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Os deuses do futebol e o brilho fugaz

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 01:21

Segunda, 18 de junho



Os deuses do futebol desembarcaram na Rússia. Vieram do Monte Olimpo, morada dos deuses desde tempos imemoriais. Em suas galáxias de origem eles se reúnem entre si para disputarem seus campeonatos municipais, estaduais, e nacionais. Também se reúnem para disputas entre galáxias vizinhas nos campeonatos continentais. Porém a grande festa, a grande celebração ocorre a cada quatro anos. A esse grande duelo eles resolveram chamar de Copa do Mundo.
A primeira edição desse grande evento aconteceu em 1930, e o planeta escolhido foi o Uruguai.  O evento foi realizado entre os dias 13 a 30 de julho daquele ano. O motivo da escolha foi que o Uruguai comemorava o primeiro ano do centenário de sua primeira constituição. Um segundo motivo foi que a Seleção Uruguaia de Futebol havia conquistado a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Verão de 1928. A primeira Copa do Mundo foi organizada pela FIFA, poderosa entidade no mundo do futebol. Desde então a poderosa FIFA organiza o campeonato a cada quatro anos.
Como país sede da Copa do Mundo de 2018, o planeta escolhido foi a Rússia. O país dos czares. Pelo menos no período de 14 de junho a 15 de julho a Rússia está com a bola toda.
As 32 naves espaciais repletas de atletas, técnicos, e auxiliares, que disputam a edição do evento neste ano, desembarcaram naquele planeta, algumas com muita pompa, outras com muita discrição, mas todas com muita esperança de levantar a taça de campeão.
Entretanto, nessa enorme galáxia chamada futebol, nem todas as equipes tem realmente a chance de brigar pelo título de melhor do mundo. Apenas uma ostentará esse título. Algumas equipes sabem que não tem a menor chance contra os gigantes do mundo da bola, mas, enquanto houver campeonato, haverá esperança, e uma vez que esta é a última que morre, e uma vez que, em Copas do Mundo, sempre há espaços para as zebras e os azarões, todo mundo, as equipes mais fortes, e as mais fracas também, continuam correndo atrás da bola com muito esforço e tenacidade, na esperança de, ao final, ser coroadas com os louros da vitória.
Porém, mesmo que não ganhem coisa alguma, restará para as equipes não favoritas, a alegria de ter feito parte da festa, e o esforço de continuarem sempre melhorando para, algum dia, quem sabe, estar entre o staff que já ganhou o título de melhor seleção do mundo.
A ascensão profissional, o sucesso, está para o mundo do futebol como o espermatozoide está para o óvulo. No caso do segundo, há uma corrida feroz para ver quem ver quem fecunda o óvulo e ganha o direito á vida. Envolvidos nessa guerra estão milhões de espermatozoides, entretanto apenas um em 300 milhões consegue a façanha e o milagre da fecundação — com raríssimas exceções mais de um espermatozoide chega ao óvulo, é o caso dos gêmeos, e mais raros ainda, os trigêmeos e os quadrigêmeos.
Portanto, cada um de nós, humanos que somos, apesar de todas as adversidades que enfrentamos na vida, pode bater no peito, e dizer: sou um vencedor. Ainda que você mesmo duvide disso, pense nos 299 milhões que você venceu na corrida para chegar ao útero de sua amada mãe.
No mundo do futebol também é assim. A luta é constante. É coisa de matar um leão por dia. Muitos garotos tem o sonho de ser astros do futebol, mas pouquíssimos conseguem. Os campinhos de várzeas Brasil afora não nos deixam mentir. Até mesmo para os que conseguem um lugarzinho nas categorias de base dos times profissionais, mesmo para esses alcançar o estrelato é coisa difícil.
Imaginem então num país como o nosso em que o apoio ao esporte é tão precário e relegado a segundo plano. Infelizmente, ou felizmente — depende do ponto em que se observe a situação — descobrimos, não faz muito tempo, como é que a banda toca por aqui. Sabemos agora para onde vai o dinheiro que poderia ser investido nos projetos e investimentos que poderiam transformar o país numa fábrica de craques que nos orgulhassem em todas as áreas do esporte e não apenas no futebol, infelizmente, para muitas crianças e adolescentes as aspirações a uma bem-sucedida carreira esportiva são sonhos que morrem pelo caminho como a imensa maioria dos espermatozoides que não fecundam óvulos.
Outras nações, chamadas nesse artigo de planetas, dão prioridade a projetos esportivos que incentivam e despertam os atletas e craques adormecidos dentro de cada menino, de cada menina que deseja dedicar sua vida ao esporte. Esse países aprenderam uma lição ainda mais importante: qualquer caminho para o sucesso e para uma carreira sólida, passa pela educação. Então, se eles são grandes no esporte, é porque antes foram enfáticos na educação de seus pequenos e pequenas. Dessa forma, mesmo que os pequenos não se projetem no esporte, o cidadão, ou cidadã, está pronto para se projetar em qualquer outra área.
Talvez, essa falta de planejamento e investimento em estrutura no futebol explique em parte a queda de rendimento no futebol brasileiro, coisa que se reflete nos campeonatos estaduais e nacionais.
Ainda falando dos deuses que desembarcaram na Rússia, alguns poucos atingiram o topo da fama, sendo reconhecidos em qualquer parte dessa imensa galáxia chamada Terra.
Neymar Junior. Cristiano Ronaldo. Leonel Messi. Qual criança ou adolescente que sonha com o estrelado no mundo do futebol não conhece esses nomes? Eles, como tantos outros famosos jogadores, são amados, idolatrados, venerados, em qualquer canto do planeta.
Esses jogadores deixaram de ser meros indivíduos para se tornarem empresas. Empresas que faturam milhões através dos contratos com clubes famosos e também com merchandising.
Há também os que já experimentaram o brilho e a glória dos estádios, e que já não ouvem mais os aplausos e ovações, mas que deixaram seus nomes para sempre escritos nos céus da bola. Esses deixaram seus legados através da carreira solida que construíram e com a dedicação a que se entregaram ao esporte, como é o caso do brasileiro rei Pelé, do argentino Maradona, do português Eusebio, do alemão Beckenbauer, do italiano Platini, e tantos outros brasileiros e estrangeiros.
Até meados de julho, o mundo acompanha o show de bola que acontece nos gramados russos. Por lá desfilarão os deuses do futebol com suas jogadas, dribles e defesas maravilhosas. Nos emocionaremos e nos decepcionaremos. Muitos atletas derramarão lágrimas de alegria ou de dor. Todos brigarão valentemente. Mas apenas uma seleção levantará a taça de campeã.
Melhor seria se este vencedor, e todos os que participam deste campeonato se lembrassem de todas as crianças que sonham com uma oportunidade na vida e no esporte. Melhor ainda seria se as mãos deles fossem tão longas que pudessem chegar à mão dessas crianças e as puxar para cima, para o sucesso, e que o coração desses atletas fosse tão grande que pudesse iluminar essas crianças e transformá-las.
A apoteose seria se todos os deuses que desfilam pelos estádios russos, se lembrassem de que as glorias humanas passarão, e que os aplausos cessarão algum dia. E, no dia em que isso acontecer, eles se descobrirão tão humanos quanto qualquer outro humano e, como tais, apenas uma gota ínfima no mar da vida, do qual o Deus maior, o Deus verdadeiro, é o regente.
Façamos votos de que todos, atletas ou não, compreendam que o deus da ilusão, pode até ter nervos de aço, e o brilho da glória e do poder, mas eles terão sempre os pés de barro, e que apenas se abandonando nos braços do Deus infinito, o homem cumpre sua verdadeira essência, e encontra a verdadeira missão.

