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Fechando o cerco

Posted by Cottidianos on 23:31

Segunda-feira, 23 de janeiro

Lula e Alberto Fernández

Da posse do presidente Luís Inácio Lula da Silva, e de seu vice, Geraldo Alckmin, já se passaram 23 dias, e nesse interim, o governo Lula já trabalhou mais dos que os 4 anos inteiros do governo de Jair Bolsonaro, apesar da instabilidade causada pelos golpistas seguidores do tal “mito”.

Lula está agora na Argentina. Começou suas viagens internacionais oficiais por aquele país. Em Buenos Aires, ao lado seu colega Argentino Alberto Fernández, Lula pediu desculpas ao povo argentino pelas grosserias ditas e feitas pelo presidente Jair Bolsonaro, que como vimos, colocava a questão ideológica, acima das boas relações entre os países e até entre os seres humanos.

Hoje é a retomada de uma relação que nunca deveria ter sido truncada. A minha presença como primeira viagem feita depois da minha eleição a um país estrangeiro é para dizer ao meu amigo Alberto Fernández que nós vamos reconstruir aquela relação de paz, produtiva, avançada, de dois países que nasceram para crescer, se desenvolver e gerar melhores condições de vida para os seus povos.

Estou pedindo desculpas por todas as grosserias que o último presidente do Brasil, que eu trato como um genocida por causa da responsabilidade com o cuidado com a pandemia, todas as ofensas que fez ao Fernández”, disse Lula.

É mesmo hora de retomar os laços internacionais de amizade, de cooperação, e econômicos que foram rompidos com o ex-mandatário da nação. Afinal, ninguém é uma ilha, ainda mais no mundo globalizado em que vivemos. Nem devemos deixar que questões ideológicas sejam empecilho para uma boa relação com as nações do mundo.

Antes de viajar à Argentina o presidente Lula teve um compromisso importantíssimo que nada a ver com ideologias, mas, sim, com humanidade.

No sábado, 21, ele foi à Roraima, onde visitou o povo sofrido e perseguido, povo Yanomâmis. E os encontrou numa situação absolutamente degradante, na qual a fome, a desnutrição e a doença se apresentavam com a sua face mais perversa.

Lula e a equipe de ministros que o acompanhou encontraram os indígenas em estado tão crítico que resolveu decretar calamidade pública na terra Yanomami. O ministério da Saúde estuda instituir crise humana e sanitária diante da situação dos Yanomamis.

Pelo menos 570 crianças Yanomamis foram mortas pela contaminação de mercúrio, pela desnutrição, e também pela falta de medicamentos provenientes do Sistema Único de Saúde (SUS). A conclusão à qual os integrantes do ministério da Saúde chegaram é a de que o descaso do governo Jair Bolsonaro para com as populações indígenas, aliado à atividade de garimpo ilegal fizeram com que a situação desses povos se agravasse.

Talvez, toda essa situação não tivesse vindo à tona se não estivesse à frente do ministério dos Povos Indígenas, uma legítima representante desses povos, a indígena Sonia Guajajara. Além de Sonia, estão na coordenação dessa ação a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), presidida atualmente por Joenia Wapichana, e a secretaria especial de Saúde indígena, que é comandada por Waibe Tapeba, que também é indígena. O apoio logístico é dado pelas Forças Armadas.

Diante disso, a bancada do PT na Câmara dos Deputados resolveu protocolar na Procuradoria-Geral da República (PGR), uma notícia-crime, na qual responsabilizam o ex-presidente, Jair Bolsonaro, e a ex-ministra da Família, Mulheres, e Direitos Humanos, Damaris Alves, pela crise humanitária na qual estão mergulhados os Yanomamis de Roraima. “Crianças e adultos em situação de elevada subnutrição, cadavéricas, numa realidade que não deveria existir num país que ano após ano tem recordes na sua produção agrícola e alimenta diversas Nações e povos”, citam os parlamentares no documento. O documento é assinado pelos deputados petistas Reginaldo Lopes (MG), e Zeca Dirceu (PR), respectivamente atual e futuro líder do PT na Câmara.

É uma reação em cadeia: Os garimpeiros ilegais invadem as terras indígenas, começam a trabalhar com mercúrio para separar ouro dos demais minérios. O produto contamina os rios e, por consequência, os peixes que nada naquelas águas são contaminados. A pesca é uma das fontes de alimentação dos povos indígenas. Ao comerem os peixes, os indígenas sofrem uma intoxicação irreversíveis, e logo passam a sofre com problemas de capacidade motora.

É uma lógica absolutamente cruel. Uma lógica de morte. O governo Bolsonaro, claramente, estava ao lado dos garimpeiros ilegais, e não dos indígenas, então a expressão “presidente genocida” que tantas ouvimos durante toda a pandemia, nunca foi tão apropriada a Jair Bolsonaro. Tanto em relação ao coronavírus quanto ao caso dos indígenas a prioridade primeira do presidente era o lucro, e não a vida.

Na ação os deputados também destacam estes aspectos: “A responsabilidade por essa tragédia é conhecida no Brasil e no mundo. Na verdade, além da omissão dolosa, o primeiro Representado [Bolsonaro] é diretamente responsável por autorizar, incentivar e proteger o garimpo ilegal nas terras indígenas Yanomami e em várias regiões da Amazônia. Essa política de Estado comandada diretamente pelo ex-mandatário da Nação e executada, também por ação e/ou omissão dolosa pela segunda representada [Damares] e outros atores integrantes do desgoverno encerrado em 31.12.22, contribuiu de maneira decisiva para a contaminação dos rios (mercúrio) e, consequentemente, resultou nos impactos na alimentação (pesca) e nas condições de sanitárias (saúde) dos povos tradicionais que vivem e sobrevivem nas áreas onde não deveria haver garimpos, legais ou ilegais”, dizem eles.

Em relação aos desdobramentos dos atos golpistas, as reações a eles continuam a todo vapor. Na manhã da quarta-feira, 18, o ex-secretário de Segurança do DF, e ex-ministro da Justiça do governo Jair Bolsonaro, prestou depoimento prestou depoimento à Polícia Federal. Em audiência de custódia ele disse ter sido o primeiro ministro a entregar o relatório de transição, que jamais questionou o resultado das urnas, que não há manifestação dele nesse sentido.

