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Operação Lava Jato faz aniversário em meio a uma semana pra lá de explosiva

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 00:17
Domingo, 20 de março


Mais uma semana termina. E que semana!

Maremotos, terremotos, tsunamis, turbilhões, e mais alguma coisa desse tipo que você possa imaginar, sacudiu a vida política brasileira.

O brasileiro se sentiu arrastado para o centro das emoções como as que o atinge em dias de Copa do Mundo, ou de final de uma excelente novela. Ele pôs camisa da seleção, pegou apito e corneta, foi às ruas, buzinou seu carro, gritou. Há que se dizer, obviamente, que os sentimentos que sacudiu a nação brasileira, não eram de alegria, nem de emotividade, mas, de revolta, raiva, incredulidade, vergonha.

Enfim, caíram as máscaras dos dissimulados, os discursos vazios do “eu não sabia”. Agora, ficou claro a nós, brasileiros e brasileiras, que eles sabiam, e sabiam muito, e pior que isso, eles eram os chefes. Chefes de um esquema criminoso que quase levou o Brasil à ruína, à bancarrota.

Ainda assim, e diante das conversas telefônicas gravadas com autorização da justiça, eles continuam dando tênues versões para os atos maléficos e dissimulados que praticam. Tentam dizer que não disseram o que disseram, nem que não fizeram o que fizeram.

O discurso deles é sempre os mesmos: “Estamos sendo vítimas de um golpe” “A mídia e a oposição querem nos destruir” “O Delcídio do Amaral, — ex-chefe de governo de Dilma, autor da mais recente e explosiva delação premiada — quer se vingar”. Só falta dizer que são “um governo do povo, pelo povo e para o povo”.

Mas voltando no tempo recente e fazendo um breve resumo dos fatos que aconteceram na última semana.

No sábado, pela manhã, estava passando pelo centro de Campinas, quando uma marcha de mulheres chamou a minha atenção. Aproximei-me do grupo e logo percebi bandeiras do PSTU no meio das manifestantes. Achei que, pelo menos, iria ouvir algo de bom, talvez elas estivessem em consonância com a maioria dos brasileiros que, no domingo, sairiam às ruas em protesto contra os desmandos do governo. Porém, quando a líder da manifestação pegou o microfone e começou a falar, dei às costas e fui embora. Mas ainda as ouvi acusar Globo de golpista, que o veículo de comunicação queria derrubar o Lula, que tinha inveja de sua popularidade, e essas asneiras as quais os meus ouvidos não tem paciência de escutar.

No domingo, o Brasil se vestiu de verde e amarelo e foi às ruas e gritou FORA LULA! FORA DILMA! FORA RENAN CALHEIROS! FORA EDUARDO CUNHA! E VIVAS A SÉRGIO MORO, A POLÍCIA FEDERAL E AO MINISTÉRIO PÚBLICO!

E lá, no meio daquele mundaréu de gente nos arredores da Avenida Paulista, em sua moto, com um capacete que lhe garantia o anonimato, estava Delcídio do Amaral, que de certa forma, forneceu enorme quantidade de munição para que aquela gigantesca manifestação, que ocorria, não só na avenida paulista, mas em diversas cidades brasileiras. Ao ver aquela multidão clamando por justiça, Delcídio sorriu. Soube que fizera a coisa certa. Montou em sua moto e foi embora, antes que alguém o reconhecesse.

Vendo-se acuado, e na iminência de ser preso por lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. O governo tramou a ida de Lula para a Casa Civil, para fazer aquilo que ele já faz no governo: mandar. E Dilma?! Dilma já é peça decorativa no governo, e apenas intensificaria esse subalterno papel.

Lula no governo iria mandar calar a boca de Sérgio Moro, amordaçar a Polícia Federal. Isso, nós hoje, sabemos foi o que ele sempre fez nos bastidores, de forma espetacular, sem nunca deixa rastro, mas como sabemos, não existe o crime perfeito, um dia a casa cai. Como ministro, Lula teria foro privilegiado e escaparia da justiça, pois contava com os “compadres” do Supremo para lhe dar salvo conduto por seus crimes.
Após o anuncio de Lula como ministro, na quarta-feira (06), um sentimento de revolta, indignação, e impunidade tomou o Brasil de assalto. Os brasileiros voltaram novamente às ruas em protesto.

