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Corrida de São Silvestre: O Brasil e o mundo, correndo nas ruas de São Paulo

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 12:56
Quarta-feira, 31 de dezembro

2015 está batendo à porta. Dentro de mais algumas horas ele chega pra ficar. Em minha última postagem deste ano de 2014, compartilho com vocês matéria sobre a Corrida Internacional de São Silvestre, que acontece no último dia de cada ano, nas ruas de São Paulo, capital. A fonte da matéria é o site Gazeta Esportiva.Os Quenianos, na imensa maioria das vezes, são protagonistas dessa corrida, e de muitas outras que ocorrem mundo afora. Dessa vez, porém, uma dupla de Etíopes brilhou na São Silvestre: Dawit Admasu, venceu a prova masculina e Ymer Wude Ayalew, a prova feminina.

Na frente, os atletas de elite dão um show de força e resistência, atrás deles, uma imensa multidão de anônimos faz a festa, correndo.

Em outras partes do mundo já é 2015, como por exemplo, na Nova Zelândia e na Austrália.

Amanhã, em minha primeira postagem do ano que se aproxima, deixo para vocês um texto especial, como mensagem de FELIZ ANO NOVO!

Boas festas a todos, e que elas decorram em clima de paz e tranquilidade.

***


Admasu vence e faz dobradinha para a Etiópia na São Silvestre 

Fonte: Gazeta Esportiva

   A Etiópia fez dobradinha na 90ª edição da Corrida Internacional de São Silvestre, prova de rua mais tradicional da América Latina. Na prova masculina, Dawit Admasu venceu com o tempo de 45min04s, garantindo o lugar mais alto do pódio a seu País, que também levou no feminino com Ymer Wude Ayalew.

A segunda posição foi do queniano Stanley Koech, terceiro colocado no ano passado. Ele cruzou a linha de chegada na Avenida Paulista seguido pelo tanzaniano Fabiano Naasi. Mark Korir, duas vezes vice-campeão, ficou em quarto.

O melhor brasileiro uma vez mais foi Giovani dos Santos, da equipe Pé de Vento, que ficou em quinto. Quarto colocado nas duas últimas edições, ele perdeu um posto em relação aos anos anteriores, mas ainda assim garantiu um lugar no pódio.

A edição de 2014 da São Silvestre foi considerada uma das mais fortes da história, com a presença de atletas renomados como Tariku Bekele, medalhista nos Jogos Olímpicos de Londres 2012,e Mark Korir, vice-campeão do evento duas vezes.

A primeira fuga da prova nesta quarta-feira ocorreu com um terço da prova concluída. O queniano Edwin Kiprop tentou, sem muito sucesso, se desgarrar do pelotão de frente, a esta altura composto praticamente de corredores africanos. Giovani dos Santos era o único atleta nacional acompanhando o ritmo imposto pelos rivais estrangeiros até então.

Outros dois atletas africanos, o etíope Dawit Admasu e o queniano Cybrian Kimurgor Kotut, tentaram se distanciar dos concorrentes quando a prova passava pelo Centro de São Paulo, onde o percurso tem o formato de um coração. Os rivais, no entanto conseguiram alcançá-los antes da chegada à Avenida Brigadeiro Luis Antônio, formando um novo pelotão de cinco corredores.

A uma pequena distância, Giovani dos Santos tentava acompanhar o ritmo dos africanos para poder brigar por posições melhores nos metros finais. Na tradicional subida da Brigadeiro, ele apertou o ritmo e conseguiu subir da sexta para a quinta posição.

Próximo da entrada da Avenida Paulista, Dawit Admasu voltou a correr em ritmo mais forte do que seus rivais e conseguiu pequena vantagem na prova. A 500 metros do fim, o etíope já tinha frente segura sobre os concorrentes e ainda acelerou para garantir a dobradinha na São Silvestre para seu país.

Veja o resultado da 90ª edição da São Silvestre

Masculino

1: Dawit Admasu (Etiópia) - 45min04s

2: Stanley Koech (Quênia) - 45min05s

3: Fabiano Naasi (Tanzânia) - 45min10s

4: Mark Korir (Quênia) - 45min19s

5: Giovani dos Santos (Brasil) - 45min22s

Prova feminina

Assim como tem ocorrido desde 2007, uma atleta africana venceu a prova feminina da 90ª edição da São Silvestre. O título ficou com a etíope Ymer Wude Ayalew, que já havia sido campeã da mais tradicional corrida de rua do Brasil em 2008 e completou os 15km em 50min43s, seguida por sua compatriota Netsanet Gudeta Kebede e por Priscah Jeptoo, queniana que levou a melhor em 2011. A brasileira mais bem colocada foi Joziane da Silva Cardoso, na oitava posição.

O Brasil não conquista um título feminino na São Silvestre desde 2006, quando Lucélia Peres concluiu o percurso de 15 km pelas ruas de São Paulo em 51min24s – o País fez dobradinha naquela edição, já que Franck Caldeira levou o título entre os homens. A partir de então, o domínio das atletas africanas foi absoluto na prova.

