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Delações premiadas que avançam, e magnatas que retrocedem

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 00:22
Terça-feira, 31 de janeiro

Cármen Lúcia, presidente do STF

Ainda sob o luto pela morte de Teori Zavascki, os assuntos relacionados à Lava Jato estão fazendo jus à memória dele: estão andando rápido. Parabéns a presidente do STF, ministra Cármen Lúcia, pelas decisões ágeis que tem tomado.

Na sexta-feira (27) terminaram as audiências com os 77 executivos e executivos da Odebrecht.  E já nesta segunda, Carmen Lúcia homologou essas delações, validando os depoimentos dos envolvidos, na semana passada.

O pavio da bomba foi aceso pela ministra nesta segunda-feira. Em breve a bomba explodirá, nos trazendo grandes surpresas: más ou boas surpresas, dependendo do ângulo que se observe ela queimar o pavio, e explodir. Uma coisa é certa: tem muita gente nas altas cúpulas morrendo de medo.

As delações bombásticas dos 77 executivos da Odebrecht prometem sacudir o Brasil, e mesmo o assunto ainda estando sob sigilo, algum vazamento de notícia nos deixa entrever que tem peixe graúdo na rede. Dentre eles estão: O atual presidente Michel Temer (PMDB), e vários de seus ministros; o ex-presidente Lula (PT), a ex-presidente Dilma (PT), o senador Aécio Neves (PSDB); Geraldo Alckmin (PSDB), governador de São Paulo; o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB); o ex-governador do Rio, atualmente preso em Bangu, Sérgio Cabral (PMDB); e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB).

Isso só para citar alguns, porque tem muita mais gente enredada nessa teia. Não se incorre em risco de errar ao dizer que o meio político brasileiro está tal qual árvore cheia de fruta podre: balançou, não sobra uma pra contar a história.

Toda a documentação referente às delações homologadas hoje, e que estava em poder da equipe que auxiliava Teori, segue agora para a Procuradoria-Geral da República que, após a análise dos documentos só tem dois caminhos a seguir: acolher a denuncia, ou arquivá-la.

É uma pena que os depoimentos estejam ainda em segredo, uma vez que o assunto interessa a toda sociedade brasileira, que apenas deseja que a verdade venha à tona. Esperamos que o novo relator da Lava Jato, que deverá ser escolhido na próxima semana, venha a determinar a quebra desse sigilo, para que possamos ver claramente os monstros que estavam nos assombrando há tanto tempo, sem que pudéssemos ver-lhes os rostos.

Essa coisa de delação premiada é uma boa para todo mundo: para a justiça que ver mais celeridade no andamento dos processos, e no ajuntamento de provas; para a sociedade que sente mais confiança no judiciário; e para os próprios criminosos que veem no recurso um modo de diminuir suas penas, e ainda ajudar a lei, a qual tanto transgrediram.

À vezes , nós enquanto sociedade brasileira, e enquanto submetidos a pesados encargos, não paramos para pensar em valores, afinal são tantos espalhados pra aqui e pra acolá, nas manchetes de jornais, que nem paramos para refletir neles.

Mas o caro leitor já parou pra pensar na montanha de dinheiro que saiu dos cofres públicos para as campanhas eleitorais? Por acaso já paramos pra pensar em quantas escolas, hospitais, poderiam ser construído com todo esse dinheiro? Já pensou em quanto incentivo ao esporte e à cultura poderiam ser proporcionado por eles?

Ah, caro leitor, leitora, em todos esses anos que esse criminoso esquema funcionou, quantos sonhos nos foram roubados... E eles, cinicamente, em cima de seus trios elétricos nos comícios, e nas campanhas eleitorais, prometendo o mínimo, e nem isso faziam, enquanto o máximo ficava com eles, e com a turma deles...

Prisão de Eike Batista

Diz um antigo provérbio português: “Quem tem telhado de vidro não atira pedra ao vizinho”, até porque, quem tem telhado de vidro, um dia o telhado pode cair em cima da cabeça dele, e lhe ferir de modo mortal.

É o que deve estar sentindo agora, por exemplo, um dos magnatas mais conhecidos do Brasil: Eike Batista, que nesta segunda-feira (30), tirou o terno caro que costumava usar e vestiu a roupa de presidiário comum. Tiraram-lhe o cabelo, acostumado às tesouras dos mais famosos cabeleireiros, e lhe deixaram careca.

Eike foi preso no Aeroporto Internacional Tom Jobim/Galeão, no Rio de Janeiro, quando voltava de Nova York. Ele chegou a ser considerado foragido e procurado pela polícia internacional.

O empresário é suspeito de participar de um milionário esquema de pagamento de propina, junto com o ex-governador do Rio, Sérgio Cabral.

Eike subiu como um foguete em ascensão, e desceu tão rápido quanto um foguete com problemas procura um solo com o qual se chocar. Ele que já chegou a ser considerado pela Forbes como o sétimo homem mais rico do mundo, agora está numa cela comum do Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste. Não pode se dar ao luxo de ir para Bangu 8, onde está preso o companheiro de trapaças dele, Sergio Cabral, pois não tem curso superior, perdendo por esse motivo o benefício de cela especial.