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Serial Killers, corrupção, e corruptos

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 23:45

Domingo, 10 de junho


Sentar confortavelmente em frente à telona ou à telinha... E tremer de medo e de horror. Para quem gosta de filme do gênero terror é um prato cheio. Quem não se lembra de ou pelo menos já ouviu alguma menção a Jack, o estripador, um homem, cujo divertimento era atacar prostitutas em ruas desertas nas áreas mais pobres de Londres, durante a solidão da noite, ou do fino, educado e meticuloso médico Hannibal Lecter, em O Silêncio dos Inocentes, ou do terrível e assustador Freddy Krueger, em A Hora do Pesadelo?
De personagens frios, sanguinários e calculistas está recheado o cinema. Respiramos aliviados quando o filme termina e os fantasmas vão embora. Trememos de medo quando vemos que muitos deles foram inspirados em casos reais, como é o caso de Jack, o estripador.
Ultimamente, em nosso país, temos sentado em frente às nossas telinhas da TV, do computador, ou em um sofá, ou banco de praça, lendo um jornal ou revista, e procurado se inteirar do que acontece no mundo político. Arrepiamos os cabelos quando vemos a grande quantidade de dinheiro que sai dos cofres públicos. Trememos quando vemos do que são capazes os políticos, empresários, e até mesmo cidadãos comuns quando se trata de levar vantagem em cima de outrem.
Gostaríamos de respirar aliviados como se fosse um filme que termina e os fantasmas vão embora. Infelizmente, a corrupção no Brasil não é filme cujos fantasmas se esvaem ao final. Ao contrário, eles parecem jorrar aos borbotões, a cada dia.
O que tem em comum os serials killers e os corruptos? Ambos são frios, calculistas, despidos de qualquer remorso ou arrependimento. Também não há neles aquele sentimento que faz com o que o homem perceba a luz no fim do túnel e repare os seus erros: a culpa.
Alguém por acaso já viu ou ouviu algum político admitir que tivesse praticado algum ato ilícito? É quase certo que não. Todos eles, ao serem acusado, negam peremptoriamente qualquer envolvimento. A história é sempre a mesma: não sei, não vi. Mesmo quando são pegos de calças curtas, ou com fortunas dentro da cueca.
Quem também já não ouviu falar do famoso slogan “rouba, mas faz”, tão enfaticamente associado a Paulo Maluf? Apesar de assim ser, Maluf, entretanto, não foi o criador desse infame slogan. O bordão surgiu ainda na década de 50. Havia em São Paulo um político corrupto chamado Adhemar de Barros. Os adversários dele o chamavam de ladrão e os cabos eleitorais de Adhemar contra-atacavam dizendo que ele roubava mas fazia. Ou seja, se ele roubava, pouco importava, o que importava mesmo eram as obras e ações por ele realizadas. Roubar era apenas um detalhe.
E Maluf roubou dos cofres públicos e muito. As obras por ele realizadas tornam-se uma gota em meio ao oceano se comparado ao patrimônio amealhado por ele à custa do dinheiro público. Enfim a justiça tardou, e tardou muito, mas conseguiu chegar a esse figurão da política brasileira.
E assim, aos 86 anos, exercendo seu quarto mandato como deputado federal, na manhã de quarta-feira, do dia 20 de dezembro de 2017, antecipando-se a uma ordem de prisão expedida pelo ministro do STF, Edson Fachin, Maluf entregou à Polícia Federal.
Ele havia sido condenado a 7 anos e 9 meses de cadeia, pelo crime de lavagem de dinheiro quando ele ainda era prefeito de São Paulo entre 1993 e 1996. Atualmente, ele cumpre prisão domiciliar. Apesar de condenado e preso, a Câmara dos Deputados não cassou o mandato do deputado. Os deputados foram “solidários” ao companheiro de parlamento, e apenas o afastaram de suas funções parlamentares. E assim, o dinheiro público continua patrocinando um bandido. São os contrassensos da política e dos parlamentares brasileiros. Isso nos leva a crer que eles não consideram corrupção como crime grave, talvez quiçá, um leve desvio de comportamento.  
Seguindo essa trilha chegamos ao ex-presidente Lula, também ele condenado e preso. Mesmo assim, Lula ainda goza de muita popularidade entre os seus eleitores. Talvez, consciente, ou inconscientemente, o raciocínio seja o mesmo aplicado ainda nos idos de 1950 pelos cabos eleitorais de Adhemar de Barros: ele roubou, mas desenvolveu muitos e bons programas sociais.
Pode ser ainda que isso explique recente pesquisa do Datafolha que, na corrida eleitoral, mostra Lula liderando a pesquisa com 30% das intenções de votos. A pesquisa feita entre 2,284 eleitores, nos dias 06 e 07 de junho, em 174 cidades, repete o mesmo cenário da que foi feita em abril.
