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Era uma vez em América

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 13:21
Domingo, 04 de junho



Em um continente não muito distante, nesse imenso planeta, chamado Terra, havia um país chamado América. Era um país prospero. Uma terra na qual os sonhos eram possíveis de serem realizados. Por sua pujança, América era parte importante do conjunto principal de vagões que puxam a locomotiva da humanidade.

Havia em torno de América, e distante dela, outras terras na qual os habitantes viviam sob o domínio de governantes corruptos que lhes roubava muito de seu futuro. Nessas terras mal governadas, o povo era submetido a altas taxas de impostos. Era uma cruz difícil de carregar e que pesava nos ombros dos habitantes dessas nações.

O povo daqueles lugares trabalhavam cinco meses por ano para o governo. Mas os governantes não revertiam a dinheirama arrecadada com os impostos em benefícios para a população. Ao contrário, esse dinheiro servia para satisfazer os caprichos da classe política.

As coisas nessas nações funcionavam como as pedras de um dominó que, colocadas de pé, desabam, uma após a outra, bastando para isso, que se toque levemente na primeira delas, para que todas as demais venham ao chão.

Não havendo dinheiro e investimentos em educação todas as demais pedras ruíam: a economia, a segurança, as oportunidades de emprego, a saúde, a cultura, e todas as demais áreas que servem de sustentáculo às bases de uma sociedade que se pretende bem estruturada.

Por tudo isso, América era a menina dos olhos dos habitantes das outras nações que lhe eram mais próximas, e das que eram distantes também. Muitos desses habitantes atravessavam vales tenebrosos, cheios de riscos e perigos para chegar à terra prometida. Esses vales estavam cheios de cobras venenosas e feras perigosas, além das dificuldades em encontrar água e alimentos pelos caminhos tortuosos pelo qual andavam.

Outros se aventuravam em viagem por mares bravios, em barcos que, de tão frágeis, pareciam de papel, e que naufragavam ao primeiro vento. Outros ainda eram vítimas daqueles que lhes haviam lhes sugado todo o dinheiro que tinham com promessas de uma travessia alegre e segura.

Certa vez, o povo de América, escolheu como governante um homem negro. Era a primeira vez que um negro chegava ao alto posto de chefe da nação. Isso foi um marco na história não apenas daquele país, mas para todo o mundo. Uma vez que, apesar de prospera, América também esconde suas chagas e suas feridas, em uma história de preconceito, violência e dor para com o povo negro. Mas, enfim, os deuses haviam destinado aquele homem negro para comandar os destinos da nação e não havia vento em contrário que pudesse evitar, e não evitou.

Esse homem governou América com sabedoria e equilíbrio. Quando assumiu o posto de governante da maior nação do mundo, o país se encontrava em meio a uma preocupante crise econômica gerada no governo de seu antecessor. Além disso, havia a dificuldade de que o Congresso, na maioria das vezes, não estava ao seu lado. Era preciso ainda mais diplomacia para dirigir os interesses da nação de forma satisfatória para todos.

Duas guerras ocorridas do outro lado do mundo, e nas quais América se envolveu, geraram grandes déficits orçamentários. Além disso, houve no período uma tal de “bolha imobiliária”, que puxou muito dinheiro do Estado, e obrigou o governo a injetar dinheiro público nas instituições financeiras. Muito dinheiro foi investido nessas operações.

Contudo, e apesar das dificuldades, aos poucos o país foi retomando o caminho do crescimento. O Produto Interno Bruto (PIB) voltou a crescer. As taxas de desemprego que andavam em alta, foram reduzidas.

Também na saúde, esse governante negro fez inovações, e, talvez, por isso tenha enfrentado críticas e polêmicas nessa área.

Na política externa, o líder político da imponente nação, se comportou como um glenteman, e com muita diplomacia, para com todos os seus parceiros e aliados. Uma importante realização de seu governo nessa área se referiu as questões climáticas.

Antes dele, América tinha certa dificuldade em aceitar que fossem reduzidos os limites de imposição à emissão de gás carbônico na atmosfera. O país deu sinais de que estava disposto a colaborar para a diminuição aos riscos do clima mundial.

Em dezembro de 2015, várias nações, se reuniram em uma importante Conferência do Clima, e esse encontro terminou com a aprovação de um documento histórico, chamado Acordo de Paris. O acordo foi assinado por 195 nações ricas que se comprometeram a se empenhar no combate as mudanças climáticas.

Os efeitos nocivos do aquecimento da camada de ozônio sobre o planeta tem se tornado evidente ao longo dos anos, em todos os continentes. Dos continentes quentes ao continente gelado, no céu, na terra ou no mar, ninguém escapa da mudança nos efeitos climáticos. A cada ano a temperatura parece aumentar mais e mais, e a cada ano as geleiras parecem derreter mais e mais. Todo esse quadro gera grande desequilíbrio em um planeta que por séculos seguiu seu curso normal com eficiência.

