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Marielle Franco, Anderson Gomes, Adriano da Nobrega, e os véus do mistério

Posted by Cottidianos on 22:21

Domingo, 16 de fevereiro


“Brasil!
Mostra tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil!
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim”

(Brasil – Cazuza)


Marielle Franco / Anderson Gomes




2018

Era noite de 14 de março na cidade do Rio de Janeiro. A vereadora do PSOL, Marielle Franco, Fernanda Chaves, assessora da vereadora, e o motorista, Anderson Gomes, entraram no carro para retornarem as suas casas. Marielle havia participado de um debate com jovens negras, na Casa das Pretas, no Bairro da Lapa.

A alguns metros, um outro veículo, um Cobalt, aguardava, silencioso a saída do grupo do local. Imediatamente após Marielle e, Anderson, e a assessora, deixarem o local o misterioso veículo passou a segui-los sem que o grupo ao menos notasse que estava sendo seguido.

Já havia se passado cerca de meia hora desde que o grupo havia deixado a Casa das Pretas, no bairro da Lapa. Nesse momento, o Colbalt que os seguia, emparelha com o carro da vereadora, baixa os vidros, e aponta uma metralhadora. 13 disparos foram efetuados. Marielle foi atingida por quatro tiros na cabeça, e Anderson Gomes, com três tiros nas costas. Nenhum dos tiros acertou a assessora da vereadora que também estava no carro.

Além de estimular o empoderamento das mulheres negras, e a causa daqueles a quem o sistema vomita para longe de suas engrenagens, Marielle também os defendia da ação das milícias, tão perigosas quanto as ameaças dos traficantes. E por isso era persona non grata entre eles. Talvez nem ela própria soubesse que incomodava tanto ao milicianos.

Posteriormente, as investigações mostraram que a arma usada para matar a vereadora era uma submetralhadora de uso restrito no Brasil. Em 2011, durante um recadastramento, notou-se que cinco dessas armas haviam simplesmente sumido do arsenal da Polícia Civil. Os investigadores também chegaram à conclusão de que as balas que atingiram a vereadora e o motorista eram de um lote que foi vendido à Polícia Federal, em 2006.

Em 12 de março de 2019, dois dias antes de o assassinato de Marielle e Anderson completar um ano, a Operação Lume, ação conjunta entre a Polícia Civil e o Ministério Público do Rio de Janeiro, prendeu dois homens acusados de participação no assassinato da vereadora: Ronnie Lessa, e Elcio Vieira de Queiroz.

Segundo as investigações, Ronnie teria sido o autor dos disparos, e Elcio era quem dirigia o Cobalt usado para a prática do crime. Ronnie Lessa é o PM reformado que mora no mesmo condomínio onde moram o presidente Jair Bolsonaro e o filho dele, Carlos. Ronnie e Elcio foram denunciados por homicídio qualificado pelas mortes de Anderson e Marielle, e por tentativa de homicídio de Fernanda, assessora da vereadora.

O crime gerou enorme repercussão no Brasil e no mundo. Porém, a pergunta chave, aquela que fecharia o quebra-cabeças do caso Marielle/Anderson ainda não foi respondida. Quem ordenou a morte de Marielle Franco?


 Já são quase dois anos e, apesar de terem sidos presos os autores do crime, a polícia ainda não conseguiu montar o quebra-cabeças por completo. Os mandantes ou o mandante do crime ainda está por aí, livre, leve, e solto. Provavelmente, rindo da impunidade, e das investigações.



***


Adriano da Nobrega


2020

Era manhã de domingo, 9 de fevereiro.

O cenário.

Um sítio, situado na tranquila e pacata Palmeiras, distrito de Esplanada, no norte da Bahia. Naquela manhã de domingo a população do lugar se assustou quando viu passar pelas estradas e adentrar as veredas um batalhão de policiais do Bope, e do Batalhão de Operações Especiais da Bahia.

Chegaram ao sitio e fizeram o cerco. No pacato sitio estava escondido um homem perigoso: Adriano Magalhães da Nobrega, um ex-capitão da PM do Rio. O “capitão Adriano” estava foragido desde janeiro do ano passado. Ele era acusado de chefiar o Escritório do Crime, nome dado ao ramo da milícia suspeito de assassinar Marielle Franco e Anderson Gomes. Adriano também é autor de diversos homicídios.

Quando os policias chegaram ao local, Adriano fez da casa sua trincheira e começou o tiroteio. Dois disparos da pistola Glock, calibre 9mm, teriam atingido o escudo usado por um dos policiais. A polícia teria então reagido matando Adriano. Ainda segundo a polícia, após ser baleado, o miliciano foi levado ainda com vida a um hospital da região.

Mas a história toda em volta da morte de Adriano é muito estranha. Parece muito mais uma execução do que uma morte por reação a tiroteio. Primeiro, pela quantidade da força policial destacada para prender o miliciano. Eram setenta no total para prender um único homem. E não eram as forças policiais comuns não. Quem foi destacado para prender Adriano foi o Bope e o Batalhão de Operações Especiais. Ou seja, grupos altamente treinados para agir em operações de grande periculosidade e complexidade.

Quando as forças policias baianas souberam que Adriano da Nobrega estava na Bahia, passaram a monitorá-lo. Duas semanas antes de ser morto, o ex-capitão esteve em uma mansão na Costa do Sauipe, no litoral da Bahia. A polícia foi até o local e lá encontrou apenas documentos falsos. Adriano teria fugido antes da chegada dos policiais. Aí fica a pergunta: Quem teria avisado a ele que a polícia estava no seu encalço? Por que, com tantos homens, no sítio onde estava escondido, a polícia não buscou vencê-lo pelo cansaço, como orientam os manuais da polícia para os casos de cerco policial. Afinal, do local onde ele estava, e com a quantidade de policiais envolvidos na operação, não havia a menor possibilidade de fuga.