Entretanto, com o líder nas pesquisas, preso em uma cela da polícia federal em Brasília, é bem pouco provável que ele venha a ser candidato, e mais improvável ainda que a justiça eleitoral lhe dê aval para que concorra nas próximas eleições presidenciais. Aliás, essa é uma tecla na qual o PT tem batido insistentemente: o de que o ex-presidente venha a entrar na disputa, esquecendo-se com isso de lançar um plano indicando um candidato próprio que não seja Lula. Talvez quando venha a querer a fazer isso seja tarde demais.
Em um cenário em que o líder petista não concorra, Jair Bolsonaro (PSL-RJ) assume a liderança com 19% das intenções de voto, seguido de Marina Silva (Rede) com 15%. Ciro Gomes (PDT) oscila entre 10 e 11%, e o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, tem 7%.
Ainda segundo a pesquisa, caso conseguisse driblar o veto da justiça a sua candidatura, Lula seria imbatível, vencendo com diferença confortável seus adversários. Numa disputa entre Lula e Alckmin, o petista teria 49% contra 27% do peessedebista; com Marina ele teria 46% contra 31% da candidata da Rede; e concorrendo com Bolsonaro Lula teria 49% contra 32% de Bolsonaro.
Mas todo esse cenário pode mudar, pois há um complicador em todo esse cenário que são os eleitores que ainda não tem preferencia por nenhum candidato. Estes eleitores somam 21% com Lula concorrendo, e de 34% sem ele na disputa. Esses eleitores podem desestabilizar o quadro apontado pelas pesquisas.  
Sendo mais conhecidas pelos eleitores, a candidata Marina Silva lidera as pesquisas em um cenário de segundo turno sem Lula nas eleições. As posições de Marina ficariam da seguinte forma: contra Bolsonaro, este teria 32% e Marina 42%, se o adversário fosse Alckmin, Marina teria 42% contra 27% de Alckmin.
Ainda segundo a pesquisa Datafolha, a avaliação que os brasileiros fazem do atual presidente, Michel Temer piorou. 82% dos brasileiros consideram o governo dele ruim ou péssimo. Com isso, Temer leva o troféu de presidente mais impopular desde a redemocratização.
E não é difícil entender essa impopularidade. Em primeiro lugar há os eleitores do PT que ainda hoje levantam a bandeira de que Temer chegou ao poder através de um golpe que derrubou a presidente Dilma Rousseff, da qual era vice na chapa. Esses, certamente, não aprovarão o governo.
De outro lado estão os brasileiros que querem um Brasil livre dos corruptos, e Temer está envolvido até o pescoço nos tentáculos da corrupção. As denúncias de corrupção contra ele não retrocedem apenas avançam. Esse grupo de brasileiros, que não são poucos, também, com certeza, reprovam o governo.
Sorrindo ironicamente para ele de outro lado, está a lenta recuperação da economia, e, sem dar aviso de chegada veio a crise dos caminhoneiros, que pesou bastante na balança da popularidade do governo.
Enfim, o grande teatro das eleições no Brasil, com seus personagens que muito prometem e pouco fazem se aproxima, e está cada vez, mas difícil prever como será o decadente espetáculo no picadeiro do circo. A verdade é que desde a redemocratização o Brasil ainda não escolheu aquele presidente do qual se possa dizer: é o cara. Ao contrário, tentando escapar dos lobos tem ido parar diretamente na boca deles. Escolhem a pior opção achando que estão escolhendo a melhor.
Dessa vez, também é de arrepiar, diante de tantas más notícias no campo da politica e da economia, os brasileiros estão sendo tentados, novamente, a correr para a boca dos lobos, e dessa vez, podem, realmente, ser engolidos por eles. Depois não adianta chorar. O bom disso tudo é que as eleições estão longe e dá muito tempo de mudar de ideia.
Ainda falando de um dos serial killers que mais tem matados brasileiros nas últimas décadas, a corrupção, a respeito desse monstro, disse ainda em junho de 2016, o procurador Deltan Dallagnol, quando falava para a comissão da Câmara que discutia as 10 medidas de combate à corrupção: “A corrupção mata, a corrupção é uma assassina sorrateira, invisível e de massa. Ela é uma serial killer que se disfarça de buracos em estradas, falta de medicamentos, crimes de ruas e pobreza”.
O Brasil tem avançado no sentido de enfraquecer esse monstro. Já conseguiu alguns avanços, mas muitos esforços ainda serão necessários pois o monstro é grande demais. Se quisermos que o Brasil sobreviva, que saia ileso dessa luta é preciso exterminar de vez o serial killer.


