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Menino Bernardo Boldrini: Uma luta em prol da justiça e da verdade

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 00:22
Sábado, 30 de agosto


Quem quiser saber quem sou
Olha para o céu azul
E grita junto comigo
Viva o Rio Grande do Sul.
O lenço me identifica
Qual a minha procedência
Da província de São Pedro
Padroeiro da querência”.


(Querência Amada – Teixeirinha)



A via terrena é uma oportunidade de aprendizado. Tornando essa questão mais fácil de ser compreendida, eu diria que ela é o jardim de infância da escola da existência eterna. Todo o homem e mulher deveriam, ao acordar pela manhã, e à noite ao dormir, dar graças ao Deus, Pai e Criador, pela oportunidade de estar caminhando por estas terras, de estar olhando para estes céus, e por estar diante de sua maior provocação, desafio, inquietude e aprendizado que é o seu próprio semelhante. O outro nos provoca, nos ensina a sermos melhores. A não aceitação do outro, porém, nos leva ao outro lado da balança que á a vaidade, a ambição desmedida, o egoísmo em sua forma mais terrível e cruel.

Eu poderia ter nascido em qualquer lugar do planeta, mas nasci no Brasil, no Rio Grande do Sul. Foi bom ter convivido numa terra tão bela, tão cheia de encantos. Era criança, mas gostava de saborear um bom churrasco, tomar um delicioso chimarrão. Ficava maravilhado com o céu azul que cobria aqueles pampas e do manto estrelado com que a noite envolvia aquelas serras. Era tudo tão belo, tão mágico. Usando “Bah tchê”, uma expressão típica do povo de minha terra, que significa admiração, eu diria: “Bah, tchê, que terra linda que é o meu Rio Grande do Sul”!

Vivi num corpo de menino, cresceria e me tornaria um homem consciente de suas responsabilidades para com aqueles que sofrem, que são desassistidos e que estão à margem da sociedade, mas fui vítima de pessoas gananciosas e cruéis. Sofri muito nas mãos delas. O sofrimento tem muito a ensinar aos viventes, é um bom professor. Ninguém quer sofrer, mas se ele atravessa nosso caminho, aproveitemos essa ocasião para crescermos, e fazer da tribulação uma oportunidade de evoluir.

Tudo ia bem em minha vida, até que um demônio chamado Graciele Ugolini entrou em nossa vida. Quando digo nossa, refiro-me à minha mãe Odilaine e ao meu pai Leandro Boldrini. Essa mulher chamada Gaciele, começou a trabalhar como secretária na clínica onde meu pai desenvolvia suas funções de médico e logo enredou meu pai com sua sedução, beleza e mentiras. O casamento de meu pai começou a andar para trás. As brigas entre ele e minha mãe tornaram-se frequentes e não houve outro caminho possível que não fosse a separação entre os dois. Como pano de fundo para todas essas crises estava Graciele. A jovem, tal qual a monstruosa divindade grega, Medusa, transformou em pedra o coração de meu pai.

Não sei por que, mas algo me dizia que o pior ainda estava por acontecer... E aconteceu. Certo dia, encontraram minha morta na clinica de meu pai, da qual ela também era sócia. O fato aconteceu no dia 10 de fevereiro de 2010. Dizem que foi suicido, porém depois de tudo o que aconteceu comigo, tenho minhas dúvidas em relação a essa versão para o crime. Minha mãe não falava em suicido. Não me lembro de tê-la ouvido pronunciar esta palavra. Quando ocorreu essa tragédia, faltavam apenas três dias para que fossem assinados os papeis do divórcio.

O fato é que a morte de minha mãe alterou complemente o rumo de minha vida... E mudou para pior. Minha mãe era super carinhosa comigo, me tratava muito bem, como todas as mães devem cuidar de seus filhos. De repente fui jogado no abismo da solidão e do abandono. Pouco tempo depois da morte de minha mãe, Leandro Boldrini, casou-se com Graciele. Desse dia em diante, minha paz acabou de vez e eu passei a viver em um ambiente mais parecido com o inferno do que com um lar. Por não encontrar carinho e amor, tão necessários a qualquer pessoa e, principalmente, a um garoto de onze anos que acabou de ficar órfão de mãe, fui procurar esses sentimentos nos vizinhos e amigos. Foram estes que me ajudaram a tornar minha cruz mais leve. Agradeço a todos que cuidaram de mim. Agradeço, especialmente, ao casal Carlos e Jussara Petry, que cuidavam de mim mil vezes melhor do que meu pai e minha madrasta.

