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Um gigante chamado Brasil, e um valoroso capitão chamado Lula

Posted by Cottidianos on 01:19

Campinas, 28 de outubro

                                                                                             

A postagem de hoje é mais um desabafo do que uma análise das eleições presidenciais realizadas no último domingo, 25. Digo desabafo por que me coloco neste texto, portanto, dando a ele um caráter bem pessoal a estas linhas. Mas ao mesmo tempo que expresso meus sentimentos, expresso também os sentimentos de milhões brasileiros.

Portanto, muitas vezes no texto, quando uso o pronome pessoal na primeira pessoa do singular (eu), entenda-se, o pronome pessoal na primeira pessoa do plural (nós).

Confesso que, quando foram abertas as urnas no primeiro turno das eleições presidenciais realizadas no dia quatro de outubro, foi como se um balde de água fria tivesse caído sobre minha cabeça. Uma tristeza imensa se abateu sobre meu peito. Flávio Bolsonaro saiu na frente com 47,03% dos votos, e Lula com 45,16%. Esperava eu que Lula vencesse no primeiro, ou se isso não acontecesse, que ele passasse à frente do filho de Jair Bolsonaro.

O balde de água fria se tornava ainda mais gelado quando eu pensava que o congresso que saiu formado dessas eleições, deputados e senadores, fora majoritariamente de extrema esquerda. E água do balde congelou de vez quando pensei que, desde a redemocratização, em 1989, nenhum candidato que passou para o turno em segundo lugar venceu as eleições, aí nem água gelada caia mais na minha cabeça, apensas cubos de gelo. E eles bateram forte e me deixaram com dor de cabeça.

Naquela noite, em pronunciamento logo após a divulgação do resultado, o presidente Lula falou:

“Acabamos de ter uma eleição da democracia do Brasil. Precisamos agradecer aos milhões de brasileiros que foram a urna dar seu voto, para deputados, senadores, governadores, presidente. O resultado é muitas vezes inesperado, confesso que estava convencido de que iria ganhar no primeiro turno.

Eu gostaria de ter ganhado as eleições no primeiro turno, eu pensei isso em 1989, em 1994, em 1998, em 2002, pensei isso com a Dilma em 2010, com o Haddad em 2018, eu pensei em 2022, não deu certo. Porque o povo gosta que eu dispute o segundo turno. Eu sou bom de mata-mata. A partir de amanhã, a gente começa uma nova campanha, uma campanha apenas entre dois candidatos, que a gente vai poder mostrar a diferença entre as propostas que existem para o Brasil.

Do outro lado, temos apenas incerteza com uma biografia de um passado tenebroso. Não há biografia do pai, do filho. É uma biografia tenebrosa com suspeitas gravíssimas, com relação com os milicianos, com o crime organizado, com os assassinatos do Rio de Janeiro. Tudo isso vai ficar claro e também com a participação na criação do Banco Master, que resultou na maior orgia envolvendo políticos e autoridades desse país”.

Ao ir para a cama naquela noite, ainda ecoava na minha mente as palavras de Lula. Tempos difíceis com Flávio Bolsonaro na presidência. O Lula dizendo nas entrelinhas: Acreditem, eu consigo.

No outro dia, e nos dias subsequente, a imprensa dizendo: Ele não conseguirá reverter o resultado. E os que diziam que havia alguma luz no túnel sempre me lembravam que nenhum presidente havia sido eleito tendo passado em segundo turno. Quem vencia as eleições era sempre o primeiro colocado no primeiro turno.

A votação de Flávio me atingiu com a força de quem e atingido no estômago por um soco. Uma revolta surgia no coração ao ver que a maioria dos brasileiros havia escolhido um cara envolvido com milicianos, cujos aliados tinha ligações com o comando vermelho, que há muito praticava atos ilícitos, e cujo pai, presidente em governo anterior, havia tentado um golpe de estado.

Então Flávio Bolsonaro, cheio de arrogância, já foi dizendo que mudaria a Constituição, nossa Lei Maior. Já foi escolhendo aliados para ministérios. Dizendo que faria tesouraço nas contas públicas com tesoura afiada que cortaria, certamente, os mais pobres e mais necessitados. E também ameaçando cortar direitos trabalhistas. Dias sombrios se descortinavam no horizonte do meu país. Enfim, o filho de Jair Bolsonaro parecia ter sentado na cadeira presidencial sem ainda nem ter sido eleito de fato e de direito.

No meio desse turbilhão surgiu a luz da esperança, ou a luz no fim do túnel, como preferirem surgiu na pessoa de um tal de André Janones, deputado federal, que domina um terreno que a direita conhece bem: as redes sociais. Eu, particularmente, não gostava do Janones. E não gostava por que achava ele sensacionalista, que usava os mesmos métodos da extrema-direita.

Então, de repente, surgiu nas redes sociais essa cara, como um João Batista pregando no deserto e dizendo “Eu sou a voz que clama no deserto, endireitai os caminhos do presidente. Aquele que vem depois de mim é mais forte que eu”.

Ele criou um canal de WhatsApp chamado Exército do Lula, e lá ele era um valoroso general, e como um louco, dizia aos soldados, “Façam isso. Façam aquilo” ou “Não façam isso. Não façam aquilo”. E os comandados obedeciam. Afinal estávamos no meio de uma guerra e, numa guerra, os soldados obedecem ao general, que por sua vez obedece ao capitão, e tudo é pelo bem comum da nação.

Os soldados brasileiros que, no primeiro turno, haviam baixados a guarda e as armas achando que a batalha seria fácil de ser vencida, perceberam o perigo que corriam e puseram as armas em punho, começaram a executar os planos elaborados pelo general Janones para a batalha. E enquanto Flávio Bolsonaro praticava a arte da verborragia, os comandados de Janones, integrantes do Exército do Lula, cresciam dia a dia, eram milhares e foram se tornado milhões. E foram as ruas. Inundaram as ruas de um novo vigor, de uma nova esperança.

Eu ouvi o comando de Janones, “Se ainda não é inscrito, se inscreve agora no canal Exército do Lula”, e eu que não sou besta nem nada, fui correndo me inscrever. E fui pra rua, e gritei a plenos pulmões contra o fascismo a tirania, e em defesa da liberdade. Apesar de confiante, a angustia me dominava o peito. À noite, ia dormir bem tarde, não porque quisesse, mas por que pairava uma ameaça sobre os céus do meu país, e isso me tirava o sono.

Então os sinais foram aparecendo. O primeiro deles foi a luz da espiritualidade. Comecei a seguir canais de pessoas que jogavam búzios e tarô, oráculos milenares e sábios que a tanta gente já ajudou a achar o caminho na vida. E todos, sem exceção, diziam: “Lula ganha no segundo turno”.  “A vitória no segundo turno é de Lula”. Porém todos acrescentavam: “Vai ser uma vitória muito apertada”. Era essa última parte que não deixava a angústia ir embora de vez.

O segundo sinal veio das manifestações de rua. Um mar de gente na Avenida Paulista, em Copacabana, em Recife, em Belo Horizonte, e por aí vai. Eu via aquelas imagens pelas redes sociais e ficava incrédulo: “Será que isso é verdade, ou é inteligência artificial”, eu me perguntava.

