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Assassinato em Nova York

Posted by Cottidianos on 00:12
Sexta-feira, 05 de dezembro


“Vida de negro é difícil, é difícil como o quê
Vida de negro é difícil, é difícil como o quê
Meu amor, eu vou-me embora, nessa terra vou morrer
Um dia não vou mais ver, nunca mais eu vou te ver”

(Vida de negro – Dorival Caymmi)



Assim como em Ferguson, assim em Nova York.

Mais uma vez o grande juri resolveu inocentar o policial branco que assassinou um negro nas ruas de Nova York. Uso a palavra “assassinato”, pois não consigo encontrar outra palavra adequada após ter visto as imagens que rodaram o mundo, mostrando o policial, Daniel Pantaleo, aplicando uma gravata em Eric Garnier, enquanto este diz, por várias vezes, que não estava conseguindo respirar. Daniel estava acompanhado por outros policiais que tentavam prender Eric. O grupo suspeitava que a vítima estava vendendo cigarros ilegalmente em Staten Island. O caso provocou uma onda de revolta em Nova York, nesta quarta-feira (03), aumentando o clima de tensão racial iniciado em Ferguson com a decisão do juri de inocentar o policial branco, Darren Wilson, acusado de matar o jovem negro, Michael Brown.

Abaixo, compartilho materia publicada no site do jornal El Pais/Brasil

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Júri de Nova York inocenta policial acusado de matar negro

Eric Garner, de 43 anos, morreu asfixiado depois de ter sido estrangulado por um agente

A indignação tomou conta das ruas de Nova York na quarta-feira, depois que um grande júri de Staten Island decidiu não indiciar Daniel Pantaleo, o policial de 29 anos que matou em julho Eric Garner, 43, com uma gravata, uma prática proibida em detenções nas ruas. A decisão provocou uma onda de manifestações em vários pontos da cidade. As autoridades temem focos de violência semelhantes aos ocorridos há menos de uma semana em Ferguson (Missouri), quando outro grande júri absolveu o agente Darren Wilson, de 28 anos, pela morte a tiros do adolescente negro Michael Brown.

O caso não termina com a decisão em Staten Island. O promotor-geral, Eric Holder, anunciou que seu departamento investigará o caso de Garner como uma possível violação de seus direitos civis. “Nossos promotores vão realizar uma investigação independente, exaustiva, justa e rápida”, declarou. Além disso, o departamento de assuntos internos da polícia de Nova York tem uma investigação em aberto. Os familiares de Garner também podem entrar com uma ação civil.

Apesar disso, a notícia provocou uma avalanche de protestos entre a classe política e os cidadãos, veiculados através das redes sociais. Pouco depois da decisão do júri, centenas de pessoas se reuniram em lugares como Times Square, Union Square e Rockefeller Center, onde era realizada a tradicional iluminação da árvore de Natal. “Não posso respirar”, o fatídico apelo pronunciado por Garner antes de morrer, foi o slogan mais repetido. Houve pessoas detidas que tentaram derrubar as barreiras da polícia. Na estação de trens Grand Central, um grupo de pessoas deitou pacificamente no chão. Mais tarde, no começo da noite, centenas de manifestantes ocuparam a rodovia à margem do rio Hudson, no oeste de Manhattan, o que levou a mais prisões.

O presidente Barack Obama expressou sua contrariedade durante um evento realizado com líderes indígenas na Casa Branca: “Quando alguém não é tratado com igualdade pela Justiça, este país tem um problema e eu, como presidente, tenho o dever de resolvê-lo”. O líder democrata não entrou na questão sobre os detalhes da morte de Garner, mas afirmou que existem “várias ocasiões em que os cidadãos não confiam que todas as pessoas estão sendo tratadas com igualdade”.

O prefeito de Nova York, Bill de Blasio, consciente da gravidade da situação, cancelou sua presença na festa com milhares de pessoas no Rockefeller Center, em Manhattan, e se dirigiu a Staten Island para se reunir com políticos eleitos, representantes de organizações da sociedade civil, líderes religiosos e ativistas em uma tentativa de acalmar os ânimos e evitar uma onda de violência como a registrada em Missouri. Em um evento pela manhã, durante a apresentação das novas câmeras que serão carregadas pelos policiais da cidade, De Blasio demonstrou respeito em relação à possibilidade de as pessoas se manifestarem depois da decisão do grande júri, mas expressou sua confiança de que tais protestos seriam pacíficos.

À noite, em Staten Island, o prefeito destacou: “Há muita dor e frustração neste lugar esta noite. Ao mesmo tempo, há muitos sentimentos bons. Este é um dia muito emotivo para a família de Garner e todos os nova-iorquinos. Sua morte foi uma tragédia terrível que nenhuma família deveria ter que suportar. A morte de Eric Garner põe foco nas relações entre a polícia e a comunidade, e os direitos civis, problemas críticos enfrentados por nossa nação”, declarou o prefeito. “A decisão do grande júri não é a que muitos em nossa cidade queriam, mas Nova York possui a tradição de expressar-se por meio do protesto, não da violência”, acrescentou.

O prefeito destacou seus argumentos com as palavras pronunciadas 24 horas antes por um dos seis filhos de Garner, Eric Snipes, ao dizer que, independentemente da decisão do júri, esperava que não houvesse distúrbios. “Não vai ser como Ferguson porque todo mundo sabe que meu pai não era uma pessoa violenta e vão respeitar sua memória”, declarou. À noite, no mesmo lugar em Staten Island onde Garner morreu, seu pai, Benjamin, defendeu a paz diante de todos que vinham cumprimentá-lo.

