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A postura de seu corpo pode mudar seu cérebro

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 14:18
Sábado, 18 de abril

Voa, coração
A minha força te conduz
Que o sol de um novo amor em breve vai brilhar
Vara a escuridão, vai onde a noite esconde a luz
Clareia seu caminho e acende seu olhar
Vai onde a aurora mora e acorda um lindo dia
Colhe a mais bela flor que alguém já viu nascer
E não esqueça de trazer força e magia,
O sonho e a fantasia, e a alegria de viver

(Voa Coração – Toquinho)


Essa semana, navegando pelo site do Voa News, deparei-me com uma interessante matéria e resolvi compartilhar isto com vocês.

Se o corpo humano é uma máquina — e, de fato o é, com tal complexidade que a espécie humana não seria capaz de inventar outra igual. Pode até ser que um dia inventem algum genérico de ser humano, mesmo assim, será sempre genérico, ou seja, não tão bom quanto o original — é preciso a nós humanos, que ao mesmo tempo somos a própria máquina e os operadores dela, estarmos sempre fazendo pequenos ajustes para que ela funcione sempre de forma efetiva.

É como alguém que, por anos a fio, não faz nenhum ajuste no carro e depois ainda tem a coragem de dizer: “Meu carro quebrou, não é estranho?!” Ou como alguém que está construindo uma bela casa e não coloca os tijolos, esquecendo-se de que uma edificação se ergue colocando tijolo por tijolo, até que se erga a tão sonhada casa. Certo dia, essa pessoa analisa a construção e diz: “Estranho, esta casa ainda está com as paredes muito baixas. O que será que está acontecendo?” Assim também fazemos com nosso corpo, sentimos que não avançamos e depois dizemos: “Não estou avançando. O que será que acontece comigo?”.

Como sabemos, somos uma máquina complexa. Há muitas áreas a serem trabalhadas, desenvolvidas e cuidadas com carinho. Há o aspecto físico que precisa ser cuidado, mas há também o aspecto psicológico, e também o modo como interagimos conosco mesmos e com o mundo ao nosso redor.

Se notarmos bem, estamos o tempo todo comunicando alguma coisa, para nós mesmos ou para os outros. E a nossas ferramentas de comunicação são diversas. Comunicamos com o olhar, com as palavras faladas e escritas. É maravilhoso que na era da revolução cientifica e tecnológica ainda nos comuniquemos através dos gestos, coisa que nossos ancestrais longínquos faziam com muita propriedade. É sabido também por nós, que nossa primeira ferramenta de comunicação foi o nosso próprio corpo, dizendo em uma linguagem atual, o corpo foi uma de nossa primeiras formas de comunicação não verbal.

Sabemos também que o nosso corpo fala aos outros e essa fala influencia nossas emoções e a dos outros. Mas será que alguma vez já paramos para pensar naquilo que comunicamos a nós mesmos com nosso próprio corpo e o modo como essa comunicação influencia e altera profundamente nosso próprio modo de vida?

Amy Cduddy, uma psicóloga social, atualmente professora da Universidade de Harvard fez essa interessante pesquisa e descobriu resultados surpreendentes. O estudo virou um TED Talk famoso, um dos mais vistos em toda a história dos TED Talks. O que é TED? TED é uma organização sem fins lucrativos, cujo objetivo é divulgar ideias que merecem ser espalhadas pelo mundo afora. O TED surgiu a partir de uma conferência, no estado americano da Califórnia, em 1984, e evoluiu para esse objetivo de mudar o mundo através de boas iniciativas e boas ideias. A coisa funciona da seguinte forma: Cabeças pensantes do mundo são convidadas a dar conferências curtas, geralmente entre dezoito e vinte minutos. Os vídeos, que recebem o nome de TED Talks são disponibilizados para o mundo de forma gratuita, e são traduzidos por voluntários do mundo inteiro. A cada dia da semana é publicado um TED.

Amy Cuddy começa assim o seu TED Talk: “Eu gostaria de começar oferecendo uma forma gratuita e analógica de melhorar a vida, e tudo o que precisamos é que vocês mudem suas posturas por dois minutos”.

A partir daí, a pesquisadora começa a falar de uma pesquisa que começou a fazer ainda no ano de 2010, quando já era professora universitária, ao observar a linguagem não verbal de seus alunos e alunos. Ela observou que a maioria dos homens mantinham posturas que expressavam poder, enquanto que a maioria das mulheres faziam exatamente o oposto, mantendo posturas que as deixavam sentindo-se diminuídas. Obervou ainda que os dois tipos diferentes de posturas influenciava diretamente nas notas dos alunos e, consequentemente, no aproveitamento do curso.