Até que as manifestações passaram a ocorrer também na cidade em que moro, Campinas, SP. E foram três finais de semana seguidos, e a cada final de semana aumentava mais o contingente de soldados. Até que na última eu vi nas ruas aquele mar de gente que via nas redes sociais, e como Tomé botando o dedo na ferida de Jesus, eu acreditei. Pensei: Só vi tal coisa acontecer em 2018, quando Jair Bolsonaro foi eleito presidente. E eu tive ainda mais certeza.

O terceiro sinal veio do Exército do Lula, das orientações de Janones. Ele dizia: “Com tal e tal engajamento, não tem como o presidente Lula perder a eleição. E olha que o Kássio Nunes tentou de todas as formas derrubar o canal. Não conseguiu. E nisso já éramos 10 milhões de soldados.

Então eu tive certeza da vitória do Lula. Mas mesmo tendo essa certeza, meu coração ainda estava angustiado, pois não via a hora daquilo tudo acabar. Na semana que antecedeu a eleição, eu já nem dormia direito. Não conseguia me concentrar nas atividades diárias. Mesmo assim, consegui reunir forças e escrever a postagem anterior para vocês.

Enfim, chegou o domingo, 25, dia da eleição. A batalha final. Acordei cedo e rumei para o local onde voto. Quando cheguei na seção eleitoral, já me bateu uma angústia no peito, uma vontade de chorar, e assim foi o dia todo, de quando em quando, me vinha aquela vontade de chorar.

À noite, fui à missa. Nem quis olhar resultado na Internet. Quando voltei da missa, liguei o som para não ter que ligar TV ou rádio e acompanhar a apuração. Estava nervoso demais. De dentro do apartamento, eu comecei a ouvir gritos na rua. Pensei que o Lula estava na frente, mas também podia ser o Flávio. Fiquei na expectativa, até que, ao final da apuração, o porteiro, a quem dissera mais cedo que não acompanharia a apuração, interfonou no meu apartamento, e me comunicou a frase mais esperada: Vencemos!

Um grito de vitória explodiu no meu peito. Na rua carros começavam a fazer buzinaço. Pessoas gritavam “Lula”. Então eu vesti minha camiseta vermelha “Lula Presidente” e saí às ruas para comemorar, junto à multidão que já começava a se formar em uma das grandes avenidas da cidade.

Voltei para casa, exatamente, à meia noite, a ponto de ligar a TV e ver outra multidão na Avenida Paulista. E em cima do carro de som, falando para milhões de soldados estava o valente capitão, Luís Inácio Lula da Silva, o nosso Lula.

E ao ir para a cama ainda não consegui dormir tão rápido. Fiquei pensando em quão difícil havia sido a batalha. Disputa de voto a voto, uma hora Flávio Bolsonaro estava na frente, outra hora era Lula. Mas, ao final, a virada chegou.

E fiquei pensando em como Lula é gigante. Fez história ao se eleger para um quarto mandato, sempre pelos braços do povo. Fez história por ser o primeiro a virar uma eleição tendo passado em segundo lugar no primeiro turno.

Tal como a história bíblica do pequeno pastor, Davi, que venceu o gigante Golias. Davi, usando apenas um cajado, cinco pedras lisas, e uma funda (arma rudimentar usada para atirar pedras a longa distância) conseguiu vencer o gigante Golias, Lula também teve que lutar contra gigantes.

A Meta foi um deles. Dona do Instagram, WhatsApp, e Facebook, a empresa usou diversas formas de interferir nas eleições, as doações financeiras que aportaram na campanha do Flávio, foram em numero infinitamente maior que para a campanha de Lula. Houve ainda os ricos e poderosos empresários da Faria Lima, os igualmente ricos e poderosos donos dos meios de comunicação, todos apostando na vitória do Flávio e, consequentemente, na derrota do Lula. Não esqueçamos do presidente e do vice-presidente do TSE, respectivamente, Kássio Nunes Marques e André Mendonça.

E na véspera da eleição e no dia o boicote de companhias áreas que cancelaram voos que se dirigiam para o Nordeste, forte reduto eleitoral de Lula, e prefeitos de algumas capitais que não colocaram ônibus suficiente nas ruas para o transporte de eleitores.

De outro lado, tal qual Davi, Lula só tinha Janones movimentando as redes sociais e o povo na rua, e isso foi suficiente para uma vitória retumbante.

Parado ali, no meio da multidão, na festa da vitória eu fiquei pensando: Era como nos dias em que o Brasil venceu Copas do Mundo. A alegria, a euforia, o peso saindo dos ombros, todo o sofrimento de uma batalha sendo compensado pelo vinho da alegria. E essa eleição era ainda mais importante do que qualquer mundial já ganho pela nossa seleção, afinal, o que estava em jogo era a nossa liberdade, e essa foi difícil reconquistar e não queremos correr o risco de perde-la jamais.

Então finalmente, as lágrimas puderam escorrer, livremente, pelo meu rosto. Mas não eram lagrimas de tristeza, mas de uma grande alegria. A alegria é contagiante em saber que estava participando da história, de uma página da história sendo escrita naquele momento. Senti orgulho desse cara chamado Luís Inácio Lula da Silva, ou, simplesmente, Lula. Orgulho de fazer parte dessa imensa nação brasileira, de ser parte desse povo forte e que não foge à luta.

O governo de Lula será um mar de rosa. Certamente, não. Afinal temos um congresso de extrema-direita, mas agora eles sabem que Lula não está sozinho, que há um exército de milhões de soldados ao lado dele.

Reparem que sempre usei durante todo o texto a palavra “batalha” e não “guerra”. Isso foi proposital, pois ainda há um inimigo a ser vencido, e esse inimigo se chama bolsonarismo. Essa doença, esse vírus que se assola o nosso país desde 2018. Eu sempre pensei que não era mais possível vencê-lo, mas essas eleições me encheram de esperança, pois me mostraram que não inimigo invencível quando há um povo forte, destemido, e disposto a vencer as adversidades, sejam elas que que tipo forem.

Ontem também é um dia especial. Dia do aniversário de Lula, que ganhou de presente mais um mandato. 81 anos bem vividos. Um homem com 81 anos com a disposição e o folego que ele tem não é para qualquer um.

Feliz Aniversário, presidente! Deus o abençoe!

O texto deveria terminar neste ponto, porém, ontem, à tarde, o Brasil foi surpreendido por uma notícia que impactou o país: a fuga de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos. Logo após as eleições, o ministro do STF, Alexandre de Moraes pediu a apreensão dos passaportes de Flávio Bolsonaro.

O motivo foi que Flávio Bolsonaro é investigado em processo no qual Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz são investigados por lavagem de dinheiro e evasão de divisas, em um suposto esquema que envolve as empresas de Tomaz e Bets. E nesse esquema rolou muita grana, talvez até mais que a grana, R$ 60 milhões que Flávio recebeu dizendo que ia para o filme Dark Horse, mas que na verdade, desconfia-se tenha ido para a conta dos Bolsonaros nos Estados Unidos.  

