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Show de horrores: Bastidores da Copa 2026

Posted by Cottidianos on 23:37

 Campinas, terça-feira, 13 de julho


O rei dos torneios do mundo futebol está chegando ao fim. Jogado nos gramados dos Estados Unidos, Canadá, e México, a Copa do Mundo, edição de 2026, é a primeira a reunir 48 equipes. Um aumento de 16 equipes em relação àquela realizada em 2022, no Catar, que contou com a participação de 32 equipes.

De certa forma, a Copa do Mundo lembra os circos romanos, na qual milhares de pessoas se reuniam para ver bravos guerreiros competindo nas corridas de bigas. Para os competidores era um esporte bastante perigoso, pois eles tinham que mostrar habilidade de conduzir suas bigas em meio a dezenas de competidores. Era preciso equilibrar velocidade com habilidade. Era pura adrenalina.

Para os espectadores era pura diversão. Oportunidade de se deixar extasiar vendo aquelas corridas eletrizantes, cheias de rivalidade, acidentes espetaculares, e oportunidade de esquecer, ainda que por alguns momentos, as dificuldades e as lutas do dia a dia. Por lá também tinha a paixão das torcidas.

Basta olharmos para os estádios lotados, para as torcidas apaixonadas incentivando as suas seleções, e para os atletas em campo, dando o melhor de si. A diferença dos remotos das arenas romanas é que, hoje em dia, além das milhares de pessoas que lotam as arenas esportivas, outras milhões de pessoas assistem aos jogos pela TV ou pela Internet.

Uma coisa permanece igual: No final haverá sempre um vencedor que exibe o troféu da vitória, e o perdedor que chora o título perdido.

Está sendo um espetáculo lindo ver toda essa paixão, toda essa dedicação, todo entusiasmo da torcida, aliados ao esforço e a dedicação dos jogadores em campo.

Porém, algumas notas tristes tem destoado de todo esse clima de alegria. Coisas que não tem nada a ver com futebol, mas com política.

A primeira polêmica ocorreu antes de a bolar rolar em campo. Apesar da Somália não estar entre as seleções classificadas para a Copa, o mundo esportivo daquele país estava orgulhoso. Afinal de contas, iria ter, pela primeira vez, um de seus árbitros apitando jogos de Copa do Mundo.

Omar Artan, 34 anos, estava entre os 52 árbitros escalados pela FIFA para atuar nas partidas dos jogos da Copa do Mundo deste ano. entretanto o governo dos Estados Unidos jogou um balde de água fria nessa festa. Ele negou a entrada de Omar em solo americano, apesar de não haver irregularidades no visto dele. A Somália é um dos países cujos cidadãos não são bem vindos nos Estados Unidos.

De volta à Somália Omar foi recebido como herói por uma multidão de pessoas. Ele também foi convidado pela Uefa para apitar a supercopa da Europa em reconhecimento ao seu trabalho dentro de campo.

Vimos as restrições sofridas pelos jogadores iranianos. Eles foram proibidos de se hospedar nos Estados Unidos. Nos jogos disputados em solo americano eles foram obrigados a estabelecer a base de treinamento deles na cidade de Tijuana, México, e só podiam atravessar a fronteira no dia dos jogos, retornando após o término deles. Não é difícil imaginar o quanto esses atletas chegavam cansados às partidas que disputaram. Apesar de todos esses desafios a seleção iraniana encerrou sua participação invicta ainda na primeira fase, com três empates.

Porém, as dores de cabeça da equipe iraniana começaram antes de pisar em solo americano. Os jogadores e integrantes da comissão técnica só receberam autorização para entrar nos Estados Unidos uma semana antes de viajar. Dirigentes da federação iraniana tiveram a entrada vetada. Torcedores iranianos que desejavam assistir aos jogos de sua seleção também tiveram visto negado.

Vamos para a frente que ainda não acabou o show de horrores.

A próxima vítima foi a seleção uruguaia. No dia 15 de junho a seleção uruguaia embarcou empolgada no ônibus que os levaria ao Hard Rock Stadium, em Miami, onde jogou com a Arabia Saudita, tendo empatado o jogo em 1 x 1.

