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Anjo da vida

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 00:59
Segunda-feira, 21 de março


Às vezes a poesia diz a realidade. Às vezes a poesia é a realidade. Às vezes, e quase sempre, a poesia exprime a dor que vai no peito, e que insiste em não abandoná-lo.

Navegando nas ondas da Internet, descobri essa poesia que, não por coincidência, fala da desilusão que parece não querer abandonar a alma do brasileiro.

Na maioria dos casos, o sofrimento não é de todo mal, é simplesmente sinal de que acordamos para a realidade, e que, a partir desse despertar, nos motivamos a construir uma nova realidade.

A seguir, e para começar a semana, compartilho um pouco de poesia. O texto poético chama-se, Anjo da Vida, e é de autoria de Edson Rufo, palestrante, escritor, e consultor de qualidade.


Boa semana de paz a todos!

***

Anjo da Vida

Amanhecemos.
Dia, clara esperança nova, isso se chama vida.
A turbulência passada deixa rastros e desgosto.
Aprendemos que um sonho também alguém destrói.

Dói.

Mas amanhecemos sem rumo sem sonho.
Avaliamos que tudo que queríamos a vida toda se foi.

Sim, foi uma grande mentira.
Um farça articulada uma simetria.
O laço quebrado historia interrompido.

Somos vida somos anjo somos luz
Amanhecemos de todas as maneiras
E queremos de todas as formas.

Anjos que voam perdidos no céu
Anjos que pairam plumando no ar
Anjos fingidos de risos.
Anjos da vida, mentidos.

Amanhecemos certo de que nada é verdadeiro
A palavra o abraço o riso o amor.
Sabemos que tudo é uma grande arte.

A arte de enganar de articular
A arte de disfarçar, a arte de encenar.
A arte de dissimular, a arte de combinar.
A arte de desfazer, a arte de nunca crescer.

Amanhecemos frios e sem sorriso
Ávidos de gloria e sem sinal
Apanhamos a fé como historia
Mas mentimos a arte de acreditar.

Somos anjo vestidos de realidade e de maldade
Somos anjos do bem e anjos do mal.
Mentimos e maltratamos

Minha alma é solida e concreta.
Nada deixar acontecer por acontecer
Muito menos entender que a maldade existia sempre.

Olhos que fechei para não absorver
Amanheceu e eu não acreditei
Que não era você quem me conheceu.
Olhos que eu não abri, mas sempre senti
A presença de alguém.

Amanheceu, um anjo da vida
Que por ironia trocou a historia por fantasia.
Amanheceu a realidade e o disfarce caiu
Amanheceram, anjos sem asas

Anjos que não são da vida

Anjo que nunca existiu


(Edson Rufo)

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