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Encrencados, o chefe e seus subordinados

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 00:33
Quinta-feira, 15 de setembro

Marcos Valério, operador do mensalão

Marcos Valério: Um homem e muitos segredos. Alguns dos quais ele não revela pelo medo de que lhe tirem o bem maior: a vida. Condenado no mensalão e réu na Lava Jato, essa semana, o empresário e publicitário, esteve frente a frente com o juiz Sérgio Moro, na 13a Vara Federal de Curitiba.  Marcos Valério é réu na 27a fase da Operação Lava Jato, que investiga empréstimo feito pelo pecuarista, José Carlos Bumlai ao Banco Sachin, cujo beneficiário é o PT.  Promotores do Ministério Público Federal acreditam que esse empréstimo feito por Bumlai tenha servido para comprar o silêncio do empresário Ronan Maria Pinto, dono do jornal Diário do Grande ABC. O Ministério Público suspeita que Ronan era sabedor de segredos escondidos pela cúpula do Partido dos Trabalhadores no caso da morte de Celso Daniel. Segundo os investigadores, Ronan sabia do envolvimento de membros da cúpula do partido no assassinato do prefeito também petista, Celso Daniel.

Diante do juiz Sergio, um dos procuradores do MP, perguntou a Valério que segredo era esse tão valioso do qual Ronan era sabedor, ao que o interrogado, pedindo autorização do juiz para não responder a pergunta, retrucou ao promotor que o havia questionado: “O que eu fiquei sabendo é muito grave e o senhor não vai poder garantir a minha vida”.

Esse mesmo Marcos Valério, considerado pela justiça como o operador do mensalão, disse em entrevista a revista Veja, lá em setembro de 2012, que Lula era o chefe de todo esse esquema criminoso. À Veja, há quatro anos, Valério disse que o caixa do PT foi de R$ 350 milhões. A arrecadação desse dinheiro foi obtida das formas mais ilícitas possíveis. Segundo Valério, Lula teria se envolvido pessoalmente na arrecadação desse dinheiro. Nada era feito em registro formal. Tudo acontecia em conversas e reuniões informais. Delúbio Soares e José Dirceu apontado como chefe desse esquema tinha papel ativo nessas transações.

Pois bem, passados quatro anos, os promotores do Ministério Público chegaram a mesma conclusão que Marcos Valério.


Ontem, quarta-feira (14), o ex-presidente Lula, a mulher dele, Marisa Letícia, e outras sete pessoas, foram denunciados pelos promotores que atuam no caso Lava Jato, pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. O processo no qual estão envolvidos apura o caso do apartamento Triplex no Guarujá — o qual Lula afirma não ser dele, apesar das evidências dizerem o contrário — e o armazenamento de bens do casal. Segundo levantaram os investigadores a quantia desviada da Petrobrás apenas para este esquema envolveu a quantia de R$ 87 milhões, e que Lula teria se beneficiado diretamente de R$ 3,7 milhões.

Na entrevista coletiva, antes de detalharem as informações, os procuradores fizeram um balanço dos quase dois anos e meio de investigação. Foram 239 denunciados pelo Ministério Público no esquema criminoso de desvio de dinheiro da Petrobrás, e 129 sentenciados.

Os procuradores falaram, falaram, e chegaram naquilo que Marcos Valério já havia dito há três anos: Lula era o chefe por trás de todos esses esquemas criminosos, tanto do mensalão, quanto da Petrobrás. “Comandante máximo do esquema” foi o termo que os procuradores usaram para definir a participação do ex-presidente.

Segundo, o procurador, Deltan Dallagnol o vergonhoso esquema de pagamento de proprina, ao qual ele chamou de “propinocracia”, corrompeu a governabilidade do governo, e possibilitou ao Partido dos Trabalhadores manter-se no poder à custa de enriquecimento ilícito.

Segundo os investigadores, a moeda de troca para comprar políticos da base aliada era a distribuição de cargos. E nessa troca de favores, o ex-presidente era peça central, que se movia pelo tabuleiro de xadrez da corrupção com maestria. “Quem tinha poder para distribuir e efetivamente distribuiu cargos para fins arrecadatórios: Lula. Só o poder de decisão de Lula fazia a estratégia da governabilidade corrompida viável. Lula estava no topo da pirâmide do poder”, disse Dallagnol.

Na verdade, o procurador do MP, em seu relato, diz aquilo que já rondava a mente de grande parcela da população não corrompida pelo fanatismo político que impede que se enxergue mais que um palmo á frente do nariz. Afinal, pensamos nós, nação brasileira, que está fora desse contexto de fanatismo vermelho: como pode todos os homens e mulheres de confiança de um governante estarem envolvidos em desvios bilionários dos cofres públicos sem que ele esteja alheio a toda essa pesada atmosfera que gira ao redor dele?

E, de fato, os procuradores chegam a conclusões na investigação que vem responder a essas nossas indagações. Dizem eles que somente uma pessoa com o poder de decisão de Lula poderia fazer as indicações que fez, e que propiciaram o bom funcionamento do esquema.

Para o Ministério Público, o ex-presidente funcionaria como uma ponte entre o Partido dos Trabalhadores e o governo, para a realização de um projeto de poder, alicerçado nas bases de uma governança corrupta. “O esquema criminoso precisava ser comandado necessariamente por alguém que tinha domínio de duas máquinas: da máquina do partido e da máquina do governo. Que poder tinha o PT para obter essas propinas a partir de altos funcionários da Petrobras se não fosse o poder de Lula? Que poder tinha João Vaccari, Paulo Ferreira para demandarem propinas em nome do governo se eles não tinham cargos públicos? Se não era o poder de Lula?”, questionou Dallagnol.

Segundo os investigadores, o Petrolão, substitui o mensalão, pois enquanto no segundo a moeda de troca eram as mesadas, os pagamentos em dinheiro, no primeiro era a compra de cargos políticos, sendo que em ambos os casos, buscava-se arrecadação ilícita. Também em ambos os casos os envolvidos eram pessoas muito próximas do ex-presidente. Para os procuradores, a indicação de que Lula era o chefe, é que, mesmo com a saída de cena de José Dirceu, em 2005, o desvio de dinheiro continuou na forma do Petrolão. Se, realmente, Dirceu fosse o chefe do esquema do mensalão, tudo teria cessado com a saída dele. Porém, como temos visto, não foi isso que aconteceu.

A denúncia oferecida contra o ex-presidente e a mulher dele Marisa Letícia, nos os coloca na condição de culpados. a justiça pode ou não acolher a denúncia dos promotores. Se acolhida a denúncia só então os dois, e mais os outros acusados, todos pessoas próximas ao ex-presidente, se tornarão réus.

De qualquer modo, haja gasolina, haja petróleo, haja dinheiro, haja falta de vergonha, e haja fogo nessa fogueira que não para de queimar e exalar podridão.

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