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Um campeão dentro e fora das quadras

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 00:16
Terça-feira, 30 de setembro

Entrevista Gilmar Nascimento Teixeira (Kid)

Uma das coisas que aprendi é que tenho que ser uma pessoa muito regrada, sempre”.


Como ser atleta, onde os valores humanos ficam de lado, no capitalismo que gera as modalidades? Essa interessante pergunta, foi feita pelo mediador do debate, o professor Daniel Rebello, ainda durante a conversa com Gilmar Nascimento Teixeira (Kid) e André Heller. Achei uma questão interessantíssima, uma vez que um astro de qualquer esporte, antes de ser um atleta de qualidade superior, é antes de tudo, homem, e como tal, possui seus desejos, suas necessidades, suas qualidades e defeitos. Fiquei esperando para ver como essa questão seria respondida. Kid pegou o microfone e falou:

É complicado, porque o que você vê hoje em dia são resultados. Todo mundo quer resultados. Ninguém quer saber se você está com problemas em casa. Tudo gira me torno de resultados. Tudo gira em torno de dinheiro. Então, hoje em dia, aquela paixão de só jogar, amor pela camisa, como era antigamente. Ele (o atleta) beijava a camisa do time porque sabia que o clube o ajudava, que o clube ia dar formação para ele. Hoje em dia eu vejo que não tem mais isso”.

Durante o debate, Kid fez um apelo aos juristas da área para que olhassem também pelos direitos das crianças e dos adolescentes. Pois, geralmente, se dá prioridade aos atletas de alta performance, e se esquece do que está acontecendo nas categorias de base. Se houvesse um trabalho mais incisivo nessas categorias, o resultado seria outro. Retomando um ponto sobre o qual André já havia falado, Kid questionou a especialização precoce de crianças, o fato de se cobrar exageradamente resultados dos pequenos que estão sendo iniciados no esporte, exigindo um potencial que, muitas vezes, a criança ainda não está em condições de oferecer. Com essa atitude, o discurso do esporte-socialização, esporte-inclusão, fica apenas no discurso.

O atleta desempenhou suas atividades com glórias e louvores dentro do esporte, porém, chegou a hora de parar. Os clubes tem alguma coisa a oferecer aos atletas que tanto fizeram por eles?

Segundo os dois ex-jogadores da Seleção Brasileira, não há uma preocupação dos clubes brasileiros em relação a essa questão, à exceção do futebol. Nessa modalidade esportiva, há uma previdência, uma aposentadoria, logo após o atleta encerrar a carreira, nas outras modalidades não há algo parecido. O atleta, antes de acabar a carreira, tem que se preparar, tem que se especializar. Tem que ter a consciência de que, mais cedo ou mais tarde, a carreira vai chegar ao fim e, se ele não buscar outras atividades, outras fontes de renda, certamente ficará em situação difícil.

Kid, assim como o André, foi um dos atletas que tiveram essa consciência. Encerrou a carreira em 2010, mas quatro anos antes, sabendo que a jornada como jogador de Vôlei já estava chegando ao fim, preparou-se para isso. Começou a estudar, abriu uma empresa que agenciava jogadores. Atualmente, está bem próximo de concluir o curso de Direito, em Balneário Camboriú, no belo litoral catarinense. Ele tem muitos exemplos contrários ao seu. Vários atletas que jogaram com ele, não se prepararam para o pós-carreira, e hoje vivem em situação difícil.

Kid não veio à Campinas apenas proferir uma palestra e transmitir seus conhecimentos na área desportiva, veio também buscar conhecimento. No segundo e terceiro dias do evento, podia-se vê-lo na platéia, ouvindo, atentamente o que estava sendo discutido. Ele sabia que estava diante de gente repleta da moeda do saber, tanto a nível nacional quanto internacional... E aproveitou. Alias, enquanto observava as pessoas na plateia pensei justamente nessa questão. Tanta gente ali reunida em busca de conhecimento. Era como se o palco daquele teatro fosse uma fonte de água boa e pura, da qual, peregrinos sedentos se aproximam e saciam sua sede.

Aproveitei o intervalo de um dos painéis de discussão e conversei com Kid, no fim da tarde do dia seguinte ao que ele tinha proferido a palestra, juntamente com o André Heller. Os dois falaram sobre o tema: “Da Prática Esportiva à Gestão: Novos Rumos Pós Carreira Profissional.”  


No salão, próximo a entrada do auditório, havia muitas pessoas. Tal como na noite anterior, muita gente se aproximava, querendo falar com o Kid, tirar uma foto junto com ele. Fiquei reparando na gentileza e humildade com que ele recebia a todos, certamente, também uma herança do mundo do esporte, quando ele tinha que ser cordial com as milhares de pessoas que o procuravam, ás vezes, buscando apenas um sorriso, uma foto.
Fiquei por ali por perto, quando já era anunciado o retorno das atividades dentro do auditório, aproximei-me dele e perguntei:

— Kid, pode me conceder uma entrevista?

— Claro, respondeu ele, atenciosamente.

Tranquilo, sorridente e com a atitude de um homem que se encontrou na vida, Kid falou da carreira, do por que da escolha pelo Direito, e de quais aspectos positivos trouxe do Vôlei para a área jurídica. Revela também do onde vem o apelido “Kid”, que muita gente acha que vem do inglês, Kid (garoto). Na verdade,  o apelido tem uma origem bastante pitoresca e engraçada.


