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Caldo quente de carne podre

Posted by Cottidianos on 00:29
Terça-feira, 21 de março



Neste domingo (19), o presidente Michel Temer se reuniu com ministros, empresários e embaixadores, em uma reunião de emergência para discutir, dar explicações sobre o recente escândalo de carnes maquiadas, e depois repassadas ao consumidor como carnes frescas.

Na verdade, uma tentativa de remediar a situação, e tranquilizar os mercados, uma vez que o caso teve, está tendo, grande repercussão nacional, e internacional. Temer disse aos presentes que o número de frigóricos envolvidos no escândalo, em número de 21, era irrisório, se comparados ao número de frigóricos existentes, que é de cerca de quase 5.000. E a conversa foi por aí, num sentido de botar panos quentes na situação pra de lá de quente, e com cheiro de carne podre.

Esse presidente Temer deve ser mesmo um brincalhão. Ao final do encontro, o que ele fez? Levou os convidados para jantar em uma churrascaria, a fim de mostrar que tudo estava bem com a carne brasileira, e que estava tudo sob controle em relação ao assunto. A piada nessa história toda é que, segundo apurou o jornal O Estado de São Paulo, a churrascaria que Temer escolheu para matar a sede de carne de seus ilustres convidados para a reunião, não servia carne brasileira.

Um atendente da churrascaria Steak Bull revelou à repórteres do Estadão, que o estabelecimento comercial só trabalha com carnes de origem europeia, uruguaia, e australiana.

Ao final da reunião, Temer convidou os participantes a irem a uma churrascaria comer carne brasileira, mas não disse a eles que a churrascaria servia carne importada. Durante a reunião, o presidente tentou minimizar os efeitos do escândalo, mas, ao partir para prática, preferiu não correr o risco.

Após a repercussão da reportagem do Estadão, o Palácio do Planalto divulgou nota, dizendo que, excepcionalmente, naquele domingo, a carne servida para o jantar do presidente, ministros, empresários, e embaixadores, era de procedência brasileira. Depois da nota divulgada, pelo Palácio do Planalto, a churrascaria referendou o que foi dito pela nota do Planalto. História no mínimo confusa essa, não acham?

Também em entrevista ao Estadão, Pedro Camargo Neto, pecuarista, e vice-presidente da Sociedade Rural Brasileira, acusou a Polícia Federal de ter sido irresponsável ao fazer o anúncio do escândalo da carne maquiada. Em outras palavras, ele afirmou que a PF fez “tempestade em copo-d’água”.

Neto reconheceu que houve crime, mas que foi uma coisa pontual, que não merecia o estardalhaço que a PF fez, e mostrou-se preocupado com os efeitos do que isso poderia causar nas importações, e no mercado nacional.

O pecuarista disse ainda que o estardalhaço feito pela polícia era para o caso de ter havido uma zorra muito grande, o que não o caso, e que essa zorra não existe, segundo ele. Ora se não existe. O Brasil está uma zorra só. Escândalos de toda a sorte, e por todos os lados. A zorra está armada, o circo está feito. Só não vê quem não quer.

É certo que pode ter havido um pouco de exagero na apresentação da PF, ao tornar público o escândalo. Mas, será mesmo que essas espetacularizações não são necessárias diante da conjuntura atual? Será que não é preciso jogar holofotes onde as coisas estão erradas? Onde o cheiro de podre exala forte?

O que os políticos querem mesmo é que as coisas passem despercebidas. Eles querem empurrar o lixo para debaixo do tapete. Mas agora não dá mais para fazer isso. O debaixo do tapete já está entupido de lixo.

Além das preocupações com o mercado interno e externo, Neto se mostra ainda preocupado com os produtores, que, segundo ele, é “quem vai pagar o pato”.

O interessante é que, em nenhum momento, ele fala do quanto o consumo de carnes duvidosas poderia afetar a saúde das pessoas.

Os investigadores ligados à Operação Carne Fraca, obviamente, não iriam ficar calados diante dos ataques feitos à PF por Pedro Camargo Neto, e reagiram dizendo que há ainda muito material sob sigilo, a ser revelado, e que isso terá posteriores desdobramentos.