E finalizando esta postagem, outro ditado popular: “Quando a cabeça não pensa, o corpo é quem padece”...

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UERJ, uma universidade em abandono

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 10:05
Domingo, 29 de janeiro

UERJ

Enquanto o dinheiro do Estado, advindo dentre outras fontes, da alta carga tributária, paga pelo contribuinte brasileiro, saem dos cofres estatais, e vão abastecer contas particulares de políticos sem escrúpulos, as áreas vitais para que um país possa se desenvolver apoiado em bases sólidas, como por exemplo, a educação continuam ao abandono, sem receber a devida atenção que merecem.

É o caso, por exemplo, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, uma das maiores universidades públicas do Brasil. Desde o início do ano passado a universidade sente os reflexos da crise econômica que atingiu em cheio o Estado do Rio de Janeiro. Para se ter uma ideia, o início das aulas do segundo semestre de 2016, foram mais uma vez adiadas, e estão previstas para começar no dia 06 de fevereiro. Esse ano já é a terceira vez que o início das aulas na UERJ é adiado.

Para os alunos isso gera uma situação de insegurança, pois quem os garante que as aulas começarão mesmo na data prevista?

Em entrevista ao Jornal Nacional, a sub-reitora de graduação, Tânia Carvalho, afirmou: “Nós temos falta de luz, falta de alimentação, pra, por exemplo, animais de pesquisa. É falta de luzes em laboratórios, falta de torneiras, falta de bicas, uma série de situações de infraestrutura. Impossível a gente funcionar pra além do que está já posto no sentido das precariedades que nos estão sendo impostas”.

E isso estamos falando de umas das maiores universidades brasileiras, mas ainda que estivéssemos falando de uma pequena universidade, em um país que coloca a educação em primeiro lugar, isso seria impensável.

Até mesmo o restaurante da universidade, ponto de parada de alunos, professores, e funcionários para a aquisição dos nutrientes necessários para continuar a correria diária, foi fechado na semana passada pois os fornecedores não receberam pagamento. Imagine então se a universidade estivesse em pleno funcionamento... A empresa que administra o restaurante diz ter uma dívida de R$ 2,5 milhões em atraso com a universidade.

Não é apenas a empresa que administra o restaurante que reclama atraso nos pagamentos, mas também a que corta o mato, e também os alunos bolsistas, quase dez mil deles, e os servidores que ainda não receberam os salários do mês de dezembro, e o décimo terceiro, também engrossam essa lista de reclamações. Enquanto isso, o governo do estado deve à universidade cerca de R$ 360 milhões. E de onde vai tirar esse dinheiro, se o Rio de Janeiro está à beira da falência?

Em um cenário como esse tudo fica prejudicado, inclusive o andamento das pesquisas, e a manutenção dos equipamentos. Na UERJ equipamentos já comprados, ainda estão encaixotados porque falta verba para instalação dos mesmos. Se falta dinheiro para trocar lâmpadas queimadas, imagine para instalar equipamentos novos.

Em tudo isso, é louvável a atitude de muitos professores que lecionam na universidade que, para não ver equipamentos parados, e dar continuidade a pesquisas importantes, acabam tirando dinheiro do próprio bolso, fazendo a tão falada vaquinha para que as coisas caminhem a contento.

O leitor deve ter ficado curioso acerca do fato de as aulas do segundo semestre de 2016 na UERJ começarem apenas este ano. O caso é o seguinte: se a universidade carioca hoje se encontram em estado de abandono, no início do ano passado ela estava entregue as traças e baratas, insetos amantes do lixo, e de locais sem higiene. Essa era a situação da universidade no início do 2016: o lixo se acumulava no pátio do estabelecimento.

Sem repasse de verbas por parte do governo estadual, a situação foi se agravando, o tempo passando, e os alunos e funcionários sendo prejudicados. Sem receber pagamento desde meados de 2015, a empresa que cuidava da tarefa rescindiu o contrato.

A universidade recebeu uma verba de emergência para a realização do serviço de limpeza, mas isso só veio a acontecer em agosto do ano passado. Com todo esse imbróglio um semestre inteiro de aulas foi perdido, e o calendário universitário ficou totalmente descontrolado. A previsão é que essa situação ainda perdure por mais algum tempo... Isso se não houverem mais contratempos e falta de repasses de verbas.

É uma situação vergonhosa, não apenas para o Rio de Janeiro, mas para o Brasil inteiro, afinal, nossas escolas e universidades deveriam ser prioridade número um. Chega até a ser coisa do senso comum dizer que a educação é base de toda uma sociedade que se pretende desenvolvida, mas é preciso dizer isso, para ver se essas coisas entram na cabeça de nossos governantes.

Enquanto a educação no Rio de Janeiro — o Rio de Janeiro é enfatizado aqui por ser cenário da UERJ, mas a situação não é diferente nas demais universidades públicas brasileiras — vai sendo abandonada as traças e as baratas, que por lá fazem a festa, e enquanto o campo de pesquisas, importantes para diversos ramos do conhecimento ficam paradas, o ex-governador do Rio de Janeiro, e hoje presidiário, Sérgio Cabral, se esbaldava em vinhos caríssimos nos sofisticados restaurantes da extravagante Mônaco, presenteando a mulher com anéis de quase um milhão de reais...