José FlávioVocê se dedicou 28 anos ao Vôlei?

Kid — Isso. Joguei 28 anos de Voleibol, sendo que desses 28 anos, 10 foram pela Seleção Brasileira.

José Flávio —  Aí você encerrou a carreira...

Kid — É depois desses vinte e oito anos, eu resolvi encerrar minha carreira porque tanto psicologicamente, quanto fisicamente eu estava bastante desgastado. Foram 28 anos maravilhosos dentro do Voleibol, dentro do esporte. Não me arrependo de nada do que fiz. Ganhei. Perdi. Chorei. Sorri. Fui campeão. Fui vice. Só não fui o último. Em nenhum campeonato eu fui o último. Muitas vezes não cheguei a ser campeão, mas foi uma passagem muito brilhante na minha vida, esses vinte e oito anos de Voleibol e, como eu falei, no debate que nós tivemos, na noite de ontem, quatro anos antes de me aposentar, eu já me preparei para essa aposentadoria, que, na verdade, não é uma aposentadoria, é um encerramento de um trabalho, porque todo mundo sabe que fora o futebol, as outras modalidades não tem um respaldo para cuidar desses jogadores que encerram a sua carreira. Então, quatro anos antes eu procurei estudar — no próximo ano eu já estou me formando. Muitas vezes eu tive que parar de estudar, por isso que o tempo se alongou tanto. Tive que para de estudar, justamente, por causa do Voleibol, que é um esporte de alto rendimento, e muitas vezes não tinha condição de ficar indo e voltando da faculdade para comparecer às aulas.

José FlávioPor que você escolheu o Direito?

Kid — Eu escolhi o direito, justamente, uma porque eu já tenho o CREF (Conselho Regional de Educação Física), provisionado, porque na época que tinha as leis que ditavam como seria o CREF provisionado, eu já tinha todos os pré-requisitos. Tinha jogado alguns anos na Seleção. Tinha tido escolinhas de Voleibol, que eram alguns dos pré-requisitos pra esse CREF, então, não tinha nenhuma intenção de ser técnico. Não tenho esse cacoete, não tenho esse perfil e eu gostava e gosto muito de ler. Então, minha esposa, Andreia Teixeira que também é jogadora, me orientou a seguir essa carreira do Direito. Eu procurei me informar, procurei ler um pouco a respeito e gostei. Desde o primeiro semestre me apaixonei, e não quero parar tão cedo.

José FlávioEm qual Faculdade você cursa Direito?

Kid — Eu estudo na Faculdade Avantis, em Balneário Camboriú, Santa Catarina.

José FlávioA que você atribui a falta de políticas que orientem, auxiliem os profissionais do esporte quando chega o momento de encerrar a carreira?

Kid — Porque as pessoas que fizeram as leis desportivas pensaram somente no futebol. Porque, justamente, o futebol era a paixão nacional, e é ainda hoje uma paixão nacional, mas eles se focaram somente em uma modalidade que seria o futebol e logo depois, nós tivemos o Voleibol, o Basquete e outras modalidades olímpicas que se destacaram e tem, tanto quanto, ou mais títulos que o futebol.

José FlávioEm sua passagem pelo esporte, você certamente adquiriu muitos valores próprios dessa atividade. Quais desses valores você está trazendo do esporte para a área jurídica?

Kid — Uma das coisas que aprendi é que tenho que ser uma pessoa muito regrada, sempre... Então, uma das coisas que eu levo para o Direito, é essa disciplina que eu adquiri junto com o Voleibol e também as amizades que eu montei, que eu formei dentro do esporte. Levo também para o Direito esse intuito de cada vez mais fazer amigos. Eu estou vendo nesse Congresso que tem vários amigos e alguns fãs, que eram das quadras. Durante essa minha estada agora, passando para o outro lado, o lado do direito, eu quero ver se me firmo cada vez mais, como foi a minha trajetória dentro do Vôlei.

José FlávioVocê já trabalha na área jurídica?

Kid — Sim, já trabalho. Tenho um escritório de advocacia em Balneário Camboriú. Já atuo na área. Só não assino como advogado porque eu ainda não posso, pois ainda não tenho carteira de advogado. Vou prestar o exame da OAB agora no fim do ano.

José FlávioO ramo do Direito escolhido por você foi o Direito Desportivo?

Kid —  É Direito Desportivo, mas no meu escritório também tem Direito do Trabalho e Civil.
José FlávioOntem na palestra que proferiu, você falou que no início da carreira te chamavam de “que desgraça” (ki desgraça) e daí veio o apelido de Kid...

Kid — É quando eu comecei a jogar, eu era muito desastrado, ia passar a bola e batia no jogador. Tem uma passagem que eu lembro, foi quando eu estava jogando na Sadia, eu tinha 16 anos ainda, eu fui buscar uma bola e fiquei olhando só para a bola e esqueci que tinha o poste que segura a rede na frente. Eu fui direto com meu corpo no poste e caí para trás, quase desmaiei. Essa é uma das coisas que eu fazia na época em que era muito desastrado. Daí o pessoal falava “que desastre”. Meu Voleibol foi melhorando um pouquinho, tiraram o desastre e ficou só Kid.