Reuters e NYT dizem que Flávio Bolsonaro está a caminho dos EUA | G1


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O gavião e os pombos

Posted by Cottidianos on 21:01

 Campinas, 22 de outubro

Que tal começar o texto de hoje com uma fábula?

A fábula é um gênero narrativo, curto, que pode ser escrito em prosa ou verso, e que apresenta animais, plantas, ou qualquer outro objeto e neles coloca pensamentos e sentimentos humanos para a partir daí transmitir uma lição de moral ou ensinamento ético.

E os irmãos Grimm foram mestres nessa arte. Não apenas na escrita de fábulas, como também nos contos de fadas. Nascidos na cidade de Hanau, então parte do Sacro Império Romano-Germânico, Jacob Grimm e Wilhelm Grimm foram mestres na arte de criar personagens fantásticos e mundos imaginários cheios de príncipes e princesas, bruxos e bruxas, que há tempos vem encantando o mundo, geração após geração. 

São deles histórias como; Cinderela, Branca de Neve e os Sete Anões, João e Maria, Rapunzel, e tantas outras.

Hoje, apresento a vocês a fábula:

O gavião e os pombos

Alguns pombos viviam há muito tempo com medo de um gavião, mas como sempre se mantinha alertas e perto do pombal, todas as vezes conseguiam escapar dos ataques do inimigo. Vendo que suas investidas não davam resultado, o gavião então buscou a astúcia para enganar os pombos.

“Por que, perguntou ele certa vez, vocês preferem esta vida de constante ansiedade quando eu poderia proteger vocês dos constantes ataques dos papagaios e falcões? Tudo o que vocês precisam fazer é me tornar seu rei e eu não incomodarei mais”.

Confiando em suas palavras, os pombos, elegeram o gavião como o rei deles, mas assim que foi coroado ele começou a exercer sua prerrogativa real devorando um pombo por dia.

“Bem feito para nós”, disse um pobre pombo cuja vez não tinha chegado ainda.

Moral da história: Alguns remédios são piores do que a própria doença.

                                                               ***


E aqui estou eu, diante deste notebook, desta página aberta de word, pensando em como começo esta segunda parte do texto. E como estou eu? Me sinto como um barquinho em pleno oceano, em dia nublado, sendo agitado pelas ondas, vivendo as incertezas do momento, rezando para que o barco não se choque com nenhuma rocha e para que o barco não naufrague. 

Um mar de emoções me domina, me arrasta, me afasta de terra firme e me lança na solidão do vasto oceano. Os ventos fortes parecem estar todos dentro de minha mente, fazendo rodopiar meus pensamentos. Por vezes, esse mar revolto me assusta, me angústia, me paralisa. Mas não posso me entregar a sentimentos de desanimo. É preciso continuar remando se quiser sobreviver. Cruzar os braços, jamais. Uma guerra está sendo travado em minha nação e eu preciso pegar meu escudo e minha espada e participar dela também. E nisso encontro alento no verso do hino nacional brasileiro que diz: “Verás que um filho teu não foge à luta”.

O assobio do vento me traz também a mente os versos da canção de Gilberto Gil, Andar com Fé, diz Gil em um dos versos da canção:

“Andar com fé eu que a fé não costuma faiar.

A fé tá na manhã.

A fé tá no anoitecer.

Ou no calor do verão.”

Uma canção puxa outra e eu me lembro da canção de Ivan Lins, Desesperar Jamais.

“Desesperar jamais, aprendemos muito nesses anos.

Afinal de contas não tem cabimento,

entregar o jogo no primeiro tempo

Nada de correr da raia,

Nada de morrer na praia

Nada, nada de esquecer.”

É isso. Quem anda com fé não foge da raia, não morre na praia, nem esquece os tormentos que passou, ou que outros passaram. Me refiro aos tempos sombrios da ditadura, cujos fantasmas ameaçam retornar ao Brasil atual.

Assim estou eu num turbilhão de emoções. Assim igualmente estão milhões de brasileiros que dentro de poucos dias estarão escolhendo o presidente que comandará a nação a nação verde e amarela por mais quatro anos.

Esta é, com certeza, é eleição presidencial mais estranha que já enfrentamos. Uma campanha que já começou ofuscada pelos tentáculos do Vorcaro e seu Banco Master sobre integrantes do STF, e do próprio senador Flávio Bolsonaro. Não houve apresentação de propostas. Vésperas de eleição e nem sabemos o que os candidatos pensam e quais são os seus projetos em áreas importantes e fundamentais para o bem-estar social, cultural, e econômico da nação. 

Do Lula, já sabemos, mesmo que ele não tenha discutido a fundo às propostas, supomos que um próximo governo dele terá um caráter de continuação. Já com o Flávio será um completo tiro no escuro, um jogar-se no abismo. Um triste retrocesso no qual direitos que os brasileiros levaram anos para conquistar podem ser destruídos em poucos meses. Estando, inclusive, ameaçada o nosso pilar principal: a democracia, que, para ser reconquistada foi preciso muito sangue e suor.

Dessa vez é diferente. A impressão que temos é que estamos diante de um moleque, não um moleque boa praça, mas um moleque cínico, vazio de ideias, e um homem experiente, um verdadeiro estadista.

O moleque está personificado, pelo menos foi assim que ele se comportou no domingo, 18, no debate da Band. O formato do debate permitia que no bloco inicial os candidatos tivessem quinze minutos para circularem pelo estúdio num confronto direto. Uma verdadeira arena.

Já nesse bloco, o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, já partiu para o ataque, fugindo, dessa forma, da apresentação de propostas. O filho do ex-presidente já foi logo perguntando a Lula sobre Roberta Luchsinger, que havia dado uma entrevista na CNN, falando que ia fazer uma delação premiada. Luchsinger é uma pilantra de marca maior, uma empresária altamente desonesta. Se realmente ela era amiga do Lulinha, filho de Lula, então o filho do presidente é muito ruim para escolher amizades. Lula respondeu que o caso estava com a Polícia Federal e que a PF estava investigando o caso.

A partir daí, Flávio Bolsonaro puxou o debate para um nível muito baixo. Lula, acostumado a debater com gente mais experiente e mais madura, ficou, nos minutos iniciais do debate muito nervoso e desconcertado. Flávio não respondeu aos questionamentos de Lula, que por sua vez também não respondeu aos questionamentos de Flávio.

Enfim, foi um dos piores debates que já se viu em eleições presidenciais. E, na sexta-feira, 22, às 21h20min, eles se enfrentarão novamente no debate promovido pela Globo.

É isso. É preocupante ver que os brasileiros (os pombos), grande parte deles querem fazer presidente o gavião (Flávio Bolsonaro). E a natureza do gavião não é cuidar do bem estar dos pombos, ao contrário, é devorá-los, um a um.

E quando vier o grito de lamento, de arrependimento: “Bem feito para nós”, será tarde, muito tarde.

E que não esqueçamos a moral da fábula citada no começo do texto: “Alguns remédios são piores do que a própria doença”. Que os bolsonaristas, na ânsia de buscar um remédio para o antipetismo doentio e tão fortemente alimentado por eles, não encontrem um remédio pior que a própria doença (o ódio) que trouxeram para dentro do sacrário de suas mentes.