Pelo Quênia, Alice Timbilili (em 2007 e em 2010), Pasalia Chepkorir (2009), Priscah Jeptoo (2011) Maurine Kipchumba (2012) e Nancy Kipron (2013) foram as campeãs após a conquista de Lucélia Peres. Já a etíope Yimer Ayalew ganhou a corrida em 2008 e agora novamente no último dia de 2014.

Desta vez, Nancy Kipron e Priscah Jeptoo dominaram os primeiros minutos de prova, destacando-se entre o pelotão africano que se formou à frente da elite feminina. As brasileiras tinham a estratégia de não perder contato visual com as líderes e esboçar um ataque na subida da Avenida Brigadeiro Luís Antônio.

Foi Sueli Pereira quem mais se aproximou das quenianas no princípio da prova. A atleta do Cruzeiro aumentou as suas passadas para seguir o mesmo ritmo das favoritas, porém acabou se distanciando.

No centro da cidade de São Paulo, onde o percurso da São Silvestre ganhou formato de coração em 2014, três atletas se desgarraram das demais – Netsanet Gudeta Kebede, da Etiópia, e as ex-campeãs Priscah Jeptoo, do Quênia, e Ymer Wude Ayalew.

Na temida subida da Brigadeiro Luís Antônio, Priscah Jeptoo ficou para trás. Netsanet Gudeta Kebede e Ymer Wude Ayalew passaram a se alternar na ponta, contando com o apoio do público brasileiro na disputa local entre etíopes.

A experiência de Ymer Wude Ayalew fez a diferença na reta final, com uma arrancada para conquistar a prova segundos antes de Netsanet Gudeta Kebede. A partir de então, restou à torcida brasileira aguardar a chegada de Joziane dos Santos Cardoso, campeã da Volta da Pampulha e agora a melhor atleta local na São Silvestre.

Confira os tempos das dez primeiras colocadas da São Silvestre:

1: Ymer Wude Ayalew (Etiópia) - 50min43s

2: Netsanet Gudeta Kebede (Etiópia) - 50min46s

3: Priscah Jeptoo (Quênia) - 51min29s

4: Feyse Tadese Boru (Etiópia) - 52min31s

5: Delvine Relin Meringor (Quênia) - 52min34s

6: Nancy Jepkosgei Kipron (Quênia) - 52min50s

7: Failuna Abdi Matanga (Tanzânia) - 53min15s

8: Joziane da Silva Cardoso (Brasil) - 53min18s

9: Sueli Pereira da Silva (Brasil) - 53min36s

10: Layesh Tsige Abebaw (Etiópia) - 54min07s




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João Vitor e Tatiana: Uma dupla muito especial

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 01:50
Terça-feira, 30 de dezembro


Em setembro deste ano, fiz uma postagem aqui neste blog no qual tratava de duas pessoas especiais. Uma história que daquelas que parecem saltar dos livros de conto de fadas e invadir a dura e fria realidade. Falo da historia do pequeno João Vitor, com 4 anos de idade, e da dona de casa, Tatiana Solanco.

Há cerca de um ano, a família de João Vitor, recebeu uma triste notícia: O menino fora diagnosticado com um câncer no fígado e a chance de sobreviver era fazendo um transplante. A única doadora compatível na família era uma tia do menino, ela, porém, estava no início de uma gravidez e não poderia ser doadora naquele momento. Enquanto isso, as chances de vida de João Vitor diminuíam a cada dia.

Foi quando apareceu no caminho do garoto uma fada chamada Tatiana. A fada não tinha o menor vínculo afetivo com João, mas comoveu-se com a história dele e se propôs a ser doadora. Apresentou-se então um obstáculo: Ela estava muito acima do peso e teria que emagrecer, pelo menos 27 quilos, em alguns meses, sem apelar para cirurgias ou tratamentos alternativos. Teria que emagrecer naturalmente, através de muito exercício físico e alimentação adequada. João Vitor e Tatiana teriam que empreender uma luta contra o tempo: O primeiro para manter-se vivo a segunda para emagrecer.

Ao fim, a luta foi vitoriosa e digna de um roteiro de cinema, como todas as emoções, angústias e alegrias características de uma história de superação.

Fiquei comovido ao ver no Fantástico deste domingo (28), João Vitor, agora com cinco anos, vestido de Papai Noel, distribuindo presentes para as crianças no hospital onde fez o tratamento. Três dias antes, o menino estivera naquele mesmo hospital fazendo mais um ciclo de quimioterapia preventiva. Os médicos falam que ele não está mais com câncer, apenas fazem um tratamento preventivo para garantir que a doença não volte.

Quatro meses depois do transplante, João Vitor, ansioso, esperava em frente ao portão de casa, pela visita de Tatiana. Quando esta apareceu na rua, a felicidade do garoto era indisfarçável.

Abraçado a Tatiana, João exibia um enorme sorriso e um cabelo fininho, que ainda é novidade na cabeça do garoto.

— Você já estava me esperando no portão? Deixa eu ver seu cabelo..., disse Tatiana.

— Do Luan Santana!, Exclama João orgulhoso, querendo dizer a Tatiana que está usando o cabelo, alguns fios na verdade, à moda do jovem astro da música sertaneja.

Os dois foram ao shopping passear e João esbanja alegria e vitalidade impensáveis há apenas um ano atrás. O menino corria pelos corredores do shopping feito um raio de felicidade. João Vitor havia manifestado um desejo especial: Se vestir de Papai Noel e distribuir brinquedos para as crianças.