José FlávioEstamos falando de uma questão de superação de limites. Pois ali você tinha dois caminhos: Ou você desistia ou seguia em frente com o propósito de melhorar...

Kid — É exatamente, ou eu me abatia e parava ou...

José FlávioO que te motivou a ir em frente?

Kid — O que me motivou foi a vontade de mostrar para os outros que eu era capaz. Então eu sempre tive uma vontade muito grande de mostrar para as pessoas que eu era capaz de fazer isso. Voltando a pergunta que tu fez, indo contra a ideia de todos, o atleta, normalmente, (Kid falava nesse momento do encerramento da carreira), todos acham que o atleta tem que ir para a Educação Física. Então, isso é mais um motivo para eu ir contra essa ideia. Quero mostrar que o atleta também pode ser um superprofissional em outra área, não só na Educação Física.

José FlávioÉ uma atitude bacana essa sua...

Kid — Obrigado.

José FlávioObrigado pela entrevista...

Kid — Eu é que agradeço. Um abração a todos.


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O Direito Desportivo nacional e internacional, no centro do debate, em Campinas

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 12:56
Sábado, 27 de setembro

À esquerda, André Heller e, à direita, Kid
Fazia uma noite agradável em Campinas, quinta-feira, dia 18 deste mês. Um clima propício para a discussão de ideias e temas motivadores, relacionados ao Direito Desportivo. Enquanto os dois palestrantes se dirigiam ao palco, o telão montado no palco começou a mostrar imagens da carreira dos dois grandes atletas: os ex-jogadores da seleção brasileira de Vôlei, André Heller, campeão Olímpico de Vôlei e Gilmar Nascimento Teixeira, mais conhecido como Kid, campeão da Liga Mundial de Vôlei. A música ajudava a embalar o clima de vitórias vividas pelos dois jogadores. Eles chegaram à mesa fizeram as apresentações de praxe, saudaram a plateia e a palestra começou:

Quando nós estávamos nos dirigindo ao palco, Daniel falou nossos currículos, nossos títulos, nossas medalhas... Obviamente nós ficamos muito orgulhosos disso, mas eu costumo dizer que as medalhas, os títulos, são bonitas. Eu deixo na parede de casa e mostro para as pessoas, mas o verdadeiro legado é o processo pelo qual nós passamos através do esporte.”

Enquanto André Heller, ex-jogador da Seleção Brasileira de Vôlei falava, olhei em redor. O teatro estava cheio de pessoas atentas ao que estava sendo dito e na expectativa do que viria a ser dito. O público, em sua grande maioria, era formado por advogados brasileiros e estrangeiros.



Neste ponto do texto, abro um parêntese a fim de situar o leitor acerca do local e do evento. Estávamos na I Conferência Internacional de Direito Desportivo Comparado e II Simpósio de Direito do Trabalho Desportivo, realizado entre os dias 18 a 20 deste mês. O evento foi organizado pelo Dr. Leonardo Andreotti Paulo de Oliveira, Presidente da Comissão de Direito Desportivo da OAB/Campinas e Diretor do IBDD, e também pela Dra. Ana Paula Pellegrina Lockman, Desembargadora Federal. O local escolhido para o evento foi o Teatro do Centro Universitário Salesiano de São Paulo (UNISAL) – Campus Liceu de Campinas.

Durante os dias do evento, Especialistas em Direito Desportivo de diversos países, brindaram o público com muito conhecimento técnico, compartilhando experiências e estudos realizados em seus países de origem sobre o Direito Desportivo. Além desses, foram convidados a falar ao público, grandes personalidades do meio jurídico brasileiro, como por exemplo, o Ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Guilherme Caputo Bastos e Alexandre de Souza Agra Belmont e também juízes, desembargadores, e presidentes de associações representativas do desporto nacional e internacional.

Compondo a mesa no centro do palco, inaugurando o início dos trabalhos, estava o professor Daniel Rebello, Mestre em Educação e professor do UNISAL, mediador do debate naquela noite, ladeado por André Heller e Gilmar Nascimento Teixeira (Kid).



Fecho o parênteses que havia aberto antes e volto ao discurso de André Heller.

André falou de sua experiência no esporte, relembrando os tempos iniciais de sua carreira. Gaúcho de Novo Hamburgo, sempre foi apaixonado pelo Vôlei. O seu sonho era entrar para o time da escola na qual estudava. Certo dia, contou ele, dirigiu-se ao professor e pediu: “Professor, quero muito fazer do time da escola”. O professor olhou para ele, com muita “delicadeza”, falou: “Não dá, tu é muito ruim”. As palavras do treinador caíram sobre o pré-adolescente como um balde de gelo. Por dois motivos em especial. Primeiro, a paixão pelo Vôlei e, segundo, porque ele asmático, e via no esporte uma maneira de melhorar sua condição física. Assustado, ele se questionou: “Vou deixar o treinador decidir meu futuro?” “Não. Não vou deixar que ele decida meu futuro, muito menos dizer o que eu posso e o que eu não posso fazer. Vou entrar para o Vôlei de um jeito ou de outro”.  