Tudo isso de que vos falei ainda não era o pior... O pior ainda estava por acontecer. Um dia, minha madrasta me levou para a cidade de Frederico Westphalen, me deu uma injeção letal e, com ajuda dos irmãos Edelvânia e Evandro Wirganovicz, colocaram meu corpo em um buraco, na área rural de Frederico Westphalen, e jogaram soda caustica por cima para que os vestígios do crime fossem rapidamente apagados. Felizmente, a polícia agiu rápido e descobriu toda a história. O crime chocou a cidade de Três Passos, onde eu morava, e causou comoção em todo o país.

O meu assassinato ocorreu no dia 04 de abril deste ano, mas meu corpo somente foi encontrado no dia 14 do mesmo mês. Tinha onze anos de idade quando sofri essa crueldade.

Foram presos: Graciele Ugulini e os irmãos Edelvania e Evandro Wirganovicz. Meu pai Leandro Boldrini, foi preso acusado de ser o mentor intelectual do crime.

Essa semana, Três Passos esteve novamente agitada. Todas as atenções se dirigiram ao prédio onde funciona o Fórum da cidade. O motivo era a realização da primeira audiência desse processo criminal, na terça-feira (26).

Edelvânia e o irmão compareceram, mas meu pai e Graciele, resolveram não participar e o juiz atendeu a esse pedido. Segundo o entendimento do juiz, eles tinham o direito de não estarem presentes a essa audiência, uma vez que eles somente serão ouvidos em audiências posteriores.

Uma das provas reveladas nessa audiência refere-se a um vídeo ao qual a polícia teve acesso, após uma perícia no celular de meu pai, Leandro Boldrini. Após minha morte, papai apagou o vídeo que testemunhava contra ele próprio. Mais uma vez, o trabalho dos peritos se revelou eficiente eles conseguiram recuperar o vídeo.

Lembro-me bem dessa discussão. Foi num sábado à noite. Foi uma situação muito tensa que ilustra muito bem o que acontecia comigo dentro de casa. A discussão foi tão forte e eu gritava tão desesperadamente por socorro, que os vizinhos chamaram a polícia. Os policiais de fato vieram ver o que estava acontecendo, porém, os dois conseguiram convencer os policias de que não havia nada de errado e tudo ficou por isso mesmo. Não foi apenas uma discussão, foram várias iguais ou piores que essa, cujo relato vocês podem conferir abaixo, tal qual está relatada nos autos:

Bernardo: Socorro! Socorro! Socorro!

Graciele: Vai lá. Vai lá pedir socorro. Vai lá.

Bernardo: Vão vocês.

Graciele: Tu que tá pedindo! Tu que tá gritando!

O menino Bernardo acusa a madrasta de bater nele e o pai defende Graciele.

Leandro: Quem que começou a fazer isso?

Bernardo: Vocês me agrediram.

Graciele: Vai lá.

Bernardo: Tu me agrediu.

Graciele: E vou agredir mais. Pra fazer tu abrir a boca e falar de mim, vou agredir mais.

Leandro: Fica xingando ela, ninguém merece ser xingado, né?

A madrasta faz ameaças mais graves.

Graciele: E vou agredir mais. Não fiz nada em ti.

Bernardo: Fez sim, tu me bateu.

Graciele: Tu não sabe o que eu sou capaz de fazer.

Bernardo: Tu me bateu.

Graciele: Tu não sabe.

Bernardo: Tu me bateu.

Graciele: Eu não tenho nada a perder, Bernardo. Tu não sabe do que eu sou capaz. Prefiro apodrecer na cadeia do que ficar brigando nessa casa, contigo incomodando. Tu não sabe do que eu sou capaz.

No fim do gravação, o menino é ameaçado de morte.

Bernardo: Minha mãe queria que tu morresse.

Graciele: Tu não sabe do que eu sou capaz. Vamos ver quem tem mais força. Vamos ver quem tem mais força. Ah, nós vamos ver quem tem mais força.

Bernardo: Quando tu morrer...

Graciele: É, nós vamos ver quem vai para debaixo da terra primeiro.

Bernardo: Tu. Tu vai.

Graciele: Então tá, se tu tá dizendo.

Em outras ocasiões meu pai me dopava. Para ele era fácil conseguir os medicamentos que me deixavam meio tonto, meio bobo e sonolento.

Mas voltemos à situação atual.  Houve interdição das ruas que ficam nas proximidades do Fórum com a finalidade de proteger tanto as testemunhas de defesa, quanto as de acusação. Cerca de 40 policiais cuidaram da segurança. Ao todo, 77 pessoas foram arroladas como testemunhas, sendo 25 pelo Ministério Público e 52 pelas respectivas defesas.  Desse total, 33 foram ouvidas esta semana e as demais serão ouvidas por carta precatória, que é um modo da Justiça ouvir testemunhas que estão em diferentes cidades daquela na qual está sendo desenvolvido o processo. 