Durante o tratamento, devido à publicidade que foi dada ao caso, muitas pessoas sensibilizaram-se e doaram brinquedos. Eram tantos que o menino nem chegou abrir todos, a grande maioria ficou ainda na embalagem. Outras pessoas de Curitiba e de todo o Brasil doaram mais brinquedos e ajudaram a realizar o sonho do garoto. Maria, a avó de João, providenciou o figurino de Papai Noel menino.

A família assumiu o papel de ajudantes do pequeno Papai Noel e saíram pelas ruas do bairro Alto Aririú, na cidade de Palhoça, região metropolitana de Florianópolis, estado de Santa Catarina, distribuindo presentes. A cada presente distribuído um sorriso iluminava a face de alguma criança. Um lugar, em especial, não podia ficar fora desse roteiro de presentes: O hospital infantil, no qual João iniciou o tratamento. E não poderia ser diferente, afinal, durante o tratamento, o pequeno paciente passava mais tempo no hospital do que em casa.

Quando o pequeno Papai Noel chegou ao hospital para distribuir os presentes para as crianças que enfrentavam o duro tratamento contra o câncer, a alegria foi geral. Foi como se um raio de sol repleto de esperança tivesse iluminado todo o hospital. Vestido de Papai Noel, João dava uma aula de entusiamos, esperança e motivação a todos. “Dá uma esperança de uma cura assim, que a gente vai sair daqui. E poder voltar a levar uma vida normal”, afirmou Thomas Roberto Silva, de 13 anos.

Tatiana também acompanhava de perto toda essa festa. Afinal essa também era uma festa dela. Com muita coragem e determinação a dona de casa mostrou que é possível vencer todas as barreiras quando o que está em jogo é uma vida humana. E pensar que eles se conheceram há apenas um ano atrás... O amor faz mesmo milagres.

No começo deste ano, ela pesava 103 quilos. Lutava contra a balança e perdia sempre. Seu sonho era perder alguns quilos e ter mais um filho. O ano chega ao fim e Tati, como é carinhosamente chamado pela família e pelos amigos, perdeu não apenas alguns quilos, mas muitos deles. Ao todo já foram 32 quilos perdidos. Ela também ganhou um novo filho chamado João Vitor: Filho não nascido de seu ventre, mas do amor em seu coração.

É sempre bom inspirar-se em pessoas determinadas, alegres, confiantes e corajosas para terminar um ano começar outro.

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Um hino ao amor

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 16:26
 Segunda-feira, 29 de dezembro

Venho, nesta segunda-feira, vos brindar com um texto que encerra em si mesmo um belo e profundo discurso. É o conhecido capítulo 13, da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios. De que adianta você ser o melhor padre, o melhor pastor, o melhor médico, o melhor administrador, se em está ausente em seu coração o mais profundo dos sentimentos: O amor?

O próprio Paulo de Tarso é um exemplo de como um homem pode passar do ódio ao amor, das trevas à luz. O apostolo vivia perseguindo os cristãos, até que foi tocado pela mensagem de fé, e pelo vigor com que as antigas comunidades cristãs viviam o evangelho. É um trecho de uma carta escrita para os primeiros cristãos da comunidade de Corinto, mas que serve de parâmetro para toda e qualquer religião que tenha por base a paz, o amor e a caridade, e também para todos os homens que ainda conservam em seus corações o desejo de construir um mundo melhor.

***



Ainda que eu falasse línguas, as dos homens e dos anjos,
Se eu não tivesse o amor,
seria como sino ruidoso
ou como címbalo estridente.
Ainda que eu tivesse o dom da profecia,
o conhecimento de todos os mistérios
e de toda a ciência;
ainda que eu tivesse toda a fé,
a ponto de transportar montanhas,
se não tivesse o amor,
eu não seria nada.

Ainda que eu distribuísse
todos os meus bens aos famintos,
ainda que entregasse
o meu corpo às chamas,
se não tivesse o amor,
nada disso me adiantaria.

O amor é paciente,
o amor é prestativo;
não é invejoso, não se ostenta,
não se incha de orgulho.
Nada faz de inconveniente,
não procura seu próprio interesse,
não se irrita, não guarda rancor.

Não se alegra com a injustiça,
mas se regozija com a verdade.
Tudo desculpa, tudo crê,
tudo espera, tudo suporta.
O amor jamais passará.

As profecias desaparecerão,
as línguas cessarão,
a ciência também desaparecerá.
Pois o nosso conhecimento é limitado;
limitada é também a nossa profecia.

Mas, quando vier a perfeição,
desaparecerá o que é limitado.
Quando eu era criança,
falava como criança,
pensava como criança,
raciocinava como criança.

Depois que me tornei adulto,
deixei o que era próprio de criança.
Agora vemos como em espelho
e de maneira confusa;
mas depois veremos face a face.
Agora o meu conhecimento é limitado,
mas depois conhecerei
como sou conhecido.

Agora, portanto, permanecem
estas três coisas:
a fé, a esperança e o amor.

A maior delas, porém, é o amor.