Disse também que saber do pedido de prisão expedido contra ele foi como ter tomado um tiro de canhão no peito e que, chegar ao Brasil tendo que esconder o rosto para não ser fotografado pelos jornalistas foi como um pesadelo. Torres também disse que é um cidadão equilibrado e que não faz parte dessa guerra ideológica que se instalou no país. Porém, para questões chaves para as quais a polícia esperava respostas, ele nada falou.

Alexandre de Moraes marcou novo depoimento de Anderson Torres para o dia 02 de fevereiro. Quem sabe até lá, ele se torne mais colaborativo.

Certamente, todos vocês conhecem aquele ditado que diz: Onde há fumaça, há fogo. Se o ex-secretário de Segurança do Distrito Federal, e ex-ministro da Justiça do governo Jair Bolsonaro é tão inocente assim, porque então ele deixou o aparelho celular em Orlando, na Flórida, onde estava passando férias, quando foi expedido o pedido de prisão contra ele. Por que não trouxe o celular, fazendo com os policias quebrem a cabeça tentando acessar os dados de celular pela nuvem.

E aqui a gente lembra de outro ditado popular: Quem não deve, não teme.

Torres está preso no 4º Batalhão de Polícia Militar, no Guará — região distante cerca de 15 quilômetros do centro de Brasília. Ele é investigado por omissão nos atos golpistas do 08 de janeiro, em Brasília. Para complicar ainda mais a situação, durante operação de busca e apreensão, foi encontrada na casa dele, uma minuta golpista, que pretendia modificar o resultado das eleições, através de interferência no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).  

O ex-secretário diz que a minuta lhe foi entregue por um desconhecido e que estava na casa dele numa pilha de papéis que seriam incinerados. Mas juristas dizem que o documento foi elaborado por alguém que entende de lei porque é muito bem escrita, tendo início, meio e fim, escritos de forma clara e bem definida.

Agora, a PF investiga se o documento circulou entre integrantes do governo Bolsonaro no final do ano. Pela equipe do ex-presidente é cada vez mais clara a certeza de que Bolsonaro tentou, de fato, dar um golpe, e reverter o resultado das eleições que se deram dentro de um processo democrático e limpo.

Alexandre de Moraes, ministro do STF responsável pelo inquérito das fake news e a Polícia Federal também andam tendo muito trabalho, são muitas decisões a serem tomadas, muita busca e apreensão a serem realizadas, e a caça aos golpistas continuam. Quando os bolsonaristas clamavam por golpe militar, e atacavam as instituições da República, muitos deles, provavelmente, não soubessem quão séria é a tentativa de golpe, e muito mais séria ainda é quando ele se realiza, coisa que, para nosso alívio, não aconteceu.

Olhando para as peças do quebra-cabeças que está sendo montado pela PF, faz todo o sentido os fatos que se sucederam à eleição: o sepulcral silêncio do ex-presidente Jair Bolsonaro, a sua recusa em passar a faixa para Lula, até o PL, de Valdemar Costa Neto, partido de Bolsonaro, tentou, através de uma ação ridícula, questionar na Justiça, o resultado do segundo turno da eleição presidencial.

Quem está louco para mostrar que não tem nada a ver com essa história toda, e que foi enganado pelas forças de Segurança do DF é o governador afastado Ibaneis Rocha. No dia 13 de janeiro, ainda quando estávamos em choque com toda aquela barbárie que aconteceu em Brasília, e quando Ibaneis foi afastado do governo, ele nem esperou ser chamado da PF para ser interrogado. Apresentou-se espontaneamente na sede da PF para prestar depoimento.

Na sexta-feira, 20, a PF fez uma operação de busca e apreensão na casa de Ibaneis (MDB), e também na casa do ex-secretário interino de Segurança Pública do DF, Fernando de Souza Oliveira. Buscas também foram realizadas no Palácio dos Buritis, sede do governo do DF.

Ao saber dessa operação, Ibaneis postou em sua rede social o seguinte:

No momento da Operação ele não estava em Brasília, mas logo se apressou em voltar a capital federal. Também nesta segunda-feira, a defesa do governador afastado entregou a PF o celular dele para ser periciado.

Não se sabe se Ibaneis é culpado ou inocente, mas é difícil que um culpado corra atrás da polícia para entregar provas. No caso de Ibaneis, mais do que o interesse em desvincular seu nome dessa sujeira toda está o de voltar ao poder, de voltar ao governo do Distrito Federal.

Ainda no campo do terrorismo, uma decisão bastante acertada do presidente Lula foi demitir o comandante do Exército, o general Júlio Cesar de Arruda. Para o lugar dele foi nomeado o general Tomás Miguel Miné Ribeiro Paiva.

A demissão de Arruda decorreu de uma crise de confiança instalada após os atos golpistas de 8 de janeiro. Porém, a gota d’agua para que o general Arruda fosse demitido foi a insistência em manter no cargo o tenente-coronel Mauro Cid. Cid está à frente de um importante batalhão do Exército em Goiânia.

Há pouco dias do fim do mandato, Bolsonaro nomeou Cid para esse cargo. O presidente Lula havia determinado a imediata remoção de Mauro Cid desse posto, mas ele não acatou a ordem do presidente. A decisão era fácil: Ou o presidente demitia Arruda, ou perdia o controle da situação, e como Lula não é bobo nem nada, a primeira opção foi tomada sem sofrer muito.

Cid era homem de confiança de Jair Bolsonaro, atuava como ajudante de ordem dele, chegando a assumir o posto de conselheiro-geral do chefe. Além disso, é investigado pela PF por suspeita de transações financeiras feitas no gabinete do presidente e também por vazar dados de investigação sigilosa da PF, em agosto de 2021.

 Era explicito o apoio de parte das Forças Armadas, em especial do Exército, aos golpistas, tendo eles, inclusive, escolhido como acampamento em frente a quartéis do todo o país.