O objetivo do Acordo de Paris, aquele do qual o primeiro governante negro da America foi signatário, juntamente com grande número de nações, visa manter a temperatura do planeta em 2oC.

De acordo com os estudiosos do clima, se a temperatura em nossa casa comum ultrapassar esse limite o nosso futuro enquanto raça humana é bastante sombrio, e o planeta gravemente ameaçado.

As regiões do planeta nas quais já ha tendência à secas se tornarão grandes desertos, cidades litorâneas serão invadidas pelo mar, enquanto outras regiões sofrerão com enchentes e terremotos. Haverá falta de alimentos e muitas pessoas, bem mais que hoje, sofrerão com falta de água e alimento. Espécies animais habitantes das regiões geladas se encontrarão em condições críticas devido ao derretimento das geleiras, ou até mesmo desaparecerão. As espécies habitantes do fundo, se não desaparecerem, terão se reinventado, encontrado novas funções, novo jeito de viver, enfim, terão se adaptado ao caótico clima.

Tudo isto parece apocalíptico. Muito líderes mundiais no campo da indústria, da política, ou da economia, por muito tempo fecharam os olhos para essa realidade. Alguns já começam, lentamente a abrir os olhos. Outros ainda permanecem de olhos fechados num estado de total letargia. Não dão ouvidos ao grito dos cientistas. Acham que eles falam bobagens.

Depois será tarde para correr atrás do prejuízo. O planeta poderá entrado em um caminho irreversível que leva ao abismo da extinção da humanidade. As nações menos desenvolvidas não terão como escapar dessas tragédias, e as nações ricas despenderão grande parte do PIB em amenizá-las.

Após essa breve digressão sobre os efeitos do clima, voltemos ao país chamado América.

Por ter feito um bom governo, os habitantes de América reelegeram o simpático governante negro para um segundo mandato. Isso aconteceu em 2012. E ele reinou por mais quatro anos. Desde o início sempre foi um governante aberto ao dialogo e respeitador das diferenças.

Enfim, chegou a hora de deixar o poder. Os habitantes de América haviam escolhido, democraticamente, um governante branco, e muito diferente dele na forma de pensar e de encarar o mundo. Depois surgiram histórias de que esse novo governante teria, para chegar ao governo de uma das nações mais poderosas do mundo, recebido a ajuda, ajuda que teria vindo dos serviços de inteligência de outro país.

As coisas se tornaram um pouco confusas, e, de certa forma, hilárias, pois mesmo sendo homem, esse novo governante branco de América se comportava como criança mimada. Dessas que acham que o mundo gira em torno dela.

Havia na grande sala presidencial do palácio governamental de América, uma maquete muito bem feita do globo terrestre e seus humanos habitantes. E esse novo governante começou a brincar com mundo. Jogava-o para cima e para baixo. Dava-lhe chutes.

Certo dia, ele resolveu construir um muro que os separasse de seus vizinhos mais próximos.   Brincou com os sonhos de pessoas ao impedi-las de entrar no país. Endureceu as regras de imigração. Tratava a imprensa como inimiga, simplesmente, porque esta insistia em mostra que eram inverdades as verdades apontadas pelo governante. Com pose autoritária, ele ria e debochava das minorias, antes tão respeitadas pelo seu antecessor.

Esse homem-governante-criança mimada, já em seus primeiros dias de governo, colecionava uma série de declarações e atitudes polêmicas, dessas de deixar confusas a cabeça de qualquer um. Virando a maquete do país América de cabeça para baixo, uma a uma ele foi derrubando as conquistas de seu antecessor.

Certo dia, em um acesso de loucura, ele deu as costas para o mundo, e rasgou o Acordo de Paris. Essa atitude do menino mimado provocou, de uma só vez, a ira dos próprios habitantes de América, dos seus aliados, e do mundo inteiro.

E se houvesse uma máquina do tempo teríamos visto esse irresponsável governante provocar a ira também de diversas populações que sofrerão gravemente as consequências sobre o clima, provocadas pelas altas emissões de gás carbônico na atmosfera.

Mas sempre é tempo de reeducar uma criança mimada, mesmo que ela esteja no comando de uma das nações mais poderosas do planeta. Às vezes, deixar ela falar sozinha e resmungar, é bom. Sempre há algum jeito de driblar os caprichos de um governante narcisista. Criança mimada apenas olha para o próprio umbigo, mas os adultos podem ajudá-la a olha para frente, e é bom que o façam, pois se assim não o fizerem caminharão, mais cedo ou mais tarde, todos para o abismo.

A responsabilidade de ter o mundo em suas mãos é grande demais para uma criança mimada que brinca de governar um país. Além disso, pode ser um perigo, não apenas para uma nação, um continente, mas para a humanidade inteira. O pior é que existe, não apenas uma, mas várias crianças mimadas brincado de governar, liderando nações. Basta olhar atentamente para ver quem são.

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