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24 de maio: um dia de caos no Brasil

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 00:37

Sexta-feira, 25 de maio


Todos nós sabemos que na condição de seres humanos não somos uma massa vazia, sem funções e sem propósito.  Há em nosso organismo vários sistemas e subsistemas que nos ajudam a viver bem e saudáveis. Do funcionamento eficiente de todo esse conjunto de órgãos, tecidos, e nervos é que depende nossa saúde.
Um desses sistemas que auxiliam essa perfeita máquina criada pela natureza que é o corpo humano é o sistema circulatório formado pelo coração e pelos vasos sanguíneos. Ele é o responsável por distribuir nutrientes e oxigênio pelo corpo inteiro. Basta que haja no funcionamento desse sistema uma peça fora do lugar, como um entupimento nas artérias, por exemplo, para que logo se acenda uma luz vermelha em sinal de perigo.
Pensemos no Brasil como um grande organismo também cheio de sistemas. Nesse sistema circulatório campo e cidade seria o coração. As estradas, rodovias, ruas, e avenidas, os vasos sanguíneos e artérias que distribuem nutrientes e oxigênio por todas as partes desse imenso organismo.
Hoje se acendeu uma luz vermelha no sistema circulatório do país. Sinalizando que alguma coisa não anda bem, e que um exame mais detalhado da situação precisa ser feito. Um remédio precisa ser encontrado para sanar o problema.
Todo esse transtorno ocorre devido a uma paralisação feita pelos caminhoneiros em todo o território nacional. A paralisação começou na segunda-feira (21),inicialmente em apenas 10 estados da federação, e depois atingiu todo o país. A classe já havia ameaçado fazer a greve desde a semana anterior, se o governo federal não atendesse uma série de reivindicações feitas por eles.
O estopim do movimento foi o aumento nos preços do diesel. Na sexta-feira (18), a Petrobras havia anunciado um aumento de 8% nos preços do óleo diesel, e de 1,43% nos preços da gasolina. O quinto reajuste diário seguido no preço dos combustíveis irritou os caminhoneiros.
De acordo com Agência Nacional do Petróleo, do Gás Natural e dos Biocombustíveis (ANP), o preço do óleo diesel já acumula um aumento do 8% nas bombas, e 1,34% nas refinarias. Tudo isso acontece em meio a uma alta internacional no preço do petróleo.
Nesta quinta-feira (24), a paralisação teve seu dia mais crítico desde o seu início, quando, além do campo, as grandes cidades também viveram seu dia de caos.
A corrida aos postos de gasolina foi geral. Todos queriam abastecer seus veículos diante da incerteza do que pode acontecer nos próximos dias. Enormes filas se formaram. Houve confusão e desentendimentos entre os próprios clientes. O transito ficou caótico. Muitos postos fecharam por falta de combustível logo pela manhã. Outros fecharam à tarde.
Em diversas rodovias federais Brasil afora os caminhoneiros fizeram bloqueios e barricadas impedindo a circulação de veículos e aumentando ainda mais a situação caótica. Enormes filas de caminhões se formaram nessas rodovias provocando quilômetros de engarrafamento. Em alguns lugares, quem tentou furar o bloqueio teve pneus furados ou vidros quebrados, ou as duas coisas juntas.
Muito leite foi derramado pelos produtores, alguns porque simplesmente não tinham onde por o leite para que nova ordenha fosse feita. Outros por puro protesto, como foi o caso de agricultores em que derramaram leite em pleno asfalto em Minas Gerais e em Santa Catarina.
Nas grandes cidades a falta de combustíveis afetou a frota de ônibus fazendo com que as empresárias concessionárias do serviço reduzissem os veículos em circulação. Escolas e universidades não funcionaram, e muitos estabelecimentos comerciais, e órgãos do poder judiciário liberaram seus funcionários mais cedo do que o horário normal. Houve abusos por parte de muitos donos de postos que, aproveitando-se da situação de preocupação geral aumentaram em muito o preço da gasolina e do diesel.
Pairando acima desse cheiro de gasolina e diesel ainda há o medo do desabastecimento de produtos, coisa que também já ocorreu em alguns estabelecimentos comerciais. Muita gente correu para os supermercados em busca de mais alimentos para comprar e deixar estocados em casa com medo ou da alta desses produtos ou de que eles venham a faltar nos próximos dias.
O cenário preocupante é mais um tiro no pé do governo de Michel Temer, que tem se mostrado um governo cada vez mais fraco e impopular. O governo era sabedor de que toda essa situação estava para explodir hora ou outra e cruzou os braços. Não buscou soluções para o problema. Talvez não tenha realmente acreditado que os caminhoneiros fossem ter voz tão ativa na roda desse destino.
O pior é que as soluções apresentadas até agora pelo poder público vão de mal a pior, e ainda por cima podem aumentar ainda mais o rombo nos cofres públicos e endividar ainda mais a já tão endividada Petrobras, e o que pior, colocando a já tão abalada credibilidade da estatal deixando-a no vermelho em relação a confiança nos investidores.

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