Não dizem que quando Deus fecha uma porta abre outra. Pois, bem. Logo em seguida, surgiu na vida do jovem, uma oportunidade de fazer uma peneira na Sociedade Ginástica Novo Hamburgo. Entre André e o Vôlei nasceu uma paixão. Passou a se dedicar por inteiro ao esporte. Treinava com regularidade e começou a compreender mais a fundo, a filosofia do esporte e dos valores que ele representa. Disciplina, dedicação e garra passaram a fazer parte de sua vida. “Vi no esporte uma oportunidade de me desenvolver, não só como atleta, mas como ser humano”. O esportista ressaltou ainda que o que mais lhe chamou atenção nos primeiros anos foi justamente, a garra, a paixão pelo praticar esportes e a ele se dedicar de corpo e alma. Entretanto, em qualquer atividade, ninguém nasce sabendo, ao contrário, o campeão vai se fazendo aos poucos, dia a dia. Foi assim com André. Quando a bola caia perto dele, o técnico da equipe chegava para ele e falava: “André, vai na bola. Tem que ter tesão para ir na bola”.  “Eu com 14 anos, não entendia nada de bola e muito menos de tesão. Era difícil ele verbalizando desta maneira, eu entender”, disse André.

Porém, acredito que quando a gente quer muito uma coisa, o destino vai colocando luzes à nossa frente para iluminar nosso caminho e ajudar na realização do sonho. Uma dessas luzes colocadas no caminho de André foi Antônio Carlos Aguiar Gouveia, mais conhecido como Carlão Gouveia. Carlão era capitão da equipe que conquistou a primeira medalha de ouro do Vôlei brasileiro, nos Jogos Olímpicos de 1992, na cidade de Barcelona.

Em 1993, André conquistou uma vaga em seu primeiro time profissional, o FrangoSul Ginástica. Foi lá que ele conheceu Carlão. Imagina a alegria do fã que, de repente, passa a jogar ao lado do ídolo. Não apenas jogar, mas ter a oportunidade de fazer o aquecimento, fazer o bate bola dois a dois, com ele. Ávido por aprender, o jovem passou a observar cada movimento do ídolo. “Eu tive o prazer de jogar com ele no primeiro time profissional, e eu aquecia com ele, eu fazia o bate bola dois a dois eu fazia com ele. Eu percebia que ele já campeão olímpico, melhor jogador do campeonato italiano, um dos melhores jogadores do mundo, fazia a atividade, ia na bola, como se jogar fosse o ar que ele respirava. Eu falei ‘caramba’, eu quero isso para mim”, ressaltou André.

Em 1994, o FrangoSul, disputou Super Liga. No jogo que decidiria o título, Carlão torceu o pé. Ficou fora da quadra, muitos achavam que ele não tinha mais condições de jogo. Entretanto, contrariando a todos, Carlão enfaixou o pé, voltou à quadra, jogou mais dois sets e ajudou a equipe e conquistar o título. Comemoraram ainda na cidade de São Paulo, depois pegaram um voo para o Rio Grande do Sul. Ao chegar a Novo Hamburgo, uma multidão os aguardava e eles tiveram que desfilar pelas ruas da cidade, em cima do carro de bombeiros, por cerca de três horas. Depois de tudo isso foi que alguém lembrou de que era preciso levar Carlão para o hospital. Levaram o atleta a uma unidade hospitalar. 

O resultado dos exames acusou que o atleta havia fraturado os ossos do pé em três partes.

Aquele fato chamou muito a atenção de André. “Aquilo representou muito para mim. Eu via aquele cara fazendo tudo aquilo, ele não fazia por dinheiro, porque o dinheiro não é capaz de trazer isso para a gente. Ele fazia com uma paixão tremenda e isso me marcou profundamente, e norteou a minha carreira. Eu passei a me basear, não só em paixão, mas principalmente, em dedicação e disciplina. Permaneci no Vôlei por 24 anos.”, afirma André.

No dia 05 de abril de 2014, encerrou a longa e vitoriosa carreira em partida disputada pela Superliga Masculina de Vôlei, 2013/2014, jogando pela equipe Brasil Kirin (SP). Foi um jogo difícil, mas principalmente, emocionante. Companheiros de equipe e adversários reverenciaram o atleta de tantas vitórias no lotado Ginásio Taquaral, em Campinas. A última partida de André não seu deu com vitória do time na qual ele atuava, mas basta olhar para sua brilhante carreira, para fazer jus aos intensos aplausos do público presente ao Ginásio Taquaral, naquela noite.



Hoje, André Heller, pode se considerar um vitorioso. Um atleta que veio de uma família humilde do Rio Grande do Sul, cujos pais quase não tiveram estudo nenhum. Ele viu no esporte uma oportunidade de se qualificar como atleta e como ser humano, e não desperdiçou. Como dizemos popularmente, agarrou a oportunidade com “unhas e dentes”. Ao longo do percurso, André foi observando e viu, à beira da estrada da vida, muitos atletas que encerravam a carreira, apagavam-se as luzes da fama e eles não tinham para onde ir e o que fazer, passando a atravessar situações adversas e bem diferentes da experimentadas nos dias de fama.

“Quando comecei no esporte, e vi no esporte uma oportunidade de me qualificar como atleta e como ser humano, eu já comecei a pensar no meu pós-carreira, porque eu não sabia o que ia acontecer. Eu comecei a jogar em 1990. Em 1996 eu tive a possibilidade de jogar numa Universidade, um time profissional que ficava dentro de uma Universidade, a Universidade Luterana do Brasil (ULBRA).