Dias atrás, Graciele escreveu uma endereçada à Justiça. Ela está detida na Penitenciária de Guaíba, Região Metropolitana de Porto Alegre Na carta, ela reclama, diz que é humilhada pelos funcionários que ali trabalham, dentre outras reclamações. Em um trecho da carta ela diz: “Estou ficando doente, tenho dores de cabeça diariamente, tenho dor na coluna por causa do colchão que é um pedaço de espuma, tenho dores no corpo de tanto frio. Minha pele está descamando, meus cabelos caindo e não durmo nem cinco horas por dia”. Em outro trecho ela afirma: “Não tem tomada para uma televisão, nem para esquentar água para um café. A cela é fria, úmida e não bate sol. O pátio de receber visitas é um brete, pior que um canil. Não pega um raio de sol e não tem como caminhar".

Pobrezinha de minha madrasta. Deve estar sofrendo muito. Para quem costumava levar uma vida de madame, a prisão não deve ser mesmo nada confortável. Além das queixas, ela pede também uma transferência para presídios da Região Noroeste do Estado, com o objetivo de ficar mais perto da minha irmã — Um bebe com pouco mais de um ano e seis meses. O juiz não viu argumentos convincentes na carta e negou o pedido de transferência. Há na carta uma inversão de valores, com Graciele colocando-se na condição de vítima. O mais triste nisso tudo, é que na carta escrita por ela, não há o menor sinal de arrependimento, nem pedido de perdão, ou algo semelhante. A preocupação é apenas com ela mesma. Sempre foi assim e não acredito que houvesse mudança em um coração de pedra em tão pouco tempo.

Recebi permissão para vir acompanhar a tramitação desse processo. Não desejo vingança, pois esse sentimento turva as límpidas águas nas quais navega meu espírito e também mancha as minhas vestes brancas, tornando-as pesadas e difíceis de usar. Meu desejo é que se faça justiça. Havendo justiça, haverá punição e, havendo punição, outros pensarão duas vezes antes de cometer as mesmas barbaridades. A justiça também acalmará os corações daqueles que me amavam e que ainda me amam, pois amor que é verdadeiro não morre nunca.

Despeço-me de vocês, apesar de permanecer por aqui mais um pouco. Deixo-vos com a paz que vem do alto. Peço também em nome de todas as crianças que foram e que são vítimas de adultos cruéis e insensíveis. Que  elas sejam consoladas, amparadas e acolhidas pelas boas vibrações que nos são enviadas a cada segundo pelos anjos guardiões que, do mundo espiritual no qual habitam, nos protegem, nos iluminam e nos guardam.

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Palavras e ações impensadas são como penas jogadas ao vento

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 00:43
Sexta-feira, 29 de agosto

Chegando agora de um Encontro de Corais em Vinhedo, por sinal, um encontro belíssimo. Belas apresentações. Um alimento para os ouvidos e para o espírito. Um pouco cansado, mesmo assim, resolvi dirigir umas poucas palavras a vocês antes de uma boa noite de sono para dar tempo ao corpo de se recuperar do cansaço. Segue um antigo conto judaico que, assim como vale para as palavras ditas em vão, também serve para ações tomadas sem o menor discernimento, e também serve de gancho para a próxima postagem.

Certo homem percorreu a cidade caluniando o sábio local. Mais tarde, o tagarela deu-se conta do dano que causara e dirigiu-se ao sábio para pedir perdão, prontificando-se a fazer qualquer coisa para reparar o seu erro. O sábio só tinha um pedido: que o caluniador apanhasse um travesseiro de penas e o abrisse, espalhando as penas ao vento. Embora intrigado com o pedido, o tagarela fez o que lhe foi mandado e, daí, voltou a falar com sábio.

“Estou perdoado?”, perguntou.

“Primeiro vá, e ajunte todas as penas”, respondeu o sábio.

“Mas como? O vento já as espalhou.”

“Reparar o dano causado pelas suas palavras é tão difícil como recolher todas as penas.”

Abaixo compartilho texto publicado pelo jornal o Globo que mostra uma grande bobagem cometida por um homem, e da qual ele deve ter se arrependido amargamente, por duas razões:

1.      Pelo mal que fez a um inocente

2.      Pela dor que a morte desse inocente causou em milhões de pessoas.

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Assassino de John Lennon pede desculpas por ser um 'idiota'

Em audiência, Mark Chapman disse que sente muito pela dor que causou às pessoas
POR THE INDEPENDENT

LONDRES - O assassino de John Lennon teve negada a sua oitava tentativa de obter liberdade condicional, após uma audiência em que pediu desculpas por ser um "idiota" que perseguiu "o caminho errado para a glória".