O policial Pantaleo divulgou um comunicado de condolência à família de Garner. “Me tornei um oficial de polícia para ajudar as pessoas e proteger os que não podem proteger a si mesmos”, disse. “Nunca foi minha intenção prejudicar ninguém e me sinto muito mal pela morte de Garner. Espero que a família aceite minhas condolências pessoais pela perda.” A viúva da vítima, Esaw Garner, rejeitou as palavras do policial. “Não significam nada para mim”, disse. Pantaleo continuará suspenso durante as investigações internas da polícia.

A decisão do grande júri chega em um momento em que tanto o presidente Barack Obama quanto as autoridades de Nova York haviam feito esforços consideráveis e adotado medidas para uma conciliação entre as forças de polícia e os cidadãos, e diminuir a tensão racial que dominou o país depois dos distúrbios em Ferguson.

Mas, ao contrário de lá, o ocorrido em Staten Island não deixa margem para dúvida, já que tudo foi gravado em vídeo. Um grupo de policiais, ao aplicar a política de pequeno delito seguida durante anos em Nova York sob o mandato dos prefeitos conservadores Rudolph Giuliani e Michael Bloomberg, quis prender Garner, suspeito de vender cigarros ilegalmente. Garner, que tinha mais de 100 quilos, resistiu. Foi derrubado no chão e imobilizado pelo pescoço com uma gravata, prática proibida pelo comando da polícia. Garner, que era asmático, sofria de diabetes e outras doenças, gritou “não posso respirar” onze vezes antes de morrer. A divulgação do vídeo e o exame médico, que constatou que houve um homicídio, provocaram manifestações em Nova York em agosto, um mês depois do ocorrido.

O reverendo Al Sharpton, líder da National Action Network, a principal organização de direitos civis da comunidade negra de Nova York, havia esquentado os ânimos ao iniciar sua “contagem regressiva” sobre a decisão do grande júri. “Quero que as pessoas saibam que isso não é assunto apenas de Ferguson. Também temos isso aqui e vamos acompanhar bem de perto a decisão do grande júri”, disse Sharpton este fim de semana em um evento com a mãe e a esposa de Garner. À noite, em um chamamento semelhante, disse: “quantas pessoas têm que morrer para que vejamos que o que acontece não é uma ilusão, mas uma triste realidade que este país deve enfrentar de uma vez por todas?”.

O reverendo convocou um protesto nacional em Washington dia 13 de dezembro. Uma manifestação, disse, pacífica, mas marcante. Apesar do tom às vezes acalorado de seus discursos, Sharpton havia pedido calma nos dias que antecederam o julgamento, caso o grande júri decidisse não indiciar o policial Pantaleo, como de fato aconteceu. “Podemos mostrar que Nova York é diferente? Não vamos ter violência, mas queremos justiça”, disse. Suas palavras foram ditas em um contexto muito específico. Nova York havia registrado na semana passada as maiores manifestações do país devido ao caso Brown. Na segunda-feira, dezenas de pessoas voltaram a protestar sentadas na Times Square, ao grito de “mãos ao alto, não atire!”. Durante as comemorações do Dia de Ação de Graças e na Black Friday também houve protestos.

Outro incidente relativo a uma atuação exagerada da polícia havia deixado o ambiente ainda mais carregado. Em 21 de novembro, um jovem afro-americano de 28 anos, Akai Gurley, morreu baleado por um policial novato em um edifício de residências protegidas no Brooklyn. O agente, Peter Liang, estava fazendo uma batida rotineira com um colega. Ao encontrar com Gurley e sua namorada em uma escada pouco iluminada, o policial, que estava com uma arma nas mãos, disparou. O jovem estava desarmado. O ocorrido também terá que ser avaliado por um grande júri, o que sem dúvida aumentará a tensão.


As leis do Estado de Nova York estabelecem que todos os crimes graves devem ser apresentados diante de um grande júri, composto por 23 cidadãos. Este órgão pode revisar as provas do caso, ouvir testemunhas e inclusive realizar suas próprias investigações antes de apresentar uma acusação formal ou arquivar o caso.

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Que país é esse?

Posted by Cottidianos on 00:09
Quinta-feira, 04 de dezembro

“Brasil
Mostra tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim”
(George Israel , Cazuza , Nilo Romero)



Agora, nesse exato momento, eu gostaria de viver na Dinamarca. Mas, como canta Ivan Lins, no verso da canção, Meu País:

Aqui é o meu país
De botas, cavalos, estórias
De yaras e sacis
Violas cantando glórias
Vitórias, ponteios e desafios
No peito do Brasil
Me diz, me diz
Como ser feliz em outro lugar

Por que eu gostaria de estar na Dinamarca e não aqui? Explico em breve.



Em 1989, após três décadas, o Brasil realizava eleições diretas para Presidente da República. A nação estava em êxtase. Afinal de contas, a liberdade havia, mais uma vez, raiado nesta terra, depois dos frios anos da ditadura militar. Os corações dos brasileiros estavam floridos tal qual jardim em flor: Flor de esperança. Nosso céu ficou mais azul, nossas matas mais verdes e nossos sorrisos mais esperançosos.

Dois candidatos protagonizaram a disputa pelo importante cargo: Fernando Collor de Melo e Luís Inácio Lula da Silva. "Vamos fazer do nosso voto, a nossa arma. Para retirar do Palácio do Planalto, de Brasília, os maiores marajás deste país", prometia Collor, a plenos pulmões, em seus comícios. A multidão aplaudia, delirava... E acreditava.

