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A onda conservadora que nos ameaça levar aos mares do retrocesso

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 00:06
Quinta-feira, 05 de maio


Caríssimos e caríssimas, a correria hoje não me permitiu escrever nenhum texto de minha autoria, mas, mesmo assim decidi compartilhar o artigo de Luiz Ruffato,colunista do El Pais Brasil.

Não por acaso compartilho com vocês o texto do jornalista, mas por afinidade de pensamento. Ele fala de algo sobre o qual tenho refletido há algum tempo: O conservadorismo de nosso Congresso.  Lembremo-nos de que em todos os momentos da história, quando o estado se mesclou à religião, o resultado foi retrocesso. Um estado democrático de direito, para ser realmente justo, tem de ser laico. Isso pode parecer contraditório, mas apenas dessa forma, o estado, como um deus, consegue abrigar a todos os seus filhos sob seu manto, e a cada um deles, atender as necessidades que lhe são mais prementes.

E além das mazelas que já nos rondam, ainda surge por acréscimo, o fantasma de um conservadorismo hipócrita, praticado por políticos hipócritas, desses que pregam uma coisa e fazem outra completamente diferente.

A bancada do boi, bala e bíblia, prega valores tradicionais que caminha na direção contrária a que ruma a humanidade, talvez, com isso seja mais fácil desvia os olhos da sociedade brasileira da corrupção e praticam ilícitas e viciosas que eles praticam no submundo da política, desvirtuando dessa forma, os valores evangélicos aos quais tanto se agarram de do qual tanto se gabam.

Poderia até continuar essa linha de pensamento, mas deixo que Juan Arias, vos fale.

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A maré conservadora
Luiz Ruffato

Fruto do pensamento simplista e hegemônico que floresce onde mingua a educação, o obscurantismo autoritário vai pouco a pouco alargando sua área de atuaçãoUm espectro ronda o Brasil – o espectro do conservadorismo. Os discursos eufóricos, beirando à histeria, proferidos na Câmara dos Deputados favoráveis ao impeachment da presidente Dilma Rousseff, evocavam Deus, Pátria e Família, não por acaso lema do Integralismo, movimento que encarnava o fascismo nacional, cujo ideário baseava-se no nazifascismo europeu. Publicado em 7 de outubro de 1932 e destinado à Nação Brasileira, o manifesto da Frente Integralista foi redigido pelo chefe dos "camisas verdes", Plínio Salgado, e tinha como seguidores Dom Hélder Câmara, o jurista Miguel Reale, o depois ministro da Justiça no governo Médici, Alfredo Buzaid, e o escritor Adonias Filho, entre muitos outros.

Hoje, falam em nome de Deus, Pátria e Família os evangélicos, fundamentalistas religiosos reunidos em uma Frente Parlamentar que conta com 199 deputados e quatro senadores, cujo principal objetivo é zelar pelos "valores morais" da sociedade. Assim, de forma aguerrida, lutam contra o direito ao aborto e à eutanásia; contra a união civil entre pessoas do mesmo sexo; contra a criminalização da discriminação a homossexuais, bissexuais e transexuais e contra a criminalização dos castigos físicos impostos pelos pais aos filhos. Além disso, buscam aprovar um estatuto que, entre outras coisas, define família como núcleo formado por um homem e uma mulher. Vinte e três membros desta bancada respondem a processos no Supremo Tribunal Federal por acusações que incluem peculato, improbidade administrativa, sonegação de impostos e formação de quadrilha. Alguns de seus afiliados mais notórios são o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e os senadores Magno Malta (PR-ES) e Marcelo Crivella (PRB-RJ).

Também em nome de Deus, Pátria e Família advoga a Frente Parlamentar da Agropecuária, a bancada ruralista que reúne 215 deputados e 22 senadores. Além de coincidir com os evangélicos na defesa dos "valores morais" da sociedade, esses congressistas atuam principalmente para impedir o combate efetivo ao trabalho escravo, para minimizar os efeitos da legislação sobre o meio-ambiente e para frear de vez a nossa já tímida reforma agrária. Sua mais recente ação pede a Michel Temer, que em breve deverá ser alçado ilegitimamente à Presidência, o uso do Exército na resolução de conflitos fundiários. Seus mais notórios membros são os senadores Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente da Casa, Ronaldo Caiado (DEM-G0) e Jáder Barbalho (PMDB-PA).

Com interesses comuns às frentes evangélica e ruralista, a bancada da bala compõe-se de políticos ligados à indústria armamentista, ex-policiais e militares, cuja líder é o "católico fervoroso", deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ), pré-candidato à Presidência da República em 2018. Bolsonaro apregoa a tortura – considerado crime contra a Humanidade pela Organização das Nações Unidas (ONU) - como método válido para obter confissões de traficantes de droga e sequestradores e pleiteia a pena de morte em casos de crime premeditado. Sua plataforma inclui ainda a redução da maioridade penal, a adoção de trabalhos forçados para presidiários e a mudança radical no Estatuto do Desarmamento, que ampliaria a possibilidade de porte de armas pelo cidadão comum.

Fruto do pensamento simplista e hegemônico que floresce onde mingua a educação, o obscurantismo autoritário vai pouco a pouco alargando sua área de atuação. Há pouco, a Assembleia Legislativa de Alagoas – último colocado brasileiro no ranking de Índice de Desenvolvimento Humano e em taxa de alfabetização – aprovou uma lei que obriga os professores da rede estadual de ensino a manter "neutralidade" de opinião em assuntos políticos, religiosos e ideológicos, sob penas que vão até à demissão. Projeto idêntico tramita na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, de autoria do deputado Marcel van Hattem (DEM), que estabelece a proibição de qualquer "doutrinação política e ideológica" por parte dos professores e propõe que a Secretaria de Educação estabeleça um canal de comunicação "destinado ao recebimento de reclamações relacionadas ao descumprimento da lei, assegurado o anonimato".

A maré conservadora já alcança-nos a garganta.



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