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Sob a luz da estrela de Belém

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 00:13
Domingo, 28 de dezembro


Foto divulgação

Andar pelas ruas do centro de Campinas, em época de Natal é um exercício de paciência. As ruas ficam abarrotadas de gente que vem e vai, corre para lá e para cá. Algumas apressadas em chegar a algum lugar, outras passeiam lentamente, namorando a decoração e os artigos expostos nas vitrines das lojas. Por todo lado, se veem pessoas carregadas de sacolas de presentes. Indo para os lados do Mercado Municipal — onde se pode comprar boas carnes, bons peixes e outros artigos raros e diversos, difíceis de encontrar em outro lugar da cidade — a situação não é diferente: Todos procuram um bom alimento e um tempero especial para o preparo da ceia natalina.

Em comparação com outras cidades, Campinas recebeu uma decoração de Natal bem modesta. A Prefeitura Municipal não investiu muito nesse aspecto. Em outros Natais já tivemos ruas e fachadas de prédios belamente decorados e iluminados. Infelizmente, não foi assim dessa vez. Campinas esteve timidamente decorada para o Natal, diria eu.

No cruzamento das Avenidas Campos Salles com a Rua José Paulino, os que passeavam pelo centro da cidade, puderam visitar a casa do bom velhinho, aquele que vem do Polo Norte. Pois não é que ele montou uma filial aqui na cidade. O bom velhinho montou aqui sua Casa do Papai Noel, diga-se de passagem, com muito carinho e esmero.

Na verdade, a iniciativa de montar a Casa de Papai Noel foi da Associação Comercial e Industrial de Campinas (ACIC). Foi o primeiro ano que a instituição montou o evento... E foi um sucesso. Entre os dias 05 e 23 de dezembro, cerca de 10 mil pessoas passaram pelo local.


Quem adentrava a aconchegante casa, encontrava um caminho de sonhos ladeado por árvores de Natal, grandes e pequenas, muito bem decoradas e coloridas. Dentro dessa casa cabia uma floresta, na qual os visitantes podiam ver miniaturas de animais e também soldados de chumbo, caixas de presentes — objetos encantados que povoam o universo de crianças... E também de adultos que não se esquecem de cultivar a criança que tem dentro de si. Papai Noel não podia deixar de decorar a casa dele com detalhes que lembram sua terra natal, como a neve e os ursos polares. Após percorrer esse encantado caminho, chegava-se ao trono do dono da casa, que recebia os visitantes com doces, sorrisos e muita simpatia. Como parte da atração, os clientes que fizessem compras acima de R$ 150,00, nas lojas que participavam da campanha de Natal da ACIC, ganhavam um cupom que dava direito a uma foto emoldurada ao lado de Papai Noel. 


Estive visitando o local por dois dias. No segundo dia, conversei com uma simpática família, formado por Leandro e Andreia, pais da pequena Saloá. Os três pareciam muito felizes por estar ali. Perguntei-lhes como haviam ficado sabendo do evento. “Passando na rua, a gente viu, achou bonito e resolveu entrar para tirar fotos. É um espaço lúdico, tanto da criança, quanto do adulto, deixando sempre o espírito natalino aquecido. Seria interessante divulgar, não só no centro, como em outras regiões de grande porte, como Campo Grande, Ouro Verde, Barão Geraldo, e assim por diante’, disse Leandro.

Segundo Adriana Flosi, presidente da ACIC, todos acabam sendo beneficiados com uma campanha como essa: “Conseguimos com isso agradar a todos. O comerciante que participa, garante ao cliente dele uma lembrança especial, que é a foto emoldurada. Já os consumidores terão mais um atrativo para passear no Centro durante o funcionamento do comércio em horário especial", afirma ela.

Ainda passeando pelas ruas de Campinas, envolvido pela modernidade que me cercava, voltei meus pensamentos aos dias em quem Campinas, não passava de um povoado, com hábitos simples, de gente de cidade pequena. Nessa volta ao passado, fiquei a pensar: Passam-se o tempo, mudam os hábitos e os costumes.

Hoje em dia, com o todo o avanço e o progresso da modernidade, o centro do presépio passou a ser o consumo exagerado. Tiraram o pequeno recém-nascido, celebrado e homenageado em todos os cantos do planeta, e o colocaram de lado, como coadjuvante, quando, na verdade, ele é o centro da festa. Mas cabe a cada um, no santuário de sua consciência, dar ao menino Jesus, o devido lugar que ele merece ocupar no presépio e, principalmente, em nossas vidas...

***



... Porém, voltando à Campinas de antigamente. Ainda por volta de 1876, o centro do presépio era o menino Jesus. A matriz velha de Santa Cruz enchia-se de enfeites dourados, adereços de sedas, muitas flores perfumadas e uma infinidade de velas, conferindo ao lugar de oração um clima de divina festa, em expectativa pelo nascimento do redentor da humanidade. A divina e sacra música advinda dos acordes da orquestra de Sant’Anna Gomes — irmão do maestro Carlos Gomes — fazia ecoar por todo o ambiente um ar angelical. Belas vozes, acompanhadas pelo órgão da Matriz, entoavam hinos e canções que faziam os anjos abrirem uma janela no céu a apreciarem as divinas melodias de júbilo, louvor e glória.