A desagradável surpresa se deu quando eles desembarcaram na porta do estádio. Lá, os aguardavam agentes de segurança. Eles fizeram os jogadores ficarem em uma fila ao lado do ônibus enquanto os agentes faziam uma revista rigorosa nas malas e mochilas deles. Cães farejadores também foram usados na “operação”. Pensem na humilhação que devem ter sentido jogadores e comissão técnica.

Os jogadores da seleção senegalesa não escaparam dos vexames. Eles foram revistados ainda na pista do aeroporto, ao descerem da aeronave nos Estados Unidos. Nas imagens que foram divulgadas aparecem os agentes de segurança fazendo revista individual nos jogadores e comissão técnica.

Posteriormente, dirigentes da seleção do Senegal soltou uma nota dizendo que o “procedimento aconteceu em conformidade com as regras de segurança”, a imagem por si só, soou estranha.

Porém, a grande polêmica desta copa foi a anulação da suspensão do jogador da seleção americana, Folarin Balogun. O árbitro brasileiro havia aplicado um cartão vermelho ao atleta o que o deixaria fora da próxima partida. Dois dias depois o presidente Donald Trump revelou ter conversado com Gianni Infantino, presidente da Fifa, e lhe pediu para anular a suspensão, no que foi prontamente atendido.

E assim assistimos a bravos jogadores suando a camisa dentro de campo, e uma Fifa submissa a Donald Trump. A primeira cena transmite uma imagem de ideal esportivos. A segunda cena, nos transmite a imagem de algo desprezível.


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Venezuela: o luto e o sofrimento de um povo

Posted by Cottidianos on 23:34

 Campinas, 07 de julho



  

 Comecei o post anterior falando de pessoas que, literalmente, se matam por uma foto, por uma selfie, muitas vezes arriscando a vida em locais perigosos, lugares em que um deslize, uma falha pode ser fatal.

Antes de entrar no assunto dessa postagem propriamente dito, volto ao tema da postagem anterior ainda que de maneira breve.

Por que volto ao assunto? Por que depois da última postagem aconteceu mais uma tragédia relacionada a esse tema. Vamos aos fatos.

Fazia uma bela e ensolarada manhã de domingo, 28 de junho. Caio Rocha Aguiar Arrabal, 44 anos, estava feliz em meio a vista deslumbrante que se descortinava aos seus olhos enquanto percorria a trilha da Pedra dos Macacos, em São José do Imbassaí, bairro do munícipio de Maricá, cidade da Grande Rio. A trilha fica a cerca de sete quilômetros do centro de Maricá.

Ele fazia parte de um grupo que guiava pessoas que vieram de Araruama para fazer percorrer aquela trilha. Apesar de atuar no grupo que conduzia os aventureiros, para ele também era novidade: era a primeira vez que ele próprio percorria o trajeto.

Encantado com a beleza do lugar, o homem caiu na armadilha do vídeo perfeito para viralizar nas redes sociais. Ele se deparou então com uma formação rochosa e resolveu subir nela, enquanto uma amiga fazia as filmagens.

Caio desceu de costas para a pedra. A mulher que filmava chega a pedir para ele ter cuidado. Certamente percebia o tamanho da encrenca na qual ele estava se metendo. Quando ele virou o corpo para descer de frente, se desequilibrou e acabou caindo de uma altura de cento e cinquenta metros em uma área de mata fechada, densa, e de difícil acesso. Como era a primeira vez dele na trilha, aconteceu de ele descer pelo lado errado da pedra. Um erro fatal que lhe custou a vida.

O acidente aconteceu por volta das onze e meia da manhã, mas devido à dificuldade de acesso ao local, os bombeiros só conseguiram chegar até o corpo de Caio, no meio da tarde. E não foi fácil chegar até ele. Foi preciso usar helicóptero, bombeiros especializados em rapel, fazer escalada, e ascensão com cordas.

Em novos tempos de redes sociais, continua valendo a velha máxima: “O bem maior é a vida”.

 

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Saindo das tragédias individuais falemos das tragédias de grandes proporções. Aquelas que independem de redes sociais para que ocorram.

A vida dos venezuelanos seguia relativamente tranquila. Digo relativamente porque, devido a governos tiranos e corruptos, a vida daquele povo sofrido deixou de ser tranquila faz tempo.

Mas a vida tem que seguir acontecendo, em meio a democracias ou em meio a ditaduras as pessoas precisam trabalhar, precisam fazer comprar, precisam amar, enfim precisam estar vivas e fazer coisas que pessoas vivas fazem.