Os investigadores também atacaram a tese de que apenas um frigórico teria tido a carne periciada. Segundo eles, se a perícia tivesse sido feita, simultaneamente, em várias empresas, isso comprometeria o sigilo da investigação, o que faz todo o sentido. Os investigadores são categóricos em afirmar que dispõem de provas do envolvimento de outros frigoríficos no esquema.

De acordo com os investigadores, além dos frigoríficos estarem envolvidos em mais este esquema criminoso, também os laboratórios, credenciados pelo Ministério da Agricultura, e que fazem a análise dos produtos para os frigoríficos podem estar também envolvidos no esquema.

Durante uma cerimônia de posse do Conselho da Câmara Americana de Comércio (Amcham), nesta segunda (20), realizada em São Paulo, Temer voltou a minimizar a crise usando os mesmo argumentos que havia usado na reunião de domingo. O presidente disse que dos 4.850 frigoríficos existentes no Brasil, apenas três foram interditados, e 19 estão sendo investigados. Em seu discurso, ele esqueceu-se de dizer, que, mesmo o problema sendo pontual, poderia comprometer a saúde de milhões de consumidores.

É possível também que todas essas tentativas do governo de minimizar o problema nos joguem de novo no espiral da corrupção que abastece os partidos políticos. Segundo declarações do delegado, Maurício Moscardi Grillo, parte dos valores arrecadados pelos fiscais do Ministério da Agricultura em propina, abasteceram os cofres do PMDB, e do PP. Os investigadores não sabem ainda ao certo que motivos levavam os fiscais a repartir as quantias com os partidos.

O efeito imediato desse escândalo para a economia brasileira não é dos melhores. Grandes importadores de carnes brasileira, a Coreia do Sul, a China, e a União Europeia, anunciaram a suspensão temporária de importação de carnes brasileiras. Querem ter a certeza de que apenas carnes de qualidade cheguem ao mercado europeu.

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Boa Esporte Clube: Marketing agressivo ou pura burrice?

Posted by Cottidianos on 00:13
Segunda, 20 de março

O goleiro Bruno Fernandes, e a diretoria do Boa Esporte Clube


Em meados do ano de 2010 o Brasil ficou estarrecido diante das revelações do crime brutal de que foi vítima a jovem modelo Eliza Samúdio. Na época, Bruno era goleiro titular do Flamengo, e sua carreira estava em ascensão, com grandes possibilidades de trilhar uma carreira internacional. Os caminhos de Eliza e Bruno haviam se cruzado em 2008, no Rio de Janeiro. Do relacionamento amoroso entre os dois nasceu, em fevereiro de 2010, um menino. Bruno recusou-se a assumir a paternidade da criança. Elisa não aceitando essa recusa, entrou na justiça com um pedido de reconhecimento de paternidade. Em 04 de junho de 2010, Bruno convida Elisa para ir até um sítio que o goleiro possuía em Esmeralda, Minas Gerais. Essa seria a última viagem da modelo. Investigação policial revelou que ela havia sido morta com requintes de crueldade. Segundo uma testemunha, a jovem morreu vitima de sufocamento, em seguida o cadáver havia sido esquartejado e depositado sobre uma camada de concreto. Outra versão é que, depois de esquartejado, o corpo havia sido jogado aos cães. Na verdade, o que de fato aconteceu com o corpo de Eliza Samúdio, e onde está o corpo da jovem, até hoje não se sabe. A criança, que também havia sido levada ao sítio foi poupada, e encontrada numa favela em Ribeirão das Neves.

Ainda segundo as conclusões da investigação policial, o goleiro Bruno foi o mandante do crime, e foi determinada a prisão dele, em julho de 2010. Em novembro de 2012, foi iniciado o julgamento de Bruno Fernandes, na cidade de Contagem, Minas Gerais, e de outros envolvidos no crime. Foi um julgamento tumultuado pelas discordâncias entre advogados de acusação e defesa. No terceiro dia do julgamento, a juíza responsável pelo julgamento, atendendo ao pedido dos advogados de defesa de Bruno, adiou o julgamento do goleiro para março de 2013. O julgamento continuou para o amigo de Bruno, Luiz Henrique Romão, mais conhecido como Macarrão, e para a ex-namorada de Bruno, Fernanda Gomes de Castro. Ao final do júri popular, Macarrão foi condenado a 15 anos de prisão por sua participação no sequestro, e assassinato de Eliza.