Do lado de fora, no largo da Matriz, fogueiras iluminavam a escuridão da noite, enquanto quitandeiras — vendedoras ambulantes — vendiam guloseimas como bolos pés de moleque e empadinhas, que davam água na boca dos que passeavam pelo largo, principalmente das crianças. À meia-noite, os sinos badalavam alegremente a solene novidade: Cristo nasceu. Então, cantavam-se glórias e louvores ao menino Deus. O clima era de solenidade, respeito e reverência.

Para dar um toque de elegância à festa, a Guarda Nacional comparecia com seus trajes de gala e montava guarda na porta da Matriz. O hábito de trocar presentes também existia, porém, correspondia a simplicidade da época. Nada de tablets, iphones, notebooks e coisas do tipo. Os amigos se presenteavam com deliciosos e bem preparados bolos que vinham em bandejas cuidadosamente decoradas com papeis de seda e flores. Também era costume se presentear com compotas e cestas contendo frutas diversas.

Nesses tempos que já se vão longe, o acontecimento principal era a missa do galo, celebrada à meia-noite. Não havia preocupação com essa doença da modernidade, chamada violência, e as pessoas transitavam pelas ruas da cidade a qualquer hora da noite, sem medos nem receios. Após a missa, todos queriam ver o presépio, que ficava em exposição bem ao lado dos degraus do altar-mor. Havia ainda, durante a adoração dos fieis, um espetáculo em forma de oração que era imperdível e belo de se ver e ouvir. No coro da Igreja, um coral de meninos, com suas sublimes vozes, acompanhados do órgão da Matriz, entoava belos cânticos e trovas populares, cheias de fé e muita poesia.

Fogos estouravam em sinal de alegria pela vinda do recém-nascido divino e humano. Às ceias não podiam deixar de faltar, faziam parte da alegria que a todos irmanava. As famílias convidavam os amigos, conversavam sobre amenidades, enquanto esperava os pratos fumegantes, apetitosos e deliciosos, serem postos à mesa, para alegria de todos. Era comum também se organizarem bailes dançantes, ao som de pequenas orquestras de dois ou três violinos que eram caprichosamente acompanhados de um violão repicado. Essas orquestras que tocavam polkas, schotisks, lanceiros e geraes, faziam a alegria da moçada e ajudavam a aproximar muitos casais.

***



Acho que todos os dias deveriam ser dia de Natal. Já pensou se fosse Natal o ano todo. Não falo isso pela ceia, até porque se fossemos comer as comidas do cardápio natalino todos os dias, iríamos ficar enjoados de comer sempre as mesmas coisas. Falo da onda de amor e solidariedade que toma conta do mundo, provocada por um menino que nasceu há dois mil anos atrás, entre o povo simples e humilde, em um estábulo, nos arredores de Belém.

Seus pais olhavam, maravilhados, o pequeno ser que apenas acabara de nascer e nem imaginavam que estavam diante de um rei. É possível que tenham recebido algum tipo de aviso, premonição dos seres do mundo espiritual. Mas creio que não compreendiam a verdadeira dimensão da grandeza daquele menino. As estrelas no céu sorriram. Os reis magos vieram visitá-lo, conduzidos até ali pela cintilante estrela de Belém. É provável que esses ilustres visitantes fossem astrólogos, e se não fossem, eram profundos conhecedores da ciência dos astros, pois nos diz o evangelho que eles sabiam da estrela, em que região ela estaria, e a seguiram.

Um ambiente camponês... Um estábulo perdido nos arredores de Belém... As estrelas brilhando no céu... Um menino deitado, envolto em panos, sobre as mesmas palhas que davam um pouco de conforto ao descanso dos animais... Os anjos cantando... Os pastores em festa... Tudo isso é muito belo e poético.

Porém, vocês já pararam para imaginar no aspecto prático que tudo isto representa. Primeiro, as dúvidas que, certamente devem ter tornado difícil a relação entre José e Maria, após o anuncio da gravidez divina. Maria estava prometida a ele em casamento, de repente, sem que tivesse havido contato intimo entre os dois, ela fica grávida. Como pode ser isso? Como aceitar o impossível? Isso não é fácil para um homem. Em seu íntimo, José pensou em abandoná-la. Ia fazer isto, se não tivesse recebido a visita de um anjo. Em sonho, o anjo lhe disse: “José, filho de David, não tenha medo de receber Maria por sua esposa, porque ela concebeu pela ação do Espírito Santo. Ela dará a luz a um filho e você lhe dará o nome de Jesus, pois ele vai salvar o seu povo de seus pecados”. Após isso, o noivo de Maria acreditou nas palavras do anjo e a paz voltou a reinar entre eles.

Outra dificuldade que tiveram de enfrentar foi uma longa viagem. Nisso, lembremos que, naquela época, não havia as facilidades de transporte que temos hoje. O Imperador Augusto, baixou um decreto, ordenando recenseamento em todo o império. Cada habitante deveria ser registrado em sua cidade natal. Saiu, então, o jovem casal de Nazaré, na Galileia, para Belém, na Judeia.  Maria, quase às vésperas de dar a luz, teve que fazer todo esse percurso. Estando em Belém, longe de casa, chegou o dia de dar a luz. Como não havia lugar na hospedaria, o rei menino, foi nascer em condições adversas, entre os animais, numa estribaria. Imaginem um menino nascendo no frio da madrugada, sem o menor conforto...

