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Comprar gato por lebre

Posted by Cottidianos on 00:44
Quarta-feira, 13 de maio


Dois registros para iniciar esta postagem: um nos enche de orgulho e outro de tristeza.
Um é que ontem, 12 de maio, foi o Dia Internacional da Enfermagem. Em um momento tão difícil, em que eles tem mostrado seu valor, sua bravura, coragem, dedicação, carinho, e esmero em salvar vidas, muitas vezes, arriscando a própria vida, vai os aplausos deste blog a esses guerreiros e guerreiras da saúde!
O outro registro é bastante difícil de falar, mas é um fato, realidade, e não tem esconder, fingir que não acontece, ou ignorar. Também neste dia 12, o Brasil bateu um novo recorde de vítimas do Covid-19 em 24 horas. Foram 881 novos óbitos confirmados. As estatísticas do Covid-19 no Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde, são os seguintes: 177.589 casos confirmados, 12.400 mortes, e 72.597 pacientes recuperados.
No último fim de semana, quando o Brasil ultrapassou a marca dos 10.000 casos, o Congresso decretou luto oficial de três dias. Se os números de casos confirmados e mortes continuar nessa escalada, corremos o risco de, no próximo fim de semana chegar perto da marca dos 20.000 mortes por Covid-19.
Em meio a todo esse tsunami na saúde, o presidente, Jair Bolsonaro, continua a viver no seu colorido mundo particular, ignorando toda a realidade assombrosa que estamos vivendo. Ele continua debochando da situação, e criticando os governadores que, para ele, são um obstáculo a impedir que as pessoas voltem às ruas. Diz que a preocupação dele é com os desempregados. Mas, nas atuais circunstâncias, e observando o comportamento e as declarações do presidente, há quem duvide que ele realmente consiga se colocar no lugar daqueles que sofrem, ao lado dos menos favorecidos.
Na segunda-feira, 11, o presidente editou um novo decreto ampliando a lista de serviços essenciais. Desta vez ele incluiu as barbearias, salões de beleza, e academias entre os serviços essenciais. Lembrando que esses são locais com alto risco de contaminação.
Esse já o terceiro decreto editado pelo presidente tratando da questão. No primeiro decreto foram incluídos como serviços essenciais os supermercados, farmácias, serviços de saúde, produção e transmissão de energia, dentre outros.
Na semana passada, em encontro com empresários, o presidente assinou um terceiro texto, colocando a produção industrial e a construção civil como essenciais. Em fins de março, Bolsonaro havia editado um decreto que colocava igrejas e casas lotéricas entre os serviços essenciais.
E assim, a lista de serviços essenciais do presidente não para de crescer. O que também não para de crescer são o número de casos de Covid-19 e o número de mortes. Do alto de sua insensibilidade, ele diz, em relação a essa questão do número de mortos: “E daí?”
Na segunda-feira, 11, foi a primeira vez que ouviu-se o presidente dizer que lamentava cada morte por coronavírus. Lamentou, mas em seguida editou o novo decreto, ou seja, lamentou, mas sem lamentar tanto assim.
Ultimamente, tem sido muitas as críticas ao STF, principalmente por parte dos bolsonaristas. Mas, em meados de abril, a Suprema Corte tomou uma decisão que, certamente, está ajudando a salvar milhares de vidas.
Na quarta-feira, 15 abril, o STF, através de sessão realizada por videoconferência, decidiu que, além do governo federal, os governos estaduais e municipais tem poder para determinar as medidas de isolamento social, e restrição de transportes e trânsito em rodovias. Não fosse isso, estaríamos vivendo no Brasil uma tragédia muito maior do que a que começamos viver.
Pois, se dependesse do presidente, estaria todo mundo nas ruas em plena atividade. Desta sessão do Supremo participaram 9 ministros e todos foram unanimes em afirmar autonomia de estados e munícipios em relação à questão. A ação foi movida pelo PDT contra uma medida provisória editada por Jair Bolsonaro, cujo objetivo era concentrar no governo federal as decisões em relação a questão do coronavírus. Sábia decisão do STF. O Brasil agradece.
É baseado nessa decisão que os governadores tem feito ouvidos de mercador aos decretos do presidente. Com relação ao decreto editado nessa segunda-feira, alguns governadores e prefeitos já se pronunciaram e disseram que não vão incluir barbearias, salões de beleza, e academias entre os serviços essenciais.
Em relação a essa relutância das autoridades estaduais e municipais, Bolsonaro disse: “Alguns governadores se manifestaram publicamente que não cumprirão nosso Decreto n°10.344/2020, que inclui no rol de atividades essenciais as academias, as barbearias e os salões de beleza. Os governadores que não concordam com o Decreto podem ajuizar ações na justiça ou, via congressista, entrar com Projeto de Decreto Legislativo. O afrontar o estado democrático de direito é o pior caminho, aflora o indesejável autoritarismo no Brasil. Nossa intenção é atender milhões de profissionais, a maioria humildes, que desejam voltar ao trabalho e levar saúde e renda à população”.
Basta olhar para a cena política brasileira para ver que quem afronta o estado democrático de direito, e envereda pelas sendas do autoritarismo não são os governadores e prefeitos, mas sim, o próprio presidente.
Se o novo decreto pegou de surpresa os governadores, imaginem então o ministro da Saúde, Nelson Teich, que ficou sabendo da medida durante uma entrevista coletiva.
Em outro canto do palco da cena política, acontecem os depoimentos no processo aberto pela Procuradoria Geral da União, para apurar se Bolsonaro tentou interferir na Polícia Federal, conforme denunciou o ex-ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sérgio Moro. Segundo Moro, foram essas ações de Bolsonaro que motivaram sua saída do governo.
Ontem, 12, Sérgio Moro, procuradores, um juiz do gabinete do ministro Celso de Mello, responsável pelo inquérito, e o advogado da União se reuniram para assistir o vídeo da reunião ministerial que mostra o presidente tentando interferir na PF. Eles estiveram no Instituto de Criminalística da Polícia Federal para exibição do vídeo da reunião ocorrida em 22 de abril. O vídeo é apontado pelo ex-ministro como prova de suas acusações.
Segundo fontes que assistiram o vídeo, Bolsonaro teria se exaltado e subido o tom contra a PF ao defender a troca de investigadores no Rio de Janeiro. Segundo o presidente, seus filhos e familiares estaria sendo perseguidos em investigações policiais. Até palavrão o presidente falou, segundo essas fontes: “Querem f* com minha família”, teria dito o presidente.
Bolsonaro teria dito também aquilo que Sérgio Moro já havia dito: que se o superintendente da PF no Rio não fosse trocado, ele trocaria o comando geral da PF, e também o ministro da Justiça, Sérgio Moro. Essas fontes revelaram também a imprensa que Bolsonaro teria dito que o motivo da troca seria para que as investigações em curso da Polícia Federal não prejudicassem “a minha família e meus amigos”. Por isso também ele reclamava da falta de informações sobre o andamento dessas investigações. Também por isso queria na chefia da PF e na superintendência do Rio, pessoa com a qual tivesse afinidade.
Na tal reunião, Bolsonaro teria ficado bravo com o então ministro por causa de uma portaria redigida por Moro que favorecia o endurecimento das regras de isolamento social. A proposta de Moro era de que fosse fixada uma multa, por meio de lei federal, para quem descumprisse a quarentena. A portaria também estabelecia, em alguns casos, ordens de prisão se a pessoa se recusasse a obedecer o isolamento social. A ideia era a de que isso funcionasse como pressão para as pessoas ficarem em casa. Bolsonaro teria exigido de Moro que explicasse diante dos outros ministros o fato de querer decretar prisão se as pessoas não quisessem obedecer a quarentena. Esse fato, aliado a pressão para trocar o comando da PF esquentou o clima da reunião.
Parece que os brasileiros compraram mesmo gato por lebre ao eleger Jair Bolsonaro para presidente. Viram nele um baluarte na luta contra a corrupção, e descobriram que ele não era bem o que pensavam. Mas nem todos abriram os olhos para esse fato, alguns continuam mais cegos do que antes. Quando será que os mais exaltados bolsonaristas abrirão os olhos? Quando estiverem à beira do precipício? Aí já será tarde demais.