... E enquanto, nessas e outras festas, eles riem e debocham do povo brasileiro, milhões sonhos de sonhos de uma educação justa e igualitária eram jogados em sacos de lixos nos pátios de nossas universidades...

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Eike Batista: Da glória à ruína

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 00:01
Sexta-feira, 27 de janeiro 

Eike Batista
Antes de chegar ao Brasil e seu cortejo de gente corrupta nos altos escalões empresariais e governamentais, o Cottidianos lança ainda um olhar sobre a América de Donald Trump.

Ah, muros, muros! Em qualquer lugar, e em qualquer circunstância serão sempre sinal de divisão, e usando as palavras do livro sagrado dos cristãos, proferidas pelo mestre, Jesus de Nazaré, um reino dividido não pode permanecer de pé.

Tomemos como exemplo o maior símbolo de divisão do mundo, da qual se tem notícia, que foi a construção do Muro de Berlim, em 1961, e que dividiu a Alemanha em duas: Alemanha Oriental e Alemanha Ocidental. Escondido atrás de ideologias havia a intenção de impedir que os da Alemanha Ocidental fugissem para a Alemanha Oriental.

A experiência não se mostrou favorável e, em 1980, o muro veio ao chão, Foi de grande simbolismo, ver os alemães, de marreta em punho, derrubarem o detestável muro. Como sabemos, um muro não separa apenas fronteiras físicas, eles também separam vidas, sonhos, esperanças.

Simbolicamente — e os leitores entenderão o sentido dessa palavra no contexto dessa postagem algumas palavras mais à frente — Donald Trump quer construir um muro na fronteira que separa México e Estados Unidos. Ele assinou nesta terça-feira (25), um decreto que autoriza a construção do tal muro. Aliás, isso era uma promessa de campanha, uma esdrúxula promessa, na qual poucos acreditavam, e que está em vias de ser concretizada. O objetivo é barrar o controle migratório. Ainda não é claro de onde virá o dinheiro que financiará a construção da edificação. Trump quer que o México pague o pato, digo, o muro.

O presidente Mexicano, Enrique Peña Nieto, diz que o México não vai pagar coisa alguma. Em contrapartida, o presidente americano diz que o México vai pagar de um jeito ou de outro.

O fato é que o incidente já começou a causar rachaduras entre um parceiro comercial importante para os Estados Unidos. Na próxima terça-feira haveria uma reunião entre os presidentes dos dois países. Eu disso haveria, pois Peña Nieto, disse que não vai aparecer nessa reunião, de jeito nenhum.

Ah, o simbolicamente, usado três parágrafos acima, é pelo fato de que Trump pode não estar construindo apenas um muro entre os Estados Unidos e o México, mas o significado disso pode ser bem maior. No caso, ele pode até estar construindo muros entre os Estados Unidos e o mundo, com as medidas protecionistas que vem adotando no seu início de governo, e, com isso, pode estar perdendo importantes parceiros comerciais.

Só o tempo dirá se, ao final, os americanos aplaudirão Trump, ou se pegarão, a exemplo dos alemães, marretas para destruir o muro, ou os muros erguidos no governo Trump.

Chegando ao Brasil, os figurões continuam a passar de heróis a bandidos que chafurdam num mar de lama.

Nesta quinta-feira (26), a Polícia Federal deflagrou mais uma operação, chamada de Operação Eficiência, que por sua vez, é a segunda fase da Operação Calicute, que por sua vez, é um desdobramento da Lava Jato. Dessa vez, o alvo era Eike Batista, que já foi considerado um dos homens mais ricos do mundo.

Às seis da manhã, os policiais já estavam na casa de Eike, Zona Sul do Rio, em busca de documentos. Podem ter encontrado documentos, mas não o empresário, que foi declarado foragido e agora é procurado pela polícia internacional.

Além de Eike, os policias cumpriam seis mandados de prisão preventiva, quatro conduções coercitivas, e 22 buscas e apreensões. Os envolvidos no caso são acusados dos crimes de organização criminosa, e corrupção ativa e passiva.

Segundo a PF, Eike teria pagado propina ao ex-governador do Rio, Sérgio Cabral, em troca de obter facilidades no contrato em obras públicas, quando Cabral era governador do Rio.  Os investigadores afirmar ter indícios de que Eike tenha pagado R$ 52 milhões a Sérgio Cabral. Como justificativa foi usado um contrato de compra e venda de uma mina de ouro que só existiu mesmo no papel.

Segundo o Ministério Público, o empresário teria repassado R$ 1 milhão ao escritório de advocacia de Adriana Ancelmo, mulher de Sérgio Cabral.