Em 8 de dezembro de 1980, Mark David Chapman disparou cinco vezes contra o ex-Beatle, atingindo-o quatro vezes, ao lado de fora do apartamento em que o músico vivia, em Nova York.

Chapman, de 59 anos, se declarou culpado pelo assassinato e foi condenado, em 1981, a 20 anos de prisão a perpétua.

Segundo a transcrição do áudio da audiência, divulgada nesta quarta-feira, ele disse a três pessoas do conselho:

"Sinto muito pela dor que causei. Sinto muito por ser um idiota e escolher o caminho errado para a glória. Muitas pessoas o amavam. Ele era um homem talentoso, e elas ainda sentem a dor. Eu recebo cartas, então essa é uma questão grande. Não é um crime normal."

O conselho negou seu pedido e disse que sua soltura iria "depreciar a grave natureza do crime, assim como subestimar o respeito pela lei".

Chapman está em uma prisão na cidade americana de Buffalo.


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Entrevista de Marina Silva ao Jornal Nacional

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 00:44
Quinta-feira, 28 de agosto

A morte do candidato  à  Presidência da República, Eduardo Campos, do PSB,  e de seus principais assessores, causou grande comoção nacional, principalmente, em Recife, sua terra natal.  O fato trágico causou uma reviravolta na corrida à presidência. Depois dos funerais, o partido oficializou a candidatura de Marina Silva, como candidata a presidente. Marina era vice na chapa de Eduardo.  Para a vice-presidência na chapa foi oficializado o nome de Beto Albuquerque, líder da bancada na Câmara dos Deputados. Logo na primeira reunião para discutir os rumos da campanha, houve desavenças entre Marina e Carlos Siqueira. Siqueira é Secretário Geral do Partido e era o coordenador da campanha do PSB. A ideia de Marina era a de que Carlos Siqueira dividisse a coordenação da campanha com o deputado licenciado Walter Feldman (SP). Siqueira não concordou com a ideia e deixou a coordenação da campanha. Para o lugar dele o partido ratificou o nome da deputada Luísa Erundina.

Pesquisa recente do IBOPE, mostra que Marina ultrapassou o candidato Aécio Neves na disputa pelo segundo turno das eleições presidenciais. A pesquisa aponta ainda que em um segundo turno, Marina venceria Dilma Rousseff.

Após o acidente, permaneceram dois mistérios: o que realmente aconteceu com o avião em que viajava o presidenciável e que eram os verdadeiros donos da aeronave. O segundo mistério começar a ser esclarecido e vem confundir mais que explicar a situação. Surgem denuncias de que os donos da aeronave são “fantasmas”.  Um inquérito que está sendo conduzido pela Polícia Federal revela que o avião custou o valor de R$ 1,7 milhões de reais. Para efetuar esse pagamento foram feitas 16 transferências bancárias, por seis CNPJs diferentes.  O problema é que entre os pagantes há empresas fantasmas, cujos endereços declarados são falsos e se desconhece quem sejam os seus proprietários.

Foi em meio a essa avalanche de fatos e situações novas que Marina Silva enfrentou o bombardeio de perguntas de William Bonner e Patrícia Poeta, no Jornal Nacional desta quarta-feira.

Abaixo, compartilho o texto da entrevista com Marina Silva na bancada do Jornal Nacional.


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Marina Silva é entrevistada no Jornal Nacional

A candidata do PSB à Presidência da República foi entrevistada ao vivo, na bancada do JN, por William Bonner e Patrícia Poeta.

O Jornal Nacional dá sequência à série de entrevistas com os principais candidatos à Presidência da República, em que nós abordamos questões polêmicas das candidaturas e o desempenho deles em cargos públicos. O Bom Dia Brasil e o Jornal da Globo também vão receber os candidatos nas próximas semanas.

O tempo total da nossa entrevista é de 15 minutos, dos quais nós reservamos, mais uma vez, o último minuto e meio para que o candidato fale resumidamente sobre os projetos que ele considera prioritários se for eleito. E hoje nós recebemos Marina Silva, do PSB.
William Bonner: Boa noite, candidata.

Marina Silva: Boa noite, William. Boa noite, Patrícia.

William Bonner: Muito obrigado pela sua presença. O tempo da entrevista começa a ser contado a partir de agora. Candidata, o avião que o PSB vinha utilizando na campanha eleitoral, até aquele acidente trágico de duas semanas atrás, está sendo investigado pelas autoridades competentes. Ele foi objeto de uma transação milionária feita por meio de laranjas. Essa transação não foi informada na prestação de contas prévia, parcial, à Justiça Eleitoral. A senhora tem dito que vai inaugurar uma nova forma de fazer política, que todo político tem que ter certeza absoluta da correção de seus atos. No entanto, a senhora usou aquele avião como teria feito qualquer representante daquilo que a senhora chama de velha política. Eu lhe pergunto: a senhora procurou saber que avião era aquele, quem tinha pago por aquele avião, ou a senhora confiou cegamente nos seus aliados?