É isso, caros leitores e leitoras, na próxima postagem que farei já saberemos quem terá sido o escolhido. Queira Deus, seu filho Jesus, e nossa mãe Aparecida, iluminem a mente dos brasileiros que ainda estão indecisos para que eles pendam para o lado certo. O lado que fará o sol da justiça brilhar sobre nossa nação derramando sobre todos nós a luz da esperança.


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Fantasmas do passado

Posted by Cottidianos on 22:40

 Campinas, 15 de outubro

Certa noite, cansado da lida do dia a dia, adormeci profundamente.

Gradativamente fui descendo para o insondável e misterioso reino dos sonhos. Era levado até lá por um ser de grande porte. Uma luz azulada emanava do seu corpo etéreo. Grandes asas saiam de saiam de seu dorso. Seu rosto emanava serenidade. Seus braços fortes e aconchegantes me carregavam como se carrega uma criança nos braços.

Lentamente, fomos descendo cada vez mais. Passamos por várias eras. Às vezes ouvíamos gritos de alegria, outras vezes, de tristeza. Atravessávamos vales e desertos, regiões de luzes e sombras.

Até que chegamos enfim a um lugar que não conhecia. Uma época de grandes instabilidades, rostos insatisfeitos e tristes de pessoas que passavam por grandes provações e dificuldades financeiras.

-_onde estamos? Perguntei?

Antes da resposta do ser alado que havia me levado àquele lugar, deixem-me dizer que ele era, se é que o perspicaz leitor já não adivinhou que era.

Trata-se de Mórfeu, deus grego filho de Hipnos, deus do sono. É ele quem molda as formas humanas enquanto sonhamos. Ele cria as imagens nos nossos sonhos, às vezes são imagens reconfortantes, outras não.

Para a minha pergunta feita acima Morfeu respondeu:

_. Estamos na Alemanha, no ano de 1923, mais precisamente na noite de 8 de novembro daquele ano. As ruas do centro do Munique, na Baviera, estavam lotadas de pessoas. Elas marchavam pelas ruas. Fisionomias sérias e concentradas, preocupadas. Tentam tomar o governo. Tem como líder um revolucionário, de trinta e cinco anos, brilhante na arte da oratória. Fazem parte de um partido político chamado nazismo, e são denominados nazistas. Marcham determinados, porém a determinação deles esbarra num cordão policial. Confusão. Tiros disparados. Gente correndo para todos os lados, inclusive o líder. Resultado: 16 nazistas mortos. A partir daquele dia, os mortos naquele confronto se tornariam para os nazistas heróis e mártires. 

Hitler escapou dos tiros e da prisão em flagrante, entretanto, dias depois foi preso, acusado de traição, e levado a julgamento. Considerado culpado foi condenado a cinco anos de prisão, porém, ficou apenas noves meses na prisão, sendo libertado em 20 de dezembro de 1924. Foi na prisão que ele escreveu o livro que é considerado a bíblia do nazismo, Main Kempf, Minha Luta, na tradução em português. Nesse livro ele já falava claramente sobre o que pensava do governo da Alemanha e dos judeus. Não escreveu seus pensamentos nas entrelinhas do livro, ao contrário, estava tudo ali, tão claro quanto o sol escaldante do meio dia, para quem tivesse olhos para ler e ouvidos para entender.

Da tentativa de golpe Hitler aprendeu uma lição: Era muito arriscado e complicado chegar ao poder através de um golpe que envolvesse derramamento de sangue. Era mais tranquilo se infiltrar no poder como um vírus se infiltra no corpo humano e, a partir das entranhas do organismo humano, destruir todas as células de defesa do organismo político-social.

E o caminho que ele encontrou para isso foi o voto, a carreira política. A cada ano o partido nazista crescia um pouquinho, como uma praga que se instala nos plantios e o agricultor só a percebe quando ela já comprometeu metade da plantação.  

 Em 1928, o partido nazista conquistou 12 cadeiras no Reichstag, o parlamento alemão. O número de filiados ao partido também crescia dia a dia.

A carruagem do tempo foi andando e, em 1929, veio a queda da bolsa em Wall Street provocou uma catástrofe mundial. E o povo alemão que já vinha passando por maus bocados desde o fim da Primeira Guerra Mundial, foi ainda mais para o fundo do poço. Vieram as dificuldades financeiras, desemprego em massa, inflação altíssima, privações e desânimo.

Então, os alemães cansados da República, revoltados com toda essa situação, e também cheios de amargura por terem perdido a Primeira Guerra Mundial, começaram a buscar novas opções. E os nazistas eram uma delas. Nas eleições de 1930, os partidos dos nazistas e o dos comunistas foram os que obtiveram maior sucesso nas eleições. Quase 40% das cadeiras no Reichtag ficaram com essas duas correntes ideológicas.

Os partidos moderados se viram em uma situação delicada, uma vez que para governar precisavam de apoio dos antidemocratas. Os comunistas, também cansados da República, preferiram ficar ao lado dos nazistas e contra a República. Coitados, fizeram como fazem as galinhas tolas que levam a raposa para dentro do galinheiro, ou como a barata que se alia ao inseticida.

Nas eleições de 1932, Hitler se candidata a presidente, e perde. Paul Von Hindenburg, candidato com o qual ele disputou a eleição foi reeleito para a presidência da Alemanha. Hitler perdeu as eleições, mas não perdeu a batalha: o partido nazista se tornou o maior partido do Reichstag, porém ainda não possuía maioria.

No dia 30 de janeiro de 1933, através da uma astuta jogada política, Hitler consegue tomar posse como chanceler da Alemanha. E o partido nazista ainda ganhou mais dois cargos no governo. Um sorriso de felicidade lhe brotava dos lábios: estava, finalmente, conseguindo alcançar seus objetivos. Faltava-lhe apenas a cereja do bolo: a presidência. Mas isso era uma questão de tempo, e ela não viria pelo voto. Ali, começava de fato, o início de sofrimento para milhares de pessoas, especialmente para os judeus.

Em fevereiro, um mês após começar sua atuação como chanceler, Hitler já começava seu pacote de maldades: os direitos civis foram a primeira vítima. Em março o parlamento lhe concedeu o direito de fazer as leis sozinho. Em julho todos os partidos já haviam sido extintos. Apenas o partido nazista podia existir.

Enquanto Mórfeu me levava para todos aqueles acontecimentos. E eu estava terrificado. Foram apenas seis meses desde a nomeação de Hitler como chanceler, e quanta coisa já havia mudado para pior na Alemanha. E o pior e mais impressionante de tudo isso foi que a arma usada para chegar ao poder foi apenas a caneta, nenhum tanque nas ruas, nenhuma bala disparada, nenhuma gota de sangue derramada em confronto. Tudo se deu dentro da mais “perfeita” legalidade. Obviamente, depois de alcançado esse objetivo, as tropas dos exércitos de Hitler fizeram verdadeiros massacres nas ruas.

Já no ano de 1933 foram construídos os primeiros campos de concentração, ainda não com os requintes de crueldade de campos como o de Auschiwitz, que viriam a ser instalados tempos depois. Esses primeiros eram apenas para “abrigar” aqueles que discordavam do regime; comunistas, sindicalistas e qualquer outro opositor.