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Após a tempestade vem a bonança?

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 19:21

Domingo, 03 de junho


Depois da tempestade vem a bonança, diz o ditado popular.
O Brasil viveu, com a greve dos caminhoneiros, uma tempestade, e das grandes, daquelas com direito a raios, trovões, e tornados. Não houve setor que não fosse atingido por ela. Escolas, universidades, hospitais, mercados, templos religiosos, de forma ou de outra sofreram as consequências da paralisação dos caminhoneiros. Dos postos de combustíveis nem se fala. O caos. Com a falta de combustível ou diante da ameaça dela, valeu a lei do mercado: maior procura, preço nas alturas.
Alguns aumentos foram realmente abusivos. Formaram-se filas quilométricas de carros cheios de motoristas desesperados por abastecer o veículo. A rede de postos de combustível em todo o país não suportou tal volume de pessoas e tal procura e muitos deles fecharam por falta de combustível.
Enfim, o país começa a retornar a normalidade, aos poucos, é verdade. Pois haja combustível para abastecer tanto posto parado. Os produtores rurais que tiveram enormes prejuízos com seus produtos que estragaram nas gigantescas filas de caminhões formadas nos pontos de bloqueio de rodovias, tendem a repassar esse prejuízo para os clientes.
Em pronunciamento feito no domingo, 27, o presidente Michel Temer, anunciou um novo acordo com a categoria. Em longa reunião feita no Palácio do Planalto, ficou decidido entre o governo e os representantes da categoria, que o preço do óleo diesel ficará congelado por dois meses. Após esse prazo o diesel será reajustado apenas a cada trinta dias. O preço do diesel será reduzido em 0,46 centavos nas refinarias, e essa redução deverá chegar às bombas.
Ainda em seu pronunciamento, o presidente anunciou três medidas provisórias a serem tomadas. A primeira delas é isenção da cobrança de pedágio por eixo suspenso dos caminhões nas rodovias do país. Pela segunda medida serão reservados 30% do frete da CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento) para os autônomos. A terceira Medida Provisória cria uma taxa mínima para o preço de fretes.
Mesmo após o acordo, muitos caminhoneiros ainda relutavam em aceitar, continuando parados em vários pontos do país, e, só aos poucos, foram liberando as rodovias e desfazendo os bloqueios.
Sem dúvida a paralisação dos caminhoneiros foi um desgaste enorme para um governo já desgastado e impopular, o mais impopular desde a abertura democrática. É fato também que o Palácio do Planalto não soube lidar com a situação que se anunciava ameaçadora, como um tornado.
Quando se tem notícias de que um tornado se aproxima o que faz um homem de bom senso? Fica de papo pro ar? Senta no sofá e relaxa? Nada disso. Quando se tem notícias de que um deles se aproxima há que agir, e rápido.
Tanto para o governo quanto para o cidadão comum há uma série de cuidados que se deve ter para que o gigante enfurecido passe sem causar maiores danos à vida humana.
No caso da paralisação dos caminhoneiros o governo não foi sensato. Preferiu as primeiras opções: ficar de papo por ar e relaxar.
Antes da paralisação, a Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam) informou ao governo de que uma grande paralisação estava a caminho se as reivindicações da categoria não fossem atendidas no sentido de compensar as perdas no frete decorrentes da alta do óleo diesel. A equipe de governo simplesmente ignorou o ofício enviado pela entidade. Guardou-o na gaveta.
No dia 21 de maio, os caminhoneiros cumpriram o prometido: fecharam as rodovias do país, impedindo que caminhões chegassem às refinarias para abastecer e caminhões abarrotados de produtos agrícolas chegassem aos centros de abastecimento.
Primeiro dia de paralisação já começou forte. Segundo dia, as filas de caminhões nas estradas aumentando. Terceiro dia, a situação começou a ficar tão quente quanto o sol escaldante do deserto. E o governo? Sentado no sofá, só assistindo o circo pegar fogo. Apenas no fim do terceiro dia ele se deu conta de que havia um incêndio que era preciso apagar. Mas já era tarde demais as chamas já tinha atingido a casa inteira. A paralisação já havia atingido o país e a ameaça de desabastecimento se tornara real.
Mas não é que a reação tenha sido rápida. De forma alguma. Foi tipo aquela coisa: Fulano tem algum extintor de incêndio por aí? Alguma mangueira?  Não. Então, por favor, alguém vai compra o que precisa. Ou seja, reação lenta demais.
Outra grande bobeira do governo foi sentar-se à mesa de negociações sem antes exigir o desbloqueio das estradas e rodovias. Ele deveria ter sido mais enérgico: fazemos o acordo, mas antes vocês liberam as rodovias.