Em sua busca pelo local exato do nascimento do menino Jesus, os reis magos pararam para pedir informação na casa do inimigo: o rei Herodes. Este ficou muito interessado, não em adorar o menino, mas em matá-lo. Pediu então aos reis que, ao voltar, lhe falassem onde estava o esperado recém-nascido. Após a visita ao Rei dos reis, os  visitantes foram avisados, em sonho, para não voltarem à Herodes.  Após a partida dos magos, os anjos apareceram a José, em sonho, e lhe pediram para ir para o Egito, pois que Herodes estava em busca do menino para matá-lo. Pediu também para que eles ficassem em terras egípcias que fossem avisados para voltar a Galileia.

E lá vai de novo, Maria e José, com o filho recém-nascido, tendo que fugir, à noite para não serem vítimas do poder opressor e tirano.

Não foi fácil a vida de Jesus, nem quando criança, nem muito menos quando adulto. Ao contrário, foi uma caminhada cheia de inúmeras dificuldades. Porém, ao final venceu a fé, venceu o amor.

Acho que a história de Jesus Cristo serve como lição a cada de um de nós, seja qual a religião que professem. Às vezes, atravessamos dificuldades tão menores e reclamamos da vida, nos lamentamos. Algumas vezes chegamos até mesmo ao absurdo de por em dúvida o amor de Deus por nós, quando, por exemplo, chegamos a dizer: “Porque isto está acontecendo comigo, ò Deus”? Por acaso, em algum momento, do livro santo, vemos José, Maria ou Jesus, reclamarem de alguma coisa? É certo que, no alto da cruz, em sua última hora, o lado humano de Jesus bradou: “Pai, se possível, afasta de mim este cálice...”. Isto poderia ser um sinal de fraqueza, mas em sinal de grande humildade e amor por Deus, ele prosseguiu: “... Porém seja feita a tua vontade, e não a minha vontade”.

Que cada um de nós saibamos compreender que a vida é, acima de tudo, eterna, e que se enfrentamos dificuldades, há um Deus maior que todas elas e que nós dá forças para vencê-las, por maiores que sejam estas mesmas dificuldades. Desejo que possamos deixar o menino Jesus nascer em nossos corações a cada dia, assim, para nós, todos os dias serão DIA DE NATAL!

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A árvore de Natal na casa de Cristo

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 02:06
Quinta-feira, 25 de dezembro


Então é Natal, pro enfermo e pro são.
Pro rico e pro pobre, num só coração.
Então bom Natal, pro branco e pro negro.
Amarelo e vermelho, pra paz afinal”.

(Então é Natal, versão da música Happy Xmas, de John Lennon , Yoko Ono)






Lia, ontem (24), um dos mais belos e profundos contos de Natal da literatura universal, chamado, Um Conto de Natal, de Charles Dickens. Não o reproduzi aqui por ser muito extenso. Mas se tiverem oportunidade de ler, recomendo. O conto narra a história de um homem avarento, que detestava o Natal, e todo o significado que ele encerra: Bondade, perdão, caridade, irmandade e todos os outros bons sentimentos que nos inspiram a época natalina. Enquanto a cidade inteira se preparava para viver o espírito do Natal, o velho Ebenezer Scrooge — esse era o nome dele — estava trancado em seu escritório, trabalhando, avesso a toda euforia. À noite, ao chegar em casa, recebe a visita de seu ex-sócio, que havia falecido há sete anos, naquele mesmo dia, dia de Natal — o conto é uma história de espíritos e fantasmas. Jacob Marley, arrastando as pesadas correntes do egoísmo e da vaidade que ostentara quando estava vivo, abre os olhos do amigo, para que este não tenha a mesma sorte. “Os negócios! A humanidade, o bem comum, a caridade, a misericórdia, a benevolência, esses deveriam ter sido os meus negócios”, desabafa o fantasma. O ex-sócio lhe revela então que ele receberá a visita de três espíritos que lhe guiarão através do tempo, mostrando-lhe de modo veemente e convincente, as verdades e lições que deveria aprender para que seu caminho fosse iluminado.

 O velho Ebenezer Scrooge — e, por consequência, quem lê o conto de Dickens — toma uma bela lição e modifica seu modo de encarar a vida tornando-se mais humano em suas atitudes a ações.

O conto é uma crítica social, e apenas não o reproduzi aqui, repito, por ser um pouco extenso, mas reproduzo um conto de Natal, também uma crítica social, de outro mestre da literatura universal, chamado Dostoiévski. O conto intitulado, A árvore de Natal na casa de Cristo, mostra a situação de abandono em que viviam muitas crianças na época do autor. Hoje, em dia, por todo o mundo, muitas crianças ainda sofrem situação de exclusão social e de abandono e, se não encontram amor, acolhida e carinho nos irmãos em humanidade, encontram na casa do Mestre dos Mestres, aquele que é o amor em plenitude.

Que o menino Deus abençoe as crianças que têm, neste Natal, uma família que os acolha e uma mesa farta que os sacie. Que esse mesmo menino Deus, acolha também as crianças que não tem um lar, nem uma família que os ampare, nem uma mesa farta que os sacie.


