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Um salto para o sucesso... E um salto para a morte

Posted by Cottidianos on 00:43

Campinas, 17 de junho



Começo a postagem de hoje fazendo uma homenagem.

É coisa difícil os marginalizados, aqueles que estão na base da pirâmide conseguirem um diploma universitário no Brasil. As dificuldades até que se atinja esse objetivo são inúmeros. Muitos estudantes vão ficando pelo caminho ao longo dos anos escolares, dentre os principais motivos estão as dificuldades financeiras, a necessidade de trabalhar para se manter e/ou ajudar a família. E também o desconhecimento de políticas públicas que os ajudem a chegar ao topo da montanha da educação.

É difícil, porém não impossível. Muitos estudantes já provaram que, com fé, determinação, e coragem, é possível chegar lá.

Um desses jovens que conseguiu não apenas um diploma de curso superior, mas também o título de Ph.D. em Economia, foi Gilberto José Nogueira Júnior, 43 anos, mais conhecido pelos brasileiros pelo nome de Gil do Vigor. A cerimônia de formatura de Gil aconteceu na quinta-feira, 11, na Universidade da Califórnia em Davis (UC Davis), nos Estados Unidos.

Gil nasceu e cresceu em Jaboatão dos Guararapes, em Pernambuco. Para um menino, negro, pobre, da periferia, e que se descobriu e se assumiu gay ao longa da caminhada, chegar ao topo da caminhada educacional é um grande feito.

Em suas redes sociais, ele escreveu:

“Eu venci através da educação. Eu venci porque eu acreditei e vou continuar acreditando pra sempre.

Muitas pessoas falaram que eu venci por conta do Big Brother ou por outros motivos. E eu sei que o Big Brother foi uma parte importantíssima na minha vida, mas a verdade é que sem a educação, a minha mãe, os meus professores e os amigos que seguraram minha mão enquanto eu morava em outro país, eu nada seria.

Só quem estava próximo a mim sabe o quanto foi difícil, quantas vezes eu chorei e quantas vezes eu pensei em desistir.

Mas se tem uma coisa que eu aprendi com a minha família e meus amigos é que desistir nunca será uma opção e que a educação sempre será minha primeira opção”.

Ele cita o programa Big Brother Brasil por ter participado em 2021 da vigésima primeira edição deste programa. Não chegou à final, chegou muito perto. Depois do BBB foi convidado a participar do programa Mais Você, onde encontrou em Ana Maria Braga, uma fada-madrinha, alguém que lhe deu o apoio e o valor que ele precisava.

Depois do sucesso que conseguiu na TV por causa de sua simpatia e empatia com o público, e sua responsabilidade, ele decidiu levantar a bandeira da educação, e ajudar tantos jovens que, como ele, sonham com um futuro melhor através da educação.

 

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Ponte do Esqueleto, Limeira-SP 

Falamos do Gil Vigor, um indivíduo que conquistou êxito e sucesso, mas que não se deixou deslumbrar pela “luze, câmera, ação”. O que é coisa difícil no meio artístico.

Mas, e quando esse deslumbramento não é de um indivíduo, mas de todo um organismo social? O que fazer quando os indivíduos estão afetados por um comportamento que os faz agir como autônomos, sem pensar.

Tenho visto o caso de muitas pessoas que, literalmente, arriscam a vida à beira de precipícios, ou rochedos à beira, e em muitas outras situações de perigo, apenas para conseguir a foto perfeita.

Trago para vocês dois casos curiosos que aconteceram, recentemente, no Brasil. Um deles, infelizmente, terminou de forma bem trágica. Talvez vocês já tenham visto na impressa, pois foi um caso de grande repercussão. O outro poderia ter ido pelo mesmo caminho, felizmente, o protagonista dele teve melhor sorte.

 Era manhã de sábado, 13 de junho, em Limeira, cidade localizada a 145km da capital São Paulo. Um grupo de pessoas aguardava na Ponte do Esqueleto, uma estrutura desativada, localizada na divisa das cidades Limeira e Cordeirópolis, no Estado de São Paulo.

A ponte fica na Estrada Dr. Cássio de Freitas, que dista cerca de 7km do centro de Limeira. De cima da ponte apreciavam a paisagem rural cercada de muito verde de um lado e de outro da ponte desativada. De onde estavam era fácil observar as trilhas que cortam a mata, trilhas essas muito usadas e apreciadas por corredores, ciclistas, ou por quem gosta de fazer caminhada em meio à natureza. O lugar também não passa despercebido por quem gosta de praticar esportes radicais como os praticantes rapel e rode jump.