Marina Silva: Nós tínhamos, William, uma informação de que era um empréstimo, que seria feito um ressarcimento, num prazo legal, que pode ser feito, segundo a própria Justiça Eleitoral, até o encerramento da campanha. E que esse ressarcimento seria feito pelo comitê financeiro do candidato. Existem duas formas, três formas, aliás, de fazer o provimento da campanha: pelo partido, pelo comitê financeiro do candidato e pelo comitê financeiro da coligação. Nesse caso, pelo comitê financeiro do candidato. Essas informações eram as informações que nós tínhamos.

William Bonner: A senhora sabia dos laranjas? Essa informação foi passada para a senhora como candidata a vice-presidente?

Marina Silva: Não tinha nenhuma informação quanto a qualquer ilegalidade referente à postura dos proprietários do avião.

William Bonner: Eu lhe pergunto isso...

Marina Silva: As informações que tínhamos eram exatamente aquelas referente à forma legal de adquirir o provimento desse serviço. Agora, uma coisa que eu quero dizer para todos aqueles que estão nos acompanhando é que, para além das informações que estão sendo prestadas pelo partido, há uma investigação que está sendo feita pela Polícia Federal. E o nosso interesse e a nossa determinação é de que essas investigações sejam feitas com todo o rigor para que a sociedade possa ter os esclarecimentos e para que não se cometa uma injustiça com a memória de Eduardo.

William Bonner: Candidata, quando os políticos são confrontados ou cobrados por alguma irregularidade, é muito comum que eles digam que não sabiam, que foram enganados, que foram traídos, que tudo tem que ser investigado, que se houver culpados, eles sejam punidos. Este é um discurso muito, muito comum aqui no Brasil. E é o discurso que a senhora está usando neste momento. Eu lhe pergunto: em que esse seu comportamento difere do comportamento que a senhora combate tanto da tal velha política?
Marina Silva: Difere no sentido de que esse é o discurso que eu tenho utilizado, William, para todas as situações. Inclusive quando envolve os meus adversários. E não como retórica, mas como desejo de quem de fato quer que as investigações aconteçam. Porque o meu compromisso e o compromisso de todos aqueles que querem a renovação da política é com a verdade. E a verdade, ela não virá nem apenas pelas mãos do partido e nem, também, apenas pela investigação da imprensa. Que eu respeito o trabalho de vocês. Ela terá que ser aferida pela investigação que está sendo feita pela Polícia Federal. Isso não tem nada a ver com querer tangenciar ou se livrar do problema. Muito pelo contrário, é você enfrentar o problema para que a sociedade possa, com transparência, ter acesso às informações.

William Bonner: Candidata...

Marina Silva: O compromisso é com a verdade.

William Bonner: Agora, é que a senhora tem uma postura bem rigorosa no que diz respeito à ética, no discurso, quando a senhora se dirige aos seus adversários. Esse rigor ético que a senhora exige dos seus adversários nos faz perguntar e insistir se a senhora antes de voar naquele avião não teria então deixado de fazer a pergunta obrigatória se estava tudo em ordem em relação àquele voo. Não lhe faltou o rigor que a senhora exige dos seus adversários?

Marina Silva: O rigor é tomar as informações com aqueles que deveriam prestar as informações em relação à forma como aquele avião estava prestando serviço. E a forma como estava prestando serviço era por um empréstimo que seria ressarcido pelo comitê financeiro. Agora, em relação à postura dos empresários, os problemas que estão sendo identificados agora pela imprensa, e que com certeza serão esclarecidos pela Polícia Federal, esses, eu, como todos os brasileiros, estou aguardando. E com todo rigor. Eu não uso, William, de dois pesos e duas medidas. Não é? A métrica, a régua com que eu meço os meus adversários, é porque eu a uso em primeiro lugar comigo. E, neste momento, o meu maior interesse é de que tenhamos todos os esclarecimentos. Agora, uma coisa eu te digo: a forma como o serviço estava sendo prestado era exatamente esse do empréstimo, para que depois tivéssemos a forma de ressarcimento pelo comitê financeiro.