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Pressão no STF

Posted by Cottidianos on 13:33
Sexta-feira, 08 de maio



Quem já não ouviu falar deles: Homer, Bart, Marge, e Lisa. Aposto que você os conhece. Não?! E seu eu disser: os Simpsons. A família Simpson. O mundo todo conhece essa adorável família e suas trapalhadas. Parece que eles, além de ter o dom de fazer rir, também têm o dom de prever o futuro, pois em seus episódios já previram, por exemplo, a derrota do Brasil para a Alemanha na Copa de 2014. Isso se deu no episódio 16, da 25a temporada, You Don’t Have to Live Like a Referee (Você não precisa viver como um árbitro).  No episódio em questão, no qual Homer Simpson é o árbitro da partida, a Alemanha vence o Brasil por 2 a 0. Bom seria se a realidade tivesse, pelo menos, imitado a arte, pois naquela partida de final da Copa de 2014, os alemães foram bem mais impiedosos: venceram o Brasil por 7 x 1.
Em outro fato real que os Simpsons adiantaram em seus episódios foi a vitória do presidente Donald Trump. Na temporada 11, episódio 17, Barth To The Tuture (Bart no Futuro), Lisa Simpson acaba de ser eleita presidente dos Estados Unidos e, após o discurso de posse, se reúne com seus assessores e diz ter recebido um orçamento bem ruim do presidente Trump.
E agora, recentemente, os fãs da série lembraram de um episódio dos Simpsons que nos remete ao atual momento do coronavírus. Isso acontece no episódio 21 da 4a temporada. Na verdade, no episódio não há referência ao coronavírus, mas chama atenção a semelhança com situação atual. Homer Simspon comprar um espremedor de laranja no Japão. No momento de embalar o produto, o embalador está gripado e espirra dentro da caixa onde está o produto. Como resultado, um produto infectado segue para os Estados Unidos e infecta muitas pessoas em Springfield, onde moram os Simpsons.
Os Simpsons também devem estar tomando seus cuidados em Springfield para não serem atingidos pelo Covid-19, como por exemplo, usar máscaras, e ficar em casa, saindo apenas para executar as tarefas essenciais.
Aqui no Brasil, a doença está em descontrole. Consideradas as devidas proporções territoriais algumas cidades estão em melhores condições que outras, mas todos estão expostos aos mesmo perigos de explosão de casos.
O país já contabiliza, até agora, 135.106 casos confirmados, e 9.146 óbitos, devendo até domingo contar 10.000, se se confirmar a alta na curva de mortes que se tem verificado nesses últimos três dias que foram de 600 mortes por dia. Quem quiser acompanhar dados mais detalhados para a doença, pode ir para o site do Ministério da Saúde e lá encontrará estatísticas do Covid-19 em todos os estados brasileiros.
E, assim, com o Covid-19 e sua legião de invisíveis guerreiros do mal avançando velozmente por todo o território nacional, ceifando vidas e provocando dor e sofrimento em milhares de pessoas, o presidente Jair Bolsonaro voltou a surpreender.
Ontem o presidente, reunidos de um grupo de empresários, atravessou a Praça dos Três Poderes, à pé, junto com o grupo, e rumou para o Supremo Tribunal Federal. Fez uma visita surpresa ao órgão. O presidente do STF, Dias Toffoli, teve de arrumar a casa, às pressas para receber o grupo. É certo que a visita foi agendada minutos antes, mas uma visita assim não deixa de ser surpresa.
Junto com Jair Bolsonaro foram os ministros da Defesa, da Justiça, da Economia, da Casa Civil, e da Secretaria de Governo, além de um grupo formado por cerca de 8 empresários que representam das industrias siderúrgica, automobilística, têxtil, de brinquedos.
O presidente mais uma vez provocou aglomerações, e mais uma vez descumpriu os orientações da OMS e do próprio Ministério da Saúde. E adivinhem o que ele foi fazer no STF? Acertou que disse pressão pelo fim do isolamento social. O grupo rumou ao STF de máscara. Entretanto, antes de iniciar a caminhada o presidente, sem usar a máscara, falou ao pé do ouvido de um empresário, e distribuiu apertos de mãos e abraços. Durante a caminhada ele colocou a máscara.
Chegando ao STF, o presidente começou a transmitir tudo para a live ao vivo em sua rede social sem a autorização de Dias Toffoli. “O objetivo da nossa vinda aqui - nós sabemos do problema do vírus, que devemos ter todo cuidado possível, para que nós não nos infectemos e para preservar vidas, em especial daqueles do grupo de risco, mais idosos e os que tem comorbidades -, mas temos um problema que vem, cada vez mais, nos preocupando. Os empresários trouxeram agora, diretamente e pessoalmente, essas aflições: a questão do desemprego, a questão da economia não mais funcionar. E as consequências, o efeito colateral do combate ao vírus não pode ser mais danosos que a própria doença”.
O ministro da Economia, Paulo Guedes, também falou: “A informação que nós tivemos - o presidente pediu então que os empresário viessem compartilhar com o Supremo -, é exatamente que, embora nós tenhamos lançado aí dois, três meses de camadas de proteção, talvez os sinais vitais não consigam ser preservados tanto tempo. Talvez a indústria entre em colapso antes. Então, embora a gente tenha protegido e lançado todos os programas de crédito, a verdade é que talvez não seja possível preservar os sinais vitais”.
Bolsonaro também passou a palavra aos empresários: “Eu diria que a configuração - se a gente puder fazer uma figuração - é que a indústria está na UTI e ela precisa sair da UTI. E se não sair da UTI, as consequências serão gravíssimas”, disse o coordenador da Coalização Indústria, Marco Polo de Mello Lopes.
O presidente da Abrinque, Synésio Batista disse: “Vão sobrar empresas fragilizadas, porque estava rodando a 40, o coração vai ficando fraco, e a gente não sabe se dá conta de voltar a 120 de novo na recuperação. O que a gente não queria era, por conta de ter estado junto nesse combate da pandemia, o meu coração tá batendo a 40, eu não consigo retomar, os funcionários caem tudo de novo na nossa folha, aí eu tenho um inimigo lá fora, que é o meu adversário comercial prontinho pra suprir o mercado interno. Aí então haverá a morte de CNPJ”. 
Tanto na fala de Paulo Guedes, como dos empresários podemos notar o uso da linguagem médica para justificar o fim do isolamento social. “talvez não seja possível preservar os sinais vitais”, “a indústria está na UTI e ela precisa sair da UTI”, “Aí então haverá a morte de CNPJ”.