Depois vieram as leis contra os judeus eles perderam a cidadania, os bens, os direitos, e a dignidade. Propagandas nazistas associavam os judeus a ratos, e o povo bom da Alemanha, cegos por aquela ideologia diabólica, embarcava nessas ideias absurdas.

Em agosto de 1934, através de um plebiscito o nome de Hitler foi confirmado como presidente, unificando seus poderes como chanceler e presidente. Oficializava-se dessa forma a ditadura que já havia começado em 1933 quando ele assumiu como chanceler.  E as teses da raça pura e do antissemitismo ganharam ainda mais força.

Algumas categorias de pessoas nem ao menos precisavam fazer oposição ao governo para que como diz o ditado “comer o pão que o diabo amassou”, ou ainda pior: serem mandados para os campos de concentração. Enfim, o horror chegou na Alemanha, e muito sangue inocente jorrou naquela terra durante o reinado de Hitler e dos cruéis nazistas. Muitos alemães só vieram a saber, de fato, das atrocidades que aconteciam por dentro do regime depois do fim da guerra, depois que caiu a cortina da iniquidade. Foi só então que a maioria dos alemães conheceu a face do monstro que eles haviam cultuado.

O mais interessante nisso tudo, é que as pessoas que votaram em Hitler, que o apoiaram, que ficaram cegas pela sua ideologia, e fascinadas com sua oratória não eram pessoas monstruosas. Não, pelo contrário, eram gente boa. Advogados, comerciantes, professores, donas de casa, mecânicos, políticos, enfim, gente comum tomada pelo desânimo, revoltada com as condições econômicas difíceis, com os rumos que a política estava tomando.

E, instigadas a ter como alimento o ódio e a revolta, foram enganadas por homens cruéis e sanguinários.

É uma reflexão que fica para nós hoje. Uma reflexão e uma lição: Nunca se entregar de cabeça às ideologias e aos líderes que só buscam satisfazer a sede de poder, e que ao, serem coroados com o poder não o usam para o bem servir à nação, mas para satisfazer aos egos inflados, aos de seus familiares, e de seu grupo fechado de apoiadores mais próximos.

 Fantasmas do passado que ameaçam retornar ao presente


Acordei sobressaltado na alta madrugada molhado de suor. Aos poucos, me vieram lembranças do sonho que tivera.  “Morfeu bem que poderia ter me levado para lugar mais agradável. Com tantos paraísos para ver nesse mundo e no universo afora ele me leva logo para o inferno que foi a Alemanha da época de Hitler”, pensei eu.

Sentei-me na cama. O silêncio da madrugada foi me acalmando aos poucos. E bem devagar fui me desligando do mundo onírico e meus pensamentos foram aterrissando na dura realidade.

O mundo atual passa por momentos muito conturbados. Guerras e conflitos explodem por todo o planeta. Em diversos países ainda imperam ditaduras. Na época em que Hitler reinava soberano na Alemanha, a situação se assemelhava a de hoje.

Ditadores e fascistas provocavam verdadeiras crueldades e atrocidades em suas nações e para com o seu próprio povo. Foi o caso de Josef Stalin, na União Soviética, Benito Mussolini, na Itália, e Francisco Franco, na Espanha, todos contemporâneos de Adolf Hitler.

Hoje, o mundo converge para uma onda perigosa de extrema-direita. Aos poucos essa corrente ideológica vai se infiltrando nos países, nos continentes, e nas mentes das pessoas que acreditam estar entregando seus destinos a bons pastores, mas estão, na verdade, sendo atraídos para a boca de serpentes venenosas.

Volto ainda meu pensamento aqueles terríveis tempos do holocausto. O horror para os judeus e demais minorias não começou nos campos de concentração. Começou com fuzilamentos de famílias de comunidades inteiras. Só depois que a matança começou a afetar o psicológico dos soldados alemães, foi que se sentiu a necessidade de ‘industrializar’ a matança, dentre as muitas soluções pensadas, os campos de concentração foram a melhor solução encontrada para dizimar pessoas.

E para isso ajudou muito uma propaganda bem feita, criada e pensada pelo gênio do mal da propaganda durante o cruel regime: Joseph Goebbels, que mostrava um Hitler como ser humano perfeito, quase um Deus, uma Alemanha forte e pungente, e muitas mentiras, hoje denominadas com o estrangeirismo de fake news.

Tomemos como exemplo os Estados de Unidos de Donald Trump. Como é possível que parte da sociedade americana tenha escolhido ele como governante? Uma vez já seria demais, mas os americanos não de deram por satisfeitos e o escolheram para um segundo mandato.

É quase inacreditável que em tempos de drásticas mudanças climáticas, eles tenham escolhido um homem que não acredita nelas e, por não acreditar, não move uma palha para conter os danos que são causados pelo próprio homem ao planeta que é sua casa, sua morada. Como em tempos em que que uma peste, uma pandemia pode se espalhar pelo mundo em poucas semanas ou meses, os americanos escolhem um ser que despreza as vacinas, os cientistas e a ciência. E para completar, esse homem ainda desestabiliza o mundo, na maioria das vezes, para satisfazer seus próprios caprichos pessoais.

Desde que foi eleito para seu primeiro mandato (2017-2021) Trump vem demolindo as bases da democracia americana. Demolindo não seria bem a palavra, uma vez que demolição implica em fazer algo vir ao chão de imediato. Minar, corroer as bases aos poucos, e depois ver o edifício da democracia caindo tijolo por tijolo, seria mais apropriado para o que Trump faz nos Estados Unidos.

E neste seu segundo mandato que começou em 2025, ele voltou ainda mais terrível e com mais poder. Está jogando o mundo em sucessivas crises de instabilidade. Fazendo surgir guerras onde nem era necessário que surgisse, destruindo a ordem econômica com tarifas, querendo inclusive alterar a geopolítica do planeta.

A extrema-direita vem ganhando espaço cada vez maior no mundo. O que assusta é que ela avança como os nazistas avançaram, devagar, passo a passo, eleição após eleição suas bancadas crescem nos parlamentos e aos governos, e depois que chegam ao topo, tiram suas máscaras de bons moços, de boas moças, e revelam verdadeira face. Uma face que assusta, que dá medo.

E eu fico pensando, na calmaria da madrugada, ainda atordoado pelo sonho que tive: Será que as pessoas realmente sabem o que é essa tal extrema-direita é o que ela representa?

Primeiramente, podemos afirmar que essa corrente político-ideológica é filha do autoritarismo. Ela não pode ver uma democracia em pleno vigor que já pensa em arruína-la. A extrema-direita joga na panela os ingredientes do nacionalismo extremo, da xenofobia, e do autoritarismo, faz um bom caldo com esses ingredientes e se banqueteia com ele. Para o banquete ficar melhor ela saiu por aí a convidar pessoas que odeiem ou estejam dispostas a odiar imigrantes, negros, pobres, nordestinos, ou qualquer outra minoria que esteja na moda, e festa de horrores está pronta para acontecer.