Do outro lado, estava Lula. Sindicalista. Com seus discursos de esquerda, renovadores...  E o povo, ingenuamente, acreditava... A elite morria de medo de que um candidato de esquerda chegasse ao poder, principalmente, pelos braços do povo. Ela Influenciou a população. Influenciada pela elite, e também a grande mídia, a maioria da população ficou com medo de votar num candidato de esquerda e elegeu o bonito e elegante, Caçador de Marajás, de direita.

Não bastaram três meses, para que descobríssemos que a República estava corrompida. Começaram a surgir denúncias de que o tesoureiro — Os tesoureiros. Por que será que eles estão sempre envolvidos nessas histórias?  — da campanha de Collor, Paulo Cesar Farias, mais conhecido como PC Farias, oferecera vantagens a empresários em troca de dinheiro.  A plenos pulmões, o presidente repetia um discurso que também vemos soar hoje, do alto dos palácios, do alto dos tronos do poder: "Toda e qualquer denúncia tem que ser exemplarmente apurada".

Nessas histórias de corrupção sempre tem um dedo duro. — E é bom que tenha mesmo. Em 1992, Pedro Collor, irmão de Fernando Collor, abriu o jogo e disse que sabia das atividades criminosas do irmão.

Armou-se aquela confusão toda. Instaurou-se Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI).  Foi aquele falatório, tudo igual ao que temos visto tantas vezes nos últimos anos. Ao fim, a CPI apurou que Collor cometera crime de responsabilidade fiscal, uma vez que usara cheques fantasmas para pagar despesas pessoais, como por exemplo, a reforma da Casa da Dinda e a compra de um Fiat Elba. Armou-se todo um circo. A população foi às ruas exigindo a cassação do presidente, e isso de fato aconteceu.

Nem sabia a nação brasileira que crimes cem vezes mais tenebrosos estavam por acontecer em um futuro não muito distante.



Em 2002, nova nuvem de esperança pairou sobre os céus do Brasil. Afinal, um candidato que tinha vindo de bases populares, que fora sindicalista e lutara pelo direito dos trabalhadores, organizara greves bem-sucedidas na região do ABC paulista, e que tinha a seu lado grandes nomes do pensamento político, econômico e sociológico brasileiro, certamente faria uma revolução no Brasil. Era tudo o que nós queríamos. Lula foi eleito após algumas tentativas fracassadas na corrida pela presidência. Assim que assumiu o poder o petista abandonou o discurso de esquerda e abraçou o ideário que tanto criticara e aliou-se a políticos que tanto combatera.

Em meado de 2005, a nação brasileira foi surpreendida pelo início de um grande escândalo: O famoso “mensalão”. O congresso brasileiro se afastou de suas funções primordiais e tornou-se um grande mercado, isso mesmo, mercado, onde se compravam parlamentares em troca de apoio político. Então, aquela reformazinha que Collor havia promovido e aquele carrinho que havia comprado com dinheiro público passou a ser, diante da enormidade do mensalão, coisa de criança, brincadeira de criança. Alguns anos depois veio o julgamento, alguns políticos foram para a cadeia, a grande maioria deles já passou para o regime semiaberto...

Quando achávamos que já havíamos visto de tudo, somos surpreendidos por um tsunami de proporções catastróficas: a Operação Lava Jato que apura denuncias de desvio de dinheiro da Petrobrás.  Ficamos boquiabertos ao ver pessoas envolvidas nas falcatruas que nem eram do, digamos assim, primeiro escalão, fazer acordos para devolver quantias vultosas que ultrapassam somas que envolvem centenas de milhões de dólares. Se esses “peixes pequenos” devolveram tanto dinheiro, imaginem, senhores e senhoras, os “peixes” grandes, aqueles mais graúdos. Todos estão estupefatos. Algo de muito grave, gravíssimo, aconteceu nos bastidores da Petrobrás. É coisa de arrepiar. Agora, diante da grandiosidade escandalosa da Operação Lava Jato, o Mensalão virou um brinquedo de criança e aquele Fiat Elba que Collor comprou nem existe.



A cada dia ficamos sabendo de coisas ainda mais graves. Por exemplo: Envolvidos no esquema disseram que parte da propina do esquema de corrupção que ocorria na Petrobrás, foi ofertada como “doação” oficial ao Partido dos Trabalhadores (PT). Até agora, não apareceram nomes de políticos envolvidos, apenas de empresários. Entretanto, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, quando perguntado a respeito da questão, disse, com sorriso irônico, sem citar nomes, que há dezenas de políticos envolvidos.

"Se não fizerem nada em relação à Petrobras, esperarem que em duas ou três semanas as pessoas se esqueçam e tudo siga igual, a imagem do país vai piorar. Se ao contrário, o caso for tratado como um momento de mudança histórica para o país e decididamente fizerem mudanças e castigarem os corruptos, a imagem do Brasil pode melhorar", disse à imprensa, Alejandro Salas, diretor nas Américas da Transparência Internacional.

Falando de corrupção, em um índice elaborado por especialistas em corrupção, de 175 países elencados, o Brasil aparece na 69a posição nesse ranking. O critério usado pelos especialistas leva em conta critérios como punição aos corruptos e transparência dos governos. Ou seja, na luta contra a corrupção, patinamos muito e quase não saímos do lugar. Nesse quesito há países piores que nós, como é o caso da Somália e da Coreia do Norte, neste último, a transparência quase não existe.