Notemos que não há nenhuma preocupação nesses discursos todos com a saúde e com a vida daqueles que dão suor e sangue nas linhas de produção dessas indústrias. No discurso do presidente também não notamos nenhuma mudança em relação à posição que ele tem adotado desde o início da pandemia. Uma posição minimizadora e negacionista da situação.
Resumindo a fala do presidente é como se ele dissesse: “Olha tem um probleminha que está fazendo com que morram algumas pessoas, mas nós temos um problema muito maior com que nos preocuparmos que é a recuperação de nossas industrias”.
Indo mais longe ainda e mostrando um pouco mais de insensibilidade, o presidente ainda criticou a decisão do STF que permitiu aos estados e munícipios a autonomia no enfretamento do coronavírus, e, novamente, defendeu o retorno às atividades econômicas.
“Tem um decreto presidencial que define o que são atividades essenciais. O que não está ali, ficou a cargo dos governadores e prefeitos, conforme decisão do próprio Supremo Tribunal Federal. E decidi que, pelo que parece, alguns estados foram um pouco longe - digo, alguns estados - nas medidas restritivas. E as consequências estão batendo à porta de todos. 38 milhões de informais e autônomos ou perderam a renda ou tiveram essa renda substancialmente reduzida. Por isso, esse grupo de empresários, hoje, trouxeram essa preocupação. É colapsar a economia. Nós, chefes do Executivo, chefe de poderes, temos que decidir. Muitas vezes, sei que o senhor Dias Toffoli toma medidas aqui, que ele sabe que, de um lado ou de outro, ele vai sofrer crítica. E ele tem coragem de decidir. Assim é, da minha parte, e assim também é, em grande parte, o poder Legislativo”, disse ele.
O presidente do Supremo, Dias Toffoli ouviu a todos em silêncio, e depois falou. E o discurso dele caminhou na direção da sensatez ao ratificar as medidas adotadas pelos governadores e prefeitos no combate ao coronavírus e na defesa do isolamento social.
“Gostaria de registrar, se nós vamos olhar o dia 11 de março, que foi quando a OMS declarou a pandemia mundial, e na semana que vem completaremos dois meses, o país conseguiu conduzir muito bem essa situação. Apesar daquilo que aparece na imprensa - uma coisa aqui, uma coisa ali -, a verdade é que as instituições funcionaram, os ministérios funcionaram, o SUS funcionou. As medidas que o governo adotou e o Congresso aprovou, adequou ou melhorou, ou de alguma forma também sancionou, foram medidas extremamente importantes para que o país não entrasse nessa situação de uma calamidade pública, que viesse a manter na sua organização estrutural da sociedade. Então, em primeiro lugar, nós temos que olhar o positivo. E esse positivo, penso que funcionou e está funcionando”, disse o presidente do STF.
É claro que haverá momento para retomada da economia, mas ela deve ser feita no momento certo, na hora certa, e não de qualquer jeito como quer o governo. Deve haver uma coordenação muito séria e bem pensada por todos os entes federativos, e Toffoli também destacou isso: “As pessoas já querem sair. Tem que ter essa saída de maneira coordenada; eu penso que é isso. Então é fundamental uma coordenação com os estados e municípios. Temos uma Constituição que garante competências específicas para os entes da federação e foi isso que o Supremo tem decidido. Mas sempre respeitando as competências da União, nacionais, de orientação quanto às atividades essenciais, de transporte, de produção. Então eu penso que essa coordenação, presidente, é fundamental para esse tipo de planejamento, para esse momento tão difícil que o Brasil passa. E já passou dois meses. Parece pouco tempo, mas já são dois meses que nós estamos; e realmente temos que pensar aqui, nesse momento”.
Terminado o encontro, o presidente deixou o STF junto com o grupo fazendo o caminho de volta. Ainda na praça, transmitindo ao vivo para suas redes sociais, o presidente voltou a provocar aglomeração e, usando linguagem médica, como haviam feito Paulo Guedes e os empresários, o presidente disse: “Em observadas as normas do Ministério da Saúde, de modo que, cada vez mais rápido, possamos voltar à atividade normal. Caso contrário, depois da UTI, é o cemitério. E não queremos isso para o nosso Brasil”.
A revista científica, Lancet, que desde 1923 vem contribuindo com a ciência através de seus artigos. É uma das revistas mais conceituadas do mundo na área. A Lancet, preocupada com o que acontece no Brasil em relação a pandemia, resolveu dedicar ao tema um artigo especial. No artigo, a revista critica as ações do governo brasileiro no combate à doença.
No artigo, a revista diz que “talvez a maior ameaça à resposta à COVID-19 seja o presidente brasileiro”, e que o presidente Jair Bolsonaro “está semeando confusão, desprezando e desencorajando abertamente as sensatas medidas de distanciamento físico e confinamento introduzidas pelos governadores e prefeitos”.
A revista destaca ainda a preocupação com as comunidades indígenas e com o crescimento do contágio nas favelas.  Em relação ao comportamento do presidente em meio à crise, o artigo diz: “Bolsonaro precisa mudar drasticamente o seu rumo ou terá de ser o próximo a sair”.
Talvez a revista esteja certa em afirmar que o maior problema do Covid-19 no país seja o presidente brasileiro. Pois ele tem milhares de seguidores em suas redes sociais e, certamente, influencia essas pessoas. Além disso, é ele o mandatário da nação e para as mentes ignorantes ou despreparadas, se o presidente falou tá falado. Para essas pessoas a palavra do presidente tem um grande peso e, se ele fala que o isolamento social é coisa desnecessária, então para que ficar em casa? Vamos para a rua.
Além disso, não se vê no presidente nenhuma vontade de coordenar o país, liderar o país, reunir forças para o enfrentamento da doença. Mas o que vemos é um Jair Bolsonaro preocupado apenas com sua reeleição em 2022. Daí, talvez advenha sua dificuldade em trabalhar junto com governadores e prefeitos nas ações para o combate à epidemia. Numa visão mesquinha o presidente vê os governadores como inimigos e não como aliados nessa luta.
O presidente preocupa-se com a economia, assim como todos nós estamos preocupados. A diferença é que as pessoas racionais jamais colocam os negócios acima da vida, até porque uma economia que gera a morte não torna grande nenhuma nação, muito menos o povo dessa nação. O líder que prega uma economia que gera morte e sofrimento, na verdade não é um líder.