Eike que já foi famoso por ser o esposo da modelo e atriz, Luma de Oliveira, deixou de pegar carona na imagem da mulher e se tornou um dos homens mais ricos do mundo, segundo a revista Forbes. Eike viu seu império começar a virar pó com o insucesso da petroleira OGX. Isso acabou afetando todas as empresas do grupo, causando, desse modo, um efeito dominó.

Os braços dos negócios de Eike estavam em vários ramos, mas ele começou a enriquecer no ramo da mineração, e alcançou a auge com as empresas do ramo petroleiro.

A OGX estreou na bolsa de valores em junho de 2008. Na ocasião a empresa causou grande sensação no mercado brasileiro. Na ocasião, ela realizou uma oferta sensacional de oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês). Aproveitando-se da esperança de empresários ávidos por grandes lucros no mercado de óleo e gás, a empresa, ainda em fase pré-operacional, conseguiu captar 6,7 milhões de reais superando, inclusive a Bovespa Holding. Com essa quantia a OGX conseguiu captar a maior oferta pública inicial da bolsa de valores do Brasil.

Passaram-se alguns meses após essa transação e o preço das ações foi derrubado por uma crise grave crise internacional. Depois disso, as ações continuaram oscilando. A promessa de ouro negro não foi concretizada e, cinco anos depois, a empresa deu um calote nos credores no valor de R$ 45 milhões.

Depois disso, o rei começou a descer do trono, e suas empresas começaram a perder o brilho do ouro.

Depois de uma briga judicial, o empresário teve seus bens bloqueados pela justiça para que fosse garantido o direito dos investidores serem ressarcidos do prejuízo.

Os operadores da Lava Jato buscam dados que comprovem que Eike pagou propina à Petrobras em troca de vencer uma concorrência. Segundo a Polícia Federal, Eike pode ter ocultado mais de R$ 340 milhões em paraísos fiscais. O Ministério Público já conseguiu repatriar grande parte dessa fortuna e colocou à disposição da Justiça Federal.

Uma boa notícia é a de que os juízes que auxiliavam Teori nas delações premiadas da Odebrecht, já ouviram quase todos os executivos e ex-executivos da empresa. Nesse ritmo, é possível que as audiências terminem ainda nesta sexta-feira, colocando um ponto final na última fase antes das homologações dos acordos. Marcelo Odebrecht deverá ser ouvido nesta sexta-feira.

Essa semana, em conversa com a presidente do STF, Cármen Lúcia, Rodrigo Janot, Procurador-Geral da República pediu urgência no caso, no que foi atendido pela presidente do STF, e as audiências avançaram. Apesar disso, ainda não há um novo relator para a Lava Jato, mas é possível que, na semana que vem, já se tenha uma definição sobre esse assunto.



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A era do espetáculo

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 00:36
Terça-feira, 24 de janeiro


São diversos os relatos de fenômenos paranormais que descrevem as experiências de quase morte. Em geral, acontecem com pessoas que passam por delicadas cirurgias, e ficam, como se diz no ditado popular, “à beira da morte”. Há relatos de que o coração do paciente parou de bater, e os médicos atestaram clinicamente a sua morte.

Em muitos casos, o paciente ficou nesse estado durante alguns minutos. De repente, sem que a medicina tradicional encontre explicações para isso, o coração do paciente retoma suas funções normais.

Também segundo esses relatos, o paciente, mesmo estando inconsciente, consegue relatar detalhes do que aconteceu na sala de cirurgia. É como se, por alguns minutos, ele saísse do corpo, e passasse a ter uma visão geral do todo, coisa que não teria, mesmo se estivesse totalmente consciente.

Alguns pacientes relatam coisas ainda mais impressionantes, mas paremos por aqui, pois as experiências que quase morte não são, propriamente, o objeto dessa postagem.

Entretanto, algo dessas experiências, podemos trazer para nossa vida prática. Em muitos momentos de nossa vida, é preciso distanciar-se da realidade para podermos ter a visão do todo, e não apenas dos detalhes. Quando temos essa capacidade de enxergar o macro, em detrimento do micro, a realidade se apresenta a nós muito mais ampla, e fácil de ser entendida.

Por exemplo, se nos distanciarmos da realidade do momento político norte-americano e, a partir desse distanciamento, olharmos as peças que se movimentam no tabuleiro com mais perspicácia, o que veremos?

Olhando de longe, o que se vê, é uma criança brincando de ser presidente. O Sr. Donald Trump durante sua campanha já se divertiu zombando de jornalistas portadores de deficiência, também já se divertiu provocando terror nos imigrantes, ameaçando deportar milhares deles, já se divertiu irritando as feministas, e por aí vai. Recentemente, menosprezou uma manifestação da qual participaram centenas de milhares de pessoas.

O problema não é Donald Trump brincar de ser criança. Isso ele deve ter feito a vida inteira. O grande problema que preocupa a todos é que Trump é uma criança com uma caneta poderosa na mão. Uma caneta que pode virar, não apenas os Estados Unidos, mas o mundo pelo avesso.

E quem esperava um Trump diferente depois de eleito, não se engane, pois ele é aquele mesmo da corrida à Casa Branca. Ele não estava usando máscaras, ou fazendo tipo, como muitos pensavam. Sem querer usar trocadilhos, mas já usando, ele era ele mesmo.