Ali eu comecei a fazer faculdade. Em 1996, eu comecei a fazer minha faculdade... Eu estou no quinto semestre. (O público presente riu, talvez achando que ele estivesse brincando, ou falando alguma piada, mas André estava falando sério, e explicou porque) “É uma realidade, porque o que acontece? Quando o possível atleta, ou atleta com potencial, percebe que tem chance de realmente traçar um caminho, percorrer um caminho através do esporte, ele faz essa opção, em detrimento do estudo. Então eu cansei de jogar conta com vários colegas de time que sequer tem o primeiro ou segundo grau, pelo menos, na época, eles não tinham. Então é muito triste isso”.

Nenhuma instituição se preocupa com isso, ou se preocupou com isso, e muito menos os atletas. Porque eles saem, muitas vezes, de meios humildes, de ambientes desfavoráveis e não tem essa capacidade de enxergar no esporte uma maneira de se capacitar como ser humano.

 “A pessoa enxerga no esporte apenas uma capacidade de se desenvolver como atleta, porém, a carreira do atleta é curtíssima. Nós aqui — e eu falo sem problema nenhum — somos a cereja do bolo. Somos privilegiados, e nossa obrigação inclusive, é batalhar para que isso mude, ou pelo menos conscientizar os atletas. Porque os atletas também acabam ficando só no “achismo”, conversas de vestiário, e dizendo ‘gente’, vamos fazer uma previdência privada então as conversas são assim, e em momento algum, se preocupam, até porque é quase inviável, buscar conhecimento, que seja num curso, que seja num livro, porque, a maioria dos atletas, em vez de optar por um livro, optam por um videogame. Infelizmente, é a realidade de nosso esporte brasileiro”.

É interessante observar que o mesmo olhar atento com que André olhou para Carlão no início da carreira, fazendo com ele despertasse para um melhor desempenho como atleta e como pessoa, ele também teve ao perceber que sua carreira dentro das quadras estava chegando ao fim. Nesse momento ele pensou: Não quero seguir por uma estrada que não leva a lugar algum e tratou de se precaver.



Hoje André cursa Educação Física e é Coordenador Técnico Operacional do Projeto Brasil Kirin, em Campinas.  “O projeto tem um formato diferente de Vôlei de alta performance. Há uma agência de marketing esportivo — A ESM, empresa que atua no mercado esportivo desde 1999 —  que gerência o projeto e o grande patrocinador é a Brasil Kirin. Não somos reféns do resultado. Nós temos três pilares: Obviamente, um esporte de alto rendimento, no qual os responsáveis por isso são os atletas. Nós temos 12 atletas profissionais. Mas nós temos outros dois pilares, tão importantes quanto o time de alta performance: Temos nossas categorias de base, e nós sabemos, claramente, que estamos lidando com atletas. São categorias de base que disputam campeonatos estaduais e brasileiros, nessas categorias. Nós também temos nossa responsabilidade social. Temos a missão, além de resgatar o Vôlei e o contato com a comunidade de Campinas, nós temos a parceria com o Instituto Compartilhar, do Bernardinho (Técnico da Seleção Brasileira de Vôlei), através dos núcleos aqui em Campinas. Temos cerca de 11 núcleos. Por isso que eu digo, que o Brasil Kirin, tem um formato diferente, porque a maioria dos clubes, quando oferece o projeto para o possível patrocinador, geralmente, prometem resultados na quadra, porém, o Kid sabe bem, nós temos um campeonato nacional bastante disputado e, às vezes, o fator orçamento não interfere muito, às vezes, o time que tem o terceiro ou quarto orçamento é o campeão. Nosso time pensando dessa maneira não fica refém do resultado, nós entregamos resultado também através de nossas categorias de base e, principalmente, é a prioridade no nosso projeto, a responsabilidade social e as categorias de base”, completou André.

O projeto atende cerca de 500 crianças, entre 7 e 14 anos, da Cidade de Campinas. O Brasil Kirin incentiva a prática do Vôlei em escolas da rede municipal de ensino. André faz parte do Brasil Kirin, desde o início, em 2010.

Outra ação que produz muitos frutos é a troca de ingressos, nos jogos da equipe, por um quilo de alimento não perecível. Os alimentos são doados ao Banco Municipal da Cidade, sendo posteriormente, distribuídos entre famílias carentes da cidade.


E o Kid, não falou nada, perguntam vocês? Claro, falou e muito, porém, o pensamento dele, apresento a vocês em minha próxima postagem. 

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O mundo encantado de Dilma

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 19:12
Sexta-feira, 26 de setembro



No discurso que abriu a Cúpula do Clima, em Nova York, a presidente do Brasil Dilma Rousseff, usou boa parte de seu discurso para fazer propaganda de seu governo. É natural, que quisesse fazer uso desse recurso, afinal, estamos a poucos dias de uma eleição na qual concorre à reeleição. Apenas estranhei o fato de a presidente ir em mão contrária ao que pensa a comunidade internacional, em relação aos adeptos do tão falado, Estado Islâmico. Penso que ao defendê-los, de certa forma, a presidente brasileira legítima tal grupo radical e suas atrocidades. A estadista direcionou suas criticas, em especial, ao governo americano, mas esqueceu-se de lembrar que, mesmo nações adversárias dos EUA, como a Rússia, por exemplo, não acham que o Estado Islâmico seja um grupo com quem se possa manter um dialogo racional. Deixando-se de lado da propaganda política do próprio governo — o qual, comparo as estórias de Alice no País das Maravilhas — acho que Dilma deu um passo atrás no fortalecimento da diplomacia brasileira.

