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Entrevista do novo presidente da Petrobras ao Jornal Nacional

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 19:51
Quarta-feira, 11 de fevereiro 

Após uma busca desesperada por um novo presidente da Petrobrás, ele, finalmente, foi escolhido na quarta-feira (4). A princípio o mercado reagiu negativamente a escolha do nome de Aldemir Bendini para comandar uma das maiores  empresas do mundo. O receio era de que ele tivesse sido colocado na direção da empresa apenas por conveniência do governo, para ser mais claro, para manter as coisas do jeito que estão, sem muitas perspectivas de mudança.

Para assumir a Petrobrás, Bendini deixou a presidência do Banco do Brasil, cargo do qual herdou uma polpuda aposentadoria, que será calculada com base no salário mensal de R$ 62.400. Essa aposentadoria, chamada de “aposentadoria cheia”, criada na própria gestão de Bendine. A Associação Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil (ANABB) considera indevida essa aposentadoria, pois à ela se somam benefícios como férias e vale-alimentação. Segundo Fernando Amaral, vice-presidente da Associação: “Eles não poderiam fazer a contribuição sobre seus honorários brutos porque contêm o empilhamento de verbas de benefícios que o plano não admite. Esses valores são considerados no cálculo das aposentadorias, o que não é permitido para os demais funcionários”.

Ontem, Bendine falou ao Jornal Nacional, em entrevista ao repórter, Paulo Renato Soares, não sobre esse assunto da aposentadoria indevida, mas sobre as perspectivas à frente da Petrobrás.

Abaixo, compartilho com vocês essa entrevista.

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Novo presidente da Petrobras fala em entrevista exclusiva ao JN

Aldemir Bendine falou, em entrevista exclusiva ao repórter Paulo Renato Soares, em transparência e em recuperar a credibilidade da empresa.

O novo presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, deu nesta terça-feira (10) uma entrevista exclusiva ao Jornal Nacional. Ao repórter Paulo Renato Soares, ele falou em transparência e em recuperar a credibilidade da empresa.

Jornal Nacional: O senhor acaba de assumir uma das maiores empresas do mundo, com sérios problemas econômicos: perda de valor de mercado, grande endividamento, falta de recursos para investir já em projetos aprovados e segundo analistas com um grau elevado de ingerência do governo. Como é que o senhor pretende enfrentar essas questões e resolver esses problemas?

Aldemir Bendine, presidente da Petrobras: Por etapas. Primeiro, o mais importante na companhia, neste momento, é justamente a sua gestão de caixa e a sua gestão financeira. O endividamento não é tão elevado quanto se parece, dada a capacidade de geração de resultados da Petrobras. É natural que nós vamos ter que fazer um esforço em relação a essa captação. Então, sob esse aspecto, eu me sinto muito tranquilo até pela experiência adquirida nesse tipo de gestão. Do ponto de vista de ingerência, se eu for usar o exemplo da onde eu estou vindo agora: seis anos de presidência de um banco, que também era uma sociedade de economia mista, eu me senti muito confortável nesse período. Pois eu tive total liberdade e autonomia para trabalhar, e é o que me foi também confidenciado pelo Conselho de Administração.

Jornal Nacional: A Petrobras é uma empresa de capital aberto, com milhares de acionistas, mas com controle do governo. Analistas do mercado dizem que uma administração mais independente do governo seria mais recomendável, para que a Petrobras pudesse ter melhores resultados. A sua indicação sugere o movimento oposto, né? O senhor já falou disso do Banco do Brasil. O senhor acertou previamente com a presidente Dilma que a Petrobras deve ter liberdade para tomar suas próprias decisões?

Aldemir Bendine: O Conselho de Administração me fazer o convite, me deu total autonomia e liberdade na gestão da companhia. Em relação à questão do preço, eu acho que isso é uma coisa muito bem definida, a definição de preço. A Petrobras nunca vai se sujeitar à volatilidade do mercado internacional seja para cima, seja para baixo. O que a Petrobras faz no momento da sua definição de preço é uma visão, um cenário de longo prazo.

Jornal Nacional: O histórico mostra que o preço da gasolina foi usado para ajudar a política anti-inflacionária. O senhor tem conhecimento disso, né? O senhor acha que hoje a Petrobras teria mais liberdade de praticar os seus preços?

Aldemir Bendine: Não tenho dúvida nenhuma disso.

Jornal Nacional: Como é que o senhor pretende resolver o problema do custo da corrupção no balanço da empresa? O senhor vai reavaliar contrato por contrato para lançar o valor real dos ativos?

Aldemir Bendine: Nós estamos aí reavaliando uma série de ativos e as metodologias empregadas. A gente há de separar e a gente precisa deixar isso muito bem claro, que esse balanço vai refletir a situação atual da empresa em 2014. Ela pode estar sendo influenciada, sim, por conta da corrupção, mas também por outras variáveis como preço do commodities, enfim, uma série de variáveis que estarão apontando também o real valor desses ativos.