Nesta segunda (23), já baixou a caneta assinando um decreto que tira os Estados Unidos da Parceria Transpacífico, tirando de pauta, desse modo, uma estratégia comercial defendida por Obama. A decisão de Trump, praticamente põe fim ao maior acordo comercial do mundo, assinado em 2015, pelos Estados Unidos e mais onze países.

Trump diz que isso será bom para os trabalhadores americanos. Fica a questão: em meio a uma economia cada vez mais globalizada, será prudente fechar as portas da nação com adoção de medidas protecionistas? Isso pode ser uma faca de dois gumes. Ainda é cedo para dizer de que lado ela vai cortar.

Que pode se dar bem com a saída dos Estados Unidos dessa parceria é a China, que pode aumentar sua influência na Ásia, apresentando outra parceria, a Parceria Regional Ampla. Essa parceria envolve a China e mais outros quinze países, e excluí dela os Estados Unidos.

Como diz a letra de um samba do mestre Noel Rosa, chamado, Quando o Samba Acabou: “e como em toda façanha, sempre um perde e outro ganha, um dos dois parou de versejar”. Pode ser que algum dos lados pare de versejar. O sábio tempo nos dirá quem, se a Parceria Regional Ampla for, realmente, efetivada.

Abaixo este blog compartilha artigo do jornalista peruano, dramaturgo, ensaísta, e crítico literário, Mario Vargas Llosa, publicado no jornal El País Brasil, no último domingo, 22 de janeiro.

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As séries

Somente em uma série televisiva se concebe que tenha ganhado as eleições presidenciais um senhor como Donald Trump

MARIO VARGAS LLOSA

A televisão finalmente encontrou um produto original e divertido do qual está tirando excelente proveito: as séries. Elas existem há muito tempo no cinema, pois me recordo de que, em minha longínqua infância cochabambina (na Bolívia), todos os domingos, com meu amigo Mario Zapata, o filho do fotógrafo da cidade, depois da missa na La Salle íamos ao cine Achá para ver os três episódios do filme em série da vez – costumavam ter doze–, aventureira e tranquilizante, porque nela os bons ganhavam sempre dos maus. Mas depois o cinema as esqueceu, e agora a televisão as ressuscitou com sucesso.

São geralmente muito bem feitas, com grande estardalhaço na mídia, e mantêm a continuidade, apesar de os roteiristas e diretores mudarem de um capítulo para outro e as histórias se alongarem ou encurtarem conforme o interesse que despertem nos telespectadores. Costumam ser entretenimento puro, sem maiores pretensões, com algumas exceções, como The Wire, fascinante exploração dos guetos e bairros marginais de Baltimore em que, acreditem ou não, quase todos os atores negros que tão bem pronunciam entredentes a gíria local... são ingleses!, e Borgen, sobre as intrigas e dilemas políticos desse civilizado país que é a Dinamarca. Mas talvez a diferença mais significativa entre as séries que distraem milhões de telespectadores e as que eu via no cine Achá é que nas de agora invariavelmente os maus vencem os bons. Nelas, se alguém comete a impertinência de compará-las com o mundo real, ocorrem coisas disparatadas, absurdas, loucas. Mas isso nada importa, porque uma ficção, seja nos livros, no palco ou em uma tela, se estiver bem contada, é crível, quer coincida ou destoe da vida que conhecemos através da experiência.

Algo a admirar nas séries norte-americanas, além da qualidade técnica e da formidável variedade de cenários e figurantes de que costumam dispor, é a liberdade com que utilizam fatos e personagens da história recente, geralmente desnaturalizando-os, e a ferocidade com que, frequentemente, manipulam e distorcem as instituições e autoridades para conseguir maiores efeitos na narrativa e surpreender e envolver mais o seu público. House of Cards, por exemplo, uma das melhores, descreve a irresistível ascensão no labirinto do poder norte-americano de um casal de políticos inescrupulosos, cínicos e delituosos que, deixando ao longo de suas peripécias todo tipo de vítimas inocentes, incluindo algum assassinato, chegam nada menos que à Casa Branca com toda a legalidade. A série é muito divertida, os atores são excelentes, e a moral da história que fica se remoendo na memória do telespectador é que a política é uma atividade desprezível e criminosa, na qual só triunfam os canalhas, e na qual as pessoas decentes e idealistas são sempre esmagadas.

Não menos negativa é a visão da realidade política estadunidense e internacional na magnífica Homeland, cuja sexta temporada acaba de começar e que eu sigo com a avidez com que seguia, quando jovem, as sagas de Alexandre Dumas. Aqui não é a presidência dos Estados Unidos que está contaminada, mas nada menos que todas as agências de inteligência, a começar pela celebérrima CIA, cuja direção é facilmente infiltrada por agentes russos ou jihadistas ou a mando de imbecis aos quais qualquer inimigo faz de bobo ou corrompe, sem que os heroicos Carrie Mathison – um personagem psicopatológico que parece criado para o divã do doutor Freud –, Peter Quinn e Saul Berenson possam fazer nada para salvar o país e o mundo livre de sua inevitável derrota ante as forças do mal.

