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Sinais de alerta

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 00:30
Terça-feira, 01 de outubro

Imagem: http://www.doisneuronios.com.br/aquecimento-global-e-seus-efeitos/


Foi divulgado na manhã de sexta-feira passada (27), em Estocolmo,capital da Suécia, mais um relatório do IPCC (Painel Intergovernamental Sobre Mudanças Climáticas). Os resultados divulgados não são nada animadores e confirmam uma coisa que vem nos sendo dita há algum tempo: há 95% por cento de certeza de que o homem é o responsável pela média de elevação da temperatura em nosso planeta.

O relatório também confirma dados e fatos que já vinham sendo apontados pelos quatro relatórios anteriores.

A ação do homem sobre o meio ambiente é bastante agressiva e pode ter consequências desastrosas, como as enumeradas abaixo:

1) a água dos mares absorve um terço das emissões de CO2 o que, por sua vez, aumenta-lhes a acidez e, consequentemente, prejudica a vida marinha.

2) A temperatura da superfície do planeta continuará a aumentar. Isso fará com que as ondas de calor sejam mais intensas e tenham maior durabilidade. Em decorrência desse fator as regiões úmidas receberão um volume maior de chuvas, causando inundações e as terras áridas receberão menos chuva, causando o fenômeno das secas. Outra consequência desse aumento de temperatura no planeta é a perda de massa de gelo das camadas polares e glaciais do Ártico e Antártico, fato que provoca a redução da extensão oceânica dessas áreas. Já começa a haver uma migração de ecossistemas terrestres para áreas onde o frio predominava. O relatório destaca ainda que em todo o planeta houve, desde 1950, uma diminuição de dias mais frios e um aumento das noites mais quentes em todo o planeta.

3) O aumento no nível da água dos oceanos, provocada pelo derretimento das geleiras, pode fazer com que cidades litorâneas desapareçam.

Esses são alguns dos fatores a que estamos sujeitos com o mau uso que estamos fazendo do nosso habitat e que são objetos de estudo do Painel.  Quem é esse personagem que, a cada quatro anos, chega nos dizendo aquilo que não queríamos ouvir? Quem é e o que faz esse tal de IPCC?

O Painel Intergovernamental Sobre Mudanças Climáticas, é fruto do trabalho de 259 cientistas e representantes dos governos de governos de 195 países. Foi criado em 1988 pela Organização das Nações Unidas (ONU) em parceria com a Organização Meteorológica Mundial (OMM). A cada quatro anos o Painel divulga os seus Assessment Reports (Relatórios de Avaliação) – os famosos relatórios do IPCC. O primeiro deles foi divulgado em 1990; depois dele vieram os de 1995; 2001; 2007 e o quinto, divulgado na última semana.

A cada quatro anos, como já foi dito acima, os cientistas reúnem milhares de pesquisas envolvendo as mudanças climáticas no planeta. “Lemos milhares de artigos. E digo milhares, mesmo: sete, oito, dez mil trabalhos. Fazemos uma complicação e traçamos as principais tendências apontadas pela comunidade científica. São três os grupos de trabalho: o primeiro, do qual eu faço parte, trata das bases físicas do sistema climático, que servem de sustentação para todo o processo; o segundo estuda impactos, adaptação e vulnerabilidade relacionadas a mudança do clima; e o terceiro se ocupa da mitigação. Cada grupo elabora seu relatório de maneira independente. Há também um grupo de trabalho extra, que é uma força-tarefa encarregada de fazer os inventários de emissões de gases de efeito estufa”, diz o físico brasileiro, Paulo Artaxo, membro do IPCC, em entrevista a revista Ciência Hoje, em setembro de 2012.

Muita gente acaba confundindo o papel que tem o IPCC na comunidade científica. Por divulgarem dados tão complexos as pessoas, de um modo geral, acham que o Painel fabrica ciência, o que não é verdade. Simplificando, o que os cientistas fazem é um trabalho de recolhimento de artigos científicos publicados por revistas  especializadas e, a partir daí, tiram conclusões para embasar os seus relatórios. Ou seja, o que lemos nos relatórios não são projeções do IPCC, mas sim, projeções de toda a comunidade científica.

As indicações para os quadros do painel são feitas pelos governos, porém, quem detém o poder de decisão é o comitê diretor do IPCC: é ele que dá a palavra final. O Painel não se prende apenas as indicações dos governos, elas também podem se dar de forma independente. Quando o relatório é finalizado ele é enviado aos países-membros da ONU para que seja revisado, entretanto, a palavra final é sempre a palavra da ciência.

No Brasil, surgiu nesse mês de setembro uma novidade. Cientistas de todo o país estiveram reunidos em São Paulo para lançar o sumário do primeiro Relatório de Avaliação Nacional do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (PBMC).  O Painel Brasileiro segue as mesmas linhas e tendências do Painel mundial, inclusive com três grupos de trabalho. Apesar do Painel brasileiro não contar com tantos recursos financeiros como os do IPCC, nem de ter a grande quantidade de cientistas daquele órgão é, entretanto, de grande relevância para um detalhamento regional de nossa situação climática.

As mudanças climáticas  estão emitindo sinais que se assemelham a sinais que indicam que a humanidade caminha para a beira de um precipício. Não são poucos os sinais que nos estão sendo enviados. Eles estão a nos dizer: “Homem, é hora de tomar uma atitude. Ainda há tempo de salvar o planeta”.  E a humanidade, como reage em relação a isso? Como se nada estivesse acontecendo. O homem caminha para o abismo como um deus, com seus dias contados, é verdade, sem se dar conta dos sinais.

“Errar é humano. Persistir no erro é burrice”. Diz o ditado popular. Lancemos um olhar sobre os ombros para o passado, um olhar sobre a nossa história enquanto humanidade. O planeta já passou por tantas eras. Houve a Era Glacial, quando a terra era toda coberta de gelo. O clima devia ser terrivelmente frio. A era do gelo passou, restando tão somente muito pouco em relação ao que era antes. Já tivemos também os grandes, enormes dinossauros, tiranossauros e semelhantes andando por essas terras. Pela sua constituição física pareciam indestrutíveis. Esses seres gigantescos também passaram. E a natureza seguiu seu curso.


E o homem? Será que se vê também infinito, indestrutível? Será que não vê que sem condições de vida habitáveis aos seres humanos, passaremos como passaram tantas outras espécies pelo planeta. Será que queremos ser mais uma espécie a passar por aqui e depois, em época longínqua, sermos estudados pelos nossos fósseis por alguma outra espécie que habitará essas terras depois de nós, humanos. Se os governos não tomarem providencias e não adotarem políticas ambientais que reduzam os danos já causados ao planeta, o que será das gerações futuras? Não apenas os governos tem que fazer a sua parte, mas cada um de nós através de pequenas atitudes também podemos ajudar; se não poluirmos os rios e os mares, se lembramos de desligar aquela lâmpada que ficou acesa, a torneira que ficou aberta, se reduzirmos o nosso tempo embaixo do chuveiro, teremos dado nossa pequena contribuição. E nossas pequenas contribuições juntas formarão grandes atitudes. Agindo dessa forma, o nosso planeta terra nos sorrirá e nos agradecerá. Ou será que somos nós a agradecer?

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