Desde que foi desativada há cerca de trinta anos o local não é mais utilizado pelos meios de transporte como ligação entre uma cidade e outra, tornando-se então um ponto turístico muito frequentado na região.  

E era por isso que o grupo estava ali: para a prática de rode jump. Para se jogar no vácuo de 40 metros que separam a ponte do solo lá embaixo.

Era também para experimentar essa emoção, essa aventura, esse frio na barriga que estava ali a linda jovem de 21 anos, Maria Eduarda Rodrigues de Freitas. A jovem era estudante de Educação e trabalhava em uma academia de ginástica, em Jandira, cidade na qual morava. Jandira fica a 152 km de distância da cidade de Limeira.

Outros saltos aconteciam antes de chegar a vez de Maria Eduarda. Os funcionários das empresas Entre Cordas e Ih Voei responsáveis pela realização dos saltos orientavam os clientes, amarravam as cordas ao corpo deles, checavam se estava tudo em ordem, e os ajudavam a saltar, em alguns casos, literalmente, os jogavam ponte abaixo.

Enquanto isso, Maria Eduarda aproveitava para abastecer suas redes sociais com fotos do lugar, as pulseiras de identificação, e imagens dos funcionários da empresa saltando da ponte em saltos demonstrativos. As fotos de natureza e atividades ao ar livre era constante da jovem amante da natureza.

A última postagem feita pela jovem, feita às 7h31min, mostra o local de onde eram feitos os saltos, e nela a jovem escreveu: “Quem foi o doido que deixou eu vir pular de uma ponte???

Enfim, chega o grande momento para Maria Eduarda. Há duas escolhas de modalidade. Em uma delas os participantes pulam por livre e espontânea vontade. No outro a pessoa escolhe ser jogada da ponte. Essa foi a escolha da jovem.

Dois funcionários que estão sobre um dos pilares que funcionaria como plataforma de lançamento. Outro permanece em cima da ponte, próximo a borda. Este segura Maria Eduarda pelos pés, os dois já em cima da plataforma de lançamento, um a segura pela cintura, e outro a segura pelos ombros. E assim, posicionada a cliente, eles caminham para a beira da plataforma de lançamento. E lançam Maria Eduarda para aquele que seria seu último salto. Seu último ato, sua última cena no teatro da vida.

Os funcionários da empresa lançaram Maria Eduarda no vazio. Sob a ponte permaneceu a corda que deveria estar amarrada ao corpo dela. Apenas quando a jovem já tinha sido lançada da ponte é que se ouvem os gritos de espanto de quem estava lá esperando para ser o próximo a saltar, alertando de que Maria Eduarda teria sido lançada sem a corda.

Ao perceber que uma tragédia havia acontecido as outras pessoas que estavam sob a ponte entraram em choque. Os funcionários entraram em pânico. Uma enfermeira que estava no local como turista desceu até o local onde a jovem havia caído. Ela percebeu que havia pulsação no corpo dela, fraca, mas havia. Então a enfermeira Rayza Dias tentou acalmá-la, dizendo “Calma! Tenha calma! Ninguém morre no meu plantão”.

Mas não houve jeito. Ali mesmo, embaixo daquela ponte, e cercada pela natureza que tanto amava, Maria Eduarda exalou seu último suspiro.

Quando a polícia chegou ao local ainda estavam perto do corpo da jovem, a enfermeira e dois funcionários da empresa responsável pelo salto. A dupla de funcionários entregou à polícia os documentos pessoais, mas acabaram fugindo para a mata quando os policiais se afastaram para prestar apoio ao resgate, sendo localizados depois pelo helicóptero Águia da PM.

Luís Feliciano Egoroff, Vitor de Freitas Gonçalves, e Maicon Fernandes Cintra, foram presos em flagrante. Foram autuados por homicídio com dolo eventual – quando não há intenção de matar, mas se assume o risco de. Eles estão em prisão preventiva. Seguem as investigações do crime, pois o que aconteceu com Maria Eduarda não foi fatalidade, foi assassinato.

Presa ao corpo da jovem, havia uma câmera que gravou os últimos instantes dela, e, consequentemente, do salto. Essa câmera desapareceu depois da queda. A polícia está à procura dessas gravações pois nela podem estar contidas as provas que mostram a dinâmica do crime, e a responsabilidade de cada envolvido.