As séries são uma continuação direta das radionovelas e telenovelas e, sobretudo, dos romances seriados do século XIX – os famosos folhetins –, que, a princípio na França e Inglaterra, mas depois em toda a Europa, os jornais publicavam semanalmente, e nos quais incorreram alguns grandes escritores como Dickens, Balzac e Dumas. Têm como denominador comum a agilidade, a efervescência da narrativa, a indisfarçável vontade de fazer os leitores ou espectadores se divertirem e nada mais, a falta de ambição intelectual ou estética e a simplicidade elementar da estrutura. E, também, a inverossimilhança. Nelas tudo pode acontecer, porque seus autores e seu público fizeram de cara um pacto claríssimo: acreditar que se trata de ficção, invenções divertidas que não têm nada a ver com a realidade.

Isso é mesmo verdade? Se esmiuçarmos com atenção o ano que acaba de terminar, no aspecto fundamentalmente político essa verdade se parece muito com uma mentira. Porque somente em uma série televisiva se concebe que tenha ganhado as eleições presidenciais um senhor como Donald Trump, que, sem que sua voz trema, diz que os mexicanos que emigram para os Estados Unidos são “ladrões, estupradores e assassinos”, que o Brexit é um exemplo que outros países europeus deveriam seguir, que menospreza a OTAN tanto como à União Europeia e que admira Vladimir Putin por sua energia e liderança. As façanhas do ex-agente da KGB na Alemanha Oriental, agora no comando da Rússia, não têm por acaso algo das proezas terríveis e inauditas desses vilões das séries? Desde que subiu ao poder, engoliu parte da Ucrânia, mantém os enclaves coloniais da Abkházia e da Ossétia do Sul na Geórgia, ameaça invadir os países bálticos e, graças à sua intervenção armada na Síria, tem agora uma influência e protagonismo de primeira ordem no Oriente Médio.

Diferentemente do que ocorria durante a URSS, os jornalistas e opositores incômodos não vão para o Gulag, só morrem envenenados, em ataques a tiros ou espancamento nas ruas por misteriosos delinquentes que depois desaparecem como que num passe de mágica. Na Turquia, uma suposta tentativa de golpe de Estado deu margem à repressão mais selvagem e ao retorno do obscurantismo religioso e o despotismo que se acreditava ser coisa do passado. E a Venezuela, potencialmente um dos países mais ricos da Terra, no ano de 2016 chegou, na frenética corrida para a desintegração para a qual é conduzida pelo bando de demagogos e ineptos que a governam, a uma espécie de apoteose da crise terminal na qual o “socialismo do século XXI” a mergulhou. Será esse o destino da França se, como insinuam as pesquisas, a senhora Marine Le Pen, admiradora sem disfarces de Trump e de Putin, ganhar as próximas eleições presidenciais?

Ou seja, depois de tudo, bem se diria que o melhor espelho das coisas horripilantes que se sucedem ao nosso redor neste despontar do ano 2017 não está na grande literatura nem nos filmes realmente criativos, mas nessas séries que, como os “personagens transitáveis”, assim chamados por Flaubert, são meras pontes que cruzamos e esquecemos no mesmo instante durante esses passeios que damos para desanuviar a cabeça depois de muitas horas de trabalho.

Então, já que as coisas andam deste jeito sinistro, vamos nos distrair vendo séries na tela da TV, neste mundo surpreendente que, depois da extinção do comunismo, alguns ingênuos acreditávamos que havia empreendido um caminho resoluto para a liberdade e a prosperidade em vez de se transformar em nada mais, nada menos, do que um reality show.


Madri, janeiro de 2017

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Operação Lava Jato: à procura de um relator

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 14:58
Domingo, 22 de janeiro
Um dia desses
Num desses encontros casuais
Talvez a gente se encontre
Talvez a gente encontre explicação
(Pra Ser Sincero - Humberto Gessinger)

Supremo Tribunal Federal

Ò morte, tu que és representada por uma figura vestida de preta, de facão em punho, e também és tida como impiedosa, por que fostes tão irônica conosco, brasileiros, e brasileiras, que temos, nas mais altas cúpulas do poder e da justiça, tão poucas pessoas comprometidas com os ideias da verdade e da justiça? 

Tua função não é outra senão guiar os seres humanos, ajudá-los a atravessar a fronteira da vida material, e encaminhá-los à vida eterna. E a vida eterna é o campo do desconhecido, do misterioso. É a realidade para a qual todos nós fomos feitos, e o mundo ao qual todos nós estamos destinados: uns pela manhã, outros ao meio-dia, outros à noite, e outros ainda nos intervalos de tempo dessa marcação puramente humana, chamada de tempo.

Os humanos temem ti, dizem que cumpres papel de carrasco, mas tu apenas, na cadeia da vida, cumpres o teu papel.

Mas, precisavas levar o ministro Teori, logo agora? Precisavas, tu, guiá-lo ao mundo espiritual logo nesse momento tão importante para o Brasil, ele que vinha cumprindo um papel tão bonito, justo e firme, para desvendar essa quadrilha de bandidos de colarinho branco que tomo de assalto o nosso país, e o transformou em pedaços?

