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Uma semana pra lá de agitada em Brasília

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 00:04
Quinta-feira, 05 de fevereiro

O meu ideal político é a democracia,
para que todo o homem seja respeitado
como indivíduo e nenhum venerado.”
(Albert Einstein)




No domingo, primeiro dia do mês de fevereiro, a cidade de Brasília esteve agitada. A nata do poder circulava pela cidade, e se concentrava, particularmente, na Câmara e no Senado Federal. Em pauta estava um acontecimento de grande importância, que influenciará diretamente na condução dos destinos da nação. Na alvorada do mês de fevereiro, as duas casas legislativas elegiam seus presidentes, bem como a formação de suas mesas diretoras.

Para começar, temos, respectivamente, na presidência da Câmara e do Senado, o terceiro e o quarto homem na linha sucessória ao poder máximo da nação. Na ausência do Presidente e do Vice-Presidente da República, quem assume o comando do país é o presidente da Câmara e, na impossibilidade deste, o presidente do Senado.

As duas funções são cargos chaves no jogo político, que podem ajudar ou atrapalhar a governabilidade do Presidente da República, no caso em questão, da Presidente da República. O presidente da Câmara pode, por exemplo, arquivar pedidos de impeachment contra a presidente da nação.  O presidente do Senado aprova os nomes indicados para o Supremo Tribunal Federal. Como se vê matérias importantes a serem votadas no plenário dessas casas legislativas passam pelas mãos dessas figuras centrais no processo político brasileiro.

Para a presidência do Senado, foi reeleito o senador Renan Calheiros (PMDB –AL) e na Câmara, a vitória coube a Eduardo Cunha (PMDB-RJ).  A eleição Cunha, em especial, representou uma derrota do governo, pode-se dizer, sem exageros, que foi um desastre. Cunha possui um perfil conservador e, com certeza, fará tudo para impedir que projetos progressistas sejam aprovados. Além disso, ele representa grandes grupos empresariais. Mesmo sendo do partido do vice-presidente, Cunha assume uma atitude de independência em relação ao governo e pode aprovar pautas que desagradem ao Palácio do Planalto, como por exemplo, a aprovação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para apurar denúncias de corrupção na Petrobrás. Projetos como a Reforma Política podem ficar ainda mais difíceis de serem aprovados com todo esse conservadorismo e jogo de interesses.

Outro ponto preocupante é que os dois presidentes, eleitos no último domingo, tem seus nomes citados pelo doleiro Alberto Youssef, na operação Lava Jato. Os dois negam as acusações. Se as denuncias contra os dois se confirmarem e o Ministério Público abrir processo contra eles, os dois serão enfraquecidos e o governo também, uma vez que a oposição poderá se beneficiar da crise e se tornar ainda mais forte.

No Senado, Renan é um representante do que de pior existe na política brasileira, nas palavras de Ricardo Setti, jornalista da Veja. Diz ele em sua coluna no site da revista, referindo-se a Renan: “Representante do que pior existe na política brasileira, um maria-vai-com-as-outras oportunista que já apoiou e/ou participou de governos de todos os tipos e tendências — Sarney, Collor, Itamar, FHC, Lula e Dilma –, alguém que já renunciou ao posto de presidente do Senado para não ser cassado por falta de decoro parlamentar...”

Como se vê, a imensa maioria do povo está muito mal representada. Na Câmara temos um legítimo representante de poderosos grupos empresariais, além disso, citado no esquema de corrupção que desviou dinheiro dos cofres da Petrobras e, no Senado, um político nada honesto, também citado no escândalo da estatal, e capaz de tudo para manter-se no poder. É preciso lembrar também que eles não estão ocupando os cargos de forma ilegal: foi dado a eles um mandato. Em 2010, Renan foi eleito senador pelo estado de Alagoas, com 840.089 votos, e Eduardo Cunha foi eleito ano passado Deputado Federal pelo estado do Rio de Janeiro, com um total de 232.708 votos. Fico me perguntando: “Quem será que votou nesse povo?” Eu, com certeza, não votei. O problema é que todos nós, os que votaram neles e os que não votaram, todos arcam com as consequências.



Em meio a toda essa agitação, tivemos, nesta quarta-feira (04), a saída de Graça Foster da presidência de Petrobrás. Acho que ela já deveria ter saído do cargo desde que começou toda essa onda de escândalos envolvendo a empresa. Porém, por insistência da presidente, Dilma Rousseff, ela foi mantida no cargo. Além de Graça Foster, outros cinco diretores apresentaram renuncia dos cargos. São eles: Almir Guilherme Barbassa, Diretor Financeiro e de Relacionamento com Investidores, José Miranda Formigli, Diretor de Exploração e Produção, José Carlos Cosenza, Diretor de Abastecimento, José Alcides Santoro, Diretor de Gás e Energia e José Antônio de Figueiredo, Diretor de Engenharia, Tecnologia e Materiais.

É estranho que a saída de Graça Foster tenha se dado apenas uma semana ela ter anunciado o balanço do terceiro trimestre de 2014. Os números do balanço, que foi divulgado com dois cerca de dois meses de atraso, mostram que a Petrobrás teve um lucro líquido de R$ 3,087 bilhões, amargando uma queda de 38% em relação ao trimestre anterior. A empresa já havia adiado o anuncio desse balanço por duas vezes, para ajustar as perdas advindas das denuncias de corrupção, entretanto o balanço divulgado na semana passada veio sem esses números. O fato de esconder esses dados repercutiu mal nos mercados e as ações da estatal tiveram forte queda. Ainda assim, a presidência da estatal avaliou que os prejuízos da empresa envolvendo os escândalos de corrupção podem chegar a 88,6 bilhões. Graça Foster foi mais além, falando aos investidores, através de teleconferência ela disse: “Se tivermos mais depoimentos em que surjam outras empresas, nós temos que buscar abrir mais esse número, esse número cresce”.

A divulgação desses resultados e os comentários de Graça Foster desagradaram a presidente Dilma, que teria criticado duramente os cálculos apresentados. Gerou-se uma crise entre o Palácio do Planalto e a direção da estatal. Para o governo, os números estariam em desacordo com a análise de consultores que apresentaram lucros bilionários. É estranho que esses mesmos consultores independentes, apesar de terem atestado lucro no balanço da companhia, não quiseram assinar o balanço. O resultado do mal estar gerado por essa confusão, vimos ontem com a saída de Graça Foster.


Nas redes sociais, Aécio Neves, comentou o assunto dizendo que neste governo, falar a verdade não faz bem: “O curioso na saída de Graça Foster da presidência da Petrobras é que depois de mais de um ano fazendo de tudo para proteger a presidente da República, sua amiga Dilma Rousseff, a presidente Graça Foster resolveu falar a verdade e, há poucos dias, admitiu no balanço da empresa uma perda de ativos de mais de R$88 bilhões. No mesmo momento, admitiu um prejuízo de mais de R$ 2,5 bilhões pelo início das obras feitas irresponsavelmente nas refinarias do Ceará e do Maranhão. Falar a verdade não faz bem a ninguém neste governo", disse ele.

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