Patrícia Poeta: Ok. Candidata, vamos falar agora das eleições de 2010. A senhora obteve uma votação expressiva. Foram quase 20 milhões de votos. Mas o seu desempenho no seu estado, o Acre, onde a senhora fez toda a sua carreira política, onde as pessoas conhecem muito bem a sua forma de atuação e onde suas ideias e as suas ações são de conhecimento amplo por parte dos eleitores, a senhora tirou terceiro lugar. Ficou com metade dos votos do primeiro colocado, o então candidato pelo PSDB, José Serra. Ou seja, o eleitor acreano votou pesadamente na oposição ao governo federal. Aos eleitores dos outros estados do país que não a conhecem tão bem, como é que a senhora explicaria essa desaprovação clara no seu berço político?

Marina Silva: Em primeiro lugar é que esse terceiro lugar não estava tão distante do segundo. Eu fiquei muito próxima do segundo lugar, que foi a presidente Dilma.

Patrícia Poeta: Sim, mas foi metade do primeiro.

William Bonner: Metade do primeiro.

Patrícia Poeta: Metade do primeiro. Eu tenho aqui os números: 23,45%, a senhora; 52,13%, José Serra.

Marina Silva: Tem uma coisa, Patrícia, que até é um provérbio que a gente usa muito: é muito difícil ser profeta em sua própria terra. Sabe por quê? Porque, às vezes, a gente tem que confrontar os interesses. Eu venho de uma trajetória política que, desde os meus 17 anos, eu tive que confrontar muitos interesses no meu estado do Acre ao lado de Chico Mendes, ao lado de pessoas que se posicionaram ao lado da Justiça, da defesa dos índios, dos seringueiros, da ética na política. Isso fez com que eu tivesse que seguir uma trajetória que não era o caminho mais fácil. Aliás, na minha vida, nunca é fácil, não é? E, nesse caso, eu era candidata por um partido pequeno, em que...

Patrícia Poeta: Candidata...

Marina Silva: Não, mas deixa eu esclarecer...

Patrícia Poeta: Então tá, conclua aí para que a gente possa seguir aqui e fazer outras perguntas.

Marina Silva: Exatamente.

Patrícia Poeta: É justo com o telespectador.

Marina Silva: Por um partido pequeno, concorrendo contra duas máquinas muito poderosas, com 1 minuto e 20 segundos de televisão. E, mesmo assim, a candidata do PT, que tinha o governo do estado, senadores, deputados, vereadores, prefeitos... Eu fiquei muito próxima a ela. E isso...

Patrícia Poeta: O que eu estou querendo dizer é o seguinte: o berço político de um candidato é onde ele é mais conhecido pelos eleitores. Isso pode ser uma enorme vantagem para um candidato ou não. No seu caso não foi. Não seria como se os acreanos estivessem dizendo uma variação daquele velho ditado: “Quem não a conhece que vote na senhora”?

Marina Silva: Talvez você não conheça bem a minha trajetória.

Patrícia Poeta: Conheço, conheço, conheço, candidata. Nós estudamos bastante antes de fazer essa entrevista.

Marina Silva: Eu, como senadora... Mas eu faço questão de dizer porque eu acho que você tem um certo desconhecimento do que que significa ser senadora vindo da situação que eu vim. Eu não sou filha de político tradicional, não sou filha de nenhum empresário, porque, no meu estado, até a minha eleição, para ser senador da República, era preciso ser filho de ex-governador, era preciso ser filho de alguém que tivesse, de preferência, um jornal, uma TV e uma rádio para falar bem de si mesmo e falar mal daqueles que ficavam defendendo a Justiça.

Patrícia Poeta: A culpa é dos acreanos então?

Marina Silva: Não, não é culpa dos acreanos. É culpa das circunstâncias. Os acreanos foram muito generosos comigo em muitas vezes. Eu já cheguei a ficar quatro anos sem poder andar na metade do meu estado. Sabe por quê? Porque queriam fazer uma estrada sem estudo de impacto ambiental, sem respeitar terras dos índios e as unidades de conservação. E eu não podia trocar o futuro das futuras gerações pelas próximas eleições.
William Bonner: Candidata...

Marina Silva: Eu preferi pagar o preço de até perder os votos, mas lembra quando eu saí do Ministério do Meio Ambiente, que eu disse que eu perdia o pescoço, mas não perdia o juízo?

William Bonner: Vamos falar da sua chapa, candidata?

Marina Silva: Essa foi a minha trajetória no estado do Acre, essa tem sido a minha trajetória no Brasil e é assim que eu quero governar o Brasil.

William Bonner: Candidata.

Marina Silva: Fazendo aquilo que é necessário para as futuras gerações.

William Bonner: Candidata, me permita interrompê-la...


Marina Silva: E não o que é necessário para ganhar voto para as próximas eleições.

Patrícia Poeta: Daqui a pouquinho a senhora vai poder falar no um minuto e meio.

