando esse interesse não é anunciado de forma clara e explícita, ele vem sempre maquiado de alguma benesse para o povo brasileiro.

Abramos um parêntese aqui para falar da nova lista apresentada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Este, na tarde de terça-feira (14), enviou ao STF, um pedido de abertura de inquérito contra 83 políticos citados nas delações da Odebrecht. A lista de nomes permanece em sigilo, mas informações vazadas à imprensa dão conta que há, pelo menos, um ministro do governo Temer na lista, e pelo menos, 5 cinco governadores.

Voltando ao assunto, isso tudo provoca arrepios na classe política atolada no lamaçal. E quem está em desespero o que faz? Busca uma solução para salvar a própria pele. Ora, não é isto o que estão querendo fazer os políticos?

Ora, caros leitores, e leitoras, se o objetivo não é de melhorar, verdadeiramente, o sistema eleitoral, nem avançar num sistema eleitoral mais eficiente e mais justo, e sim, salvar a própria pele, o que pode acontecer com o sistema de lista fechada?

Os partidos escolherão os caciques, e, logo aqueles cuja cabeça está a premio. Eles participarão de uma eleição democrática e justa, tomarão posse, ganharão foro privilegiado... E continuarão a roubar, como se nada tivesse acontecido. Pode não haver uma renovação na Câmara e no Senado, quando o Brasil mais precisa dela, devido ao fato de que as velhas raposas continuarão a defender o ilícito com unhas e dentes.

Uma lista fechada não iria resolver em nada o problema do Brasil, que é a corrupção desenfreada e o descaso para com a coisa pública. O ideal seria mesmo o fim do caixa 2. Observe o leitor que a solução torna-se problema para os políticos, pois essa é a porta de entrada do sedutor inferno da corrupção. E quem disse que os políticos querem que ela se feche? Muito pelo contrário, eles querem escancará-la mais ainda.

Sobre este assunto, ainda nesta quarta (15), Rodrigo Maia, afirmou que a proposta de descriminalizar o caixa dois pode voltar ao plenário da Câmara para ser debatida. “A Câmara não tem problema de montar nenhuma matéria, contanto que ela tenha nome, sobrenome e endereço. Se algum parlamentar ou algum partido político ou alguns tiverem interesse de tratar desse tema, pode ser tratado. Mas precisa ser tratado com um debate amplo, transparente, explicando por que quer, como quer, qual é o texto”, disse ele.

A sociedade precisa ficar atenta a essa questão, pois se os políticos conseguirem o que tanto almejam, que é descriminalizar o caixa 2, os trabalhos de investigação da Lava Jato, e sua consequente punição aos culpados, torna-se sem sentido. Ora, se não há crime, também não há culpados, e se não há culpados, não haverá inquéritos, processos, nem condenações, e nem prisões. É tudo muito simples. Os corruptos estariam então anistiados. Prontos para começar tudo de novo. Essa tentativa já foi feita na Câmara, e o projeto só não passou porque a sociedade estava vigilante, e o projeto foi retirado de pauta. Retirado de pauta, mas não esquecido, como vemos.

E há todo um movimento sutil nesse sentido. Um movimento que envolve todos os partidos. A questão é tão urgente que até partidos, que antes se consideravam perseguidos pela oposição, deram-se as mãos e estão a lutar por essa “nobre” causa, como é o caso Partidos dos Trabalhadores, por exemplo.

Grandes nomes da política e do judiciário brasileiro, estão unidos na defesa da ideia esdrúxula de que caixa 2 não é crime. Dentre eles estão o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, os atuais presidentes da Câmara e do Senado, o presidente da República, Eduardo Cardoso, ex-ministro da Justiça no governo Dilma Rousseff, e o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Gilmar Mendes, só para citar alguns poucos, pois a lista é extensa.

A verdade é que, como temos visto, a fonte da propina, de onde jorra farto o dinheiro publico, e abundante, e todos os políticos, de todos os partidos bebem dela com fartura e avidez. Ninguém que abrir mão dessa fonte de onde leite e mel da corrupção. Leite e mel que tanta fazem aos cofres públicos, e, por tabela, a toda a sociedade brasileira, do mais abastado, ao mais humilde. Os corruptos querem ser anistiados. Mas, pergunto-vos eu: merece anistia a quem tanto mal já causou ao Brasil, e quer continuar causando mais ainda?

Mais do que nunca é hora de a sociedade brasileira continuar pressionando o Congresso brasileiro, e a classe política em geral. Eles querem enfraquecer e desacreditar o trabalho da Polícia Federal, do Ministério Público, e de gente do judiciário, como o juiz Sérgio Moro.


Jesus Cristo dizia aos seus discípulos: “vigiai e orai para não entrardes em tentação”. E eu vos digo: “vigiai e orai para não seres devorados pelos lobos em pele de cordeiro”. E não vos esqueçais de quem um lobo em pele de cordeiro, de cordeiro tem apenas a pele, mas a alma, a essência, continua a ser de lobo voraz... E lobo voraz, não tem dó nem pena de ovelha alguma. Com eles, é como diz o ditado popular: “vacilou, dançou”.

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