Reportagem da Folha-Piauí revela que uma análise feita por um perito sob a condição de anonimato, contradiz a versão de confronto apresentada pela polícia. Em paragrafo recuado, abaixo, é apresentada trecho dessa reportagem:

“Há uma grande poça de sangue na sala da casa, próxima à porta de acesso aos quartos, indicando onde Nóbrega foi assassinado. Também há sangue borrifado na parede branca, mas a uma altura pequena, de poucos centímetros. No chão, uma trilha de sangue, indicando que um corpo foi arrastado, e gotas de sangue em uma única direção, da esquerda para a direita, são sinais de que o ex-capitão estava deitado quando foi morto. Fotos do cadáver divulgadas pela revista Veja indicam que os disparos foram efetuados a curta distância; também revelam um ferimento na cabeça e marcas do lado esquerdo do peito, sinais que poderiam indicar um coronhada – os ferimentos não constam no relatório da perícia divulgado pela Secretaria de Segurança Pública da Bahia. Em nota, o Departamento de Polícia Técnica negou que os disparos tenham sido feitos a curta distância e que o ferimento na cabeça possa ter sido causado pela queda de Nóbrega após ter sido atingido.

Embora os dois projéteis que atingiram Nóbrega tenham transpassado o seu corpo, só um deles foi localizado e apreendido – os projéteis são importantes para definir a distância entre os policiais e a vítima e também as posições de cada um na cena. Por fim, como o ex-capitão “aparentava estar vivo”, o Bope optou por levá-lo para o hospital São Francisco, em Esplanada, onde, segundo os policiais, ele já chegou morto. Para o legista consultado pela piauí, porém, é certo que Nóbrega teve morte instantânea devido à quantidade de sangue no chão – no laudo do Instituto Médico Legal consta que ele morreu em decorrência de anemia aguda. Por isso o corpo deveria ter sido mantido intacto, para facilitar o trabalho da perícia”.

Outro fato intrigante é que o sítio onde Nobrega estava escondido pertence ao vereador do PSL baiano, Gilson Lima, o Gilsinho de Dedé. Ao saber da morte, o vereador negou que soubesse que o miliciano estava escondido em sua propriedade e negou conhece-lo.

Adriano sabia que iria ser morto. Que a polícia não estava ao seu encalço apenas para prendê-lo. Sabia que era uma peça importante no esclarecimento de muitas questões ainda envolta em nevoas, como é o caso do próprio assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes, como também no caso das rachadinhas, na Assembleia Legislativa do Rio, envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e seu ex-assessor, Fabrício Queiroz.

É tanto certo que, de alguma forma, Adriano fora avisado da operação policial que se estava montando contra ele, que, horas antes de ser morto, fugiu da fazenda onde estava escondido, Parque Gilton Guimarães. A fazenda é uma área de vaquejada e pertence a Leandro Guimarães, um empresário influente na região. Seus pensamentos deviam estar em um turbilhão e seu coração acelerado quando entrou na picape branca, Hylux, e percorreu os 8 km até chegar ao sítio do vereador do PSL, Gilsinho de Dedé, irmão do deputado estadual baiano, Alex Lima (PSB). 

Mais uma vez surgem perguntas sem respostas, se o sítio estava abandonado e sem caseiro, como diz o dono da propriedade, quem organizou a pequena estrutura para que Adriano ficasse escondido ali?

Porque a polícia não isolou a área logo após o incidente? Do dia 09 ao 13 a propriedade ficou completamente a descoberto, lugar propício para que curiosos circulassem por lá, e por quem tivesse interesse em alterar a cena do crime.

Adriano da Nobrega estava entre os suspeitos de ligação com o crime que vitimou a vereadora Marielle Franco e seu motorista, Anderson Gomes, mas a polícia o procurava pelo crime, pelo qual foi denunciado pelo Ministério Público Federal: grilagem de terras, que é o ato de comprar, vender, e alugar imóvel de forma irregular. O MP também o denunciou por cobranças de taxas irregulares dos moradores das favelas, por extorsão e receptação de mercadorias roubadas.

Era esse homem com ficha pra lá de suja, participante de um grupo responsável pelo mando ou execução de diversos homicídios que era amigo da família Bolsonaro, expulso da PM por envolvimento no jogo do bicho. Ele chegou a ser homenageado por mais de uma vez pelo então deputado, Flávio Bolsonaro.

O Jornal Nacional, exibido no dia 10 de fevereiro, mostrou um paralelo entre Adriano da Nobrega e a família Bolsonaro. A reportagem de Mônica Sanches começa mostrando um caso acontecido em maio de 2003,

Naquele ano, os policiais militares Adriano da Nobrega e Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro ligado ao esquema das rachadinhas, faziam parte do mesmo batalhão: o 18º Batalhão da Polícia Militar. Durante uma ronda policial eles mataram um técnico de refrigeração na Cidade de Deus. O auto foi registrado como ação de resistência. Quase 17 anos depois o inquérito ainda não foi concluído.

Ainda em outubro de 2003, o deputado Flávio Bolsonaro, diz a reportagem, fez a primeira homenagem a Adriano da Nobrega, que era tenente na ocasião. Entre as qualidades mencionadas na Moção de Louvor com a qual Flávio homenageou Adriano estão dedicação e brilhantismo no desenvolvimento das funções.

Três meses depois, em Janeiro de 2004, Adriano matou um guardador de carros, que, na véspera do assassinato, havia denunciado um grupo de milicianos. Um ano e meio depois, em junho de 2005, Flávio Bolsonaro resolveu homenagear novamente Adriano, concedendo-lhe a mais alta honraria concedida pela Assembleia Legislativa do Rio: a Medalha Tiradentes. A reportagem diz que Adriano não compareceu na Assembleia para receber a medalha, pois ainda estava preso.