Em março de 2013, Bruno foi condenado a 17 anos e 6 meses de prisão em regime fechado, sob acusação de homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, asfixia, e uso de recurso que impossibilitou a defesa da vítima). Foram acrescidas à pena, mais 3 anos e 3 meses em regime aberto pelo crime de sequestro e cárcere privado, e 1 ano e 6 meses por ocultação de cadáver.

No dia 24 de fevereiro deste ano, o ministro do STF, Marco Aurélio de Melo, emitiu um habeas corpus, determinando a soltura do goleiro. Como motivo mais forte para a soltura do mesmo, o ministro acusou a demora por parte do Tribunal de Justiça de Minas, em julgar o recurso de apelação apresentado em primeira instância. A partir de então, o goleiro aguarda o julgamento do recurso em liberdade. A esse fator que determinou a soltura, o ministro destacou ainda o fato de o réu ser primário, e ter tido bom comportamento na cadeia.

O país teria ficado apenas indignado se as coisas parassem por aí. Mas o fato posterior a isso deixou-nos a todos perplexos.

“Sem noção”, “oportunista”, “burra”, que substantivos mais poderiam ser aplicados à equipe de futebol que contratou Bruno como goleiro? Com certeza, uma jogada de marquete, porém, talvez, o marquete mais insensato do mundo dos negócios.

No início deste mês, a equipe de futebol, Boa Esporte Clube, da cidade de Varginha, Minas Gerais, anunciou a contratação do goleiro, gerando uma grande polêmica no próprio clube, na cidade, nos patrocinadores, e no país de modo geral.

O Boa é uma equipe modesta de futebol que conquistou no final do ano passado o direito de voltar a Série B do Campeonato Brasileiro. O público das suas partidas, no geral, chega aos cerca de 700 torcedores por partida.

No momento em que o clube consegue dá um passo para frente, com a possibilidade de jogar para públicos maiores, recua três passos ao contratar um homem acusado de matar a ex-namorada, e mãe de seu filho, com requintes de crueldade.

Os patrocinadores do clube, não querendo ver suas marcas ligadas a um clube que contrata um atleta em uma situação dessas, caíram fora do barco. Logo após o anuncio da contratação, cinco patrocinadores importantes resolveram retirar seu apoio ao clube.

Que jogada de marquete seria essa que afasta patrocinadores? Não dá para entender, realmente não dá para entender a atitude da diretoria do Boa. Importante frisar que o goleiro foi contratado com o maior salário do clube. E como vai se virar sem patrocinadores? Talvez a diretoria esteja de olhos nos R$ 4 milhões que receberá das cotas de TV. Aí dá para pagar o salário do goleiro. Mas um time de futebol funciona como uma empresa, e uma empresa não abre mão de conseguir lucros, e patrocinadores representam lucro.

O goleiro está há tempos sem jogar, deve estar fora de forma. Isso se consegue reverter com apenas algumas semanas de treino. Preparo físico resolvido, questão técnica resolvida. Mas e a questão ética e moral, que o mais importante em toda essa discussão? Vale a pena contratar um assassino apenas para ter visibilidade na mídia.

Sim, pois disputando pela Série B do Campeonato Brasileiro, como já foi dito acima, o Boa disputara com muitas outras equipes nacionais. Já pensaram no desconforto dos atletas de outras equipes ao tomarem consciência de que estão lado a lado, com um atleta que mandou assassinar a própria mãe de seu filho, e que, não contente com isso, atirou pedaços do corpo delas aos cães para que os devorassem? E o pensamento dos torcedores? E das famílias que assistirão a essas partidas na sala de casa? Como explicar aos pequenos, apaixonados por futebol, tal situação. Sim, pois as crianças prestam atenção às coisas. Elas estão envolvidas com seus brinquedos, mas suas antenas estão conectadas com o mundo.



Por essas e outras, o site do clube foi hackeado logo após o anúncio da contratação de Bruno. A página foi substituída por dados sobre feminicidio.

Há também a questão de como o fato repercute entre a própria equipe. Os outros jogadores vendo o goleiro recém contratado ganhar salário mais alto que o deles, podem pensar, ainda que de forma inconsciente: “O que esse cara fez para ganhar mais que a gente: matou uma pessoa?”

