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Eventos esportivos: um legado que não aconteceu

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 00:04
Domingo, 19 de fevereiro




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Antes de ir ao objeto desta postagem, compartilho duas informações:

Primeira: a partir de zero hora deste domingo, terminou o horário de verão, e os relógios devem ser atrasados em uma hora, nos estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

A outra informação é que, navegando essa semana pela Internet, absolutamente por acaso, encontrei uma notícia que deve ser compartilhada com os leitores do Cottidianos.

Quando comecei a escrever este blog pensava apenas em fazê-lo circular entre os amigos mais próximos, porém ele já ultrapassou as fronteiras do país, e do continente.

Durante a navegação citada acima, cheguei ao site webstatsdomain.org, um serviço on-line gratuito que coleta e analisa todos os dados sobre domínios na Internet. O referido site faz avaliação de websites em todo o mundo. Para minha surpresa, descobri que o blog está muito bem avaliado pelo site. Entre 30 milhões de domínios na web, o Cottidianos está na 298a posição entre os mais visitados no mundo. Não é uma primeira, nem quinta colação, mas em um universo de 30 milhões, é como o blog estivesse entre os cinco primeiros colocados. 

O Webstatsdomain também avaliou que o blog é de navegação 100% segura, em dados informados pelo Google, AVG, Macfee, e Wot.

Apesar de o site apontar o Brasil como a principal fonte de acessos ao blog, ressalto que ele vem recebendo cada vez mais visitantes fora do país.

O Webstatsdomain não é um site brasileiro, e as informações estão escritas em inglês. Segue o link para consulta:


Essa boa avaliação do site se deve aos caros leitores e leitoras que acompanham, e confiam no trabalho de informar desenvolvido por este blog. A todos e todas vocês, muito obrigado.

Dito isto, passo a tratar das mazelas do nosso país, que, diga-se de passagem, não são poucas.

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Piscina abandonada no Parque Olímpico/RJ


É impressionante a capacidade de ingerência dos gestores da coisa pública. É como se eles construíssem pontes que ligam nada a lugar nenhum. E isso antes fosse metafórico, mas é uma realidade em nosso país.

Nas manchetes de jornais, vez em quando surgem casos hilários como esse. Só para citar um bem atual, no estado do Rio Janeiro, na cidade de Itaperuna, foi construída uma ponte que ligaria os bairros Frigorífico e Carulas, aos bairros Aeroporto e Matadouro. Já foram investidos R$ 14 milhões na ponte que, literalmente, liga nada a lugar nenhum. Um fortuna investida em uma obra que não serve para absolutamente nada.

Se o Brasil fosse uma selva nela haveria tantos elefantes brancos que não sobraria espaço para mais nenhum bicho além das raposas e cobras, que por aqui também existem em grande quantidade. Aliás, desconfia-se que sejam as raposas e cobras que geram tantos elefantes brancos.

E onde estão os órgãos fiscalizadores governamentais que não veem esses absurdos e embargam as obras, ou não fazem com que esse dinheiro jogado fora volte para os cofres públicos? Sim, pois para algum lugar vai o dinheiro dessas obras superfaturadas.

Com os desdobramentos da Operação Lava Jato — a quem os políticos de todos os partidos querem ver morta e enterrada — hoje sabemos para onde vai toda essa fortuna que deveria estar servindo ao bem da nação.

Apenas para fixar a ideia do que vou falar a seguir, convido-os a olhar para o dicionário no vocábulo: legado. O dicionário Michaelis apresenta para este vocábulo a seguinte definição “Aquilo que alguém transmite ou deixa a outro”.

Em se tratando de legado esportivo fomos completamente enganados. Que legado nos foi deixado?

Quando se cogitou da realização de grandes eventos esportivos em nosso país, a justificativa dada para a gastança de dinheiro que se efetuaria foi a de que estes grandes eventos nos deixariam uma herança.

Após a realização dos mesmos, eu pergunto a vocês: que legado para a nação foram deixados por eles, além das obras inacabadas, dos grandes estádios — que custaram fortunas para serem erguidos — que não servem para coisa alguma.

A questão é que muito foi prometido e pouco foi entregue, tanto por parte do poder público, quanto do COI (Comitê Olímpico Internacional).

O Brasil recebeu os Jogos Pan-Americanos, a Copa das Confederações, a Copa do Mundo, e os Jogos Olímpicos. Grandes eventos, sem dúvida, que deveriam ter deixado como herança excelentes e arrojados centros de treinamento para os nossos atletas, e arrojada infraestrutura para os habitantes das cidades.

Mas se nem o maior símbolo do esporte brasileiro, o Maracanã, recebeu a atenção devida, imagine os outros esportes que não recebem tanta atenção da mídia quanto o futebol.

Assunto já tratado em uma das postagens deste blog, o Maracanã, palco da festa de abertura memorável dos Jogos Olímpicos, está hoje ao abandono. O templo do futebol está às voltas com uma queda de braço entre o Comitê Rio 2016, e a empresa responsável pela gestão do estádio. A empresa quer que o Comitê assuma os reparos que precisam ser feitos. O Comitê por sua vez diz que está endividado e o dinheiro que tem já está destinado aos fornecedores.

Enquanto isso o governo do Rio de braços cruzados, e sem saber para onde correr diante da crise que o estado atravessa, espera uma nova licitação para resolver o problema.

O Parque Olímpico, construído no Bairro da Tijuca, área nobre do Rio, é uma imagem opaca retratada num Rio à beira da falência, sem dinheiro para pagar funcionários públicos, e deixando ao léu às áreas de saúde, educação, e segurança.

Os eventos esportivos que deveriam estar acontecendo por lá, seriam inexistente, não fosse um campeonato de vôlei de praia ocorrido por lá depois dos jogos. A piscina olímpica onde a lenda americana Michael Phelpis escreveu seu nome com letras de ouro, abandonada e suja, está irreconhecível, tornando-se um ambiente perfeito para os mosquitos, que podem se tornar ameaçadores ao difundir doenças como a dengue.

As arenas, 1, 2, e 3, chamadas de instalações permanentes estão fechadas. A Arena 1 que estava prometida para se tornar um Centro de Treinamento Olímpico (COT), nem tem previsão de início desse projeto. A promessa para a Arena 3 era ser transformada em escola, o projeto também está parado, e sem previsão de andamento. Outras áreas do Parque que eram promessas de alguma coisa, continuam promessas, e nada se tornou em realidade. A única realidade, no momento, é o descaso.

O que faltou à administração pública foi um plano para o que fazer antes e depois dos jogos no aproveitamento das estruturas já montadas. Aliás, no Brasil falta planejamento pra tudo. Talvez porque as salas e gabinetes estejam ocupadas, com seus ocupantes planejando a melhor forma de pagar, ou receber propina.

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