Ainda em luto, perplexos, e chorosos, buscamos respostas para o que aconteceu. Acidente? Assassinato?

A verdade é que não temos base para afirmar nada com certeza, pois os fatos estão, por enquanto, mais no campo das teorias, do que no das informações práticas e técnicas.
E isso deixa a todos nós, conscientemente, ou inconscientemente, aberta, ou veladamente, no campo das teorias da conspiração. Isso é inevitável.

E agora, o que acontecerá com o trem que traça um percurso veloz, eficiente, e discreto — às vezes, outras, nem tanto — pelos trilhos de nosso país, e que agora se vê parado, momentaneamente, por ter faltado um de seus comandantes?

O bicho papão que amedronta políticos e empresários, e que deixa a todo o país em expectativa, que são as delações premiadas dos executivos da Odebrecht já iriam começar essa semana, com as audiências dos depoentes, nas quais eles iriam informar se assinaram os acordos de livre e espontânea vontade, ou não, e se assinaram na presença de advogado.

E agora o judiciário está acometido por aquela moleza que dá, não no corpo, mas na alma, após a tragédia de uma morte inesperada. Não se sabe ao certo que caminhos tomar.

E é justamente aí que mora o perigo, pois há caminhos que garantirão a continuidade da celeridade do processo, outros, ao contrário, podem atrasá-lo em meses. Se o destino da Lava Jato é momentaneamente incerto de um lado, de outro, há um país inteiro que busca respostas, e cobra soluções e punição para aqueles que jogaram o Brasil no lamaçal em que ele se encontra.

De acordo com o regimento interno do Supremo, há dois caminhos possíveis. Um deles passaria pelas mãos do presidente, Michel Temer.

O artigo 38, diz que em caso de aposentadoria, renúncia, ou morte, os processos que estavam nas mãos daquele que vagou o cargo seriam herdados pelo ministro que for nomeado para o lugar que ficou vago. E quem faz a escolha dos ministros do Supremo é o presidente da República. No caso em questão, o novo relator da Lava Jato seria escolhido por Michel Temer. Esse é um caminho de não celeridade, pois a Constituição não estipula um prazo para a nomeação de ministros, e o nome ainda precisa ser aprovado pelo Senado e o indicado submetido a uma sabatina por parte dos senadores, uma vez que o Congresso Nacional se encontrar em recesso parlamentar, isso só aconteceria no mês que vem. Outro fato é que, com o “enorme” interesse que tem a classe política pelo desfecho da Lava Jato, eles poderiam atravancar ainda mais o processo de escolha, fazendo andar ainda mais devagar o temido trem Lava Jato. 

O artigo 88, do mesmo Regimento Interno do Supremo, aponta um caminho mais curto para que a relatoria da Lava Jato não fique à esmo por tanto tempo. Esse artigo aplica-se aos casos que exigem urgência e necessidade premente. De acordo com o referido artigo casos como os habeas corpus, reclamação, extradições e outros que exigem urgência devido a casos de prescrição de pena, poderão ser distribuídos a outros ministros pelo presidente da Corte, quando houver ausência do cargo por mais de 30 dias.

Isso para o caso de se arranjar um relator para a maior operação policial que investiga um gigantesco caso de corrupção. Pois, para nomear um novo ministro para o Supremo no lugar de Teori, ainda vai levar algum tempo, pois, dependerá de nomeação de Michel Temer, e consequente aprovação pelo Senado.

Corre rumores de a ministra do  Supremo, Cármen Lúcia, chame para a responsabilidade da homologação das delações dos executivos e ex-executivos da Odebrecht.

O Supremo Tribunal Federal está em férias, devendo retornar suas atividades normais em 1o de fevereiro. Se a presidente do STF quiser realmente fazer o que dizem que fará, terá de tomar essa decisão com urgência, baseando-se na gravidade e urgência exigidas pelo momento, uma vez que o Regimento Interno do Supremo diz que a presidência do Supremo pode decidir questões urgentes em períodos de férias ou recessos.

Há ainda a possibilidade de a presidente do Supremo escolher o novo relator da Lava Jato por sorteio entre os atuais ministros. Isso seria muito bom para todo mundo, inclusive para Temer, que se livraria de escolher um ministro para o Supremo dentro de uma panela de pressão, em outras palavras, Temer ficaria mais à vontade para escolher o novo integrante do STF. De qualquer modo, Cármen Lúcia se reunirá essa semana com os demais ministros para ver como ficam essas questões.

Par a par com essas questões burocráticas, seguem as indagações sobre o que, de fato, teria acontecido com o avião que vitimou o ministro Teori Zavascki, deixando a Lava Jato, órfã de um seus pais.

Uns dizem que foi o mal tempo, aliado as péssimas condições do aeroporto de Paraty, a causa do acidente.

Para os adeptos da teoria da conspiração  — diga-se de passagem, a maioria — isso foi mais uma tentativa de deter a Lava Jato.


