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Alô, alô marciano. Aqui quem fala é da terra.

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 00:18
Quinta-feira, 04 de fevereiro

Alô, alô, Marciano
Aqui quem fala é da Terra
Pra variar, estamos em guerra
Você não imagina a loucura
O ser humano ta na maior fissura porque
Tá cada vez mais down o high society
(Alô, Alô Marciano – Compositores: Rita Lee / Roberto De Carvalho)


Caros leitores, falando a verdade pra vocês, no final do ano passado, quando ligava a TV, ligava o rádio, ou navegava pelas ondas da Internet, a vontade que me dava era pegar um disco voador e sai por aí, galaxia afora, universo afora, pra ver se encontrava algum planeta onde pudesse passar alguns dias em paz. Tipo assim, umas férias intergaláticas.

Claro, há muita coisa boa acontecendo pelo mundo afora, mas o foco da mídia parece ser sempre as más notícias. Naquela ocasião, se eu abria a janela e olhava para o Brasil, o clima não era nada animador. Se fechava a janela e abria outra para o mundo, as perspectivas não eram diferentes.

Em Paris, por exemplo, parecia filme de horror. Noite animada de novembro, sexta-feira 13. O final de semana prometia muita diversão na casa de shows Bataclan. De repente, tiros, bombas, desespero, e lágrimas. Dentro e fora da casa de shows. Os franceses em choque. O mundo em alerta. O EI comemorando a sinistra e maldita façanha. O mal rindo de si próprio. Tétrico.

Aí mudei o canal e vislumbrei o Brasil. Vi mais um atentado, dessa vez contra a mãe natureza. Lá vinha, serpenteando entre as montanhas, um rio de lama, maculando, destruindo, e sujando o rio de águas doces e cristalinas que corria para o mar. Aqui, como lá,desespero, lágrimas, desesperança. Uma barragem que se rompe destruindo um distrito inteiro, e cujos resíduos tóxicos seguiram rio abaixo matando fauna e flora, e deixando as populações ribeirinhas desesperançosas. Em Paris, o vilão: EI. Em Mariana, o vilão: Os donos da mineradora Samarco, que há tempos sabiam que a barragem não funcionava em condições adequadas, mas não tomaram as providências necessárias. Porém, isso é compreensível. Tomar providencia, consertar o que está errado, prevenir a tragédia custa dinheiro, e isso interfere nos lucros. Então, deixa como está mesmo. Vamos confiar no acaso. Talvez aconteça, talvez não. Mas, ah o acaso… O acaso é cobra traiçoeira... Quando menos se espera… Ele dá o bote. Aí é tarde demais para consertar.

Entretanto para quem foi vítima de tragédias, é hora de recomeçar. Não dá pra ficar o tempo todo navegando num mar de desesperança. É hora de levantar, sacudir a poeira, enxugar as lágrimas… E recomeçar. Aliás, a vida é exatamente isso: um eterno recomeço.

Talvez haja melhores notícias no noticiário político. Que nada! Nesse ambiente é que impera a ganancia e o egoísmo mais fortes. Parece a mim que, aqueles que foram escolhidos para a arte de governar, não conseguem governar os seus próprios desejos desmedidos de ambição e poder, e, desviando-se do caminho, e dos objetivos a que se propuseram, fazem da ciência da administração da nação, estados e municípios, apenas um meio de satisfazer suas mesquinhas necessidades pessoais.

Perdidos em suas aspirações pessoais, em detrimento do coletivo, a classe política altera, profundamente, o conceito de democracia formulado por Abraham Lincoln, que apresenta a democracia como “O governo do povo, pelo povo e para o povo”. E, ao alterar esse conceito, tiram a locomotiva Brasil dos trilhos. E, ao tirar a locomotiva Brasil dos trilhos, param a economia, desviam verbas destinadas a educação, tiram o remédio da boca dos doentes. E o povo? Onde fica em meio a tudo isso? O povo fica na plataforma, a espera do trem que nunca chega, olhando a esperança que se desfaz feito nuvem de poeira no horizonte.

Ah, o que o Brasil precisava era de um profeta da coragem e do naipe de João Batista, aquele que pregava no deserto da Judeia, anunciando a vinda de Jesus Cristo. Certo dia, percebendo que fariseus e saduceus o procuravam para serem batizados, perguntou a eles: “Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira futura?”.


O profeta, pra ser profeta de verdade tem que falar as coisas do jeito que elas são, dar aos bois os nomes que eles têm. Talvez, por isso eles sejam tão raros hoje dias. Os profetas estão escasseando até mesmo nas igrejas, onde deveriam ser abundantes. Acontece que nas igrejas atuais, pelo menos em muitas delas, se fazem pactos com o demônio do luxo e do poder, que o diga o evangélico presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, e muitos outros deputados da bancada evangélica.

Não bastasse tudo, ainda vemos o país mergulhado em uma crise econômica que gera recessão, que gera juros altos, que gera desemprego e preços altos. Então, você olha pra cima, na esperança de que quem está na cabine de comando saiba para onde o barco está indo… E descobre que a pessoa na torre de comando, não sabe para ir, o que fazer, nem como tirar o barco do meio da tempestade. É nessas horas que ficamos a pensar: Como uma pessoa vai parar no comando da cabine de um navio do tamanho do Brasil, se não sabe comandar?


Ainda nos dias atuais, de vez em quando, abro a janela, olho para o céu, e procuro algum disco voador disposto a me dar uma carona, mas tá difícil encontrar um.

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