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... E a tsunami chegou... E abalou o Brasil.

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 00:09
Sexta-feira, 14 de abril


Hoje, quinta-feira santa, dia em que o mundo cristão imerge nas lembranças de um Jesus Cristo que muito sofreu nas mãos dos poderosos de seu tempo, uma reflexão sobre o papel do servir vem muito a propósito.

Às vésperas de sofrer o pior dos martírios aplicados aos criminosos de seu tempo, a cruz, Cristo, que não era nenhum bandido, muito pelo contrário, era um servo da verdade da verdade, da justiça, da ética, e do bem comum, Ele, em sua condição divina, tinha um conhecimento pleno da natureza humana. Sabia das mazelas e potencialidades do coração humano. Tinha liderança entre o grupo de seus doze discípulos, que por sua vez, formavam seus subgrupos, por onde passavam, grupos sobre os quais Jesus também tinha forte liderança.

Mesmo em sua condição de líder entre os seus, Cristo, às vésperas de seu martírio, deu uma grande lição do que seja exercer poder e liderança em qualquer tempo: ele pegou de uma bacia com água e, humildemente, lavou os pés dos seus discípulos, mostrando que liderar é servir.

Aplicando esta lição sobre o campo da política, o que seria exatamente o sentido de exercer a arte da política? Para que os políticos são colocados em seus cargos, em suas funções? Para servir é a resposta mais adequada. Se assim é, algo está muito errado em nossa terra brasilis. Os políticos daqui leram a cartilha errada dos fundamentos democráticos. Eles não querem servir a nação, ao contrário, querem que a nação os sirva. Querem ter o povo que os elegeu, não ao seu lado, mas aos seus pés, servindo.

Ah, quem dera que os nossos políticos, aprendessem a lição do mestre de Nazaré, da Galileia.

Este blog, em coro com toda a imprensa brasileira, falou, e muito, das delações premiadas dos executivos da Odebrecht. E o tsunami chegou... E chegou com toda a força. É tanta revelação que vem aos borbotões, que a gente fica até sem saber por onde começar. Atordoados. Estupefatos. Indignados. É a palavra para definir o que o brasileiro sente diante de tanta sujeira e podridão que vem à tona no momento em que o Brasil está mais fragilizado.

Agora entendemos todo o esforço que a nossa elite política fazia, e ainda faz, no sentido de deter a força da Operação Lava Jato. Agora é perfeitamente compreensível as leis tão clamantes a eles para calar a boca dos juízes e procuradores. Eles apenas queriam deixar para sempre debaixo do tapete o deboche e o descaso que sempre tiveram para com a população brasileira.

No momento, em que atravessemos a nossa pior crise de democracia representativa, a tão esperada lista de Janot é divulgada, e o segredo de justiça quebrado. Marcelo Odebrecht, e seu séquito de ex-diretores da empreiteira que comandava resolveram falar. Na verdade, eles já falado há alguns meses, apenas não tínhamos conhecimento do conteúdo dessas tenebrosas confissões, agora reveladas.

Essa semana, Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, resolveu abrir a caixa de Pandora, e revelar os 83 inquéritos no qual estão envolvidos a nata da política brasileira. Nessa lama chafurdam deputados, senadores, governadores, presidente, e ex-presidentes.

As delações premiadas tão desprezadas por aqueles dos quais tratam trouxeram revelações que deixaram os brasileiros de cabelos em pé. Além delas, foram entregues à Justiça pelos delatores, uma série de documentos, dentre eles, números de contas bancarias, planilhas de cálculos e nomes, registros dos encontros, e-mails, além de outros documentos.

A conversa que se ouve de todos os políticos envolvidos no esquema é sempre as mesmas: “enho conduta ilibada”, “agi sempre dentro da lei”, “as doações das minhas campanhas foram todas legais”. Claro, sem deixar de lado o discurso do presidente Lula que parece não se renovar nunca: o de que é o homem mais honesto do Brasil.

Comecemos pelo nosso ex-presidente, citado por oito dos executivos e ex-executivos da Odebrecht. Depois de tanta polêmica sobre o sítio de Atibaia, que Lula insistia em dizer que não era dele, que não tinha envolvimento no caso, Emilio Odebrecht, dono da empreiteira, disse que a reforma do sítio em Atibaia foi um pedido pessoal de Marisa Letícia, esposa de Lula. Era final do mandato, e ela queria fazer uma surpresa para o marido, e para isso, pediu a ajuda de Emilio. O empresário disse que, no penúltimo dia do mandato de Lula, esteve com ele no Palácio do Planalto, e fez o seguinte comentário: “Olhe, chefe, você vai ter uma surpresa. Nós vamos garantir o prazo que nós tínhamos dado naquele programa lá do sítio”. Emilio diz que Lula não fez nenhum comentário, nem esboçou surpresa, dando a entender que já sabia do que se tratava e que, portanto, não havia nenhuma surpresa.