Para começar, esses acampamentos nem deveriam ter sido iniciados. Ora, senhores e senhoras, manifestantes que se aglomeram em frente aos quarteis do exército pedindo intervenção militar não são manifestantes, são golpistas, e suas reinvindicações passam bem longe da ideia de democracia.

Segundo, que eles deveriam ter sido desfeitos logo após a baderna que eles promoveram em Brasília por ocasião da posse de Lula em 12 de dezembro, chegando inclusive a invadir a sede da Polícia Federal, em protesto contra a prisão do índio bolsonarista, José Acácio Serere Xavante. Na noite daquele mesmo dia, os golpistas já haviam ateado fogo a ônibus, e depredaram placas de sinalização.

Na véspera de natal, o terrorista George Washington de Oliveira Souza, juntamente com Alan Diego colocaram uma bomba em um caminhão de combustível que estava estacionado em uma das vias de acesso ao aeroporto de Brasília. Ele disse em depoimento que o objetivo era causar o caos na capital federal para forçar o Exército a uma intervenção militar.

Depois a polícia descobriu que havia um terceiro envolvido nesse plano macabro: o jornalista Wellington Macedo de Souza. George e Alan estão presos. O jornalista está foragido.

No dia 25, dia de Natal, um grupo de indígenas apoiadores de Bolsonaro, e que ainda protestavam contra a prisão de José Acácio Serere Xavante furou o bloqueio de proteção ao STF e chegaram ao entorno da Corte, área da qual estavam proibidos de chegar. Eles protestaram em frente à marquise do STF. O índio pelo qual eles faziam protestos havia participado de manifestações antidemocráticas e defendido, publicamente, que a eleição de Lula e Alckmin era uma fraude que Bolsonaro deveria voltar ao poder.

Houve também os episódios ocorridos logo após a vitória de Lula no segundo turno das eleições quando os terroristas invadiram as rodovias de todo o país, paralisando e prejudicando serviços essenciais, tudo isso com a complacência da Polícia Rodoviária Federal.

Posto todos esses fatos na mesa, não há como dizer que há golpistas nas Forças Armadas, e muitos. Proteger quem ameaça à democracia é ser conivente com o golpismo. E as imagens que víamos eram de polícias rodoviários, não reprimindo os manifestantes, mas, sim, confraternizando com eles, tirando selfies, e em muitos casos, protegendo-os.

Enfim, o que o Brasil quer agora é paz. Paz para o povo e para o governo. O que o Brasil quer é se livrar desses terroristas que ameaçam a democracia. O Brasil também quer punição para todos os que participaram da barbárie em Brasília, no dia 08 de janeiro. Que sofram as sanções da lei que foi o autor intelectual, quem financiou, quem apoiou e quem executou aquela afronta a nossa democracia, sejam eles civis ou militares.


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Sinais de golpe

Posted by Cottidianos on 00:34

Sexta-feira, 13 de janeiro

Os atos antidemocráticos praticados pelos terroristas continuam tendo forte desdobramento. Abro um parênteses antes de prosseguir. Estava lendo uma matéria no portal da Globo.com, e a autor da matéria ficava, como diz o ditado popular, “pisando em ovos” ao falar desse povo, chamando-os de “minoria bolsonaristas radical”. Aqui nesse blog não, é sempre bom dar nome aos bois — e “dar nome aos bois” nunca foi uma palavra tão apropriada para essa situação — e aqui os bois recebem o nome daquilo que eles são, ou seja, terroristas.

Quando fiz a última postagem, o presidente Lula havia decretado intervenção na área de segurança do Distrito de Federal, e o ministro do STF, Alexandre de Moraes, havia determinado o afastamento do governador do DF, Ibaneis Rocha.

Depois disso, Moraes decretou a prisão do ex-comandante da Polícia Militar do Distrito Federal, Fábio Augusto. O coronel Fábio era o comandante responsável pela PMDF no domingo, quando ocorreram os atos repugnantes nos Poderes da República. O ministro também decretou a prisão de Anderson Torres, secretário de Segurança do DF exonerado após os fatos ocorridos. Torres está de férias em Orlando, EUA. Ele já falou que pretende voltar ao Brasil e se entregar.

Os fatos podem ser muito mais graves do que desconfiamos. A polícia já fez busca e apreensão da casa de Torres. Segundo, reportagem publicada em primeira mão pela Folha de São Paulo, deste dia 12 de janeiro, foi encontrado em um armário da casa dele uma minuta (proposta) de instauração de estado de defesa no TSE.

E o objetivo senhoras e senhores, era reverter o resultado das eleições. De acordo com a reportagem o estado de defesa procurava o “reestabelecimento imediato da lisura e correção da eleição de 2022.

O artigo Art. 136 da Constituição Federal, diz:

 O Presidente da República pode, ouvidos o Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional, decretar estado de defesa para preservar ou prontamente restabelecer, em locais restritos e determinados, a ordem pública ou a paz social ameaçada por grave e iminente instabilidade institucional ou atingidas por calamidades de grandes proporções na natureza.

Nada disso ocorria no Brasil, nem ocorre. Portanto, o fato é da mais alta gravidade. Se Anderson Torres, que deve voltar ao Brasil esse fim de semana, estava complicada, imagina então depois da descoberta desse documento.

Houve também, até agora, a prisão de 1.500 bolsonaristas radicais. Os homens foram encaminhados para o Complexo Penitenciário da Papuda, e as mulheres para a Penitenciária Feminina do DF, também conhecida como colmeia. Aqueles terroristas que não haviam tomado vacina contra a covid, tiveram que se imunizar.

As autoridades também estão empenhadas em chegar até os financiadores destes atos golpistas. Quem foi ao DF promover a baderna que vimos no domingo viajou gratuitamente nos ônibus, com direito a lanches, e, e de acordo com depoimentos colhidos de presos, quando chegaram ao DF, muitos deles pararam no acampamento em frente ao quartel para almoçar.

