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Descompassos da política e dos políticos brasileiros

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 01:03
Domingo, 25 de junho


Semana passada, Temer visitou a Europa em busca de acordos comerciais. Foi à Rússia e à Noruega. Após as visitas formais e diplomáticas de praxe nesses encontros entre chefes de Estado, na Rússia, o presidente e a comitiva brasileira foram levados para assistir a uma apresentação do Balé Boshoi: a companhia de balé mais famosa do mundo. Isso no fim da noite do primeiro dia. No segundo dia, naquele país, Temer foi recebido pelo presidente, Vladimir Puttin, e pelo primeiro-ministro russo Dmitri Medvedev.

Antes de voltar ao Brasil, o presidente Michel Temer e sua comitiva foram à Noruega para uma viagem oficial àquele país, onde se reuniu com o rei Harald V, com a primeira-ministra, Erna Solberg, e com o presidente do parlamento local, Olemic Thommessen.

O presidente viajou à Europa em um momento pessoal no campo político tumultuado. No Brasil, enfrenta fortes denúncias de corrupção. Se o presidente esperava um mar de calmaria na Europa, caiu do cavalo. Lá, ele foi recebido com protestos de ambientalistas que reivindicavam uma maior atuação do governo na proteção à Floresta Amazônica, e na defesa dos direitos dos indígenas.

Por parte das autoridades norueguesas o presidente ouviu o anuncio do corte de 50% no dinheiro enviado ao Brasil, dinheiro esse que serviria para o combate ao desmatamento na Amazônia. Isso representa um grande prejuízo para o Fundo Amazônia — criado em 2008, para captação de recursos para ações que previnam o desmatamento e para o uso sustentável da floresta.

A Noruega é o principal doador desse fundo. Desde sua criação, o país já doou a quantia de R$ 2,8 bilhões. Para se ter uma ideia, o segundo maior doador, a Alemanha, doou, desde o início do projeto, R$ 60, 7 milhões.

Ainda na Noruega, o ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, disse uma frase infeliz, e no mínimo, irresponsável. “Só Deus pode garantir isso [redução do desmatamento], mas eu posso garantir que todas medidas para diminuir o desmatamento foram tomadas e nossa expectativa e esperança é que esse desmatamento diminua”.

O Brasil recebe ajuda internacional para preservar suas florestas, e perde essa ajuda quando tudo o que tinha que fazer era cuidar de que esse dinheiro fosse bem aplicado. Andar para trás nesse caso, é, no mínimo, uma grande incompetência e irresponsabilidade.

E porque o desmatamento na Amazônia não diminui? Ora, porque não há interesse do governo em que isso aconteça, pois se houvesse uma vontade política forte, já teríamos reduzido o desmatamento naquela região do país.

Temer ainda teve que ouvir críticas feitas à política ambiental brasileira, o presidente teve que ouvir da primeira-ministra norueguesa, Erna Solberg, alfinetadas em relação à Lava Jato. Ela afirmou que a Lava Jato preocupa e que é preciso encontrar uma solução.

Durante a visita o presidente mostrou um despreparo cultural para lidar com autoridades internacionais. Cometeu gafes como, por exemplo, chamar o rei norueguês, Harald V, de rei da Suécia. Os puxões de orelha que levou das autoridades norueguesas deviam estar doendo tanto que o presidente Michel Temer acabou se atrapalhando todo.

É de se pensar. Na Rússia, o presidente foi levado para ver um dos balés mais belos do mundo. Na Noruega deve também ter sido levado para um bom programa cultural. E se fosse o contrário? Onde o presidente levaria seus convidados? Para ver os excelentes músicos desmotivados da Orquestra Sinfônica Brasileira? Os músicos da orquestra estão sem receber os salários há sete meses. Muitos deles estão se desfazendo de bens pessoais para conseguirem pagar as contas.

A crise na OSB é tão séria que os músicos realizaram, no início deste mês, dois concertos com a finalidade de arrecadar fundos para os próprios músicos. Após 77 anos de atividade, a orquestra corre o risco de ver seus instrumentos silenciarem, e os seus músicos cruzarem os braços por falta de patrocinadores, e por ter perdido apoio do governo federal.

É preocupante quando um país deixa morrer a cultura. Como diz um verso de uma canção dos Titãs: “A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte.”.

Mas os nossos políticos não estão nenhuns pouco preocupados com educação e cultura. A Lava Jato tem mostrado que a palavra mais forte no dicionário deles é a palavra é: propina. É propina para cá, propina pra lá. Quanto mais propina melhor.

E enquanto falta dinheiro para manter universidades públicas e bens públicos culturais como a Orquestra Sinfônica Brasileira, os cofres deles estão cheios de milhões, bilhões de reais desviados dos cofres públicos, ou então, estão entupidos de joias caríssimas, e suas adegas cheias de vinhos que valem peso de ouro.