Que o menino Deus se compadeça daqueles que, seja pela ameaça de revolver ou pelo poder de uma caneta legitimadora da opressão e da corrupção, ou por qualquer outro meio, tiraram dessas crianças a oportunidade de uma vida plena e de um futuro digno, pois esses infelizes que roubaram o futuro desses pequenos, ainda arrastarão muitas pesadas correntes, eternidade afora.

Com esse conto de Natal, de Dostoiévski, deixo a todos, o meus sinceros votos de um FELIZ NATAL!

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A árvore de Natal na casa de Cristo





Dostoiévski

     Havia num porão uma criança, um garotinho de seis anos de idade, ou menos ainda. Esse garotinho despertou certa manhã no porão úmido e frio. Tiritava, envolto nos seus pobres andrajos. Seu hálito formava, ao se exalar, uma espécie de vapor branco, e ele, sentado num canto em cima de um baú, por desfastio, ocupava-se em soprar esse vapor da boca, pelo prazer de vê-lo se esvolar. Mas bem que gostaria de comer alguma coisa. Diversas vezes, durante a manhã, tinha se aproximado do catre, onde num colchão de palha, chato como um pastelão, com um saco sob a cabeça à guisa de almofada, jazia a mãe enferma. Como se encontrava ela nesse lugar? Provavelmente tinha vindo de outra cidade e subitamente caíra doente. A patroa que alugava o porão tinha sido presa na antevéspera pela polícia; os locatários tinham se dispersado para se aproveitarem também da festa, e o único tapeceiro que tinha ficado cozinhava a bebedeira há dois dias: esse nem mesmo tinha esperado pela festa. No outro canto do quarto gemia uma velha octogenária, reumática, que outrora tinha sido babá e que morria agora sozinha, soltando suspiros, queixas e imprecações contra o garoto, de maneira que ele tinha medo de se aproximar da velha. No corredor ele tinha encontrado alguma coisa para beber, mas nem a menor migalha para comer, e mais de dez vezes tinha ido para junto da mãe para despertá-la. Por fim, a obscuridade lhe causou uma espécie de angústia: há muito tempo tinha caído a noite e ninguém acendia o fogo. Tendo apalpado o rosto de sua mãe, admirou-se muito: ela não se mexia mais e estava tão fria como as paredes. "Faz muito frio aqui", refletia ele, com a mão pousada inconscientemente no ombro da morta; depois, ao cabo de um instante, soprou os dedos para esquentá-los, pegou o seu gorrinho abandonado no leito e, sem fazer ruído, saiu do cômodo, tateando. Por sua vontade, teria saído mais cedo, se não tivesse medo de encontrar, no alto da escada, um canzarrão que latira o dia todo, nas soleiras das casas vizinhas. Mas o cão não se encontrava alí, e o menino já ganhava a rua.

     Senhor! Que grande cidade! Nunca tinha visto nada parecido, De lá, de onde vinha, era tão negra a noite! Uma única lanterna para iluminar toda a rua. As casinhas de madeira são baixas e fechadas por trás dos postigos; desde o cair da noite, não se encontra mais ninguém fora, toda gente permanece bem enfunada em casa, e só os cães, às centenas e aos milhares,uivam, latem, durante a noite. Mas, em compensação, lá era tão quente; davam-lhe de comer... ao passo que ali... Meu Deus! Se ele ao menos tivesse alguma coisa para comer! E que desordem, que grande algazarra ali, que claridade, quanta gente, cavalos, carruagens... E o frio, ah! Este frio! O nevoeiro gela em filamentos nas ventas dos cavalos que galopam; através da neve friável o ferro dos cascos tine contra a calçada; toda gente se apressa e se acotovela, e, meu Deus! Como gostaria de comer qualquer coisa, e como de repente seus dedinhos lhe doem! Um agente de policia passa ao lado da criança e se volta, para fingir que não vê.

