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Pegadas na areia na beira do mar da vida

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 00:58
Sexta-feira, 24 de julho



Sob o quente sol das estradas da vida seguem dois homens, cada qual carrega sua cruz. Um tem fé e outro não. Qual a diferença entre a caminhada dos dois se a cruz é a mesma, e ambas tem o mesmo peso? Para aquele que tem fé, se a cruz pesa setenta quilos, ela lhe parecerá que tem sete. Quanto ao que não tem fé, se a cruz tiver os mesmos setenta quilos, ela lhe parecerá que tem setecentos.

A fé é esse diferencial que provoca mudança na vida das pessoas, e as torna mais fortes e dispostas a superar os problemas, e seguir em frente. No horizonte da vida, a fé nos ajuda a ver a paisagem sob uma nova perspectiva, isso ajuda a diminuir a proporção dos problemas, que nada mais são do apenas uma linha riscada na folha em branco que é a vida. Primeiro a gente risca uma linha sobre o papel, depois risca outras e o desenho vai ganhando forma. Nessa forma, vamos colocando luzes e sombras e, quando percebemos, criamos uma forma descomunal, a qual chamamos de problema. Mas fomos nós que criamos aquela forma. Nessas horas, a borracha da fé é de grande utilidade. Devagar, a colocamos na ponta dos dedos e vamos apagando uma linha, depois a outra, e mais outra, quando vemos o monstro sumiu, ou ficou reduzido a apenas uma linha no papel em branco, e podemos recomeçar um novo desenho, mais bonito, mais harmonioso. O segredo é apagar o desenho do monstro devagar, pois se quisermos apagar tudo de uma vez, podemos manchar a folha, e aí fica mais difícil recomeçar outro desenho.

Há também pessoas que se sentam à beira do caminho e ficam a lamentar. Em seu desespero, elas dizem: “Oh, Deus me abandonou” “Não sou digno de ser amado pelo Altíssimo”. Talvez elas não saibam, mas talvez tenha sido naquele momento de desespero, no qual elas pensaram que estava sozinhas, que Deus as colocou nos braços.

Há um poema, famoso poema, que trata desse tema. Quem já não ouviu falar, ou não leu, ou conhece alguém que tenha lido, Pegadas na Areia. O poema tem inspirado e confortado pessoas em todo o mundo. Podemos encontrá-lo estampado em camisetas, marcadores de livros, cartões com mensagens, quadros, transformado em música e inúmeras outras formas. Há quem diga que é de autor desconhecido, mas isso não é bem verdade. Pegadas na Areia foi escrito por uma mulher, chamada, Margaret Fishback Powers, no ano de 1964.

Desde a adolescência, ela já se envolvia em constantes atividades missionárias na igreja, em Quebec, Canadá.

O poema nasceu no Dia de Ação de Graças de 1964.  O namorado, Paul, havia organizado um retiro para jovens da igreja, e Margaret foi junto para auxiliá-lo. O namoro entre os dois era recente, e eles não tinham muitas perspectivas de futuro, mesmo assim, Paul decidiu pedi-la em casamento. Além disso, Paul já havia atravessado experiências desagradáveis com drogas e violência, e ela sempre estivera bem distante desse terrível e sombrio universo.

Os dois resolveram passear pela beira da praia e apreciar a beleza e a  tranquilidade do lugar. Caminharam um pouco e voltaram pelo mesmo lugar por onde tinham ido. Na volta, perceberam que as ondas do mar tinha apagado algumas pegadas, deixando apenas uma delas visível.

Pessimista, Margaret pensou que talvez aquilo fosse um prenúncio de que os sonhos que os dois estavam sonhando juntos seriam levados pelas águas do mar da vida. Paul lhe disse que não. Que aquilo era um sinal de que, mesmo enfrentando turbulências, eles seriam como uma só pessoa a caminhar. E que Deus os tomaria nos braços se tivessem fé e acreditassem nele.

Naquela noite, Margaret, demorou a dormir. Aquelas pegadas na areia, e as palavras de Paul, provocaram nela uma intensa reflexão. Ela então orou. Dessa oração, nasceu o poema, ao qual, primeiramente, ela intitulou, Eu tive um sonho.

Paul achou o poema fenomenal, e resolveu lê-lo para toda a turma de jovens ao final do retiro.

O tempo passou e, à revelia e desconhecimento da própria autora, o poema foi se espalhando, mas sempre era publicado como autor desconhecido. Essa situação perdurou por vinte anos. Em 1983, a autora andava pelas ruas e, para grande surpresa sua, viu o poema que havia escrito em um retiro de jovens, em 1964, estampando em out-door. Voltou para casa que não cabia em si de tanto contentamento.

A partir daí passou a empreender uma luta que durou seis anos, para provar que tinha sido ela quem escrevera aquele poema. A seu favor, havia o testemunho dos jovens que haviam participado do retiro, e que haviam recebido uma cópia. Havia também o registro dele escrito na primeira página de seu álbum de casamento com Paul, no ano de 1965.

E assim, esse mágico poema tem sido fonte de fé e inspiração para milhões de pessoas em todo o mundo. Espero que ele sirva também para você não desanimar em momentos difíceis, quando, na estrada da vida, olhar para trás e perceber que há apenas um par de pegadas na areia: as suas. Não se assuste, nem fique a lamentar-se, lembre-se que é nesse momento de turbulência, que o Supremo Criador, está te carregando nos braços, enxugando tuas lágrimas, e suavizando teu caminhar.

Neste início de dia, ofereço para você, em especial, esse belo poema.

***



Pegadas na areia 

Certa noite eu tive um sonho…

 Sonhei que estava andando na praia com o Senhor, e que, através do céu, passavam cenas de minha vida.

Para cada cena que passava, percebi que eram deixados dois pares de pegadas na areia. Um era o meu e o outro era do Senhor.

Quando a última cena de minha vida passou diante de nós, olhei para trás e notei que muitas vezes no caminho da minha vida havia apenas um par de pegadas na areia.
Percebi também que isso aconteceu nos momentos mais difíceis e angustiantes do meu viver.

Isso me aborreceu deveras e, então perguntei ao Senhor:

— Senhor, Tu me disseste que uma vez que eu resolvesse te seguir, tu andarias sempre comigo, por todo o caminho. Mas notei que durante as maiores dificuldades do meu viver havia na areia dos caminhos da vida, apenas um par de pegadas. Não compreendo por que, nas horas que eu mais necessitava de ti, tu me deixastes? Tu me abandonaste?

E o Senhor respondeu-me:

— Minha preciosa filha. Eu te amo e jamais te deixaria nas horas da tua provação e do teu sofrimento. Quando vistes na areia apenas um par de pegadas, foi exatamente nessas horas, que eu te carreguei em meus braços!

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