Como goleiro do Boa, Bruno receberá o salário de R$ 12 mil, nos meses de março e abril. Quando o Brasileirão começar o salário sobe para R$ 30 mil. Durante a entrevista, por ocasião da apresentação, o goleiro, acusado de assassinar, ou mandar assassinar, barbaramente, a ex-namorada, estava tranquilo, agindo como se nada tivesse acontecido, e ele tivesse se afastado apenas do futebol por algo menor. Imaginem, só, ele falou de voltar para a seleção brasileira! E nem dá sinais de que tem apenas um habeas corpus que lhe permite ficar em liberdade, e que, a qualquer momento pode voltar para a cadeia. Puro comportamento de psicopata.

A contratação de Bruno frustra ainda mais uma expectativa: a do goleiro, Luan Polli, titular da equipe antes da contratação de Bruno. Luan, que vinha de uma passagem pela equipe do Figueirense, era só expectativa para este de ano de 2017. Havia feito defesas importantes e ajudado a equipe a voltar para a Série B. Vejam o que ele disse em 08 de fevereiro do ano corrente: “Eu não tive uma sequência ainda de muitos jogos, o máximo que eu consegui fazer no Figueirense foram 10 jogos. Para minha evolução pessoal vai ser muito importante, para o meu crescimento pessoal essa sequência no Campeonato Mineiro e na Série B e consequentemente levar o Boa a disputar coisas boas dentro do futebol brasileiro”. O jovem goleiro deve ter levado um banho de água fria.

O interessante é que mesmo depois de toda a repercussão negativa causada pela contratação de Bruno, a equipe do Boa nem dá sinais de que cometeu um erro, e quer desfazê-lo. Assim age como Bruno, que mesmo depois de todas as evidencias dos autos, e dos depoimentos das testemunhas, age como se não tivesse cometido crime algum. Talvez psicopata com psicopata se entendam.

Se a intenção  do Boa Esporte Clube era chamar para si os holofotes da visibilidade midiática, ele conseguiu com maestria, tornando-se hoje, o clube mais detestável do Brasil.

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Se a carne e fraca, o leite também é

Posted by Cottidianos on 00:42
Domingo, 19 de dezembro


Todos os dias, somos bombardeados por diversas notícias de corrupção no meio político. Ficamos horrorizados, nos indignamos, nos irritamos, ficamos perplexos com toda a falta de compromisso de quem deveria nos representar. O fato é que a classe política não está à parte da sociedade, ao contrário, é parte dela, formou-se em meio a ela, e em meio a ela desenvolve, ou pelo menos deveria desenvolver suas funções, em prol dessa mesma sociedade.

Pensando dessa forma, pode-se afirmar que a corrupção praticada nos altos escalões do governo, e nos pequenos também, se reflete no meio que vivemos, respiramos, lutamos, trabalhamos, exercemos nossa cidadania.

As mentes mais fracas e mais suscetíveis de serem corrompida, ao ver toda essa dinheirama voando para cá e para lá, em malas, meias, e até em cuecas, saindo do Brasil para os paraísos fiscais, e depois fazendo o caminho inverso, podem normalizar em seus sistemas de valores que isso é o agir certo, isso é a conduta ideal para os homens de bem.

Entramos então em outra questão, muito debatida por sinal, mas que serve perfeitamente nessas presentes linhas. Vivemos numa sociedade que valoriza o ter, e não o ser. O indivíduo vale que pelos bens que ele ostenta, e não pelas qualidades morais e éticas, que são o fio condutor de uma sociedade que se propõe justa. Esse fio condutor conecta-se a outro mais perigoso. Os meios de conseguir esses tais bens materiais. Para quem não tem sólidos valores morais, essa passa a ser então a porta de entrada do inferno da desconstrução de valores.

Entra-se num jogo de vale tudo, no qual as regras são mentir, roubar, enganar, trapacear, falsificar. A vida humana e sua integridade são relegadas a segundo plano. Não importa se alguém morre na porta do hospital implorando pela ajuda do médico que estava ali, a principio, para salvar vidas, o importante era o plano de saúde que o paciente tinha, ou que não tinha. Não importa se alguém passa mal, e até mesmo morre por comer produtos estragados e alterados. O importante é o lucro que se obtém da venda deste produto.