Abaixo, compartilho um editorial esclarecedor, sobre o assunto, publicado pelo jornal O Estado de São Paulo, na data de ontem, 25 de setembro. 


***

"O mundo encantado de Dilma", (editorial do Estadão)

Um turista francês de 55 anos, chamado Hervé Goudel, foi decapitado na Argélia por um grupo extremista que disse estar sob as ordens do Estado Islâmico (EI), a organização terrorista que controla atualmente parte da Síria e do Iraque e lá estabeleceu o que chama de "califado". Um vídeo que mostra a decapitação de Goudel foi divulgado ontem, para servir como peça de propaganda do EI - cujos militantes já decapitaram em frente às câmeras dois jornalistas americanos e um agente humanitário britânico e estarreceram o mundo ao fazer circular as imagens de sua desumanidade.

Pois é com essa gente que a presidente Dilma Rousseff disse que é preciso "dialogar".

A petista deu essa inacreditável declaração a propósito da ofensiva militar deflagrada pelos Estados Unidos contra o EI na Síria. Numa entrevista coletiva em Nova York, na véspera de seu discurso na abertura da Assembleia-Geral da ONU, Dilma afirmou lamentar "enormemente" os ataques americanos contra os terroristas. "O Brasil sempre vai acreditar que a melhor forma é o diálogo, o acordo e a intermediação da ONU", disse a presidente - partindo do princípio, absolutamente equivocado, de que o EI tem alguma legitimidade para que se lhe ofereça alguma forma de "acordo".

É urgente que algum dos assessores diplomáticos de Dilma a informe sobre o que é o EI, pois sua fala revela profunda ignorância a respeito do assunto, descredenciando-a como estadista capaz de portar a mensagem do Brasil sobre temas tão importantes quanto este.

O EI surgiu no Iraque em 2006 por iniciativa da Al-Qaeda, para defender a minoria sunita contra os xiitas que chegaram ao poder depois da invasão americana. Sua brutalidade inaudita fez com que até mesmo a Al-Qaeda renegasse o grupo, que acabou expulso do Iraque pelos sunitas. A partir de 2011, o EI passou a lutar na Síria contra o regime de Bashar al-Assad. Mas os jihadistas sírios que estão na órbita da Al-Qaeda também rejeitaram o grupo, dando início a um conflito que já matou mais de 6 mil pessoas.

Com grande velocidade, o EI ganhou territórios na Síria e, no início deste ano, ocupou parte do Iraque, ameaçando a própria integridade do país. No caminho dessas conquistas, o EI deixou um rastro de terror. Além de decapitar ocidentais para fins de propaganda, seus métodos incluem crucificações, estupros, flagelações e apedrejamento de mulheres.

"A brutalidade dos terroristas na Síria e no Iraque nos força a olhar para o coração das trevas", discursou o presidente americano, Barack Obama, na Assembleia-Geral da ONU, ao justificar a ação dos Estados Unidos contra o EI - tomada sem o aval do Conselho de Segurança da ONU. Em busca de apoio internacional mais amplo - na coalizão liderada por Washington se destacam cinco países árabes que se dispuseram a ajudar diretamente na operação -, Obama fez um apelo para que "o mundo se some a esse empenho", pois "a única linguagem que os assassinos entendem é a força".

Pode-se questionar se a estratégia de Obama vai ou não funcionar, ou então se a ação atual é uma forma de tentar remendar os erros do governo americano no Iraque e na Síria (ver o editorial A aventura de Obama, abaixo). Pode-se mesmo indagar se a operação militar, em si, carece de legitimidade. Mas o fato incontornável é que falar em "diálogo" com o EI, como sugeriu Dilma, é insultar a inteligência alheia - e, como tem sido habitual na gestão petista, fazer a diplomacia brasileira apequenar-se.


Em sua linguagem peculiar, Dilma caprichou nas platitudes ao declarar que "todos os grandes conflitos que se armaram (sic) tiveram uma consequência: perda de vidas humanas dos dois lados". E foi adiante, professoral: "Agressões sem sustentação, aparentemente, podem dar ganhos imediatos. Depois, causam enormes prejuízos e turbulências. É o caso, por exemplo, do Iraque. Tá lá, provadinho, no caso do Iraque". Por fim, Dilma disse que o Brasil "é contra todas as agressões" e, por essa razão, faz jus a uma cadeira no Conselho de Segurança da ONU - para, num passe de mágica, "impedir essa paralisia do Conselho diante do aumento dos conflitos em todas as regiões do mundo".


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Na ONU, Dilma critica intervenção militar para solucionar conflitos

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 23:54

Quarta-feira, 24 de setembro



Aqui, dessa noite um pouco fria, da cidade de Campinas, envio boas vibrações e pensamentos para a cidade de Nova York, palco da Cúpula do Clima. Mais de cem chefes de estado estão reunidos por lá, discutindo assuntos de grande importância para a comunidade internacional e o futuro do planeta. Certamente, assuntos como Ebola e Estado Islâmico serão temas recorrentes.