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Rebanho enfurecido

Posted by Cottidianos on 01:09
Terça-feira, 05 de maio
“Êh, ô, ô, vida de gado
Povo marcado
Êh, povo feliz!”
(Admirável Gado Novo – Zé Ramalho)




No momento em que o Brasil ultrapassa os 100 mil casos confirmados de coronavírus. Os dados atualizados do Ministério da Saúde até o momento em que este artigo é escrito informam que o número de casos confirmados é de 107.780, e o número de mortos chega a 7.321, sendo a taxa de letalidade da doença no Brasil de 6,7%...
No momento em que o sistema de saúde brasileiro começa a entrar em colapso por causa da doença. Por exemplo, Manaus já vive seus caos nos sistema de saúde e funerário...
 No dia em que se celebra mundialmente o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa...
No momento em que 40 nações se unem para tentar combater o inimigo. A União Europeia liderou uma campanha que envolveu mais de 40 países e arrecadou R$ 45 bilhões para o desenvolvimento de vacinas e tratamentos...
No momento em que a recomendação da Organização Mundial da Saúde e do Ministério da Saúde pedem que os brasileiros fiquem em casa para evitar uma tragédia nacional...
Eis que o presidente Jair Bolsonaro resolve participar de mais uma manifestação contra o isolamento social, e antidemocrática que pedia fechamento do STF e do Congresso, e intervenção militar com Jair Bolsonaro.
Louco? Genocida? Ditador? Descontrolado?
Como qualificar uma personalidade assim? O que dizer de um presidente que age dessa forma?
O fato de seu neste domingo, 03. A manifestação começou na Esplanada dos Ministérios e, quando na Praça dos Três Poderes, em frente ao Palácio do Planalto, os manifestantes desceram dos carros e se aglomeraram no local.
O presidente juntou-se aos manifestantes no Palácio do Planalto. Dessa vez uma grade o separava dos manifestantes. Bolsonaro chegou com a filha Laura, e não usava máscaras. Transmitiu ao vivo a manifestação através de suas redes sociais.
Entre os presentes estavam deputados federais, entre eles, o filho, Eduardo Bolsonaro. O ministro da Cidadania, Onix Lorenzoni também participou do ato. Ao canal Papo Conservador, do Youtube, que transmitia o ato, Lorenzoni disso: “Eu vim agradecer o carinho dos brasilienses, das pessoas de fora que vieram aqui, que tão trazendo seu apoio, sua esperança, sua fé, a certeza de que o Brasil vai continuar no rumo certo. E o rumo certo do Brasil é o presidente Bolsonaro. Obrigado a todos, em nome de Jesus, muito obrigado”.
O presidente Bolsonaro, em sua fala, voltou a criticar o isolamento social e os governadores que adotaram a prática recomendada pelos órgãos da Saúde. Para a live que estava sendo transmitida ao vivo em suas redes sociais, o presidente disse: “Tenho certeza de uma coisa, nós temos o povo ao nosso lado, nós temos as Forças Armadas ao lado do povo, pela lei, pela ordem, pela democracia, e pela liberdade. E o mais importante, temos Deus conosco”.
Em outro trecho do seu discurso o presidente falou: “Peço a Deus que não tenhamos problemas essa semana. Chegamos no limite, não tem mais conversa, daqui pra frente, não só exigiremos, faremos cumprir a Constituição, ela será cumprida a qualquer preço, e ela tem dupla mão”. Ao dizer isso, o presidente também não explicou de que forma pretendia agir caso tivesse mais uma de suas decisões contrariadas por algum dos demais poderes constituídos.
Mais uma vez, autoridades do Legislativo e do Judiciário, e de outros setores da sociedade criticaram a participação do presidente nos atos deste domingo.
No dia que se comemorava o Dia da Liberdade de Imprensa, repórteres que registravam a manifestação foram agredidos. O repórter fotográfico Dida Sampaio, do jornal O Estado de São Paulo, fazia o seu trabalho enquanto o presidente acenava aos seus apoiadores. Nesse momento o repórter foi cercado pelos manifestantes. Ele foi derrubado por duas vezes. Foi chutado pelas costas, além de levar um soco no estomago. Marcos Pereira, motorista do jornal também foi agredido.
Repórteres de outros veículos de comunicação também sofreram agressões. Os jornalistas tiveram que deixar a cobertura do ato, escoltados pela polícia.
Na tarde de sábado, 2, durante a cobertura pela imprensa da chegada do ex-ministro Sérgio Moro à Curitiba para prestar depoimento sobre o inquérito que investiga tentativa de Jair Bolsonaro de interferir na Polícia Federal, um bolsonarista tentou derrubar a câmera do cinegrafista Robson Willian da Silva, da TV Record.
Na manhã de sexta-feira, 1o, dia em que se comemorava o Dia do Trabalhador, um grupo de cerca de 60 enfermeiros e enfermeiras, respeitando a distância recomendada pelos órgãos de saúde entre as pessoas, e usando máscaras, faziam um ato de protesto silencioso em frente à Praça dos Três Poderes, em Brasília, por melhores condições de trabalho e pelo respeito ao isolamento social, quando foram agredidos verbalmente por bolsonaristas.
A manifestação seguia pacífica até que um homem e uma mulher, partidários do presidente, partiram aos gritos para cima do grupo de manifestantes chamando-os de “sem-vergonha”, “covardes”, e “analfabetos funcionais”. Uma das enfermeiras que participava do protesto silencioso foi empurrada, sem que esboçasse nenhuma reação às provocações dos desordeiros.