Não esqueçamos que toda festa, todo banquete deve ser regado a vinho, e vinho servido nos banquetes da festa da extrema direita é o vinho da insanidade, do ódio, e embriagado por esse vinho os seguidores dessa seita ficam cegos, trôpegos, cambaleantes, acham muito normal qualquer barbaridade que os organizadores da festa digam ou façam.

Penso num exemplo que ilustra bem essa triste embriaguez.  Era um sábado, 23, de janeiro de 2016, e o pré-candidato ao governo americano, Donald Trump, estava em ato de campanha na cidade de Sioux Center, no estado do Iowa, quando assim se expressou: “Tenho os eleitores mais leais. Alguma vez vocês viram algo assim? Eu poderia parar na metade da na Quinta Avenida, disparar contra pessoas e, mesmo assim, não perderia eleitores”.

Uma nota de tristeza me soa do coração, juntamente, com um suspiro. Ele está errado? Não, não está. Os eleitores do Trump, bem como os eleitores de qualquer adepto da extrema-direita estão embriagados por vinho envenenado no qual foi pingado algumas gotas de uma ideologia nefasta. Nefasta é uma palavra muito forte, eu sei, mas basta ver as palavras de Trump ditas em Iowa para concluir que ela cabe perfeitamente aqui.

E assim chegamos a um Brasil em vésperas de mais uma eleição presidencial. E temos dois candidatos. Luís Inácio Lula da Silva, Lula que foi acusado de corrupção, preso, pagou pelos seus erros, e voltou a vida política. Durante seus governos a frente do povo brasileiro, criou muitos programas sociais, construiu escolas e universidades, tirou o Brasil do mapa da fome, socorreu empresários em momentos chaves em que a economia ia mal das pernas, fomentou a cultura, e investiu na ciência. E, muito importante, nunca atentou contra a democracia.

De outro lado, temos um candidato filho do bolsonarismo, e, importante que se diga, filho de Jair Bolsonaro. Flávio Bolsonaro já homenageou miliciano matador de aluguel quando era deputado estadual pelo Rio de Janeiro, homenageou igualmente, muitos maus policiais do estado do Rio, montou loja de chocolate em um shopping carioca para lavar dinheiro, e mais recentemente, descobriu-se que pediu dinheiro a Daniel Vorcaro, o gênio do mal das finanças, para a realização do filme Dark Horse, em homenagem a Jair Bolsonaro, e ninguém sabe onde foi para os R$ 64 milhões que foram destinados ao filme.

As intenções de Flávio Bolsonaro já começaram a aparecer ainda quando ele é candidato. Já disse que, se eleito, mudaria a Constituição, note-se que ele não disse “emendar a Constituição”, ele foi mais fundo. E a promessa de mudar a Constituição vinda de um filho do autoritarismo, a gente até já imagina como será essa mudança. Também podemos perceber esse autoritarismo quando ele pede ao indicado por seu pai ao STF, Nunes Marques, que censure perfis, canais e postagens relacionados à campanha do presidente Lula, e investigue opositores.

O mais irônico de tudo isso é que os bolsonaristas estão desde 2018 fabricando, espalhando, e jogando aos quatro ventos fake news de tudo quanto é tipo. Jair Bolsonaro mesmo matinha dentro do Palácio do Planalto uma fábrica de fake news chamada de Gabinete do Ódio e eles nunca acharam que isso mentir era incomodo.

A verdade é que, no dia 25 de outubro o brasileiro vai às urnas para aquela que, provavelmente, seja a eleição mais importantes de suas vidas. Não está em jogo apenas dois candidatos, mas duas visões de mundo: uma baseada na humanidade e na ajuda aos mais necessitados, e outra baseada no individualismo exacerbado, e entre dois modelos de sociedade: uma que tem como base os pilares da democracia, e outra que tem como base o autoritarismo.

Espero que a grande maioria da sociedade brasileira não esteja inebriada com o vinho podre oferecido pela extrema direita e faça, conscientemente, a melhor escola para o destino de nosso país, para os destinos de nossas vidas.


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Daniel Vorcaro: Um diabo no mundo dos negócios

Posted by Cottidianos on 23:38

Quinta-feira, 17 de setembro


Começo este artigo jornalístico com uma passagem bíblica. Não, não é sermão, é artigo jornalístico, embora não seja comum começar um desta forma. O faço porque esse texto bíblico é uma lição de ética e respeito aos princípios nos quais se acredita. E também por que cabe como uma luva para o presente artigo.

Vamos lá então, fazer uma visita a passagem bíblica que fala da tentação de Jesus no deserto, que pode ser lida nos evangelhos de Mateus e de Lucas, ambos no capítulo 4.

Nos dizem os evangelistas que Jesus havia voltado do Jordão onde fora batizado por João Batista. E, em espírito, foi levado pelo espírito ao deserto. E na bíblia tudo é simbólico, e o deserto, no caso, remete a um período de preparação, aprendizado.

Ali, na solidão do deserto, o Mestre jejuou durante quarenta dias. E o diabo, só de longe, observando. Ao termino desse período, obviamente, Jesus sentiu fome. O diabo deve ter esfregado as mãos, sorrindo cinicamente, afinal, era a vez de ele entrar em ação.

_ Se tú és filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pão, disse ele.

_ Nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus, respondeu Jesus.

Para a fome o diabo apresentou uma sugestão simples, em forma de desafio. Transformar pedras em pão. Bastaria que o filho de Deus fizesse esse milagre e tudo estaria resolvido. Não obteve êxito. Ainda não era hora de Jesus começar os milagres. Na vida, tudo tem sua hora, seu momento.

O diabo partiu para sua segunda tentativa. Levou Jesus para o alto de um monte, e, de lá, lhe mostrou uma visão deslumbrante na qual podiam se ver todos os reinos do mundo. Glória e poder diante do Mestre. Bastaria que Ele fizesse apenas uma coisa simples.

_ Tudo isso será teu se, de joelhos, me adorares. Disse o príncipe das trevas.

_ Afasta-te de mim, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor Deus adorarás e somente a ele servirás.

Era uma proposta tentadora. Dominar reinos, governar pessoas, tê-las ao seu serviço. Mas novamente, a proposta não atraiu Jesus. O filho de Deus não iria dobrar o joelho diante do inimigo. Decepcionado, o diabo resolveu tentar mais uma vez. Quem sabe oferecendo a fé como espetáculo, fazendo do poder religioso uma ferramenta para dominar a mente das pessoas.

Ele então levou Jesus para o alto de um templo e disse:

_ Se és filho de Deus, lança-te daqui para baixo; por que está escrito: Mandará os seus anjos juntos a ti para te acompanharem, para que não tropeces com teu pé em pedra.

_ Também está escrito: Não tentarás ao Senhor teu Deus, disse, resolutamente, Jesus.

Vencido em todas as suas tentativas de fazer o filho de Deus cair em pecado, o diabo se afastou. Interessante é que, no evangelho de Lucas é acrescentada a expressão “por algum tempo”, ou seja, o diabo não desistiu, apenas deu um tempo.

 

***

 

O diabo esperto como é, e profundo conhecedor das fraquezas, dos desejos, e das necessidades mais íntimas que residem, adormecidas ou não, no coração do homem, sempre dá um jeito de aparecer em algum lugar. Numa dessas suas andanças ele resolveu aparecer no mundo financeiro do Brasil, encarnado na pele de um jovem empresário mineiro.