Ela então, junto com outras colegas, professoras da universidade, escolheu 42 homens e mulheres, ao acaso. Um grupo dessas “cobaias” foi orientado a ficar, por cerca de dois minutos, em poses expansivas, o outro grupo a ficar em poses contraídas. Eles não sabiam que estavam participando de uma pesquisa para analisar o modo como a postura de seus corpos influenciava sua química cerebral.

O resultado da pesquisa mostrou que o grupo que manteve posturas confiantes teve um aumento nos níveis de testosterona — que é o hormônio ligado a impulso de lutar, de querer arriscar, dizendo de outra forma, de se jogar na vida — e diminuiu os níveis de cortisol, hormônio ligado ao stress, que limita nossas reações diante de situações experienciais. No grupo que ostentou posturas contraídas o resultado foi diametralmente oposto.

O que Cuddy quis mostrar é que apenas através de sua postura você pode mudar o modo como se portar diante da vida. Isso se você se dispuser a fazer apenas dois minutos por dia, de posturas de poder. Imagine então se resolver dedicar mais tempo a essa experiência, ou se resolver fazer umas aulinhas de yoga?

Pessoas poderosas tendem a ser, não é surpresa, mais assertivas e mais confiantes, mais otimistas. Elas realmente acham que vão vencer até em jogos de sorte. Elas também tendem a ser capazes de precisar de forma mais abstrata. Existem várias diferenças. Elas arriscam mais. Existem muitas diferenças entre os poderosos e os sem poder. Fisiologicamente, existem também diferenças entre os dois hormônios chaves: testosterona, que é o hormônio dominante e cortisol, que é o hormônio do stress”, diz Amy Cuddy em seu TED Talk.

Abaixo, compartilho a tradução livre que fiz do texto do site do Voa News, cujo título original é: Your Body Posture Can Your Brain (A postura de seu corpo pode mudar seu cérebro).

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A postura de seu corpo pode mudar seu cérebro



Há muito tempo nós sabemos que a postura de nossos corpos — o modo como mantemos nossos corpos quando sentamos, ficamos de pé, ou caminhamos — diz ao mundo muito sobre nós.

Pessoas que andam de cabeça baixa podem mostrar insegurança, ou falta de confiança em si mesmas. Enquanto pessoas que andam com os ombros para trás, e de cabeça erguida, podem aparentar confiança.

Mas a postura de nossos corpos pode afetar o modo como vemos a nós mesmos? A psicóloga social, Amy Cuddy, acredita que sim. E quer partilhar essas informações com o mundo.

O agora famoso TED Talk 

Mais de 24 milhões de pessoas já assistiram ao TED Talk de Amy Cuddy, falando sobre posturas de poder. É o segundo TED Talk mais famoso em toda a historia dos TED Talks.TED é uma organização sem fins lucrativos com um objetivo: espalhar ideias em forma de palestras curtas.

A eficácia de “posturas de poder” assumiu vida própria. Cuddy dá palestras em todo o mundo falando sobre a eficácia de dois minutos de posturas de poder. Ela diz que seu objetivo é tornar capazes os que se sentem com menos poder.

Antes de enfrentar sua próxima situação estressante ou um difícil desafio, Cuddy quer que você faça dois minutos de posturas de poder. Estenda seus braços acima da cabeça, como se você tivesse vencido uma corrida.

Ou ficar de pé como a Mulher Maravilha, com as mãos nos quadris e pés ligeiramente afastados. Mantenha estas posições por, no mínimo, dois minutos.  De acordo com a pesquisadora e suas colegas, a química de seu cérebro mudará, dando-lhe mais confiança.



A experiência

Amy Cuddy é professora na Harvard Business School. Em 2010, ela começou a se interessar pela linguagem do corpo masculino e feminino, observando alunos em uma de suas salas de aula. Ela disse que a maioria dos homens ostentavam posturas de poder. Estes estudantes ocupavam muito espaço físico na sala. Eles erguiam suas mãos e respondiam as questões.

Cuddy disse que a maior parte das estudantes do sexo feminino fazia exatamente o oposto. Elas sentavam-se com as pernas juntas e tornavam seus corpos tão pequenos quanto possível. Elas pareciam inseguras quando levantavam as mãos para fazer perguntas.

Como uma cientista social, Cuddy conhecia bem a linguagem corporal. Linguagem corporal é o que a expressão de nosso eu físico comunica aos outros. Mas a professora Cuddy começou a querer saber o que a linguagem individual de nosso próprio corpo comunica a nos mesmos.

Então, ela iniciou uma experiência com a colega Dana Carney, então uma psicóloga social, na Universidade de Columbia. As duas mulheres queriam saber se a linguagem do corpo de uma pessoa afetaria sua química cerebral.