O foco da atenção mundial, os holofotes se voltaram para nós este ano, em especial, por causa de todo esse escândalo na Petrobrás. Percebemos que o petróleo, esse ouro negro, pode ser tanto causa de avanço, de prosperidade econômica que, por sua vez, leva a uma melhora em todos os níveis, quanto pode ser causa de perdição e morte de tantos sonhos de um Brasil melhor.

Nesse ranking, o país mais honesto, na lista dos especialistas em corrupção, é a Dinamarca. Eis porque eu disse que preferia estar lá essa hora. Mas como diz o cantor e compositor Ivan Lins: “Aqui é o meu país” e eu ainda espero vê-lo florescer, sem sobressaltos.

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Um olhar de gratidão sobre o mundo que nos rodeia

Posted by Cottidianos on 01:00
 Quarta-feira, 03 de dezembro



Recebi, em minha caixa de e-mails, um vídeo enviado por Marlene, uma amiga muito querida para mim. Achei-o tão cheio de beleza que resolvi compartilhar com vocês, tendo o cuidado de fazer a transcrição do texto para que possam apreciar a mensagem com mais tranquilidade. 

O vídeo do autor, diretor de cinema e fotografo americano Louie Schwartzberg, mostra belíssimas imagens de natureza e de pessoas. O autor do vídeo quer na verdade mostrar com isso que somos todos natureza e que estamos todos conectados, em qualquer lugar do planeta onde estejamos vivendo. No vídeo, Schwartzberg usa a maior parte do tempo para apresentar o projeto, e depois para apresentar a mensagem propriamente dita, transcrita abaixo, em itálico. Resolvi transcrever o texto completo, pois a introdução também faz parte do todo do texto, tornando-o mais belo e mais profundo.

Na verdade, em nossa correria cotidiana, passamos tão rápido pelas coisas belas e simples da vida, que, muitas vezes, nos esquecemos até de que temos olhos para apreciar toda a maravilha de cores e sensações que nos rodeiam.

Quando nos abrirmos para toda essas bençãos que são colocadas em nosso caminho todos dias, então seremos capazes de perceber que o dia de HOJE é o nosso grande presente e nossa grande benção.

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FELICIDADE REVELADA
Louie Schwartzberg

Olá todo mundo. Estou vivendo uma espécie de reestreia. Isso é maravilhoso! De volta às minhas origens em São Francisco, quando eu me graduei na UCLA, eu me mudei para o nordeste da Califórnia e vivi numa cidadezinha chamada Elk. Eu não tinha um telefone ou televisão, mas tinha o correio dos Estados Unidos. A vida era boa naquele tempo. Pelo que me lembro, eu tinha que ir à loja geral para tomar uma xícara de café e um “brounie”, e enviar, por navio, o meu filme para São Francisco e esperar por dois dias até que aparecesse na minha porta. O que era uma maneira melhor que ter que enfrentar o trafego de Hollywood.

Eu não tinha muito dinheiro, mas eu tinha tempo e um sentido de imaginação. Eu comecei a tirar fotos em “time lapse”. Eu demorava um mês para fotografar 1 metro de filme porque aquilo era tudo o que eu podia comprar. Eu venho fazendo fotos prolongadas de flores, continuamente, por 4 horas, todos os dias, 7 dias por semana, por mais de 30 anos, e vê-las se mover é uma dança da qual eu nunca me canso. A beleza dela nos imerge em cor, gosto, toque e também nos provê com um terço dos alimentos que comemos.

A sedução da beleza é uma ferramenta da natureza para sobreviver, porque nós protegemos aquilo que nos aproximamos e abre nossos corações e nos faz compreender que nós somos parte da natureza e não separados dela. Quando vemos que fazemos parte da natureza, fica claro que estamos todos conectados. As pessoas que veem minhas imagens, muitas vezes dizem: “Oh, meu Deus!” Se pensarmos no que isso significa, veremos que: “Oh” significa que chamou, trouxe sua atenção para o presente. O “meu” significa que o conectou com algo profundo em sua alma, abrindo um portão para uma voz interna acordar e ser ouvida. E “Deus”? Deus é uma jornada pessoal em que todos querem estar, para se inspirar, para sentir que estamos conectados com o universo e celebrar a vida.

Vocês sabiam que 80% da informação que nós recebemos vêm através dos olhos, e que se você comparar a energia da luz com escalas musicais, será apenas 1/8 o que podemos ver a olho nu o que estaria bem no meio? E não estaríamos gratos aos nossos cérebros, que podem tomar esse impulso elétrico que vem da energia da luz para criar imagens que nos permitem explorar nosso mundo? E não estamos gratos por termos corações que podem sentir as vibrações, que nos permitem sentir o prazer e a beleza da natureza?

A beleza da natureza é um presente a ser cultivado com reverência e gratidão. O presente particular que quero compartilhar hoje aqui é um projeto no qual eu venho trabalhando que é chamado “Felicidade Revelada” e ele vai nos dar um vislumbre nessa  perspectiva do ponto de vista da criança e do idoso nesse mundo.

Depoimento criança (menina):

Quando eu assisto TV, é apenas alguns programas fora do padrão. E quando você explora, você tem mais imaginação do que você já tinha e depois quando você tem mais imaginação, isso faz você querer ir mais fundo, assim você pode ter mais e ver mais. Como se tivesse um caminho que pode levar você a uma praia ou algo assim e então isso pode ser bonito.

