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Pressão total!

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 08:01
Terça-feira, 12 de abril


O coração desse gigante chamado Brasil bate cheio de forte agitação, e sua pulsação está acelerada acima dos limites permitidos. Às tristezas e dissabores se sobrepõem a alegria de ser uma pátria mãe gentil para com seus amados filhos. Aos poucos, aquela que era, e ainda é a terra de nossos sonhos, berço de nossas esperanças, foi sendo, saqueada. Primeiro em tostões, depois em milhões. Aos poucos, aos assentos de suas casas legislativas foi chegando uma gente, sem pudor, sem moral, e sem vergonha. Essa gente, chamada de classe política, desvirtuou o sentido da palavra democracia, que é o governo do povo, pelo povo, e para o povo. Disposta a tudo, esses miseráveis políticos, pobre de ideais, e sedentos de poder, não mediram esforços para fazer de um ideal de governo, um projeto pessoal de poder.

Hoje, esse Brasil possui um governo que agoniza, e ainda nesta semana, seu destino estará a um passo da definição.  Esse governo, cuja figura chefe é a presidente Dilma Rousseff, só chegou a esse estado devido à arrogância, falta de diálogo com o congresso, e com adoção de medidas errôneas para sanar os problemas, tanto políticos, quanto econômicos, que foram surgindo ao longo do caminho. O governo não teve a eficácia e sensibilidade de retirar as pedras do caminho... E perdeu a confiança e credibilidade dos congressistas, da população, e do mercado. Restará vivo o governo depois dessa batalha, chamada pela situação de golpe, e pelos oposicionistas de ação legal?

Tudo é um jogo, principalmente no meio político, e em jogo complicado, só se pode cantar vitória após o apito final do árbitro, ou seja, aos quarenta e cinco minutos do segundo tempo. É provável que os governistas percam a batalha contra o impeachment, mas, se temos vistos jogos comprados na FIFA, imaginem no cenário político brasileiro atual, no qual a corrupção se tornou palavra de ordem.

A semana, esta semana em especial, promete ser tensa e de grande expectativa. Na noite de ontem (11), terminou a análise feita pela comissão especial de impeachment da Câmara dos Deputados. O relatório do deputado Jovair Arantes, do PTB do Estado de Goiás, foi aprovado pelo placar de 38 votos a favor, e 27 contra.  E assim a maioria dos deputados que participaram da comissão de análise declarou-se favorável à abertura de impeachment contra a presidente da República. Chegaram eles a conclusão de que há graves indícios de que houve, por parte da presidente, crime de responsabilidade fiscal. Os governistas protestaram. Os oposicionistas comemoraram.

Domingo (17), dia do descanso para a grande maioria das pessoas, será, no Brasil, dia de tensão, protestos pró e contra impeachment, em todo o país. Será o grande dia, a decisão final na Câmara. A votação final. Aprova ou não aprova o pedido de impeachment. Caso a oposição haja conseguido os votos necessários (66%), ou dois terços do total — dos 513 deputados, a oposição precisa conseguir votos de, pelo menos, 342 — o processo segue para o senado, o qual se achará investido do poder de abrir o processo de impeachment contra Dilma, e afastá-la do cargo, ou não.

Em todo o país, como já bem disse, deverão ocorrer manifestações, porém, em Brasília, onde se concentram os atores sociais desse melancólico drama, foi montado, já a partir desta segunda (11), um forte esquema de segurança.

Para que não haja confrontos, e até mesmo casos mais graves de violência, a Secretaria de Segurança do Distrito Federal criou duas áreas distintas para acomodar os manifestantes. Os que acham que o impeachment é legal ficarão localizados, ao lado direito do Congresso Nacional e o ponto de concentração será o Museu da República. Para os que acham que o impeachment é golpe foi reservado o lado esquerdo do Congresso e o ponto de encontro desse grupo é o Teatro Nacional. Separando os dois grupos haverá um corredor de 80 metros de largura, por 1 km de comprimento, que vai da Catedral ao Congresso Nacional. Os manifestantes também serão impedidos de chegar à Praça dos Três poderes.

Algo em tudo isso nos causa preocupação. Temos, isso é fato, um Congresso contaminado por mafiosos, que estão, alguns secretamente, outros abertamente, mirando suas armas com a finalidade de acertar um alvo em potencial: a Operação Lava Jato. Isso foi revelado pelas escutas telefônicas divulgadas pelo juiz Sérgio Moro, e também foi relatado na delação premiada do senador Delcídio do Amaral. Em ambos os casos, viu-se a intenção do governo de frear, senão matar e enterrar a operação que tanto já tem revelado ao país em termos de corrupção. Lula também tem atacado publicamente a Operação Lava Jato. Em um de seus discursos ele chegou mesmo a acusá-la de ser a responsável pela crise econômica do país.


Mas, como dos corruptos do país, nem todos estão protegidos pelo manto vermelho do PT, que o digam o próprio vice-presidente, Michel Temer (PMDB), o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), e do senado, Renan Calheiros (PMDB), bem como centenas de outros da oposição, é possível que algo de podre no submundo do senado esteja sendo tramado para calar a voz de uma operação, a Operação Lava Jato, que tanto bem tem feito ao país, ao revelar a obscura e má de muitos de nossos políticos e empresários. E essa operação abafa não podemos permitir. Como soldados em luta contra o inimigo, precisamos ficar de olho em qualquer movimento suspeito.

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