     Eis uma rua ainda: como é larga! Esmagá-lo-ão ali, seguramente; como todo mundo grita, vai, vem e corre, e como está claro, como é claro! Que é aquilo ali? Ah! Uma grande vidraça, e atrás dessa vidraça um quarto, com uma árvore que sobe até o teto; é um pinheiro, uma árvore de Natal onde há muitas luzes, muitos objetos pequenos, frutas douradas, e em torno bonecas e cavalinhos. No quarto há crianças que correm; estão bem vestidas e muito limpas, riem e brincam, comem e bebem alguma coisa.   Eis ali uma menina que se pôs a dançar com um rapazinho. Que bonita menina! Ouve-se música através da vidraça. A criança olha, surpresa; logo sorri, enquanto os dedos dos seus pobres pezinhos doem e os das mãos se tornaram tão roxos, que não podem se dobrar nem mesmo se mover. De repente o menino se lembrou de que seus dedos doem muito; põe-se a chorar, corre para mais longe, e eis que, através de uma vidraça, avista ainda um quarto, e neste outra árvore, mas sobre as mesas há bolos de todas as qualidades, bolos de amêndoa, vermelhos, amarelos, e eis sentadas quatro formosas damas que distribuem bolos a todos os que se apresentem. A cada instante, a porta se abre para um senhor que entra. Na ponta dos pés, o menino se aproximou, abriu a porta e bruscamente entrou. Hu! Com que gritos e gestos o repeliram! Uma senhora se aproximou logo, meteu-lhe furtivamente uma moeda na mão, abrindo-lhe ela mesma a porta da rua. Como ele teve medo! Mas a moeda rolou pelos degraus com um tilintar sonoro: ele não tinha podido fechar os dedinhos para segurá-la. O menino apertou o passo para ir mais longe - nem ele mesmo sabe aonde. Tem vontade de chorar; mas dessa vez tem medo e corre. Corre soprando os dedos. Uma angústia o domina, por se sentir tão só e abandonado, quando, de repente: Senhor! Que poderá ser ainda? Uma multidão que se detém, que olha com curiosidade. Em uma janela, através da vidraça, há três grandes bonecos vestidos com roupas vermelhas e verdes e que parecem vivos! Um velho sentado parece tocar violino, dois outros estão em pé junto de e tocam violinos menores, e todos maneiam em cadência as delicadas cabeças, olham uns para os outros, enquanto seus lábios se mexem; falam, devem falar - de verdade - e, se não se ouve nada, é por causa da vidraça. O menino julgou, a princípio, que eram pessoas vivas, e, quando finalmente compreendeu que eram bonecos, pôs-se de súbito a rir. Nunca tinha visto bonecos assim, nem mesmo suspeitava que existissem! Certamente, desejaria chorar, mas era tão cômico, tão engraçado ver esses bonecos! De repente pareceu-lhe que alguém o puxava por trás. Um moleque grande, malvado, que estava ao lado dele, deu-lhe de repente um tapa na cabeça, derrubou o seu gorrinho e passou-lhe uma rasteira. O menino rolou pelo chão, algumas pessoas se puseram a gritar: Aterrorizado, ele se levantou para fugir depressa e correu com quantas pernas tinha, sem saber para onde. Atravessou o portão de uma cocheira, penetrou num pátio e sentou-se atrás de um monte de lenha. "Aqui, pelo menos", refletiu ele, "não me acharão: está muito escuro."

     Sentou-se e encolheu-se, sem poder retomar fôlego, de tanto medo, e bruscamente, pois foi muito rápido, sentiu um grande bem-estar, as mãos e os pés tinham deixado de doer, e sentia calor, muito calor, como ao pé de uma estufa. Subitamente se mexeu: um pouco mais e ia dormir! Como seria bom dormir nesse lugar! "Mais um instante e irei ver outra vez os bonecos", pensou o menino, que sorriu à sua lembrança: "Podia jurar que eram vivos!"... E de repente pareceu-lhe que sua mãe lhe cantava uma canção. "Mamãe, vou dormir; Ah! como é bom dormir aqui!"

     Venha comigo, vamos ver a árvore de Natal, meu menino - murmurou repentinamente uma voz cheia de doçura.

     Ele ainda pensava que era a mãe, mas não, não era ela. Quem então acabava de chamá-lo? Não vê quem, mas alguém está inclinado sobre ele e o abraça no escuro, estende-lhe os braços e... Logo... Que claridade! A maravilhosa árvore de Natal! E agora não é um pinheiro, nunca tinha visto árvores semelhantes! Onde se encontra então nesse momento? Tudo brilha, tudo resplandece, e em torno, por toda parte, bonecos — mas não, são meninos e meninas, só que muito luminosos! Todos o cercam, como nas brincadeiras de roda, abraçam-no em seu voo, tomam-no, levam-no com eles, e ele mesmo voa e vê: distingue sua mãe e lhe sorrir com ar feliz.

 Mamãe! Mamãe! Como é bom aqui, mamãe! - exclama a criança. De novo abraça seus companheiros, e gostaria de lhes contar bem depressa a história dos bonecos da vidraça... - Quem são vocês então, meninos? E vocês, meninas, quem são? - pergunta ele, sorrindo-lhes e mandando-lhes beijos.

 Isto... É a árvore de Natal de Cristo - respondem-lhe. - Todos os anos, neste dia, há, na casa de Cristo, uma árvore de Natal, para os meninos que não tiveram sua árvore na terra...

     E soube assim que todos aqueles meninos e meninas tinham sido outrora crianças como ele, mas alguns tinham morrido gelados nos cestos, onde tinham sido abandonados nos degraus das escadas dos palácios de Petersburgo; outros tinham morrido junto às amas, em algum dispensário finlandês; uns sobre o seio exaurido de suas mães, no tempo em que grassava, cruel, a fome de Samara; outros, ainda, sufocados pelo ar mefítico de um vagão de terceira classe. Mas todos estão ali nesse momento, todos são agora como anjos, todos juntos a Cristo, e Ele, no meio das crianças, estende as mãos para abençoá-las e às pobres mães... E as mães dessas crianças estão ali, todas, num lugar separado, e choram; cada uma reconhece seu filhinho ou filhinha que acorrem voando para elas, abraçam-nas, e com suas mãozinhas enxugam-lhes as lágrimas, recomendando-lhes que não chorem mais, que eles estão muito bem ali...


     E nesse lugar, pela manhã, os porteiros descobriram o cadaverzinho de uma criança gelada junto de um monte de lenha. Procurou-se a mãe... Estava morta um pouco adiante; os dois se encontraram no céu, junto ao bom Deus.

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