Elas pediram a 42 homens e mulheres, escolhidos ao acaso, para ficarem em posturas confiantes e em posturas não confiantes.  As pesquisadoras não contaram a nenhum dos participantes da experiência que eles estavam sendo testados. As pessoas que estavam no grupo das posturas confiantes mantiveram posturas como colocar os pés sobre uma cadeira, ou as mãos atrás da cabeça, ou esticar os braços para cima, como se vencessem uma corrida.

O grupo das pessoas com posturas não confiantes manteve posturas como sentar em uma cadeira com os braços cruzados e mãos entrelaçadas, ou em pé com braços e pernas firmemente cruzados.

Ambos os grupos mantiveram as poses por dois minutos.  Então Cuddy e Carney testaram os níveis hormonais de suas “cobaias”. A química do cérebro dos dois grupos tinha mudado.

As pesquisadoras descobriram que dois minutos de posturas confiantes baixaram a cortisona, hormônio do estresse, e aumentaram os níveis de testosterona. Também, todos os indivíduos no grupo das posturas confiantes disseram terem se sentido mais poderosos e sob controle, após as posturas. Eles também assumiram mais riscos durante a experiência.

As poses não confiantes fizeram o oposto — elas aumentaram os níveis de cortisona e diminuíram os de testosterona. Estas posturas não confiantes também assumiram menos riscos durante a experiência.

Como estas substâncias químicas afetam o cérebro?

Cortisol demais interfere na memória e aprendizagem. Altos níveis de cortisol aumentam os riscos de depressão e problemas de saúde mental. A testosterona, por outro lado, é o hormônio relacionado à assertividade e confiança.

Cuddy e outra pesquisadora da Universidade de Columbia Andy Yap, co-escreveram o estudo em 2010. Ele foi publicado no jornal Phychological Science. Cuddy e sua colega descobriram que a linguagem e postura corporal podem, temporariamente, mudar a química de seu cérebro.

Cuddy disse que o objetivo dela ao pesquisar esses indivíduos, não era criar machos-alfa, pessoas supercompetitivas. Ela disse que esta pesquisa pode ter uma mudança real e efetiva na vida de as pessoas que se sentem com menos poder — pessoas que estão se curando de alguma doença, enfrentando a perda de um emprego, ou lidando com casos de abuso ou bulling.

Ela acrescentou ainda que qualquer pessoa precisa de altos níveis de confiança — de atletas e artistas a pessoas indo para uma entrevista de emprego — poderão se beneficiar das posturas de poder.


Finja até você se tornar

Cuddy disse que também quer ajudar pessoas que tem os que os psicólogos chamam de “síndrome do impostor”. A “síndrome do impostor” é o sentimento de que você não merece estar onde você está que você logo será descoberto por ser uma fraude, ou... Bem, um impostor.

A síndrome do impostor ela conhece bem.

Aos 19 anos, quando ainda era uma estudante universitária ela sofreu um serio acidente automobilístico. O acidente a deixou com sérios danos cerebrais.

Os médicos a aconselharam a desistir de seus sonhos de conseguir um diploma universitário e escolher outro caminho na vida. Ela disse que sempre foi conhecida por ser uma garota inteligente e uma boa estudante. A nova dificuldade era ouvir.

Finalmente, ela decidiu ficar na faculdade e, mesmo após quatro anos de estudos a mais que os outros alunos, ela finalmente conseguiu seu diploma universitário. Ela queria obter o diploma de mestre na Universidade de Princeton e descobriu uma conselheira que acreditou nela.

Mas Cuddy nunca perdeu o entusiasmo. Ela disse a conselheira que queria desistir. Ela se sentia uma impostora e que não era boa o suficiente para estar em Princeton. A conselheira ordenou que ela voltasse a sala de aula e fingisse. Finja, até você se tornar, foi a expressão usada pela conselheira.

Cuddy continuou “fingindo”, ganhando mais e mais confiança. Ela fingiu até o caminho para a Harvard Bussiness School, onde agora é professora. Então Cuddy simplesmente esqueceu-se de fingir.

Ela esqueceu até o dia em que uma estudante entrou em sua sala e disse que queria desistir.

A estudante disse que ela não pertencia aquele lugar. Cuddy disse a garota “Você pertence, sim” disse a estudante “finja, até você se tornar”, frase que a conselheira dela lhe havia dito anos atrás.

Foi nesse momento que Amy Cuddy percebeu que, finalmente, ela tinha se tornado. Há muito tempo ela não se sentia uma impostora. Ela tinha se tornado a pessoa que queria ser. Ela então mudou a expressão para “finja até que você se torne”.


Amy Cuddy estimula pessoas a dividir informações sobre posturas de poder com qualquer um que necessite tornar-se mais poderoso. É simples, gratuito, e pode mudar sua vida.

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