Louie Schwartzberg

Você acha que isso é apenas mais um dia na sua vida. Não é apenas mais um dia. É “O” dia que é dado a você HOJE. Ele é dado a você, é um presente. É o único presente que você tem nesse exato momento, e sua única resposta apropriada é a GRATIDÃO. Se você não fizer mais nada, mas apenas cultivar essa resposta para o grande dom que este dia único é, se você o responder como se fosse o primeiro dia em sua vida, e o último dia, então você vai ter passado o dia de hoje muito bem!

Comece abrindo os seus olhos e se surpreenda porque você tem olhos através dos quais pode abrir essa incrível escala de cores que é constantemente oferecida a nós, para nosso puro prazer.

Olhe para o céu. Nós raramente olhamos para o céu e note como ele se transforma de momento a momento com as nuvens indo e vindo. Nós pensamos no tempo (clima) e mesmo em relação ao tempo, nós não percebemos que existem muitos nuances, apenas pensamos que há, bom tempo ou mau tempo.

Esse dia de hoje é um tempo único e pode ser que nunca mais haja um tempo extamente igual, pois esse arranjo de nuvens no céu, nunca será o mesmo de agora. Abra seus olhos e olhe para isso. Olhe para o rosto das pessoas que você conhece. Cada uma tem uma incrível história, por trás de sua face, uma história que você nunca poderá penetrar inteiramente, não apenas a história própria, mas a história dos antepassados, para não irmos tão longe. E neste momento, neste dia, todas as pessoas que se encontram, toda a vida de gerações, e de muitos lugares ao redor do mundo fluem para encontrar você aqui como um fonte de água da vida e basta você abrir seu coração e beber.

Abra seu coração para o incrível presente que a civilização nos dá, quando giramos uma chave e há luz elétrica, quando abrimos uma torneira e há água quente e fria, e água potável. Isso é um presente que milhões e milhões de pessoas no mundo nunca vão experimentar. Esses são apenas alguns poucos, do enorme número de presentes para os quais podemos abrir nosso coração. Eu desejo que você abra o seu coração para todas essas bençãos e deixe-as fluir através de vocês, para que todos que venham a encontrá-los neste dia, seja abençoado por vocês, apenas pelos seus olhos, pelo seu sorriso, pelo seu toque, apenas por sua presença. Deixe a gratidão fluir em benção ao seu redor. Então, esse será realmente, um bom dia!

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Vale a pena conferir o vídeo com imagens no YouTube.






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Mestre Moa do Katendê: Uma luz que se irradia da Bahia para o mundo – Parte II

Posted by Cottidianos on 00:23
Terça-feira, 02 de dezembro

Entrevista Mestre Moa do Katendê

“A capoeira me ensinou tudo isso e um pouco mais” 

Já tendo apresentado o entrevistado em minha postagem anterior, passemos direto à entrevista.

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José Flávio — Mestre, o que significa a capoeira para o senhor?

Mestre Moa do Katendê — Capoeira é tudo que move para mim. É uma cultura rica, uma cultura dos ancestrais que eu procuro, sempre que posso, cultuar, zelar, transmitir conhecimentos. Na verdade, o conhecimento foi dado pelo meu mestre, daí eu sigo pelo mundo, sempre que posso, divulgando.

José Flávio — Deve ser uma honra ser mestre de capoeira na terra de grandes mestres?

Mestre Moa do Katendê — Sim. Sem dúvida. Conviver com eles então...

José Flávio — O Sr. conheceu o Mestre Pastinha?

Mestre Moa do Katendê — Conheci o Mestre Pastinha e tive a oportunidade de estar por duas vezes na academia dele, justamente quando o mestre já tinha um grupo formado. Ele nos levou duas vezes, dois domingos, para a gente se apresentar na academia do mestre Pastinha. Para que ele mostrasse o trabalho dele. A outra oportunidade foi em 66 quando o Mestre Pastinha estava viajando para a África. Era a despedida dele e eu fui assistir essa apresentação que foi muito bonita. O Mestre Pastinha era uma figura simples, mas tinha uma inteligência fora do comum. Foi um homem que lutou pela preservação da capoeira angola, pelos seus princípios, seu ritual e abriu espaço para que uma gama de capoeiristas bebesse dessa fonte. Foi uma pessoa que possibilitou essa condição de as pessoas conhecerem a capoeira.

José Flávio — E o Mestre Bimba? O Sr. também o conheceu?

Mestre Moa do Katendê — O Mestre Bimba só de passagem. Pelo fato de que, naquela época, existiam dificuldades. A gente era menino, e menino obedecia muito aos pais. A gente não poderia ir a qualquer lugar sem autorização deles. O Mestre Bimba já era um pouco mais afastado da gente. Era outro bairro. Então conheci ele só de vista, mas não de ter contato,  como tive com o Mestre Pastinha. Foi diferente com ele, porque era mais próximo da gente, e pela ligação que o meu mestre tinha com ele. Então era mais fácil para a gente. Hoje em dia tem uma facilidade muito grande pela comunicação que há... A capoeira, hoje, ela se aproximou bastante... Os mestres se aproximaram bastante dos alunos. Naquela época era muito difícil a gente poder ficar junto com o mestre. Então era algo de dificuldade muito grande.

José Flávio — Que dificuldades eram estas?