E aqui eu volto ao início dessa narrativa quando falava desse deslumbramento. Várias pessoas estavam lá filmando o salto, e ninguém percebeu que faltava o principal num salto de rode jump: a corda. Três funcionários estavam ali, certamente devem ter ajustado a câmera no corpo do jovem. Como não perceberam que faltava a corda a ser presa ao corpo dela?

Não culpo Maria Eduarda pela sua própria morte. Ela estava envolvida com o ato de saltar, nervosa, ansiosa, provavelmente era a primeira vez que fazia isso. Muito menos, a culpa é de quem estava ali em cima da ponte na hora do salto, esperando sua vez. A responsabilidade pelo que aconteceu é exclusivamente dos funcionários que jogaram a jovem da ponte, e que deveriam ter checado se estava tudo de acordo para a efetivação do salto.

Mas percebem que em tudo isso há o desejo de registrar as imagens? É disso que falo é isso que quero destacar.

***


Outro fato interessante aconteceu Foz do Iguaçu, oeste do Paraná, no sábado, 06 de junho.

Um turista brasileiro estava em cima da passarela, nas Cataratas do Iguaçu. O celular do homem cai. Ele se dependura na passarela, desce, entra na água, e recupera o celular que havia caído. Após isso, ele sobe e retorna à passarela.

E não é falta de orientação. Ao entrar no parque os visitantes recebem orientações de segurança que atuam no local. Dentre outras coisas é dito a eles que não ultrapassem, subam ou sentem no guarda-corpos para tirar selfies, ou recuperar objetos. Também é dito a eles que, caso algum objeto caia nas encostas, no rio, eles devem acionar os bombeiros para que façam o resgate do objeto perdido.

Bastaria apenas um pequeno escorregão e o homem poderia ser arrastado para o abismo das águas. Situação perigosa.

Outra cena impressionante e irresponsável, aconteceu no dia 17 de fevereiro deste ano.

Naquele dia, um homem foi visto segurando um bebê por cima das grades de segurança no mirante da Garganta do Diabo, que fica no lado argentino das Cataratas do Iguaçu. O local tem uma área com queda d´’agua de 80 metros de altura. Olhe o leitor para um leitor para um prédio de 27 andares e veja o que essa altura significa. O homem ergue o bebê pouco acima das águas, enquanto uma mulher faz a foto.

Bastaria apenas um deslize e o bebê escorregaria pelas mãos do irresponsável, provavelmente, o pai da criança.

É certo que costumamos dizer hoje em dia que a nossa vida está no celular. Mas não devemos morrer por causa do celular. Muito menos fazer selfies maravilhosas em locais de alto risco que depois irão apenas servir como uma triste recordação para os nossos entes queridos.

Encerro esse texto com uma frase para reflexão e que fez parte de uma campanha de trânsito lançada em 2024, durante a Semana de Trânsito daquele ano. A frase enfatiza a importância de reduzir a velocidade com o objetivo de promover a segurança nas vias e, consequentemente, salvar vidas. A frase é: SEU BEM MAIOR É A VIDA!

Essa frase foi pensada para um contexto de segurança no trânsito, mas pode servir também para qualquer situação que nos coloque em perigo. Não esqueça disso você que ora lê esse texto.

 


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Santo do pau oco

Posted by Cottidianos on 23:48

Campinas, 02 de junho de 2026



Ontem à noite, em clima de entusiasmo, a seleção brasileira embarcou para os Estados Unidos para participar da Copa do Mundo de Futebol. Mais uma copa e mais uma esperança de vencer. A seleção partiu embalada pela vitória expressiva de 6 x 2 sobre o Panamá. E para a seleção brasileira, faço meu o verso da canção Voa Canarinho, escrita por Nonô e Memeco; “Voa canarinho voa, mostra pra esse povo que és um rei”. A Copa do Mundo de Futebol, edição 2026, começará em 11 de junho, e terá partidas disputadas em cidades do México, Estados Unidos e Canadá.

Quem também voa, e voa rápido, é o tempo. O inexorável tempo nos empurra para o campeonato democrático das eleições, a serem realizadas em 4 de outubro, e se houver segundo turno, também em 25 de outubro. Os brasileiros irão às urnas para escolher presidente da República, governadores, senadores, deputados federais, estaduais e distritais.

Até agora, temos os seguintes pré-candidatos à presidência da República. São eles;

Lula (PT)

Flávio Bolsonaro (PL)

Ronaldo Caiado (PSD)

Romeu Zema (Novo)

Renan Santos (Missão)

Cabo Daciolo (Mobiliza)

Augusto Cury (Avante)

Hertz Dias (PSTU)

Samara Martins (UP)

Rui Costa Pimenta (PCO)

São pré-candidatos e serão considerados nessa condição até agosto quando acontecerão as convenções partidárias, e o registro das candidaturas no TSE, e então eles serão, efetivamente, considerados candidatos.