A humanidade precisa de paz. O planeta anseia por ações que proporcionem a ele uma existência saudável, o que consequentemente, nos garantirá um viver tranquilo e sem sobressaltos. Os sintomas da falta de políticas climáticas eficientes já se fazem sentidas nos Estados que sofrem com a fúria dos furacões e no Brasil, com a ameaça de seca extrema nas regiões Nordeste e Sudeste do país, só para citar dois exemplos.

Vejo o Brasil ainda bastante despreparado para enfrentar situações climáticas adversas. Por exemplo, se houvesse uma melhor administração dos recursos hídricos, não estaríamos vivendo essa grave ameaça de seca no Estado de São Paulo. Há problemas, como por exemplo, a poluição dos rios, cuja solução não depende não apenas da população, por serem ações bastante efetivas dos governos municipal, estadual e federal, e de empresas privadas. Porém, essa parcela de culpa na poluição dos rios, e outros mananciais acaba sendo dividida com grande parcela da sociedade que acaba jogando toneladas de lixo onde deveria correr apenas água. O fato revela a falta de educação e consciência ambiental.


Dilma Rousseff abriu os debates na 69a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York.    

Abaixo compartilho, matéria publicada no site globo.com

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Na ONU, Dilma critica intervenção militar para  solucionar conflitos

Presidente do Brasil fez discurso de abertura da Assembleia Geral da ONU.
Desde 1947, o chefe de Estado brasileiro é responsável pelo 1º discurso.

Filipe Matoso e Lucas Salomão

Primeira chefe de Estado a discursar na abertura da 69ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York (EUA), a presidente Dilma Rousseff condenou nesta quarta-feira (24) o uso de intervenções militares para tentar solucionar conflitos bélicos, como os que ocorrem atualmente na Síria, no Iraque e na Ucrânia. Segundo ela, o uso da força, em vez da diplomacia, gera o acirramento dos conflitos e a multiplicação de vítimas civis. Em tom duro, Dilma enfatizou que a comunidade internacional não pode aceitar "manifestações de bárbarie".

"O uso da força é incapaz de eliminar as causas profundas dos conflitos. Isso está claro na persistência da questão palestina, no massacre sistemático do povo sírio, na prática de desestruturação nacional do Iraque, na grave insegurança na Líbia, nos conflitos de Israel e nos embates na Ucrânia", declarou a presidente brasileira na tribuna da ONU.

"A cada intervenção militar, não caminhamos para a paz, mas sim assistimos ao acirramento desses conflitos. Verifica-se uma trágica multiplicação do número de vítimas civis e de dramas humanitários. Não podemos aceitar que essas manifestações de barbárie permaneçam ferindo nossos valores éticos, morais e civilizatórios", complementou Dilma, sem se referir especificamente a nenhuma intervenção militar.

Na véspera, no entanto, a chefe do Executivo criticou, ao ser indagada por jornalistas, a operação feita nesta terça pelos Estados Unidos contra o grupo Estado Islâmico na Síria. A intervenção bélica liderada por Washington resultou na morte de 70 pessoas.  Dilma disse lamentar “enormemente” o fato e afirmou que iria deixar muito clara a posição do Brasil sobre o assunto em seu discurso na Assembleia Geral.

O encontro anual dos 193 países que integram a organização internacional foi aberto na manhã desta quarta com um pronunciamento do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. No discurso, o dirigente denunciou os ataques contra os direitos humanos ao redor do mundo, enumerando os diversos conflitos e crises na Síria, Iraque, Gaza, Ucrânia, Sudão do Sul e República Centro-Africana, entre outros.

Em seguida, o chanceler de Uganda, Sam Kuteza, que está presidindo a 69ª Assembleia Geral das Nações Unidas, também fez uma breve manifestação. Entre outros assuntos, o diplomata chamou a atenção dos governantes mundiais para o crescimento de casos de Aids no mundo, para a epidemia de Ebola na África continente africano e, por fim, reivindicou a reforma do Conselho de Segurança da ONU.

Desde 1947, o Brasil é o primeiro país a discursar na abertura do encontro anual da ONU. A tradição teve início com o ex-chanceler brasileiro Oswaldo Aranha, um dos articuladores, ao final da 2ª Guerra Mundial, da criação da entidade internacional. Naquele ano, o político gaúcho foi incumbido de fazer o discurso de abertura da primeira Assembleia Geral.

Primeira mulher a ocupar a Presidência da República, Dilma estreou na tribuna da ONU, em 2011. Esta foi a quarta vez que a chefe do Executivo discursou na assembleia.

Conselho de Segurança

Após mencionar os conflitos armados no Oriente Médio, na Ucrânia e na Líbia, a presidente voltou a pedir uma reforma no Conselho de Segurança da ONU, antiga reivindicação brasileira. Na visão dela, órgão colegiado responsável por manter a segurança internacional tem tido dificuldade para promover soluções pacíficas dos atuais confrontos. Para ela, a alternativa para "vencer esses impasses" é a "verdadeira reforma" do Conselho.

