Campeões e covardes
Campinas, 03 de novembro
Começo a postagem de hoje, homenageando um
moleque de 20 anos, gente boa, disciplinado e campeão: o italiano Kimi
Antonelli.
No dia 09 de novembro de 2025, o autódromo
de Interlagos, em São Paulo, recebeu os astros da velocidade no Grande Prêmio
do Brasil de Fórmula 1. O piloto Lando Noris largou na pole position e foi
também o grande campeão da edição brasileira da F1 naquele ano. Em segundo
lugar, ficou Kimi Antonelli (nada mal para um estreante), e em terceiro Max
Verstappen.
Naquela ocasião, Kimi, apenas um jovem
estreante na F1, aproveitou a vinda ao Brasil para fazer uma visita muito
especial. Ele fez questão de ir ao cemitério do Morumbi visitar o túmulo do
saudoso Ayrton Senna. O jovem levou flores e as depositou no túmulo da lenda
brasileira da Fórmula 1. De camisa amarela, com listas verdes na manga, agachou-se
diante da lápide, e a tocou enquanto olhava para uma foto de Senna encostada na
lápide. Ficou ali, em silêncio, por alguns momentos, como se tivesse pedindo a
benção de Senna.
Ayrton Senna morreu em 1 de maio de 1994,
em um terrível acidente no circuito de Imola, durante o GP de San Marino. Ao sair
dali o italiano publicou a foto do momento no Instagram. O gesto mostrou atitude
de grande respeito para com Ayrton Senna da Silva. Nem precisa dizer que Kimi é
fã declarado de Senna.
De lá pra cá, Kimi voou nas pistas, os
deuses da F1 perceberam o talento e o esforço do garoto, e o alçaram ao topo e,
com apenas 20 anos, fizeram dele o mais novo campeão da história da F1.
O feito extraordinário foi conseguido neste domingo, 01, no GP do México. Lembrando que essa é apenas e tão somente a segunda temporada dele nesse esporte. E para provar que o menino é grande, estavam ao lado dele, no pódio, Max Verstappen e Lois Hamilton, dois grandes campeões da F1. Voa Kimi Antonelli, o céu é o limite. Parabéns!
***
Agora, saímos do moleque, gente boa de 20
anos, para o oposto. Um moleque de 45 anos de idade, cínico, mentiroso, criminoso
e covarde. Lembrando que o termo “moleque” tanto pode ser usado no sentido
positivo, como no sentido pejorativo. Para não restar dúvidas, reservemos o
primeiro caso para o Kimi Antonelli, e prossigamos.
Como é sabido já por todos, Flávio
Bolsonaro fugiu para os Estados Unidos logo após o termino das eleições. Tal qual
rato que foge ao menor sinal de barulho, assim fez o filho de Jair Bolsonaro. Ele
não é perseguido, não procurou asilo político, não foi injustiçado, apenas fugiu.
Observem que, apenas neste parágrafo usei o termo “fugiu” três vezes, de proposito
para enfatizar a ação de fugir. E faço isso porque os bolsonaristas dizem que é
perseguição, e toda essa lorota que a gente já conhece bem.
Flávio Bolsonaro, descaradamente, mentiu
quando perguntado pela primeira vez sobre o financiamento do filme Dark Horse,
até riu do repórter do Intercept que o questionou sobre isso, chamando o profissional
de imprensa de militante. Mentiu quando disse, durante as eleições que era um
Bolsonaro moderado. Mentiu quando, na entrevista ao Jornal Nacional, perguntado
pela Renata Lo Prete, se respeitaria o resultado das eleições, o candidato
respondeu: “Vou respeitar o processo eleitoral e o resultado das eleições”,
disse ele, categoricamente.
Flávio Bolsonaro mentiu também quando, na
segunda-feira, 26, um dia após as eleições, disse em vídeo postado nas redes sociais que
não fugiria do país: “Eu nunca pensei em sair do país, eu vou entregar meus
passaportes e me defender dessa aberração”. Ele mentiu também quando disse
que ia liderar a oposição no país. Em vídeo para as redes sociais ele disse: “Eu
vou organizar a oposição... Não vão me calar, não vão me intimidar”. Mentiu
novamente.
Apenas dois após as eleições as eleições,
e um dia depois dessas bravatas, o covarde, foge para os Estados Unidos.
Percebe, caro leitor, cara leitora, que o
filho de Jair Bolsonaro, não tem a menor credibilidade? Tudo nele é farsa, é mentira.
