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Terra, nossa casinha no universo

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 13:16

Domingo, 22 de abril


A respeito da nossa tão querida casinha no universo, a Terra, nosso planeta, disse um samurai, no Século XIV, em um poema a ele atribuído, intitulado, Credo do Samurai:

Credo do Samurai

Eu não tenho pais, faço do céu e da terra meus pais.
Eu não tenho casa, faço do mundo minha casa.
Eu não tenho poder divino, faço da honestidade meu poder divino.
Eu não tenho pretensões, faço da minha disciplina minha pretensão.
Eu não tenho poderes mágicos, faço da personalidade meus poderes mágicos.
Eu não tenho vida ou morte, faço das duas uma, tenho vida e morte.
Eu não tenho visão, faço da luz do trovão a minha visão.
Eu não tenho audição, faço da sensibilidade meus ouvidos.
Eu não tenho língua, faço da prontidão minha língua.
...
Também sobre ela se pronunciou, Alberto Caieiro — um dos pseudônimos de Fernando Pessoa — quando tão belamente versejou na poesia, Da Minha Aldeia:

Da Minha Aldeia

Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo...
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura...
Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.
Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave,
Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe
de todo o céu,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos
nos podem dar,
E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver.

Mais recentemente, escreveram em versos os poetas cantantes, Caetano Veloso, na canção, Terra:

Terra

Quando eu me encontrava preso
Na cela de uma cadeia
Foi que vi pela primeira vez
As tais fotografias
Em que apareces inteira
Porém lá não estavas nua
E sim coberta de nuvens...
Terra! Terra!
Por mais distante
O errante navegante
Quem jamais te esqueceria?...
...

E Guilherme Arantes, na canção, Planeta Água:

Planeta Água

Água que nasce na fonte serena do mundo
E que abre um profundo grotão
Água que faz inocente riacho e deságua na corrente do ribeirão
Águas escuras dos rios que levam a fertilidade ao sertão
Águas que banham aldeias e matam a sede da população
Águas que caem das pedras no véu das cascatas, ronco de trovão
E depois dormem tranquilas no leito dos lagos, no leito dos lagos.
...

Esse blog dá voz a esses poetas que, com suas palavras bem construídas e bem colocadas ajudam a tornar o mundo mais colorido, mais musical, para construir uma justa homenagem a nossa casa em comum no universo.
Hoje, dia 22 de abril, é dia dela, a Terra, nosso planeta. O Dia Mundial da Terra foi um evento criado pelo senador norte-americano e ativista ambiental, Gaylord Nelson. O ato foi um jeito de fazer um protesto contra a poluição da Terra, após constatar as desastrosas consequências de um desastre petrolífero, ocorrido em 1969, em Santa Bárbara Califórnia.
A manifestação conclamada pelo senador mobilizou a sociedade norte-americana, e dela participaram cerca de duas mil universidades, dez mil escolas primárias e secundárias, além de centenas de comunidades. O resultado desse grito de insatisfação foi que o governo norte-americano criou a Agência de Proteção Ambiental, além de leis que protegem o meio ambiente.
Desde aquela insatisfação sentida por Gaylord Nelson, pouca coisa mudou. A verdade é que desastres ambientais continuam acontecendo, no Brasil e no mundo, sem que os responsáveis paguem por esse crime. Pelo menos aqui no Brasil, as grandes empresas, geralmente as responsáveis pelos grandes desastres ambientais, se beneficiam da lentidão da justiça, e tudo fica por isso mesmo. Só não fica por isso mesmo as milhares de vidas prejudicadas pelos atos desastrosos, e também os rios, lagos, oceanos, a fauna, a flora, e as terras atingidas.
A Terra está pedindo socorro, e isso já faz tempo. É como se uma pessoa tivesse sendo levada em direção a um precipício, e os que estão em sua volta, em vez de lhe darem às mãos, a empurram ainda com mais força para a queda inevitável no vazio.
Há vozes a alertar do perigo iminente, mas os grandes líderes fazem ouvidos de mercador, fingem que não ouvem, dão uma de desentendido.

“Em outros declives semelhantes, vimos, com prazer, progressivos indícios de desbravamento, isto é, matas em fogo ou já destruídas, de cujas cinzas começavam a brotar o milho, a mandioca, e o feijão. (...)."
“Pode-se prever que em breve haverá falta até de madeira necessária para as construções se, por meio de uma sensata economia florestal, não se der fim à livre utilização e devastação das matas desta zona”.

Os dois parágrafos entre aspas acima falam de uma realidade que poderia ter sido observada em qualquer lugar do mundo, porém a narrativa refere-se a terras brasileiras. O leitor, a leitora pode até achar que se trata de um quadro atual pela semelhança do que acontece hoje em território brasileiro.
Essas informações, porém não são atuais em seu contexto, apenas em seu conteúdo. Nem tampouco foram observadas por um brasileiro.
As informações em destaque fazem parte de um livro escrito pelo naturalista austríaco, Johann Emanuel Pohi. O livro, intitulado, Viajem no Interior do Brasil, e publicado em 1976 pela editora Itatiaia, relata uma série de viagens feitas pelo naturalista, pelo interior do Brasil, entre os anos de 1818 e 1819. Há quase 200 anos o naturalista austríaco já percebia que o meio ambiente no Brasil não estava sendo bem cuidado, bem tratado. Já pensou se os governantes daquela época lhe tivessem dado ouvidos? Que paraíso tropical nós teríamos?
Observações feitas por Johann Emanuel Pohi, também devem ter sido feitas há muito tempo atrás por outros naturalistas, cientistas e pesquisadores. Também se lhe tivessem sido dados ouvidos aos alertas, estudos, e conselhos, não teríamos as consequências que vemos planeta afora, tais como aumento na temperatura, derretimentos das geleiras, destruição da camada de ozônio, e ameaça da falta de nosso bem mais precioso: a água, problema que já se faz sentir em grande parte do globo terrestre.
As coisas começarão a tomar um rumo diferente quando os homens compreenderem que, seja na África, Ásia, Europa, América, Oceania, ou na Antártida, mesmo vivendo culturas diversas, costumes diversos, dividimos todos e todas a mesma casa comum no universo. Que apesar de sermos diferentes na cor da pele, por dentro, somos todos iguais, com tecidos, órgãos, células, e nervos que repetem, a cada segundo, o mesmo processo, e desempenham as mesmas funções em nossos corpos tão humanos.
É preciso que compreendamos, principalmente, os grandes líderes, que o desabamento de uma casa começa, na maioria das vezes, com uma pequena rachadura que faz ruir toda a estrutura.
Os avisos e alertas foram dados no passado, e estão sendo dados, a cada dia, no presente. E, diante das evidencias de desarmonia climática, será que ainda continuaremos a fazer ouvidos de mercador?
Antes de finalizar, celebremos o 22 de abril também como a data que marca o nascimento de nossa nação. Pois foi em um dia como hoje que as caravelas da esquadra portuguesa, comandada por Pedro Alvares Cabral, aportaram no litoral Sul do atual estado da Bahia. Não diríamos que eles descobriram o Brasil, afinal por aqui já habitavam milhões de indígenas.
Mas, enfim, esses primeiros portugueses, pode-se dizer deles que desembarcaram num paraíso... O resto da história vocês já conhecem.
E assim, lá se vão quinhentos e dezoito anos da chegada dos portugueses, sem contar outros tantos nos quais esta terra era coberta de índios de uma infinidade de tribos.
Salve a Terra! Salve o Brasil! Salve o mundo!


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