Ainda em outubro daquele ano, um júri popular condenou o miliciano pelo crime. Passaram-se quatro dias da condenação e o então deputado federal, Jair Bolsonaro fez um discurso na Câmara em defesa de Adriano, e reforçou o elogio de que o ex-policial era um brilhante. O advogado de Adriano recorreu da sentença, e, em um novo julgamento, em 2007, foi absolvido.

Foi também em 2007, que Fabrício Queiroz, também expulso da polícia, começa a trabalhar no gabinete do deputado estadual Flávio Bolsonaro, na Assembleia Legislativa do Rio. Foi Queiroz quem indicou a ex-mulher de Adriano, Danielle Mendonça da Costa Nobrega, para trabalhar no gabinete do deputado, na função de assessora.

Em 2008, Adriano se envolve em um atentado contra o pecuarista Rogério Mesquita e é preso novamente. Rogério era inimigos de bicheiros. Em 2013, Adriano foi, finalmente, expulso da PM porque estava envolvido com o jogo do bicho.

Em 2016, mais uma parente de Adriano também foi trabalhar no gabinete de Flávio Bolsonaro. Dessa vez o deputado acolheu em seu quadro de funcionários, a mãe de Adriano.

Em dezembro de 2018, o Ministério Público do Rio de Janeiro abriu 22 procedimentos investigativos na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), baseados em dados repassados ao órgão pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O objetivo desses procedimentos era investigar a movimentação financeira de assessores de deputados estaduais, cujas contas apresentavam uma movimentação muito mais alta do que os valores que eles recebiam.

Foram estas investigações que levaram as ligações suspeitas entre Flávio Bolsonaro e Fabrício Queiroz no esquema de rachadinhas, que é quando o servidor é obrigado a devolver ao parlamentar parte do salário que recebe.

O Ministério Público também chegou à conclusão de que, além de Fabrício de Queiroz, o ex-parceiro dele dos tempos da PM, Adriano da Nobrega, também fazia parte do esquema criminoso que acontecia no gabinete do deputado Flávio Bolsonaro.

Ainda segundo a reportagem exibida no Jornal Nacional, dia 10 de fevereiro, a mãe e ex-mulher de Adriano receberam R$ 1.029.042, 48, em salários. Salário fácil de ganhar, diga-se de passagem, pois as duas não apareciam para trabalhar. Elas faziam parte do vergonhoso grupo dos chamados “funcionários fantasmas”.  Desse total recebido pelas duas “fantasmas”, RS 203 mil foram transferidos para as contas de Fabrício Queiroz, que eram quem operava o esquema das rachadinhas no gabinete do deputado. Outros RS 200 mil foram sacados em dinheiro vivo. Diz a reportagem que os promotores afirmam que essa quantia foi repassada pessoalmente ao esquema.

Depois da descoberta do esquema, Fabrício Queiroz demitiu a ex-mulher de Adriano, em 06 de dezembro de 2018, via WhattsApp, na tentativa de evitar a vinculação dela ao gabinete. Na verdade, uma tentativa de proteção a Flávio. Mais uma. Interceptação telefônica autorizada pela justiça mostra que Adriano orientou a ex-mulher a não prestar depoimento. A mãe do miliciano também foi exonerada naquele ano.

Como vimos, morreu Adriano da Nobrega, e como podemos deduzir, morreram com ele também muitas repostas importantes no esclarecimento tanto do esquema das rachadinhas, como no assassinato da vereadora Marielle Franco, e do motorista, Anderson Gomes.

Mais um motivo para se acreditar que a morte de Adriano tenha sido uma queima de arquivo, é o depoimento doa advogado do miliciano, Paulo Emílio Capa Preta. O advogado afirmou a reportagem que seu cliente tinha certeza de que iria ser morto pela polícia. “Falou que tava temendo pela vida dele, porque ele tinha certeza, segundo ele me disse, que essa operação para prendê-lo, não era para prendê-lo verdadeiramente, mas era para matá-lo. Ele falou em queima de arquivo. Ele falou: “eu temo por ser uma queima de arquivo”. Disse o advogado. As autoridades baianas negam essa versão.

Não esqueçamos que, pelo que se deduz dos fatos apresentados nesse artigo, Adriano tinha informantes dentro da própria polícia. Tanto é que foi avisado nas duas vezes que a polícia estava indo pra prendê-lo. Tanto na Costa do Sauipe, quanto na fazenda Parque Gilton Guimarães, de onde conseguiu fugir para o sítio onde foi morto. Ali cercado por setenta homens da polícia, não tinha mesmo como fugir. Então não é difícil também deduzir que os seus informantes o tenham colocado a par de uma possível “queima de arquivo”.

Na novela Vale Tudo, exibida pela Rede Globo, entre 16 de maio de 1988 a 6 de janeiro de 1989, no horário das 20h, o público passou boa parte da trama, com a pulga atrás da orelha, se perguntando quem teria matado Odete Roitman, personagem vivido pela atriz, Beatriz Segall, uma vez que na cena em que personagem é morta só apareciam a mão e arma do assassino. E o mistério só foi revelado no último capítulo quando se descobriu que quem havia matado Odete Roitman foi Leila, personagem vivida pela atriz Cássia Kis Magro.

Ao final, Leyla não apenas se livra da prisão, como foge do Brasil na companhia do marido corrupto, e do filho, debochando da justiça brasileira.

Já faz dois anos que, tal qual em Vale Tudo, permanece em segredo os mandantes do assassinato de Marielle Franco e do motorista, Anderson Gomes. No caso atual, sabemos que foram os assassinos, mas a questão crucial permanece: Quem encomendou a morte da vereadora e do motorista dela ainda permanece selada pelos véus do mistério.

E agora, será que teremos que fazer também a pergunta: Quem mandou matar Adriano da Nobrega?


Que venha logo esse último capítulo da novela real para que possamos conhecer os rostos e nomes dos mandantes.