E não apenas os atos de domingo de foram financiados, mas também o bloqueio das rodovias pelos caminhoneiros. Dinheiro, como sabemos, não brota da terra. E os caminhoneiros ficaram vários dias na estrada. Como ganharam dinheiro para se sustentar e sustentar suas famílias naqueles dias? E os desocupados que ficaram meses em frente aos quarteis, comendo e bebendo. Assim como sabemos que dinheiro não brota da terra, sabemos igualmente que ele não cai do céu. E aquele ficava lá comendo churrascos, água, e outros itens alimentares? Alguém os financiava, com certeza. É desse povo que as autoridades estão em busca, e chegarão a elas, e elas serão responsabilizadas.

O Tribunal de Contas da União já pediu a lista dos funcionários que estavam participando dos atos golpistas. E, mesmo sendo concursados, os funcionários identificados sofrerão consequências graves.

O lado bom de tudo isso é que os Poderes da República, não se abateram, não se renderam, nem se acovardaram. Muito pelo contrário, o trabalho no Congresso, no Senado, e no Palácio do Planalto continua a todo vapor, mesmo entre os cacos que sobraram.

 Todos os indícios até agora nos levam a concluir que o governo do Jair Bolsonaro tentou interferir no Judiciário, e mudar o resultado de uma eleição realizada na mais absoluta lisura a altamente democrática.


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Selvagens em Brasília

Posted by Cottidianos on 22:55

Segunda-feira, 09 de janeiro de 2023

Quem acompanha esse blog sabe que não foi uma nem duas vezes que foi dito que corria o risco de acontecer aqui o que aconteceu no Capitólio, nos Estados Unidos, em 06 de janeiro de 2021, deixando não apenas os USA chocados, mas também o mundo inteiro.

Pois bem, caros leitores e leitoras, aconteceu aqui bem pior do que o ocorrido nos Estados Unidos. Lá, apesar dos fatos terem acontecido quando os parlamentares estavam dentro das instalações do capitólio, bem como jornalistas, e de ter havido mortes, lá o ataque foi apenas na sede do legislativo. Aqui o ataque foi geral: Executivo, Legislativo e Judiciário.

Sem contar que o prejuízo material foi imensamente maior. Apenas em obras de arte destruídas pelos golpistas o prejuízo chega a R$ 9 milhões. Sem contar tudo o mais que eles destruíram; cadeiras, mesas, vidraças, e o que pudessem encontrar pela frente. Não contentes com isso, alguns golpistas chegaram a fazer necessidades fisiológicas dentro das instalações dos Três Poderes.

E eu que pensava que seria um domingo supertranquilo. Saí para dar uma volta no parque, apesar de um dia chuvoso e nublado. Talvez por isso mesmo tinha menos gente passeando por lá e, consequentemente, mais tranquilidade.

Estava por lá à tarde, quando comecei a receber dos amigos notícias pelo WhatsApp da barbárie que ocorria em Brasília. Não acreditei. Corri para os sites de notícias, e eles confirmavam as informações que recebia. Corri para casa para acompanhar o caso pela TV.

Uma coisa que me chamou a atenção foi o fato da TV Globo ter feito uma coisa que nunca fizera antes. Derrubou a programação da TV aberta e colocou a Globo News transmitindo, em tempo real, tudo o que acontecia em Brasília.

Interessante é que semana passada, havia recebido um vídeo pelo WhatsApp no qual um jornalista dizia que havia se infiltrado um grupo que organizava manifestações golpista em Brasília. No grupo, ele descobriu que os bolsonaristas estavam organizando uma grande manifestação golpista na capital federal. Os motivos eram os insanos motivos que os bolsonaristas costumam usar e que só existem na cabeça deles, como por exemplo, o de que estavam lutando contra a instalação do comunismo no Brasil. Vários outros sinais os bolsonaristas davam nas redes sociais de que pretendiam fazer o que fizeram em Brasília. Se, nós, leigos, sabíamos disso, imaginem então as forças de segurança do Distrito Federal.

No sábado, 7, às 21h30min o Poder 360 noticiava em seu site: “As forças de segurança do governo de Luiz Inácio Lula da Silva e do governo do Distrito Federal, sob comando de Ibaneis Rocha (MDB), identificaram a chegada de cerca de 80 ônibus e caminhões a Brasília nas últimas 24h. O objetivo dos manifestantes é protestar em frente ao Congresso, Supremo Tribunal Federal e Palácio do Planalto”.

Ou seja, não era novidade para ninguém que os manifestantes pretendiam estar na Esplanada dos Ministérios, no dia seguinte.

No domingo, 8, a polícia do DF, não apenas tolerou os golpistas, como também os guiou, conduziu, escoltou eles até a Esplanada dos Ministérios.


O número 2 da Segurança Pública do DF, Fernando de Souza Oliveira, enviou um áudio ao governador Ibaneis Rocha. O áudio foi gravado às 13h23min, uma hora antes de acontecer a invasão do Congresso, do STF, e do Palácio do Planalto. No áudio ele diz: “Governador, bom dia. Delegado Fernando falando. Governador, passar o último informe aqui do meio-dia para o senhor. Tudo tranquilo. Os manifestantes estão descendo lá do SMU (Setor Militar Urbano), controlado, escoltado pela polícia. Tivemos uma negociação para eles descerem de forma pacífica, organizada, acompanhada. Toparam. Não precisou conter lá em cima ônibus. É um ou outro ônibus que vai descer. Se descer perto da rodoviária, eles desembarcam ali na alça leste e seguem acompanhados pela Polícia Militar”.

Das coisas que vimos podemos dizer sem medo de errar que ou as forças de segurança do DF foram muito incompetentes, muito inocentes, ou coniventes com o que aconteceu. Isso ao certo as investigações dirão.

No sábado, 7, Flávio Dino, ministro da Justiça, no sábado havia autorizado o uso da Força Nacional em Brasília. Cerca de 400 homens. No fatídico domingo, 8, apesar da chegada de vários ônibus à Brasília, cheio de bolsonaristas exalando ódio por todos os poros, a Esplanada dos Ministérios não foi fechada, o efetivo policial que estava guardando o local talvez passasse um pouco de20 policiais, a tropa de choque não foi acionada, nem muito menos a Força Nacional autorizada por Dino. Enfim, algo muito estranho aconteceu no DF.

