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Brasil político: um barco à deriva

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 01:26
Domingo, 15 de outubro


Antes de irmos para os caminhos tortos da política, lembremos que na madrugada deste sábado para domingo, começou o horário de verão. Portanto não esqueça de adiantar o seu relógio em uma hora, se você mora nos seguintes estados brasileiros da regiões Sul, Sudeste e Centro Oeste; São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal. O horário de verão vigora até 18 de fevereiro de 2018.
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Quando se pensa na atual conjuntura política brasileira não se pode deixar de refletir sobre o quão atrasados, não em termos das bases estruturais da democracia, nem sobre o funcionamento das instituições. Vivemos em país democrático é verdade. Nele, os órgãos institucionais governamentais, bem ou mal, funcionam e exercem seu papel dentro da máquina burocrática. As liberdades dos cidadãos não são tolhidas como em muitos outros países.
Não se questiona o sistema democrático brasileiro, mas a qualidade dos líderes que o compõem. De repente, descobrimos que dentro do mais profundo das máquinas que regem o nosso regime democrático, instalaram-se políticos que não usam mais o dialogo com a sociedade e com suas bases para fazer política, mas sim, que dentro desse valioso maquinário democrático, instalaram-se pessoas dispostas a retirar dos cofres públicos até o último níquel para satisfazer suas necessidades mesquinhas.
No atual cenário político, se pudéssemos comparar a política a uma empresa, teríamos uma empresa a beira da falência, agonizando, por causa da ingerência, e de pessoas que, simplesmente, não sabem mais o que é o fazer política, e, por causa dessa gente que apenas sabe fazer negociata, é preciso repensar toda uma estrutura. Mas esse repensar toda uma estrutura não pode se dar apenas dentro das quatro paredes do Congresso Nacional, pois lá, se há pessoas interessadas em que o Brasil seja passado à limpo, essas são pouquíssimas.
A maioria dos políticos que lá estão apenas preocupam-se com três coisas: salvar a própria pele, salvar a pele dos companheiros de negociatas escusas, e preservar os privilégios obtidos através dessa nefasta rede de propinas que costura os bastidores do jogo sujo da política.
O repensar uma mudança no Brasil deveria passar por um diálogo com toda a sociedade. Coisa que não tem sido feito. O povo tem sido, claramente, deixado de lado na aprovação de grandes reformas que lhes afetam diretamente.
Isso apenas mostra que há em nossa sociedade um grande divórcio entre as instituições e a sociedade. Os nossos legisladores não legislam para a sociedade. Os nossos governos não governam para o povo.
Isso é o que nos mostra o desenrolar das investigações da Lava Jato. Mostram-nos essas investigações que há sim uma parcela ínfima da população que é beneficiada por aqueles que fazem as leis em nosso país, e é justamente, a parcela mais abastada dentre o povo brasileiro, a que detém a maior fatia do bolo, a que merece mais atenção dos nossos políticos.
Tem-nos mostrado as investigações que a Câmara dos Deputados, bem como Senado Federal tem se tornado verdadeiros balcões de negócios do crime, no qual se vendem leis e medidas provisórias para as grandes corporações empresariais em troca de abastecer o caixa dos partidos e o bolso de seus integrantes com gordas propinas. Como diz o grande cacique desse mundo empresarial desonesto, Emílio Odebrecht, o empresariado brasileiro não sabe o que é de fato uma concorrência honesta, e quando eles queriam que eles aprendessem o de fato isso significava, enviavam seus subordinados ao exterior. É triste constatar isso, mas foram palavras que saíram da boca do empresário em delação premiada.
O atual presidente Michel Temer, conseguiu barrar a primeira denúncia contra ele na Câmara dos Deputados, à custa de muito dinheiro, e não se dúvida nada que consiga barrar também a segunda. Se os atores são os mesmos, se os nada republicanos métodos usados pela presidência da República são os mesmos, então é de se esperar que o resultado seja o mesmo: mais uma denuncia contra o presidente, arquivada.