As pesquisas realizadas até o momento mostram que Lula (PT), e Flávio Bolsonaro (PL), são os candidatos mais bem colocados na corrida presidencial, seguidos de Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo).

Há quem fale que Caiado e Zema são candidatos que representariam uma terceira via, o que não é verdade. Ora, se a polarização se estabeleceu entre Lula e Bolsonaro,  e sendo Flávio, filho de Bolsonaro, o herdeiro dos votos dele, após sua condenação e prisão por tentativa de golpe de Estado, Caiado e Zema legítimos representantes e defensores das ideias bolsonaristas como poderiam eles representar algo diferente? Podemos considera-los apenas como candidaturas satélites.

Vamos abrir um parêntese aqui e falar de um fenômeno natural chamado pororoca. Esse fenômeno natural ocorre na foz do Rio Amazonas e seus afluentes do litoral do Amapá e do Pará, e envolve os rios Araguari, Maiacaré, Guamá, Capim e Moju. Pororoca nada mais é que o encontro das águas do rio com as águas do mar formando ondas grandes e violentas que chegam a atingir seis metros de altura uma velocidade de 30km por hora.  O fenômeno atrai muitos turistas e quem já presenciou, diz que o embate entre rio e mar causa grande barulho.

E eu aqui pensando: Quando foi que começou essa pororoca eleitoral que vivemos hoje na política brasileira? Lembro que houve tempos em que águas de rio e mar da política, apesar de serem diferentes, de terem propriedades diferentes conviviam em harmonia, embates haviam, o que é inevitável quando duas ou mais correntes de pensamentos se encontram, mas não havia todo esse barulho, essa violência que se observa hoje.

Chego a conclusão de que foi em 2018 que começou todo esse ambiente tóxico. Naquele ano havia um forte sentimento antipetismo.  Naquele ano Lula estava preso por acusação de corrupção. O juiz Sérgio Moro o havia condenado em de julho de 2017 a nove anos e seis meses de prisão pelos crimes de lavagem de dinheiro e corrupção passiva, em uma ação penal que envolvia um triplex no Guarujá.

Não podendo concorrer, Lula escolheu Fernando Haddad para substituí-lo na corrida presidencial. No outro extremo, surgiu Jair Bolsonaro, um azarão, deputado do centrão, do chamado “baixo-clero” do clero do congresso.

Então de um lado, estava um país com um forte sentimento antipetista, e de outro um candidato barulhento que empunhava a bandeira da luta contra a corrupção, da rejeição aos métodos da velha política, e prometia melhoras na segurança pública e na economia.

O discurso e atitudes altamente tóxicos de Jair Bolsonaro, somadas às intensas práticas nada ortodoxas de atuação dos bolsonaristas nas redes sociais foram fundamentais para que a polarização igualmente tóxica se alastrasse como veneno pelo nosso, então pacífico Brasil.

Mas o discurso contra a corrupção dos Bolsonaro, e dos seus aliados é como diz o ditado “coisa pra inglês ver”. É um discurso que só existe na teoria, na prática a história é outra. Então eles despejam essas ideias nos grupos bolsonaristas, e ali, a lavagem cerebral é muito bem-feita. Qualquer coisa, sem exageros que se divulgue naqueles grupos, passa a aceito ser aceito como verdade pelos adeptos da “seita” bolsonaristas.

Esse ano vai ser interessante o enredo da oposição para as eleições. Os bolsonaristas não podem mais levantar a bandeira da luta contra a corrupção, pois Flávio Bolsonaro foi “pego com a boca na botija”, foi pego na mentira. Não é nenhum santo.

Dias atrás, o site The Intercpet Brasil divulgou áudios de diálogos entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro preso, Daniel Vorcaro. O engraçado foi que horas antes da divulgação dos áudios, Flávio Bolsonaro participava de um evento quando os jornalistas o abordaram e lhe fizeram perguntas. Foi o repórter do Intercept, já sabedor dos áudios que seriam divulgados horas depois, perguntou se o senador havia pedido dinheiro a Vorcaro para financiar o filme, ao que Flávio respondeu com uma sonora gargalhada irônica, abandonou a entrevista, e ainda chamou o jornalista de militante.