Segundo Dilma, em 2015, ano em que a ONU completa sete décadas de existência, será a ocasião propícia para promover mudanças no Conselho de Segurança. Ela também defendeu que um colegiado mais representativo e mais legítimo poderá ser mais eficaz. "Estou certa de que todos entendemos os graves riscos da paralisia e da inação do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Crise econômica

Em meio ao discurso de 23 minutos, a presidente da República também argumentou que, nos últimos anos, o Brasil não "descuidou" da solidez fiscal e da estabilidade monetária, o que, segundo ela, protegeu o país da volatilidade externa e da crise econômica internacional deflagrada em 2008.

De acordo com a presidente, mesmo com a crise financeira, o Brasil gerou 12 milhões de empregos formais enquanto o mundo desempregava "milhões de trabalhadores". Além disso, destacou Dilma, o Brasil saltou da 13ª para a 7ª economia do mundo, a renda per capita no país "mais que duplicou", e a dívida líquida e externa foram reduzidas.

Ela disse aos líderes mundiais que a estabilidade monetária protegeu o Brasil frente a volatilidade externa. Conforme Dilma, essa foi a fórmula que auxiliou o país a resistir ao desemprego, à redução de salários, à perda de direitos sociais e à paralisia de investimentos.

Apesar de enumerar conquistas na economia brasileira, a petista reconheceu que a crise atingiu o Brasil "de forma mais aguda" nos últimos anos. Ela atribuiu a instabilidade econômica brasileira às "dificuldades" na economia de todas as regiões do mundo, o que, de acordo com ela, impactam "negativamente" o crescimento do Brasil.

"Ainda que tenhamos conseguido resistir às consequências mais danosas da crise global, ela também nos atingiu de forma mais aguda nos últimos anos. Tal fato decorre da persistência em todas as regiões do mundo de consideráveis dificuldades econômicas que impactam negativamente o nosso crescimento", disse Dilma.

Sem citar nenhum caso de corrupção sob investigação no país, a presidente afirmou que seu governo tem atuado para combater eventuais irregularidades na estrutura política. Ela destacou a criação do Portal da Transparência e afirmou à ONU que criou mecanismos para punir corruptos e corruptores, além de ter dado “autonomia” aos órgãos de controle interno.

Segurança na internet

No ano passado, em razão da revelação de que agências de inteligência norte-americanas haviam espionado autoridades estrangeiras – incluindo a própria Dilma –, a presidente brasileira concentrou seu discurso para as autoridades da ONU na segurança de dados na internet. Naquela ocasião, a petista ressaltou que casos de espionagem “ferem” o direito internacional e “afrontam” os princípios que regem a relação entre os países.

Nesta quarta-feira, a presidente voltou a defender na Assembleia Geral que a ONU aprofunde as discussões sobre o direito à privacidade na internet. Ela disse ter notado que a comunidade internacional tem se mobilizado para aprimorar a atual arquitetura de governança da internet.

“É indispensável tomar medidas que protejam eficazmente os direitos humanos, tanto no mundo real quanto no mundo virtual, como preconiza a resolução dessa assembleia sobre a privacidade na era digital. O Brasil e a Alemanha provocaram essa importante discussão em 2013 e queremos aprofundá-la nessa sessão”, observou.

FMI e Banco Mundial

A chefe de Estado do Brasil também cobrou uma maior participação dos países emergentes nas decisões tomadas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e pelo Banco Mundial. Para Dilma, é "inaceitável" a demora no poder de voto dos emergentes nestas instituições.

"É imperioso pôr fim ao descompasso entre a crescente importância dos países em desenvolvimento na economia mundial e sua insuficiente participação nos processos decisórios das instituições financeiras internacionais [...] O risco que essas instituições correm é perder sua legitimidade e sua eficiência", concluiu.

Racismo e casamento gay

Sob o olhar dos líderes mundiais, Dilma defendeu a aplicação de políticas públicas voltadas às mulheres, aos negros e afirmou que é preciso acabar com a “mancha” do racismo. Em sua fala, relatou que o Supremo Tribunal Federal do Brasil reconheceu o casamento civil igualitário entre pessoas do mesmo sexo.

“A Suprema Corte do meu país reconheceu a união estável entre pessoas do mesmo sexo, assegurando os direitos civis daí decorrentes. Acreditamos na dignidade de todos os seres humanos e na universalidade de seus direitos fundamentais”, garantiu a presidente, ao acrescentar que o governo combate “incansavelmente” a violência contra a mulher.

Cúpula do Clima

Nesta terça (23), em discurso na Cúpula do Clima das Nações Unidas – evento preparatório para a Assembleia Geral conferência que discutiu as alterações climáticas no planeta – Dilma Rousseff afirmou que a determinação do Brasil em enfrentar as alterações no clima não se limita à conservação da Amazônia.

Na ocasião, ela destacou medidas adotadas pelo governo brasileiro nos últimos anos para reduzir o desmatamento na região amazônica e no cerrado. A presidente defendeu que as iniciativas da comunidade internacional para enfrentar os problemas climáticos sejam "justas, ambiciosas, equilibradas e eficazes".


Além da preservação da Amazônia, Dilma citou, em seu pronunciamento, que deveria haver uma preocupação dos países para tentar reduzir o desmatamento na região da bacia do Congo, na África.

(Fonte: http://g1.globo.com/mundo/noticia/2014/09/na-onu-dilma-diz-que-o-mundo-nao-pode-aceitar-barbarie-na-siria.html)

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