E aqui esse blog pergunta: o que fizemos nós brasileiros para merecer políticos tão vis e desonestos, que só pensam, única e exclusivamente, em si mesmos?

Falando da situação do presidente Michel Temer, ela está cada vez mais complicada.
A perícia que estava sendo feita pelo Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal, chegou ao seu final. O instituto policial analisou as conversas que o presidente manteve com o empresário Joesley Batista, e o aparelho de gravação usado pelo empresário. Segundo os peritos federais, não houve edição da gravação feita por Joesley. Há interrupções na conversa, mas não alteração para mudar o teor da conversa.

Logo após a divulgação dos áudios, o governo contratou o perito, Ricardo Molina, para fazer uma perícia neles. Molina disse haver descontinuidades na conversa que eram uma porta para quem quisesse fazer uma edição.

As conclusões da Polícia Federal desmentem Ricardo Molina, que continua afirmando estar certo em suas conclusões. Segundo os peritos federais, há descontinuidade na conversa, sim, mas elas foram provocadas por questões técnicas e não por uma manipulação da gravação.

Lógico que esta perícia agora confirmando que não há nenhuma adulteração do áudio, como foi alegado pela defesa do senhor presidente da República, agrava, e agrava muito, a situação hoje posta com relação ao presidente da República”, afirmou Claudio Lamachia, presidente da Ordem dos Advogados do Brasil.

Já um dos capachos do presidente, o deputado peemedebista, Carlos Marun, disse o contrário: “Na fita, mesmo com a conclusão de que ela não foi editada, nada existe que realmente, concretamente, comprometa o presidente Temer.” Esse Marun nunca vai admitir que o presidente tenha cometido crime algum, mesmo e apesar da prova mais evidente.

O relatório da Polícia Federal já está em posse da Procuradoria Geral da República. A PGR tem até terça-feira para apresentar denúncia contra o presidente Michel Temer, e contra o ex-assessor especial, Rodrigo Rocha Loures.

Em abril deste ano, a Folha de São Paulo, trouxe uma reportagem que falava de um possível pacto entre PSDB, PT, e PMDB para referendar e blindar a corrupção institucionalizada que impera no país. Na verdade, um acordo para salvarem suas próprias peles.

Essa hipótese começa a fazer sentido de acordo com o movimento das peças no tabuleiro de xadrez do jogo da política.

Um desses movimentos estranhos se deu ainda na semana passada, e refere-se ao arquivamento do pedido de cassação do senador Aécio Neves que tramitava no Conselho de Ética da Câmara. O arquivamento foi feito, em decisão monocrática, pelo senador João Alberto (PMDB-MG). Diante de provas robustas do senador no crime de corrupção, João Alberto disse simplesmente: “Decidi arquivar porque não achei elementos convincentes para processar o senador”.

O presidente do Conselho de Ética do senado disse ainda: “Me parece que fizeram uma grande armação contra o senador Aécio. Fizeram com que ele entrasse naquilo, inclusive, de acordo com a Polícia Federal. Eu não vejo motivo, não me convence, pedir cassação de um senador eleito por milhões de votos em função de uma armação feita com o senador.

É impressionante como o crime no senado federal e na câmara dos deputados passou a ser considerado como coisa “normal”. Lembremos que Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Eleitoral, também não encontrou o menor indício de crime cometido pela chapa Dilma-Temer, quando havia fartura de provas dizendo o contrário.

Na verdade, o acordo, nesse caso do arquivamento do pedido de cassação de Aécio, entre PSDB, e PMDB parece ser: “Vocês salvam o Aécio, que, em troca, nós salvamos o Temer”.

E o povo brasileiro, caros leitores e leitoras, que é que salva?

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), disse que buscará apoio para recorrer da decisão. O conselho é formado por 15 senadores titulares e 15 senadores suplentes. Randolfe Rodrigues vai ter muito trabalho, e ter que fazer um esforço hercúleo para conseguir esse apoio. Porquê? Ora, porque muitos senadores que formam o Conselho de Ética do Senado, estão, eles mesmos, envolvidos em crimes de corrupção, obstrução à justiça, fraude, lavagem de dinheiro, e até, violência doméstica.

Ora, caros leitores e leitores, vocês que um conselho com membros com esse histórico verá alguma falta de decoro na conduta do senador Aécio Neves?

Diante de tantos absurdos como esses a que temos visto, e com tantos corruptos se articulando em pactos diabólicos para salvarem suas peles, porque então, não se articula o povo brasileiro para salvar o país desses bandidos, tão ou mais perigosos que aqueles que militam nas fileiras do tráfico de drogas? Porque não usar o brasileiro a arma mais poderosa de que dispõe, qual seja, o voto, para varrer de nossas casas legislativas esses nocivos e danosos lixos políticos?



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