Este blog não vai aprofundar essa questão, pois tudo ainda não passam de especulações. Se foi uma fatalidade as coisas se esclarecerão em breve. Se não foi, se foi um crime, pode ter sido um crime perfeito, e como diz a letra de uma canção dos Engenheiros do Havaí: “crimes perfeitos não deixam suspeitos”.

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Teori Zavascki: A morte de um guardião

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 23:19
Quinta-feira, 19 de janeiro


 Começar a escrever um texto é quase sempre muito fácil. Mas hoje as palavras não estão querendo sair de seus esconderijos. Talvez seja porque a notícia de hoje nenhum veículo de comunicação gostaria de dar, inclusive, este blog.

Esses reveses do destino! Ás vezes são muito cruéis. Nos pregam peças desagradáveis. Por que as forças do destino agem assim conosco, aproveitando-se de nossa fragilidade? Essas tais forças não respeitam ninguém. Do mais alto na escada do sucesso profissional e pessoal, ao mais simples e de menor brilho em sua carreira profissional, elas agem do mesmo modo: impiedosas.

Dessa vez, brincaram não apenas com seres humanos, mas com um país inteiro.

Na tarde chuvosa desta quinta-feira (19), o destino resolveu brincar com o avião bimotor que transportava o ministro do Supremo Tribunal Federal, Teori Zavascki, Na aeronave estavam ainda mais quatro pessoas além de Teori. A queda foi fatal, e não houve sobreviventes.

Era uma e meia da tarde quando a aeronave levantou voo do Campo de Marte, em São Paulo, com direção à Paraty, sul do estado do Rio de Janeiro. Em Paraty, chovia moderadamente, e não havia registro de fortes ventos na região. Mesmo assim, a visibilidade para um piloto que busca pouso, não era das melhores. O bimotor fez quase que 100% de percurso. 199 quilômetros separam o aeroporto de saída e o de destino. Faltavam apenas dois quilômetros para que a viagem fosse concluída com êxito. Porém, a dois quilômetros da cabeceira da pista, no aeroporto de Paraty, o avião caiu no mar, próximo à Ilha Rasa.

Segundo relatos do dono de uma pousada, que tentou ajudou no resgate, quando ele chegou no local, já estavam ali Marinha e Bombeiros fazendo os procedimentos de praxe em casos de acidentes. O dono da pousada caiu na água junto com um de seus funcionários que também fora ajudar no resgate. Na parte de trás do avião, ainda havia uma mulher com vida. Ela batia na janela e gritava muito. O dono da pousada, e o funcionário, tentaram quebrar o vidro do avião, mas não conseguiram. Fizeram então um buraco na fuselagem, mas quando conseguiram introduzir a mangueira de oxigênio dentro da aeronave, a mulher já estava sem vida.

A aeronave, um Hawker Beechcraft, modelo C90GT, prefixo PR-SOM, com capacidade para sete pessoas, é do tipo de avião dos mais modernos que existem, preparado para fazer pousos de emergência em qualquer aeroporto do mundo. Era novo. Fabricado em 2007, tinha 1.073 horas de voo.

Teori Zavascki era o dedicado relator da Lava Jato, e há apenas um dia, as manchetes de jornais anunciavam que ele havia interrompido as férias para analisar as delações premiadas dos 77 executivos da Odebrecht. Havendo, inclusive, determinado o início das audiências com os depoentes, que já começariam na semana que vem. Essa primeira fase, é um audiência apenas para que os depoentes informem ao STF, se foram ou não coagidos a firmar o acordo de delação premiada com o Ministério Público.

As delações da Odebrecht são como uma rede jogada no mar para pegar peixe grande. Nelas estão citados os nomes do ex-presidente, Luís Inácio Lula da Silva, da ex-presidente Dilma Rousseff, do atual presidente, Michel Temer, do presidente do Senado Renan Calheiros, do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, além de muitos ministros e parlamentares.

O ministro havia sido escolhido por sorteio para a relatoria da Lava Jato, em março de 2015. Dentre as atividades de Teori como relator da Lava Jato, estavam a análise dos pedidos de habeas corpus feitos pelos advogados dos presos na operação, e autorizar a prisão de autoridades que tem foro privilegiado, e homologar os acordos de delação premiada. Os recursos que chegavam ao tribunal contra as decisões do juiz Sérgio Moro, era ele quem analisava.

No mês que vem, ele começaria a homologar as delações dos executivos da Odebrecht.

A elite do Poder Judiciário brasileiro lamentou a morte do ministro — bem como esse é o lamento de todos os brasileiros, que acompanham com interesse, e indignação, o desenrolar da Operação Lava Jato: o maior escândalo de corrupção já visto no mundo — e pedem uma investigação rápida e eficaz sobre as causas do acidente.

É o que queremos todos nós, brasileiros, e brasileiras, que as causas do acidente que vitimaram o ministro Teori Zavascki sejam esclarecidas, pois as circunstâncias do acidente que resultou na morte dele, e de mais quatro pessoas, estão ainda tão nebulosas, quanto nebuloso é o lamaçal da corrupção que assola este país.

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