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Brasil sem rumo, e Temer à beira do precipício

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 00:01
Sexta-feira, 19 de maio



Antes de iniciar, de fato esta postagem, e já iniciando, este blog gostaria de fazer alguns agradecimentos.

— Ao universo do judiciário, no qual brilham as estrelas de juízes, promotores, e advogados, que vieram com coragem e disposição de passar o Brasil a limpo.

— À Polícia Federal que vem trabalhando, incansavelmente, para investigar, e prender poderosos foras da lei de colarinho branco que dilapidam os cofres de nossa nação, e jogam na lata do lixo da vergonha, os princípios constitucionais que fundamentam nossa Constituição.

— Ao jornalista, Lauro Jardim, que, através de um meticuloso e cuidadoso trabalho jornalístico de três semanas, prestou um grande serviço ao Brasil, ao revelar os podres segredos do Palácio do Planalto, dos quais Temer é personagem principal. Revelações estas que abalaram o Brasil com a força de um terremoto, e nos deixaram a todos atônitos.

— Vai também um agradecimento até mesmo aos foras da lei, Joesley e Wesley Batista, donos do frigorifico JBS, que, com sagacidade proporcionaram o terremoto que sacudiu Brasília, e abalou o Brasil. Merecem eles punição? Sem dúvida. Mas se eles tivessem se mantido em silêncio não teríamos sabido dos fatos que nos deixaram de cabelos em pé.

E porque digo que os donos da JBS foram espertos? Porque eles se anteciparam aos fatos. Com certeza, eles têm acompanhado os noticiários e tem visto a eficiência do trabalho do Judiciário e da Polícia Federal, e agiram rápido. Alvo de cinco inquéritos na Polícia Federal desde 2016, são elas: Operação Sépsis, Operação Greenfield, Operação Cui Bono, Operação Bullish, e Operação Carne Fraca. Os empresários sabiam que mais dia, menos dia, a situação se complicaria para eles.

Então que fizeram?

Em uma tranquila noite de terça-feira, 07 de março deste ano, por volta das 22h30min, Joesley foi, sozinho, em carro próprio, ao palácio presidencial, conversar com Temer. Na verdade, foi fisgar o peixe com isca boa. Porém, antes de entrar na residência oficial do presidente da república, o empresário, não se esqueceu de, discretamente, ligar um pequeno gravador de voz, deixá-lo em lugar bem escondido.

Naquela calma e tranquila noite, ao abrir as portas de sua casa para Joesley, Temer abria também a porta para a delação premiada dos sonhos do empresário. O encontro por si só já envolvia o presidente em situação suspeita, pois receber um empresário que estava às voltas com a justiça àquela hora da noite, em sua casa, e sem a presença de testemunhas já diz muita coisa, sem dizer nada.

A conversa durou 40 minutos. E Joesley foi jogando corda para Temer se enforcar, contando vantagem, e Temer indo na conversa dele. Nessa conversa mansa, surge o nome do ex-presidente da Câmara dos Deputados, e atual presidiário, Eduardo Cunha.  O empresário fala para o presidente que tem procurado manter boa relação com Eduardo Cunha, mesmo após a sua prisão. E diz ao presidente que a propina está sendo paga todo mês ao ex-deputado para que ele fique com a boca calada. Temer concorda dizendo que isso é a melhor coisa a ser feita.

Nos dias subsequentes, Joesley e Wesley procuraram a Policia Federal e a Justiça, e apresentaram o material explosivo. Começou uma bem articulada operação da PF, junto com os delatores que resultou no excelente trabalho policial que vimos. Na quarta (17), o ministro do STF, Edson Fachin, relator da Lava Jato, homologou as delações dos dois irmãos e donos da JBS... E o Brasil tremeu, ficou desorientado... E Temer perdeu o rumo e a governabilidade.

Diante das robustas provas, Rodrigo Janot, procurador-geral da República, pediu a abertura de inquérito contra Michel Temer. No início da tarde de ontem (18), Edson Fachin, autorizou o início das investigações contra o presidente. Com essa decisão do STF, o presidente pode ser considerado, formalmente, um investigado, podendo os investigadores da Lava Jato, fazer pedido de busca e apreensão de provas e documentos, e também tomar depoimentos, até mesmo do presidente. 

O Brasil esperava uma atitude nobre do presidente: a de que ele renunciasse. Mas ele não teve essa atitude nobre. Ao contrário, desde ontem, dá, como diz o ditado popular, uma de “João sem braço”. Finge ignorar que nada está acontecendo, e que no governo está tudo em clima de normalidade. Tendo colocado três de seus ministros para dar declarações a fim de acalmar a população: Antônio Imbassahy, da Secretaria de Governo, e Eliseu Padilha, da Casa Civil, e Moreira Franco, da Secretaria-Geral. Moreira Franco e Eliseu Padilha também estão na mira dos investigadores da Lava Jato.

As delações dos donos da JBS deixaram Temer a beira do precipício. O governo perde a governabilidade. Os partidos de oposição já começam a fazer fila com seus pedidos de impeachment contra o presidente, e os partidos aliados já começam a cogitar em abandonar o governo.

Na mesma rede das delações dos dois irmãos na qual Temer foi apanhado, também caiu como um patinho, o senador, Aécio Neves.  Trechos da delação mostram que Aécio Neves pediu R$ 2 milhões a Joesley para pagar aos advogados que fazem a sua defesa nos inquéritos nos quais o senador é lavo da Lava Jato. Porém, a procuradoria-geral da República diz ter elementos suficientes para dizer que esse dinheiro não foi repassado a advogado algum.  O senador Aécio Neves é alvo de sete inquéritos na Operação Lava Jato.

O procurador-geral da República pediu a prisão da Aécio, porém, o ministro Edson Fachin, negou o pedido de prisão, dizendo que esse é um caso a ser decidido pelo plenário do STF. Fachin, entretanto, determinou o afastamento de Aécio Neves das funções de senador.

Ainda como consequência das delações premiadas dos donos da JBS, foram presos Andrea Neves, irmã e principal coordenadora das campanhas de Aécio, e o primo dele, Frederico Pacheco de Medeiros.

Também foram presos, Mendherson Souza Lima, assessor do senador, Zezé Perrela (PMDB), e o procurador da República, Ângelo Goulart Villela. O procurador é acusado de repassar informações a Joesley em investigações nas quais o empresário estava envolvido na Lava Jato.

Vivemos em uma sociedade que se estruturou em torno do dinheiro. E dinheiro, quando ganho honestamente, faz bem, ajuda a nutrir nossas necessidades diárias. Mas o que estraga o homem é a ambição desmedida. Temer não precisava se envolver nestas falcatruas, assim como também não precisavam Aécio Neves, Andrea Neves, a irmã de Aécio, Fred, o primo dele, Ângelo, o procurador, Lula, ex-presidente, e tantos e tantos corruptos Brasil afora. O resultado é que estes bandidos jogam fora suas belas biografias, jogam-nas na privada, e nem dão descarga.

É isso, caros leitores, e leitoras, quando a gente pensa que está ruim, eles conseguem piorar ainda mais. Hoje, o Brasil é um barco à deriva, sem rumo, sem controle, sem lideranças que o guiem a um porto seguro. Isso não é pessimismo. É realidade.



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