Mestre Moa do Katendê — A dificuldade era por uma questão de educação mesmo. A formação da gente era uma formação muito tacanha. Então, estar com o mestre era muito difícil. Era tudo muito rígido. Hoje eu vejo a facilidade que um aluno tem de fazer uma foto com o mestre. Naquele tempo a maioria das pessoas não tinha máquina (fotográfica), e quem possuía uma eram pessoas de um poder aquisitivo maior. Então a gente não tinha máquina e, mesmo que a gente tivesse, teria que suar muito, se sacrificar muito para conseguir uma foto junto com o mestre. Mas hoje existe uma facilidade muito grande, a capoeira ela vai para o mundo. Hoje, ela tá em praticamente todos os países do mundo, tanto na  Europa quanto na América Latina, América do Sul, América Central, no Oriente Médio... Na África, pouco, por incrível que pareça. A gente só tem conhecimento de Angola, Moçambique. Pode ser que tenha em outros países africanos, mas eu não tenho certeza, mas Moçambique e Angola, sim. Poderia estar em toda a  África, já que ela veio de lá. Mas se perdeu muito o que saiu de lá, se perdeu muito, veio para o Brasil e aqui se constrói. A capoeira é construída, na verdade, aqui.      
 
José Flávio — Em termos de experiência de vida, o que a capoeira acrescentou na vida do senhor?

Mestre Moa do Katendê — A experiência profissional, ela abriu minha cabeça para o entendimento de liberdade, de irmandade, de companheirismo, de respeito ao próximo, de respeito ao mundo, respeito à natureza, principalmente, respeito à Roda, respeito aos colegas... A capoeira me ensinou tudo isso e um pouco mais, por exemplo, a facilidade de escrever. Hoje eu sou um compositor, escrevo além da capoeira. Escrevo ritmos de samba, do afoxé. Escrevo para os blocos da Bahia. Então, eu agradeço muito à capoeira, pelo fato de estar na Roda, de estar jogando, de estar trocando conhecimento. Isso me impulsionou a escrever algumas coisas. Além disso, a parte do artesanato também me abriu muito esse leque hoje, de fazer berimbau, de fazer caxixi, de fazer outros instrumentos, além da capoeira também. Então, essa experiência profissional é uma realização, e também de passar esse conhecimento, porque em vários momentos, eu sou convidado para dar cursos de artesanato, de dança, de percussão, de berimbau, de ritmo de berimbau.

José Flávio — O Sr. também é convidado para falar de capoeira?

Mestre Moa do Katendê — Aqui eu também falei de capoeira com os meninos e mostrei alguns ritmos, além da capoeira, como o samba de roda, que é muito presente. Quando acaba uma Roda de Capoeira, sempre tem um samba de roda. Eu pude mostrar para eles como se dá a introdução do pandeiro, do atabaque, da palma da mão, do canto e foi muito legal. Falei de puxada de rede, que é outra manifestação cultural que existe e, além disso, da própria capoeira. Passei para eles a forma de tocar baixo, para a gente adquirir educação musical, ouvir todos os instrumentos, ouvir a voz e responder. Então a capoeira, ela é completa, ela interage. A gente, no momento em que está tocando, a gente percebe que, automaticamente, as pessoas respondem, porque a música entra no sangue, entra mesmo no espírito e as pessoas conseguem participar junto com que tá cantando.

José Flávio — Quando o Sr. estava cantando, ali na roda, uma das músicas, eu senti como que um resgate do passado. A música na capoeira ela tem esse objetivo de resgatar a história de um povo, de uma nação, a nação brasileira...

Mestre Moa do Katendê — Ela tem esse objetivo, sim. Ela vai lá no fundo para a gente trazer para o presente à importância que foi e que é a história dos mestres. Eles que deram toda uma vida para que a capoeira estivesse como está hoje. Então a gente, sempre que pode, vai buscar música lá no fundo e trazer para a nova geração que vai continuar a capoeira, possa tomar conhecimento dela.

José Flávio — Falando de valores, como mestre, que conhecimentos o Sr. procura transmitir para os seus alunos?

Mestre Moa do Katendê — Os valores são respeito, respeito ao próximo. Entrar na vida do menino, no sentido de saber como anda a vida dele na casa dele, com os pais, na escola. A gente procura fazer esse trabalho de base, que é para que a capoeira, ela seja um elemento de equilíbrio para a criança. Ela consegue equilibrar a coisa do reflexo, ela possibilita... Na verdade, é um exercício mental. Jogar capoeira, na verdade, é um diálogo que requer observação. Então a gente vive querendo que o aluno observe sempre, tenha calma. Isso, a criança vai levar para a sua vivência no mundo, levar isso para a sua construção de ser humano, de cidadão, como lidar com o mundo aqui fora, além da Roda, porque é complicado o mundo das drogas que está aí, para ele ter um equilíbrio emocional, não se envolver, e sempre se lembrar da capoeira, dessa coisa maravilhosa que é estar na Roda. Então, isso é transmitido, não só por mim, mas por todos os mestres que tem responsabilidade com ela, com a capoeira, então, o menino só tem a ganhar com isso. A gente cresceu com isso, então, a gente passa isso para elas, para essas as crianças.

José Flávio — Qual a importância dessas manifestações culturais como a capoeira, samba de roda, afoxé e outras manifestações ligadas à cultura negra, como elemento de autoafirmação desse povo?