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Jogo de xadrez

Posted by Cottidianos on 17:22

Domingo, 02 de fevereiro

“Disparo contra o sol
Sou forte, sou por acaso
Minha metralhadora cheia de mágoas
Eu sou o cara
Cansado de correr
Na direção contrária
Sem pódio de chegada ou beijo de namorada
Eu sou mais um cara
Mas se você achar
Que eu tô derrotado
Saiba que ainda estão rolando os dados
Porque o tempo, o tempo não para”
(O tempo não para – Cazuza)



Caros leitor e leitora, da última vez em que nos encontramos foi por ocasião da trapalhada do Secretário de Cultura, Roberto Alvim, que, talvez, quem sabe, na tentativa de agradar o chefe presidente, vestiu a fantasia de nazista e plagiou um discurso do homem forte da propaganda do nazismo, Joseph Goebbels. A última postagem tratou desse assunto.
De lá pra cá muita coisa aconteceu.  Roberto Alvim saiu do governo em condições nem um pouco dignas. Na Secretária de Cultura, Alvim em vez de fortalecer sua biografia, sujou-a. Vai ser difícil a ele retornar a solidez de sua carreira. Ele conseguiu atrair a antipatia de diversos setores da sociedade incluindo setores da esquerda e da comunidade judaica. Deveria ter sido mais comedido. Faltou prudência ao ex-secretário de cultura.
O governo então passou a cortejar Regina Duarte para ocupar o lugar de Alvim. Ela aceitou. O namoro virou casamento. Depois de muitas especulações, a atriz aceitou o convite para ocupar o cargo de Secretária de Cultura. Sua nomeação ainda não foi publicada no Diário Oficial da União pois Regina ainda está resolvendo questões contratuais com a Rede Globo, com a qual possui vínculo empregatício.
Para o governo foi uma boa aquisição, afinal, Regina Duarte é uma atriz bastante popular, carismática, e conhece bastante o meio artístico. Se essa passagem vai ser boa para Regina Duarte, isso só o tempo dirá. Ou também o que ela vai fazer com um orçamento tão baixo para a área de cultura, isso os próximos meses nos dirão.
Na verdade, Regina Duarte, ou outro nome qualquer que ocupasse o cargo, pouco ou nada poderia fazer, pois, como se tem visto até aqui, quem dá as cartas no governo é o próprio presidente e seus três filhos. Se agrada Bolsonaro e seus meninos então está tudo bem, caso contrário, danem-se os aliados. Isso não são invencionices deste blog. Os fatos recentes estão aí para nos dizer da realidade como ela é.
O vice-presidente, Amilton Mourão, no início do governo, começou a emitir opiniões próprias, a dar entrevistas, se o governo cometia uma asneira, lá estava Mourão tentando explicar. Não demorou muito para que a “metralhadora cheia de mágoas” dos filhos de Bolsonaro, Carlos e Eduardo, disparassem sobre o vice-presidente uma rajada de críticas. Mourão, obviamente, calou-se. Se continuasse a falar, certamente, os meninos do presidente usariam armamento mais pesado.   
O próprio Sérgio Moro, ministro da Justiça e da Segurança Pública, ainda não foi “fritado” pelo governo, porque os índices de popularidade dele são mais altos que os do próprio Bolsonaro. O interessante é que no início do namoro, e mesmo depois do casamento entre os dois, Bolsonaro disse que Moro tinha carta branca em seu governo.
Porém, em diversos momentos, o presidente tentou “fritar” o ex-juiz. Também em diversos momentos, momentos importantes para os projetos de Moro dentro do próprio governo, Bolsonaro desautorizou Moro. A última tentativa de diminuir o papel de Moro no governo foi quando ele cogitou separar o ministério da Segurança Pública do ministério da Justiça. Se assim fosse feito, o papel de Moro no governo ficaria bastante reduzido.
Para Regina Duarte, Bolsonaro também disse que ela tinha carta branca, mas em se tratando do presidente, é melhor ficar com as “barbas de molho” pois a tal “carta branca” que o presidente dá a alguém, é a mesma que ele tira, assim que alguma das suas ideias ou interesse é contrariado, aí o aliado vira inimigo.
Mas, deixemos Regina Duarte quieta... por enquanto, e continuemos falando de Sérgio Moro. O Moro que está no governo é diferente do juiz combativo que atuava na Lava Jato. Em vez de autoridade é submisso. O presidente desautoriza, puxa o tapete dele, lhe dá tapas na cara, suaves, mas não são carinhos, são tapas, e Moro ouve, vê, e sente tudo isso com a maior paciência.
A política é um tabuleiro de xadrez, e Moro está jogando. Há para ele muitos interesses em jogo. Para Bolsonaro também. É como dois amigos que sentam para jogar. Reescrevendo o famoso dito popular: “Amigos, amigos, jogo à parte”. Ninguém que sair perdendo, nem que o jogo termine empate. Ao final da partida, um deles quer ostentar a vitória.
Na segunda-feira, dia 20 de janeiro, Sérgio Moro foi ao programa Roda Viva, da TV Cultura. No programa, Moro nem foi nem quente, nem frio. Ficou morno. Não criticou o presidente, nem tampouco fez uma defesa enfática dele. Por este último motivo sofreu críticas por parte de partidários do presidente.
Depois em uma entrevista à Rádio Jovem Pan, questionado se haviam restado farpas entre ele e o presidente pelo fato deste ter querido fatiar o ministério, Moro fez questão de deixar bem claro, que é fiel ao presidente. Questionado sobre a reeleição de Bolsonaro em 2022, ele disse: “Eu já falei um milhão de vezes. Toda hora me perguntam isso, daqui a pouco eu vou ter que tatuar na testa. Em 2022, o presidente já apontou que pretende ir para reeleição. É uma decisão dele. E, claro, eu sou ministro do Governo, eu vou apoiar o presidente”.
Mas é bem fácil entender o cenário dessa partida de xadrez da qual participam Moro e Bolsonaro. O ex-juiz já deixou bem claro que a sua aspiração é uma vaga no STF. Talvez tenha sido com essa promessa que Bolsonaro tenha conseguido o SIM de Sérgio Moro, conquistando-o para o governo.
Em julho de 2019, Bolsonaro disse que uma das vagas para o STF, das duas a que ele terá de indicar, uma delas seria ocupado por um ministro “terrivelmente” evangélico. “Reafirmo meu compromisso aqui: o estado é laico, mas nós somos cristãos. E entre as duas vagas que terei direito a indicar para o Supremo, um será terrivelmente evangélico”, disse Bolsonaro.
Pelo andar da carruagem, e pelo nível de tensão que se notou entre presidente e o ministro em algumas ocasiões, poderíamos supor que Bolsonaro não indicaria Moro para a primeira vaga no STF que surge no final deste ano, mais precisamente em novembro, ocasião em que o ministro Celso de Melo terá direito a aposentadoria compulsiva por fazer 75 anos de idade. A outra indicação ao STF que ainda caberá ao presidente Jair Bolsonaro é a do ministro Marco Aurélio de Mello, em 2021.
E a gente vai entendendo a lógica daquela partida jogada entre o ex-juiz e presidente. Moro age como a mulher no casamento que, aguenta tudo calada, até as esnobadas do marido, pois há o sonho dele em ocupar uma vaga no Supremo Tribunal Federal. No caso do Roda Viva, que é apenas um exemplo de uma situação maior e mais genérica, Moro não poderia fazer uma defesa mais enfática do Bolsonaro pois poderia ser criticado por estar agarrado demais ao presidente. E também não poderia criticá-lo demais pois poderia sofrer retaliações do próprio presidente. E correria o risco de ver a tal vaga lhe escapar por entre as mãos.
Uma pesquisa do Instituo Data Folha, divulgada em dezembro do ano passado, mostra que o ministro Sérgio Moro é conhecido por 93% dos brasileiros e tem 53% da aprovação destes. A mesma pesquisa mostrou que o índice de aprovação de Jair Bolsonaro é bem mais modesta: 30%.
Ou seja, para Jair Bolsonaro, que já declarou que pretende candidatar-se a reeleição em 2022, Sérgio Moro é um adversário em potencial. Então, se Bolsonaro queimar Moro, ele também se queima nas mesmas chamas.
Então, qual seria a saída ideal? O ideal é dar a Moro um lugar no Supremo, em novembro. Assim, ele mataria dois coelhos com uma cajadada só: realizaria o sonho do ex-juiz e se livraria de um eventual forte concorrente nas eleições de 2022. Seria uma forma de engaiolar Sérgio Moro. A esse respeito, diz o cientista político, Ricardo Caldas, em entrevista ao jornal El País Brasil, em 28 de janeiro: “Se você o nomeia na vaga que se abre neste ano, você prende o Moro numa gaiola dourada. É tudo o que o presidente precisa”.
Mas jogo é jogo e nele a gente só sabe quem ganha quando termina a partida. O fato é que até a possível nomeação de Sérgio Moro como ministro do Supremo ainda há um longo caminho. Bem como ainda há um caminho ainda mais longo até as eleições presidenciais de 2022... E até lá, meus amigos e amigas, muita água ainda vai rolar por baixo dessa ponte.
Mas, como todo passarinho um dia pode se libertar da gaiola, Moro também não aniquila uma possibilidade de ser presidente ao ser indicado ao STF. Ele poderia, perfeitamente, concorrer a eleição presidencial em 2026.
Vamos senhoras e senhoras, façam suas apostas. O jogo ainda está em aberto e as possibilidades são muitas.