Erros por cima de erros, o governo acionou as forças armadas como forma de ameaça. Poderia ter conversado com os governos dos estados para que, cada qual, usasse a polícia estadual.
Na noite de quinta-feira, 24, os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil), Carlos Marun (Secretaria de Governo), Eduardo Guardia (Fazenda) e Valter Casimiro (Transportes) anunciaram que, após seis horas de reunião com representantes dos caminhoneiros, havia sido fechado um acordo para por fim a paralisação.
Veio à manhã de sexta-feira e nada aconteceu. As estradas continuaram bloqueadas e os postos sem combustível. De braços cruzados, os caminhoneiros diziam que quem havia se sentado à mesa de negociação com o governo não os representava. Isso apenas mostrou ainda mais despreparo do governo, pois nem, exatamente, com quem negociarem eles sabiam.
E assim erros e mais erros por parte da equipe governamental foram se sucedendo, desgastando o governo, prejudicando a população, deixando descontentes os caminhoneiros, e desvalorizando a Petrobrás.
O ditado popular citado no início do texto: Depois da tempestade vem a bonança, para os brasileiros, não serviu nesse caso.
Em decorrência desse acordo feito com os caminhoneiros, o prejuízo para os cofres públicos é de R$ 9,5 bilhões, segundo o ministro da Fazenda Eduardo Guardia. “Com relação aos R$ 9,5 bilhões, nós faremos o seguinte: nós anunciamos no último relatório bimestral de execução orçamentária e financeira um excesso de resultado de R$ 5,7 bilhões, então, esses R$ 5,7 bilhões serão utilizados, usaremos esta margem financeira e orçamentariamente, usaremos a reserva de contingencia", disse o ministro. “Só que ainda faltam R$ 3,8 bilhões para chegar aos R$ 9,5 bilhões. Estes R$ 3,8 bilhões serão obtidos através de corte de despesa do orçamento. Nós teremos sim que cortar R$ 3,8 bilhões de despesas da execução do orçamento deste ano para poder fazer frente a este gasto de R$ 9,5 bilhões", concluiu ele.
Ou seja, para as finanças de um país que já está com um enorme rombo no orçamento, mais um é coisa nada agradável. Em janeiro, o presidente havia sancionado o Orçamento para o exercício de 2018 com previsão de rombo na ordem de R$ 157 bilhões.
Após a paralisação, os brasileiros não viram redução no preço da gasolina, ao contrário, esta aumentou de preço nas refinarias, onde o litro ficou 2,25% mais caro. Isso é sinal de as coisas andam mal das pernas quando se trata da política de preços da Petrobrás.
Por falar nisso, outra consequência da paralisação dos caminhoneiros, foi a queda do presidente da estatal, Pedro Parente. Ele estava no comando da empresa desde 2016, e entregou o cargo na sexta-feira, 01. No lugar de Pedro Parente assumirá Ivan Monteiro, um engenheiro elétrico que fez carreira no Banco do Brasil. Monteiro participa da diretoria financeira da Petrobrás desde 2015. Foi ele quem iniciou na companhia um programa de gestão de dívidas, jogando para 2020, parte do excessivo do volume de vencimentos.
Depois da dilapidação dos cofres da Petrobrás, esquema revelado pela Lava Jato, o presidente da Petrobrás talvez tenha usado de remédios amargos demais para a população de um modo geral, a fim de recuperar os prejuízos. Que o próximo não repita a dose, pois a dor de cabeça acaba sobrando sempre para a população, além de doer também no bolso.

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O poder do amor

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 13:07
Domingo, 27 de maio

Enquanto o país tenta ensaiar uma volta à normalidade depois da semana conturbada que passou, com greve dos caminhoneiros, greve que ainda não se dissipou de todo, e com falta de combustíveis, e de alimentos nos supermercados e feiras-livres, este blog foge um pouco de tudo isso para falar do sublime sentimento do amor, que deveria ser o combustível a alimentar e mover o mundo. Certamente, isso nos proporcionaria uma era de excelência nas relações humanas e de paz entre as nações.

***


Se a solidão for demais
E em teu coração não sentires a paz
Eu quero estar bem perto
Como alguém que torce por teu bem
Como ponte sobre as águas turvas
Hás de me encontrar
Como ponte sobre as águas turvas
Hás de me encontrar
(Ponte Sobre Águas Turvas (Bridge Over Troubled Water)
Paul Simom – Versão Pe. Zezinho
CD – Francisco e Clara, o musical)


O poder do amor




Como uma brisa que acaricia as folhas de uma árvore frondosa na mata selvagem, ou tal qual a folha que vaga tão suave ao vento que mais parece uma bailarina a dançar os clássicos dos clássicos da música universal, ou como o vento que sopra vigoroso sobre as ondas, assim é o amor.