Ainda na tarde de domingo, o presidente Luís Inácio Lula, fez um pronunciamento no qual decretou intervenção federal na área de segurança do Distrito Federal. E nomeou, Ricardo Capelli, secretário-executivo do Ministério da Justiça como interventor.

Na madrugada de domingo para segunda, o ministro do STF, Alexandre de Moraes, determinou o afastamento do governo do DF, Ibaneis Rocha, de suas funções por 90 dias. Na decisão, o ministro classificou a atitude do governador como “dolosamente omissiva”, diante dos atos golpistas que depredaram a sede dos Três Poderes.  

Moraes também destaca o fato do governador ter dado declarações públicas que defendia uma falsa “livre manifestação política em Brasília”, e dele ter ignorado o apelo de autoridades para traçar um plano de segurança mais eficiente.

Ao afastar Ibaneis, Moraes atendeu a dois pedidos: Um feito pela AGU (Advocacia Geral da União), e outro feito pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), líder do governo no Congresso. No pedido AGU e Randolfe pedem providências para coibir os atos democráticos, como por exemplo, a desocupação dos prédios públicos, e dissolução das manifestações golpistas. Nenhum deles pediu o afastamento de Ibaneis. Para decidir afastar Ibaneis o ministro usou como argumento: “Diversos e fortíssimos indícios apontam graves falhas na atuação dos órgãos de segurança pública do Distrito Federal, pelos quais é o responsável direto o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha”.

Outro grande erro de Ibaneis Rocha foi ter colocado como secretário de Segurança do DF, o bolsonarista Anderson Torres, que atuou como ministro da Justiça e Segurança Pública do governo Bolsonaro, após a saída de Sérgio Moro. Inclusive, Ibaneis recebeu conselhos de ministro do STF para que não o colocasse como secretário de Segurança. Ibaneis fez como diz o ditado “ouvidos de mercador”.

Anderson Torre, inclusive, nem estava no Brasil neste domingo, ele está de férias nos Estados Unidos. Logo após a barbárie cometida pelos golpistas o governador Ibaneis Rocha exonerou Torres, e pediu desculpas aos representantes dos Três Poderes da República, talvez, numa tentativa de evitar a decretação de intervenção federal, mas não houve jeito.

A respeito dele, Moraes disse na decisão: “O descaso e conivência do ex-ministro da Justiça e Segurança Pública e, até então, secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, Anderson Torres – cuja responsabilidade está sendo apurada em petição em separado – com qualquer planejamento que garantisse a segurança e a ordem no Distrito Federal, tanto do patrimônio público só não foi mais acintoso do que a conduta dolosamente omissiva do Governador do DF, Ibaneis Rocha”.


Nesta mesma decisão, Moraes determina que sejam desfeitos os acampamentos dos bolsonaristas em frente aos quartéis em todo o país.

Muita gente já foi presa, e muita gente ainda será. E é preciso que assim seja. Os golpistas, inimigos da democracia, devem ser punidos exemplarmente, até para que o pior não aconteça. Isso mesmo, caros leitores e leitores, do jeito que esse povo está cheio de ódio, pode ser que um dele, ou alguns deles, planejem algum atentado conta o presidente Lula. Deus nos livre que isso aconteça. Mas, Lula que se cuide. Todo cuidado é pouco.

Não esqueçamos do principal personagem dos atos golpistas e bárbaros de ontem, e ele se chama Jair Bolsonaro. Ora, todos sabemos que quando a gente planta uma rosa e a rega com carinho, ela cresce vigorosa e linda, e enfeita o nosso jardim.

Da mesma forma, quando plantamos ervas daninhas e as regamos, elas crescem e destroem o nosso jardim, o nosso pomar, as nossas plantações. E foi o que fez Bolsonaro. Ele passou quatro anos, plantando a erva daninha do ódio, estimulando seus eleitores a se armarem.

O resultado disso tudo nós vimos ontem. Anteriormente, em menor grau havíamos visto quando da diplomação de Lula, também em Brasília. Se nos distanciarmos dos fatos veremos o quão nocivo Bolsonaro foi para os seus eleitores. Eles os transformou seus seguidores em cães raivosos, em gado indomado solto no pasto, em zumbis sem cérebro, e o que é pior, cheio de raiva, repletos de ódio.

Abaixo, segue texto do pronunciamento do presidente, Luís Inácio Lula da Silva, na tarde de ontem, após os atos de barbárie ocorrida ontem em Brasília, divulgado no site GGN.

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Confira a íntegra do pronunciamento do presidente Luís Inácio Lula da Silva, em 08 de janeiro de 2023:

Bem, vocês devem ter acompanhado pelo celular de vocês a barbárie que aconteceu em Brasília hoje. Aquelas pessoas que nós chamamos de fascistas, nós chamamos essas pessoas de tudo que é abominável na política. Invadiram a sede do Governo, invadiram a sede do Congresso Nacional, invadiram a Suprema Corte, como verdadeiros vândalos, destruindo o que encontravam pela frente.

Nós achamos que houve falta de segurança e eu queria dizer para vocês que todas essas pessoas que fizeram isso serão encontradas e serão punidas. Eles vão perceber que a democracia garante o direito da liberdade, ela garante o direito de livre comunicação, de livre expressão, mas ela também exige que as pessoas respeitem as instituições que foram criadas para fortalecer a democracia. E essas pessoas, esses vândalos, que a gente poderia chamar de nazistas fanáticos, de stalinistas fanáticos, ou melhor, de stalinista não, de fascistas fanáticos, fizeram o que nunca foi feito na história desse país.

É importante lembrar que a esquerda brasileira já teve gente torturada, já teve gente morta, já teve gente desaparecida. E nunca, nunca, vocês viram alguma notícia de algum partido de esquerda, de algum movimento da esquerda que invadisse o Congresso Nacional, a Suprema Corte e o Palácio do Planalto.