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Roberto Alvim: a máscara caiu

Posted by Cottidianos on 22:12
Sexta-feira, 17 de janeiro


“Sei que é doloroso um palhaço
se afastar dos palcos por alguém
Volta que a plateia te reclama, sei que choras palhaço,
por alguém que não te ama.
Enxuga os olhos e me dá um abraço,
não te esqueças que és um palhaço
Faça a plateia gargalhar,
um palhaço não deve chorar”
(Palhaço – Nelson Cavaquinho
Interpretação: Clara Nunes)



“A arte alemã da próxima década será heroica, será ferreamente romântica, será objetiva e livre de sentimentalismo, será nacional com grande páthos e igualmente imperativa e vinculante, ou então não será nada”.
Foi no dia 08 de maio de 1933 que o ministro de comunicação da Alemanha de Hitler, Joseph Goebbels, pronunciou estas palavras dirigindo-se a diretores de teatro, em uma espécie de orientação artística e estética para a classe.
Dois dias após esse discurso, Goebbels, o homem forte da propaganda nazista, fez do dia 10 de maio daquele ano, um marco do auge da perseguição do regime aos intelectuais que ele considerava “inconvenientes”, ou seja, aqueles artistas que não estavam alinhados as ideias de Hitler.
Por toda a Alemanha, principalmente, em cidades universitárias, pilhas de livros — centenas de milhares deles — foram colocados nas praças, e em seguida, queimados. Das obras que criticavam o nazismo sobraram apenas cinzas, e daquele dia, tristes lembranças. Era preciso “purificar” a cultura alemã, disse o poeta nazista Hanns Johst na ocasião.
Surpreendentemente, 87 anos depois, quando todos pensávamos que as palavras pronunciadas por Goebbels tivesse virado cinzas no tempo, tivemos de ouvi-las novamente, desta vez, pela boca do secretário Especial de Cultura do governo Bolsonaro, Ricardo Alvim.
O cenário: uma sala em tons pasteis. Uma mesa de gabinete, ladeada por uma bandeira brasileira e pela cruz de Lorena. Ao fundo, um quadro com a imagem do presidente Jair Bolsonaro. Sob a trilha sonora Lohengrin, ópera romântica, composta e escrita por Richard Wagner (1813-1883), compositor favorito do Führer, sentado à mesa, com ar grave, Alvim inicia seu pronunciamento: “A arte brasileira da próxima década será heroica e será nacional, será dotada de grande capacidade de envolvimento emocional, e será igualmente imperativa, posto que profundamente vinculada às aspirações urgentes do nosso povo – ou então não será nada”.