Jornal Nacional: Por causa da corrupção a imagem da Petrobras está muito comprometida, né? Vista hoje como uma empresa bastante envolvida com a corrupção. Como é que o senhor pretende reverter essa situação?

Aldemir Bendine: O quadro técnico da empresa é o melhor quadro técnico do mundo neste setor. São pessoas extremamente engajadas que eu não tenho dúvida que darão uma resposta à altura. A Petrobras não vai parar. Ela não vai entrar em marcha a ré. Ela vai continuar trabalhando efetivamente. Estamos aguardando e colaborando com as investigações necessárias e isso vai nos ajudar muito em algo que eu também tenho muita experiência, que é aprimorar o modelo de governança aqui da companhia para se evitar erros, no futuro, como esses que aconteceram.

Jornal Nacional: O senhor está falando mais especificamente do quê?

Aldemir Bendine: Principalmente o modelo de decisões, o modelo de alçadas, tudo isso que diz respeito a uma boa governança. Fazer uma sinergia, uma interação entre todas as diretorias, dar um processo ágil para a empresa, mas com muito mais segurança.

Jornal Nacional: Eu queria voltar um pouco na questão da corrupção do balanço. Como é que o senhor pretende chegar a esse número? Se falou neste número de R$ 88 bilhões, mas que envolvia superavaliação de ativos, mas também a corrupção. Esse número para o senhor significa alguma coisa? Como o senhor pretende chegar a um número?

Aldemir Bendine: Não. Esse número não é um indicativo. Isso é um trabalho sendo feito com empresas que estão fazendo avaliações desses ativos. Isso vai ter que ser certificado depois, inclusive pela auditoria externa. O que nós estamos discutindo neste momento são as métricas, são a forma a ser utilizada na apuração disso. Com certeza nós teremos uma baixa de ativos até porque nós também estamos fazendo uma correção do passado. Então nós queremos em 2014 um valor justo e que mostre com muita clareza e transparência qual é o número da companhia no momento.

Jornal Nacional: O senhor acha que com isso não vai ter problema com auditoria. Os auditores assinarão este balanço da companhia?

Aldemir Bendine: Eu não tenho dúvida que a gente garantindo a credibilidade das informações prestadas, a auditoria já se manifestou, inclusive vai estar nos acompanhando, no dia a dia, para certificar essa metodologia a ser utilizada.

Jornal Nacional: O mercado não recebeu bem a sua nomeação, pelo menos nos primeiros dias, porque o senhor fez carreira em um banco público e não teria sido testado em um ambiente de concorrência. O que o senhor tem a dizer sobre essa percepção?

Aldemir Bendine: Bom, primeiro que o Banco do Brasil, ele é um banco sociedade de economia mista. Então ele, efetivamente, trabalha muito pesadamente na concorrência e nesses seis anos nós tivemos a oportunidade de fazer uma gestão que triplicou os ativos do banco e dobrou o seu resultado. Então eu acho que eu sou muito testado em relação a mercado.

Jornal Nacional: Logo após sua nomeação, o Tribunal de Contas da União e a Polícia Federal decidiram investigar empréstimo concedido pelo Banco do Brasil, sob o seu comando, à empresa Torke Empreendimentos e Participações. Essa empresa, ligada a uma amiga sua, teria sido favorecida com a dispensa de formalidades exigidas pelo banco. Como é que o senhor responde a isso?

Aldemir Bendine: Bom, primeiro que são denúncias antigas e denúncias vazias, o que é muito comum quando você está à frente de um cargo público. Todas as informações foram prestadas e quem conhece minimamente o processo de decisão do Banco do Brasil, sabe que seria impossível um tipo de concessão que não tivesse dentro da norma. O banco já prestou os devidos esclarecimentos, inclusive isso já foi avaliado por mais de dez órgãos reguladores e fiscalizadores e com tranquilidade acho que o banco está lá à vontade e à disposição para prestar mais esclarecimentos, se eles forem perguntados.

Jornal Nacional: O que o senhor diria hoje aos pequenos acionistas?


Aldemir Bendine: Que continuem a acreditar na companhia. Eu acho que essa companhia é uma companhia que é motivo de orgulho para toda sociedade brasileira. Ela está passando por um momento de dificuldade onde ela é a maior prejudicada. Mas passado a limpo essa situação, que as autoridades brasileiras darão uma determinação, eu não tenho dúvida que, a partir desse momento, a companhia está olhando para o futuro. Ela tem uma capacidade enorme de geração de valores para os acionistas, seja grande ou seja pequeno, e para a sociedade brasileira. Eu não tenho dúvida, o quadro da Petrobras está muito engajado nesse momento para mostrar o real valor da empresa.

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