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Coisa de cinema

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 01:16
Terça-feira, 06 de março
Quando eu vivia e morria na cidade
Eu não tinha nada, nada a temer
Mas eu tinha medo, medo dessa estrada
Olhe só, veja você
Quando eu vivia e morria na cidade
Eu tinha de tudo, tudo ao meu redor
Mas tudo que eu sentia era que algo me faltava
E à noite eu acordava banhado em suor
(Infinita Highway – Engenheiros do Hawaii)


 Noite de domingo. 4 de março. 21h30min
Aeroporto de Viracopos
Campinas – São Paulo
 O cuidado com a segurança e vigilância no aeroporto é intenso. Mil câmeras de monitoramento espalhadas por todo o local são como olhos vigilantes prontos a denunciar qualquer irregularidade. Se houver algum problema os usuários ainda têm à disposição delegacias de Policia Civil e Federal. Dentro e fora do aeroporto, as equipes de vigilância cumprem seu papel em todo esse esquema. Tudo para que aviões aterrissem e decolem com segurança, cargas cheguem e partam sem sobressaltos aos seus destinos, e que as centenas de pessoas que passam todos os dias pelo aeroporto sintam-se tranquilos.
Todos os atores desse espetáculo estavam a postos, e a noite de domingo corria sem maiores incidentes. Como de costume, os carros da equipe de segurança circulavam pelo local. Na pista do terminal de cargas estava parado um avião da Lufthansa que havia saído do Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo. A aeronave havia feito escala em Viracopos para que pudesse receber mais um lote de carga. A carga transportada nela tinha peso de ouro: cinco milhões de dólares estavam prontos para o embarque. Os dólares seguiriam para Zurique, Suíça , o destino final do voo, entretanto, era Frankfurt, Alemanha. Todo cuidado com a carga era pouco.
Nesse interim, surgiu pela pista uma caminhonete Hilux, com adesivos da segurança do aeroporto. Os homens que faziam o embarque da carga ficaram tranquilos. Devem ter pensado: ainda bem que a equipe de segurança faz o seu trabalho, assim ficamos mais sossegados.
De repente, cinco homens fortemente armados com fuzis, saíram de dentro da caminhonete, renderam os homens que faziam o serviço e, em uma ação cinematográfica, roubaram os malotes com os US$ 5 milhões (R$ 16 milhões).
Os bandidos que, para chegar até a carga, haviam derrubado uma parte do alambrado que fica atrás do aeroporto, mais a frente, derrubaram um portão. No caminho encontraram um carro da equipe de segurança que transportava dois funcionários, e os renderam. Ficaram livres então para seguir para o terminal de cargas sem serem incomodados. Fizeram o ousado assalto e voltaram do mesmo modo, e pelo mesmo caminho pelo qual entraram. A ação dos assaltantes levou seis minutos. Eles, certamente, tinham informações privilegiadas dos horários da carga transportada pela aeronave.  
Há ainda muitos pontos de interrogação acerca do caso, um deles é porque os malotes de dólares estavam fora do avião, quando os bandidos chegaram. A Polícia Federal investiga o caso, mas até agora, não se tem pistas dos criminosos. Outros pontos ainda permanecem obscuros, como por exemplo, de quem era esse dinheiro, e porque ele estava sendo levado em malotes na aeronave, e não através de instituições bancárias. Como diria a letra da música de Zé Ramalho: “Mistérios da Meia-Noite que voam longe, que você nunca, não sabe nunca, se vão se ficam, quem vai quem foi...”


Girando o moinho, mas permanecendo no mesmo eixo...
A quantia roubada pelos assaltantes em Viracopos chama a atenção, porém, o que foi desviado dos cofres públicos brasileiros pelos assaltantes que vestem ternos, fazem e executam leis, supera em muito esse valor...
Por falar nisso, Luís Roberto Barroso, ministro do Supremo Tribunal Federal, determinou a quebra de sigilo bancário do presidente Michel Temer no inquérito que apura o envolvimento dele na edição do Decreto dos Portos, que teria beneficiado empresas do setor portuário.
A assessoria de imprensa do presidente disse que ele pedirá o extrato de suas contas ao Banco Central e que o presidente dará à imprensa total acesso aos documentos, e que o mesmo não tem nenhuma preocupação em relação à informações de sua conta bancária.
Essa é a primeira vez, que um presidente, em pleno exercício do mandato, tem o sigilo de suas contas bancárias quebrado por ordem judicial. O período que compreende a quebra de sigilo de Temer é de janeiro de 2013 a junho de 2017.
Na semana passada, outro ministro do Supremo, Edson Fachin, que é relator da Lava Jato naquela instituição, autorizou a inclusão de Temer como investigado em inquérito que apura repasses de dinheiro da Odebrecht ao MDB, em 2014. Os acertos para o repasse teriam sido feitos em maio de 2014, em um jantar, no Palácio do Jaburu, quando Temer ainda era Vice-Presidente. Nesse inquérito também estão envolvidos os ministros, Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência) e Eliseu Padilha (Casa Civil).
Quanto a essa questão da nomenclatura, em dezembro, o PMDB, em sua convenção nacional, realizada, realizada em dezembro do ano passado, em Brasília, por voto majoritário dos delegados do partido, resolveu trocar o nome da sigla para MDB (Movimento Democrático Brasileiro). Na verdade teria sido bom que não tivessem apenas trocado o nome da sigla, mas também os princípios que norteiam as ações de seus dirigentes, mas isso é coisa mais difícil de se fazer, melhor mudar o nome da sigla mesmo, simples assim.
A inclusão de Temer nesse inquérito foi pedido pela procuradora-geral da República, Raquel Dodge. Ainda no mesmo pedido Fachin atendeu a um pedido da Polícia Federal para que o prazo do inquérito fosse prorrogado.
E agora Temer nem pode mais contar com seu fiel escudeiro, o delegado Fernando Segovia que ocupava o posto de diretor-geral da PF, e cujo decreto de exoneração foi publicado na quinta-feira, 1 de março, no Diário Oficial da União. Sogovia foi designado para o posto de Adido Policial Federal na Embaixada do Brasil em Roma, por três anos. Para o lugar dele foi nomeado Rogério Galloro. A troca foi um dos primeiros atos do ministro da Justiça, Raul Jungmann, e anunciada no dia 27 de fevereiro.

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