 Comparemos a fala de Goebbels com a de Alvim, e encontraremos aí um plágio. E ainda há todo um conjunto de elementos cênicos que nos remetem aos tristes tempos do nazismo.
O vídeo em que Ricardo Alvim aparece fazendo o referido pronunciamento foi publicado na rede social da Secretaria Especial de Cultura, na noite de quinta-feira, 16. O vídeo tem o objetivo de divulgar o Prêmio Nacional de Artes: um programa do governo com o objetivo de patrocinar óperas, contos, pintura, escultura, espetáculos teatrais e outras produções culturais inéditas. Segundo informações do governo o valor estimado do prêmio é de R$ 20,625 milhões.
A seguir trecho completo do discurso de Ricardo Alvim, de onde a citação acima foi extraída:
Olá, meus amigos, eu sou Roberto Alvim, secretário Especial de Cultura do governo do presidente Jair Bolsonaro. Eu venho falar a vocês sobre um assunto muito importante.
Quando eu assumi este cargo em novembro de 2019, o presidente me fez um pedido. Ele pediu que eu faça uma cultura que não destrua, mas que salve a nossa juventude. A cultura é a base da Pátria. Quando a cultura adoece, o povo adoece junto. É por isso que queremos uma cultura dinâmica e, ao mesmo tempo, enraizada na nobreza de nossos mitos fundantes. A Pátria, a família, a coragem do povo e sua profunda ligação com Deus, amparam nossas ações na criação de políticas públicas. As virtudes da fé, da lealdade, do autossacrifício e da luta contra o mal serão alçadas ao território sagrado das obras de Arte.
Nossos valores culturais também conferem grande importância à harmonia dos brasileiros com a sua terra e sua natureza, assim como enfatizam a elevação da nação e do povo acima de interesses mesquinhos particulares. A cultura não pode ficar alheia às imensas transformações intelectuais e políticas que estamos vivendo.
A arte brasileira da próxima década será heroica e será nacional, será dotada de grande capacidade de envolvimento emocional, e será igualmente imperativa, posto que profundamente vinculada às aspirações urgentes do nosso povo – ou então não será nada.
Ao país a que servimos, só interessa uma arte que cria a sua própria qualidade a partir da nacionalidade plena, e que tem significado constitutivo para o povo para o qual é criada.
Portanto, almejamos uma nova Arte nacional, capaz de encarnar simbolicamente os anseios dessa imensa maioria da população brasileira com artistas dotados de sensibilidade e formação intelectual, capazes de olhar fundo e perceber os movimentos que brotam do coração do Brasil, transformando-os em poderosas formas estéticas.
São estas formas estéticas, geradas por uma arte nacional, que agora começará a se desenhar, que terão o poder de nos conferir, a todos, energia e impulso para avançarmos na direção da construção de uma nova e pujante civilização brasileira. É neste espírito que o governo federal tem o orgulho de lançar os seguintes Prêmios Nacionais de fomento às Artes...
Em seguida, é feita uma apresentação do projeto propriamente dito, e ao final,  o secretário retorna para o encerramento.
O pronunciamento de cunho nazista caiu como uma bomba na sociedade brasileira, vários setores se levantaram contra esse discurso, inclusive a embaixada da Alemanha, federações israelitas, STF e OAB. Até o ideólogo do governo Bolsonaro Olavo de Carvalho, disse de Alvim: “talvez não esteja muito bem da cabeça”.
Os presidentes da Câmara Federal, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), também se manifestaram contra e pediram o afastamento imediato do secretário de Cultura. E foi justamente isso que aconteceu. Nesta sexta-feira, 17, a assessoria de imprensa da Secretaria Especial de Cultura, informou que Ricardo Alvim havia sido demitido do cargo.
Quando as reações à fala dele eclodiram e as críticas vieram fortes, e de todos os lados, Alvim ainda tentou se justificar, dizendo que havia sido apenas uma coincidência retórica. Disse também que as críticas eram coisa da esquerda. Mas era óbvio demais que ele havia plagiado o que de pior havia no governo de Hitler, e Alvim caiu.
Ainda na quinta-feira, 16, durante o lançamento do Prêmio, Bolsonaro foi só elogios a Ricardo Alvim: “Agora temos um secretário de Cultura de verdade. Da maioria da população brasileira. População conservadora e cristã. Muito obrigado por aceitar esta missão”, disse ele, para horas depois, exonerar o secretário.
E logo Bolsonaro que gosta de fritar gente do primeiro e segundo escalão do governo. Gosta de ficar enrolando antes de demitir alguém, dizendo de um modo bem popular. Dessa vez agiu rápido. Deve ter sido aconselhado por assessores de que a encrenca era grande demais e que ele tinha que agir depressa.
Engraçado, ou melhor, trágico, é a gente perceber que as promessas de campanha, ficam exatamente onde foram feitas, na campanha. Em outubro de 2018, ainda em campanha eleitoral, falando a respeito de educação, Bolsonaro disse que o ministro da Educação e todo o primeiro escalão do governo iriam ser escolhidos com base em critérios técnicos: “Tem que ser alguém que entenda daquele assunto. Assim como na Defesa vai ter um oficial quatro estrelas, no Itamaraty, alguém do Itamaraty, na Agricultura, alguém que venha indicado pelo setor produtivo, com a Educação, não é diferente. A gente está escolhendo por critérios técnicos, né? Competência, autoridade, patriotismo e iniciativa”, disse ele na ocasião.