Não tem precedente na história do nosso país. Não existe precedente o que essa gente fez e por isso essa gente terá que ser punida. E nós, inclusive, vamos descobrir quem são os financiadores desses vândalos que foram à Brasília. Nós vamos descobrir os financiadores e todos eles pagarão com a força da lei esse gesto de irresponsabilidade, esse gesto antidemocrático e esse gesto de vândalos e de fascistas. Eu vou ler para vocês o decreto que eu vou assinar agora:

Decreto a intervenção federal no Distrito Federal, com o objetivo de pôr termo ao grave comprometimento da ordem pública, nos termos em que especifica:

O presidente da República no uso da atribuição que lhe confere o artigo 84, caput, inciso 10 e no artigo 34 inciso terceiro da Constituição decreta:

Artigo 1º – Fica decretada a intervenção federal no Distrito Federal até 31 de janeiro de 2023. A intervenção de que se trata o caput se limita à área de segurança pública, conforme o disposto no artigo 117A da Lei Orgânica do Distrito Federal.

Parágrafo 2º – O objetivo da intervenção é pôr termo a grave comprometimento da ordem pública no Distrito Federal, marcado por ato de violência e invasão de prédios públicos.

Artigo 2º – Fica nomeado para o cargo de interventor Ricardo Garcia Cappelli, que é o secretário executivo do Ministério da Justiça.

 Artigo 3º – As atribuições do interventor são aquelas necessárias às ações de segurança pública, em conformidade com os princípios e objetivos previstos no artigo 117A da Lei Orgânica do Distrito Federal.

Parágrafo 1º – O interventor fica subordinado ao presidente da República e não está sujeito às normas distritais que conflitarem com as medidas necessárias à execução da intervenção.

Parágrafo 2º – O interventor poderá requisitar, se necessário, os recursos financeiros, tecnológicos, estruturais e humanos do Distrito Federal afetos ao objeto e necessários à consecução do objetivo da intervenção.

Parágrafo 3º – O interventor poderá requisitar a quaisquer órgãos civis e militares da administração pública federal os meios necessários para a consecução do objetivo da intervenção.

Parágrafo 4º – As atribuições previstas no artigo 117A, da Lei Orgânica do Distrito Federal, que não tiverem relação direta ou indireta com a segurança pública permanecerão sob a titularidade do Governo do Distrito Federal.

Parágrafo 5º – O interventor no âmbito do estado do Distrito Federal exercerá o controle operacional de todos os órgãos distritais de segurança pública previstos no artigo 144 da Constituição e no artigo 117A da Lei Orgânica do Distrito Federal.

Artigo 4º – Poderão ser requisitados durante o período de intervenção os bens, serviços e servidores afetos às áreas da Secretaria de Estado da Segurança do Distrito Federal, da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária do Distrito Federal e do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal para emprego em ações de segurança pública determinadas pelo interventor.

Artigo 5º – Este decreto entra em vigor na data de sua publicação.

Eu tinha vindo, eu tomei a decisão de vir a Araraquara, porque eu estava em São Paulo e, antes de voltar a Brasília, eu queria prestar solidariedade ao companheiro Edinho e ao povo de Araraquara e, sobretudo, às vítimas, aos parentes da família que morreram todas as pessoas. Eu passei, aqui, junto com meu ministro da Cidade, junto com o meu ministro do Desenvolvimento Regional, para que a gente possa discutir com o Edinho e saber o quanto vai custar a reposição das coisas que foram destruídas aqui na cidade de Araraquara.

Nós sabemos que no Brasil existem muitas cidades que estão com problemas de chuva, com problemas de destruição de estradas e, lamentavelmente, o genocida que deixou o poder, deixou apenas R$ 25 mil para que a gente pudesse cuidar do desastre. Ou seja, ele não deixou nada para a gente cuidar das cidades, cuidar dos estados e do próprio Governo Federal.

Por isso, eu vim aqui com muita tranquilidade, até imaginava que o Edinho iria me convidar para o almoço depois da visita, depois da conversa, quando começamos a assistir pela televisão, a caminhada dos vândalos em direção à Praça dos Três Poderes. Chegando lá, vocês acompanharam, eles invadiram, quebraram muitas coisas e, lamentavelmente, quem tem que fazer a segurança do Distrito Federal é a Polícia Militar do Distrito Federal, que não fez. Houve, eu diria, incompetência, má vontade ou má-fé das pessoas que cuidam da segurança pública do Distrito Federal.

Não é a primeira vez, vocês vão ver nas imagens que eles estão guiando as pessoas na caminhada até a Praça dos Três Poderes. No dia 30, quando houve a minha diplomação, vocês viram aquele quebra-quebra em Brasília à noite, a Polícia Militar de Brasília estava guiando eles e vendo eles tocarem fogo em ônibus e não fazia absolutamente nada.

Esses policiais que participaram disso não poderão ficar impunes e não poderão participar da corporação, porque não são de confiança da sociedade brasileira. Eu espero que, a partir desse decreto, a gente possa não só cuidar da segurança do Distrito Federal, mas garantir de uma vez por todas, que isso não se repetirá mais no Brasil. É preciso que essa gente seja punida de forma exemplar, que essas pessoas sejam punidas de forma a que ninguém nunca mais ouse — com a bandeira nacional nas costas ou com a camiseta da seleção da brasileira, para se fingir de nacionalistas, para se fingirem de brasileiros — faça o que eles fizeram hoje.

Isto nunca tinha acontecido. Nem no auge da chamada da luta armada neste país nos anos setenta, houve tentativa de qualquer tentativa de qualquer grupo fazer qualquer quebra-quebra na Praça dos Três Poderes, no Palácio do presidente, no Palácio da Justiça e na Câmara dos Deputados.

Eu vou voltar para Brasília agora e vou visitar os três palácios que foram quebrados e pode ficar certo que isso não se repetirá, nós vamos tentar descobrir quem financiou isso, quem pagou os ônibus, quem pagava estadia, quem pagava churrasco todo dia e essa gente toda vai pagar. E também da parte do Governo Federal, se houve omissão de alguém no Governo Federal que facilitou isso, também será punido. Nós não vamos admitir.

