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Brasil no fio da navalha

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 00:36
Sexta-feira, 03 de junho



Pense e responda rápido:

Quanto tempo levaria para um profissional bem sucedido amealhar uma fortuna de R$ 2 milhões em imóveis? Dez anos? Vinte anos? A vida inteira?

Com certeza, ninguém conseguiria esse feito aos sete anos de idade, não é verdade? Mas tem um menino-prodígio que conseguiu isso aqui no Brasil, onde a diferença entre ricos e pobres é abismal. O nome desse pequeno milionário é Michel Miguel Elias Temer Lulia Filho. Michelzinho, como é carinhosamente chamado pelos familiares, é o filho mais novo de Michel Temer. Seu único filho nascido da união com Marcela Temer. Além do menino, Michel Temer tem três filhas de outro casamento.

Em uma “antecipação de herança”, o presidente passou para o nome de Michelzinho, dois luxuosos conjuntos comerciais, nos quais se localiza seu escritório político, no bairro de Itaim-Bibi, Zona Sul da capital paulista.

Fico a me perguntar, aliás, não somente eu, como também milhões de brasileiros, o que levaria um pai a fazer tal tipo de antecipação de herança a uma criança de sete anos. Haveria ele, Michel Temer, se beneficiado, talvez muito mais que o próprio Michelzinho, dessa”antecipação” de herança? Como não sei a resposta para tal questionamento, fico apenas no nível das divagações. Talvez, um dia, surja uma resposta, mas, por enquanto, se há alguma ela está bem guardada na consciência de Temer.

Outro menino prodigio, desta vez no campo dos negócios, é o filho mais novo do ex-presidente Lula. Luís Cláudio Lula da Silva. Luís Claúdio é dono da empresa de consultoria, LFT Marketing Esportivo, que conseguiu a façanha de, mesmo sem ter funcionários registrados, ou de ele mesmo não ser, nem ter funcionários que sejam expert em consultoria, juntar um montante de quase R$ 10 milhões entre 2011 e 2015.

Em novembro de 2015, a Polícia Federal divulgou um relatório, no qual analisava serviços de consultoria encomendada pela Empresa Marcondes e Mautoni, de Mauro Marcondes. Pelo serviço, Luís Claúdio recebeu a quantia de R$ 2,5 milhões. Detalhe: segundo a PF, trechos da consultoria feita pela empresa do filho do ex-presidente foi copiada da internet.

Também em novembro do ano passado, a PF, em uma operação denominada, Zelotes, indiciou 19 pessoas por suspeita de envolvimento na compra de medidas provisórias, fato esse, ocorrido nos governos de Lula e Dilma. A Marcondes & Mautoni é acusada de comprar medidas provisórias, cuja finalidade era conseguir a prorrogação de incentivos fiscais. Na ocasião, a defesa do filho de Lula, argumentou que serviços tinham sido prestados e que tinham sido comprovados.

Outro assunto que gostaria de comentar é o reajuste bilionário que o governo interino e sua base na Câmara, conseguiram aprovar. O reajuste concedido nos salários do funcionalismo público federal — Executivo, Legislativo, Judiciário, e também ao Ministério Público — não é pequeno, ao contrário, é um mega reajuste, ou ultrarreajuste, cujo impacto nas contas públicas será de pelo menos R$ 58 bilhões até 2019. Os projetos de lei, em número de 15, estavam na gaveta da presidente Dilma, e foram liberados agora no governo interino.

Com isso, o aumento o teto salarial dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), passou de R$ 33.763, para R$ 39.293. Assim, como as cascatas de uma prodiga cachoeira as abundantes águas salariais aumentadas jorrarão em cascatas para todo o funcionalismo público federal. Os projetos de lei ainda terão que passar pelo Senado, mas acho difícil que aquela casa legislativa vá em direção contrária à decisão da Câmara.

O Brasil é mesmo o país dos contrários. Em um momento em que as contas públicas vão de mal a pior, em um momento em que a expectativa do governo é fechar o ano de 2016 com um rombo gigantesco de R$ 170 bilhões, o governo lança um pacote como esses que só onera ainda mais a nossa deficitária máquina estatal. Pensemos no Brasil como uma empresa que está no fundo do poço. Qual a melhor solução para fazer com que essa empresa se reerga? Não seria melhor achar maneiras de estancar os déficits e encontrar meios de melhorar os superávits? Pois não é exatamente o contrário que o governo faz com essa decisão?

Por trás dos atos de toda raposa, há que sempre se prestar atenção em suas segundas intenções. Nesse caso, uma dessas intenções do governo é a de que, com o aumento salarial do funcionalismo público federal, possa haver um fortalecimento político do governo interino Michel Temer, e um maior apoio às suas medidas por parte dessa classe.


Aí eu pergunto: Que pai é esse que dá doces para algumas de suas crianças, enquanto as outras estão a passar necessidade? Que gestor é esse que empurra a empresa mais para o fundo do poço apenas para parecer mais popular?

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