Em relação às palestras milionárias que Lula cobrava através do Instituto Lula, também foi revelado o segredo.

O delator Alexandrino de Alencar disse que as palestras foram um modo de recompensar Lula pelo que havia feito pela empresa durante tantos anos — no período de governo de Lula, a Odebrecht teve um crescimento fenomenal. Com o negócio da palestra, os executivos da Odebrecht viram uma nova porta de oportunidades no mundo dos negócios. Fazendo palestras em outros países, e em contatos com os presidentes e demais autoridades dos mesmos, Lula sedimentava a imagem da empreiteira a comunidade internacional, tornando o negócio das palestras atraentes para a Odebrecht.
Lula também intercedeu junto a Odebrecht por seus familiares. Foi a empreiteira que Lula pediu para que abrissem o caminho para a carreira empresarial do filho, Luiz Cláudio. A Odebrecht daria apoio a Luiz Claudio no projeto da criação de uma liga de futebol americano no Brasil, e em troca disso, Lula ajudaria a melhorar a relação difícil que Marcelo Odebrecht tinha para com Dilma Rousseff.

Emilio Odebrecht disse em sua delação que era o próprio Lula que fazia, pessoalmente, os pedidos de doações para o Partido dos Trabalhadores. Depois de acertadas as tratativas, um representante de cada lado se encarregava de negociar os valores. A sede de propina por parte de Lula e dos petista devia estar bem grande e, de certa forma, incomodando o dono da Odebrecht, pois em um momento ele chegou a falar para Lula que o pessoal dele estava com a goela muito aberta, que já estavam passando de Jacaré a crocodilo. Em outras palavras, “estavam indo com muita sede ao pote”.

Não apenas para ao filho Lula pediu ajuda, mas também para o irmão dele, o Frei Chico, como é conhecido. A empreiteira pagava uma mesada para o irmão do ex-presidente. Os pagamentos eram efetuados em dinheiro, e, segundo eles, Lula tinha conhecimento disso.

Onde achava conveniente pedir “ajuda” financeira para a Odebrecht Lula, não se intimidava. Até para o time do coração, o Coríntias, Lula pediu ajuda para a construção de um estádio privado. Na época, o custo da obra era de R$ 300 a R$ 400 milhões. O estádio do Coríntias foi construído.

O senador Aécio Neves também esteve na fila da propina, pedindo dinheiro via caixa dois para ele próprio, e para seus aliados políticos. E esse dinheiro não era pouco. Marcelo Odebrecht revelou que, para o senador, foram repassados R$ 50 milhões. Um dos inquérito no qual Aécio está envolvido apura se ele recebeu propina em troca de apoio para a construção das usinas hidrelétricas de Santo Antonio e Jirau, no Rio Madeira, em Rondônia.

Nem o presidente escapa desse rolo. Um dos delatores, Marcio Faria, ex-vice-presidente da Odebrecht, disse que, em 2010, houve uma reunião, no escritório do então candidato a vice-presidente, Michel Temer. Nessa reunião, foi acertado um pagamento ao partido que ultrapassava os R$ 120 milhões de reais. Segundo o delator, além de Michel Temer, estavam nessa reunião os ex-deputados Henrique Eduardo Alves, e Eduardo Cunha, ambos do PMBD. Além do dinheiro também foi pedido pelo grupo 5% de um contrato de US$ 800 milhões. Um percentual de valor bastante alto se considerado o todo do contrato.

Enfim, as tão esperadas delações vieram e não sobrou pedra no mundo político brasileiro. Quase todas as principais lideranças políticas do Brasil estão implicadas, enroladas no esquema vicioso que levou o país ao caos econômico e político.

Isso nos joga em um vazio de lideranças que é perigoso para nossa democracia. Ano que vem temos eleições para escolher candidatos aos cargos de presidente, governadores, senadores, e deputados federais e estaduais. Em quem votar? A verdade é que os brasileiros estão em um mato sem cachorro. Simplesmente não temos opções. Se havia ainda alguma esperança ela se foi com as dinamites detonadas pelos executivos e ex-executivos da Odebrecht.

E eles ainda tem a coragem de aparecer na TV e se apresentarem como solução para o Brasil. Acreditam nisso? Vamos ver como vai se comportar o eleitor brasileiro nas próximas eleições. O bom seria que renovássemos por completo o nosso quadro político, e que nenhum desses nomes tradicionais de nossa política fossem reeleitos. Se não fosse solução, pelo menos seria uma experiência. E quem disse que em democracia não há experimentos?

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