Uma terceira pessoa que fazia parte do grupo de agressores ainda fez um vídeo do protesto dos enfermeiros e postou nas redes sociais dizendo que era fake news, e que moradores de rua haviam sido convencidos a usar jaleco brancos e forjar um protesto. O vídeos chegou a alcançar 20 mil visualizações, depois foi apagado.
Esse foi mais um grupo que teve de sair do local escoltado por policias para não terem suas integridades físicas atingidas por tresloucados.
O Conselho Regional de Enfermagem do Distrito Federal (Coren-DF) identificou os três agressores e vai processá-los.
Reconhecidos, e responsabilizados criminalmente também devem ser os agressores dos jornalistas, tanto no sábado como no domingo. Afinal, criminosos devem punidos pelos seus atos.
Esse final de semana, os bolsonaristas pareciam estar enlouquecidos, enfurecidos. Eles também atacaram o ministro do STF, Alexandre de Moraes. Um grupo de bolsoanristas fez um protesto em frente ao prédio onde mora o ministro.
Usando megafones, cerca de 20 manifestantes, com carros parados na calçada, cobertos com a bandeira do Brasil, emitiam palavras de xingamento ao ministro, e pediam que ele descesse para a rua. Ele foi chamado pelos manifestantes de “comunista que não gosta de polícia” e diziam que ele “estava com medo de Ramagem”.
Foi Alexandre de Moraes quem suspendeu a nomeação de Alexandre Ramagem, poucas horas antes da nomeação. Ramagem era o nome preferido por Bolsonaro para o comando da PF por ser amigo da família. Era, portanto, o homem perfeito para Bolsonaro controlar e, através dele, interferir nas investigações da PF, principalmente, nas que envolvem seus filhos e seus amigos.
E a escalada de violências e ameaças por parte de partidários do presidente não parou por aí. O governador de São Paulo encaminhou, domingo, 3, ao serviço de inteligência da Polícia Civil, uma ameaça de morte feita por uma mulher na conta do Instagram de Bia Dória, mulher do governador. A mensagem ameaçava de morte, Dória, a mulher, e os filhos do casal.
Essa não é a primeira ameaça que Dória recebe, por parte dos Bolsonaristas, desde que a quarentena começou a vigorar no estado de São Paulo. No dia 13 de abril, Dória entrou com uma queixa-crime contra o advogado Bolsonarista, Marcelo Pegoraro. Durante uma manifestação realizada na Avenida Paulista contra o fim do isolamento social, Pegoraro enrolou a bandeira do Brasil no corpo e, enquanto era gravado em vídeo, ameaçou o governador, usando palavras de baixo calão, dizendo: “Cê vai morrer, fdp! É isso que vai acontecer: a gente vai lá na tua casa e vamos quebrar sua casa inteira, seu “pau no c*”! É isso que o pessoal quer falar pra você, seu fdp”.
É triste ver a bandeira do Brasil sendo usada como símbolo de opressão, ameaças e violências. A bandeira do Brasil não merece isso. O Brasil muito menos. Porém, o que esperar de seguidores de um presidente que prega o ódio e a intolerância?
Falando no presidente, hoje, 04, em cerimônia rápida e à portas fechadas, ele nomeou o novo diretor-geral da Polícia Federal. O novo diretor do órgão é Rolando de Souza. Rolando era o braço direito de Alexandre Ramagem na Abin. A rapidez foi uma tentativa de evitar que fosse mais uma vez impedido por algum ministro do STF.
E adivinhem qual foi uma das primeiras ações do novo comande chefe da PF? Atender um desejo de Bolsonaro que era trocar o superintendente da PF no Rio de Janeiro. Vinte minutos depois de nomeado. Foi o tempo que levou para a troca. Carlos Henrique de Oliveira, superintendente da PF no Rio, foi convidado por Rolando para assumir direção-executiva da PF, o que faz ser o número dois do novo diretor. Assim todo mundo fica contente. Rolando de Souza, Bolsonaro, e os filhos. Mas será que Carlos Henrique de Oliveira queria mesmo isso, ou ele preferia ter continuado no Rio de Janeiro?
A troca no comando da PF no Rio tem mais cara de estratégia do que de promoção. Afinal, o Rio de Janeiro é uma área de interesse de Bolsonaro e de seus filhos. Ou seja, Bolsonaro acabou dando um jeito de driblar o STF ao nomear para PF o braço direito de Ramagem na Abin. Dessa forma, continua tudo em casa.
É simplesmente vergonhoso o que o presidente quer fazer na PF. E não só na PF. Ele também quer interferir no Exército.
Será que alguém imaginava que depois do PT poderia vir algo pior? Pois aconteceu. Se o PT ameaçava os cofres públicos. Bolsonaro acrescenta mais um item a esse temor: uma ameaça à democracia.
Para finalizar, faço minhas as palavras de Paulo Coelho quando de uma entrevista concedida por ele à BBC Brasil em setembro de 2019. Aliás, uma entrevista muito boa. Quem tiver tempo de assistir, assista. Vale a pena. Falando de Bolsonaro, o entrevistador da BBC, Ricardo Senra, perguntou: “Você fez críticas ao presidente, ao chanceler. Você se preocupa de alguma maneira que essas críticas desagradem a parte dos seus leitores?”
Ao que Paulo Coelho respondeu: “Mas óbvio. Não, não. Preocupar é uma palavra muito forte. A essa altura, eu tenho um compromisso histórico e o compromisso histórico é não ficar calado. Eu tenho que falar. Vou perder leitores? Vou. Tenho perdido? Devo estar perdendo? Não sei. Eu não fico contabilizando isso. No Brasil. Mas, fora do Brasil, eu não acredito. Acho que todo mundo está olhando o Brasil neste momento com muita suspeita”.