William Bonner: Me permita interrompê-la só para gente prosseguir com a entrevista. Queria falar sobre a sua chapa.  O vice na sua chapa: Beto Albuquerque. Ele foi um dos principais articuladores no Congresso Nacional da aprovação da medida provisória que aprovou o cultivo da soja transgênica aqui no Brasil. Ele também foi favorável a pesquisas com células-tronco embrionárias, são dois pontos em que eles se opõem a posições suas do passado. Além disso, ele aceitou doações de campanha - quando candidato - de setores da economia que a senhora não admitiria, setor de fabricantes de armas, fabricantes de bebidas. Esses exemplos não mostram que Marina e Beto Albuquerque são a união de opostos, aquela união de opostos tão comum na velha política, apenas para viabilizar uma chapa, para viabilizar uma eleição. O que que há de novo nessa política, candidata?

Marina Silva: Em primeiro lugar, mais uma vez eu quero trazer as informações para que a gente possa trabalhar com a realidade dos fatos. Uma questão fundamental: nós somos diferentes e a nova política sabe trabalhar na diversidade e na diferença. Agora, o fato do Beto ter uma posição diferente da minha em relação a transgênico em um aspecto. Há uma lenda de que eu sou contra os transgênicos. Mas isso não é verdade. Sabe o que que eu defendia quando era ministra do Meio Ambiente? O modelo de coexistência, o que significa áreas com transgênico e áreas livres de transgênico. Infelizmente no Congresso Nacional não passou a proposta do modelo de coexistência. E o Beto votou na proposta que acabou fazendo com que...

William Bonner: Mas na questão das células embrionárias há uma oposição forte...

Marina Silva: Nas células...

William Bonner: Mas eu lhe pergunto.  Veja se eu entendi: quando a união de opostos se dá com a senhora e alguém, então isso é uma união em prol do Brasil, é a superação de divergências. Quando essa união de opostos se dá com adversários seus, aí é o modelo da velha política, é uma conveniência eleitoral.

Marina Silva: Mais uma vez, William, eu quero dizer que você está trabalhando apenas com um lado da moeda.

William Bonner: Por quê?

Marina Silva: Você está trabalhando com o lado das diferenças que eu e Beto temos no episódio das células-tronco, que ele defende...

William Bonner: Não, não. Estou confrontando apenas com posições que a senhora tem assumido sobre a nova política em oposição à velha política. E não está clara para mim a diferença quando a gente vê dois candidatos de posições opostas unidos numa chapa. Era só essa a questão.

Marina Silva: Não está claro pra você, mas eu vou deixar claro para o telespectador. Mais uma vez eu insisto: você está apenas com um lado da moeda. Por exemplo, eu e Beto temos uma visão diferente em relação às células-tronco e em relação a transgênico. Mas tivemos um trabalho juntos, no Congresso Nacional, quando ele foi o relator da Lei de Gestão de Florestas Públicas do Ministério do Meio Ambiente, que criou o Serviço Florestal e que me ajudou a aprovar a lei da Mata Atlântica e tantas outras medidas importantes para o Ministério do Meio Ambiente. A vida não tem essa simplificação que muitas vezes a gente acha. Isso não tem nada a ver com velha política. Eu marquei a minha trajetória de vida trabalhando com os diferentes, na diversidade. E aí você está dando a oportunidade de que os telespectadores possam ver que essa história de que a Marina é intransigente.

Patrícia Poeta: Tá faltando um minuto, candidata.

Marina Silva: Que só conversa com aqueles que pensam igual a ela, não é tão verdade assim.

Patrícia Poeta: A senhora agora pode, então, usar esse um minuto e meio e falar com os seus telespectadores: dos projetos que a senhora tem para o país, quais seriam os prioritários?

Marina Silva: Em primeiro lugar, eu gostaria de poder dizer para os nossos telespectadores que um dos projetos mais importantes, neste momento da história do Brasil, é que a gente possa renovar a política. De que a gente não desista de ter na política aquilo que os brasileiros tanto querem, que é vê-la a serviço de resolver os principais problemas do cidadão. Infelizmente, a política tem sido motivo de apartação, de contenda, da luta do poder pelo poder. Para mim, a política deve ser utilizada para unir as pessoas, para que, mesmo com interesses diferentes, a gente seja capaz de mediar os conflitos e fazer aquilo que é melhor para o benefício do povo brasileiro. Como presidente da República, eu quero que você me ajude a ser presidente da República para ser a primeira presidente que vai, que assume o compromisso de que não vai buscar uma nova eleição, porque eu não quero ter um mandato que comprometa o futuro das próximas gerações.

Patrícia Poeta: OK, candidata.

Marina Silva: Eu quero para que a gente possa ter uma agenda para mudar o Brasil.

Patrícia Poeta: OK, 15 minutos já, 15 minutos e 16 segundos. Obrigada pela sua entrevista.