O diabo das pequenas corrupções está todos os dias a nos tentar. Se formos fracos, se cedermos aos seus apelos, logo, estaremos envolvidos na intrincada teia das grandes corrupções, e dela é difícil sair. É como entrar para o crime organizado. Tente entrar e depois peça para sair para ver o que acontece.

Ainda prosseguindo no tema tratado até agora, quando pensamos que as coisas estavam ruins, elas conseguem ficar pior ainda.

Falo da Operação Carne Fraca, que vocês já devem ter ouvido falar, dada a frequência com que ela tem aparecido no noticiário de sexta-feira para cá.

Pelos números envolvidos pode-se dizer que Carne Fraca foi uma megaoperação; 1.100 policiais envolvidos, 309 mandados judiciais expedidos, divididos em 27 de prisão preventiva, 11 de prisão temporária, 77 de condução coercitiva, e 197 mandados de busca e apreensão.

Essa megaoperação desmantelou um mega esquema de corrupção na qual estavam envolvidos grandes empresas brasileiras do ramo alimentício, produtoras e exportadoras de carnes, e fiscais do Ministério da Agricultura.

Ora, e o que faz um fiscal? A resposta óbvia: fiscaliza. E se for um fiscal do ramo alimentício, fiscaliza para que não sejam repassados à população produtos estragados e de qualidade duvidosa.

Mas dentro do esquema desbaratado pela PF não era bem isso que acontecia. Os fiscais do Ministério da Agricultura recebiam propina de grandes empresas, e também de pequenos frigoríficos para que liberar para o consumidor, produtos em total desacordo com as regas sanitárias. Os fiscais faziam vistas cegas a várias situações que deveriam horrorizá-los.

Um dos artifícios usados pelas empresas para tornar as linguiças mais robustas, cheinhas, e atraentes era acrescer a fabricação delas o conhecido papelão. Em vez de embalar produtos, tiras de papel eram esmagadas e entravam na composição da linguiça, e o consumidor, inocentemente, comia papelão misturado com linguiça.

Era brincar com a vida humana o que ocorria naqueles frigoríficos. Chegava-se a misturar ácido ascórbico, (vitamina C) com carnes estragadas, a fim de maquiar a real situação do produto, a apresentá-lo como carne saudável, e pronta para o consumo.

Era comum as empresas investigadas fazerem um processo no qual o frango absorvia mais água do que o permitido por lei, apenas para aumentar o peso do produto.

O que causou surpresa, — além desta horrível prática de fazer de palhaços os consumidores — foi o fato de que entre as empresas investigadas estão duas daquelas a quem o consumidor reputava como empresas de “qualidade”, e que vendiam produtos “confiáveis”, a saber, a BRF, detentora das marcas Sadia e Perdigão, e a JBS, detentora das marcas Friboi e Seara.

Essa notícia seria detestável em qualquer hora, em qualquer momento, e se torna mais relevante ainda, em um momento em que o país atravessa uma séria crise econômica. O escândalo pode afetar a importação de carnes brasileiras. Vários países já pediram explicações ao governo brasileiro sobre a questão da maquiagem das carnes e sobre o envolvimento de fiscais do Ministério da Agricultura no escândalo.

Seguindo na mesma esteira de descaso para com os consumidores, no Rio Grande do Sul, a PF desmantelou uma quadrilha que chegava até a usar soda caustica par adulterar o leite.

Essa Operação chamada Leite Compensado, ocorreu também na semana passada em indústrias de laticínios no Rio Grande do Sul. Água, e até mesmo soda caustica, eram usadas para reaproveitar produtos vencidos.

Segundo o Ministério Público, uma empresa, em Nova Araçá, reaproveitava leite condensado envelhecido, ou estragado, colocando nele, neutralizantes que davam ao produto, aparência de saudável.

Diante de tudo isso, fica a pergunta: em quem confiar? Para os consumidores é difícil responder. O que sabemos é que não podemos mais habitar uma sociedade apodrecida e estragada por falsos e deturpados valores. Não podemos viver em uma sociedade em que foram sepultados os princípios éticos e morais. Seria o caos.

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Anistia ou condenação às raposas? Você decide.

Posted by Cottidianos on 00:19
Quinta-feira, 16 de março

Michel Temer, Gilmar Mendes, Eunício Oliveira  e Rodrigo Maia


A reforma política sempre foi um assunto importante, mas sempre relegado a segundo plano pelos nossos políticos. É estranho que, quando a maré avassaladora de denúncias de corrupção ameaça tragar a todos eles, esse assunto tenha que ser discutido a toque de caixa.