Como num grande jogo de gato e rato, o juiz Sérgio Moro divulgou gravações sigilosas e explosivas que mostram as manobras do governo, e do PT para driblar a operação Lava Jato e evitar a prisão de Lula. Nestas gravações, a própria presidente do Brasil, se envolve nesse ardiloso e asqueroso plano. Ainda nessas gravações Lula debocha do Poder Judiciário, e do Legislativo.

O governo tenta virar o jogo, dizendo-se vítima da insanidade do Juiz Sérgio Moro, que, segundo eles havia cometido irregularidade ao divulgar os áudios comprometedores.
Enquanto isso, os brasileiros de boa fé, agradeciam a Sérgio Moro por lhes revelar a verdadeira face daqueles que se dizem defensores do Brasil.

Na quinta-feira, o povo está, novamente, nas ruas contra o governo.

Na sexta-feira, é a vez dos defensores do governo saírem às ruas de várias cidades do país. Ainda assim o número de cidades e o número de manifestantes foi infinitamente menor do que os que saíram às ruas contra o governo no domingo.

Ainda na noite de sexta-feira, o ministro do Supremo, Gilmar Mendes, concedeu liminar suspendendo a posse de Lula para a Casa Civil. Da decisão, cabe recurso no plenário da Corte Suprema, e o governo, com certeza, fará uso desse recurso. Ainda, na sexta-feira, também no nível institucional, a luta pelo impeachment ganhou um reforço de peso. O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) decidiu apoiar o impeachment da presidente no congresso, que havia sido aberto na Câmara, na quinta-feira (17).

E não acabou por aí. Tem mais um pouco.

Ainda antes de estourar todos essas revelações, o governo já trabalhava, ferreamente, para barrar as investigações da Lava Jato. Para isso, tirou o Ministro José Eduardo Cardoso do cargo, por considerar que ele era permissivo demais em relação a Policia Federal e as investigações da Lava Jato. Lula, como todos sabem, queria enterrar essa operação. E, de fato, a manobra foi concretizada, e o novo Ministro da Justiça, Eugênio Aragão, 56, disse, em entrevista à Folha de São Paulo, que trocará a equipe interia da PF se houver qualquer espécie de vazamento.

Diante dessa afirmação, a Associação Nacional de Delegados da Polícia Federal (ADPF), disse que a categoria se sente ameaçada por essa declaração do ministro. Segundo eles, as intenções do novo ministro da justiça é enfraquecer o trabalho da polícia, e, consequentemente, a Operação Lava Jato.

E confesso que fiquei surpreso com a reunião, com o protesto que os “intelectuais” da USP fizeram, em defesa do governo. São tantas as evidências de que esse governo não corresponde ao ideais sonhados pelos brasileiros... Mas ainda há gente, e gente que se intitula intelectual e está cego pelas antigas ideologias.

E foi em meio a toda essa turbulência que a famosa e prodiga Operação Lava Jato, que tanto bem tem feito ao Brasil, ao mostrar-lhe a face de seus verdadeiros inimigos, completou dois anos de sua fase ostensiva. Segundo informação que consta do site do MP: “Em 17 de março de 2014, foi deflagrada a primeira fase ostensiva da operação sobre as organizações criminosas dos doleiros e Paulo Roberto Costa. Foram cumpridos 81 mandados de busca e apreensão, 18 mandados de prisão preventiva, 10 mandados de prisão temporária e 19 mandados de condução coercitiva, em 17 cidades de 6 estados e no Distrito Federal”.

Na verdade, a operação Lava Jato teve seu início no ano de 2009, quando investigava crimes de lavagem de dinheiro envolvendo o deputado federal José Janene. Também estavam envolvidos nos crimes o doleiro Alberto Yousseff e Carlos Habib Chater.
Ah, meus amigos, se o governo soubesse, em 2009, em que mar de lama acabar toda essa novela, batizada de Operação Lava Jato, já teria, ali mesmo, destruído, triturado, e moído uma das operações mais reveladoras da face podre do poder em nosso país.

O que mais falta acontecer?


Esperemos os próximos capítulos.

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