Se Dilma não tinha dialogo com o Congresso, Temer ao contrário, tem um dialogo intenso com a referida instituição. São reuniões e mais reuniões, encontros às escondidas, distribuição de rios de dinheiro, principalmente quando se trata de defender os próprios interesses.
Porém, falta a Temer um dialogo com a sociedade. O nosso presidente não dialoga com os setores sociais, ele impõe. Impõe reformas, impõe medidas, e por aí vai. Talvez a noção que o presidente tem de pátria brasileira seja apenas sua cozinha em Brasília na qual são formados os conchavos que deixariam ruborizados até mesmo os grandes mestres na arte da propina.
Resumindo, o cenário político atual é devastador. Devastador pela falta de lideranças comprometidas de verdade com a nação brasileira. Como diria o poeta Cazuza, na canção, Ideologia: “meus heróis morreram de overdose, meus inimigos estão no poder”.
O problema quando não tem se referencias de comando é, num ato de revolta, acabar caindo em uma enrascada maior ainda. Por exemplo, em um possível cenário para a corrida presidencial em 2018, despontam como líderes Lula — mesmo apesar de sua condenação pelo Juiz Sérgio Moro, a nove anos e seis meses de prisão — e Bolsonaro em respectivos primeiro e segundo lugar nas pesquisas eleitorais. Ora senhores e senhoras, Lula e Bolsonaro, não são alternativa, são ameaças.
A respeito do primeiro a intenção subliminar é esconder-se no manto da justiça para escapar dos crimes dos quais é acusado. E, quanto ao segundo, com suas ideias revolucionárias, sabe lá o que pode acontecer se ele chega ao poder.
Vamos ao Aécio. O senador afastado, Aécio Neves. O senado julga na próxima terça-feira, 17 o afastamento do senador. No dia 26 de setembro, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu afastar novamente o senador por três votos a 2. Esse mesmo STF, depois de muita polêmica, decidiu na quarta-feira (11), que é do Legislativo a palavra final sobre a suspensão de mandato de parlamentares pelo Judiciário.
Os ministros entenderam que as medidas cautelares contra parlamentares podem ser adotadas, mas a maioria decidiu que essas medidas só podem se tornar efetivas com o aval da Câmara ou do Senado.
O Senado articulava uma votação sigilosa para apreciar o caso de Aécio Neves. Porém, a Justiça Federal de Brasília determinou que fosse proibido fazer votação secreta no caso de Aécio. A decisão do juiz Márcio Luiz Coelho de Freitas se apoia no argumento de que a votação secreta seria danosa à moralidade administrativa.
Agora é aguardar e ver como se comportam os senadores nessa votação. Pela movimentação dos últimos dias a intenção deles é a de salvar o mandato do senador. Aécio Neves é acusado de pedir e receber R$ 2 milhões da JBS para pagar sua defesa na Lava Jato.
Um depoimento que também teve grande repercussão para fechar a semana, foi o do doleiro Lúcio Funaro. Funaro cita o nome de parlamentares do PMDB no esquema de corrupção, e do próprio presidente Michel Temer. São muitas histórias de corrupção contadas pelo doleiro em mais de 13 horas de gravação. Lúcio Funaro, era para o PMDB o que Marcos Valério era para o PT: o operador de um esquema criminoso e fraudulento.
Funaro cita nomes que são muito próximos do presidente Michel Temer, como o ex-deputado, Eduardo Cunha, e os ex-ministros Henrique Eduardo Alves e Geddel Vieira Lima.
Na delação o doleiro fala ainda da propina paga ao atual presidente Michel Temer, do esquema de propina montado na Caixa Econômica Federal pelo grupo do PMBD, da atuação coordenada de Eduardo Cunha como intermediário no mundo dos negócios ilícitos, e da compra de parlamentares para aprovar leis que beneficiassem empresas.
E assim vai se desenvolvendo o governo Temer, um governo que ainda não governou de fato, e apenas vive de se defender das acusações que o jogam diretamente no mar de lama da corrupção.

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