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Homenagem à velha guarda

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 00:17
Quarta-feira, 01 de abril



A minha postagem de hoje é como uma pausa para um descanso, ou como um cafezinho: rápido e fácil de fazer... Espero que também achem gostoso...

Acho que se o tempo fosse um velocista, ele ganharia todas as maratonas e todas as provas. Deus do céu! Como ele tem passado rápido. Hoje já é primeiro de abril. Semana que vem já é Semana Santa. E assim vamos correndo junto o tempo.

Às vezes me pego perguntando a mim mesmo porque é que o tempo tem corrido tão depressa. Também, de vez em quando, ouço outras pessoas perguntarem-se a mesma coisa. Talvez os moinhos do tempo tenham passado a correr de forma mais acelerada após a revolução industrial. As máquinas obrigaram o homem a trabalhar cada vez mais rápido. Até mesmo atividades rotineiras tiveram que ser desenvolvidas em ritmo mais acelerado.

No tempo dos reis e dos bravos guerreiros da antiguidade, a velocidade do homem dependia em muito da saúde e da raça de seus cavalos. Hoje em dia não. Apareceram os carros velozes, as aeronaves ultramodernas, motos, navios, lanchas… E o ronco dos motores também foi transformando tudo que encontrava pela frente.

Seguiu-se a tudo isso, uma revolução tecnológica que nos deixou ainda mais acelerados. Estamos o tempo todo, de alguma forma, conectados com os quatro cantos do mundo. A internet derrubou barreiras e fronteiras e fez a velocidade da informação correr ainda mais rápido que a mais rápida das aeronaves. Sabemos, em tempo real, tudo o que acontece em qualquer parte do mundo.

E os compromissos? São tantos e tantos. Multiplicaram-se feito coelhos. Tudo isso nos consome bastante tempo, e acabamos tão absorvidos por esse carrossel de atividades diárias, motores e informação, que temos a impressão de que o tempo passou depressa demais. Que a semana passou depressa demais. Que o ano passou depressa demais.

Em todo esse caldeirão, há ainda há a opinião dos cientistas que dizem que a o eixo da terra está girando mais depressa que antes e que o dia tem, realmente, apenas  dezesseis horas, e não vinte e quatro, como costumamos marcar rotineiramente em nossos relógios. Será que a terra enlouqueceu?

Antigamente, não era assim. Até mesmo há algumas décadas, mesmo nas grandes cidades, ainda era possível às crianças, brincarem nas ruas, aos moradores dormirem com as portas sem trancas, e a todos experimentar uma sensação de paz, harmonia e felicidade.

Era o tempo dos chorinhos, quando o trio de choro, chamados regionais, formado por flauta, violão e cavaquinho, abrilhantavam as festas. Os regionais faziam um choro tão gostoso que, ao invés de trazer tristeza, inundava o ar de festa e alegria. Era também o tempo das serestas e das conquista romântica da mulher amada, ou do homem amado, tendo a lua por testemunha. As casas eram modestas, porém, a honestidade era um grande valor.

Porém, tudo isso já ficou para trás, nas estradas do tempo. A nós, o que nos resta a fazer, é olhar por cima do muro e sentir saudades de um tempo no qual nem vivemos, mas no qual tudo se afigurava belo e harmonioso. Quisera Deus que conseguíssemos viver correndo e, ainda assim ter a paz, a harmonia, a felicidade, e o colorido daqueles tempos.

Hoje, compartilho a letra de uma música composta por Paulo César Pinheiro e Sivuca. Bela e docemente interpretada por Clara Nunes, a música chama-se Homenagem à Velha Guarda, e traz na letra e nos elementos sonoros, toda essa nostalgia e, beleza e simplicidade que emoldurou os tempos antigos.


***



Homenagem à Velha Guarda


Um chorinho me traz
Muitas recordações
Quando o som dos regionais
Invadia os salões
E era sempre um clima de festas
Se fazia serestas
Parando nos portões
Quando havia os balcões
Sob a luz da Lua
E a chama dos lampiões à gás
Clareando os serões
Sempre com gentis casais
Como os anfitriões
E era uma gente tão honesta
Em casinhas modestas
Com seus caramanchões
Reunindo os chorões
Era uma flauta de prata
A chorar serenatas, modinhas, canções
Pandeiro, um cavaquinho e dois violões
Um bandolim bonito e um violão sete cordas
Fazendo desenhos nos bordões
Um clarinete suave
E um trombone no grave a arrastar os corações
Piano era o do tempo do Odeon
De vez em quando um sax-tenor
E a abertura do fole imortal do acordeom
Mas já são pra nós
Meras evocações
Tudo já ficou pra trás
Passou nos carrilhões
Quase ninguém se manifesta
Pouca coisa hoje resta
Lembrando os tempos bons
Dessas reuniões...

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