São belas e sonoras as palavras do apóstolo Paulo aos Coríntios, palavras estas que atravessaram os tempos e vieram ecoar em nossos ouvidos. Dizia ele àquela comunidade que mesmo que nós tivéssemos as línguas dos homens e dos anjos, mas não tivéssemos o amor seríamos apenas como o metal que soa ou como o sino que repica. E ainda que se nós tivéssemos o dom da profecia, e se conhecemos todos os mistérios da ciência, e se tivéssemos uma fé tão grande que fosse capaz de transportar os montes, mas não tivéssemos amor, isso de nada nos adiantaria.

Quando ainda nem existíamos foi o amor que nos gerou. E quando ainda éramos crianças muito pequenas a necessitar de cuidados foi o amor que nos cuidou, mesmo tendo ele mesmo que perder noites de sono, ou ter o sono interrompido ao menor sinal de nosso choro fosse por qual motivo fosse.

E quando fomos crescendo tal qual planta frágil a precisar daquele toque de jardineiro a fortalecer lhe a raiz para que ela entrasse solo adentro a buscar nutrientes a fim que crescesse forte e vigorosa a ponto de dar frutos apetitosos que saciasse a fome daquele que estava faminto, e que, ao viajante permitisse encontrar debaixo de suas copadas o refresco e animo para revigorar as forças e prosseguir a caminhada foi o amor que nos proporcionou tudo isso.

Este nobre sentimento foi a tônica dos discursos de todos os grandes líderes religiosos desde tempos imemoriais. Nenhum deles pregou o ódio e a violência. Se alguma “religião” hoje em dia prega esses sentimentos nocivos com certeza esses ensinamentos não vêm da força divina que rege o universo, mas tão somente de falsas interpretações dos livros sagrados e do egoísmo que ecoa alto nos seguidores de tais ensinamentos.

O amor é como uma força motriz que impulsiona o mundo e dá aos fracos o poder de se tornarem fortes quando o perigo ameaça àqueles de quem se gosta ou por que se tem grande estima.

A quem amam os corruptos, os maus e os violentos senão a si mesmos? A quem querem eles ajudar senão a si mesmos? E fazendo assim eles se tornam como a semente que apodrece dentro da terra antes mesmo de nascer.

Os corações iluminados ao contrário não podem apodrecer dentro da terra sem que tenham, ao menos, brotado. Eles sentem a mesma necessidade que sente a semente sadia: querem brotar, crescer, florescer e frutificar.

Assim como o amor, comparado às flores, precisa do sol para que desabroche em cores vivas e com grande esplendor, assim o ódio precisa de maus sentimentos para que cresça cada vez mais tenebroso.

Há tempos a sociedade vive uma encruzilhada: ao mesmo tempo em que avançam as grandes inovações e mudanças nos campos da ciência e da tecnologia, parece haver um retrocesso nos campos moral, ético, e em todas as áreas do comportamento. Para não desmentir esse pensamento vemos a grande quantidade de gente sem caráter no executivo e legislativo, congresso esse que também é um reflexo da sociedade brasileira.

A rede mundial de computadores também é palco de dualidades, uma vez que, ao mesmo tempo em que nos proporciona manter contato com pessoas do mundo inteiro, dando às informações uma celeridade nunca vista antes na história da humanidade, e realização de um número incontável de campanhas filantrópicas, também permite que por trás da tela de um computador se escondam mentes perturbadas e dispostas a semear e fazer o mal.

Na religião não é diferente. Também nela a via de dualidade está presente. Enquanto a maioria dos diferentes credos religiosos se utiliza do religare para promover a vida, outras minorias a utilizam para, em nome de Deus, matar e destruir vidas.

Também por causa de todas essas contradições não devemos julgar a exceção como se fosse o todo. Todas as maravilhas da ciência e da tecnologia devem e podem ser bem aproveitadas pelo homem. Bem como a religião deve ser um caminho que leve a Deus, desde que se entenda que também há outros caminhos e crenças que também levam o homem, ou a alma deste, ao mar de amor infinito. Pois o que, normalmente se vê por aí é um grupo religioso se afirmar como o único caminho para o infinito, muitas vezes, agredindo, ferindo, e humilhando aqueles que seguem outra estrada na esperança de encontrar o mesmo Deus infinito.

Quando os homens compreenderem que o amor não morre nunca, e que ele é tão eterno quanto o autor da criação. Quando compreenderem que ele é capaz de sobreviver a todas as vicissitudes da vida, então saberão que esse nobre sentimento são as asas libertadoras que permitem ao homem transpor as barreiras do tempo e da eternidade, asas que o tornarão livre para viverem sua maior vocação que é o amor e a caridade.

Quando também os homens vislumbrarem que o ódio e a maldade são como sanguessugas pequenas que se alimentam de maus sentimentos e, nesse alimento, encontram forças para crescer, e quando compreenderem que esses mesmos sentimentos são como grossas correntes a prender os que odeiam e fazem o mal nas moradas escuras e tenebrosas da eternidade sem nunca poderem experimentar a liberdade, apenas a solidão da prisão em que eles próprios se enredaram, então quererão fugir destes sentimentos, como diz o ditado popular, “como o diabo foge da cruz”.