Nesta quarta-feira, o presidente Michel Temer se reuniu com Eunício Oliveira, presidente do Senado, Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados, Gilmar Mendes, ministro do STF, e presidente do Tribunal Superior Eleitoral, para discutir a questão. Após o encontro, eles divulgaram uma nota dizendo ser a reforma política necessária e urgente, e que a mesma não busca apagar o passado.

Na reunião, foi defendido pelo ministro Gilmar Mendes, e concordado pelos demais, um novo financiamento de campanha, na qual seria adotado o sistema de voto por lista fechada. Através deste sistema, o eleitor votaria não nos candidatos, à moda de hoje, mas em uma lista definida pelos partidos. Não uma lista aberta, como é atualmente, mas uma lista fechada. O argumento é o de que isto reduziria os custos de campanha, reduzindo, em consequência, eventuais irregularidades na corrida eleitoral.

Pelo que o Brasil tem testemunhado, com farta abundância de falas, atitudes, e depoimentos, é que o interesse da classe política, não é trazer algum tipo de benefício para a sociedade brasileira, mas sim, única e exclusivamente, salvar a própria pele. Quando esse interesse não é anunciado de forma clara e explícita, ele vem sempre maquiado de alguma benesse para o povo brasileiro.

Abramos um parêntese aqui para falar da nova lista apresentada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Este, na tarde de terça-feira (14), enviou ao STF, um pedido de abertura de inquérito contra 83 políticos citados nas delações da Odebrecht. A lista de nomes permanece em sigilo, mas informações vazadas à imprensa dão conta que há, pelo menos, um ministro do governo Temer na lista, e pelo menos, 5 cinco governadores.

Voltando ao assunto, isso tudo provoca arrepios na classe política atolada no lamaçal. E quem está em desespero o que faz? Busca uma solução para salvar a própria pele. Ora, não é isto o que estão querendo fazer os políticos?

Ora, caros leitores, e leitoras, se o objetivo não é de melhorar, verdadeiramente, o sistema eleitoral, nem avançar num sistema eleitoral mais eficiente e mais justo, e sim, salvar a própria pele, o que pode acontecer com o sistema de lista fechada?

Os partidos escolherão os caciques, e, logo aqueles cuja cabeça está a premio. Eles participarão de uma eleição democrática e justa, tomarão posse, ganharão foro privilegiado... E continuarão a roubar, como se nada tivesse acontecido. Pode não haver uma renovação na Câmara e no Senado, quando o Brasil mais precisa dela, devido ao fato de que as velhas raposas continuarão a defender o ilícito com unhas e dentes.

Uma lista fechada não iria resolver em nada o problema do Brasil, que é a corrupção desenfreada e o descaso para com a coisa pública. O ideal seria mesmo o fim do caixa 2. Observe o leitor que a solução torna-se problema para os políticos, pois essa é a porta de entrada do sedutor inferno da corrupção. E quem disse que os políticos querem que ela se feche? Muito pelo contrário, eles querem escancará-la mais ainda.

Sobre este assunto, ainda nesta quarta (15), Rodrigo Maia, afirmou que a proposta de descriminalizar o caixa dois pode voltar ao plenário da Câmara para ser debatida. “A Câmara não tem problema de montar nenhuma matéria, contanto que ela tenha nome, sobrenome e endereço. Se algum parlamentar ou algum partido político ou alguns tiverem interesse de tratar desse tema, pode ser tratado. Mas precisa ser tratado com um debate amplo, transparente, explicando por que quer, como quer, qual é o texto”, disse ele.

A sociedade precisa ficar atenta a essa questão, pois se os políticos conseguirem o que tanto almejam, que é descriminalizar o caixa 2, os trabalhos de investigação da Lava Jato, e sua consequente punição aos culpados, torna-se sem sentido. Ora, se não há crime, também não há culpados, e se não há culpados, não haverá inquéritos, processos, nem condenações, e nem prisões. É tudo muito simples. Os corruptos estariam então anistiados. Prontos para começar tudo de novo. Essa tentativa já foi feita na Câmara, e o projeto só não passou porque a sociedade estava vigilante, e o projeto foi retirado de pauta. Retirado de pauta, mas não esquecido, como vemos.