Vocês sabem que eu perdi eleições em 89, eu perdi as eleições em 94, eu perdi a eleição em 98 e nenhum momento vocês viram qualquer militante do meu partido ou qualquer militante da esquerda fazer qualquer objeção ao presidente da República eleito. Esse genocida não só provocou isso, não só estimulou isso, como, quem sabe, está estimulando ainda pelas redes sociais, que a gente tá sabendo, lá de Miami de onde ele foi descansar.

 Na verdade, ele fugiu para não me colocar a faixa. E é muito triste depois da festa democrática do dia primeiro. A festa mais importante da posse de um presidente da República na história do presidencialismo no mundo inteiro. Nunca o povo trabalhador, os catadores de papel, os índios e as pessoas negras desse país colocaram a faixa no pescoço de um presidente da República. Pois no dia primeiro, eles colocaram.

Essa gente já estava em Brasília e essa gente teve medo de descer a Brasília com medo da multidão que estava lá para a posse. E aproveitaram o silêncio de um domingo, quando a gente ainda está montando um governo, para fazer o que eles fizeram hoje. Todo mundo sabe que tem vários discursos do ex-presidente da República estimulando isso.

Ele estimulou a invasão na Suprema Corte, estimulou invasão, só não estimulou a invasão do Palácio porque ele estava lá dentro. Ele estimulou invasão nos Três Poderes sempre que ele pôde e isso também é da responsabilidade dele, isso é de responsabilidade dos partidos que sustentam ele e tudo isso vai ser apurado com muita força e com muita rapidez.

Eu quero agradecer a vocês porque eu vim aqui para outra coisa e vou deixar aqui, depois, os meus ministros para falar com vocês — já conversaram com o Edinho o que o Governo Federal pode fazer para que a gente possa recuperar essa cidade maravilhosa chamada Morada do Sol.

Eu quero, Edinho, dizer para você que eu vou quarta-feira receber o governador do estado em Brasília e eu vou falar com ele que agora é a hora da gente provar que o ente federativo precisa funcionar. A Prefeitura vai utilizar o dinheiro que ela pode utilizar, o Estado precisa colocar dinheiro e o Governo Federal colocar dinheiro, porque o povo de Araraquara paga imposto e esse imposto vai para São Paulo, vai para o Brasil e a gente deve devolvê-lo em forma de benefício, para recuperar os prejuízos que a natureza causou.

É importante lembrar que, quando alguém hoje achar que a questão climática é uma coisa menor, que a questão climática é uma coisa de estudante, que é uma coisa de esquerdista, que é uma coisa de Partido Verde, não. A questão climática é uma coisa que está mudando por causa da irresponsabilidade do ser humano. O ser humano é o único animal capaz de destruir as coisas que prejudicam ele mesmo.

É por isso que muita gente que estava em Brasília hoje, quem sabe eram garimpeiros, garimpeiros ilegais, quem sabe sejam madeireiros ilegais. O cidadão não tem direito de cortar uma árvore que tem 300 anos na Amazônia, que é de todos os 215 milhões de brasileiros, cortar para ele ganhar dinheiro. Se ele quer utilizar a madeira para ganhar dinheiro, ele que plante e espere crescer, aí ele corte quantas madeiras ele quiser, mas ele não pode cortar aquilo que é patrimônio de toda humanidade e, sobretudo, patrimônio do povo brasileiro.

Essa gente estava hoje lá, o agronegócio maldoso, aquele agronegócio que quer utilizar agrotóxico sem nenhum respeito à saúde humana, possivelmente, também estava lá. E essa gente toda vai ser investigada, vai ser apurada e será punida.

Por isso, Edinho, eu peço desculpas de não ter podido fazer o que eu vim fazer aqui, mas meus dois ministros vão falar com vocês agora e nós vamos distribuir cópias do decreto para vocês, eu não sei se já está na internet e vocês podem pegar a cópia do decreto. No mais, gente, muito obrigado e eu espero voltar a Araraquara, o Edinho está me devendo há muito tempo um almoço e eu virei cobrar dele esse almoço.

Obrigado, gente.”


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Um raio de esperança nos céus do Brasil

Posted by Cottidianos on 00:25

 Terça-feira, 03 de janeiro

Prezados leitores e leitoras,

Feliz 2023 a todos e todas vocês! Que seja um ano de muitos sonhos a serem realizados, amores a serem vividos e principalmente, muita vida a transbordar em cada um e cada uma de vocês.

Este ano tivemos a volta dos grandes shows de réveillon em várias partes do mundo. Sinal de que ganhamos a guerra contra o coronavírus? Espero que sim, e que ele não volte a ser ameaça para nós. Isso, é sim, um grande motivo para comemorar. Vitória da ciência. Vitória da vacina e dos vacinados. Pena que o negacionismo tenha feito perder tantas vidas, que hoje ainda poderiam estar entre nós. Mas vamos torcer para que o negacionismo também perca força, e volte para o esgoto de onde nunca deveria ter saído.

É comum vermos várias pessoas, videntes, astrólogos, tarólogos, fazendo previsões por ocasião de mais uma passagem de ano. Uns acertam, outros erram feio, entretanto eles podem se dar a esse luxo, correr esse risco. São videntes, são adivinhos, não tem a resposta pronta para coisa alguma. Uns guiam-se pelos astros, talvez esses tenham mais possibilidade de acertos, e outros guiam-se pela intuição, pelo instinto.

No caso dos jornalistas, eles não podem se dar ao luxo de fazer previsões. Eles não lidam com conjunções astrais, nem com intuição, e muito menos com adivinhação. Sua matéria de trabalho são os fatos.

O jornalista J.R. Guzzo, se aventurou a seguir pelos caminhos dos charlatões e fazer previsões sobre a posse do presidente Luís Inácio Lula da Silva e passou vergonha. Deve estar até agora procurando um buraco para se esconder.

Em matéria publicada no jornal Gazeta do Povo, publicada no dia 29 de dezembro de 2022, ele escreveu um artigo sombrio sobre o que ele achava que seria a posse do novo presidente: “A festa da posse vai ser a portas fechadas, e reservada exclusivamente a militantes e à multidão de aproveitadores que gira em torno deles: empreiteiros de obras, banqueiros com problemas na justiça, advogados criminalistas de corruptos milionários, mandarins do Judiciário, a politicalha em peso. O povo brasileiro está de fora. As bandeiras do Brasil, o verde-amarelo e o Hino Nacional estão longe de lá – estão diante das guarnições militares, em protesto contra eleições que consideram roubadas, um governo que não reconhecem como legítimo e uma dupla STF-TSE que fez todo o esforço possível para os manifestantes acharem as duas coisas”.