Horas depois o The Intercept divulgou os áudios que mostravam que Vorcaro havia se comprometido a pagar a quantia de R$ 134 milhões de reais para a realização do filme “Dark Horse” que narra a história de Jair Bolsonaro. Vorcaro chegou a pagar R$ 61 milhões, mas então a Polícia Federal descobriu o rombo enorme que ele estava causando no sistema financeiro nacional, e o prendeu. Essas reviravoltas dificultaram os repasses do banqueiro ao filme.

Mesmo assim, Flávio queria que Vorcaro pagasse o restante do dinheiro. Os áudios mostram ainda que Flávio encontrou-se com Vorcaro, mesmo quando ele já se encontrava em prisão domiciliar, e com tornozeleira eletrônica.

Impossível não acompanhar essas notícias sem que algumas perguntas fiquem em nossa cabeça. Onde foi parar todo esse dinheiro que o banqueiro investiu no filme? Pelos trailers do filme que já foram divulgados, vemos que o dinheiro não foi parar ali. Não vemos no filme nenhum ar de superprodução no estilo Hollywood. Tenho uma suspeita de que esse dinheiro esteja financiando a vida tranquila do falso patriota, Eduardo Bolsonaro, nos Estados Unidos.

Outra pergunta que nós fazemos é porque o Vorcaro daria tanto dinheiro para a realização de um filme? A troco de quê? Certamente, pelo perfil do banqueiro já vimos que ele não é um homem bonzinho e que gosta de fazer caridade. Vorcaro está mais para mafioso do que para caridoso.

Até agora Flávio Bolsonaro não deu nenhuma explicação plausível para essa sede de pegar o dinheiro do Vorcaro. Aliás, quando mais ele fala sobre o assunto, mais ele se enrola.

Quando esse filme for lançado vai ser no mínimo irônico ver os bolsonaristas indo ver o filme sobre a vida do Bolsonaro feita com dinheiro sujo, com dinheiro roubado. Logo eles que, desde 2018, gritam em alto e bom som que Lula é o ladrão.

                                                                       Adriano da Nóbrega

Outra coisa que soa bastante hipócrita é o fato de ouvir o Flávio Bolsonaro dizer o Lula defende bandido. Logo ele que era amigo de um dos maiores milicianos do Rio, e chefe de um grupo de extermínio, Adriano da Nobrega. Em 2003, Flávio homenageou o então tenente da Polícia Militar, Adriano, com uma Menção de Louvor por sua atuação no combate à criminalidade. Mais tarde, em 2005, O miliciano se encontrava preso sob acusação de homicídio. Mesmo nessa condição, Adriano foi homenageado por Flávio com a Medalha Tiradentes, maior honraria que o Estado do Rio pode conceder a um cidadão.

Adriano da Nobrega foi absolvido pelo crime de homicídio, depois foi expulso da PM. Tempos mais tarde, mesmo já sendo apontado como chefe de milícia e de um grupo de extermínio chamado de Escritório do Crime, Flávio empregou a mãe e a mulher de Adriano em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

Na época, Flávio praticava o esquema de “rachadinha” que era gerenciado por Fabrício Queiroz, policial militar e ex-assessor de Flávio. Parte do dinheiro ficava com Adriano da Nóbrega. Curioso isso, não? Por que Flávio dividia o dinheiro da rachadinha com Adriano?

E não foi apenas Adriano da Nóbrega que foi homenageado por Flávio, vários outros policiais militares envolvidos com o submundo do crime foram homenageados por Flávio durante o mandato dele como deputado estadual pelo Rio de Janeiro.

Ainda sobre Adriano da Nobrega, ele foi morto em um confronto com policiais militares em um sítio na zona rural da cidade de Esplanada, na Bahia. As circunstâncias da morte do miliciano têm cara e jeito de queima de arquivo. O nome de Adriano também surgiu nas investigações da vereadora Marielle Franco e do motorista dela, Anderson Gomes. Ronnie Lessa, um dos assassinos de Marielle e Anderson, disse à época das investigações que Adriano teria sido um possível intermediário do crime.

Então quando você um candidato levantando a bandeira da corrupção e prometendo ser implacável com a criminalidade, e quando você olha para ele e vê a ligação dele com o submundo dos crimes financeiros e com milicianos, a gente vê que a hipocrisia reina solta, mesmo entre aqueles que assumem ares de bom moço. São os chamados santos do pau oco. Hipócritas. E de onde vem essa expressão “santo do pau oco”?

Durante o período colonial, as imagens de santos esculpidas em pau oco, ajudavam os mineiros a contrabandear ouro. Eles escondiam o ouro dentro das imagens, assim ficava mais fácil contrabandeá-los e escapar dos altos impostos.


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