No domingo, após as eleições, o ministro
do STF, Alexandre de Moraes, determinou que Flávio Bolsonaro entregasse seus
passaportes. A decisão se deu em virtude do processo em que Flávio e o amigo e
advogado dele, Willer Tomaz, são investigados por lavagem de dinheiro e evasão
de divisas. Além disso, Flávio Bolsonaro também é investigado pela Polícia
Federal em inquérito que apura irregularidades no financiamento do filme Dark
Horse. Note-se que não havia pedido de prisão contra ele, apenas inquéritos,
investigações envolvendo-o.
Flávio Bolsonaro estava certo de que
ganharia as eleições. Até já havia montado ministério, e sentado na cadeira presidencial
antes mesmo de tomar posse. Mas, certamente, havia um plano B, caso seus planos
não se concretizassem.
Vejamos. No dia 23 de outubro, em
entrevista ao programa Louder with Crowder, que é apresentado pelo comentarista
americano Steven Crowder, Eduardo Bolsonaro, fugitivo da Justiça Brasileira, a
quem os bolsonaristas consideram “exilado”, quando questionado pelo jornalista,
Eduardo lançou dúvidas sobre a lisura das urnas eletrônicas e do processo eleitoral
brasileiro, e ainda por cima voltou ao assunto do voto impresso, tão propagado no
governo do pai, Jair Bolsonaro.
Quando questionado sobre uma eventual
derrota de Flávio Bolsonaro, Eduardo disse que a fuga seria uma alternativa possível
para o irmão diante de uma derrota nas eleições para Lula.
Outra evidencia do plano B de Flávio foi fuga
que ele empreendeu. Ninguém consegue uma empreitada tão bem sucedida dessas,
assim, de uma hora para outra.
Para qualquer viagem simples é preciso
planejamento, roteiro, arrumar malas, e todas essas coisas que envolvem uma
viagem, imagina para uma fuga.
No dia 27 de outubro, terça-feira, pós
eleições, Flávio Bolsonaro cruza a fronteira do Brasil com a Argentina pela
Ponte Tancredo Neves, e foi para Puerto Iguazú, Argentina. De Puerto Iguazú vou
em voo provado com a família para Guayaquil, Equador. De lá, rumou para Miami. Sendo
que, para despistar as autoridades, na saída do Brasil a mulher e as filhas de
Flávio saíram por rota diferente da dele.
Toda essa fuga cinematográfica em jatos de
luxo, custou o equivalente a quantia de R$ 800 mil. O dono do avião usado por
Flávio disse que o valor pago saiu de uma conta nos Estados Unidos. A pergunta
que fica é: Quem pagou essa conta? R$ 800 mil não caem do céu e, principalmente,
de uma hora para outra. O governo da Argentina e dos Estados Unidos são acusados
de ajudar Flávio Bolsonaro nessa fuga. Afinal, não só jato de luxo foi usado,
mas coloquemos também nessa conta escolta de policiais, carros diplomáticos
utilizados, vans.
Já em solo americano, Flávio Bolsonaro, publicou
uma carta em suas redes sociais em tom golpista, questionando as eleições
brasileiras sem apresentar provas, e até se autodeclarou presidente eleito do
Brasil. Depois publicou uma segunda versão se apresentando como líder do
Brasil.
Atitudes muito patéticas para quem se dizia
um Bolsonaro “moderado”. No fim, ele se provou tão golpista quanto o pai. Nos
livramos de um grande imbróglio.
Enfim, Flávio Bolsonaro não foi para os Estados
Unidos porque é perseguido pelo STF, nem por ninguém, mas sim, porque; em
primeiro lugar é um covarde; em segundo lugar, porque está tentando fugir da
Justiça brasileira. Nem ordem de prisão foi emitida contra ele, razão porque a
Polícia Federal não teve como impedir a sua fuga; E, em terceiro lugar, porque
ele estava pensando na dinheirama que tem em contas nos Estados Unidos, advinda
dos negócios escusos que possui junto com Willer Tomaz, e o dinheiro desviado
do filme Dark Horse, que também não é pouca coisa.
É importante também destacar o papel do
governo americano. O governo Trump adotou uma política de imigração cruel ao
máximo. Imigrantes trabalhando de forma honesta nos Estados Unidos são presos e
extraditados como se fossem terroristas. Mas ao mesmo, acolhe de braços
abertos, criminosos como os filhos de Bolsonaro, Flávio e Eduardo, e o amigo
deles, Paulo Figueiredo.
Daqui a algumas horas, os americanos estarão votando nas eleições de meio de mandato. O mundo inteiro está de olhos nessas eleições. Dessa vez, eu espero e o mundo inteiro também espera, que os americanos observem essas incongruências e contradições do governo americano. Afinal, é preciso derrotar o fascismo, e não é possível fazer dando ainda mais poder aos fascistas.





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