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Como combater um vírus! Devemos ficar em casa?

Posted by Cottidianos on 01:37
Sábado, 02 de maio

Cariocas ignoraram quarentena e foram à praia neste 1 de maio

Prezados leitores e leitoras, gostaria de ter apresentado esse texto que vos apresento hoje, pelo menos há umas três semanas, mas foi quando meu notebook resolveu me deixar na mão durante a pandemia. Por aqueles dias, uma amiga que é médica e mora na Itália havia me enviado, pelo WhatsApp, um vídeo que explicava de uma forma bem clara, o que é um vírus, e a importância do isolamento social, e do uso das máscaras. Gostei do vídeo e tive a ideia de transcrever o texto e apresenta-lo a vocês, mas o notebook apresentou problemas, eu tive que deixa-lo em uma eletrônica para o conserto.
Enfim, apresento agora o texto a vocês, mas somente depois de ter encontrado o vídeo no Youtube. Sim, pois quando do envio do vídeo a mim, não havia nenhum indicativo de onde encontra-lo na Internet, nenhum link. Sabia que não era nenhuma fakenews, pois a fonte era confiável, mas para apresenta-lo a vocês precisava da informação original, finalmente, depois de algumas pesquisas, encontrei o canal de quem o postou no Youtube.
E que postou o vídeo foi o Dr. Vladmir Carvalho, estudante de medicina, na China, que, no momento, faz naquele país, doutorado em endocrinologia.
Em seu vídeo o Dr. Vladmir faz um questionamento interessante a respeito do Covid-19. Pergunta ele: Qual a maior batalha que estamos travando neste momento? É contra o vírus? Sim, responderão muitos. Mas, não é. Na verdade, como diz Vladmir, a maior batalha que estamos travando no momento é a batalha contra nós mesmos, ou melhor, contra a nossa vontade sair para a rua e jogar, e ir à praia, ao cinema, ao restaurante, encontrar os amigos. Essa é batalha mais difícil que estamos enfrentando. E essa batalha contra a nossa vontade de fazer tudo o que fazíamos antes da pandemia é que nos fará vencer esse inimigo pequeno, mas poderoso. É aí que podemos ganhar ou perder o jogo para o vírus.
Um exemplo bem claro disso. Ontem, primeiro de maio, Dia do Trabalhador. Feriado. Com o sistema de saúde do Rio de Janeiro muito próximo de um colapso, muitos cariocas e turistas, simplesmente, ignoraram os alertas do governo para que permanecessem em suas casas, e foram aproveitar o belo dia de sol nas praias. No final da manhã, a movimentação no calçadão junto às praias da zona oeste e sul do Rio de Janeiro, foi bastante intensa no final da manhã.
O vírus se espalhando de forma violente na capital carioca e o carioca e os turistas, simplesmente ignorando tudo isso, e se se banhando, caminhando, bebendo água de coco, tomando banho de sol, como se se não houvesse coronavírus no país. Claro, o coronavírus ficou muito feliz com tudo aquilo e até agradeceu. Certamente, contaminou mais alguns, que passarão o vírus para outros, e o final da história nós já sabemos. Não precisa nem ser vidente para ver que o resultado disso tudo será um aumento de casos no Rio de Janeiro nas próximas semanas.
E não são apenas os cariocas que estão ignorando o inimigo, não. Por todo o país, ainda tem muita gente que acha que tudo isso é fantasia, brincadeira, exageros, apesar de a curva de contaminados está em visível crescimento, bem como o número de mortos.
Não se pode deixar de falar, quando se fala da questão do coronavírus no Brasil, no negacionismo do presidente. Por ele, estaria mesmo todo mundo na rua. Morreriam, milhões de brasileiros, mas e daí? perguntaria ele.
Hoje também houve protestos e carreatas contra o fim do isolamento por parte dos apoiadores do presidente. É óbvio que o comportamento do mandatário da nação influencia muitas outras pessoas, e isso é muito perigoso. O presidente tem muitos seguidores nas redes sociais e os empurra para o caos, e eles nem percebem. E as consequências de toda essa irresponsabilidade tanto do presidente quanto dos seus apoiadores pode ser muito grave.
Por isso que é tão importante ouvir o conselho das autoridades da área da saúde: Fiquem em casa. Vençam a batalha contra si mesmos para que todos possamos vencer a batalha contra o coronavírus.
Aqui está o link para o vídeo no Youtube: Coronavírus: Como combater um vírus!Devemos ficar em casa? Parte -1, e a seguir, o texto transcrito. O leitor, ou leitora pode ir direto para o texto e depois assistir o vídeo, ou vice-versa, fica a critério de cada um. Sinta-se à vontade e faça o que achar melhor.

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Coronavírus: Como combater um vírus! Devemos ficar em casa?



Dr. Vladmir Carvalho
O que é um vírus?
Um vírus é simplesmente um material genético. Eu sei que muitos de nós sabemos o que significa um ADN ou DNA que, normalmente, a célula consegue ler para fazer ARN (RNA), que a célula também consegue ler para fazer proteínas, e as proteínas são as que, realmente, desempenham funções diferentes. E esse coronavírus é simplesmente um ARN (RNA)  que, quando entrar na célula a célula consegue ler para fazer as proteínas necessárias, incluindo proteínas que servem para multiplicar esses vírus.
Mas vocês tem que saber que o vírus não tem vida própria. Por exemplo, se o vírus tiver fora do corpo não consegue multiplicar, não consegue voar, não consegue andar, não consegue correr, e, depois de alguns dias, o vírus será completamente morto.
Isso significa que, se por acaso, um vírus entrar no meu corpo, nesse caso estamos falando desse corona, desse Covid-19, se entrar no meu corpo é porque eu ajudei o vírus a entrar no meu corpo.
Por exemplo, as gotículas de uma pessoa se estiver com o vírus, depois de uma tosse, ou depois de falar, ou depois de um espirro, sair para o ar, e eu estou perto, o vírus entra no meu corpo, ou também de uma maneira indireta, por exemplo, se essas gotículas caírem sobre um objeto, por exemplo, sobre uma mesa, uma porta, as mãos, ou qualquer objeto, e depois eu tocar esse objeto e colocar o vírus na minha boca, no meu nariz, ou então nos meus olhos... Nós temos que entender que o vírus não consegue sair de uma pessoa para outra sem ajuda.
É um dos organismos mais fracos que existem. Nesse caso do vírus corona, por exemplo, se cair num plástico pode durar até três dias, mas temos que saber que, de qualquer maneira, depois de alguns dias, esse vírus já não existe.
A pessoa que tem o vírus tem que passar o vírus para uma outra pessoa. E essa pessoa para uma outra pessoa, e assim por diante. Se, em qualquer momento pararmos de fazer isso, esse vírus já era. É como aquelas corridas de 400 metros, nas quais uma pessoa que tem o objeto quando corre 100 metros entrega o objeto para uma outra pessoa, que depois continua correndo. Se por acaso, não conseguir entregar o objeto, mesmo se a pessoa continuar a correr, queima (a corrida).
A mesma coisa acontece com o vírus. Imagina se todos nós decidirmos ficar em casa por duas semanas, ou três semanas, nem imagina porque seria uma tragédia... para o vírus. Porque se isso acontecesse o vírus já não vai existir naquele lugar.
É por isso que quando a pandemia começou aqui na China, colocaram milhões e milhões de pessoas em quarentena. Porque? Porque já sabem que se não há transmissão de uma pessoa para outra o vírus acaba.
Mas depois de entenderem isso eu pergunto: Quem é o nosso adversário? Será que é o vírus do corona? Não. Porque o vírus do corona, como muitos outros vírus, não consegue fazer nada. Deixamos o vírus de fora e, depois de alguns dias, ele já eram.
Então, com esse entendimento, eu acredito que a batalha não é contra o vírus, mas a batalha é contra nós mesmos. A batalha é contra a vontade de sair para ir a restaurante. A batalha é contra a vontade de sair para jogar bola. A vontade de sair para conversar com os vizinhos, jogar cartas, jogar outras coisas.
A batalha é contra a vontade de sair para ir ao mar, para ir fazer coisas lá fora. Se deixarmos os vírus sozinhos, eles não conseguem continuar a viver. É impossível.
Então, entendendo o que significa um vírus, todas as vezes que formos sair de casa temos que pensar e dizer assim: “Estou indo lá fora para fazer com que esses vírus continuem a existir.
Para além do isolamento, quais são as outras coisas que foram implementadas aqui na China, e que ajudaram a combater esse vírus?
Algumas coisas que fizeram foram: o uso obrigatório de máscaras. Estou vendo que alguns países, principalmente, países europeus, países da América, não aconselham o uso de máscaras para as pessoas que não estão doentes, para as pessoas que não tem o vírus.
Nós, aqui na China, somos forçados a usar máscaras. Se fores para um supermercado sem máscaras não te deixam entrar. E podem ver esse vídeo de um dos médicos chineses que foram para ajudar a Itália, como reclamaram da situação na Itália. Em primeiro lugar, temos que entender que apanhar alguns vírus, é diferente de apanhar um montão de vírus. A máscara não consegue impedir completamente a entrada dos vírus, mas consegue reduzir. A outra razão é que, com esse vírus, temos uma transmissão assintomática. Significa que uma pessoa que não tem sintomas, pode transmitir esse vírus por até duas semanas.
Então, como é que sabemos quem tem o vírus e quem não tem para dar as máscaras para as pessoas que tem os vírus? Por isso o que fizeram aqui na China acho que está correto. Deram máscaras para todo mundo. Significa que os que estão com vírus, certamente, estão a usar máscaras. E as máscaras podem impedir que as pessoas que tem os vírus, transmitam esses vírus. Se Cabo Verde não tem máscaras suficientes, tentam comprar ou pedir ajuda, ou fazer com que as máscaras possam chegar a Cabo Verde, porque eu acho que são importantes.
A outra coisa é lavar as mãos. Temos que lavar as mãos, e bem. No hospital, normalmente, temos regras, mas o que é importante é lavar todos os cantos das mãos por, pelos menos, quinze a vinte segundos. E, se não temos maneira de lavar as mãos com água e sabão, podemos usar os desinfetantes com mais de 60% de álcool.
Agora, depois de falar tudo isso, vou dar um exemplo prático. Se eu estivesse em um hotel que está em quarentena, e soubesse que uma pessoa do lado tem o vírus, o que eu faria? Eu ficava dentro do meu quarto, porque eu sei que os vírus não conseguem andar, ou voar.
Seu eu ficar dentro do meu quarto, estou completamente seguro. Se eu morrer, vai ser de fome, não do vírus.
Mas se, por acaso, eu tiver um pacote de bolachas e uma lata de leite, eu só sairia depois de alguns meses... gordinho. Seu eu fico dentro de casa, nunca vou ter esse vírus, mas se eu tentar sair, posso apanhar o vírus no caminho. Então, sair de casa, mesmo para fugir da situação, vai trazer mais riscos do que se eu ficar em casa.