Falando de amor, na manhã de sábado, dia 19 de maio, o mundo acompanhou o casamento do príncipe Harry com a atriz Meghan Markle. Uma história de amor que mais parece contos de fada parecido com o de qualquer moço e moça que se descobrem apaixonados e que desejam imergir suas emoções na doce taça do vinho da felicidade.

Seria igual se Harry não representasse uma instituição: a realeza britânica. Aí tudo muda de figura, com direito, inclusive, a transmissão ao vivo para o mundo inteiro.

Chamou bastante atenção nesse casamento o protagonismo que noivo e noiva deram aos negros através do canto e da própria cerimonia religiosa. Esse protagonismo não é por acaso: a noiva é filha de uma afro-americana, e descende de escravos que trabalharam nas plantações de algodão, na Geórgia, Sul dos Estados Unidos. Uma árvore que assume as próprias raízes, ao invés de renega-las, só tem por destino elevar sua copada em direção ao alto e à luz. Ambos, noivo e noiva deixavam transparecer a felicidade em seus semblantes. Sinal de que o amor estava presente naquela cerimonia.

O reverendo Michael Bruce Curry, um pastor negro da Igreja Episcopal dos Estados Unidos, convidado pelo casal para proferir a homilia daquela data solene que marcaria suas vidas, fez um discurso que abordou o tema do qual trata esta postagem: o amor, e que merece ser relembrado aqui.

***

Homília do reverendo Michael Bruce Curry no casamento de Harry e Meghan Markle 





"Ponha-me como um selo em seu coração, como um selo em seu braço; porque o amor é tão forte quanto a morte, uma paixão sólida como a sepultura. Seus clarões são clarões de fogo, uma chama violenta. Muitas águas não podem apagar o amor, nem inundações podem afogá-lo.

Dr. Martin Luther King Jr. disse certa vez: ‘Precisamos descobrir o poder do amor, o poder redentor do amor. E quando descobrirmos isso, seremos capazes de fazer deste velho mundo um novo mundo. O amor é o único caminho.’

Há poder no amor. Não o subestime. Qualquer um que já tenha se apaixonado sabe o que eu quero dizer.  Mas pense no amor sob qualquer forma. Ser amado e expressar amor é bom. Há alguma coisa certa a respeito disso. E por um motivo.

Um antigo poema medieval diz: 'Onde houver o amor verdadeiro, o próprio Deus estará presente.' Na Bíblia, João diz isso da seguinte forma: 'Amada (o), vamos amar um ao outro porque o amor vem de Deus; todos os que amam são filhos de Deus. Aquele que não ama não conhece Deus Porque Deus é amor.'

Há poder no amor. O amor pode ajudar e curar quando nada mais pode. O amor pode levantar e liberar para a vida quando nada mais o fará. E o amor que aproxima duas pessoas é o mesmo amor que pode mantê-las juntas, seja no cume da felicidade ou nos vales da dificuldade.

O amor é forte como a morte. Seus clarões são clarões de fogo. Muitas águas não podem apagar o amor. O amor pode ver através de você. Há poder no amor.  Mas o amor do qual eu falo não é apenas para casais que se casam ou apenas para relações pessoais.

Jesus de Nazaré nos ensinou que o caminho do amor é o caminho para uma relação verdadeira com o Deus que criou todos nós, e o caminho para uma relação verdadeira com os outros como filhos de um único Deus, como irmãos e irmãs na família humana de Deus.

Um erudito disse isso da seguinte maneira: 'Jesus encontrou o mais revolucionário movimento da História humana: um movimento construído sobre o amor incondicional de Deus pelo mundo e o mandato para viver este amor' (Charles Marsh, 'The Beloved Community'). E ao fazer isso, mudamos vidas e o próprio mundo. Há um motivo para isso.

Um velho 'spiritual' pode sugerir por quê: 'Se você não pode pregar como Pedro,

E não pode rezar como Paulo, Você pode falar do amor de Jesus, Como ele morreu para nos salvar Há um bálsamo em Gileade Para curar os feridos Há um bálsamo em Gileade Para curar a alma doente do pecado. Apenas fale sobre o amor de Jesus, como ele morreu para nos salvar.'

Ele não sacrificou sua vida por si mesmo, por nada que pudesse ganhar. Ele fez isso pelos outros, pelo outro, pelo bem e o bem-estar de outros. Isso é amor. Como Paulo diz isso? O amor não é invejoso, rude ou arrogante O amor não busca os seus próprios interesses. O amor é altruísta, se sacrifica, é bom e justo.

O amor busca o bem e o bem-estar do outro. O amor cria espaço para que o outro seja. Esse amor, esse é o caminho de Jesus. E é o que muda o jogo. Imagine nossos lares e famílias quando esse caminho de amor é escolhido.

Imagine nossos bairros e comunidades quando o amor é o caminho. Imagine nossos governos e nossos países quando o amor é o caminho. Imagine os negócios e o comércio quando o amor é o caminho. Imagine o mundo quando o amor é o caminho.

Nenhuma criança iria para a cama com fome em um mundo como esse. A pobreza seria história em um mundo como esse. Nós trataríamos uns aos outros como filhos de Deus, sem prestar atenção nas diferenças. Nós aprenderíamos a largar nossas espadas e escudos à beira do rio e não estudaríamos mais a guerra. Haveria um novo céu, uma nova terra, um novo mundo. Uma nova e bela família humana.

