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Repensando caminhos para um mundo de paz

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 01:07
Domingo, 08 de outubro

Ascolta il tuo cuore se batte,
guarda dove corri e fermati,
Ascolta il dolore del mondo
Siamo persi per la via
Orfani di vita
Macchine da guerra
Ma perché?
(Macchine da Guerra – Andrea Bocelli)

Por hoje, fujamos um pouco do mundo cão da política, e falemos um pouco de paz. Creio que os acontecimentos violentos dos últimos dias, no Brasil, e no exterior, nos inspirem a isso.

O texto abaixo é inspirado em três canções: Sunshine on My Shoulders, Macchine da Guerra, e Heal The World, interpretadas respectivamente por: John Denver, Andrea Bocelli, e Michael Jackson.

É um texto que não se pretende longo, mas que pretende dizer algo e espero que diga.

***



Repensando caminhos para um mundo de paz

Coisa maravilhosa é sair pelas ruas dos campos ou das cidades em dia radiante de sol, e sentir o brilho do astro rei sobre os nossos ombros. Incidindo sobre os olhos o brilho ofuscante do sol nos faz chorar. Incidindo sobre as águas é puro balé da natureza. Fazendo-nos chorar ou sorri com o seu espetáculo sobre as águas, o brilho radiante do sol nos faz sentir vivos.

Deveríamos acordar todos os dias e ter a sensação de que estaríamos sempre experimentado a maravilha de olhar o mundo pela primeira vez, pois a primeira vez sempre nos encanta, nos extasia. Depois vamos nos acostumando às coisas e tudo passa a ser rotina e o que era extraordinariamente belo se torna coisa corriqueira.

Assim como deveríamos renovar, dia a dia, nosso olhar sobre o mundo, deveríamos remoçar nosso olhar sobre o amor, sobre o homem amado, sobre a mulher amada, sobre os filhos, sobre os ideais. Amor que se torna rotina acaba morrendo como flor que seca no jardim a espera de uma gota d’água que lhe torne de novo resplendorosa.

Afora, os acidentes naturais que nos pegam de surpresa, como os furacões e tempestades, o mundo sempre foi belo e continua sendo — mesmo e apesar da ação danosa do homem sobre o clima. O sol continua se levantando no leste e se deitando no oeste. Isso há séculos. Por certo que ele está um pouco tórrido, também devido aos efeitos climáticos. É como se o homem com sua falta de bom senso continuasse, ano após ano, cutucando, provocando, o astro rei. E se ele se zanga, como tem dado mostras de que está ficando zangado, aborrecido, então, por certo, jogará suas flechas de fogo sobre a terra e... era uma vez um planeta.

Assim com o sol, assim também com a lua e seu séquito de estrelas. Ela continua servindo de inspiração para os poetas e trovadores. Solta e leve no ar como uma pluma dourada ela nos olha, nos espia, de longe, suspira por nós, ou será que nos implora para que façamos algo para salvar o planeta?

Guerras sempre existiram. O mal sempre existiu. Assim como também sempre existiram a paz e o bem. Talvez um dia o mundo já tenha sido um jardim do Éden, no qual tudo funcionava em plena paz e harmonia, mas estes dias parecem muito longínquos e distante. A serpente parece ter enganado o homem com o veneno do poder e lhe disse que ele poderia ser maior que Deus. E o que é pior é que o homem parece ter acreditado nisso, e, talvez, quem sabe, esse tenha sido a derrocada do paraíso.

E, como um Deus desastrado, às avessas, o homem criou armas para destruir e remédios para curar. Criou aviões para encurtar as distâncias e fez, desses mesmos aviões, armas de matar uns aos outros. Em um mesmo ambiente, e no mesmo plano ergueu castelos e favelas, mostrando um imenso desnível social, e o chão que está desnivelado, desequilibrado está, e onde há desequilíbrio falta harmonia, e onde falta a harmonia impera a inquietação, a angústia, o desespero, e a violência.

Misturado a tudo isso veio a correria dos tempos modernos. Como uma máquina o homem corre para cá e para lá o dia inteiro, o mês inteiro, o ano inteiro. Tornou-se peça de um sistema que não o deixa parar. Se parar, torna-se peça gasta e tendente a ser excluída do funcionamento da grande máquina capitalista.

Sem tempo para nada mais nada, imerso no trabalho, nos estudos, nos Whats e Faces, o homem se esqueceu de que é homem, humano, natural, finito. Esqueceu de que há um sol que nasce todos os dias para iluminar-lhe, e depois se despede para que venha a noite para lhe dar descanso. Esqueceu-se de olhar para o céu imenso e contemplar a beleza dos astros e estrelas que luzem em galáxias distantes, mas que parecem tão próximas.

E o que é pior, esquecendo de olhar a natureza, o ser humano esqueceu-se de olhar para o outro, seu semelhante, e reconhecer nele um igual. E esquecendo-se de que o outro é um semelhante, um igual, tornou-se máquina de guerra.

Tendo se tornado máquina de guerra, instalou-se na raça humana, uma grande confusão dentro, e ao redor de nós. Talvez a confusão não seja culpa nem minha nem sua, nem deste ou daquele, mas ela se instalou de tal que forma que deu um nó nas relações sociais que está difícil de desatar.

Fragilizadas as relações interpessoais é como se caminhássemos como nossos pés descalços sobre vidros quebrados, esfacelados, ou ainda que nos tocássemos uns aos outros com mãos sujas.

É como se a sociedade fosse uma grande casa de máquinas com as peças desgastadas. Os costumes estão danificados, fragilizados, para onde quer que se olhe vê-se um rio do corrupção correndo livre e abundantemente, em todos os setores sociais: na política, na polícia, nos hospitais, nas escolas, na igreja. Não escapa nenhuma instituição, pois cada instituição é formada por homens e mulheres nem sempre de boa vontade. Com as instituições fragilizadas, todo gesto, até mesmo os de solidariedade parecem fracos, vagos, dissociados de seu real objetivo.

Não podemos caminhar assim, à mercê da própria sorte, e sendo joguetes dos fatos e acontecimentos diários. Devemos escutar nosso coração e fazer um esforço maior ainda para ouvir o coração do outro que caminha ao nosso lado. Ele está batendo? O sangue que bombeia é sangue ou veneno? Temos de nos encontrar urgentemente enquanto raça humana. Não podemos caminhar por aí como se fossemos órfãos de vida, propensos a nos tornar máquinas de guerra.

O mundo está parecendo um ancião velho e doente para o qual é preciso urgentemente um remédio eficaz que lhe traga a cura. Assim como também é preciso procurar com afinco a fonte da juventude que lhe traga rejuvenescimento.

O mundo está assim, mas o mundo não passará, bem ou mal ele permanecerá, nós é que passamos. E por isso, é preciso buscar uma cura para nós mesmo, uma fonte de rejuvenescimento para nossos pensamentos envelhecidos e retorcidos pelo preconceito e pela falta de bom senso. É preciso abrir um pequeno espaço, não precisa ser muito grande, mas o suficiente para plantar dentro dele as sementes do amor e da paz. Isso se você se importa com mundo. Isso se você não quiser naufragar no meio da confusão moderna.

Não podemos ter medo de nadar contra a corrente, de parecer diferente ao afirmar que queremos viver em um mundo de paz. Paz não é utopia como muitos pensam e defendem em suas teorias filosóficas, pois paz é um sentimento que brota de cada coração, e quando os corações se juntam em um mesmo sentimento nobre tornam-se como chuva fininha a irrigar o solo e deixá-lo pronto para produzir alimentos da melhor qualidade.

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