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Descaminhos do governo brasileiro

Posted by Cottidianos on 12:33
Sexta-feira, 01 de maio


Em postagens anteriores este blog tratou da questão da demissão do ex-ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sérgio Moro, e das acusações que ele fez ao presidente Jair Bolsonaro de querer interferir na Policia Federal. Moro disse que Bolsonaro queria um delegado de PF com quem ele tivesse contato, a qualquer hora do dia ou da noite, e que lhe repassasse relatórios, principalmente, das investigações que ele considerasse importante.
Ora, como todos sabemos, a Polícia Federal de qualquer país democrático, deve ser uma polícia que serve ao Estado, e não ao presidente, e à família dele em especial. Não apenas um delegado federal Bolsonaro queira para chamar de seu, mas também um ministro da Justiça e da Segurança Pública.
E para estes dois cargos ele fazia questão de que fossem ocupados por pessoas bem próximas à família dele, e amigo de seus filhos. Assim, ficaria mais fácil, bem mais fácil, interferir na PF a hora em que ele bem quisesse e entendesse, comportamento típico dos governos autoritários e dos ditadores. Os nomes preferidos por ele eram os de Alexandre Ramagem para o comando da PF. Ramagem se tornou próximo família do presidente ao coordenar a segurança do presidente na campanha de 2018, e se tornou amigo pessoal de Carlos Bolsonaro.
Para a pasta da Justiça, o preferido de Bolsonaro, era Jorge de Oliveira. O pai de Jorginho — como Bolsonaro o chama —Jorge de Oliveira Francisco, havia sido chefe de gabinete de Bolsonaro na Câmara por vinte anos. Além disso, Jorge de Oliveira também exerceu as funções de chefe de gabinete e assessor jurídico no gabinete de Eduardo Bolsonaro, do qual também foi padrinho de casamento.
Depois de muitos aconselhamentos, o presidente desistiu da indicação de Jorge de Oliveira, mas não de Alexandre Ramagem. Foi escolhido então, André Mendonça, em vez de Jorge Oliveira para a pasta da Justiça e da Segurança Pública.
De fato, na edição do Diário Oficial da União de terça-feira, 28, no Diário Oficial da União, foram publicadas as nomeações de André Luiz Mendonça para o Ministério da Justiça e da Segurança Pública, e Alexandre Ramagem para o comando geral da PF. Na mesma edição foi publicada também a nomeação de José Levi Mello do Amaral Júnior como o novo advogado-geral da União. José Levi ocupava o cargo de chefe da Procuradoria da Fazenda Nacional, órgão vinculado ao Ministério da Economia.
A cerimônia oficial para receber os novos nomeados pelo governo já estava pronta. A posse estava marcada para a quinta-feira, 29, às 3 horas da tarde. Mas uma decisão do ministro do STF, Alexandre de Moraes, mudou o curso da situação.
O ministro, através de uma liminar, suspendeu a nomeação de Alexandre Ramagem. A ação que motivou a liminar de Moraes foi protocolada pelo PDT, e baseou-se nas acusações feitas pelo ex-ministro Sérgio Moro quando do anúncio de sua saída do governo.
De acordo com Alexandre de Moraes, a tentativa de interferência na Polícia Federal, as mensagens trocadas entre Moro e Bolsonaro, e a própria abertura de inquérito no Supremo para apurar o caso, justificam o pedido protocolado para impedir a nomeação de Ramagem. “Verifico a probabilidade do direito alegado, pois, em tese, apresenta-se viável a ocorrência de desvio de finalidade do ato presidencial de nomeação do diretor da Polícia Federal, em inobservância aos princípios constitucionais da impessoalidade, da moralidade e do interesse público”, argumentou ele.
Antes da cerimônia de posse acima citada, a Advocacia Geral da União (AGU) havia divulgado nota dizendo que não pretendia recorrer ao STF contra a liminar de Alexandre de Moraes suspendendo a posse de Ramagem.
Mas, com Bolsonaro, nada parece seguir um protocolo lógico. As coisas são assim num instante e depois já não são mais. Diz algo em um momento para desdizê-lo em outro. Igual a uma “metamorfose ambulante”, como diria Raul Seixas.
Segue o curso. Veio a cerimônia de posse — com direito a tudo o que não é recomendado, neste momento pelas autoridades em saúde: aglomeração, apertos de mãos, abraços. Nela, Bolsonaro, sério, usou palavras bonitas e fortes em seu discurso: “Não posso admitir que ninguém ouse desrespeitar ou tentar desbotar a nossa Constituição. Esse é o meu papel, esse é o papel não só dos demais poderes, como de qualquer cidadão desse Brasil: harmonia, independência e respeito entre si”.  O presidente disse também: “Respeito o poder Judiciário, respeito as suas decisões, mas nós, antes de tudo, respeitamos a Constituição”.
Depois da cerimônia, o presidente abandonou a capa de homem respeitador da Constituição e vestiu a que lhe é caraterística: a do autoritarismo. E já começou desautorizando a AGU que já houvera dito que não recorreria da decisão do ministro Alexandre de Moraes.
Apenas duas horas depois de o órgão ter dito que não recorreria, Bolsonaro, em frente a apoiadores no Palácio do Planalto, afirmou que o governo iria tentar reverter a decisão dada por Moraes. “Quem manda sou eu”, disse ele. “Eu quero o Ramagem lá. É uma ingerência, né? Mas vamos fazer tudo para o Ramagem. Se não for, vai chegar a hora dele e eu vou botar outra pessoa”, foi outra frase dita pelo presidente aos seus apoiadores. Isso foi dito na quarta-feira, 29.