William Bonner: Muito obrigada candidata Marina Silva pela sua participação, pela sua entrevista no Jornal Nacional.




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Morre, em São Paulo, o empresário Antônio Ermírio de Moraes

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 08:49
Segunda-feira, 25 de agosto

“Ética, respeito e empreendedorismo, e que defendia o papel social da iniciativa privada para a construção de um país melhor e mais justo, com saúde e educação de qualidade para todos”, assim se expressou o Grupo Votorantim comunicando a morte de seu grande líder. Antonio Ermírio, era um rico empresário e, acima de tudo, não se esqueceu de vivenciar valores fundamentais na construção de uma sociedade mais justa. 

Antonio Ermírio formou-se como engenheiro metalúrgico na Colorado School of Mines, nos Estados Unidos. Começou a carreira no grupo Votorantim em 1949 e ajudou a consolidar o império iniciado em 1918. O empresário também gostava de escrever e a atividade como escritor o levou a ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras. Mas era no teatro que encontrava o seu hobby predileto. “Acorda Brasil”, “Brasil S.A” e “SOS Brasil”, peças teatrais escritas por ele têm como temas centrais, os problemas brasileiros. A frase: Teoria não é solução para os problemas sociais do Brasil. O que se precisa fazer é arregaçar as mangas, melhorar a administração das verbas e aplicá-las diretamente onde a questão é mais urgente, é um dos pensamentos do empresário a respeito da questão social.


Com grande senso humanitário, Antonio Ermírio dedicou grande parte de sua vida ao desenvolvimento de atividades filantrópicas, dentre elas, a Cruz Vermelha a Sociedade Beneficiência Portuguesa de São Paulo.

Abaixo compartilho, texto publicado pelo jornal Zero Hora, de Porto Alegre.

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Morre o empresário Antônio Ermírio de Moraes

Presidente de honra do Grupo Votorantim morreu aos 86 anos


O empresário Antônio Ermírio de Moraes, 86 anos, morreu por insuficiência cardíaca na noite deste domingo em São Paulo. Moraes era presidente de honra do Grupo Votorantim e morreu em casa, no bairro Morumbi, zona sul da capital paulista.

O corpo será velado a partir das 9h desta segunda no Salão Nobre do Hospital Beneficência Portuguesa. O sepultamento será no Cemitério do Morumbi. Antônio Ermírio de Moraes deixa a mulher, Maria Regina de Moraes, e nove filhos.

Nascido em São Paulo em 1928, o empresário se formou em Engenheiro Metalúrgica pela Colorado School of Mines (EUA) e começou sua carreira no grupo em 1949. Ele foi o responsável pela instalação da Companhia Brasileira de Alumínio, inaugurada em 1955.

Moraes lançou-se candidato pelo PTB ao governo de São Paulo, em 1986, mas acabou perdendo para o ex-governador Orestes Quércia (PMDB).

O empresário publicou livros e foi colunista do jornal A Folha de São Paulo por mais de 15 anos. As atividades como escritor foram responsáveis pela conquista da cadeira 23 da Academia Paulista de Letras. Moraes também se dedicou à filantropia, atuando em instituições como a Cruz Vermelha Brasileira e a Sociedade Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Em nota, a Votorantim informou que "o grupo perde um grande líder, que serviu de exemplo e inspiração para seus valores, como ética, respeito, empreendedorismo, e que defendia o papel social da iniciativa privada para a construção de um país melhor e mais justo, com saúde, e educação de qualidade para todos".

Confira a íntegra da nota da Votorantim:

"É com grande pesar que o Grupo Votorantim comunica o falecimento do Dr. Antônio Ermírio de Moraes, aos 86 anos, na noite deste domingo, 24 de agosto, em São Paulo.

Presidente de honra do Grupo Votorantim, Dr. Antônio era engenheiro metalúrgico formado pela Colorado School of Mines (EUA) e iniciou sua carreira no Grupo em 1949, sendo o responsável pela instalação da Companhia Brasileira de Alumínio, inaugurada em 1955.

Com o falecimento do Dr. Antônio Ermírio de Moraes, o Grupo Votorantim perde um grande líder, que serviu de exemplo e inspiração para seus valores, como ética, respeito e empreendedorismo, e que defendia o papel social da iniciativa privada para a construção de um país melhor e mais justo, com saúde e educação de qualidade para todos.

Dr. Antônio deixa a esposa, Dona Maria Regina Costa de Moraes, com quem teve nove filhos. O corpo será velado a partir das 9h desta segunda-feira no Salão Nobre do Hospital Beneficência Portuguesa e o cortejo sairá às 16h rumo ao Cemitério do Morumbi, onde o corpo será enterrado".


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