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Segunda-feira, 17 de novembro de 2025

Aeroporto de Guarulhos – SP

21 horas


 Daniel Vorcaro se preparava para viajar com destino a Malta, pequeno país independente, localizado no coração do Mediterrâneo, situado entre a Sicília, Itália e o Norte da África. Mais perto daquela que desta.

De Malta, o empresário seguiria para Dubai, nos Emirados Árabes, santuário do luxo, aliás, um lugar que tinha tudo a ver com ele. Apesar disso, o banqueiro demonstrava uma certa ansiedade, como se estivesse com pressa de deixar o país. O objetivo da viagem, segundo ele havia relatado a amigos e funcionários, era assinar o contrato de venda do Banco Master.

O dia fora cansativo. Cheio de coisas importantes para decidir. Logo cedo da manhã ele já estava em contato com o ministro do STF, Alexandre de Moraes. Comunicava ao ministro que queria antecipar a venda do banco ao grupo Fictor. E que essa transação ocorreria com investidores da terra dos sheiks, e que viajaria para lá com esse objetivo.

Às oito horas da manhã uma representante de Vorcaro já estava em frenética atividade tentando vender um apartamento de cobertura no empreendimento Vizcaya, na avenida Horácio Lafer, em São Paulo. Alegava ela que a transação já vinha sendo articulada desde o dia 14 de novembro. Apesar de toda pressão para fechar negócio ela não teve êxito nessa empreitada.

Vorcaro volta novamente a se comunicar com Alexandre de Moraes às 8h16min. Era a segunda vez que entrava em contato com o ministro naquele dia.

Às 11h08min o site O Bastidor, cujo dono é o jornalista e empresário Diego Escoteguy, havia publicado uma matéria dizendo que havia um processo criminal tramitando em sigilo na 10ª Vara Federal de Brasília, processo este que investigava fraudes nas carteiras de créditos vendidas pelo Banco Master ao Banco de Brasília (BRB). Tudo combinado. Vorcaro havia pago dois milhões de reais para o jornalista publicar a reportagem. E com que objetivo?

Isso proporcionaria aos advogados de defesa do banqueiro entrar com alguma ação a fim de evitar a prisão do banqueiro, caso essa fosse decretada. Na verdade, como Vorcaro tinha acesso a informações sigilosas dentro da PF, os advogados já sabiam que isso iria acontecer.

De fato, ainda naquele dia 17, o advogado Wander pede acesso a investigação citando a tal reportagem como fonte de informação. Passam o dia tentando contato com o juiz que estava à frente do processo.

Às 6h30min da manhã daquele dia Vorcaro já estava em contato também com os servidores do Banco Central, Ailton Aquino chefe do Departamento de Supervisão Bancária, e com Paulo Sérgio, Diretor de Fiscalização e Chefe Adjunto de Supervisão. Além de outros técnicos. A reunião é realizada às 13h35min. Após a reunião começa a circular reportagens sobre a venda do Banco Master ao Fictor.

Às 15h30min o juiz Ricardo Soares Leite decreta a prisão do banqueiro. Dezoito minutos depois, os advogados de defesa dele, que ainda nem haviam sido comunicados oficialmente da decisão, protocolam uma petição na 10ª Vara se posicionando contra medidas cautelares que viessem a ser adotadas contra seu cliente, alegando que isso poderia provocar prejuízos enormes ao Banco Master. De posse de informação privilegiada, agiram como se não soubesse da decretação da prisão.

E o restante da tarde decorreu com o mesmo frenesi com o qual tinha começado o dia, ainda antes do sol nascer. Vorcaro se preparava para a viagem (ou seria fuga?), e o tempo que sobrou foi consumido em arrumar bagagens, providenciar passaporte, e essas coisas relativas a viagens internacionais.

Às 20h48min Vorcaro troca a última mensagem com Alexandre de Moraes, informando a este que estava no aeroporto, pronto para ir aos Emirados Árabes fechar o contrato de venda do Master.

Às 22hs chegou enfim o momento de partir de terras brasileiras, quem sabe, ficar longe por um bom tempo. Mas nem sempre as coisas saem como planejado. Na hora da partida chega a visita indesejada por Vorcaro da Polícia Federal. Em vez de Dubai ele foi levado para uma cela da PF.

***


Não há como negar: Daniel e um gênio do mundo das finanças. Porém, a genialidade de uma pessoa tanto pode ser usada tanto para o bem, quanto para o mal. A história da humanidade está repleta de exemplos desse tipo. Infelizmente, Daniel Vorcaro escolheu a segunda opção.

Em pouco tempo, ele construiu um império, colocou as mais altas autoridades do país aos seus pés, e enganou milhões de brasileiros, que confiaram suas economias e cuja matéria de trabalho eram as operações fraudulentas.

Entre as autoridades que colocou a seus pés estão deputados, senadores, governadores, servidores do Banco Central, e até ministros do Supremo Tribunal Federal.

Entre as milhões de pessoas que ele enganou estão pequenos investidores, aposentados, e dinheiro de fundos de pensão de funcionários públicos.

Em relação aos poderosos, ele agia como o diabo tentando um faminto Jesus no deserto.  No caso, Jesus tinha fome de paz e de justiça divina e de justiça social. Os poderosos aos quais Vorcaro tentou, não apenas três, mas várias vezes, tinha fome de poder, de dinheiro, de prazeres sexuais. A uns ele tentava oferecendo contratos milionários, soma vultuosas para financiar produções cinematográficas medíocres, que, na verdade, eram destinadas a outros usos corruptos. A outros ele tentava com pequenos luxos, uma viagem à Disney, caronas em seus jatos particulares, diárias em resorts. A outras ainda oferecia a tentação da bebedeira e do sexo oferecendo uísques caríssimos e festas com prostitutas de luxo.

O diabo do deserto tentou o mestre Jesus tanto quanto pode. Porém em nenhuma delas obteve êxito, pois a conduta do mestre estava pautada por uma sólida base ética e moral. Ele tinha uma missão, um trabalho a cumprir e não poderia fazer isso com a consciência pesada.

Quanto aos poderosos desse nosso Brasil, muitos dos quais se dizem seguidores de Jesus, e gritam a plenos pulmões nas praças, nas igrejas, e em cima dos palanques que o amam, estão, na verdade a anos luz de distância dos preceitos éticos e morais daquele a quem dizem seguir. Inebriados pelo vinho do luxo, do poder, do sexo, e da riqueza, não tem forças para dizer ao tentador: “Afasta-te de mim, Satanás”, pois tenho uma missão a cumprir junto ao meu povo e a minha nação brasileira”.


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Venturas e desventuras do 7 de Setembro

Posted by Cottidianos on 20:51

Campinas, 10 de setembro de 2026


Entre altos e baixos, avanços e retrocessos na economia e na política, e em meio a uma crise institucional gigantesca, que tem como epicentro o STF, chegamos a mais um de 7 de setembro, celebrado há apenas três dias.

