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Sabedoria escondida nas fábulas e letras de canções

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 00:16
Sexta-feira, 13 de março



Na postagem de hoje, resolvi fugir um pouco do factual e compartilhar duas perolas com vocês.

Tu preferes ser ouro ou madeira?

Se me respondeste que preferes ser ouro, eu te digo que, em certos momentos da vida, é preferível ser madeira.

Por quê?

O ouro afunda no mar e a madeira fica por cima.

Preferes ser um frondoso pé de carvalho, ou um simples pé de Junco?

Se respondeste que preferes ser um frondoso pé de carvalho, lembra-te de que uma forte ventania pode arrancar o carvalho pela raiz, enquanto o junco curvando-se ao chão, permanece intacto.

Se levares em conta que ventos fortes e vagalhões, em um universo simbólico, representam os revezes da vida, podeis tirar dessas simples e obvias palavras, grandes conclusões.

E as cobiçadas ostras, então? Não nascem elas do lodo e se tornam pérolas finas, vendidas nas melhores joalherias do mundo todo?

Sendo assim, resolvi deixar-vos para reflexão, uma fábula e a letra de um gostoso samba.

A fábula, de autoria do “Pai das fábulas”, Esopo, — cuja luz brilhou na Grécia Antiga e ilumina o mundo até os dias atuais — chama-se “O Carvalho e os juncos” e a letra da música chama-se “O ouro e a madeira”, composta em 1975, pelo cantor e compositor baiano, Ederaldo Gentil (1947-2012).

Esses dois diferentes tipos de textos me fizeram lembrar as palavras de um profeta, chamado Jesus Cristo que, há dois mil anos atrás, dizia no famoso Sermão da Montanha: “Observem as aves do céu: não semeiam nem colhem nem armazenam em celeiros; contudo, o Pai celestial as alimenta… E ainda, “Vejam como crescem os lírios do campo. Eles não trabalham nem tecem. Contudo, eu lhes digo que nem Salomão, em todo o seu esplendor, vestiu-se como um deles”.

Obviamente, no carrossel capitalista em que rodamos todos nós, o trabalho se faz indispensável. Primeiro porque nos permite nutrir o nosso corpo carnal, satisfazer as necessidades básicas de todo ser humano, comprar bens que se tornaram indispensáveis ao nosso viver a nossa comunicação com o mundo que nos cerca, e também para manter ocupada nossa mente, que não foi acostumada a silenciar, refletir, meditar.


Vamos primeiro à fábula.




O carvalho e o junco

O Carvalho, alto e direito, não queria dobrar-se ao vento, e vendo como Junco se maneava facilmente, aconselhava-o que não se dobrasse.
Respondeu o Junco:
— Tu podes resistir, mas eu não, que não tenho raízes compridas nem sou forte como tu és.
Dizendo isto, levantou-se uma ventania, que arrancou o Carvalho com raízes e tudo; mas o Junco, que se dobrou, ficou em pé.
Moral da história
Mostra bem esta fábula quão sujeitos estão a desastres os soberbos e aqueles que a ninguém querem dobrar-se, e, por outra parte, que segura é a humildade; porque os que sofrem com discrição e obedecem aos tempos, ainda que pareçam juncos fracos, permanecem mais que os soberbos.
***


E agora a letra do samba, divinamente interpretado por grandes nomes da música brasileira, como Beth Carvalho, Jair Rodrigues, Os originais do samba, Neguinho da Beija-flor, dentre outros tantos.





O Ouro E A Madeira
Autor: Ederaldo Gentil
Não queria ser o mar
Me bastava a fonte
Muito menos ser a rosa
Simplesmente o espinho
Não queria ser caminho
Porém o atalho
Muito menos ser a chuva
Apenas o orvalho
Não queria ser o dia
Só a alvorada
Muito menos ser o campo
Me bastava o grão
Não queria ser a vida
Porém o momento
Muito menos ser concerto
Apenas a canção
O ouro afunda no mar
Madeira fica por cima
Ostra nasce do lodo

Gerando pérolas finas.

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