E o que vemos, salvo raríssimas exceções como o ministro da Economia, Paulo Guedes, e da Justiça e da Segurança Pública, Sergio Moro, o pessoal do Bolsonaro só tem feito trapalhadas, seja através de atos ou palavras.
Voltando as consequências do discurso de Roberto Alvim, quem deve ter assistido de camarote — com toda a serenidade característica de uma diva — a queda do secretário de Cultura foi a grande dama do teatro, do cinema e da televisão, Fernanda Montenegro.
Em setembro, quando ainda ocupava o cargo de dramaturgo e diretor do Centro de Artes e Ciências da Funarte, Roberto Alvim, usou as redes sociais para atacar Fernanda Montenegro por ocasião de uma série de reportagens que estavam sendo feitas com a atriz por causa do lançamento de sua autobiografia, Prólogo, ato, epílogo.
O fato que motivou as críticas de Alvim foi uma foto que a atriz fez para a capa da revista Quatro Cinco Um na qual ela encarnava uma bruxa medieval sendo queimada numa fogueira de livros.
“A "intocável" Fernanda Montenegro faz uma foto pra capa de uma revista esquerdista vestida de bruxa. Na entrevista, vilipendia a religião da maioria do povo, através de falas carregadas de preconceito e ignorância. Essa foto é ecoada por quase toda a classe artística como sendo um retrato fiel de nosso tempo, em postagens que difamam violentamente o nosso presidente”, disse ele nas redes sociais. E acrescentou: “Então acuso Fernanda de mentirosa, além de expor meu desprezo por ela, oriundo de sua deliberada distorção abjeta dos fatos. Fernanda mente escandalosamente, deturpa a realidade de modo grotesco, ataca o presidente e seus eleitores de modo brutal, e eu sou grosseiro e desrespeitoso, apenas por ter revidado a agressão falaciosa perpetrada por ela?”
Depois desse lamentável episódio, Bolsonaro, ao invés de punir Alvim, o promoveu, fazendo dele secretário Especial de Cultura.
Quanto a Fernanda Montenegro, esta respondeu às críticas de Alvim com a melhor e mais eficaz das armas: o silêncio. Com isso a fenomenal, premiada, e aclamada atriz nos ensinou que com os tolos não se discute. Eles não merecem a nossa resposta. E, se ocupam cargos importantes, mais cedo ou mais tarde cairão, pois se tem cabeça de ouro, peito e braços de prata, ventre e coxas de cobre, pernas de ferro, mas se tem os pés de barro, eles não se manterão de pé.
No encerramento de seu tão criticado pronunciamento, o secretário Especial de Cultura diz: “Trata-se de um marco histórico nas artes brasileiras, de relevância imensurável, e sua implementação ao longo dos próximos anos irá redefinir a qualidade da produção cultural em nosso país. Por tudo isso que afirmo a vocês, meus amigos, 2020 será o ano de uma virada histórica, 2020 será o ano do renascimento da Arte e da Cultura no Brasil”.
Joseph Goebbels, eficiente cérebro da propaganda nazista, também poderia, perfeitamente, ter encerrado o discurso dele deste modo. Por isso, as palavras bonitas e as promessas de que o ano de 2020 sejam um “marco histórico nas artes brasileiras” e o “ano do renascimento da Arte da Cultura”, deveriam nos encher de alegria, mas ao contrário, nos trazem muitas preocupações.
De que modo? Na Alemanha nazista a única arte boa e bela era aquela que agradava ao regime. Se não expressasse a forma com a qual Hitler e seus seguidores viam o mundo, então não era digna de ser vista, de ser exposta ao público, então deveria ser banida, queimada, como foram queimados milhões de livros na Alemanha. Esse era o marco histórico e o renascimento das artes na concepção de Goebbels.
Para finalizar este artigo, trago aos leitores e leitoras, as palavras da brilhante jornalista, Miriam Leitão. Em sua coluna na rádio CBN, na manhã desta sexta-feira, 17, Miriam comenta o pronunciamento de Roberto Alvim, e ao final chama a atenção para valores primordiais em nome dos quais todas essas arbitrariedades na cultura e em outras áreas da vida social estão sendo cometidas em nosso país: Deus, a Pátria, e a Família.
“Ele (Roberto Alvim), usou no discurso dele, ele tem usado, ele usou em toda entrevista dele, e o presidente (Jair Bolsonaro) tem feito isso, e outras autoridades do governo tem feito isso, que é o uso de valores comuns para favorecer um grupo político como se fosse propriedade (deles). DEUS não é propriedade de um grupo político. PÁTRIA não é propriedade de um grupo político. FAMÍLIA todos têm. Eles têm usado essa manipulação de Deus, Pátria, e Família, como se fossem pertencentes a um grupo político. Isso sempre foi feito. Por quem? Pelo nazismo. Então, nós temos que levar esse assunto muito a sério. Não é brincadeira o que aconteceu ontem. Não se cita um nazista. Uma autoridade brasileira não pode citar palavras de um nazista”, diz a jornalista.
Se o leitor, ou leitora, ainda não viu o plágio de Ricardo Alvim do discurso de Joseph Goebbels, segue o link para a íntegra do vídeo no Youtube:




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E se você tivesse a oportunidade de recomeçar?

Posted by Cottidianos on 11:46
Sexta-feira, 03 de janeiro

“Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
...
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre”

(Receita de Ano Novo - Carlos Drummond de Andrade)



Caros leitores e leitoras, o mundo está pegando fogo. As coisas já começaram quente. Falo do ataque coordenado pelos Estados Unidos contra um aeroporto em Bagdá, matando o chefe militar iraniano, Qasem Soleimani, e que pode ter consequências imprevisíveis.
Mas as primeiras palavras que gostaria de usar para preencher as linhas desta primeira postagem do ano de 2020, são palavras de incentivo, de esperança, e de paz. Algo que você que lê esta postagem possa aproveitar não apenas para o momento presente, mas sim, para uma vida toda.
Mais um ano foi embora com expectativas e sonhos realizados e outros tantos a realizar, mas, em lugar dele, fomos presenteados com outro ano novinho em folha. É como se, novamente, recebêssemos do universo papel e caneta para escrever uma nova história, ou pintar um novo quadro.
Como preencher esse espaço em branco que é esse novo ano?
Pintará você um quadro com as cores frias da tristeza ou com as cores vivas da alegria?
Escreverá uma história de amor, de superação, de força, de fé, de perdão, ou escreverá uma história de amargura, ódio e rancor?
A lei universal da atração nos diz que atraímos aquilo em que constantemente pensamos e as coisas nas quais focamos nossa atenção. Então você tem a opção de mergulhar num mar de sentimentos negativos que apenas te puxam para baixo ou mergulhar em um oceano de sentimentos positivos que lhe trazem vida, coragem, força e fé. É como duas opções que você tem a disposição no catalogo do universo: faça a sua escolha e seja feliz... ou infeliz, dependendo do que escolher.
É interessante lembrar que durante as festas de passagem de ano muitas pessoas fazem promessas e mais promessas a si mesmas. Muitas vezes promessas que não são assim tão mirabolantes, mas, pequenos propósitos, e nem assim são capazes de cumprir. Do tipo: começar um regime, iniciar os exercícios físicos, e coisas desse tipo.
Mas quando se dão conta, chegou dezembro e os planos não saíram do papel, nem para aquelas pessoas que fizeram pequenos propósitos, nem para aquelas que fizeram grandes promessas. O que falta, na maioria dos casos, é determinação. Vontade de fazer. Talvez as pessoas confiem demais no tempo, e não se apercebem de que ele passa rápido como um vento ligeiro.
“Ah, mês que vem eu visito aquele familiar”. “Semana que vem eu ligo para aquele amigo”. Meu amigo, minha amiga, desperte, o tempo não é seu empregado. Ele não está aí para atender aos seus desejos na hora que você quiser e desejar. Não dá para colocar algum empecilho nos ponteiros do relógio para que ele pare de correr, e muito menos dá ordem ao sol para que ele percorra o céu mais devagar. É você que tem que se adequar a essa estrutura temporal perfeitamente montada pelo senhor do tempo.
“Não deixe para amanhã o que você pode fazer hoje”. Há muita sabedoria escondida neste ditado popular. Até porque em nossa vida o que temos por certo é o momento presente, o agora. “O futuro a Deus pertence”. Também nesse outro ditado popular há grande sabedoria. Na verdade os dois ditos populares se complementam.
Portanto, visite o seu familiar hoje, ligue para seu amigo, ou amiga hoje, reconcilie-se com a pessoa que você ama hoje, acredite em você e em suas capacidades hoje. Afinal, existe um oceano de plenitude e felicidade a sua espera. Você vai querer adiar isso também?
Prezadores leitores e leitoras, para brindá-los com votos de um 2020 pleno de felicidades de realizações, escolhi um texto motivacional, intitulado, E se você tivesse a oportunidade de recomeçar? retirado do site Fearless Motivation — um site americano que traz textos e vídeos motivacionais muito bons, que dão aquele “up” no astral de quem está precisando. Fiz uma tradução livre desse texto que agora apresento a vocês.
No site vocês podem encontrar o conteúdo também em vídeo.
É um texto curto, mas que dá aquela sacudida em quem está hesitando em ser melhor e fazer melhor a cada dia.

FELIZ ANO NOVO! FELIZ 2020 a todos!

***

E se você tivesse a oportunidade de recomeçar?

Tradução: José Flávio


E se você tivesse a oportunidade de recomeçar? Voltar atrás.
Aprender com cada erro, apagar as experiências do passado, e começar do zero?
O que você faria diferente?
Que lições você aprendeu no passado e como as aplicaria se pudesse começar de novo?
E se você tivesse outra oportunidade, para fazer melhor, para ser melhor. Você aceitaria?
Bem, você tem essa oportunidade todos os dias. Todos nós temos essa oportunidade todos os dias. Chama-se DESPERTAR. A cada dia que você acorda é uma bênção e você nunca deve tomar essa bênção como garantida.
VOCÊ PODE ESCOLHER INICIAR NOVAMENTE.
VOCÊ PODE ESCOLHER SER MELHOR HOJE.
VOCÊ PODE ESCOLHER COMEÇAR DO ZERO.
Isso significa que VOCÊ DEVE DEIXAR o PASSADO para trás e FOCAR no AGORA. No MOMENTO PRESENTE. O que você está fazendo AGORA para criar um FUTURO melhor para você mesmo?
Que PLANOS você está fazendo AGORA, para hoje e no futuro, garantir que essa NOVA VERSÃO de si mesmo seja melhor que a anterior?
Seu futuro se orgulhará de você? Seu amanhã se orgulhará de você pelo trabalho que você faz hoje? Pela pessoa que você é hoje?
Você tem que CONQUISTAR o orgulho que o futuro sentirá de você. Se você não está se esforçando hoje, seu futuro pagará o preço.
Deixe de lado QUEM VOCÊ ERA, se você não fizer isso, você nunca saberá quem você REALMENTE PODE SER. Deixe de lado QUEM VOCÊ ERA e CONCENTRE-SE em QUEM VOCÊ SE TORNARÁ.
Todas as manhãs, ao acordar, lembre-se de que você tem outra oportunidade de experimentar o seu MELHOR dia. Outra oportunidade para se esforçar. Outra oportunidade para dar um exemplo. Outra oportunidade de APRENDER algo que o fará melhor. Outra oportunidade para APROVEITAR o dia, para curtir outras pessoas ... curtir a vida.
Você foi abençoado com a oportunidade de VIVER... Aproveite essa oportunidade ao máximo.
Crie a MELHOR VERSÃO DE SI MESMO.
COMEÇE HOJE.

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