Mestre Moa do Katendê — Ajuda muito porque o que a gente está fazendo, na verdade, é um exercício de cidadania. O momento em que a gente está cantando, o momento em que a gente está tocando, que a gente está jogando, a gente tá praticando a capoeira, a gente tem a nossa grande arma que é essa comunicação. Seria nossa mídia alternativa. É o nosso canal de verdade. Porque a gente pode rememorar os grandes mestres, buscar a verdade do povo negro, e quebrar barreiras. No momento em que a gente está aqui, a gente está dando as mãos, está fazendo uma grande aliança para quebrar essas barreiras que ainda existem de preconceito. Assim a gente se autoafirma como negro, como povo brasileiro e, acima de tudo, como um elemento que contribui, não só para a cultura desse país, mas também para a economia desse país. Quando a gente vê a política sendo praticada por políticos mal preparados, a gente vê tanto desfalque, tanta falcatrua, a gente percebe que isso é muito prejudicial para o nosso país, para as nossas crianças. Então a gente procura impulsionar no aluno a gana dele, a vontade dele de buscar mais, além da capoeira, estudar, se formar. Aqui a gente percebe que há essa possibilidade mesmo de... Essa construção, não é só a capoeira, de jogar capoeira, é avançar mais ainda, é a gente poder, amanhã ou depois formar um aluno, ver um aluno formado em advocacia, ver um aluno formado em medicina e ele poder agradecer a capoeira, que foi o impulsionador de tudo isso para ele. Porque a capoeira vai dentro, e vai mostrando as possibilidades de galgar posições melhores na vida. Então esse é o maior ganho que a capoeira tem, traz e possibilita para qualquer um. É só querer mergulhar nela, na história que ela tem, na origem dela e a pessoa, mais na frente, vai descobrir que pode partir para frente no sentido de se formar e trazer para a comunidade a experiência adquirida. Porque é importante ele se formar e voltar para a origem e poder falar dessa experiência e incentivar, estimular a quem tá chegando agora, a não só jogar capoeira, mas, pensar no futuro.

José Flávio — O Sr. tem muito amor pela capoeira, inclusive o Sr. estava falando agora há pouco para o pessoal da Roda, que fez uma cirurgia faz cerca de um mês, mas se destinou a sair de Salvador aqui para Campinas para participar desse evento...

Mestre Moa do Katendê — Na verdade, a gente tem forças. Todo ser humano tem suas forças superiores. A gente respeita muito, a gente que participar dessa tradição de matriz africana, a gente respeita muito, mergulha muito nisso, a gente entende que nós não somos nada. Nós temos os nossos guias que vão iluminando a gente e vão nos colocando no caminho e vão dizendo, “Você pode”! Então, se eu estou aqui, na verdade é porque eles me deram essa condição de estar aqui. Primeiro Deus e as forças que ele rege, que ele está regendo, e,  as amizades do Topete, as amizades com os capoeiristas, com os colegas, tanto da minha idade, quanto os novos, os que estão começando agora. Isso é que faz com que eu esteja aqui. Não estou muito preocupado com a coisa material da cirurgia, porque ela já foi resolvida e, tenho certeza de que, os olhos e, vamos dizer assim, toda uma corrente positiva, ela tá sendo trabalhada para que eu esteja aqui e eu me recupere o mais rápido possível. Então, estou muito feliz de estar aqui, em Campinas. Já é a segunda vez que eu venho aqui, mas, neste evento, é a primeira vez. Peço para que o Topete, ele avance mais ainda, que ele consiga bons êxitos com o trabalho dele, que é para Campinas ter nele, e no grupo dele, uma referência cultural, porque, não só Campinas, o povo de Campinas, a comunidade, mas o povo brasileiro possa vir aqui e ter aqui na academia dele, na escola dele, um centro de referência, onde as pessoas possam pesquisar, possam ter, a partir dele, informações, não só da Capoeira de Campinas, mas da capoeira do mundo inteiro. Então, eu desejo que ele tenha sucesso sempre, que ele continue empenhado nos trabalhos que é árduo, é difícil, mas é prazeroso. Eu tenho certeza de que quando ele sair daqui, vai para casa fortalecido com tudo o que ele está presenciando, que ele está vendo, que ele está participando e vendo também as pessoas felizes. Porque a gente faz as pessoas felizes e gente também se sente feliz com isso. Então, na verdade, a gente mantém essa troca viva, que é uma troca que já existia lá atrás, que sempre existiu com o povo africano e, com a diáspora negra aqui no Brasil, essa reconstrução, a gente sabe muito bem, o quanto foi difícil a gente hoje poder cantar, livremente, apesar de alguns preconceitos, mas poder cantar, isso lá atrás, há 100, 200 anos atrás, era impossível de se fazer. Então, isso é um presente que, na verdade, os ancestrais dão para a gente. Um grande presente que a cultura afro-brasileira, a capoeira nos proporciona.

***

As atividades de Mestre Moa aqui no estado de São Paulo, ainda não terminaram. Ele ainda participa de uma programação na cidade de São Paulo, nos dias 4, 5, 6 e 7 de dezembro. No evento serão oferecidos oficinas de capoeira, confecção de xequerê, dança-afro, samba de roda e percussão. Tem também show do Badauê e muito mais. Maiores informações pelo site: www.angoleirosimsinho.org.br

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Mestre Moa do Katendê: Uma luz que se irradia da Bahia para o mundo – Parte I

Posted by Cottidianos on 00:05
Segunda-feira, 01 de dezembro

“Capoeira é muito mais do que uma luta,
capoeira é ritmo, é música, é malandragem,
é poesia, é um jogo, é religião.
(...) A capoeira é tudo que a boca come”.
(Mestre Pastinha)


No dia 29 de outubro, recebi em minha caixa de e-mails, o seguinte convite:



Era o 5o Encontro Cultural para marcar a Semana da Consciência Negra, e seria realizado nos dias 21, 22 e 23 de novembro. O convite havia sido pelo Mestre Topete, da Escola de Capoeira Angola Resistência. Eu conheci esse mestre capoeirista campineiro, no final de novembro do ano passado, quando pedalava no Taquaral e encontrei uma roda de samba.