No do dia seguinte, quinta-feira, 30, Bolsonaro voltou ao assunto com carga total. O presidente atacou o ministro Alexandre de Moraes e disse que a decisão dele tinha sido uma decisão política. “Ontem quase tivemos uma crise institucional. Quase. Faltou pouco. Eu apelo a todos que respeitem a Constituição […] Eu não engoli ainda essa decisão do senhor Alexandre de Moraes. Não engoli. Não é essa a forma de tratar um chefe do Executivo, que não tem uma acusação de corrupção”.
Diz o ditado que para meio entendedor meia palavra basta. Talvez por isso, a ameaça velada feita ao Supremo na fala de Bolsonaro tenha feito com que os ministros tenham se unido em torno de Moraes, defendendo-o e exaltando suas qualidades como jurista e membro do STF. Outras entidades jurídicas também criticaram a fala de Bolsonaro.
O fato é que Bolsonaro está vendo o cerco se apertar em torno de seus filhos com as investigações em andamento no STF, e, muito provavelmente devido a isso, e ao fantasma impeachment — fantasma que, bem aos poucos, começa assustar os corredores do Planalto— esteja apresentando o descontrole e o desespero que temos visto nos últimos dias.
Desespero que o tem levado a abandonar suas plataformas de campanha — nas quais afirmava que rechaçava a velha política e se dizia arauto da nova política — e procurar políticos que foram condenados ou são réus em escândalos de corrupção que chocaram o país, como o mensalão e a Lava Jato. Desde meados de abril tem sido constantes os encontros de Bolsonaro com essas raposas, negociando cargos e todos os outros atos antes condenados por ele durante a campanha. Estiveram com Bolsonaro, representantes do PL e do PTB, partidos de Valdemar Costa Neto, e Roberto Jefferson, respectivamente.
Talvez por isso, e muito mais, Sérgio Moro tenha dito, em entrevista na última edição da revista Veja, que governo atual não tem compromisso com o combate à corrupção. “Sinais de que o combate à corrupção não é prioridade do governo foram surgindo no decorrer da gestão. Começou com a transferência do Coaf para o Ministério da Economia. O governo não se movimentou para impedir a mudança. Depois, veio o projeto anticrime. O Ministério da Justiça trabalhou muito para que essa lei fosse aprovada, mas ela sofreu algumas modificações no Congresso que impactavam a capacidade das instituições de enfrentar a corrupção”. Disse Moro.
Em outro trecho da entrevista ele afirma: “Recordo que praticamente implorei ao presidente que vetasse a figura do juiz de garantias, mas não fui atendido. É bom ressaltar que o Executivo nunca negociou cargos em troca de apoio, porém mais recentemente observei uma aproximação do governo com alguns políticos com histórico não tão positivo. E, por último, teve esse episódio da demissão do diretor da Polícia Federal sem o meu conhecimento. Foi a gota d’água”.
Em meio a tudo isso a gente fica se perguntando qual seria o cenário ideal em meio à pandemia. Então nos vem a imagem de um presidente centrado na questão. Sentado à mesa discutindo, junto com os governadores de um lado, e do outro com o ministro da Saúde, elaborando planos e estratégias para conter o avanço da doença. Enviando as famílias das vítimas do Covid-19 mensagens de conforto e de apoio, e ao restante dos brasileiros para que façam a sua parte e façam aquilo que é recomendado a todos os países pela Organização Mundial da Saúde: Fiquem em casa. Enfim, ações coordenadoras que se espera de um líder em tempos de crise.
Ah, mas isso é uma quimera, eu sei.
O que vemos é justamente o contrário de tudo isso. Um presidente que briga com os governadores, que debocha do número de mortos, que faz aglomerações, e que desdiz tudo o que a ciência afirma.
Até existem ações do governo. Por exemplo, O ministro da Justiça, Paulo Guedes, e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), fecharam um pacote de R$ 120 bilhões de apoio aos estados e municípios. Mas isso era coisa que deveria ter sido decidido com mais rapidez. E também o auxílio de R$ 600, 00 reais que o governo está distribuindo aos trabalhadores informais, e cujo recebimento tem gerado filas numerosas nas agências da Caixas Econômicas Federais de todo o país. Mais uma coisa que o coronavírus deve adorar: aglomerações. O que se quer dizer é que o governo faz todas essas frentes, o presidente Bolsonaro que, às vezes, parece dissociado do seu próprio governo, está em outra frente, atacando ora um, ora outro, e em outras desdizendo o que pregam as autoridades em saúde e incitando o povo às aglomerações.
Nesta quinta-feira, 30, contrariando tudo o que dizem os médicos, cientistas, a OMS e todos os especialistas nessa área, o presidente afirmou que o isolamento social feto pelos governadores de todo o país não teve nenhum impacto no achatamento da curva dos números de infectados pelo novo coronavírus
“Até porque, repetindo: 70% da população vai ser infectada. E, pelo que parece, pelo que estamos vendo agora, todo empenho pra achatar a curva praticamente foi inútil. Agora, a consequência disso? O efeito colateral disso? O desemprego”.
Detalhe, tudo isso é dito é dito em momento que o país caminha para o caos em relação ao aumento no número de mortes pela doença, no número de infectados, situações que inevitavelmente levam a outra tragédia dentro da tragédia do coronavírus: o colapso do sistema de saúde, que já é realidade em algumas capitais do país.
A verdade é que o Brasil, muito em função das atitudes do mandatário da nação, está pegando um caminho estranho em relação ao combate à Covid-19. Caminho esse que pode afetar mais a economia e as finanças do país do que o desemprego, que, depois de salvar os próprios filhos das encrencas em que se meteram, parece ser a única preocupação do presidente.

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