Nas regiões Sul, Sudeste, e Centro-Oeste, o feriado chegou e trouxe junto com ele o frio intenso e céu nublado. Nem mesmo o sol se arriscou a mostrar seu brilho. Nenhum raio de sol atravessando as nuvens.

Ironicamente, o clima chuvoso e frio é um retrato em preto e branco da crise institucional pela qual atravessa o Judiciário Maior. Por lá o céu está cinzento, sombrio, clima pesado, e a previsão de tempo por lá anuncia raios e tempestades. Institucionalmente também está difícil os raios de sol da esperança romperem as pesadas nuvens e se derramar pelas cidades e campos da nação brasileira.


Voltemos as comemorações do 7 de setembro. Essa importante data cívica é marcada por eventos de três matizes principais; a cívica, a militar, e a social. Esta última é marcada por um movimento de grande significância chamado “Grito dos Excluídos”.

A sementinha que viria a da origem a esse movimento foi plantada entre 1993 e 1994.  Tempo no qual a Pastoral Social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil promoveu a Segunda Semana Social Brasileira. Participaram desse evento o Conselho Nacional das Igrejas Cristãs, e organizações sociais que trabalha com a promoção da justiça social. A semente plantada ficou em algum lugar no coração e na mente daqueles que participaram dessa semana social.

Em 1995 essa semente desabrochou, floresceu e deu frutos. Desde então essas manifestações ocorrem na Semana da Pátria e tem como ponto alto o feriado de 7 de setembro.

O Grito dos Excluídos é aquela voz profética que grita no alto da montanha e denúncia as inúmeras situações de desigualdade e exclusão pelas quais passam as pessoas menos favorecidas em nosso país. Ao mesmo tempo em que denuncia o movimento também aponta caminhos para uma sociedade mais justa.

Outro momento marcante no 7 de setembro são os desfiles dos militares da três Forças Armadas: Marinha, Exército e Aeronáutica. Perfilados, e orgulhosos eles desfilam altivos pelas ruas do país. Em algumas cidades também é possível ver no céu um show proporcionado pela Esquadrilha da Fumaça, cujas apresentações são de tirar o fôlego. Antes ou depois do desfile dos militares, também acontecem o desfile das escolas municipais. É bonito ver a garotada, concentrada, orgulhosa de fazer parte destes eventos. E eles são firmes; façam chuva, faça sol, frio ou calor lá estão eles desfilando.

E assim era o 7 de setembro: Uma data para celebrar o orgulho de ser brasileiro em evento marcado pela neutralidade partidária. Havia um alinhamento entre os três Poderes da República. O Grito dos Excluídos, apesar de ser um evento marcado por organizações de esquerda não representava, necessariamente, um movimento partidário.

A harmonia reinava nas mentes e corações brasileiros. Os brasileiros iam às ruas no 7 de setembro para ver misturada toda de movimentos cívicos-militares. E tudo era muito bonito. Até que esse cenário foi contaminado com a carga tóxica de Jair Bolsonaro. O ex-presidente e o Bolsonarismo se apropriaram do 7 de setembro e sequestraram os símbolos nacionais como fossem eles fossem coisa exclusivamente deles. Usar a bandeira do Brasil passou a ser sinônimo de ser bolsonarista, “patriota”. Até a camisa da seleção, que tanto orgulho já nos deu, eles se apropriaram. A amarelinha, carinhosamente usada pelos brasileiros nos jogos da Copa do Mundo, torneios sul-americanos, e em amistosos da seleção passou a ser usado pelos bolsonaristas para vestir uma ideologia que tem cor e jeito de fascismo.

Jair Bolsonaro foi eleito em fins de 2018 e, durante os quatro anos que durou o seu mandato, ele mudou a cara do 7 de setembro, incluiu nele mais um matiz, o político-partidária. Transformou as ruas pacíficas em arenas de guerra na qual eram atacados o Congresso Nacional e o STF e integrantes dessas instituições. Até sobrou ataques para as urnas eletrônicas e a defesa do voto impresso.

O primeiro 7 de setembro sob a regência de Bolsonaro aconteceu em 2019. O desfile ocorrido na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, ainda conseguiu passar um ar de normalidade, entretanto ali já começou as quebras de protocolos promovidas pelo presidente e que escalariam nos anos seguintes. Durante o desfile Bolsonaro desceu do carro oficial para caminhar entre a multidão, chegando até mesmo a convidar uma criança dentre o público presente para desfilar no carro oficial.


Em 2020, o mundo era acometido pela terrível peste da Covid 19, não sendo possível realizar os desfiles da forma tradicional, reunindo multidão nas ruas. A solução encontrada foi fazer uma cerimônia simples com hasteamento da bandeira nos jardins do Palácio da Alvorada, e a apresentação da esquadrilha da fumaça. 

Obviamente, Bolsonaro aproveitou a ocasião para criar polêmica ao criticar as políticas de isolamento social determinadas por prefeitos e governadores para conter o vírus. Na entrada da residência oficial haviam se reunido alguns negacionistas apoiadores do presidente, e indo contra as orientações dos profissionais da área de saúde, que recomendavam para aquele momento da história, isolamento social e uso de máscara, Bolsonaro foi até eles e com eles interagiu sem o uso de máscara.

No 7 de setembro de 2022 comemorava-se o Bicentenário da Independência. O país estava às vésperas de mais uma eleição presidenciável. O governo Bolsonaro usou de forma ostensiva a máquina estatal em prol da reeleição. Até o coração de D. Pedro I foi trazido de Portugal, cedido pelo governo português, veio parar no Palácio do Itamaraty. O desfile ocorreu, como de costume, na Praça dos Três Poderes. Porém, a poucos metros do palanque oficial foi posicionado um trio elétrico. Bolsonaro desceu do palanque oficial e, em seguida subiu no trio elétrico, e o que era evento oficial transformou-se em comício eleitoral.  

À tarde daquele mesmo dia, Bolsonaro foi ao Rio de Janeiro e lá, deslocou o desfile que tradicionalmente ocorria na Avenida Presidente Vargas, e o colocou na Orla de Copacabana, ponto de encontro das manifestações bolsonaristas, e mais uma vez, transformou evento oficial em comício.

Por essas e outras infrações cometidas Bolsonaro pagou um preço alto: a inelegibilidade. Em julgamento encerrado na tarde de sexta-feira, 30 de junho de 2023, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por maioria de 5 votos a 2, declarou a inelegibilidade de Bolsonaro.

O que mais pesou nessa decisão foi uma reunião no Palácio da Alvorada feita com a presença de embaixadores estrangeiros, em 18 de julho de 2021. Bolsonaro reuniu os embaixadores para atacar as urnas eletrônicas, e dizer que elas não eram confiáveis. Os ministros do TSE concluíram que houve por parte do então presidente, abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação.

Outra pena ainda mais dura viria em 11 de setembro de 2025, quando a Primeira Turma do Tribunal Superior Eleitoral, condenou Jair Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão por participação na trama golpista. Foi a primeira vez que um ex-presidente foi condenado por golpe de estado.

E agora o filho de Bolsonaro concorre as eleições deste ano. Será que o Brasil cometerá o mesmo erro que em 2022? Será que abraçará o golpismo? Tempos estranhos e sombrios este em que vivemos.


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