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Venezuela: o luto e o sofrimento de um povo

Posted by Cottidianos on 23:34

 Campinas, 07 de julho



  

 Comecei o post anterior falando de pessoas que, literalmente, se matam por uma foto, por uma selfie, muitas vezes arriscando a vida em locais perigosos, lugares em que um deslize, uma falha pode ser fatal.

Antes de entrar no assunto dessa postagem propriamente dito, volto ao tema da postagem anterior ainda que de maneira breve.

Por que volto ao assunto? Por que depois da última postagem aconteceu mais uma tragédia relacionada a esse tema. Vamos aos fatos.

Fazia uma bela e ensolarada manhã de domingo, 28 de junho. Caio Rocha Aguiar Arrabal, 44 anos, estava feliz em meio a vista deslumbrante que se descortinava aos seus olhos enquanto percorria a trilha da Pedra dos Macacos, em São José do Imbassaí, bairro do munícipio de Maricá, cidade da Grande Rio. A trilha fica a cerca de sete quilômetros do centro de Maricá.

Ele fazia parte de um grupo que guiava pessoas que vieram de Araruama para fazer percorrer aquela trilha. Apesar de atuar no grupo que conduzia os aventureiros, para ele também era novidade: era a primeira vez que ele próprio percorria o trajeto.

Encantado com a beleza do lugar, o homem caiu na armadilha do vídeo perfeito para viralizar nas redes sociais. Ele se deparou então com uma formação rochosa e resolveu subir nela, enquanto uma amiga fazia as filmagens.

Caio desceu de costas para a pedra. A mulher que filmava chega a pedir para ele ter cuidado. Certamente percebia o tamanho da encrenca na qual ele estava se metendo. Quando ele virou o corpo para descer de frente, se desequilibrou e acabou caindo de uma altura de cento e cinquenta metros em uma área de mata fechada, densa, e de difícil acesso. Como era a primeira vez dele na trilha, aconteceu de ele descer pelo lado errado da pedra. Um erro fatal que lhe custou a vida.

O acidente aconteceu por volta das onze e meia da manhã, mas devido à dificuldade de acesso ao local, os bombeiros só conseguiram chegar até o corpo de Caio, no meio da tarde. E não foi fácil chegar até ele. Foi preciso usar helicóptero, bombeiros especializados em rapel, fazer escalada, e ascensão com cordas.

Em novos tempos de redes sociais, continua valendo a velha máxima: “O bem maior é a vida”.

 

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Saindo das tragédias individuais falemos das tragédias de grandes proporções. Aquelas que independem de redes sociais para que ocorram.

A vida dos venezuelanos seguia relativamente tranquila. Digo relativamente porque, devido a governos tiranos e corruptos, a vida daquele povo sofrido deixou de ser tranquila faz tempo.

Mas a vida tem que seguir acontecendo, em meio a democracias ou em meio a ditaduras as pessoas precisam trabalhar, precisam fazer comprar, precisam amar, enfim precisam estar vivas e fazer coisas que pessoas vivas fazem.

E fizeram tudo isso naquele dia. Às dez horas da noite, entretanto, muitos venezuelanos descansavam depois de um dia de labuta. Outros saiam para se divertir. Outros ainda estavam no trabalho nos hospitais, nos bares e restaurantes, postos de gasolina, e etc.

Então a terra, furiosa, tremeu, e tremeu forte. Um tremor de magnitude 7,2 abalou o chão da Venezuela. E não parou por aí. Trinta e nove segundos depois um segundo tremor de magnitude 7,5, seguiu-se ao primeiro. Prédios inteiros desabaram vitimando milhares de pessoas.

Pelos dados atualizados até o momento pelo governo da Venezuela já chegam a 3.685 o número de mortos, de 17 mil o de pessoas feridas. As autoridades venezuelanas evitam falar em número de desaparecidos, mas segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), esse número pode chegar a 50 mil. De qualquer modo, se parássemos apenas no número de mortos atual já teríamos uma tragédia de grandes proporções.

Os tempos sombrios em que a Venezuela viveu e vive até hoje, sofrendo nas mãos de políticos que só pensam em enriquecer a si mesmo jogaram o país na miséria. Primeiro foi Hugo Chaves, depois Nicolas Maduro, e agora com o governo interino de Delcy Rodrigues.

O impressionante é que a Venezuela poderia ser um dos países mais ricos do mundo. Debaixo daquele solo existe muito ouro negro: o petróleo, riqueza cobiçada em todo o mundo. Haja visto, o que acontece atualmente no estreito de Ormuz e como as ameaças do Irã de fechá-lo põe o mundo em polvorosa.

Na verdade, a Venezuela já foi considerada um dos países mais ricos do mundo. Isso se deu na década de 50. Naqueles tempos áureos, em termos de petróleo e de PIB o país só ficava atrás dos Estados Unidos, Suíça e Nova Zelândia. Poderosa era a Venezuela, não era? Chegava a fazer inveja nos países vizinhos.

O país também já foi referência quando o assunto era liberdade. Viver e expressar opiniões com liberdade. Pessoas fugiam de ditaduras na América Latina e na Europa e iam se abrigar na Venezuela. O petróleo ajudava a financiar grandes obras, e tudo corria como num sonho.

E assim foi até a década de 1980. Entretanto, a Venezuela não diversificou a economia, deixou-a muito dependente do petróleo, esse foi seu maior erro. Em fins dos anos 80, o preço do ouro negro no mercado externo caiu, e isso trouxe para a Venezuela inflação e aumento de pobreza.

Em 1989 a população não aguentou a crise e foi às ruas em protestos violentos que resultaram em centenas de mortos. Todo esse turbilhão de acontecimentos preparou o terreno para as cobras venenosas. Aquelas que ficam ali quietas, só esperando o momento certo para dar o bote e envenenar suas presas. Ou para os lobos em pele de cordeiro. Aqueles que chegam prometendo uma coisa e fazem outra completamente diferente.

Hugo Chavez surgiu como promessa de colocar tudo nos eixos novamente. Até aprovou uma nova constituição e reforçou o papel do Estado na economia. Mas depois, mostrou sua verdadeira face. Rasgou a constituição e jogou o país numa ditadura. Conseguiu eleger seu sucessor, Nicolas Maduro, e o país desceu de vez ladeira abaixo. Até ocorre eleições na Venezuela. Mas, como temos visto pelos noticiários, elas são apenas fachada para dar um verniz de democracia a uma ditadura.

Todos esses anos de descaso para com o país e para o povo venezuelano é inevitável que se revelem os fracassos em momentos de crise, ou de catástrofes, como essa de agora, por exemplo.

Os venezuelanos tem reclamado muito da lentidão do governo venezuelano. Temos visto pelos noticiários os cidadãos do país, retirarem os escombros com as próprias mãos, sem o auxílio de nenhum instrumento. Militares e equipes de resgates demoram a chegar aos locais atingidos pela tragedia e onde há pessoas sob os escombros.

Felizmente, a solidariedade humana se mostra forte nesses momentos. E muitos países tem enviado socorro ao povo venezuelano, seja através de pessoal de apoio, médicos, e outros voluntários, além de enviarem também artigos básicos como água e comida para aquele povo já tão sofrido.


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