Este é o sonho de Deus O amor é tão forte quanto a morte Seus clarões são clarões de fogo Muitas águas não podem apagar o amor".







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24 de maio: um dia de caos no Brasil

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 00:37

Sexta-feira, 25 de maio


Todos nós sabemos que na condição de seres humanos não somos uma massa vazia, sem funções e sem propósito.  Há em nosso organismo vários sistemas e subsistemas que nos ajudam a viver bem e saudáveis. Do funcionamento eficiente de todo esse conjunto de órgãos, tecidos, e nervos é que depende nossa saúde.
Um desses sistemas que auxiliam essa perfeita máquina criada pela natureza que é o corpo humano é o sistema circulatório formado pelo coração e pelos vasos sanguíneos. Ele é o responsável por distribuir nutrientes e oxigênio pelo corpo inteiro. Basta que haja no funcionamento desse sistema uma peça fora do lugar, como um entupimento nas artérias, por exemplo, para que logo se acenda uma luz vermelha em sinal de perigo.
Pensemos no Brasil como um grande organismo também cheio de sistemas. Nesse sistema circulatório campo e cidade seria o coração. As estradas, rodovias, ruas, e avenidas, os vasos sanguíneos e artérias que distribuem nutrientes e oxigênio por todas as partes desse imenso organismo.
Hoje se acendeu uma luz vermelha no sistema circulatório do país. Sinalizando que alguma coisa não anda bem, e que um exame mais detalhado da situação precisa ser feito. Um remédio precisa ser encontrado para sanar o problema.
Todo esse transtorno ocorre devido a uma paralisação feita pelos caminhoneiros em todo o território nacional. A paralisação começou na segunda-feira (21),inicialmente em apenas 10 estados da federação, e depois atingiu todo o país. A classe já havia ameaçado fazer a greve desde a semana anterior, se o governo federal não atendesse uma série de reivindicações feitas por eles.
O estopim do movimento foi o aumento nos preços do diesel. Na sexta-feira (18), a Petrobras havia anunciado um aumento de 8% nos preços do óleo diesel, e de 1,43% nos preços da gasolina. O quinto reajuste diário seguido no preço dos combustíveis irritou os caminhoneiros.
De acordo com Agência Nacional do Petróleo, do Gás Natural e dos Biocombustíveis (ANP), o preço do óleo diesel já acumula um aumento do 8% nas bombas, e 1,34% nas refinarias. Tudo isso acontece em meio a uma alta internacional no preço do petróleo.
Nesta quinta-feira (24), a paralisação teve seu dia mais crítico desde o seu início, quando, além do campo, as grandes cidades também viveram seu dia de caos.
A corrida aos postos de gasolina foi geral. Todos queriam abastecer seus veículos diante da incerteza do que pode acontecer nos próximos dias. Enormes filas se formaram. Houve confusão e desentendimentos entre os próprios clientes. O transito ficou caótico. Muitos postos fecharam por falta de combustível logo pela manhã. Outros fecharam à tarde.
Em diversas rodovias federais Brasil afora os caminhoneiros fizeram bloqueios e barricadas impedindo a circulação de veículos e aumentando ainda mais a situação caótica. Enormes filas de caminhões se formaram nessas rodovias provocando quilômetros de engarrafamento. Em alguns lugares, quem tentou furar o bloqueio teve pneus furados ou vidros quebrados, ou as duas coisas juntas.
Muito leite foi derramado pelos produtores, alguns porque simplesmente não tinham onde por o leite para que nova ordenha fosse feita. Outros por puro protesto, como foi o caso de agricultores em que derramaram leite em pleno asfalto em Minas Gerais e em Santa Catarina.
Nas grandes cidades a falta de combustíveis afetou a frota de ônibus fazendo com que as empresárias concessionárias do serviço reduzissem os veículos em circulação. Escolas e universidades não funcionaram, e muitos estabelecimentos comerciais, e órgãos do poder judiciário liberaram seus funcionários mais cedo do que o horário normal. Houve abusos por parte de muitos donos de postos que, aproveitando-se da situação de preocupação geral aumentaram em muito o preço da gasolina e do diesel.
Pairando acima desse cheiro de gasolina e diesel ainda há o medo do desabastecimento de produtos, coisa que também já ocorreu em alguns estabelecimentos comerciais. Muita gente correu para os supermercados em busca de mais alimentos para comprar e deixar estocados em casa com medo ou da alta desses produtos ou de que eles venham a faltar nos próximos dias.
O cenário preocupante é mais um tiro no pé do governo de Michel Temer, que tem se mostrado um governo cada vez mais fraco e impopular. O governo era sabedor de que toda essa situação estava para explodir hora ou outra e cruzou os braços. Não buscou soluções para o problema. Talvez não tenha realmente acreditado que os caminhoneiros fossem ter voz tão ativa na roda desse destino.
O pior é que as soluções apresentadas até agora pelo poder público vão de mal a pior, e ainda por cima podem aumentar ainda mais o rombo nos cofres públicos e endividar ainda mais a já tão endividada Petrobras, e o que pior, colocando a já tão abalada credibilidade da estatal deixando-a no vermelho em relação a confiança nos investidores.

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