Ao contrário do que previu o vidente jornalista não houve nada disso e a posse o presidente eleito democraticamente nas últimas eleições presidenciais foi uma festa maravilhosa, muito democrática e cheia de simbolismos.

É bem verdade que havia muita tensão dias antes da posse por causa da descoberta de uma bomba que foi colocada em um caminhão que transportava combustíveis, estacionado em uma das vias de acesso do aeroporto de Brasília. Só não houve naquele dia uma tragédia de grandes proporções devido; primeiro a inabilidade dos bolsonaristas terroristas que não conseguiram acionar o botão detonador; segundo ao motorista do caminhão que notou algo estranho no veículo, e chamou a polícia; e em terceiro lugar, a própria polícia que foi até o local e desativou o dispositivo.

A segurança foi reforçada. Houve muito suspense sobre se Lula desfilaria em carro aberto ou em carro à prova de bala. Certamente deve ter havido pedidos nesse sentido por parte da equipe de segurança. Mas Lula é Lula, é do povo, é teimoso. Nem conseguiríamos imaginar ele desfilando em carro blindado, longe do povo.

Não há como não fazer comparações com a posse de Bolsonaro. Naquela ocasião, em cima do Rolls-Royce presidencial estavam Bolsonaro e Michele. O vice-presidente, Hamilton Mourão, não estava com eles. Era como se não fizesse parte daquela festa, daquele momento. E o que vimos durante os quatro anos de governo foi uma relação fria entre Bolsonaro e Mourão. O vice-presidente não tinha voz nem vez no governo.

Na posse deste domingo, 1o, estavam no carro presidencial não apenas Lula e Janja sua esposa, mas também o vice-presidente, Geraldo Alckmin e sua esposa, Lu. Desfilaram em carro aberto, acenando para os seus apoiadores e admiradores. Nem sinal em suas faces da tensão prevista pelo jornalista J.R. Guzzo.

O presidente Jair Bolsonaro deveria estar presente e entregar a faixa presidencial para Lula, mas seria esperar demais dele uma atitude tão nobre. Ao invés disso, dois dias antes da festa, ele fugiu do país. Foi passar o fim de ano nos Estados Unidos. Ainda não tem data para voltar.

Foi de avião da Força Aérea Brasileira e deixou a ver navios seus apoiadores, que esperavam ardentemente por uma intervenção militar, uma ordem do capitão para agir, uma tomada do país pelas forças do Exército, Marinha e Aeronáutica. Foi para eles um fim melancólico.

Outro suspense que se criou foi sobre quem passaria a faixa presidencial para Lula. Mistério desfeito, quem passou a faixa para ele foram representantes do povo brasileiro. Subiram a rampa com Lula; Francisco Filho, 10 anos, estudante; Aline Sousa, 33 anos, catadora; Cacique Raoni, 90 anos; Weslley Rocha, 36 anos, metalúrgico; Murilo Jesus, 28 anos, professor; Jucimara Santos, cozinheira; Ivan Baron, influencer anticapacitista; Flávio Pereira, 50 anos, artesão; também subiu a rampa com eles uma representante do reino animal: Resistência, cachorra de Janja adotada por ela ainda nos dias que Lula esteve preso em Curitiba.

A faixa presidencial passou de mão em mão de cada um deles, terminando na catadora de materiais recicláveis, Aline Souza, a quem coube colocar a faixa presidencial em Lula.

Enquanto isso, em Orlando, nos Estados Unidos, Bolsonaro ignorava momento tão significativo e se reunia com apoiadores. Nunca teve, nem nunca terá a menor noção do que é ser presidente de uma nação.

Lula fez dois discursos, um durante cerimônia de posse no Congresso Nacional, presidida pelo presidente do Congresso, Rodrigo Pacheco, e outro no Palácio do Planalto. Nos discursos que proferiu ele conclamou o Brasil a retomar o caminho da paz, mas também cobrou punição para os que praticaram atos violentos. Alguns veículos de imprensa viram discursos contrastantes no discurso dele, eu não entendi assim. Afinal, quem errou que pague pelos seus erros, inclusive o ex-presidente, Jair Bolsonaro.

Agora, botamos o pé no barco de 2023 com novo comandante, e que esta viagem nos seja agradável e justa.

Nota triste nessa festa toda, foi a partida para a eternidade do brasileiro mais ilustre de todos os tempos: o rei Pelé. O rei do futebol faleceu no dia 29 de janeiro, mas só será sepultado nesta terça-feira. Foi um pedido da família que as cerimonias de despedida dele só acontecessem depois da posse de Lula.

O corpo de Pelé está sendo velado na Vila Belmiro, em Santos, na sede do clube que o consagrou, mais verdade que Pelé consagrou o Santos F.C. O sepultamento deverá ocorrer nesta terça-feira, 03 de janeiro.

Quem também nos deixou ainda no último dia do ano passado foi o Papa emérito Bento XVI. O pontífice faleceu no dia 31 de janeiro, e está sendo velado na Basílica de São Pedro, no Vaticano.

É assim o destino inevitável: Um dia a morte vem para todos; reis, rainhas, papas, nobres e plebeus, velhos e jovens. Não adianta chorar, não adianta se esconder, quando chega a hora de partir, não há desculpas, tem-se apenas que partir.

E como teve famosos pegando o bonde para a eternidade este ano... O céu procurou celebridades para levar embora, não apenas no Brasil, mas também no exterior. Gente muito talentosa pegou o caminho das estrelas, como Gal Costa, Erasmo Carlos, Jô Soares, e a Rainha Elizabeth II.

Que sejam todos bem acolhidos na pátria celeste.

Quanto ao governo de Lula e Alckmin, que venha carregado de bonança e que consigamos reconstruir o Brasil que Bolsonaro havia posto abaixo.


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