E há todo um movimento sutil nesse sentido. Um movimento que envolve todos os partidos. A questão é tão urgente que até partidos, que antes se consideravam perseguidos pela oposição, deram-se as mãos e estão a lutar por essa “nobre” causa, como é o caso Partidos dos Trabalhadores, por exemplo.

Grandes nomes da política e do judiciário brasileiro, estão unidos na defesa da ideia esdrúxula de que caixa 2 não é crime. Dentre eles estão o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, os atuais presidentes da Câmara e do Senado, o presidente da República, Eduardo Cardoso, ex-ministro da Justiça no governo Dilma Rousseff, e o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Gilmar Mendes, só para citar alguns poucos, pois a lista é extensa.

A verdade é que, como temos visto, a fonte da propina, de onde jorra farto o dinheiro publico, e abundante, e todos os políticos, de todos os partidos bebem dela com fartura e avidez. Ninguém que abrir mão dessa fonte de onde leite e mel da corrupção. Leite e mel que tanta fazem aos cofres públicos, e, por tabela, a toda a sociedade brasileira, do mais abastado, ao mais humilde. Os corruptos querem ser anistiados. Mas, pergunto-vos eu: merece anistia a quem tanto mal já causou ao Brasil, e quer continuar causando mais ainda?

Mais do que nunca é hora de a sociedade brasileira continuar pressionando o Congresso brasileiro, e a classe política em geral. Eles querem enfraquecer e desacreditar o trabalho da Polícia Federal, do Ministério Público, e de gente do judiciário, como o juiz Sérgio Moro.


Jesus Cristo dizia aos seus discípulos: “vigiai e orai para não entrardes em tentação”. E eu vos digo: “vigiai e orai para não seres devorados pelos lobos em pele de cordeiro”. E não vos esqueçais de quem um lobo em pele de cordeiro, de cordeiro tem apenas a pele, mas a alma, a essência, continua a ser de lobo voraz... E lobo voraz, não tem dó nem pena de ovelha alguma. Com eles, é como diz o ditado popular: “vacilou, dançou”.

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Arvoreando

Posted by Cottidianos on 01:05
 Quarta-feira, 15 de março


 Caríssimos, e caríssimas, o tempo hoje não me permitiu me debruçar sobre o noticiário político, e sobre ele tecer alguns comentários, mas gostaria de, antes de dar o descanso ao corpo, proporcionado pelo sono, dirigir algumas breves palavras a vocês. Escrever um texto é algo como montar um quebra cabeça, reunir as peças, e ver quais se encaixam, nesse ou naquele lugar. E no tabuleiro político do Brasil atual, o que menos faltam são peças para encaixar. Parece haver, e isso é preocupante, um movimento de todos os partidos, de tornar certo o que é errado, legalizar o ilegal. A sociedade precisa estar atenta a esse movimento, isso se quiser ver o Brasil passado a limpo.

Antes de falar desse assunto, entretanto, este blogueiro compartilha com vocês, um pouco de descanso em meio à loucura, um pouco de paz em meio às guerras cotidianas, uma palavra de paz, em meio à agitação do mundo, e essas palavras são nos proporcionada pelo Pe. Fábio de Melo, em sua canção, intitulada, Arvoreando. A canção contém uma parte falada que se torna ainda mais agradável ao ouvido através da doce voz do padre.

Ao ver o vídeo, cujo link para o site do Youtube, também compartilharei, as palavras me tocaram, e pensei: porque não compartilhar também com os leitores do blog? Afinal, a gente fala de tantos assuntos pesados, não é mesmo?

O texto do Pe. Fábio fala da capacidade que Jesus Cristo tinha de conhecer as pessoas. Geralmente, ao pensar esse ícone máximo do cristianismo, costuma-se endeusá-lo, torná-lo mais Deus que homem, e nos esquecemos da sua humanidade. Talvez esse seja o erro da maioria dos seus seguidores. Pois ao pensar o Cristo divino, seus seguidores se eximem da responsabilidade de espelhar-se nele, nas suas belas atitudes humanas, e de quanto podemos aprender com elas.

