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Aceita, Teori.

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 00:16
Quarta-feira, 08 de junho


Tenho saudades daquele tempo em que fortes emoções eram esperadas para o horário nobre das novelas da globo, cheias de tramas policialescas, histórias de romance, mocinhos e bandidos. Hoje essas emoções fortes chegam com os primeiros telejornais do dia. Pena que, nos enredos atuais, fiquem de fora às histórias de romance, os mocinhos e mocinhas, pois quem domina os papeis principais são os vilões. Não. Isso não é verdade. Eu não tenho vergonha em me contradizer e voltar atrás naquilo que disse. Se há bandidos, há também os mocinhos, os heróis. Que o digam Sérgio Moro, Rodrigo Janot, e a equipe da PF e do Ministério Publico. Devo dizer que as emoções proporcionadas pelo nebuloso e policialesco enredo do Brasil político atual, não fica a cargo apenas da exclusividade da Globo. Uma hora os capítulos inéditos, emocionantes e, ao mesmo tempo, revoltantes, são de autoria, uma hora da Globo, outra hora do jornal O Estadão, outras vezes da Folha de São Paulo, e outras ainda do jornal O Globo.

Vamos em frente.

Ontem pela manhã, mais uma vez, os brasileiros tomaram seu delicioso café da manhã, alguns no conforto de suas casas, outros em trânsito para o trabalho, mas todos tiveram fortes emoções proporcionadas em parte pela matéria de capa do jornal o Globo, em parte pelo noticiário da TV Globo.

A causa foi o pedido de prisão feita por Rodrigo Janot, procurador geral da República, ao Supremo Tribunal Federal, contra os caciques da política brasileira; o senador Romero Jucá, do PMDB de Roraima, Renan Calheiros, do PMDB de Alagoas, e presidente do Senado, e José Sarney, do PMDB do Amapá, e ex-presidente do Brasil. Janot também pediu prisão para Eduardo Cunha, do PMDB do Rio de Janeiro.

O pedido de prisão do procurador geral foi baseado nas delações premiadas de Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro. Machado afirmou em delação premiada que distribuiu R$ 70 milhões em propinas para Jucá, Renan e Sarney, e outros políticos do PMDB, nos doze anos em que esteve na Transpetro. Recentemente, a Folha de São Paulo, publicou conversas telefônicas gravadas, nas quais, os três caciques aparecem tramando modos de por fim à Lava Jato, ou pelo menos dificultar em muito, o trabalho dos investigadores.  Renan chega, inclusive, a sugerir uma mudança na legislação no sentido de tornar mais complicado o processo de delação premiada.

Jucá, chega a sugerir que é preciso derrubar a presidente Dilma Rousseff, parar deter a Lava Jato, e fazer um acordo que livrasse a pele de todos os envolvidos, do fogo cruzado e certeiro da Lava Jato. Talvez, nesse sentido Dilma tivesse razão quando dizia que havia um golpe em curso. Porém, claro, deve-se usar o pensamento crítico e entender que não era um golpe contra ela, como ela insiste em afirmar, mas tratava-se de golpe contra o Brasil, pois, Dilma também estava se articulando, juntamente, com o presidente Lula, para os mesmos fins de calar a boca da Lava Jato.

Sarney, por sua vez, sugere uma conversa com o ministro do Supremo, Teori Zavascki, com o objetivo de botar “panos quentes” na questão.

No caso de Sarney, seria uma prisão domiciliar, uma vez que ele já está em idade avançada.

O pedido de prisão para Eduardo Cunha não foi necessariamente por causa da propina — se bem que ele poderia ter entrado com facilidade nesse argumento de Janot — mas sim, por indisciplina. Teori, em maio, afastou Cunha da presidência da Câmara e de suas funções de parlamentar, porém, ele não se afastou de fato, porém, mesmo de longe, ele ficou interferindo nas decisões da Câmara em relação ao governo interino, e também, influenciando os seus comparsas para atrapalhar o processo contra ele mesmo no Conselho de Ética da Câmara. Lembremos que Teori afastou Cunha de suas funções de parlamentar por pesar sobre ele uma tonelada de suspeitas de envolvimentos em atividades ilícitas e fraudulentas.

Agora, a decisão está nas mãos de Teori Zavascki.  Como diz o ditado popular “a batata quente” foi parar nas mãos dele. E quanto mais cedo ele se livrar dela melhor. Por minha vontade, e pela vontade de milhões de brasileiros, Teori deveria jogar essa batata na celas de alguma prisão. E se o ministro do Supremo fizer isso...

Os fatos de hoje complicam bastante a vida de Temer. Pois Romero Jucá é um dos principais articuladores do impeachment de Dilma no Senado. Além disso, se Jucá for preso, o PT pode bater mais forte na tecla do golpe contra Dilma — e aqui insisto em repetir: Dilma queria usar do mesmo golpe, qual seja, parar o trem esmagador de políticos corruptos que é a Lava Jato. Renan havia estreitado os laços com Temer por ocasião do processo de impeachment da presidente afastada. É ele quem conduz o impeachment no Senado. Se ele for preso, pode também ser afastado da presidência daquela casa. No caso, quem ficaria no lugar dele seria o senador, Jorge Viana, do PT do Acre. Essa mudança seria péssima para Temer. Já imaginou o PT conduzindo o final do processo de impeachment. Seria como atirar queijos aos ratos. Eles fariam uma boa festa.

Há ainda o fato de que todos os pedidos de prisão feitos por Janot, e divulgados hoje pelo jornal O Globo e pela TV Globo, são de figurões do PMDB, partido ao qual o presidente pertence. Seria mais um desgaste, além dos que Temer já tem enfrentado ultimamente.

De todo esse furacão, ainda poderia ressurgir, não tão gloriosa assim, o fantasma da presidente afastada, Dilma Rousseff. Uma volta de Dilma é tudo o que não queremos, é tudo o que o mercado financeiro não quer, é tudo o que os políticos não querem. Quer dizer, tem uma parcela da população brasileira que quer. É democracia e a gente deve respeitar, não é mesmo? Porém, ainda bem que essa parcela que quer Dilma de volta é minoria.

Por falar em Dilma, ela continua arrogante. Aqui cito outro ditado popular “pau que nasce torto nunca se endireita”. Por acaso, algum, ou alguma de vocês, já ouviu Dilma, ou alguém de sua equipe de governo, admitir que tenha cometido um erro, apenas um sequer?  Não de jeito nenhum. Eles sempre sustentam que estão certos, e que são vítimas de um golpe, e blá-blá-blá.  Em vez de repensar suas ações, analisar seus erros e acertos, Dilma anda por aí em caravana pelo país, pregando no deserto, a dizer que é vítima de um golpe, e coisa e tal. Bem, se é assim, então que ela e sua equipe fiquem mesmo pelo deserto, e não voltem a nos incomodar.

Se eu pudesse me colocar diante do ministro do Supremo, eu faria um simples pedido: “Aceite, Teori, o pedido feito por Janot, mostre a esses velhos caciques que a tribo Brasil tem comando forte. Que nessa tribo eles, se algum dia puderam, não podem mais fazer o que quiserem, a hora em que quiserem, e como bem entenderem.” 

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