E fizeram tudo isso naquele dia. Às dez horas da noite, entretanto, muitos venezuelanos descansavam depois de um dia de labuta. Outros saiam para se divertir. Outros ainda estavam no trabalho nos hospitais, nos bares e restaurantes, postos de gasolina, e etc.

Então a terra, furiosa, tremeu, e tremeu forte. Um tremor de magnitude 7,2 abalou o chão da Venezuela. E não parou por aí. Trinta e nove segundos depois um segundo tremor de magnitude 7,5, seguiu-se ao primeiro. Prédios inteiros desabaram vitimando milhares de pessoas.

Pelos dados atualizados até o momento pelo governo da Venezuela já chegam a 3.685 o número de mortos, de 17 mil o de pessoas feridas. As autoridades venezuelanas evitam falar em número de desaparecidos, mas segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), esse número pode chegar a 50 mil. De qualquer modo, se parássemos apenas no número de mortos atual já teríamos uma tragédia de grandes proporções.

Os tempos sombrios em que a Venezuela viveu e vive até hoje, sofrendo nas mãos de políticos que só pensam em enriquecer a si mesmo jogaram o país na miséria. Primeiro foi Hugo Chaves, depois Nicolas Maduro, e agora com o governo interino de Delcy Rodrigues.

O impressionante é que a Venezuela poderia ser um dos países mais ricos do mundo. Debaixo daquele solo existe muito ouro negro: o petróleo, riqueza cobiçada em todo o mundo. Haja visto, o que acontece atualmente no estreito de Ormuz e como as ameaças do Irã de fechá-lo põe o mundo em polvorosa.

Na verdade, a Venezuela já foi considerada um dos países mais ricos do mundo. Isso se deu na década de 50. Naqueles tempos áureos, em termos de petróleo e de PIB o país só ficava atrás dos Estados Unidos, Suíça e Nova Zelândia. Poderosa era a Venezuela, não era? Chegava a fazer inveja nos países vizinhos.

O país também já foi referência quando o assunto era liberdade. Viver e expressar opiniões com liberdade. Pessoas fugiam de ditaduras na América Latina e na Europa e iam se abrigar na Venezuela. O petróleo ajudava a financiar grandes obras, e tudo corria como num sonho.

E assim foi até a década de 1980. Entretanto, a Venezuela não diversificou a economia, deixou-a muito dependente do petróleo, esse foi seu maior erro. Em fins dos anos 80, o preço do ouro negro no mercado externo caiu, e isso trouxe para a Venezuela inflação e aumento de pobreza.

Em 1989 a população não aguentou a crise e foi às ruas em protestos violentos que resultaram em centenas de mortos. Todo esse turbilhão de acontecimentos preparou o terreno para as cobras venenosas. Aquelas que ficam ali quietas, só esperando o momento certo para dar o bote e envenenar suas presas. Ou para os lobos em pele de cordeiro. Aqueles que chegam prometendo uma coisa e fazem outra completamente diferente.

Hugo Chavez surgiu como promessa de colocar tudo nos eixos novamente. Até aprovou uma nova constituição e reforçou o papel do Estado na economia. Mas depois, mostrou sua verdadeira face. Rasgou a constituição e jogou o país numa ditadura. Conseguiu eleger seu sucessor, Nicolas Maduro, e o país desceu de vez ladeira abaixo. Até ocorre eleições na Venezuela. Mas, como temos visto pelos noticiários, elas são apenas fachada para dar um verniz de democracia a uma ditadura.

Todos esses anos de descaso para com o país e para o povo venezuelano é inevitável que se revelem os fracassos em momentos de crise, ou de catástrofes, como essa de agora, por exemplo.

Os venezuelanos tem reclamado muito da lentidão do governo venezuelano. Temos visto pelos noticiários os cidadãos do país, retirarem os escombros com as próprias mãos, sem o auxílio de nenhum instrumento. Militares e equipes de resgates demoram a chegar aos locais atingidos pela tragedia e onde há pessoas sob os escombros.

Felizmente, a solidariedade humana se mostra forte nesses momentos. E muitos países tem enviado socorro ao povo venezuelano, seja através de pessoal de apoio, médicos, e outros voluntários, além de enviarem também artigos básicos como água e comida para aquele povo já tão sofrido.


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