Por exemplo: Não é preciso ser um Deus para sentirmos quando uma pessoa está triste, ou em dificuldades, ou precisando de nossa ajuda. Não é preciso ser um Deus para nos indignarmos com a injustiça. Não é preciso ser um Deus para estar juntos aqueles que, esmagados na base da pirâmide, estão sedentos de paz, de justiça, e de pão para alimentar seus estômagos famintos, suas bocas sedentas de água, e seus corações ansiosos do fruto da justiça social. Não é preciso ser um Deus para dar e receber conforto espiritual.

E Jesus Cristo era mestre em todas essas coisas. Ele sentia o anseio do necessitado apenas com um toque em suas vestes, quando estava rodeado pela multidão. Foi o caso de uma mulher que sofria de uma doença havia tempos, e ao ver Jesus rodeado pela multidão, ela pensou: se eu tocar em suas vestes ficarei curada. E assim o fez, e asssim aconteceu. Porém, o extraordinário em tudo isso, talvez nem seja a cura, mas o fato de que, rodeado de gente, Jesus sentiu que alguém o havia tocado, e disse: alguém me tocou.

E não só isso, o mestre percebia apenas pelo olhar que alguém estava a precisar de ajuda, e ajudava. Também ele estava sempre pronto a socorrer, acolher e confortar os amigos, não só os amigos, mas quem dele se aproximasse. Leia o evangelho de ponta aponta, e você não verá, em parte alguma, Jesus discriminando, humilhando, ou desfazendo de quem quer que seja, principalmente, dos mais humildes e necessitados. 

Tudo bem que ele exortava, corrigia, criticava, principalmente, àqueles que se consideravam os melhores que os demais, que se colocavam acima da lei e da ordem.

Antes de divinizar o Cristo Jesus deveríamos procurar ser tão humanos quanto ele. Se o seguidores assim agissem, o mundo, certamente, estaria bem melhor.

Deixo vocês com as palavras do Pe. Fabio. Podem ler o texto abaixo, e também ver o vídeo no Youtube.

Volto na próxima postagem com o mundo cão da política, e suas raposas devoradoras de dinheiro público.

***

Arvoreando
Pe. Fábio de Melo
 
Uma das coisas que eu acho fascinante em Jesus, é a capacidade que ele tinha de encontrar no meio da multidão, pessoas.

Ele era capaz de reconhecer em cima de uma árvore um homem, e descobrir nele um amigo.

Bonito uma amizade que nasce a partir da precariedade, quando você chega desprevenido, o outro viu o que você tem de pior, e mesmo assim, ele se apaixonou por você. Amor concreto, cotidiano, diário.

Jesus se apaixonava assim pelas pessoas e as tornava suas amigas. As trazia para perto Dele.

É fascinante olhar para a capacidade que esse homem, que esse Deus tem, de investigar a miséria do outro e encontrar a pedra preciosa que está escondida. Isso é Páscoa, isso é ressurreição. É quando no sepulcro do nosso coração, alguém descobre um fio de vida, e ao puxar esse fio, vai fazendo com que a gente se torne melhor.

Não há nada mais bonito do que você ser achado quando você está perdido.

Não há nada mais bonito do que você ser encontrado, no momento que você não sabe para onde ir e não sabe nem onde está...

O amor humano tem a capacidade de ser o amor de Deus na nossa vida por causa disso: porque ele nos elege!

Por isso que é bom termos amigos, porque na verdade, as pessoas amigas antecipam no tempo, aquilo que acreditamos ser eterno...

Quando elas são capazes de olhar para nós e descobrir o que temos de bonito. Mesmo que isso, as vezes costuma ficar escondido por trás daquilo que é precário.

Por isso agradeço muito a Deus pelos amigos que tenho. Pelas pessoas que descobriram no que eu tenho de pior, uma coisinha que eu tenho de bom, e mesmo assim continuam ao meu lado, me ajudando a ser gente, me ajudando a ser mais de Deus, ajudando a buscar dentro de mim, a essência boa que acreditamos que Deus colocou em cada um de nós.

Ter amigos, é como arvorear: lançar galhos, lançar raízes... Para que o outro quando olhar a árvore, saiba que nós estamos ali...Que nós permanecemos para fazer sombra, para trazer ao outro, um pouco de aconchego que às vezes ele precisa na vida...

ARVOREIE! CRIE ÁRVORES! SEJA AMIGO



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