Parei e fiquei admirando aquele grupo animado, que tocava divinamente um berimbau e jogava capoeira com entusiasmo. Desse encontro, nasceu uma entrevista com Mestre Topete, registrada na postagem: Na Roda de Capoeira Angola. Desde então, tenho acompanhado alguns eventos de capoeira e sempre me sinto muito bem todas as vezes que estou presente a eles. Mestre Topete é um cara que aprendi a admirar pela simplicidade de suas ações e pelo valoroso trabalho que desenvolve em prol da capoeira e das manifestações de origem afro-brasileiras.



Não pude comparecer a todos os eventos do 5o Encontro Cultural, mas no sábado à noite, 22 de novembro, por volta das oito horas, fui prestigiar uma Roda de Capoeira que estava acontecendo na escola de Mestre Topete, localizada no Terminal Central de Campinas. Quando cheguei lá, encontrei bastante gente e um jogo de capoeira bem animado, como sempre. Mestre Topete estava bastante atarefado: recebia os convidados, fazia entrega de graduação, cuidava do bom andamento da Roda, tocava berimbau e ainda jogava capoeira. 



Durante a Roda, chamou-me a atenção, um capoeirista, já por volta dos seus sessenta anos. Ele tocava o berimbau e puxava uma canção muito bonita. Em seguida, ele levantou-se e fez um discurso breve e conciso, cujos destinatários eram os capoeiristas presentes. Pensei em falar com ele, mas naquele momento não havia como. A Roda de Capoeira é um ritual, e não se interrompe um sacerdote quando ele está no meio de suas funções, o mesmo vale para um mestre de capoeira, em pleno exercício de sua atividade.

Terminado o discurso, o capoeirista afastou-se da roda e foi mais para perto da porta de saída. Pensei em falar. Hesitei. Por fim, me decidi e fui ao encontro dele. Apresentamos-nos. Ele me disse que era o Mestre Moa do Katende, de Salvador, Bahia. Perguntei-lhe se ele podia me conceder uma entrevista. Ele disse que sim. Saímos para o lado de fora.

Naquele momento, as canções, o som dos berimbaus, pandeiros e atabaques tinham cessado e ficou assim até o início da entrevista. Depois o som da capoeira recomeçou, servindo de fundo para a nossa conversa. Nela, Mestre Moa fala do ontem e do hoje na capoeira, de sua vivência nesse esporte, de como a capoeira o ajudou a se posicionar na vida e a desenvolver outros dons, como o dom de compor letras de músicas e confeccionar instrumentos musicais. O mestre baiano já havia dado uma Oficina de Percussão, Canto e Dança, naquele sábado, às dez horas da manhã, na Escola Capoeira Angola Resistência. Não pude participar dessa oficina devido a outros compromissos por mim assumidos.

Mestre Moa do Katendê nasceu em Salvador, em 29 de outubro de 1954, no Bairro Dick do Tororó, Vasco da Gama, próximo ao Estádio Fonte Nova. Teve o privilégio de vir ao mundo, justamente, na terra que também é berço de grandes mestres da capoeira, tais como; Mestre Pastinha, Mestre Bimba, Mestre Gato, Mestre Canjiquinha, Mestre Valdemar e tantos outros. Mestre Moa é aluno diplomado pelo mestre Bobó. Iniciou-se na arte da capoeira aos 8 oito anos de idade na Academia Capoeira Angola 5 estrelas.

Entretanto, às vezes, é necessário a um mestre, sair de sua terra, deixar as sementes de suas origens, para plantá-las em outras terras. Misteriosos: assim são os caminhos da vida. No momento não compreendemos porque uma coisa tem que ser de um jeito e não de outro, mas depois, com o decorrer do tempo, tudo se torna claro como as cristalinas águas que se abrem em véus ao cair das cachoeiras, no meio das matas.

Isso também aconteceu com o capoeirista baiano, como conta o site Centro de CapoeiraAngola Angoleiro Sim Sinhô: “Aos 16 anos Môa do Katendê se afastou da capoeira angola e desenvolveu diversos trabalhos em grupos folclóricos, como o “Viva Bahia” e o “Katendê”. O desejo de disseminar seu trabalho com a cultura afro brasileira o levou a viajar para o Sul do país. Em 1984 foi para o Rio de Janeiro onde começou a ensinar a capoeira angola para não parar de treinar. De lá viajou para Porto Alegre e ajudou a implantar a dança afro no Rio Grande do Sul, até então desconhecida”. Cumprida essa missão, Moa retornou à Bahia para dar continuidade aos trabalhos em sua terra natal.

Desde que foi chamado pelas forças astrais superiores para defender para defender os valores e a cultura de seu povo, Mestre Moa tem se esforçado por ser um facho que brilha sobre o mundo das culturas, cujo berço tem origem na Mãe África. Imbuído dessa missão, Mestre Moa segue pelo Brasil e pelo mundo desenvolvendo palestras, workshops e cursos no Brasil e no exterior, nos quais mostra as riquezas da cultura afro-brasileira.

Fui escrevendo essa introdução e, ao final, o texto ficou um pouco extenso. Dessa forma, resolvi dividi-lo em duas partes.

Na próxima postagem, apresento a entrevista propriamente dita.


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